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Fotos de André Coelho

ITATIAIA PASSEIOS ❁

Na parte baixa do Parque Nacional, turistas conhecem cachoeiras e trilhas

N

ÃO É PORQUE as férias escolares chegaram ao fim que não dá mais para viajar. E, a pouco mais de duas horas do Rio, o Parque Nacional do Itatiaia se revela um programa refrescante para a família nos fins de semana deste verão. Optamos por mostrar aqui passeios na parte baixa do parque. Não que a alta não mereça, pelo contrário... Mas exige um tanto mais de esforço e tempo do visitante. Para começar, sugerimos programas nos quais não é preciso der ramar tanto suor. Aliás, o roteiro é, na realidade, para driblar o calor. O Lago Azul é a primeira parada, e fica colado ao Centro de Visitantes Professor Wanderbilt Duarte de Barros, que passou por uma baita plástica em 2007, para os festejos de 70 anos de criação do parque (veja no box ao lado). São 500 metros de trilha leve, com apenas uma consideração: o acesso é por uma escadaria de 120 degraus em meio à mata que não é lá muito convidativa aos integrantes mais idosos da família ou aos joelhos mais sensíveis. Mas vale o esforço. O lago é uma piscina natural do Rio Campo Belo e é ótimo para banho. Um conselho: para ter mais tranquilidade, tente fugir dos feriadões, quando esse cartão-postal e as outras cachoeiras do parque enchem de gente, e fica até meio complicado estacionar. Perto do Lago Azul há quiosques que podem ser usados para fazer 20 ● Boa Viagem

AVES: pica-pau e saíra-sete-cores piqueniques, mas é preciso pagar taxa extra. O lago, aliás, é uma das atrações que podem ter seu acesso limitado pelas condições climáticas. Para evitar acidentes, volta e meia o parque impede a entrada a algumas cachoeiras na estação chuvosa. O p e r i go s ã o a s c ab e ç a s d’água, cheias repentinas causadas pelas fortes chuvas na cabeceira do Campo Belo. Na portaria do parque, é possível descobrir quais estão abertas. Em meados de janeiro, quando o Boa Viagem esteve por lá, as belas Itaporani e a Poranga estavam interditadas. De todas, a Véu de Noiva é a mais badalada — e visitada. São 40 metros de queda, no meio da mata. Chegar não é complicado: há sinalização e

A CACHOEIRA Véu de Noiva, uma queda-d’água com 40 metros de altura, é a mais procurada pelo público os guardas costumam informar bem os caminhos. O acesso é por uma trilha que compreende uma ponte e uma escadaria de pedra. Vale ir de tênis — depois de chuvas, o caminho pode ficar um tanto escorregadio — e caprichar no repelente, porque os mosquitos fazem a festa com o sangue dos novatos. No verão, o volume de água cresce

e a queda se torna um espetáculo em preto-e-branco. Na piscina formada na base, a transparência permite ver o fundo de pedras. A cachoeira faz parte de um complexo que abrange ainda a queda de Itaporani, que tem também um lago, e a piscina natural do Maromba, a 1.100 metros de altitude e muito procurada para banhos. O lu-

gar, superfotogênico, é cercado por árvores onde grupos de macacos-prego costumam dar pinta e posar para as câmeras afoitas dos visitantes. Já a cachoeira Poranga— quando aberta — exige um pouco mais de disposição. Saindo do centro de visitantes, fica a cerca de 2,5km de distância. Para chegar, a trilha é bem íngreme, e as águas do

Campo Belo, que ali formam uma piscina, merecem atenção extra do banhista. Mas, como nem todo mundo quer só molezinha, sombra e água (muito) fresca, fomos conferir um roteiro um pouco mais radical: a trilha até o mais alto dos Três Picos. A descrição assusta. São oito quilômetros de caminhada (ora muito íngreme, ora quase plana), que levam a um cume a 1.600m de altitude. Mas cada minuto das cerca de três horas de subida (e outras duas e meia de descida) vale a pena. Aqui, uma confissão. Nossa equipe fez a subida em quatro horas e meia, e a descida em três, o que levou nosso condutor, o figuraça Ralph Salgueiro, a brincar conosco. — A última vez que levei esse tempo para subir foi trazendo minha avó. E o problema foi que ela estava de salto alto! — ria, enquanto apreciávamos, do alto, a recompensadora paisagem do Vale do Paraíba. A justificativa da lentidão: havia chovido muito no começo de janeiro, o que tornou o caminho bastante escorregadio, e toda hora parávamos para fazer fotos dos bichos e das plantas que encontrávamos pelo caminho. A julgar pelas imagens nestas páginas, valeu a pena, não? Mas, de volta à trilha... O roteiro, que parte das imediações do Itatiaia Park Hotel, não é mesmo para iniciantes, explica Ralph. — É preciso gozar de boa saúde e ter um espírito alegre, de aventura, para caminhar superando pequenos obstáculos, como passar por baixo de troncos, andar na lama ou atravessar pequenos riachos sobre pedras — diz o guia, que, aos 61 anos, deu um banho de fôlego em mim e no fotógrafo André Coelho, disparando na nossa frente. — Para os turistas inexperientes, considero uma trilha semipesada. Um montanhista acharia leve. O kit básico para passar sem traumas por essa aventura? No topo da lista, a companhia de um condutor autorizado pelo

COGUMELOS E FLORES na trilha de subida aos Três Picos

parque. É garantia de segurança. São cerca de 40, e nosso Ralph, conhecedor daquelas bandas há mais de 30 anos, é um deles. Tênis resistentes para caminhada e calça comprida, de tecidos de secagem rápida, são recomendáveis. Assim como uma camiseta de material bem leve. Boné, protetor solar e repelente são parceiros essenciais. Leve uma garrafinha d’água — que pode ser enchida de novo nas cachoeiras pelo caminho, com destaque para a do Rio Bonito — e um lanche, mas nada muito pesado. No mais, mantenha as antenas atentas aos

TURISTAS observam borboletas no centro de visitantes renovado detalhes nos arredores: besouros coloridos, borboletas, pequenas aranhas, flores e pássaros — leia mais sobre as aves nas próximas páginas — tornam o caminho muito mais emocionante. Com sorte, pode-se cruzar até com uma suçuarana, a onça-parda; um cateto, o porco-do-mato, ou um grupo de muriquis, o maior macaco das Américas, que pode chegar a 63cm de altura. O GLOBO NA INTERNET

GALERIA Outras fotos do Parque Nacional do Itatiaia oglobo.com.br/viagem

O GUIA Ralph Salgueiro é um dos 40 cadastrados pelo parque

Preservação septuagenária Há dois anos, para a comemoração dos 70 anos de inauguração do parque, o Centro de Visitantes Professor Wanderbilt Duarte de Barros passou por uma boa reforma. O lugar ganhou uma exposição com fotos incríveis das partes alta e baixa do parque; uma sala dedicada ao montanhismo; uma mostra de taxidermia com vitrines repletas de exemplares de animais típicos da região, como onça, cachorro-do-mato e lebrão, e uma mostra de aves, também empalhadas (dá até para ouvir o canto de algumas delas). Na parte externa, a “calçada da fauna” mostra as patinhas de várias espécies gravadas em concreto. Uma graça. — As melhorias acabaram atraindo mais visitantes. Se em 2007 recebemos aproximadamente 70 mil, ano passado foram cerca de 85 mil — afirma o diretor do parque, Walter Behr. Além do centro de visitantes, também receberam retoques algumas trilhas e o acesso a atrações como as cachoeiras Véu de Noiva e Itaporani. Também foi renovada a sinalização ao longo da BR-485, estrada que corta o parque. Placas indicando

os animais que circulam por ali — como a da foto abaixo — foram instaladas para chamar a atenção dos frequentadores. A estrada, aliás, merece cuidado dos motoristas também por outro motivo. Esburacada em alguns trechos, e com asfaltamento irregular, aguarda licitação para que se execute um projeto de recuperação elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, diz Behr. — Este ano, começaremos a atualização do plano de manejo do parque, que é de 1982 — afirma. — Entre as novidades, planejamos a inauguração de uma loja e uma cafeteria no centro de visitantes, e a instalação de passarelas especiais para que observadores de aves façam trilhas no alto da mata.

DETALHE da nova sinalização

Boa Viagem ● 21

CADERNO BOA VIAGEM / O GLOBO  

ESPECIAL ITATIAIA

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