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Editorial Realizar sonhos, superar desafios e ser mais feliz. Isto é o que o ser humano busca. Na procura por superar as amarras invisíveis que nos impedem de sermos, termos e fazermos o que queremos, entra em cena um personagem fantástico: - o Coach.

Luciano Lannes Editor

Personificado em homens e mulheres das mais variadas idades, histórias de vida e formações, ele tem a habilidade de ouvir atentamente, prestando especial atenção ao que não foi dito. Ele coleta informações e as preserva de julgamentos apressados. Ele faz perguntas que com uma precisão cirúrgica, tem por endereço uma inconsistência na fala do coachee. Provoca, desconcerta, descontrói e instiga a cogitar o novo. Assim, ele poderia também ser um agente de viagens, pois convida a visitar possibilidades, outras realidades e formas de ver, pensar e reagir por vezes nunca antes imaginadas. Como gostaríamos que ele nos dissesse por onde ir, o que fazer e como reagir. Mas nada, ele não solta uma dica sequer. Quando o cliente descobre algo ou decide por um plano de ação, ele, o Coach, mostra um sorriso gostoso, pois é parte deste processo. Ao final, objetivos atingidos, coachee com maior autonomia, o Coach sente uma enorme satisfação, que vem do saber-se parceiro de um processo feito a muitas mãos. Guarda com grande zelo cada informação recebida e tem a confiança de seu cliente de que pode compartilhar com segurança medos, inseguranças e dúvidas. O coachee frente ao Coach não precisa ser o super-homem organizacional, o perfeito que sabe não ser, mas muitas vezes é assim tratado e cobrado. Ele pode ser simplesmente gente, vulnerável e humano. É para este fantástico personagem que esta revista foi pensada e criada. Para ser um porto seguro de reflexão e abastecimento de novas e velhas idéias. Para sentir-se acompanhado por novos e velhos parceiros de caminhada. Para lembrar que não tem a obrigação de tudo saber, mas que pode melhorar a cada dia. Mais do que simples leitores, somos todos co-autores desta publicação, que reflete nossas dúvidas, anseios e descobertas. Compartilhar é a palavra chave e o nosso muito obrigado a todas as pessoas que acreditaram neste projeto e dedicaram tempo a escrever os artigos que você está prestes a saborear, como nos lembra Rubem Alves da estreita relação entre saber e sabor. Seja bem-vinda(o) e boa leitura.

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8 Um outro olhar - Marcos Wunderlich 10 Perfil: Tim Gallwey - Renato Ricci 18 O que é Coaching? - Rosa Krausz 26 Dossiê: O Passado da Profissão do Futuro - Carla D’ Zanna 32 Dossiê: Uma atividade em plena expansão - Alfredo Castro 38 Dossiê: As expectativas de quem contrata - Marinildes Queiroz 44 Dossiê: Coaching - uma abordagem humanista - Ana Paula Peron 50 Para refletir: Etapas do processo de Coaching - Jorge Teixeira de Gouvêa Neto 52 Para refletir: Eu preciso de Coaching? - Gustavo G. Boog 54 Como comecei - Maria Cristina Niederauer 56 Eu cada vez melhor: Eu não sou quem eu gostaria de ser - Luciano S. Lannes 58 Pra mim foi assim - Ana Luiza Bergo Negrini 59 Indicação de livro 60 Quem contratar

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Expediente Revista Coaching Brasil Publicação mensal da Editora Saraswati ano I – num. 1 – junho 2013 Diretor e Publisher Luciano S. Lannes lannes@revistacoachingbrasil.com.br Projeto gráfico e editoração Estúdio Mulata danilo@estudiumulata.com.br Projeto de Site Mind Design marcelo@minddesign.com.br

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Editora Saraswati www.editorasaraswati.com.br Tel. 015-3228-4019 R. Botucatu, 378 Jd. Iguatemi Sorocaba – SP Todas as edições da Revista Coaching Brasil estarão disponíveis no site para acesso exclusivo dos assinantes. O conteúdo dos anúncios publicados é de responsabilidade dos anunciantes. A responsabilidade pelos artigos assinados é dos autores. A Revista é um veiculo aberto para a expressão de idéias e conceitos.

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Fale conosco Publisher lannes@revistacoachingbrasil.com.br Editorial contato@revistacoachingbrasil.com.br Publicidade midia@revistacoachingbrasil.com.br


por Rosa Krausz Socióloga, Mestre em Ciências Sociais e Doutora pela USP Full Member da Worldwide Association of Business Coaches – WABC Coach Executiva e Empresarial Fundadora e atual Presidente da Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial- ABRACEM rokra@terra.com.br

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O que é Coaching?

Falar sobre Coaching tem se tornado uma tarefa delicada. A liberalidade com que esta palavra tem sido empregada para nomear as mais diversas formas de intervenção, tanto individuais quanto grupais, é um dos motivos da falta de clareza reinante quando a utilizamos.

Observa-se, por vezes, o emprego indevido da palavra Coaching para referir-se a uma série de práticas cujo objetivo, base teórica e aplicação nada têm a ver com esta metodologia, fato este que poderá causar dificuldades tanto para os que buscam contratar serviços especializados, quanto para aqueles que desejam uma formação adequada para exercer esta atividade profissional. Tal fato afeta a imagem e ameaça a credibilidade dos que se dedicam de forma séria e siste-

mática à prática do Coaching, banaliza e distorce o alcance de sua ação, desinforma, dificulta a obtenção de informações fidedignas sobre o potencial e a potência de processos de Coaching conduzidos com propriedade e calcados em princípios éticos. É este vácuo contextual que explica o surgimento de chamados treinamentos de cunho comercial, abertos a qualquer pessoa, sem pré-requisitos mínimos, sem qualquer tipo de seleção prévia. Apóiam-se em

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vendas intensivas, sugerem resultados discutíveis que nem sempre privilegiam os princípios da ética profissional. Para vários destes, Coaching resume-se a fazer perguntas, preencher formulários e seguir algumas regrinhas básicas a serem aplicadas mecanicamente, não considerando a complexidade e a diversidade de cada ser humano e a responsabilidade que tal atividade envolve. O que é coaching? - Segundo Frederick Hudson (1999) “Coaching é a arte de

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orientar outra pessoa, outras pessoas ou sistemas humanos para um futuro gratificante”. - Para Peter Drucker (1978) “Coaching é tornar produtivas as forças das pessoas”. Entendemos Coaching como “O processo de facilitar o desempenho, a aprendizagem e o desenvolvimento da pessoa para que esta alcance os resultados que almeja.” O processo de Coaching apóia-se em pressupostos básicos de caráter eminentemente humanístico dentre os quais

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destacamos: - As pessoas sabem mais do imaginam; - As pessoas possuem recursos que nem sempre são adequadamente utilizados; - Metas desafiantes e viáveis estimulam as pessoas a darem o melhor de si; - As pessoas têm capacidade de mudar se assim o desejarem; - Pessoas comuns são capazes de fazer coisas extraordinárias. O processo de Coaching atua no sentido de conectar duas dimensões do Coachee/Cliente:

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o seu potencial para gerar opções e sua prontidão para agir em busca dos resultados que se propõe a alcançar. O processo de Coaching tem sido utilizado em várias áreas. A mais difundida é o chamado Coaching de Vida que por sua amplitude tem sido subdividido em diversas sub áreas. Embora alguns dos princípios possam ser aplicados a todas estas, nosso foco será o Coaching Executivo e Empresarial, uma especialidade dentro do Coaching “tout pour”, especia-


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Trata-se de uma metodologia que foca a aprendizagem e não ensino

lidade esta plenamente reconhecida pelo mundo acadêmico e que tem produzido muitas publicações, levantamentos e pesquisas, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma base teórica e de aplicação sistematizada. Dada a sua especificidade, o Coaching Executivo e Empresarial ganhou corpo e relevância a partir da última década do século XX por sua capacidade de atender demandas geradas pelas rápidas transformações sócio econômicas que impactaram o mundo empresarial e que

alteraram fundamentalmente o papel dos executivos num cenário em mutação. Refiro-me aqui a necessidade destes executivos de atuarem não mais segundo o tradicional modelo do “Comando-Controle”, mas sim como integradores de equipes multiprofissionais e virtuais atuando em cenários pouco estruturados, globalizados, voláteis, altamente competitivos e imprevisíveis. Outro aspecto a considerar no ambiente empresarial contemporâneo é o ingresso das novas gerações de profissionais que

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trazem consigo valores, expectativas e uma visão de mundo incompatíveis com as estruturas piramidais e a cultura das organizações, o que afeta diretamente questões relacionadas com lealdade, rotatividade, retenção de talentos, qualidade de produtos e serviços, dentre outras. Tal situação indica que o real sucesso de executivos e lideranças nesta segunda década do século XXI não depende mais do que eles já sabem, mas sim do quão rapidamente serão capazes de aprender e de continuar aprendendo para

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manter suas competências. Coaching Executivo e Empresarial emergiu com esta missão. Trata-se de uma metodologia que foca a aprendizagem e não o ensino, o desenvolvimento do potencial dos que ocupam posições que carregam consigo responsabilidades que envolvem o capital humano, sem o qual nenhuma organização poderá sobreviver. O que é Coaching Executivo e Empresarial? Segundo a “Executive Coaching Network”: -“Coaching Executivo é uma parceria colaborativa

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entre um executivo, sua organização e um Coach Executivo que tem os seguintes propósitos: - Facilitar a aprendizagem do executivo e da organização, e - Contribuir para que a organização alcance determinados resultados”. Segundo o “Executive Coaching Fórum (2008)”: - “É um processo individualizado e experiencial de desenvolvimento de lideranças que aperfeiçoa a capacidade de alcançar os objetivos organizacionais a curto e longo prazo”. Segundo Rosa R. Krausz (2007):

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-“Uma parceria entre um Coach Executivo e um gestor que se propõe a elevar, de forma sustentável, sua performance profissional, a da sua equipe e da organização para a qual trabalha” O Coaching Executivo e Empresarial proporciona ao Coachee/ Cliente uma vivência muitas vezes inédita e uma visão renovada dos benefícios da parceria, da colaboração, de um relacionamento transparente. Estas são condições que criam um ambiente favorável, seguro e sigiloso para que o Coachee possa expressar seus pensa-


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Envolve uma relação contratual complexa de várias pontas

mentos, opiniões, dúvidas e incertezas que, como executivo, tende a não partilhar no ambiente de trabalho. É também uma oportunidade ímpar para o Coachee ampliar seu autoconhecimento, exercitar a autogestão e tomar decisões baseadas em várias opções ou alternativas analisadas em termos de seus aspectos favoráveis e desfavoráveis. Dentre as características distintivas do Coaching Executivo e Empresarial destacamos as se-

guintes: - Processo customizado – ajustado ao perfil e necessidades do Coachee naquele momento e naquele contexto organizacional específico; - Foca as causas e barreiras, permitindo que o Coachee atue na busca de soluções eficazes e sustentáveis, otimizando sua eficácia; - Cria um espaço e um cenário que estimulam a reflexão do Coachee a respeito de seu estilo de relacionamento com superiores, subordinados e pares, dos seus valores e do papel que represen-

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ta na organização e como estes aspectos impactam o seu próprio desempenho bem como o da sua equipe e da organização como um todo. - Envolve uma relação contratual complexa de várias pontas que abrange não apenas Coach e Coachee, mas também a chefia imediata deste último e o representante da organização que patrocina o processo; - Apresenta elevado poder de irradiação uma vez que o processo de Coaching Executivo e Empresarial atua na ponta da pirâmide, centro do poder decisório, cuja

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influência impacta a organização como um todo. Dentre as demandas mais frequentes das organizações para o processo de Coaching Executivo e Empresarial destacamos: Preparar os executivos para: - Facilitar a aprendizagem do uso de estilos de liderança construtivos e integradores; - Desenvolver competências interpessoais / relacionais; - Gerir conflitos e negociar; - Coordenar equipes multiculturais, multiprofissionais, multigeracionais e virtuais; - Desenvolver a escuta ativa, a empatia e a sintonia; - Expandir autoconsciência/autoconhecimento; - Gerar opções e calcular riscos; - Mudar comportamentos não produtivos; - Alcançar resultados; - Propiciar condições para que seus colaboradores aprendam e se desenvolvam como pessoas e como profissionais. Convém lembrar que além das demandas das organizações, será necessário considerar as demandas do próprio Coachee que nem sempre coincidem com as da organização e que por esta razão envolvem um trabalho cuidadoso de análise e compatibilização no decorrer de todo o processo de Coaching. As demandas mais encontradiças são: - Necessidade de dialogar com al-

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guém em quem se pode confiar; - Insatisfação com o próprio desempenho; - Desejo de ampliar / desenvolver / aperfeiçoar determinadas competências; - Dificuldade de tomar decisões, gerir conflitos e delegar; - Sua equipe não está alcançando os resultados esperados; - Suas responsabilidades aumentaram e não está “dando conta do recado”; - Desenvolvimento da equipe e preparo de sucessores; - A chefia e / ou RH sugeriu este processo; - Preparo para uma promoção / desafio a curto prazo; - Sentimento de estresse/ excesso de trabalho. As demandas, tanto da organização como do Coachee, só poderão ser atendidas se o Coach Executivo e Empresarial estiver adequadamente preparado para facilitar o processo de Coaching não só do ponto de vista técnico mas principalmente no que tange aos aspectos “soft” que exigem amadurecimento profissional, sólidos princípios éticos, sensibilidade, empatia, equilíbrio interno e vocação para este tipo de atividade. Atuar como um Coach Executivo e Empresarial pressupõe as seguintes características: - Ter uma visão sistêmica; - Ser orientado para resultados; - Focar o negócio; - Estabelecer e manter uma


Capa relação de parceria com o Coachee; - Possuir um conjunto de competências necessárias para a prática do Coaching Executivo e Empresarial; - Ter consciência do que faz, quando faz e porque faz; - Estabelecer e cumprir a relação contratual estabelecida com seu Coachee e com a Organização; - Praticar os princípios de Ética Profissional; - Praticar a não diretividade e a neutralidade; - Sintetizar e compatibilizar os papéis de Mestre e Aprendiz; - Questionar, desafiar e instigar produtivamente o Coachee a refletir; - Acreditar na capacidade do Coachee de transformar-se; - Respeitar o Coachee como pessoa e como profissional; - Saber ouvir. Como podemos observar trata-se de uma atividade profissional complexa, delicada e que se não for conduzida com responsabilidade e perícia poderá ter impactos negativos para as pessoas envolvidas e para a organização. O Coaching em geral e Executivo e Empresarial em particular não se constitui num mero conjunto de “ferramentas”. Mais do que técnica, é a arte de construir um espaço com o Coachee no qual este usufrua

de uma oportunidade ímpar de vivenciar o processo de aprendizagem, de definição de suas necessidades, de ser o co-construtor do conhecimento, da experiência e da aplicação na sua vida profissional, ampliando assim a sua capacidade de gerar opções e elevando seu grau de autonomia.

O Coaching Executivo e Empresarial estimula e incentiva as lideranças a assumirem o papel de multiplicadoras do saber, do saber fazer e saber fazer acontecer. Este saber passará a ser utilizado não só na vida profissional, mas em outras áreas também. Um levantamento realizado pela “American Management Association” entitulado

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“Leading into the Future (20052015)” indica que o desenvolvimento estratégico e as habilidades relacionais são as duas competências mais importantes para os que ocupam posições de liderança e as habilidades de Coaching como a necessidade crítica nº 1 de desenvolvimento das lideranças do futuro. Coaching Executivo e Empresarial, em suma, é uma alavanca poderosa à serviço das lideranças e das organizações. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento de condições que propiciem ambientes de trabalho mais produtivos e menos estressantes, povoados por pessoas que encontrem sentido no que fazem e organizações que se constituam em comunidades de trabalho nas quais todos usufruam das oportunidades de aprender, trocar, partilhar e desenvolver suas potencialidades. Convém lembrar que Coaching Executivo Empresarial não é panacéia, não opera milagres, mas propicia a oportunidade das pessoas reconhecerem e otimizarem o uso de seu imenso potencial e de recursos humanos disponíveis que permanecem intocados na maioria das organizações contemporâneas, à espera de alguém que os descubra.

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FONTE CONFIÁVEL sobre Coaching em língua portuguesa

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Artigo O que é Coaching - Rosa Krausz  

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