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Índice: Apresentação.............................................................................2 1 - O Ensino bíblico sobre o homem antes do pecado...........3 2 – O Ensino bíblico sobre o que é o pecado........................19 3 – A ira apaziguada...............................................................69 Apêndice I: Pecado é loucura................................................93 Apêndice II: Um falso conceito de felicidade: "Se consigo o que desejo sou feliz!"............................................................104

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Apresentação: O que é o pecado? Infelizmente muitos não consideram o pecado algo muito grave, e alguns até chegam a duvidar da existência de alguma coisa chamada "pecado". Isto acontece porque as pessoas não sabem que o pecado é algo terrível, que de fato existe, e está atuando no mundo. Não podemos negá-lo! Precisamos encará-lo e vê-lo exatamente como ele é. Só assim não brincaremos com algo tão perigoso, mas ao contrário, procuraremos nos livrar dele. Este pequeno livro pretende alertá-lo sobre esse que é o mal maior, a fonte de todos os males, o Pecado, e lhe esclarecer a respeito da única cura possível: Cristo, Aquele veio salvar seu povo de seus pecados! Leia e reflita!

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1 - O ENSINO BÍBLICO SOBRE O HOMEM ANTES DO PECADO. I – INTRODUÇÃO: A princípio precisamos meditar no que a Bíblia nos mostra sobre como era o homem antes do pecado, ou seja, quando Deus o criou. E isto pelo seguinte motivo: Ao olharmos para o mundo, o nosso país, sociedade, vizinhança, família e até, para nós mesmos, constatamos que alguma coisa está errada. A violência, a corrupção, a destruição familiar, as doenças, a tristeza, a morte, e principalmente o total desprezo a Deus; todas estas coisas e outras tantas nos levam a uma única conclusão: O mal é real e tem dominado a humanidade e toda a natureza. A pergunta é: Porque o mundo é assim? A esta pergunta os homens têm dado muitas explicações. Todavia nós cristãos e crentes na Bíblia, temos que ir a ela e observar o que nos diz a respeito deste assunto. E a primeira coisa que as Escrituras nos afirmam, é que o mundo e o homem não foram criados assim por Deus. Algo de ruim aconteceu: o 3


pecado. Mas antes de falarmos sobre isso precisamos perguntar: Como era o homem antes do pecado? Qual foi o projeto inicial de Deus para nós? II – DEUS É O CRIADOR (Gn 1:1-31): Se acreditarmos ser possível fazer a pergunta anterior, ou seja: Qual foi o projeto inicial de Deus para nós? È porque cremos que Deus é o criador do homem e de todas as coisas. E de onde tiramos está afirmação? Da Bíblia Sagrada, a Revelação de Deus para nós. Cremos nela! E ela diz claramente que Deus criou a terra, céu, animais, vegetais e os seres humanos. O Senhor criou todas as coisas! A Bíblia não tenta provar que Deus é o criador. Apenas afirma e chama os homens a crerem nisso. Este é um fato que devemos dar grande importância, pois se Deus é o criador e não existimos por obra de um acaso, naturalmente precisa haver um sentido, um propósito, um motivo para a nossa existência como também de todas as coisas. Se existe um criador, existe um propósito para a criação. As coisas não 4


existem simplesmente para existirem, mas para cumprir um objetivo estabelecido pelo criador. Uma das principais perguntas que fazemos dentro de nós mesmos é: Para que eu existo? Existe esta busca em cada ser humano. Pois bem, a Bíblia diz que Deus criou o homem. Diz também que o criou com um propósito. Qual o propósito então, para o qual Deus criou o homem e todas as outras coisas? Em Ap 4:11 lemos que o Senhor é digno de receber glória e honra e poder por ter criado todas as coisas. Foi pela vontade dele que tudo veio a existir. Este é o propósito da criação: a glória de Deus. Para isto existimos: para a glória de Deus. Para isto devemos viver: para a glória de Deus. Devemos meditar com bastante seriedade neste ponto, pois isto nos leva a uma conclusão obvia: Só podemos ser felizes e realizados se estivermos vivendo para a glória de Deus. Podemos ter muitas coisas como: dinheiro, fama, saúde, prazeres, amigos, poder, mas se Deus não for glorificado em nós, não seremos felizes.

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Há outra coisa quanto a isso que devemos lembrar: Não é o homem que está no centro de tudo, mas sim Deus. A nossa existência e todas as obras de Deus em nossa vida incluindo a salvação, apesar de serem e de trazerem para nós bênçãos sem medida, são principalmente para que Deus seja glorificado nelas. Naturalmente que Deus quer abençoar, porém este não é o seu principal objetivo. Qual é então o principal objetivo? A resposta clara é: A sua Glória. Não é Deus quem serve o homem. É o homem quem serve a Deus! Não é o homem quem está no centro, e sim Deus! “Não a nós Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl 115:1). III – O HOMEM A IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS (Gn 1:26-31). Neste ponto devemos nos perguntar: De que forma o homem glorificaria a Deus? É claro que Deus tinha um plano para Adão, e era em viver neste plano que Adão glorificaria a Deus. Que plano era este? Gostaria de colocar a questão de duas maneiras: no ser e no viver. Deus queria que o homem fosse de uma determinada forma e que 6


vivesse de acordo com ela. Deus queria que o homem fosse a sua imagem e semelhança, e que esta imagem e semelhança controlasse a sua vida. Assim o Senhor seria glorificado nele. Então podemos perguntar: O que significa a expressão: “imagem e semelhança de Deus”. Significa dizer que o homem foi criado parecido com Deus. Observemos bem este detalhe: O homem foi criado semelhante, parecido com Deus, e não igual a ele. A Bíblia não quer dizer neste texto que o homem é igual a Deus, pois com isso estaria dizendo que o homem é Deus. Ora, só existe um Deus. E como vimos a pouco, só a ele seja dada a glória. Porém a afirmação bíblica é que o homem possui características semelhantes às de Deus, parecidas com as do Senhor. E é somente sobre o homem que é dito isto. Sobre nenhum animal, planta, ou qualquer outra criatura terrestre se diz serem a imagem e semelhança de Deus, o que mostra ser o homem o ápice, a principal criatura que o Senhor pôs na terra. Como se tem dito: o homem é a coroa da criação. O mesmo fato é constatado no capítulo 1 de Gênesis em que Deus 7


cria do mais simples ao mais complicado e importante. Por exemplo: primeiro ele cria as “ervas” e depois as “árvores” (1:11). Assim é que por último, no sexto dia, ele cria o mais importante de todos: o homem, a sua imagem e semelhança (1:26-31). Vejamos agora em que o homem é parecido, é a imagem e semelhança de Deus:

1 – O Homem é um ser espiritual (Gn 2:7 e Jo 4:24): Quando o Senhor Jesus conversou com a mulher samaritana, deixou claro que Deus é Espírito. Em Gênesis lemos que Deus formou o homem do pó da terra e soprou sobre ele o fôlego de vida. Isto indica que o homem é constituído de duas partes: uma espiritual e outra material. É verdade que também a respeito dos animais se diz que eles possuem o fôlego de vida (Confira: Gn 1:30), e logicamente os animais não possuem espírito. Porém devido ao testemunho de outros textos das Escrituras sobre a 8


parte espiritual do homem, e pelo fato de este texto mostrar que a criação do homem foi algo especial e diferente, podemos crer que o texto nos indica que o homem não é só corpo. Ele também é espírito. E nisto ele se parece com Deus, pois Deus é Espírito. Neste ponto é importante destacar a frase popular que diz: “O homem é espírito e habita em um corpo”. A frase não é correta, pois passa a idéia errada de que o homem não é corpo, e que este é apenas um instrumento. Na verdade o corpo não somente é um instrumento, mas também uma parte de nós. Nós somos corpo. Isto é provado no fato de que quando morremos, o corpo volta ao pó, espírito volta a Deus, mas na ressurreição receberemos novamente um corpo glorificado, o que mostra que o homem é também corpo (Gn 3:19, Ec 12:7, I Co 15). Portanto, o mais prudente é entendermos o homem como um todo, uma unidade que se constitui de alma (ou espírito) e corpo. 2 – O homem era santo (Gn 2:19-25): O Senhor Deus é santo. Isto significa que Ele é impecável. A sua natureza é santa e é impossível 9


que ele peque. Nisto também o homem se assemelhava a Deus, pois, era santo no sentido de ter uma natureza santa. Apesar de que o homem não era impecável, e que de fato ele posteriormente chegou a pecar, ainda assim possuía uma natureza semelhante a Deus no sentido em que o seu coração desejava o que Deus desejava, amava o que Deus amava, queria o que Deus queria. Todo o seu ser, mente, corpo, vontade, desejos, planos, práticas, tudo o que era e o que fazia, corria como um rio na mesma direção da vontade de Deus. Ele andava junto com Deus, de acordo com Ele. Alegrava-se em obedecer-lhe. Não havia no homem qualquer resquício de rebeldia à vontade divina. Quando Deus trouxe os animais ao homem para que este lhe desse nome, observamos sua imediata obediência. Porque o homem agia assim? Porque interiormente queria agradar a Deus, a sua natureza era santa, e nisto ele se assemelhava ao criador. 3 – O Homem possui razão (Gn 2:19,20): O Homem é bastante diferentes dos animais. Porém uma coisa o diferencia com grande clareza: o 10


homem possui uma mente racional, o que se vê em Adão dando nome aos animais. É verdade que os animais possuem algumas capacidades e podem aprender algumas coisas. Mas isto não se compara com a mente humana. O homem pensa, medita, reflete, decide, tem opiniões, planeja e consegue melhorar os seus planos, inventa e melhora suas invenções. Enfim a capacidade mental do homem pode ser vista nas artes, na ciência, nas idéias, na inteligência, na capacidade de resolver problemas complicados, etc. E nisto também ele se assemelha com Deus, pois Ele o Senhor é o Grande Arquiteto do Universo, Aquele que criou e tem todas as coisas em sua mão e que dirige tudo em perfeita sabedoria e que preparou a Salvação Eterna para os seus: “Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11:34-36).

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4- No domínio (Gn 1:26-31): No mesmo verso em que se fala da imagem de Deus no homem, é mencionado também o domínio do homem sobre a natureza. Por isso é prudente incluirmos na questão da semelhança que o homem tem de Deus mais está característica: o domínio. O texto deixa claro que Deus colocou o homem na terra para dominar sobre as demais criaturas. Logicamente que este domínio seria debaixo da autoridade de Deus, pois o homem tudo fazia para a sua Glória. Também não seria destrutivo, mas sim uma benção para toda a criação. Isto se vê, por exemplo, no fato de o homem e os animais só se alimentarem de vegetais antes do pecado. Enfim, no domínio o homem também se assemelhava com Deus, pois o Senhor é o Rei do Universo e governa todas as coisas com infinita sabedoria. IV – UMA VIDA EM HARMONIA: O homem sendo a imagem de Deus, conforme já dissemos, estaria glorificando o Nome de Deus. Mas agora precisamos pensar no outro lado da 12


questão: O Homem sendo a imagem e semelhança de Deus logicamente iria viver de acordo com esta imagem. E neste tipo de vida ele também glorificaria a Deus. Mas como seria este viver? Como já disseram alguns escritores, o homem é um ser que vive em relação. Para que haja uma perfeita relação, é preciso existir harmonia. Esta é a palavra que gostaria de destacar nesse momento: “harmonia”. O Dicionário Aurélio diz que harmonia é: “disposição bem ordenada entre as partes de um todo”. Coloco então esse todo como o mundo que Deus fez, do qual o homem é a principal criatura. O que notamos é que o homem sendo a imagem e semelhança de Deus vivia em completa harmonia com toda a criação e com o próprio Deus. Havia assim um ambiente de perfeita ordem, organização. Tudo estava em seu devido lugar. Nada estava de “cabeça para baixo”. Todas as partes estavam bem ordenadas umas com as outras. Não havia nenhuma bagunça. Era com uma música bem cantada, em que o instrumento acompanha com perfeição o cantor. E as coisas assim bem ordenadas estavam todas debaixo da direção e autoridade de Deus. E só mesmo assim estariam 13


bem ordenadas, pois Ele é o Arquiteto, Senhor e Rei. De fato o Senhor fez tudo perfeito e bom. Repito: Em tudo isso Ele era glorificado. Mas vamos ver mais de perto esta vida em harmonia: 1 – Com Deus (Gn 2:19,20): Vimos anteriormente que uma das semelhanças entre o homem e Deus era a santidade. O homem possuía uma natureza santa e por isso amava e queria as mesmas coisas que Deus. E não só isso, na verdade o homem amava a Deus. Havia uma completa concordância e harmonia entre eles. Havia um amor recíproco. De todas as bençãos que o homem desfrutava esta era a maior, pois Deus é Único Deus, e bom e maravilhoso, e o homem com isso viveria para o fim com o qual foi criado: a glória de Deus.

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2 – Consigo (Gn 2:18-25): Após a entrada do pecado no mundo, observamos que o homem começou a ter sentimentos (medo, por exemplo, Gn 3:10) que mostram que ele passou a viver em guerra dentro de seu próprio coração. Porém, o homem em tudo mostrava uma completa paz interior. Quando Deus vinha ter com ele fica claro que não sentia nenhum temor ou descontentamento com o Senhor e a sua vontade, mas queria e sentia alegria com os planos de Deus. Isto se vê na satisfação demonstrada com a sua nova companheira dada a ele por Deus: a mulher. O fato é que o homem não possuía nenhum sentimento que lhe causasse angústia, assim como todas as partes de seu ser corriam para o mesmo lado: a vontade de Deus. Sua vontade, desejos, planos, enfim, tudo queria Deus. Não havia nenhum conflito interior, mas o homem em seu todo corria para a mesma direção. Assim o homem vivia em perfeita paz interior.

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3 – Com os outros (Gn 2:18-25): Como acabamos de dizer, quando Deus criou Eva e a apresentou a Adão, este demonstrou verdadeira satisfação. E observemos que Deus criou a mulher porque: “Não é bom que o homem esteja só”. Como muitos já disseram: “o homem é um ser social”. Na verdade Deus nos criou para convivermos uns com os outros. Porém, antes do pecado esta convivência era completamente harmônica, pacífica. Adão sentia alegria com Eva e esta naturalmente sentia o mesmo em sua convivência com ele. Eles não se combatiam e nem procuravam fazer o mal um ao outro. Estavam unidos (2:24). Antes do pecado Adão e Eva viveram aquilo que podemos chamar de um casamento ideal, e com certeza este era o projeto inicial de Deus para todos os relacionamentos humanos. Ou seja, assim como havia completa paz entre Adão e Eva como marido e mulher, também haveria esta mesma paz entre todos os membros da raça humana.

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4 – Com a natureza (Gn1:26-30): Já vimos que Deus colocou o homem para dominar a natureza e que este domínio não seria destrutivo. Assim seria porque no plano original de Deus o homem não combateria a natureza, e esta não causaria nenhuma dificuldade para ele. Portanto, também entre o homem e a natureza havia uma completa harmonia. V – CONCLUSÃO: Gostaria que agora comparássemos este quadro do homem antes do pecado com o homem em seu estado atual. Chegaremos a uma única conclusão: as duas situações são completamente diferentes. Vemos que todo o quadro de comunhão com Deus, com o próximo, consigo e com a natureza; que a Imagem e semelhança de Deus; que a glória e obediência a Deus na vida do homem; enfim, todas estas coisas em grande parte não estão mas presentes. Talvez aqui se aplique algo semelhante ao comentário que às vezes se ouve alguém fazer 17


de outra pessoa: “o fulano é apenas sombra do que um dia já foi”. Sim, o ser humano é apenas “sombra” (talvez nem isso) do que um dia foi quando Deus o criou. Todavia existe esperança, pois o Deus bom e misericordioso não desistiu de seu propósito para o ser humano, e em Cristo Jesus trará boa parte da humanidade a ele, ou seja, a obediência, a comunhão e a sua glória. E isto em um grau até maior que o original. Então louvado seja o nosso Deus, a Ele seja dada a Glória. Amém.

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2 - O ENSINO BÍBLICO SOBRE O QUE É O PECADO. I – INTRODUÇÃO: Mostramos no estudo anterior como era a vida do homem antes do pecado, e vimos que todas as coisas estavam debaixo da autoridade de Deus e dessa forma estavam bem ordenadas. Nada estava “de cabeça para baixo”. Mas, hoje não é assim. Portanto, precisamos agora refletir sobre o que aconteceu e perguntar: Qual foi a causa da atual situação de tragédia no mundo? A Bíblia afirma (E é Ela a nossa fonte da Verdade) que a causa de tudo é o pecado. Precisamos então em primeiro lugar, meditar sobre o que é o pecado. Infelizmente muitos não consideram o pecado algo muito grave, e alguns até chegam a duvidar da existência de alguma coisa chamada pecado. Isto acontece porque as pessoas não sabem que o pecado é algo terrível, que de fato existe e está atuando no mundo. Não podemos negá-lo. Precisamos encarálo e vê-lo exatamente como ele é. Só assim não 19


brincaremos com algo tão perigoso, mas ao contrário, procuraremos nos livrar dele. II – O PECADO É A FONTE DE TODO O MAL (Gn 1-11): A primeira coisa que precisamos meditar, é que todo o mal que vemos neste mundo tem uma única e mesma raiz: o pecado. É exatamente isso que descobrimos ao meditarmos nos onze primeiros capítulos de Gênesis. Nos capítulos um e dois, conforme vimos no estudo anterior, não se menciona nenhum tipo de mal. Porém, este quadro é totalmente mudado a partir do capítulo três. Notase que a partir daí, coisas terríveis são descritas, e que à medida que lemos os capítulos seguintes estas coisas se tornam cada vez piores. O que aconteceu no capítulo três? O que causou esta mudança tão grande? A resposta salta a vista em uma simples leitura do capítulo: o pecado. É preciso considerar este fato com muitíssima seriedade. Infelizmente a grande maioria das pessoas, e até mesmo muitas das que estão nas igrejas, não consideram o pecado, e especialmente 20


certos pecados em particular, como coisa muito grave. Acham que é normal pecar e que o pecado não lhes causara nenhum mal. Muitos chegam a dizer: “faço o que todo o mundo faz” ou “isso não é assim tão grave”. No entanto a Bíblia claramente mostra que, sem exceção, o pecado sempre produz algum tipo de mal. Meditemos agora no caso específico que o livro de Gênesis nos mostra, ou seja, no que aconteceu após o pecado de Adão. Desde que ele pecou, alguns males passaram a se manifestar e chegaram até os nossos tempos. Vejamos alguns deles: 1 – A presença do Maligno (Gn 3:1-5): Tudo estava bem até o momento em que Eva passou a conversar com a serpente. Mas quem era está serpente? Apesar de o texto não dizer que a serpente era satanás, fica claro ao olharmos para o todo da Bíblia que de fato tal serpente era mesmo satanás. As Escrituras nos mostram que este ser passou a influenciar e mesmo dominar os homens desde que Adão aceitou as suas palavras e lhe 21


obedeceu. A estratégia principal que ele tem usado para dominar os homens tem sido a mesma que usou contra Adão: a mentira. Jesus o chamou de o pai da mentira (Jo 8:44). Assim ele mente para Eva fazendo-a em primeiro lugar duvidar da Palavra de Deus. O Maligno sempre procurará afastar os homens da Palavra da Verdade que vem de Deus. Tenta fazer que eles não creiam nela, que pensem ser ela uma mentira. Para conseguir isso ele inventa palavras enganosas e ilusórias distraindo os homens da Revelação que Deus dá em sua Palavra. Assim os homens se tornam cegos, ainda que imaginem enxergar bem. Em segundo lugar, faz Eva duvidar da bondade de Deus. Diz a ela que Deus mentiu e quer evitar que o casal tenha algo melhor: “ser como Deus”. O Maligno tem seguido a mesma estratégia até o dia de hoje. Engana o homem e a mulher de nosso tempo fazendo-os acreditarem que seguir a Deus não é bom, que o melhor é viver longe do Senhor. Mas como aconteceu com Adão e Eva assim também têm acontecido às pessoas ao longo da História e também acontece agora: Quando o ser humano pensa que não precisa de 22


Deus para ser feliz, acaba se afundando em mais sofrimento e dor. 2 – Natureza Má (Gn 6:5): Já estudamos que o homem foi criado com uma natureza santa. Tal natureza só lhe trazia alegrias. Mas depois da entrada do pecado, o homem passou a ter uma natureza que tendia para o mal. Não é preciso muito esforço para provar que temos tendências dentro de nós que facilmente nos levam a desejos e práticas que trazem sofrimentos a nós e aos outros. Guerras, falta de generosidade, violência, tráfico de drogas, corrupção, racismo, fofocas, todas estas coisas e muitas outras, nascem de nós e se manifestam em desejos e práticas que sempre trazem algum tipo de sofrimento (Veja também Mt 7:21,22). 3 – Sociedade Rebelde (Gn 11:1-9): A história da Torre de Babel nos mostra que homens de natureza má quando se unem para um projeto, não seguem a vontade de Deus, pois Deus 23


queria que os Homens se espalhassem pela terra. Assim, vemos que o ser humano quando participa de qualquer grupo social, tanto influencia o grupo de acordo com a sua própria natureza pecaminosa, como também é influenciado pelas pessoas do mesmo grupo que também possuem uma natureza má. Portanto, toda a associação humana; seja família, bairro, cidade, país; em geral vivem de maneira que Deus não quer. Como somente a vontade de Deus garante felicidade, o resultado é que as sociedades estão empestadas de tristezas, dores, e sofrimentos. Isso ainda é mais claro nos tempos modernos com as novas formas de comunicação: telefone, televisão, internet, etc. que propagam mensagens boas e más com velocidades nunca vistas. Dessa forma influenciam muitas pessoas. 4 – Natureza hostil e trabalho duro (Gn 3:17-19): Até a natureza como um todo foi afetada pelo pecado de Adão. Foi amaldiçoada e passou a apresentar todo o tipo de dificuldade para o homem como, por exemplo, a produção de espinhos. Vimos 24


anteriormente que o homem vivia em perfeita harmonia com a natureza. Não é mais assim. A natureza lhe é hostil. E estudos modernos têm demonstrado que o homem em nome do progresso tem destruído o planeta Terra. Observamos então que passou a haver uma espécie de guerra entre a natureza e o ser humano. Notamos ainda que o trabalho sempre existiu, mas agora passou a ser difícil e cansativo. 5 – Morte Física (Gn 3:19): Não fomos criados para morrer fisicamente. O corpo de Adão e de todos os seus descendentes deveriam viver para sempre. Não havia morte na terra. Nem os animais morreriam, pois estes não faziam parte da dieta humana e dos outros seres vivos antes do pecado (Veja Gn 1:29-31). Mas o pecado provocou este destino a todo o homem e demais seres vivos: todos morrerão. Louvado seja Deus que no futuro no Reino de Cristo isto será mudado, e os salvos por Ele ressuscitarão com um corpo glorificado. Amém! 25


6 – Desavenças (Gn 3:11-12 e 4:8-15): Observamos no estudo anterior que Adão e Eva eram uma espécie de casal ideal. Porém imediatamente depois da entrada do pecado vemos Adão acusando Eva. Além disso, após algum tempo aquela primeira família teve que amargar um cruel assassinato em seu seio: Caim mata a Abel. Com entrada do pecado entrou também toda a desarmonia entre os seres humanos que tem nos acompanhado até os tempos atuais. Os homens e mulheres passaram a ter uma natureza corrompida que os enche de egoísmo, ódio, inveja, ingratidão, falsidade e coisas semelhantes a estas, que só podem produzir todo o tipo de lutas, seja entre familiares, patrões e empregados, classes sociais, nações, enfim, em todo o tipo de relacionamento humano. Nem é preciso dizer muita coisa sobre quanto sofrimento tal situação tem provocado. 7 - Turbulência interna (Gn 3:7-10): Antes do pecado o homem com todo o seu ser 26


queria a vontade de Deus. Não havia nenhum conflito dentro dele, mas sim, perfeita paz. Mas vejamos Adão depois do pecado: sente vergonha por estar nu, foge de Deus, não sente, como antes, prazer em estar com Deus, mas um profundo desconforto. Fica claro que passou a experimentar uma verdadeira turbulência, uma verdadeira guerra dento de si. Todos nós sabemos de nossas crises internas. Sabemos de nossos medos e ansiedades, de que as vezes nos sentimos divididos. 8 – Morte Espiritual (Gn 2:16,17): Este é o pior mal que o pecado causou. Neste texto se incluem a morte física e a espiritual. Mas o que é morte espiritual? Basicamente é estar afastado de Deus. Tanto é verdade dizer que Deus não pode ter comunhão com o pecador, como também o pecador foge de Deus. Eles estão separados (veja Gn 3:9-24) Por isso afirmamos que este é o pior mal. Pois o homem foi criado para Deus, para que faça de Deus o seus Deus. Deus é o Único Deus. Não fazê-lo Deus para si é negar a Verdade, e estar no absoluto erro. É completamente 27


impossível ser feliz dessa forma e o final desse caminho é o inferno. Todavia trataremos mais deste assunto nos próximos tópicos de nosso estudo. Assim, vimos alguns males que o pecado causa. Existem outros (as doenças, por exemplo), mas estes são suficientes para demonstrar que o pecado é uma raiz maligna que produz todo o tipo de dor e sofrimento. III – O PECADO É UM TIPO DE MAL: Chegamos agora a um novo estágio de nosso estudo. Já definimos o pecado como a fonte de todo o mal. Mas isto toca mais nas conseqüências do pecado do que no pecado em si. Precisamos entender que ele não somente é a fonte de todo o mal, mas que ele mesmo é um tipo de mal. É importantíssimo fazermos isso pelo seguinte motivo: Se aceitarmos tão somente que o pecado é a fonte de todos os sofrimentos, estaremos satisfeitos com qualquer proposta que nos garanta o livramento destes sofrimentos sem a necessidade de abandonarmos o pecado que os causou. 28


Podemos ilustrar com um exemplo atual. Vivemos em uma época de grande liberdade na área sexual. Os meios de comunicação, a moda, enfim, toda a cultura de nosso tempo, incentiva as pessoas a praticarem o sexo livre. Diz-se normalmente que não é preciso o casamento para a prática sexual. E alguns (ou muitos) chegam a dizer que não é preciso haver amor para que haja intimidades entre o casal. No entanto o ensino claro das Escrituras é: Sexo é uma benção que Deus deu ao homem e a mulher, para que estes usufruam dele em amor e debaixo de sua benção no casamento. Como todo o pecado gera sofrimentos, esta liberdade exagerada tem trazido a nossa sociedade vários problemas. Podemos citar dois deles: doenças como a AIDS, e a grande ocorrência de gravidez na adolescência fazendo com que “crianças gerem crianças”. Mas o homem moderno diz: “Não precisamos abandonar o sexo livre, vamos apenas ensinar as pessoas a usarem métodos anticoncepcionais e de proteção à saúde. Vamos, por exemplo, dizer aos jovens e a todas as pessoas que usem 29


preservativos”. Assim o a sociedade atual não quer abandonar aquilo que Deus diz ser pecado, quer apenas livrar-se de suas conseqüências. Mas é possível ainda ilustrar com outro exemplo tirado das Escrituras que mencionamos em nosso estudo do Livro de Êxodo quando comentamos o capítulo 10 dos versos 10 a 19 (Por favor, leia o texto bíblico). Citamos aqui nossas palavras naquele estudo: “Faraó parece neste texto que está arrependido, pois afirma: ‘Pequei contra o Senhor’. Porém logo a diante se afirma: ‘O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó e este não deixou ir Israel’. Logo, ao se ver livre dos gafanhotos não se lembrou mas de sua promessa. O texto deixa claro que agiu assim porque seu coração estava endurecido. Na verdade faraó não estava arrependido, queria apenas se livrar da terrível praga. Para entendermos melhor devemos lembrar que uma praga de gafanhotos já é naturalmente devastadora, porém esta era pior, pois nunca tinha se visto outra igual (10:6), e o Egito com as pragas anteriores se encontrava bastante destruído. Faraó ao ver a terrível praga, 30


passou a desejar verdadeiramente o fim dela. Portanto não estava arrependido. Pois o arrependimento sincero não é querer simplesmente livrar-se das conseqüências do pecado, mas do próprio pecado. Faraó não queria obedecer a Deus, pois estava com o coração endurecido”. Na verdade todas estas coisas acontecem porque as pessoas não conseguem ver a verdadeira face do pecado. Elas estão cegas. Ainda não entenderam que o pecado é feio, mal, sujo e imundo. Não é algo que deve ser amado e guardado no coração. Ao contrário é algo do qual se deve ter repulsa e do qual se deve fugir. Mas, para que o ser humano chegue a esta conclusão ele precisa saber o que de fato é o pecado. Pois bem, para entendermos o terror que é o pecado, é esclarecedor fazermos uma comparação com algumas situações que a Palavra de Deus nos apresenta como certas, ou seja, situações onde as coisas estão todas em seu devido lugar. Depois disto, veremos como a Bíblia define o pecado Vejamos a seguir: 31


1 – A Humanidade antes do pecado (Gn 1 e 2): Já mostramos em alguns pontos como era o homem e a natureza antes do pecado. Mas para este momento de nossos estudos, precisamos relembrar algumas coisas: A – O homem amava a Deus e vivia em comunhão com o Senhor sendo também amado por ele. Vimos como Adão possuía uma natureza santa e devido a essa natureza amava a Deus e se alegrava em obedecer-lhe. B – O homem glorificava a Deus: Também vimos que o homem e todas as coisas foram criados para a glória de Deus. E o homem glorificava a Deus manifestando a sua imagem e semelhança em especial numa vida de santa obediência. C – O Senhor era o Deus do homem: O homem vivia debaixo de sua autoridade. O Senhor era o seu Deus e Rei. Não havia orgulhosa rebeldia, mas o homem se alegrava em humildemente render-se a 32


Deus e em tudo obedecer-lhe como seu servo. O Senhor era exaltado e honrado sobre tudo e todos. 2 – A Humanidade no Pecado: Sabemos que as coisas após o pecado mudaram por completo. O homem passou a não amar a Deus, e a não viver para a sua glória. E o Senhor não era agora o seu Deus.

3 – Cristo e o Reino: Cristo diz “Arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus”. Ele chama as pessoas a se voltarem para Deus, e deixa bem claro que iriam achar Deus Nele. Nele estava o Reino de Deus. Sabemos por todo o Novo Testamento que todo aquele que tem se arrependido e crido nele como Salvador e Senhor, neste está o Reino de Deus. É verdade que a humanidade em geral está em rebeldia a Deus, mas naquele que crer em Jesus Deus já Reina, ainda que não perfeitamente. Este 33


tal ama a Deus, o serve humildemente, e deseja que toda a sua vida glorifique a Deus. Este Reino se expande à medida que o Evangelho é pregado e as pessoas nele crêem. Observemos ainda a oração do Pai Nosso (Mt 6:9-13). Nesta oração modelo Jesus nos ensina que a primeira coisa a ser pedida é que o Nome Dele seja Honrado. Em seguida devemos pedir que o seu Reino venha, e que a sua vontade seja feita na terra como é feita no céu. Ora no céu Deus é honrado, glorificado, servido e amado. Quero enfatizar este ponto: Jesus nos impulsiona a orarmos pedindo pela vinda do Reino de Deus antes de pedirmos por qualquer necessidade pessoal. Só depois ele fala do pão. Isto mostra que acima de tudo está Deus e seu Reino. Deus deve reinar. Por isso diz mais adiante: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus, e a sua justiça” (Mt 6:33). 4 – O Reino estabelecido (Ef 1:3-14 e Ap 21:1-8): Aqueles que oram pela vinda do Reino, um dia 34


verão a sua petição respondida de forma completa. Paulo deixa isto bem claro ao afirmar que este é o propósito de Deus. Observemos que ele começa louvando a Deus. Porque faz isso? Porque Deus está agindo dentro de um plano que Ele mesmo estabeleceu e que não falhará. O pecado tem manchado a boa obra de Deus na vida do homem e de todo o universo. Mas Deus antes mesmo da fundação do mundo, portanto antes da criação do homem, já tem estabelecido os que serão dele (Veja Ef 1:4). A estes ele está salvando tornando-os seus filhos pelo sangue de Cristo (Veja Ef 1:5-7). E o propósito principal em toda esta obra que Ele está realizando é: “tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”. Ou seja, em breve dentro do plano de Deus (e este plano não vai falhar), não haverá mas rebeldia, pois tudo, todas as coisas nos céus e na terra estarão debaixo da autoridade de Deus em Cristo. Deus será plenamente obedecido e toda a rebeldia será vencida. Na verdade será a volta ao antigo paraíso sem pecado. E podemos até dizer: Será ainda melhor que no paraíso, pois não haverá 35


possibilidade de se cair no pecado, e todos os inimigos, ou seja, o diabo e seus demônios e os homens e mulheres rebeldes terão sidos derrotados e condenados para toda a eternidade. Não haverá mas nenhum inimigo para provocar o mal, até nossa natureza pecaminosa terá sido destruída (Veja Ef 1:9,10). Apocalipse, no texto citado, nos apresenta um quadro maravilhoso do futuro Reino de Deus. Quero destacar os versos: 3,7 e 8. Neles se diz que o Senhor será o Deus de seu povo. E este será o povo de Deus. Fala ainda, que isto ocorrerá também individualmente. Ou seja, Deus será o Deus daquele que vencer. E este será seu filho. Vemos aqui um ambiente em que Deus de fato é Deus para os seus e vive em comunhão com eles. Naturalmente nesta comunhão está a glória de Deus, pois Deus é glorificado pelo seu povo, como também o amor recíproco entre eles. Explicando: Deus os ama e eles amam a Deus. Mas quanto aos rebeldes, estes serão vencidos e condenados. O Senhor vencerá e será honrado: seja na salvação de seu povo ou na 36


condenação dos ímpios. Todos um dia terão que se inclinar e reconhecer que só o Senhor é Deus e só Ele deve ser glorificado. Os salvos já fazem isso nesta vida. Os perdidos farão isso no juízo final, mas então será tarde demais. Aqui paro para perguntar: Já nos humilhamos diante do Senhor? Todos terão que passar por essa humilhação. Mas no Juízo final ela só será para a condenação. Só serão salvos os que agora nesta época da graça, se humilham diante de Deus fazendo dele seu Senhor e crendo no seu amado Filho Jesus. Depois será tarde demais. Pergunto então: O Senhor já é o seu Deus? Você já se humilhou diante dele? Já beijou os pés de seu Filho Jesus, já lhe prestou homenagem?(Sl 2:12) Lembremos que Deus exaltou a Cristo “para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão no céu e na terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”(Fp 2:10,11). Devemos agora observar algumas características que aparecem em todas estas situações que 37


acabamos de abordar. Tanto com relação a humanidade antes do pecado, como com relação ao Reino em formação (ainda que neste último caso de forma imperfeita), e o Reino estabelecido, notamos que: Deus é o Senhor, ama e é amado, é servido em humildade, e em tudo é glorificado. Além disso, devemos enfatizar que é exatamente assim que as coisas devem ser. Ou seja, este é o certo. O certo, o correto é que Deus seja honrado como Deus. O contrário disso é absolutamente errado. Mas afinal, o que é o pecado? Ora pecado é exatamente o oposto de tudo isso. Queremos explicar lembrando duas palavras que se encontram nas línguas originais das Escrituras: “rebeldia e errar o alvo”. Acertadamente o Dicionário Internacional de Teologia do AT afirma que as palavras relacionadas ao pecado sempre se referem a um padrão, a um modelo. Rebelar-se é rebelar-se contra um padrão. Errar o alvo é ficar aquém de um padrão. Mas quem estabelece o padrão? A resposta só pode ser uma: Deus. E onde está este padrão? Em sua Lei. Daí nos dizer I João 3:4 “Todo aquele que 38


pratica o pecado, também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”. Então a Bíblia resume o pecado como: Quebrar a Lei de Deus. Isto traz algumas conseqüências. Vejamos: Se pecar é quebrar a Lei de Deus devemos buscar o mandamento principal desta Lei. Qual é Ele? Em Mc 12:28-34 foi exatamente essa a pergunta de um escriba ao Senhor Jesus. O Senhor então responde citando Dt 6:4,5: “Ouve ó Israel, O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás pois o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” O principal mandamento, então, é que Ele seja o nosso único Deus. Ele não aceita que tenhamos outro deus. Só Ele deve ser glorificado como tal. Só a Ele toda a glória. Portanto, se Ele é nosso único Deus, devemos então amá-lo com todo o nosso ser. Podemos tirar daqui que. a base de toda a obediência a Lei de Deus é que o homem obediente está dando glória ao único Deus e demonstrando profundo amor por Ele. Em Jo 14:15 Jesus confirma isso ao dizer: “Se me amais guardareis os meus mandamentos”. 39


Portanto, a verdadeira obediência a Deus e sua Lei não é alguma coisa mecânica. Isto é, não é como o trabalho de uma máquina. As máquinas não são pessoas. Não tem sentimento, alma, vontade e coração. Assim, aquele que tenta obedecer algum mandamento, mas, não o faz para a glória de Deus, em honra a Ele como o único Deus, e não possui amor profundo ao Senhor, não está de fato obedecendo a Deus. Obedecer a Deus é ser, viver e fazer tudo para a glória de Deus e por amor a Ele. Ora, se tudo isso é verdade, e conforme vimos, pecar é quebrar a Lei de Deus, concluímos, pois que pecar é o contrário da verdadeira obediência, ou seja, pecar é: não dar glória ao Senhor como ó único Deus e não amá-lo. Concluímos ainda, que pecar é estar no errado, já que, não é certo que Deus não seja amado e honrado como único Deus. Na verdade não existe motivo para pecar, não existe razão para pecar. Pecar é algo sem sentido, é irracional. Devemos ainda acrescentar que todo este ensino nos mostra que o pecado é sempre algo relacionado com Deus. Todo o pecado é contra Deus. Depois de 40


ter adulterado com Bate-Seba e provocado a morte de seu marido, Davi em profundo arrependimento diz no Salmo 51 verso 4: “contra ti, contra ti somente pequei”. Não tinha somente cometido um ato terrível contra o casal envolvido, não havia somente praticado algo errado diante da sociedade, mas acima de tudo, havia pecado contra Deus. Todo o pecado, seja qual for, é contra Deus e a Ele ofende. IV - O PECADO É UM MAL CONTAMINADOR DE TODO O SER: A nossa próxima questão é: Onde está o pecado e como ele se manifesta? A Palavra de Deus mostra que o pecado é um mal que contamina todo o ser do homem. Ele não fica só na superfície, mas age profundamente. Existem pessoas que acham que pecar é tão somente praticar atos errados. Todavia, mesmo sendo verdade que o pecado se manifesta nos atos, a Bíblia nos informar que ele vai muito além disso. Ou melhor, a sua origem é muito mais profunda. Vejamos: 41


1 – O pecado está nas nossas ações e nelas se manifesta (Ex 20:8-16): Observemos que esta parte dos dez mandamentos nos fala de obediência em termos de nossas ações: Guardar o sábado; Honrar pai e mãe; Não matar; Não adulterar; Não dizer falso testemunho. Todas estas coisas são ações, são práticas. Se pecar é quebrar a Lei de Deus, então quando praticamos coisas contrárias a estes mandamentos nós pecamos. Por exemplo, se não honrarmos nossos pais (e isto naturalmente se prova na prática) estaremos pecando. Concluímos, portanto, que o pecado pode ser algo prático, ou seja, algo que se mostra por meio de ações. 2 – O pecado está em nossos desejos e neles se manifesta (Ex 20:17): É muito importante darmos atenção ao fato de que os dez mandamentos não nos proíbem apenas as práticas erradas, mas também os desejos errados. Pecar não é só fazer coisas erradas, mas é também ter desejos errados. Muitas vezes as pessoas 42


pensam que pecam apenas quando praticam certas coisas. Mas a Bíblia vai mais longe, e nos diz que elas podem pecar também nos desejos. “Não cobiçarás”. O pecado está na cobiça. A cobiça já é pecado. Quando desejamos, cobiçamos o que não é para ser cobiçado, já pecamos. E é assim mesmo que não aconteça nenhuma ação, e a própria prática se origina em um desejo pecaminoso. 3 – O pecado está em nosso coração e nele se manifesta (Gn 6:5 e 8:21): Podemos dizer que coração na Bíblia se aplica a sede de todo o ser do homem. É a sua capital. É de lá que vem todos os desejos, vontades e inclinações do ser humano. Pois bem, segundo estes textos, é no coração que o pecado está. O pecado não está apenas nas obras e desejos do homem, mais atingiu a sede: o coração. O homem não somente pratica obras pecaminosas e tem desejos pecaminosos, o problema é muito mais grave: ele é um ser pecaminoso. É de lá que vem esses desejos e obras más. O pecado écomo um exército conquistador que em uma guerra 43


chega a capital do país conquistado. É como se um exército argentino invadisse a nossa capital: Brasília. O pecado está em nossa Brasília, em nosso coração, e de lá domina todo o nosso ser. Esta situação é extremamente grave. Para expressar esta gravidade citamos o teólogo Wayne Grudem como segue: “O descrente, mesmo dormindo, embora não cometa atos pecaminosos nem nutra ativamente atitudes pecaminosas, é ainda ‘pecador’ aos olhos de Deus; ele ainda tem uma natureza pecaminosa que não se conforma à lei moral de Deus” (Teologia Sistemática de Wayne Grudem, página 404). Na verdade ocorre que a pessoa não convertida não ama a Deus em seu coração. De coração ela aborrece e despreza a Deus e não se humilha diante dele para lhe dar glória. Sua natureza é rebelde, arrogante e inimiga de Deus. Lembremos que a essência do pecado é não amar a Deus e nem lhe dar glória. Ora, tal essência habita na natureza, no coração do ser humano. Por isso cada pessoa neste mundo precisa nascer de novo, e se converter para poder fazer parte do Reino de Deus. É preciso uma transformação profunda operada pelo Espírito 44


Santo. É preciso ter uma nova vida, uma nova natureza para que então se possa amar a Deus de coração e viver para sua glória. Por favor, medite nestas coisas em oração e com a mesma atitude leia Jo 3:1-21. Pense agora nas seguintes questões: Você já nasceu de novo? Já se converteu? Já confiou em Jesus como seu único Salvador e Senhor? Já se humilho diante dele em profunda tristeza e sofrimento pelos seus pecados, seus desejos maus e seu coração rebelde, desejando ardentemente uma nova vida, um novo coração, novos desejos santificados e práticas santas? Já sentiu profunda tristeza e arrependimento por não amar a Deus, desejando agora amá-lo? Oh meu prezado, sem estas coisas somos inimigos de Deus e o pecado em nós habita e reina. Se estas coisas não estão em sua vida, se você possui apenas religião, mas no coração não ama a Deus, eu lhe conclamo a buscar ao Senhor intensamente, a clamar a Ele por misericórdia e a não sossegar até 45


ter certeza de que já nasceu de novo. Não durmamos, mas busquemos a Deus e Ele terá misericórdia de nós, pois Ele diz: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos, convertase ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus porque é rico em perdoar” (Is 55:6, 7). V – O PECADO CRESCIMENTO:

É

UM

MAL

EM

Tendo definido o que é o pecado, ou seja: é a fonte de todo o mal, e também é um tipo de mal, pois é desonrar e não amar a Deus; precisamos agora saber que o pecado não somente é esta coisa tão terrível, mas, além disso, é algo que se torna cada vez pior. O que queremos dizer, é que o pecado tem a tendência de provocar males cada vez mais graves e ainda tornar-se cada vez mais detestável em si mesmo. Gênesis do capítulo 3 ao 11 nos mostra exatamente isto. Observemos os seguintes casos: 46


1 – Adão, Caim, Lameque, o Dilúvio e a Torre de Babel (Gn 3:1-24; 4:8-24; 6:1-22; 11:1-9): Adão e Eva pecaram achando que com isso iriam melhorar de vida. A voz da serpente dizia: “sereis como Deus”. Nisso eles acreditaram, mas o que tiveram foi algo bem diferente: A perda da comunhão com Deus e do Paraíso. Destaquemos, portanto: Tanto eles passaram a estar em rebeldia diante de Deus, que é o pecado em si em sua falta de submissão e amor a Deus, como também perderam aquela vida de bênçãos maravilhosas no paraíso. Porém a coisa foi se tornando pior. Logo eles tiveram que experimentar a tragédia de ver um de seus filhos assassinar o próprio irmão. Que sofrimento o pecado causou! De fato o pecado é a fonte de todo o mal. E ainda hoje notamos o mesmo engano em pessoas que pensam que podem ser felizes longe de Deus. Vemos, além disso, que no assassino Caim existia uma maldade e rebelião a Deus em um grau ainda maior que o encontrado em Adão e Eva. É verdade que eles se rebelaram contra Deus, mas Caim é 47


ainda mais audacioso: tem coragem de matar a seu irmão e quando Deus o questiona enfrenta ao Senhor com uma resposta grosseira. Porém o pecado continua a crescer em suas conseqüências maléficas e em sua rebelião a Deus. Apesar do grave pecado cometido por Caim, ele, contudo, parece ter sentido certa vergonha do que fez e tentou alcançar alguma misericórdia diante de Deus. Porém Lameque, que era seu descendente de sexta geração, tornou-se um assassino ainda mais desavergonhado. Aliás, ele não demonstra vergonha alguma, mas orgulho por ser um matador. Diz a suas mulheres orgulhosamente: “matei um homem por me ferir e um jovem por me pisar. Por sete vezes Caim será castigado, mas lameque setenta vezes sete”. Esta era uma canção de orgulho. Ele não demonstrou nenhum respeito, temor ou amor a Deus, mas orgulho por seu pecado. Observemos ainda, que o fato demonstra que a violência foi se tornando cada vez pior. Mas o pecado continua seu tenebroso crescimento. Assim, no capítulo 6 de Gênesis o pecado se alastra de tal maneira que o Senhor em sua justa ira traz a destruição daqueles homens no 48


dilúvio. E mais uma vez tanto a rebeldia no coração dos homens cresce, como as próprias conseqüências são ainda mais terríveis: a morte no dilúvio. Façamos aqui algumas importantes perguntas: Será que isto não está acontecendo em nossa vida? O nosso amor a Deus e obediência tem aumentado? Ou em vez disso é o desprezo a Ele, a rebeldia e os terríveis males de nossos pecados que tem crescido dentro de nós e em nossa volta? Lembremos ainda: o Dilúvio é um constante alerta para todos nós de que uma vida de teimoso pecado mais cedo ou mais tarde encontrará o Juízo de Deus. Mas louvado seja Deus, que o Senhor em sua graça pode nos livrar deste trágico crescimento do pecado. Isso Ele faz em Cristo Jesus. Se nos voltarmos a Ele em verdadeira conversão, Ele passa a nos santificar. Mas se persistirmos no pecado, o nosso coração ficará cada vez mais duro e rebelde e finalmente o juízo virá. 49


Todavia continuemos a olhar para o texto bíblico: Após o dilúvio os homens não se mostraram melhores. Em vez de se espalharem pela terra, como queria Deus, começaram a construir uma torre e decidiram ficar juntos. Iriam fazer para si um grande nome. Estavam cheios de orgulho. Mas o Senhor os espalhou confundindo as suas línguas. Com este caso devemos destacar que quando homens rebeldes a Deus se unem em seus projetos, existe a tendência fortíssima de o pecado se manifestar e manchar tudo. Como já afirmamos ao falarmos do pecado como fonte de todo o mal, a verdade é que o pecado penetra na sociedade, no coletivo e nas instituições humanas porque as pessoas que formam estas coisas são pecaminosas. Portanto, além de tudo que já temos visto sobre o crescimento do pecado, vemos agora que ele também cresce e se espalha até pelo que fazemos em conjunto. Tanto somos influenciados pelos pecados dos outros como os influenciamos por nossos próprios pecados. A Família, o Estado, o País, a Escola, e todas as demais instituições humanas podem nos dar provas claras de como o pecado consegue se espalhar de uma pessoa para a 50


outra pouco a pouco ou de forma as vezes rápida, bastante rápida. É como uma doença que começa em um órgão e com o tempo se espalha por todas as demais partes do corpo. Não sentimos isso em nosso País com a violência e drogas crescendo entre os jovens? De fato o que percebemos em nossa sociedade é o pecado penetrando como um terrível veneno em todos os setores. Isto inclui infelizmente até as próprias igrejas que cada vez mais se dobram diante do mundanismo da sociedade. O que queremos dizer, é que em vez da sociedade estar sendo influenciada pelas a igrejas sendo elas o sal da terra, são as igrejas que estão se deixando envenenar pelo pecado da sociedade. Aliás, hoje em dia pensa-se que quanto mais parecidos com o mundo forem os cristãos a coisa será melhor. Vemos os crentes pensando, vivendo, falando, vestindo-se e praticando as mesmas coisas que os indivíduos não cristãos. As diferenças entre não cristãos e cristãos tornam-se cada vez menores. Cita-se muito o Nome de Jesus, 51


mas demonstra-se muito pouco daquilo que a Bíblia chama de “ser nova criatura em Cristo”. Talvez para boa parte da “Igreja Moderna” possamos declarar o que Paulo disse a respeito de certos homens que tendo a aparência da piedade negavam a eficácia dela: “Sabe, porém, isto nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não 52


irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles”. Este é um efeito terrível do pecado que não deveria estar acontecendo na Igreja. A Igreja é que deveria estar neutralizando este efeito do pecado. Claro, não estamos afirmando com isso que tal coisa está acontecendo em toda a Igreja, mas a verdade é que em geral esta situação lamentável está sim ocorrendo. Precisamos pedir a Deus que tenha misericórdia de nós, e nos tire deste estado de coisas. Portanto a nossa conclusão de todo este aspecto é: o pecado tem um poder malévolo de penetrar nas instituições humanas contaminando tudo. Só Deus em sua graça pode evitar isso. Podemos extrair dois princípios de toda esta questão do pecado como o mal em crescimento: 1 – O pecado cresce como fonte do mal, ou seja, ele vai provocando males cada vez mais graves. 53


2 – E pior que o primeiro princípio é: O pecado se torna cada vez mais forte no coração das pessoas a medida que o tempo passa. Os homens e as mulheres se tornam cada vez mais cínicos, desavergonhados, amantes do erro e desprezadores de Deus. O apego ao pecado aumenta, enquanto que o temor a Deus diminui. Ora, quando chegamos ao capítulo 11 de Gênesis, como diz certo escritor, o pecado e o diabo parecem que venceram. O pecado cresceu, se espalhou e dominou completamente o coração dos homens. Parece enfim que não existe nenhuma esperança. Mas, quando começamos a ler o capítulo 12, encontramos ali a menção a certo homem. Quem é ele? O patriarca Abraão, que ainda neste momento se chamava Abrão. Deus o chama para que ele entre em seu grandioso plano que nós sabemos teria o seu auge com o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que é o Salvador dos pecados de seu povo (Mt 1:21). De Abraão sairia o Salvador. A palavra final é sempre de Deus, Ele venceria o pecado por seu Filho Jesus. Na verdade, apesar de Gênesis de 1 a 11 nos mostrar que o 54


pecado estava crescendo, Deus nunca deixou de operar a sua graça na vida das pessoas e operar através delas. Vejamos: 1- Existia o malvado Caim, mas também existia o fiel servo de Deus de nome Abel (Gn 4:14). 2- Em meio à maldade existiu Sete, um homem piedoso do qual nasceram homens piedosos como Enoque que não provou a morte (Gn 4:25,26 e 5:19- 24). 3- Em meio ao anúncio do terrível dilúvio lemos que Noé “achou graça aos olhos do Senhor”, que a propósito era da linhagem de Sete (Gn 6:7,8). 4- Finalmente quando lemos sobre a reprovação de Deus à Torre de Babel no capítulo 11, mais uma vez a graça de Deus se manifesta com a chamada de Abrão no capítulo 12. Portanto, podemos afirmar que existem duas forças operando no mundo: o pecado e a Graça de Deus. Reflitamos: 55


Qual dessas forças está atuando em nossa vida? O pecado ou a Graça de Deus? Estamos amando cada vez mais a quem? O pecado ou a Deus? Estamos entre aqueles que são recipientes de sua graça, ou entre aqueles que estão provocando cada vez mais a sua ira justa por viver no pecado? Estamos do lado de Caim ou de Abel? De Noé ou dos que foram condenados e punidos no Dilúvio? Somos descendentes de Abraão pela fé no Salvador que dele veio, ou seja, Jesus? Ou estamos entre aqueles que nada tem a ver com esta bendita aliança e que vivem neste mundo como se não houvesse Deus e em rebeldia a Ele? Estamos sendo santificados ou endurecidos? Precisamos pensar seriamente nestas coisas e ter absoluta certeza de nossa posição diante de Deus, pois ou estamos a favor ou contra Ele, ou somos seus amigos ou seus inimigos. 2 – As duas operações de Deus: Existe ainda um outro aspecto que precisamos 56


abordar em relação a esta questão. Nós o encontramos em Rm 1:16-32. Neste texto o apóstolo Paulo nos fala da manifestação de duas operações de Deus na terra: a sua justiça e sua ira. Em relação a sua justiça ele nos diz nos versículos 16 e 17 que Deus a está manifestando no Evangelho. Deus justifica o pecador, ou seja, atribui a ele a justiça que Jesus alcançou pela sua obediência até a Cruz. O homem não pode se salvar. Deus o salva pelo Evangelho. O Evangelho é o poder de Deus, não do homem. O pecador não pode alcançar perdão nem estar em completa justiça diante de Deus. Mas o Senhor o considera justo por causa do sacrifício de Cristo. Isto é o que se chama de justificação. Ela ocorre quando o pecador crê, quando ele tem fé. A justificação é pela fé. Mas no decorrer de toda esta preciosa carta aos Romanos, Paulo desenvolve mais este assunto de nossa salvação. Finalmente nos versos 29 e 30 do capítulo 8 ele diz: “porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou, e 57


aos que chamou, a esses também justificou, e aos que justificou, a esses também glorificou”. Observamos, portanto, que a justificação é apenas uma parte de toda a obra de Deus em nos salvar. Paulo cita agora que Deus: predestinou os salvos, e a estes Ele: chama, justifica e glorifica. Temos então no poder do Evangelho: Predestinação, chamado, justificação e glorificação. Mas temos ainda outra obra de Deus em nós pelo Evangelho que Paulo não cita aqui, mas que a menciona anteriormente nesta carta: a Santificação (Veja: Rm 6:19-23) . Demos agora algumas breves explicações de cada uma destas obras de Deus em nós: 1 – Predestinação: A palavra fala-nos do propósito de Deus para os que Ele escolheu. Deus escolhe os seus para a salvação e para que sejam de sua família. Deus determina os que serão chamados e salvos. Ora, ninguém vem a Deus a não ser que Ele o chame, 58


pois estamos mortos em delitos e pecados e é Deus quem nos ressuscita em sua misericórdia e não por nossos merecimentos (Veja Ef 2:1-10). Isto não anula de forma alguma a responsabilidade humana. Todos têm a responsabilidade de crerem em Jesus e quem não crer será julgado por isso. Devemos nos dobrar diante da Palavra de Deus que claramente ensina as duas coisas, crendo nelas e não tentando explicá-las detalhadamente. 2 – Chamado: Deus é que nos chamou. E quem Ele chama? A quem Ele predestinou. Respondemos ao seu chamado pela fé que, a propósito, também é um dom de Deus. 3 – Justificação: Como já explicamos, não somos justos, mas pecadores. Todavia, Jesus morreu por nós, pagou o preço de nossos pecados e ganhou para nós a justiça em sua obediência perfeita e sua morte na Cruz. Esta justiça que Ele conquistou, e que em nós 59


mesmos não temos, nos é atribuída quando cremos nele. E quem Ele justifica? Os que chamou. 4 – Glorificação: Esta obra será completada na glória, nas moradas eternas, quando em nós não haverá nenhum resquício de pecado e nosso corpo será imortal. Seremos perfeitos em nossa obediência ao Pai. E quem será glorificado? O que foi justificado. 5 – Santificação: É o processo que se estende por toda nossa vida neste mundo, através do qual nos tornamos cada vez mais obedientes a Deus, abandonamos o pecado e a Imagem de Deus é restaurada em nós. Ora, também podemos afirmar que aqueles que foram predestinados, chamados, justificados e um dia serão glorificados, estes com certeza estão sendo santificados por Deus.

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Tudo isso faz parte da operação de Deus na salvação dos predestinados. Mas existe a outra operação: a manifestação da ira de Deus. Paulo faz um contraste entre as duas operações nos versos 17 e 18. Como nos apresenta a ira de Deus? Dos verso 18 ao 32 nos diz que os homens tem desprezado a revelação de Deus na criação e criados para si outros deuses de acordo com suas mentes. Isto provoca a ira de Deus que então os entrega à maldade de seus próprios corações. A conseqüência disso é que os homens se afundam cada vez mais em seus pecados e a sua situação se torna de mal a pior. Mais e mais amam e praticam o pecado e se afastam e desprezam a Deus. Podemos resumir tudo em quatro princípios: 1 – Os seres humanos têm desprezado a Revelação da Verdade de Deus na criação e seguido as suas próprias mentes em busca de falsas verdades. 2 – Seguindo as suas falsas verdades, eles têm caído em idolatrias, adorando a criatura em vez do Criador. 61


3 – Isto provoca a Ira de Deus que então os entrega a própria liberdade que eles têm de seguirem suas próprias mentes e corações maus. 4 – Os homens então seguem os seus corações pecaminosos se afundando cada vez mais em seus pecados amando-os mais e mais e endurecendo-se gradativamente para Deus. Podemos então afirmar que o crescimento do pecado é conseqüência da rejeição deliberada (os homens decidem por si próprios) das verdades de Deus, pois esta rejeição provoca a ira divina e nessa ira Deus entrega homem à liberdade de seguir seu próprio coração mau. Nessa terrível liberdade ele se afunda mais e mais. O teólogo F.F. Bruce cita outro teólogo: C.S. Lewis. Tal citação e bem apropriada para o nosso entendimento. Vejamos: “Os perdidos, diz ele, ‘gozam para sempre da horrível liberdade que sempre pediram, e portanto estão escravizados por ela”(Romanos Introdução e Comentário, página 70, F.F. Bruce).

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Concluímos, assim, que a liberdade que os seres humanos possuem de seguir seu próprio coração perverso afundando-se no mal, é o resultado da justa ira de Deus. Deus entrega os homens à liberdade de seguirem os seus caminhos pecaminosos e de experimentarem as conseqüências deles. E a conseqüência é esta: o aumento e aprofundamento do pecado. Só a graça de Deus pode livrá-los disso. Dentro desta situação só existe uma coisa a fazer: Pedir que Deus tenha misericórdia de nós e dos que amamos. Ora, todos nós por decisão própria temos sido rebeldes a Deus. Ninguém nos obrigou a isso. Antes de nossa conversão todos temos fechado os olhos e tapados os ouvidos para as sua Palavra na criação, consciência e na Bíblia. Todos temos sido idólatras, pois adoramos muitas coisas em vez de adorá-lo. Temos muitas vezes colocado dinheiro, prazeres, amizades, família, religião e tantas outras coisas como nossa prioridade e Deus e sua vontade sequer passam em nossos pensamentos. Se é assim, é justo que Deus nos entregue a esta liberdade que nós mesmos tanto desejamos. É justo que em sua ira Ele nos entregue aos nossos próprios desejos e 63


corações pecaminosos. É justo que Ele nos deixe livres para nos afundarmos no lamaçal de nosso próprio pecado até que por fim não haja mas nenhuma esperança, mas apenas a morte eterna. Ora é justo, pois se não somos ainda convertidos, nós queremos isso, desejamos isso, queremos ser livres de Deus. Se não somos convertidos, não temos nenhum prazer em Deus e sim no mal e no pecado. É o pecado então que amamos. Temos prazer nele, nos deleitamos nele, bebemos dele, vivemos nele. Se não somos convertidos o pecado é nosso alimento. Na verdade é um terrível veneno, mas nós o vemos em nossa loucura como um alimento e por mais que esteja nos matando não queremos abandoná-lo. Se não somos convertidos, amamos este veneno e por livre vontade desejamos tomar dele mais e mais. Deus nos avisa na natureza, em nossa própria consciência, e na Bíblia Sagrada o perigo do pecado. Ele nos mostra claramente a realidade deste terrível veneno de que fazemos uso. Todavia se ainda não fomos convertidos, não queremos saber de ouvir as 64


advertências de Deus. Não! Não! Não! Não queremos ouvi-lo! Queremos o pecado, amamos o pecado, amamos este veneno. Este veneno para nós é delicioso na boca. Por mais que em nosso estômago ele se torne amargo e esteja nos matando, ainda assim decidimos sem que ninguém nos obrigue continuar tomando dele. Estamos livremente seguindo o pecado com vontade, com prazer, com ânimo. Esta é a situação de quem ainda não foi convertido. Pergunto: é injusto que Deus entregue o homem ao que ele quer? Lógico que não! É perfeitamente justo que Deus em sua ira entregue o homem a liberdade de seguir seu pecado e que nisso ele se afunde. Esta é a horrível liberdade da qual possivelmente C.S. Lewis fala na citação anteriormente vista. Ela é horrível, ela se torna um castigo. No entanto, é o que os homens tem buscado. Eles têm livremente rejeitado a Deus e amado viver longe dele. Deus em sua ira os entrega a esta

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liberdade. Só a misericórdia de Deus pode nos livrar desta terrível liberdade. Não merecemos, mas Ele tem feito pelos seus. Louvemos a Ele por isso. E você que tem lido estas linhas. Como esta sua relação com Deus? Você já está convertido? Qual destas operações de Deus tem acontecido em seu viver: A justiça no Evangelho ou a Ira justa de Deus? Por quem o seu amor cresce cada vez mais: por Deus ou pelo pecado? Exorto a você que com toda a seriedade pense nestas coisas, e chegando a conclusão de que ainda não se converteu, que você suplique que o bondoso Deus tenha misericórdia de você e mude seu coração rebelde em um coração obediente, e por Cristo que morreu por pecadores Ele lhe perdoe e salve e seja a partir de hoje seu Senhor. Oh pecador, venha para Cristo em quanto há tempo. Arrependa-se. Deixe os seus pecados. Odeie os seus pecados e ame a Deus. O Senhor diz: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte de 66


ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.”(Ez 18:31,32). VI – CONCLUSÃO: O pecado não é algo sem importância. Ele é o que de pior existe no universo. É a fonte de todo o mal. É o maior dos males, pois é quebrar a Lei de Deus, não dar glória a Ele e não amá-lo. É ser seu inimigo. É por isso uma completa loucura. Contamina todo o ser do homem chegando a raiz, ao coração. É crescente, torna o homem cada vez mais duro para Deus e suas conseqüências são cada vez piores. Provoca a ira justa de Deus. Em suma: é estar em relações cortadas com Deus. Que loucura é o pecado, que insensatez é o pecado, que imundície é o pecado! É algo completamente vão, pois seu fim é o inferno. É vão, pois é sair do propósito para o qual fomos criados: amar a Deus e viver para a sua glória. É inútil. Não é algo para ser amado. Amar tal coisa é completa tolice. Servir tal coisa é algo sem nenhum sentido. É coisa para ser desprezada, odiada e abandonada. O que o pratica é seu escravo. Mas em Cristo temos libertação. 67


Corramos para Cristo. Ele ĂŠ a Verdade. E a Verdade liberta (Jo 8:30-36). Louvado seja Deus!

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3 - A IRA APAZIGUADA: Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bemaventurados todos os que nele se refugiam. (Salmo 2). 69


I – INTRODUÇÃO: Concluindo este pequeno livro desejo falar da ira e pacificação com Deus. Algumas pessoas acham que Deus não se importa com o pecado que Ele vê o pecado como uma coisa normal. Expressam isto em frases com esta: “qual o mal em agir assim, pois todos fazem isso?”, ou: “Deus ama a todos por isso levará todos ao Céu” ou ainda, “um Deus de amor não pode ter criado um inferno”. Assim eles acalentam esperanças que enfim mesmo pecando, afinal o pecado não é coisa grave. Estas pessoas pensam assim porque são levadas pela avaliação que elas mesmas fazem do pecado. Para elas o pecado é normal, é natural, é até bom e motivo de orgulho. Vemos por exemplo homens gabando-se diante de seus amigos por que traem suas esposas. Orgulham-se por terem amantes, por conseguirem atrair outras mulheres. A palavra de Deus mostra claramente que o pecado é algo que faz parte da natureza humana. Isto naturalmente afeta a avaliação que os seres humanos fazem do próprio pecado. A tendência é transferir esta avaliação para Deus. As pessoas entendem que 70


Deus pensa como elas. Porém nós defendemos que nosso pensamentos devem ser orientados não pelas nossas opiniões mas sim pela Palavra de Deus conforme está nas Escrituras. Assim devemos investigar o que a Bíblia fala a respeito do pecado, o que ela fala sobre como Deus vê, como Ele reage diante do pecado. II - A IRA DE DEUS : Toda ação produz uma reação. Qual seria a reação de Deus diante do pecado? Vejamos alguns versos das Escrituras que falam da reação de Deus a alguns pecados: Diante do pecado de afligir os órfãos, as viúvas e estrangeiros: “a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos, órfãos” (Ex 22:24). Diante do pecado de murmuração do povo: “Queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do SENHOR; ouvindo-o o SENHOR, acendeu-se-lhe 71


a ira, e fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu extremidades do arraial.” (Nm 11:1). Diante do pecado da idolatria: “Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra IsraelDisse o SENHOR a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao SENHOR ao ar livre, e a ardente ira do SENHOR se retirará de Israel.” (Nm 25:3,4). Diante das práticas abomináveis de falsas religiões: “Também queimaram a seus filhos e a suas filhas como sacrifício, deram-se à prática de adivinhações e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocarem à ira. Pelo que o SENHOR muito se indignou contra Israel e o afastou da sua presença; e nada mais ficou, senão a tribo de Judá.” (II Re 17:17,18). Diante de Usar quando estendeu a mão para segurar a arca do Senhor: “Então, a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá e o feriu, por ter estendido a 72


mão à arca; e morreu ali perante Deus.” (I Cr 13:10). Diante dos que recebem suborno: “Por isso, se acende a ira do SENHOR contra o seu povo, povo contra o qual estende a mão e o fere, de modo que tremem os montes e os seus cadáveres são como monturo no meio das ruas. Com tudo isto não se aplaca a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.” (Is 5:25). Diante da teimosia em pecar apesar da revelação e advertências de Deus: “Mas rebelaram-se contra mim e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações de que se agradavam os seus olhos, nem abandonava os ídolos do Egito. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles, no meio da terra do Egito.” (Ez 20:8). “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque 73


Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!”(Rm 1:18-25). Diante do pecado de Eli em não repreender seus filhos: “Disse o SENHOR a Samuel: Eis que vou 74


fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei.Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. Portanto, jurei à casa de Eli que nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares.” (I Sm 3:11-14). Diante de pecados sexuais, avareza e vários outros: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Ef 5:6). Diante dos que vendiam no Templo: “Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, 75


porém, a transformais em covil de salteadores.” (Mt 21:12,13). Diante do assassinato: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” (Gn 9:6). Diante de Nadabe e Abiú por apresentarem fogo estranho: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR. E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.” (Lv 10:1-3). Diante da multiplicação do pecado em geral, e de sua presença no coração dos homens: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia 76


multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Porém Noé achou graça diante do SENHOR. Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra.” (Gn 6:5-13). Finalmente vejamos qual será reação final de Deus diante do pecado: “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela 77


porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniqüidades. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora. Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus. Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos.” (Lc 13:23-30). “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os 78


mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.” (Ap 20:11- 15). “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” (Ap 21:8). Ora, é evidente em todos estes textos que Deus de forma alguma considera o pecado como coisa normal. Deus não vê o pecado como pouca coisa. Mas a reação de Deus diante do pecado é forte e evidente, e pode ser dividida em dois aspectos: 79


1 – Deus não se agrada do pecado, Ele fica contrariado, desgostoso. Tal desgosto se expressa de várias maneiras, porém de forma mais comum com a palavra ira. Deus se mostra irado contra o pecador. 2 – A ira de Deus produz punição ao ofensor. Isto é evidente em todos os casos. O ofensor sem dúvida será destruído por Deus a não ser que seja salvo Mas devemos perguntar: O que é a ira de Deus? Esta ira é igual a ira humana? Para responder isto precisamos lembrar do que já estudamos sobre a natureza do pecado . Pecado é: não dar glória ao Senhor como ó único Deus e não amá-lo. É estar contra Deus, é lutar contra Ele, é desejar destronálo, destituí-lo de sua posição de Deus. É dizer: Deus não é Deus. Pecar é estar no errado, já que, não é certo que Deus não seja amado e honrado como único Deus, pois é o único Deus. Na verdade não existe motivo para pecar, não existe razão para pecar. Pecar é algo sem sentido, é irracional. É loucura. Pois o certo, o correto é que Deus seja 80


honrado como Deus. Pois Ele é o único e glorioso Senhor. O contrário disso é absolutamente errado. Assim todo o pecado é contra Deus. Lembra o caso de Davi? Assim se expressou Davi depois de ter adulterado com Bate-Seba e provocado a morte de seu marido no Salmo 51 verso 4: “contra ti, contra ti somente pequei”. Não tinha somente cometido um ato terrível contra o casal em questão. Não havia somente praticado algo errado diante da sociedade. Acima de tudo, havia pecado contra Deus. Todo o pecado, seja qual for, é contra Deus. É aqui que está a gravidade de toda a situação envolvida. Deixo agora uma importante citação do puritano Samuel Bolton falando do pecado diz: “Aquilo que luta contra e se opõe ao maior Bem, deve ser o maior mal,” E mais adiante ele continua afirmando sobre o pecado: “se fosse suficientemente forte e infinitamente mal como Deus é infinitamente bom, porfiaria para acabar com Deus”. (Os Puritanos e a Conversão, página 21).

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Esta é a essência do pecado. E como temos visto é a rebeldia a sua Lei, pois a Lei expressa o caráter de Deus. É por assim dizer uma oposição a sua Santidade, visto que esta é o principal de seus atributos. Eu pergunto a você: Isto é algo sem importância? Lutar contra Deus, opor-se a Ele, desejar sua destruição, negar a pureza de sua santidade, é algo sem valor? Deveria o Deus Justo e Santo tratar estas coisas com complacência? Haveria Ele de pensar que tal coisa é afinal aceitável e normal, conforme pensam os homens e mulheres de nosso tempo? Ora a gravidade do pecado é expressa no fato de que é praticado contra este Deus, contra sua Santidade. Se alguém roubar um palito, talvez muitos digam que isto não importa pois afinal é só um palito. Mas apalavra de Deus diz que isso é gravíssimo, pois é uma rebeldia ao Santo Deus que ordena que nada seja roubado nem mesmo um palito. O ato se torna grave não pelo valor ou desvalor material do palito, mas pelo fato de que é praticado contra Deus o Único Senhor que deve ser amado e glorificado com todo nosso ser e ações. 82


Portanto, todo pecado implicará em uma reação deste Santo Deus contra o pecado e seu autor. E a isto a Bíblia chama de ira. Assim podemos entender o que é a ira de Deus. Trata-se da reação justa de Deus a ofensa do pecador. Porque Deus é justo e santo, jamais permitirá que uma afronta tão grave como é o pecado passe impune. Assim afirmamos: Deus está indignado com o pecador, está irado com ele. Não afirmamos como muitos que Deus odeia o pecado e ama ao pecador. Isto não é verdade! A verdade é: Deus aborrece o pecado e quem o pratica. Deus está irado contra os pecadores. Deus está indignado com eles. Está contra eles. Diante disto afirmamos que a conseqüência da ira de Deus é a punição do pecador conforme vimos nos textos anteriores. Para estes a destruição é certa a não ser que se arrependam e creiam no Filho de Deus. Veja o que diz o salmo 50:16-22: “Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu 83


te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe. Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista. Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre.” Observemos que Deus diz que não é igual ao pecador. Este pensava que Deus era igual a Ele. Eles consideravam o pecado como coisa normal, que enfim a Lei de Deus não era importante. Achavam que Deus concordava com isto. Isto não parece com o pensamento moderno sobre o pecado conforme abordamos no inicio? Mas Deus diz: “Vou te julgar”. A justiça de Deus o leva a julgar o pecador e a condená-lo. Ele diz que se não levarem isso em consideração Ele virá e os despedaçará, e não haverá quem possa livrá-los. Quem poderá nos livrar de Deus? Quem é maior que Deus? Pense nisto você que acha que pecar é uma banalidade, que todos pecam, que afinal o que tem de mais. Eu 84


lhe afirmo: Deus não pensa como você, Ele está irado com você, Ele trará o juízo e o destruirá se você persistir nesta loucura. O inferno é o destino dos pecadores não arrependidos! III – APAZIGUAR A IRA DE DEUS: Porém não somos propagadores do desespero. O que queremos é tirar toda a ilusão que porventura você tenha. Queremos ser realistas para que um dia não venha a decepção. Porém, anunciamos as boas novas em Cristo. E dela me proponho a falar agora. Se Deus está irado a grande pergunta a se fazer é: Como alcançar sua misericórdia? Como podemos apaziguar a ira de Deus? Em primeiro lugar devemos reconhecer que nada do que fizermos poderá aplacar a ira de Deus sobre nós. E é assim porque o nosso coração é mal e o pecado nele habita (Gn 6:5 e 8:21). Assim nossas boas obras não passam de um trapo imundo (Is 64:6). Nosso próprio coração não agrada a Deus, e nem mesmo o pode. Nossas obras, que brotam deste coração mau, jamais poderão agradar a Deus. 85


Assim entregues a nós mesmo jamais teríamos esperança, o caso estaria perdido. Quero assim exortar você a desistir de qualquer tentativa de agradar a Deus por si só. Quero lhe incentivar a crer naquele único que pode salvar você: Cristo. Na verdade só o próprio Deus pode nos salvar e isto ele faz em seu Filho Jesus. Examinemos agora Rm 3:23-26: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” Paulo afirma neste texto que Deus salva o pecador de uma forma justa e isso por meio de Cristo, de seu sacrifício em lugar do pecador. Cristo dessa 86


forma desvia a ira de Deus do pecador, Deus é apaziguado em Cristo Jesus. Leon Morris expressa este fato da seguinte forma: “Mas para o crente o que importa é que a morte de Cristo desvia a ira divina; Deus colocou Cristo como propiciação, ou seja, como um meio de desviar sua ira.” (Teologia do Novo Testamento, pagina 83, também paginas 40 e 41). Morris interpreta a palavra propiciação como “desviar a ira” argumentando que o contexto fala da ira de Deus. Creio que ele está correto visto que Paulo vem exatamente falando sobre a ira divina sobre os pecadores. Em Rm 1:18 Paulo afirma: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;”. Assim fica claro que a ira de Deus só é desviada em Cristo, e que é o próprio Deus quem faz toda esta obra. Paulo afirma: “a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação,”. É Deus quem salva! Só Deus pode fazer isto. O homem nada pode fazer.Observemos, no entanto que a ira de Deus é desviada e cai sobre Cristo. Dessa forma Deus continua sendo justo, pois o pecado foi punido, mas 87


sobre seu Filho. Assim a ira é desviada do pecador podendo este ser justificado. Amigos, Cristo é o substituto que carregou sobre si a ira de Deus. Vejam estes textos: Isaias 53:5,6 “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.”. Isaias 53: “Todavia, ao SENHOR agradou moêlo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma 88


e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si.” 1 Pedro 3:18: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,”. 2 Coríntios 5:19 “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” Está claro para você que Cristo é o único salvador da ira divina? Está claro que só nele a ira é apaziguada? Então creia nele conforme diz Rm 10:9-13: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele 89


crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”. Aqueles que crêem Nele são justificados e estão em paz com Deus. Veja: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5:1,2). Assim lhe exorto a crer Nele. Não tente outra forma de agradar a Deus. Nada que você tenha ou faça pode apaziguar a ira de Deus contra você em seu pecado. Seu dinheiro, fama, boa reputação, religiosidade, justiça própria, nada disso apaziguará a Deus. Tudo isso é trapo de imundícia diante Dele. Corra para Cristo e clame por sua graça. Leve muito a sério o pecado. Temos demonstrado que não importa o que nós e o mundo todo pensemos sobre o pecado, para o Justo Senhor o pecado é uma 90


abominação e Ele está irado com os pecadores. O pecado é estar contra Deus. É não amá-lo e glorificá-lo. Arrependa-se hoje e em Cristo busque sua misericórdia! Medite nestas palavras em oração diante do Senhor Deus: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, 91


e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.” (Salmo 2). Oh pecador, venha para Cristo em arrependimento e fé!

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Apêndice I: Pecado é loucura! “Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ele considera todas as suas veredas. Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e, pela sua muita loucura, perdido, cambaleia.” (Pv 5:21-23).

O pecado é loucura, ele obscurece a razão humana. No entanto o pecador não se apercebe disso exatamente porque o pecado o cegou. Se o pecador não for iluminado pela graça de Deus quando se aperceber finalmente compreender que o pecado é loucura já será tarde demais, a morte então será inevitável. Quero lhe perguntar e, por favor, responda por amor a sua alma: Você está 93


dominado pelo pecado? Tem você vivido em cegueira pecaminosa e loucamente corrido para a destruição? Peço que leia estas linhas pedindo que Deus ilumine sua vida. Quero conversar com você procurando lhe mostrar porque afirmo que o pecado é loucura. Pecado é loucura porque faz os homens e mulheres desprezarem a Deus em vez de dar-lhe toda a glória. Deus é o único Deus, é o Criador e Sustentador de todas as coisas, deve, portanto ser o Deus de todos os seres humanos ocupando o primeiro lugar em suas vidas. Porém o pecado faz os homens esquecerem-se disto, influencia suas mentes para que pensem que Deus não é importante, e que na verdade é um empecilho para a felicidade deles. Assim os homens correm de Deus e procuram a vida, a paz e a felicidade em várias coisas e lugares. Sim eles correm daquele que lhes os criou, correm daquele que os sustenta 94


dando-lhes a vida, o corpo, o ar, e o pão. Não é isso uma loucura? Mas talvez você me diga: “Não, eu não fujo de Deus! Eu o respeito, sou religioso, freqüento um lugar de culto, procuro não fazer o mal as pessoas!”. Então me responda: Você ama a Deus? Ele é o teu Deus? Tudo o que você faz é pensando em agradar-lhe? Você ama a Lei de Deus? Ama as sagradas Escrituras? Segue os mandamentos? Pode dizer que não tem desprezado seus mandamentos? Ou é verdade que Deus nem mesmo passa em seus pensamentos? Não é verdade que você vive sem pensar Nele? Que toma suas decisões levando em consideração apenas seus desejos ou que agrada as pessoas em volta? E sua religião, é algo vivo e prático ou apenas consiste em rituais? Sua religião é de coração? É algo que influencia seu viver diário, seu dinheiro, sua família? Em que você se compraz e se alegra 95


em pensar? Você conhece a Deus? Conhece seus atributos, sua santidade, sua justiça, seu ódio ao pecado, sua ira que enviará pecadores ao inferno, seu amor e sua misericórdia demonstrada em Cristo na salvação de pecadores? Você se deleita em pensar em Deus, em pensar nos atributos que eu acabei de citar, e ao mesmo tempo treme diante da gravidade de pecar diante de um Deus tão Santo? Você já se creu em Cristo como seu único Salvador ou espera poder salvar-se por si só? Pense com toda a seriedade nestas questões e responda com toda a sinceridade. Na verdade a religiosidade humana é outra manifestação da loucura que é o pecado. O pecado é tão entorpecedor do juízo que se porventura os homens começam a pensar em como ficar bem diante de Deus o pecado cria para eles uma versão falsa de religiosidade. Em sua loucura os homens começam a achar que Deus se agrada de rituais. 96


Que basta freqüentar de vez em quando um local de cultos, praticar alguns ritos, se esforçar em praticar algumas boas obras ou regras, e pronto, Deus já está satisfeito, tudo já esta resolvido. Não meu amigo isto é mentira. É falta de juízo, é loucura achar que Deus está satisfeito com a casca sendo que o conteúdo está podre, que Deus se conforma com uma bela fachada mesmo que o alicerce esteja imprestável. Sim, é isto que o pecado em sua loucura sugere em termos religiosos. Sugere uma religião que permita que ele, o pecado, continue sem ser incomodado. Assim os homens e as mulheres se iludem com seus ritos enquanto que o pecado continua no coração deles bem quietinho sem ser importunado. Este verme, o pecado, fica lá, comendo se alimentando nos intestinos sem ser importunado. Este cupim, o pecado, como a madeira por dento sem ser percebido. Assim é a religião pecaminosa, muito preocupada com a 97


exterior sem, no entanto, tocar no interior. Ora, meu amigo, o pecado está no coração. Não é loucura deixar intacto o coração? É isso que o pecado faz! O pecado é loucura porque faz o pecador zombar de Cristo o único que poderia salvá-los. A Bíblia diz que Cristo morreu na Cruz por pecadores que iriam crer Nele. Ele levou sobre si os seus pecados, os substituiu, morrendo em seu lugar. Mas o pecado é uma loucura tão grande que faz com que pecadores perdidos e condenados zombem do único que poderia lhes salvar. Muitos nesta loucura falam de Cristo com desdém, menosprezam seu Nome, usam-no até em piadas, ceticamente falam com deboche dos que o anunciam, consideram-se às vezes grandes intelectuais por fazerem isto. O que você diria de alguém que em um prédio em chamas não aceita a ajuda de um bombeiro e ainda zomba dele e o 98


trata com desdém? Não diria que tal pessoa está fora do juízo? Pois é assim que o pecado tem levado homens e mulheres a tratar o Salvador, Jesus Cristo. Não é isso loucura? O pecado é loucura, pois leva o homem a correr para sua própria destruição. E o pecador faz isso tocando instrumentos, dançando, alegrandose, cantando, divertindo-se. A grande maioria das pessoas nesta terra, enquanto você está lendo estas linhas, não parou sequer um minuto hoje para considerar estes assuntos do qual estamos tratando. Muitas morrerão hoje ainda, estarão então irremediavelmente condenadas ao inferno, mas sequer pensarão nisso até que a morte os assalte de surpresa. Sei que é terrível pensarmos nisso, mas quero mostrar-lhe porque afirmo que o pecado é uma loucura. O pecado faz os homens e as mulheres esquecerem que mais cedo ou mais

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tarde terão que prestar contas a Deus. Não é isso loucura? O pecado é loucura, pois faz os homens e mulheres destruírem pessoas e coisas que deveriam amar e proteger. Quantos lares destruídos, quantas vidas ceifadas por causa do pecado. Olhem o que faz a bebedeira e todo o uso de drogas. Olhem as estatísticas de mortes no trânsito, os acertos de contas, que tais coisas causam. Enquanto a Bíblia diz que não se deve embebedar-se, pois nisso há destruição, os homens dizem: beberei e continuarei bebendo porque quero divertir-me e esquecer meus problemas. Será que eles de fato tem alcançado boas coisas com estas atitudes? O que muitos fazem ao chegarem em casa bêbados? O que fazem as suas esposas e filhos a quem deveriam amar e proteger? Espancamento, tristeza e dor, este é o resultado. Mas o pecado diz no coração 100


deles: “Beber é uma diversão”. Não isto loucura? Olhem o que faz o pecado sexual. Aquele homem casado, pai de filhos de repente se apaixona por outra mulher, então deixa sua esposa e filhinhos, destrói tudo o que levou anos para construir. Deixa para traz uma mulher amargurada, filhos que não mais terão sua presença e apoio constante, e por quê? Porque está a procura da felicidade. Mas como procurar felicidade fazendo o mal a quem deveria fazer o bem? Não é isso loucura? Mas é isso mesmo, o pecado é uma loucura. O pecado também destrói a saúde. Olhe AIDS e os efeitos progressivos das drogas. Não isso loucura? Prezado amigo, será que você ainda não concorda que pecado é uma loucura, que na verdade é a maior loucura? Agora eu lhe pergunto: Tais coisas têm acontecido em sua vida? Você tem agido sensatamente ou loucamente? Saiba que só Cristo pode fazê-lo sábio. Só Cristo pode livrá-lo da 101


loucura do pecado. Quero lhe dar um conselho: procure conhecer a Cristo. Mas Eu falo do verdadeiro Cristo. Ele se manifesta nas Escrituras. Pegue sua Bíblia e comece a lê-la hoje. Clamem que Deus revele Cristo a você por sua leitura. Procure um local onde Cristo está sendo pregado com fidelidade. Onde alguém abra a Bíblia e procure explicá-la a você. Procure estar entre pessoas que se reúnam para adorar a Cristo, ler e meditar nas Escrituras. Faça também boas leituras. Graças a Deus têm existido na Internet textos de fato bíblicos que pregam e exaltam a Cristo. Faça uso deste material. Incentivo-lhe de todo coração: procure conhecer quem é Jesus. Faço isto porque só Jesus é luz, sabedoria e sensatez. Só Ele é o remédio para a loucura do pecado. Apenas os que crêem Nele terão vida, paz e salvação e comunhão com o Deus vivo. Só os que crêem Nele podem agradar a Deus. Só os que crêem tiveram seus corações transformados. Só os que crêem Nele não 102


têm mais o pecado reinando em seus corações. Mas como alguém pode crer sem saber quem é Ele? Procure conhecê-lo, clame pela misericórdia de Deus e creia. “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicoulhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (Jo 8:31-36).

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Apêndice II:

Um falso conceito de felicidade: "Se consigo o que desejo sou feliz!" "Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado. Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio. Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti 104


somente. Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Muitas serão as penas dos que trocam o SENHOR por outros deuses; não oferecerei as suas libações de sangue, e os meus lábios não pronunciarão o seu nome. O SENHOR é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte. Caem-me as divisas em lugares amenos, é mui linda a minha herança. Bendigo o SENHOR, que me aconselha; pois até durante a noite o meu coração me ensina. O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado. Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente." (Sl 16) 105


Todo o falso conceito gera algum prejuízo. Por exemplo, se alguém não soubesse o que realmente é um alimento acabaria por tentar mastigar e engolir algo que enfim não é apropriado. Com certeza isto lhe traria sérios danos. Algo semelhante acontece com o conceito que em geral as pessoas têm do que seja a verdadeira felicidade. O que se ouve normalmente é que alguém é feliz se tiver os seus gostos satisfeitos. Ouço muitas vezes a frase seguinte e outras semelhantes: “Quando alcançar meus sonhos serei feliz!”. Ou seja, a felicidade para a maioria das pessoas está no que elas querem, no que elas desejam. É assim que você tem pensado? Você tem acreditado que se seus relacionamentos, seu casamento, suas finanças, enfim, as várias áreas de sua vida fossem de acordo com sua expectativa você seria feliz? Bem, assim as pessoas têm crido. No entanto, eu 106


preciso lhe dizer que isso é falso. E como disse antes, sendo falso de forma alguma lhe trará felicidade, mas ao contrário, apenas lhe trará decepção e prejuízo. Quero neste breve texto mostrar a você a falsidade deste entendimento, como também mostrar-lhe, com a graça de Deus, o verdadeiro conceito de felicidade . Tomo por base a Bíblia, a Palavra de Deus. Por favor, reflita comigo sobre este assunto. Você não tem nada a perder se gastar algum tempo nesta leitura. É falso o conceito que afirma que é feliz quem tem o que quer. E isso pelo seguinte motivo: Porque a raiz do querer humano não é boa. Imagine o seguinte caso: Um homem mentalmente desequilibrado deseja muito voar e acredita que o pode. Sente que ao lançar-se de um alto prédio poderá voar, e que quando isso acontecer será o homem mais feliz da Terra. Suponhamos ainda que o pobre homem consiga seu intento. Eu lhe 107


pergunto: Ele conseguirá a felicidade esperada? Evidentemente que não, mas em vez disso ele encontrará a morte. Agora eu lhe pergunto: De onde veio o desejo do homem que acabou por levá-lo a morte? Resposta: De seu desequilíbrio mental. Se você impedisse tal homem de tentar voar estaria fazendo um bem a ele, não é verdade? Porém estaria fazendo-lhe um terrível mal se o incentivasse dizendo a ele que deveria seguir seu intento, pois ser feliz é fazer o que se deseja. Imaginemos ainda um segundo exemplo hipotético: Uma criança deseja muito uma faca. Achou-a muito bonita e atraente querendo muito brincar com ela. A criança acredita que será muito divertida a brincadeira. Eu lhe pergunto: Você daria a faca a criança? É evidente que não. Mas pergunto-lhe ainda: De onde vem o desejo da criança? Resposta: De sua incapacidade infantil de discernir os perigos. A criança não entende que a 108


faca é um instrumento perigoso, e que assim não pode ser usada em uma brincadeira. Mas passemos a um terceiro exemplo: Suponhamos que um médico cirurgião em meio a um delicado procedimento cirúrgico se veja diante de uma complicação inesperada. Ele precisa tomar uma decisão urgente. Ele sabe que um erro poderá matar o paciente. Então baseado em seus conhecimentos, experiência, e perícia, ele toma a decisão certa e salva a pessoa. Eu lhe pergunto: Qual a raiz de sua ação bem sucedida e correta? Resposta: Seus conhecimentos, experiência e perícia. Os exemplos acima nos mostram que a raiz de um desejo, vontade ou decisão, determinará se o resultado será benéfico ou maléfico, se de fato haverá a felicidade sonhada ou não. Bem, meu caro leitor, permita-me mostrar-lhe alguns textos da Palavra de Deus que mostram que a raiz de 109


nossos desejos, ou seja, nosso coração, não é boa, mas má. Vejamos: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. (Gn 6:5). “E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz”. (Gn 8:21). “Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: O que sai do 110


homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.” (Mc 7:18-23). “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar 111


sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Rm 3:918). Todos estes textos nos mostram o que normalmente as pessoas não estão dispostas a aceitar: A raiz de nossos desejos é má. Dessa forma, lembrando os exemplos anteriores, não vamos encontrar a felicidade seguindo nossos desejos. Ao contrário, se fizermos isso encontraremos a morte. A sociedade atual é prova disso. Vemos os homens e mulheres seguirem seus desejos. E vejam, é seguindo seus desejos que eles tiram vantagem, mentem, traem, roubam, desrespeitam as autoridades, matam, usam drogas, abandonam suas famílias, suas esposas, seu filhos, se tornam avarentos, orgulhosos, egoístas, invejosos, lascivos, etc. Ora, a maldade e o caos prevalecente nada mais é que o resultado 112


dos desejos dos homens e mulheres. Diante disso como é possível alguém achar que a felicidade está em nossos desejos, em nossa vontade, em nossos sonhos? Oh meu amigo este é um grande engano. E este engano é que está trazendo todo este caos. Na verdade os textos bíblicos anteriores nos mostram que o coração dos homens não temem, não amam a Deus. Esta é a essência do pecado. Desde que o pecado entrou no mundo os seres humanos buscam a felicidade fora de Deus (Leia Gênesis 3). Eles de coração não amam a Deus, e este coração só deseja o que Deus não deseja. Todavia foi Deus quem criou o homem, e o fez para que este servisse a Ele e vivesse para sua glória, tendo-o como Único Deus. É aqui que está a verdadeira felicidade: em ter o Senhor como Deus. Mas desde a queda no pecado a humanidade se tornou pecaminosa, anti-Deus, e seus desejos são anti-Deus. 113


Mas há uma gloriosa mensagem: Em Cristo, Deus está chamando um povo para si. Em Cristo, Deus esta mudando o coração dos homens, dando-lhes uma nova natureza (Jo 3:1-16). À estes Ele está dando fé e arrependimento (Ef 2 :1-10, At 5:31; 11:18). Deus está em Cristo transformando um povo pecador em um povo que o ama e que seja zeloso de boas obras (Ef 2:10, Tt 2:14). Ele dá seu Espírito a este povo e lhe concede seu fruto santo, livrando-o da obras da sua natureza pecaminosa (Gl 5:16-26). A alegria deste povo está em Deus (Sl 16:11, Mt 5:1-12). Estas pessoas descobriram que a alegria não está em seus desejos longe de Deus, mas em sua submissão a Deus. A alegria deles é a glória de Deus. É ver Deus honrado por suas vidas. Portanto, para eles não importa que sofram nesta vida se isto for para honrar a Deus (At 5:41), pois para eles Deus é o maior bem (Sl 16:2). Eles servem a Deus com alegria (Sl 100:2). Um dia eles estarão para sempre com o Senhor, e então não 114


haverá nenhuma lágrima. Lá eles serão povo de Deus e Deus será o Deus deles (Ap 21 e 22). Nesta esperança eles vivem (Jo 14:1-6, I Jo 3:1-3). A riqueza deles é espiritual e eterna, e não material (Mt 5:19-21; I Jo 2:15-17). Amigo eu lhe afirmo que esta é a felicidade. Deus é a felicidade, e não nossos desejos egoístas contrários a vontade Dele. Não se iluda, quem coloca Deus para fora de sua vida está como aquele homem desequilibrado do exemplo que dei: pensa que pode voar e ser feliz, mas não passa de um louco que por fim só encontrará a destruição. Mas quem se volta para Deus é são. Eu lhe aconselho a que procure conhecer mais deste caminho de felicidade real. Procure conhecer quem é Jesus Cristo. Ele se manifesta na Bíblia. Ele também se manifesta pelos fieis pregadores que apresentam a você a mensagem de Cristo conforme as Escrituras ensinam. Procure ouvi-los, 115


freqüente uma Igreja onde a Bíblia é ensinada fielmente. Mas afaste-se dos falsos profetas. Enfim meu amigo e amiga, busque conhecer a Cristo, pois Nele está a felicidade, Nele está Deus. Ele nos diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14:6).

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Para outros estudos bĂ­blicos acesse: http://procurandoverdadebiblica.blogspot.com/

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O Pecado - Sua Natureza, Conseqüências, e Cura.  

O que é o pecado? Infelizmente muitos não consideram o pecado algo muito grave, e alguns até chegam a duvidar da existência de alguma coisa...

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