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PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

FICHA TÉCNICA Propriedade: Câmara Municipal da Praia Praça Alexandre Albuquerque, Cidade da Praia - Santiago - Cabo Verde, CP 108 E-mail: camaradapraia@gmail.com Produção e Edição: Gabinete de Comunicação e Imagem Coordenação: Vereador José Eduardo dos Santos Ulisses Barreto - Director do Gabinete de Comunicação e Imagem Textos: Maria José Varela | Carmen Martins Rewriter: António Monteiro Fotografias: Otelino Vieira | José Ramos | Buck Wahnon Foto Capa: David Gomes Colaboradores: Padre António Ferreira | João Gomes Paginação e Grafismo: Rittos Santos

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CORRIDA LIBERDADE ABERTA AO MUNDO

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uma manhã em que o sol e a nuvem brigavam por um destaque, o Centro Histórico da Cidade vestiu-se de azul e branco e ténis nos pés para festejar o Dia da Liberdade e da Democracia.

Dez mil pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos invadiram a Praça Alexandre Albuquerque para participar no 10º aniversário da Corrida da Liberdade que homenageou os 160 anos da elevação da Praia à categoria de Cidade. A Corrida da Liberdade é o maior evento desportivo do país. Por isso, a Câmara Municipal da Praia está empenhada em transformá-la num evento Internacional e conquistar atletas e público dos quatro cantos do mundo. Razão pela qual a Autarquia fez um enorme investimento na organização e deu uma nova estrutura à Corrida com a introdução de novas categorias. Uma das novidades desta edição, além da meia-maratona e corrida jovem, foi a introdução da corrida escolar de quatro quilómetros, direcionada aos estudantes do Ensino Secundário que foi disputada por equipas e pela classificação individual, e a “Corrida I” que teve como público idosos e crianças. A competição contou com a participação de atletas profissionais vindos de todo país e também do Senegal, França, Portugal e Estados Unidos, além de escolas, empresas, associações comunitárias, instituições e ONGs que estavam distinguidas pelas suas bandeiras. Por falar em vindas, grandes figuras do desporto internacional como os ilustres Magriços José Augusto da célebre Selecção Portuguesa que conquistou a medalha de bronze no mundial de 1966, António Simões, Hilário da Conceição e António Veloso, o antigo capitão do Sport Lisboa e Benfica vieram à Cidade correr e prestigiar a décima edição da Corrida da Liberdade. Antes de pôr o pé na estrada, os amantes do atletismo puderam informar-se sobre os benefícios da prática da actividade física, além de consultas gratuitas de rastreio da hipertensão, glicémia IMC e os seus respectivos cuidados na feira de saúde promovida pela CMP em parceria com o programa “MexiMexê” do Ministério do Desporto.


Depois de ter chegado à meta no Largo do Estádio da Várzea, como é habitualmente, os praienses receberam os seus kits da corrida. Entretanto, ainda tinham energia para participar na Mega-Aula de Ginástica, que aconteceu após a corrida com a demonstração de uma aula de actividade física tradicional chinesa. E assim foi o feriado de 13 de Janeiro, um dia que era para ser de descanso. Entretanto, os adeptos do atletismo preferiram festejar a liberdade e democracia com muito folego e emoção na Corrida da Liberdade.


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NATAL SOLIDÁRIO LEVA ALEGRIA E ESPERANÇA A CRIANÇAS, IDOSOS E SEM-ABRIGO DA PRAIA

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ezembro é o mês mais iluminado do ano, pois traz consigo o Natal que é uma data que tradicionalmente une a família, amigos, renova esperanças e resgata o amor ao próximo. As ruas ganham brilho, as casas e lojas são decoradas para receberem a festa do nascimento do Menino Jesus que se celebra no dia 25 de Dezembro. A Câmara Municipal da Praia, como já é tradição, promoveu no passado mês de Dezembro um natal solidário envolvendo crianças, idosos e sem abrigos da capital, com o intuito de lhes proporcionar momentos confraternização, alegria, união e harmonia, naquela que é a quadra festiva mais esperada do ano. Pretendendo arrancar sorrisos e levar alegria e esperança às crianças dos diversos bairros da Cidade da Praia, a Direção da Acção Social realizou no espaço Expoarte, em Achada Grande Frente, uma festa de natal com muita animação, jogos diversos, lanche e entrega de presentes. A festa contemplou 650 crianças, dos 6 aos12 anos das camadas mais vulneráveis do município da Praia. Momentos de muita alegria e felicidade foram compartilhados nos jardins infantis da CMP, onde para além de jo-

gos, lanche e convívio, as crianças do pré-escolar viram os seus desejos realizados ao receberam prendas de natal. Os idosos dos diferentes bairros da cidade da Praia foram também contemplados com um dia diferente com a realização de um almoço convívio, baile e momentos de alegria no espaço Expoarte. O acto contou com a presença do Presidente da CMP Óscar Santos e do Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva que desejaram a todos os presentes um Feliz Natal, perspectivando um ano de 2018 de muita saúde, alegria e paz. Ainda no âmbito das festas natalícias, a equipa dos “Anjos da Noite”, um projecto que tem apoiado os sem-abrigo da cidade da Praia nas diversas áreas de intervenção, e os voluntários juntaram-se na Praça Alexandre Albuquerque para proporcionar às pessoas que vivem nas ruas da capital uma noite de confraternização e alegria. Ao som de boa música, os sem-abrigo puderam desfrutar de um delicioso jantar natalício, que para eles simboliza um acto de “amor” e “harmonia”, afirmando, que a iniciativa da CMP em lhes promover uma noite em família, lhes trouxe esperança e boas recordações do verdadeiro significado de Natal.

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ASFALTAGEM E RUA PEDONAL NA VÁRZEA JÁ É UMA REALIDADE


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Bairro da Várzea está mais bonito. Estradas asfaltadas, passeios e ruas requalificadas e ainda ganhou uma Rua Pedonal denominada “Maria Camporta”. É um conjunto de obras efetuadas pela Câmara Municipal da Praia no âmbito do projecto da requalificação urbana e de desenvolvimento da Cidade da Praia que a autarquia local tem em curso. A entrega das obras à população aconteceu no passado dia 23 de Dezembro numa tarde de festa e convívio com os munícipes e contou com a presen-

ça do Presidente da Câmara Municipal da Praia e do Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva. Na sua intervenção, Óscar Santos disse que se trata de uma obra estruturante para o bairro, visto que incluiu a componente asfaltagem, requalificação do cemitério assim como uma rua pedonal. “Nesta localidade fizemos ainda intervenções para melhorar o saneamento com a introdução de rede de esgotos, acesso livre à internet, praça e iluminação para que os moradores da zona possam

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viver felizes e com mais dignidade”, salientou o edil praiense. Na mesma linha o Primeiro-ministro reforçou que estas intervenções além de elevarem a auto-estima dos moradores, vão melhorar a qualidade de vida dos mesmos e mudar a imagem daquele bairro. Estas intervenções, sobretudo a Rua Pedonal, vão dar uma outra dimensão económica ao bairro com enfoque no turismo. A Pedonal tem perfil para acolher atividades culturais, feiras de artesanato, além de bares e restaurantes.

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A referida zona também foi contemplada com arruamentos, pinturas de fachadas de casas, espaços verdes e requalificação do parque de estacionamento do largo do Cemitério da Várzea. Os moradores ficaram “radiantes” com as intervenções efetuadas, realçando que tudo o que foi feito vai melhorar o ambiente e saneamento para os moradores e visitantes principalmente na época de chuvas. Esta é a missão da Câmara Municipal da Praia, tornar a Praia numa cidade organizada, aprazível, cosmopolita, levando, assim, a felicidade aos seus munícipes.


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PRAIA GANHA PRIMEIRO CENTRO DE MICRO JARDINAGEM DO PAÍS

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Câmara Municipal da Praia inaugurou no passado dia 26 de Janeiro, no Parque 5 de Julho, o primeiro Centro de Demonstração de Micro Jardinagem do país, numa parceria da CMP, Câmara de Dakar, FAO/CV e FAO/Senegal. O referido Centro vai capacitar os técnicos como formadores em técnicas de micro jardinagem, partilhar conhecimentos educativo e pedagógico para a promoção da prática de micro jardins no país, além de colocar à disposição dos munícipes uma nova tecnologia de produção hortícola em diferentes tipos de embalagens, assim como ajudar na melhoria e no enriquecimento da dieta alimentar das famílias, utilizando produtos cultivados em casa. De acordo com a Diretora do Ambiente e Saneamento da autarquia, Dulcelina Costa, o Centro está enquadrado dentro do Projecto de Agricultura Urbana e Periurbana da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em que a Câmara é um dos beneficiários.

“Enquadrado no projecto, já aconteceram três formações, sendo duas em Dakar, com o objectivo de capacitar os técnicos como formadores em técnicas de micro jardinagem para poderem implementar no terreno e impulsionar a CMP a divulgar a técnica de micro jardim a nível nacional”, frisou. O Centro vai estar à disposição de todos os municípios, pelo que os interessados podem solicitar formação para os seus técnicos. Porém, os munícipes futuramente vão ser beneficiados com acções de formação, em que podem executar a técnica em suas casas, uma vez que a Cidade da Praia tem poucas habitações que possuem espaços para jardinagem. O Instituto Cabo-verdiana de Criança e Adolescente (ICCA), a Cruz Vermelha de Cabo Verde, o Centro Sócio Educativo e Reintegração Social Orlando Pantera e o Centro de Idosos de Castelão são os primeiros beneficiários do projeto.

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JOVENS EMPREENDEDORES “DESAFIAM” O MUNDO AUDIOVISUAL Criada há um ano, a empresa de audiovisual “Parallax Produções” quer fornecer aos seus clientes, parceiros e seguidores as melhores imagens possíveis, tanto na fotografia como nos seus conteúdos, desenvolvendo conceitos visuais marcantes que definam um standard de qualidade cinematográfico facilmente identificável. Com um conceito jovem e dinâmico, a produtora quer explorar temas que sejam sensíveis e pertinentes a nível nacional, mas também internacional. Querendo ser uma empresa de referência em Cabo Verde nas áreas de publicidade, produção musical, cinema, formações e produção de eventos, a “Parallax Produções”, quer inovar o mercado nacional e levar o nome de Cabo Verde além-fronteiras mostrando o nosso quotidiano, a nossa história, cultura, gastronomia e morabeza. Quem nos conta um pouco dos passos, da motivação, empreendedorismo, marketing e, acima de tudo, a “coragem” da empresa é Sori Araújo, membro fundador da “Parallax Produções”, que é formado em Marketing pela Polytechnic of Namíbia.

No mundo da fotografia, a Parallaxe é o ângulo é formado pelos eixos ópticos da objetiva e visor da câmera, que, quando focados no mesmo objeto, causam um deslocamento em curtas distâncias. Sob sugestão da Samira Vera -Cruz, inspiramo-nos nessas definições para dar vida à “Parallax Produções”. Formamos equipa, unimos as valências e experiências profissionais de cada um, e criamos a nossa empresa, que é formada por três pessoas, sendo eu, responsável pela produção de áudio, pela Samira Vera -Cruz, que é formada em Estudos Cinematográficos pela Universidade Americana de Paris (AUP), com especialização em Comunicação Internacional/Global, trabalha na área visual. A Luhena Correia de Sá, formou-se em Arte Culinária e Gestão Hoteleira pela TVU (Thames Valley University), em Londres, e é responsável pela promoção da empresa. Que projectos desenvolveram até agora e quais têm sido os desafios?

Sob autoria da Samira Vera -Cruz já realizamos uma curta-ficção “Buska Santu”, que é uma fusão entre o neo-realismo, o cinema experimental e a realidade cabo-verdiana. Realizamos a “Hora di Bai”, que é um documentário que retrata os rituais na “hora de despedida” em Cabo Verde, Como surgiu o nome e a empresa “Parallax principalmente na ilha de Santiago. Neste moProduções “? mento, estamos a produzir uma longa-metragem intitulada “Sukuru”, que é um thriller psicológico A Parallaxe consiste num aparente deslocamencentrado num jovem toxicodependente esquizoto de um objeto observado, que é causado por frénico. uma mudança no posicionamento do observador. Na astronomia, paralaxe é o deslocamen- O nosso maior desafio tem sido conseguir mobito aparente da direcção observada de um astro lizar apoios financeiros para materializar os noscomo consequência do movimento do ponto de sos projectos. observação.

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Como é produzir filmes em Cabo Verde?

de desenvolver os nossos projectos.

Fazer filmes em Cabo Verde representa ainda um “enorme desafio” para as empresas porque é um mercado pouco explorado. Não é fácil, pois não temos a cultura do mecenato que é prática de estímulo à produção cultural e artística, que consiste no financiamento de artistas e de suas obras. Mas, por outro lado, é uma experiência enriquecedora porque o cabo-verdiano em si é um povo com “dons artísticos”, o que, por sua vez, facilita na realização dos trabalhos.

Outro diferencial, é que nós somos provavelmente a única empresa audiovisual em Cabo Verde, que tem um departamento de áudio, ou seja, somos a única que trabalha na composição, produção, pós-produção e masterização de áudio. A Produtora apresenta esta componente a nível interno facultando aos clientes, a opção de ter a sua vertente áudio de qualidade praticado internacionalmente.

Qual é o diferencial da vossa empresa? O primeiro diferencial em relação às outras empresas de áudio-visual em Cabo Verde, é que nós, membros da empresa, temos uma experiência internacional, uma visão global das coisas. Ou seja, já vivemos um tempo fora, em países como França, Inglaterra, Alemanha, Namíbia, Portugal o que, nos dá uma alguma experiência na forma

Como é trabalhar com a concorrência? Não vejo outras empresas de áudio-visual do país como “possíveis concorrentes”, porque cada empresa tem a sua linha de trabalho e com isso, vamos partilhando as nossas experiências profissionais, e quem sairá a ganhar com tudo isso, é Cabo Verde. Quem são os parceiros da Parallax Produções? O nosso grande parceiro é a Câmara Municipal da Praia, uma entidade com quem queremos desenvolver grandes projectos no futuro, visando proporcionar aos jovens da Cidade da Praia, mais e melhores oportunidades, no que toca à produção e masterização de áudio. Queremos dentro desta esfera explorar o mercado e levá-lo para além do óbvio. Qual é a visão que tem da vossa empresa daqui alguns anos? Espero que a “Parallax Produções” continue a evoluir e que daqui a 5 anos seja uma empresa de referência em termos de produção de áudio não só em Cabo Verde, mas em todo o continente africano. Estamos cientes do caminho a percorrer, dos desafios e obstáculos, mas também estamos certos da nossa ambição, e dos nossos sonhos. Queremos mostrar o Cabo Verde que não se vê, mas que se sente!

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O NEGÓCIO DA FRESQUINHA

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á dez anos atras, Isilda Fortes, mais conhecida por Zizi, começou um pequeno negócio em casa com vendas de fresquinha para os vizinhos com sabores a bissap, chocolate, tamarindo, calabaceira, caramelo, e entre outros. Zizi é mãe de dois filhos e vende fresquinha, apesar de ter outro trabalho. Com o passar dos meses, o negócio foi crescendo e os amigos aconselharam-na a expandir o negócio para o Gimno Desportivo e para as praias onde há maior fluxo de pessoas. Ouvindo o conselho dos amigos, Zizi iniciou a venda de fresquinhas nos referidos locais. A venda foi crescendo até se tornar uma “marca” registrada no Gimno e nas praias da capital. Zizi confidenciou-nos que há pessoas que vão à Kebra Kanela só para comprar a fresquinha. Daí viu a necessidade de aumentar a produção para poder dar vazão a todos os pedidos.

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“venda de fresquinha é um negócio como qualquer outro”

O produto é vendido durante o ano, mas tem mais saída no Verão e durante os campeonatos realizados no Gimno Desportivo Vavá Duarte. Zizi não tem dúvidas: a venda de fresquinha é um negócio como qualquer outro. “Queria dizer aos jovens para não terem medo de se desafiarem e começarem um negócio pequeno. Ninguém nasce grande. O negócio cresce também,” palavras motivadoras da nossa Zizi.

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PRAIA E OEIRAS UNEM-SE PARA INSTALAÇÃO DO CENTRO PARA DEFICIENTES Em 2008, a Câmara Municipal da Praia e a Câmara de Oeiras assinaram um protocolo para o reforço dos laços de cooperação entre as duas autarquias, em que ambas se comprometeram em actuar conjuntamente na troca de experiências, que contribuam para a melhoria e desenvolvimento das duas cidades.

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o âmbito desse acordo, o Presidente da CMP Óscar Santos recebeu, no passado dia 19 de Janeiro, uma visita de cortesia do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, que se deslocou à Cidade da Praia para “aprofundar” a cooperação entre os dois municípios. Durante o encontro, os dois autarcas abordaram vários assuntos com destaque para a criação do “Centro para Deficientes”, um projecto da Câmara Municipal da Praia, que quer “beber” da experiência de Oeiras que dispõe de dois centros dessa natureza. À saída da reunião com o edil praiense, o autarca português afirmou que a sua autarquia poderá trazer para Cabo Verde a sua experiência em áreas de solidariedade social, prometendo ajudar a CMP na elaboração e execução do projecto para a instalação do Centro para pessoas com deficiência na cidade da Praia, “Oeiras terá muito gosto em financiar este projecto e estamos abertos a outras perspectivas de colaboração, seja a nível da educação, da acção social, da mobilidade nos meios de transporte, ou no saneamento e abastecimento de água”, disse Isaltino Morais. Complementando a declaração do autarca oeirense, Óscar Santos mostrou-se convicto de que a partir da elaboração do projeto, será possível disponibilizar

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terrenos em Achada São Filipe para que se possa construir o centro, que visa proporcionar bem-estar, lazer e melhor qualidade de vida das pessoas com deficiências. Conforme afiançou, a infraestrutura está a ser projectada para albergar um dormitório, espaços multiusos para ensino, cuidados médicos, de entre outras áreas vocacionadas para atender diversos tipos de deficiência, desde o mais profundo que passa pelo internamento aos que dele necessitam, garantindo assim os cuidados básicos das pessoas com deficiência. A criação do Centro para pessoas com deficiências enquadra-se nas políticas municipais da CMP que, neste quadro, reafirma o seu compromisso de governação que é o de promover a inclusão social, através do reforço da luta contra a pobreza, ajudando a população em situação de emergência, dando atenção às pessoas com deficiência, idosos, crianças e doentes crónicos, contribuindo assim por uma cidade cada vez mais justa, segura e inclusiva. De referir, que no âmbito desse encontro, o Presidente da CMP e da Câmara de Oeiras visitaram no mesmo dia, os jardins infantis da autarquia e algumas obras estruturantes em curso na Cidade da Praia.


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CMP E GOVERNO ENGAJADOS NA REQUALIFICAÇÃO URBANA DA CIDADE PRAIA O Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, e a Ministra das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Eunice Silva, visitaram no passado dia 26 de Janeiro um conjunto de obras estruturantes em curso em diferentes bairros da capital.

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visita teve como propósito dar a conhecer à ministra os detalhes das obras levadas a cabo pela Câmara Municipal da Praia e as necessidades de algumas localidades no que tange ao calcetamento, drenagem e espaços verdes. A delegação visitou as obras de calcetamento e valas de drenagem em Palmarejo, o andamento das obras do Miradouro em Achada Santo António e o Pedonal de Lém-Ferreira, obras de calcetamento e drenagem das Encostas de Castelão, arruamento no bairro de Ponta D’Água e Achada São Filipe, concluindo assim o percurso no Mercado do Côco, na Várzea. A comitiva liderada pelo edil praiense fez ainda uma paragem pelos bairros de Achada GrandeFrente e Achada Grande-Trás para se inteirar dos lugares que futuramente receberão obras de calcetamento a serem executadas pela CMP, infraestruturas essas que vão melhorar a qualidade de vida dos moradores e o aspecto urbanístico da Cidade. Durante a visita, Óscar Santos reafirmou a importância dessas obras no desenvolvimento harmonioso da cidade da Praia e na integração urbanística, que irá ter um impacto na melhoria da qualidade de vida dos munícipes, ressalvando, que a edilidade promete investir mais de 400 mil contos em construções só este ano. Por outro lado, Santos realçou que essa visita representa um “forte engajamento” entre o poder local e central em unir esforços para apoiar a autarquia no programa de requalificação urbana da Cidade da Praia, que não obstante os investi-

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mentos feitos, apresenta ainda um défice enorme de urbanização na zona Norte da capital. Por seu turno, a Ministra Eunice Silva mostrou-se “encantada” com o desenrolar das obras em curso e enalteceu a dinâmica da CMP em matéria de requalificação urbana, avançando que o Governo vai apoiar a autarquia com cerca de um milhão de contos para investimentos em obras de requalificação urbana, acessibilidade e reabilitação de habitações das famílias em dificuldades, nos próximos dois anos. A governante frisou que o Executivo tem um “programa de parcerias” com as câmaras municipais, com a qual a da capital vai beneficiar de um montante significativo dentro do pacote global a ser investido nos concelhos, uma parceria que no seu entender, vai permitir que as nossas cidades sejam mais atrativas e competitivas, requisitos fundamentais para gerar mais investimentos, mais emprego e mais rendimento e contribuir, por isso, na redução da pobreza.

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CARNAVAL DA PRAIA NA ROTA DO TURISMO CULTURAL O Carnaval-2018 na Cidade da Praia ficou marcado por momentos de muita festa na Avenida Cidade Lisboa que este ano encheu-se de cores e diversidades de temas para receber o evento que prometeu muitas surpresas.

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clima de júbilo contagiou os presentes ao som da batucada dos seis grupos: Sambajó, Estrelas da Marinha, Intervila, Vindos d’África, Vindos do Mar e Bloco Afro Abel Djassi que apostaram em enredos criativos e belas alegorias para celebrar a festa do Rei Momo.

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Este ano, a Câmara Municipal da Praia assumiu o compromisso de elevar a qualidade do Carnaval na Capital, melhorando condições na Avenida Cidade de Lisboa, com a retirada dos separadores para que os grupos pudessem desfilar com maior facilidade, no dia 13 de Fevereiro.


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Além de investimentos no espaço para desfile, a CMP disponibilizou apoios aos grupos oficiais, melhorou a iluminação, introduziu o som ao longo da Avenida e montou bancadas com mais de mil lugares para os foliões. Assim, no dia 10, a Avenida Cidade de Lisboa abriu as portas para receber o desfile dos jardins infantis e idosos da Cidade da Praia, que levaram muito brilho para a festa no Sambódromo. No dia 11, foi a vez das Escolas do Ensino Básico do município, que se uniram para celebrar o Carnaval da Praia. O festejo terminou com o desfile dos grupos do 2º escalão. A data mais esperada pelos munícipes, o dia 13, veio confirmar o potencial do Carnaval da Praia que almeja dar saltos “significativos” para tornar a Festa do Rei Momo numa referência nacional. Não obstante o frio que se fazia sentir na Avenida, o grupo Samba Jó, sob o olhar atento dos presentes, foi o primeiro a desfilar com o tema “Maravilhas do Universo”. Já o grupo “Estrelas da Marinha” invadiu a Avenida com “Roma Antiga” que esteve coroado de muito brilho e samba no pé.

Logo a seguir, com o objectivo de homenagear o poeta Corsino Fortes, o grupo Vindos do Mar desfilou com o enredo “Pão & Fonema”. “Mãe Africa” foi o tema escolhido pelo grupo “Vindos d’África”, que homenageou o continente, trazendo brilho, alegria e muita animação ao Sambódromo da capital. Em comemoração dos 30 anos de existência o Intervila convidou os presentes a viajarem no tempo relembrando a história e os momentos que marcaram o percurso do grupo de Vila Nova. O Bloco Afro Abel Djassi fechou o desfile do Carnaval 2018 trazendo como tema a “História de Cabo Verde no Mundo”. O Presidente da CMP Óscar Santos mostrou-se muito satisfeito com a organização, disciplina e o desfile, prometendo continuar a fazer o seu papel para tornar o Carnaval na Praia num produto turístico e a Cidade Capital cada vez mais atractiva e cosmopolita para o mundo. Os milhares de foliões que se deslocaram à Avenida para desfrutar da batucada, da energia positiva dos grupos, do brilho das roupas e dos andores deram nota positiva à organização e ao desfile.

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VINDOS D´ ÁFRICA REVALIDA TÍTULO DE CAMPEÃO

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grupo Vindos D’África que este ano homenageou a “Mãe África” arrebatou pela quarta vez consecutiva o prémio de campeão do Carnaval 2018 na cidade da Praia, que aconteceu no passado dia 13 de Fevereiro, na Avenida Cidade de Lisboa. Com 314,9 pontos, Vindos d’África venceu ainda os prémios individuais de melhor música, carro alegórico, rei, rainha, porta-bandeira e melhor bateria. Em segundo lugar ficou o grupo Estrelas da Marinha com 278,05 pontos, que ainda venceu prémio individual de melhor rainha de bateria. O terceiro classificado foi o grupo Samba Jó com 270,05, quarto lugar ficou com Intervila com 251,3 pontos, em quinto lugar Bloco Afro Abel Djassi com 249,1 pontos e em sexto lugar Vindos do Mar com 246,3 pontos. O grupo Maravilhas do Infinito do 2º escalão que desfilou no dia 11 na Avenida Cidade de Lisboa venceu o primeiro lugar com 235,25 pontos e os prémios individuais, nomeadamente, melhor música, carro alegórico, rei, rainha, mestre sala

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e porta-bandeira, bateria e rainha de bateria e em segundo lugar ficou o grupo Jovens de Vila Nova. O corpo de jurado avaliou os grupos por figurino, coerência temática, organização do desfile, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, rei e rainha, carro alegórico , música e rainha de bateria. Relativamente aos prémios, o primeiro lugar do 1º escalão recebe 450 mil escudos, o segundo 280 mil escudos, o terceiro classificado 170 mil escudos, quarto, quinto e sexto recebem 50 mil escudos. O primeiro classificado do 2º escalão recebeu 180 mil escudos e o segundo 50 mil escudos. As Escolas do Ensino Básico receberam o prémio de participação de 50 mil escudos e os jardins infantis recebem 10 mil escudos. A CMP parabenizou os vencedores em particular e todos os grupos participantes no geral, que desfilaram na Avenida Cidade de Lisboa e fizeram do Carnaval Praia 2018 um sucesso e promete continuar a dar o seu contributo na promoção e valorização do Carnaval da nossa Praia Maria!


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“FESTA CINZA” UM PRODUTO TURÍSTICO DA ILHA DE SANTIAGO  29


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Festa de Cinzas é tradicionalmente comemorada na Ilha de Santiago com um almoço cheio de fartura. A quarta-feira de cinzas marca o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão e ocorre 40 dias antes da Páscoa. À semelhança de todos os anos, Câmara Municipal da Praia promoveu este ano mais uma edição da Feira de Cinzas e o concurso do tradicional almoço de Cinzas denominado “Festa Cinza”. A Feira de Cinzas aconteceu no Largo do Estádio da Várzea, com a exposição de uma diversidade dos produtos agrícolas, xerém, côco, “trotxida” peixe seco, cuscuz e o delicioso mel de cana que não pode faltar em nenhuma mesa de Cinza. O evento que anualmente é realizado pela Câmara Municipal da Praia visa preservar a tradição da maior ilha do país e oferecer aos munícipes e visitantes produtos típicos para a festa. Por sua vez, o concurso do tradicional almoço de “Festa Cinza”, é promovido pela CMP em parceria com a Rank CV, NOVATUR e alguns restaurantes da Cidade da Praia e visa proporcionar às famílias praienses a oportunidade de almoçar e degustar pratos tradicionais de Cinza em diferentes restaurantes da capital pelo mesmo preço. Este ano, o concurso contou com a participação de nove restaurantes da capital: Beira-Mar Grill, Bica d’Areia, Djila, Ipanema, Quebra-Cabana, Poeta, Panorama, Plaza e Pescador. Os restaurantes foram avaliados pelos clientes através de um inquérito durante o horário de almoço e por uma equipa de jurados. O Ipanema conseguiu arrebatar o prémio de primeiro lugar da competição. Os restaurantes Panorama e Kebra Kabana ficaram em segundo e terceiro lugar respetivamente. De acordo com a organização, esta edição superou as anteriores com uma avaliação positiva dos clientes, jurados e restantes, garantindo que a festa de cinza veio para ficar como uma marca e um produto turístico da maior ilha do país.

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A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA – PRAIA

Introdução

Não podendo declinar o pedido da professora Filomena Delgado e não dispondo de tempo físico, gratificante, para um trabalho mais consistente, preferimos o que nos estava mais ao alcance: rever o texto da comunicação oral apresentada em 2015 por ocasião da comemoração dos 460 anos da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Gra-

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ça, Praia1 . Portanto, aqui vamos ter mais crónica do que história. Espera-se que das datas, factos, pessoas e lugares venhamos a ter “literatura”, um texto literário que nos permita “Olhar o Passado com Gratidão, Viver o Presente com Paixão e 1 Paróquia de Nossa Senhora da Graça ontem, hoje e amanhã no contexto interparoquial da Cidade da Praia: A Paróquia de Nossa Senhora da Graça na construção da Comunidade Católica da Cidade da Praia: Sombras, Luzes e Desafios, 30 de junho de 2015.


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Abraçar o Futuro com Esperança2” seguindo os conselhos de Nossa Senhora da Graça nas Bodas de Canã: «Fazei tudo o que Ele vos disser» Jo 2.

1. Origem/criação da Paróquia

Segundo o Padre Francisco de Deus Duarte, Pároco de Nossa Senhora da Graça entre 1919 a 1938/39, a Paróquia de Nossa Senhora da Graça foi criada em 1555. Portanto, há precisamente 462 anos.

2. Periodização

Não despondo/desconhecendo qualquer estudo sobre o assunto, tomando como referencia o estatuto da Igreja Matriz/paroquial [Catedral a partir de junho de 1943], vamos considerar dois períodos: Primeiro a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça 1555-1943. Paróquia esteve sob a orientação dos padres diocesanos. Segundo a Igreja Paroquial passa a ser a Igreja Pro-Catedral. Dom Faustino Moreira dos Santos (1941-1955) transfere, em junho de 1943, a Sede do Bispado da então Vila da Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, para a ilha de Santigo e fixa a Residência na Cidade da Praia e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça passa a ser a Igreja Pro-Catedral. Igreja do Bispo3. De 1943 ao presente podemos considerar dois momentos: o da orientação pastoral a cargo dos padres espiritanos (1943-1978) na sua maioria de origem portuguesa e de 1978 ao presente padres diocesanos na sua maioria naturais de Cabo Verde.

3. Paróquia de Nossa Senhora da Graça: comunhão orgânica e dinâmica de pequenas comunidades

2 Papa Francisco, Carta aos religiosos e religiosas 3 «Sé Catedral. Funciona como Sé, desde Junho de 1943, a igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça, na cidade da Praia». Anuário Católico de Portugal, 1947, 284.

3.1. Maternidade fraternal: Surgimento de novas paróquias

Desde 1555 até 1992 a freguesia de Nossa Senhora da Graça coincide com a Cidade da Praia, atenção: não com o Município da Praia. A este, como sabemos, até 1993 pertenciam os atuais municípios de São Domingos e da Cidade da Ribeira Grande de Santiago4 . Até a independência nacional (5 de julho de 1975), além da Igreja Matriz a Paróquia de Nossa Senhora da Graça contava com três lugares de culto com missas dominicais: Capela de Santa Isabel, no Hospital Central da Praia, Capela de Nossa Senhora do Socorro, na Achada de Santo António e Capela de Santa Filomena, no Bairro Craveiro Lopes. Nas capelas de São Pedro, em São Pedro, Santíssima Trindade, em Trindade e São Tomé, em São Tomé com missas uma vez por ano nas respetivas festas litúrgicas. Pelo Decreto Episcopal de 4 de novembro de 1992 foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Socorro, já instituída em Capelania com um Capelão desde Janeiro de 19875. Pelo mesmo Decreto ficamos a saber que a Paróquia de Nossa Senhora da Graça estava dividida em várias zonas pastorais6. Três destas zonas, a partir de 2009, foram eretas em paróquias.

3.2. Vida Paroquial: despertar da fisionomia/consciência comunitária

Nos finais da década de 60 inícios de setenta temos de realçar a grande aposta pastoral feita seja a nível do Curso de Preparação para o Casamento (CPM) seja o curso de Preparação para o Batismo (CPB) A partir 22 de junho de 1975 chega o novo Bispo. Desta vez o primeiro com sangue crioulo. Dom Paulino Livramento Évora (1975-2009). Segundo dados recolhidos oralmente em setembro/outubro do mesmo ano realiza-se o primeiro encontro com todos os padres a trabalharem na 4 Ao Município da Praia pertenciam também os atuais municípios de São Lourenço e São Tiago. 5 Cf. Decreto da Criação da Paróquia de Nossa Senhora do Socorro, Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, 109 6 Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 109-110

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diocese. Janeiro de 1977 realiza-se de novo, na Praia, um segundo encontro alargado. Desta vez sob o signo da pastoral. A convite do senhor Bispo Dom Paulino o Padre Regan, irlandês, espiritano, a trabalhar no Brasil, depois de percorrer toda a diocese reuniu-se com os agentes da pastoral em assembleia e foram traçados dois eixos/orientações: valorização da Palavra e valorização das comunidades locais. A Pastoral Comunitária foi também tema/assunto de retiro/curso de 1979. Em 1979 teve lugar, na Praia, no Seminário de São José um retiro/curso ministrado por uma equipa do Movimento do Mundo Melhor, constituída pelo Dr. Pe. Georgino Rocha (diocesano) e Irmã Lourdes Roque (FMM). Neste curso, destinado a sacerdotes, religiosos e religiosas que trabalham na Diocese de Cabo Verde, foi apresentada em todos os seus detalhes uma NOVA IMAGEM DA PARÓQUIA, aliás era este i título do curso7. Portanto, não podemos entender a Paróquia de Nossa Senhora da Graça e as cinco paróquias que tem hoje a cidade da Praia sem ter em conta as duas apostas/opções pastorais assumidas pela Diocese em janeiro de 19778 e as orientações pastorais saídas do Retiro/Curso de 1979. Parece que, sem forçar os dados, podemos afirmar e ver aqui toda a ação/dinamismo pastoral desencadeado a partir de finais da década de setenta. Foi isso que o então Pároco Eutrópio Lima da Cruz (1979-1981), recém-chegado de Roma, especializado em Pastoral, sem pestanejar e contra alguns colegas deu continuidade e lançou as bases para o que mais tarde veria a dar as «Zonas Pastorais» de que fizemos referencias acima e hoje algumas delas sede das paróquias da cidade da Praia criadas, na sua maioria, em 20099 com a nomeação e chegada do senhor Dom Arlindo Furtado. Interessante fora ele que jovem Padre, na ausência do Pároco, Reverendo Padre Nogueira de feliz memória tinha dado o ponta pé de saí7 Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p. 37 8 O mesmo podemos de dizer das Comunidades na ilha do Fogo, os grupos bíblicos em São Vicente. 9 Nossa Senhora da Graça – Praia. Padre António Manuel M. S. Ferreira, Nossa Senhora do Socorro – ASA. Padre José Constantina Bento, Imaculada Conceição – Bairro Craveiro Lopes. Padre Boaventura Lopes; Sagrado Coração de Jesus – Vila Nova. Padre José Eduardo Afonso; São Filipe Apóstolo – Achada de São Filipe. Padre Samuel Adilson Martins; São Paulo – Palmarejo – Padre João Augusto Martins.

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da desbravando/visitando os “cobões” e ladeiras, bairros e belecos da Praia e dos seus arrabaldes como se dizia na altura. Em todas as «zonas pastorais» existia o dia da Partilha da Palavra. Cada bairro da Praia tinha um ou dois dias em que durante a semana as pessoas se reunião a hora marcada para lerem, meditarem/partilhar a Palavra de Deus que seria lida no Domingo seguinte. Estes encontros serviram para determinar a consciência/sentimento de pertença à zona/bairro/comunidade. Serviram também de oportunidade para certificar e facilitar a preparação, aceitar para ser padrinhos ect. Fazer e tomar parte na Partilha de Palavra não era facultativo. Foi como já se disse um dos critérios de classificar uma pessoa de praticante ou não. Uma outra iniciativa que também colaborou para maior o empenho e engajamento dos leigos foi a preparação da homilia que o Pároco fazia com um grupo de leigos. Estes deslocavam-se à Praia para leitura orante da Palavra de Deus e procuravam à luz da Palavra de Deus iluminar a realidade social e no final, à noite, o Padre levava os que moravam mais afastados caso dos de Cabujana e Veneza. Já nessa altura deu-se muita atenção às periferias.

3.3. Vida Paroquial: Consolidação da identidade Paroquial Na década de 80 chega a Paróquia, vindo da ilha das montanhas, o Reverendo Padre Caetano Francisco da Piedade PIMENTA Pereira, o nosso saudoso Padre Pimenta, Pai da juventude. Académico, doutor quando estes nem se quer enchiam uma mão, simples e amigo dos pobres. Os que foram alunos dele no Seminário, ouvindo falar, não imaginariam que aquele galante e distinto professor fosse seria também pastor. Pois, Padre Pimenta logo logo deu conta que: Numa paróquia extensa, como a de Nossa Senhora da Graça, com dezenas de milhares de fiéis nã se poderá viver a comunhão, se antes as pequenas aldeias, grupos, movimentos e associações não experimenta-


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rem a comunhão eclesial. Era necessário ter mínimas condições humanas para que a comunhão acontecesse. No mínimo deveria haver um espaço destinado ao encontro, convívio, oração, partilha da fé da comunidade. Nas visitas às zonas que para encontros com a comunidade, que para celebrações penitenciais por ocasião do Natal e Páscoa, sentia-se a falta de um espaço para as actividades10. Por isso, em 1983, dois anos depois de ter chegado a Paróquia, com a comunidade paroquial decidiram levar avante o projeto de construção de “Casa de Oração” em cada comunidade. Para essa empresa o Arquiteto Pedro Gregório teve um papel determinante. Segundo o Padre Pimenta «O arquitecto Pedro Gregório fez a planta de arquitectura, de construção e cálculos de ferros para a placa, duma sala de 12m x 6m de modo a poder ser facilmente implantada em qualquer lugar»11. Muitos ainda lembram-se das azafamas nos fins de semanas, das campanhas para blocos, arreia, cimento etc. Quem não se lembra do Nho Tatinho, do Dom Marcelo com a folha de vinte cinco linhas nas mãos percorrendo de casa em casa, indo aos serviços, às lojas comerciais pedindo apoio pa nôs Casa de Oração?

complexos de anacronismo que a Igreja desce definitivamente da Praia. Que estamos perante uma igreja em saída. Que vai ao encontro dos homens e mulheres lá nos seus bairros. Ali onde tudo passa e acontece a vida paroquial: catequese infantil, preparação para o crisma, preparação para o batismo, ensaios, reuniões dos mais diversos grupos e movimentos.

3.4. Vida Pastoral: manifesta nas infraestruturas paroquial

Na década de 90 o Padre Arlindo Gomes Furtado, hoje Cardeal FURTADO, assume a paroquialidade. Encontra uma estrada já desbravada e um sentido a continuar. Muitos não perceberam que estávamos perante uma mudança de paradigma. O Centro Paroquial já não era a única referência, já não estamos no tempo das enchentes do Salão Paroquial. Agora as coisas nascem e acontecem nas periferias. Alguns ainda se lembram dos debates, do quebra-cabeça em/e para trazer os jovens para o Centro Paroquial. As missas na igreja Paroquial já não têm tanta afluência. Nota-se lugares vazios. Os grupos se interessam e dão cabedal nas suas zonas. Há de certa forma uma sã competição.

O projeto ganhou tal dimensão que ultrapassou as fronteiras da Paróquia. A Paróquia fez um pedido à Embaixada dos Estados Unidos na Praia, que concedeu um apoio de auto-ajuda de 4.500 USD. O projecto começou em força, as comunidades se organizaram e as casas de oração começaram a aparecer. Em 1990 havia muitas casas já com paredes e fomos obrigados a fazer outro pedido à Kriche in Not – Caritas alemães – que prontamente disponibilizou 10.000 USD. Com essa autoajudas fomos cobrindo as Casas de Oração12. As casas de oração foram e são marcos referenciais não só para a história da construção da Comunidade Católica da Cidade da Praia mas também para a construção da identidade dos bairros da Cidade da Praia. Podemos falar, sem perigos/ 10 11 12

Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 37. Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 38. Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 38.

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Padre António Manuel Monteiro Silves Ferreira


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EU E O CÓDIGO DE POSTURAS MUNICIPAIS

N

o dia 29 de Outubro de 2014, foi aprovado pela Assembleia Municipal da Praia, um novo Código de Posturas Municipais (CPM), o qual veio revogar o anterior, aprovado pela Portaria nº 4682 de 24 de Dezembro de 1954. Tal como todos os instrumentos semelhantes, o CPM visa criar um corpo de normas de alcance local, com vista à definição de regras de boa convivência e organização urbana. Ok, muito bonito, e daí? A resposta a essa pequena questão, só tu, munícipe, saberás dar! E daí? O CPM tem a ver comigo ou trata-se de um mero instrumento aprovado pelos deputados da Assembleia Municipal da Praia, os quais não fizerem nada mais do que a obrigação deles? Se assim pensas, deixa-me dizer-te que fazes parte da enorme lista daqueles que se estão nas tintas para a vida desta Cidade e para os instrumentos que pretendam melhorar a qualidade de vida urbana. Mas podes tomar uma atitude diferente, passando a ver-te como parte dos problemas desta Urbe e querendo ser, igualmente, parte da solução. Então, tal como John Kennedy disse uma vez podes perguntar-te «o que posso fazer pela minha Cidade?». Gostaria de deixar aqui algumas ideias escritas por duas adolescentes norte-americanas, Elisha e Elissa, co-autoras do livro

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“I Love me”, que são tão simples quanto eficazes. Ei-las: 1. Apresenta-te como voluntário em campanhas de limpezas na tua zona de residência, na plantação de árvores e em outras atividades que melhorem o ambiente; 2. Sê um bom exemplo para todos, nomeadamente no cumprimento do CPM, acrescentaria eu; 3. Respeita a propriedade pública e privada, incluindo o mobiliário urbano, acrescentaria eu;

com a tua comunidade; deixa-te envolver com os assuntos da tua comunidade e não os vejas como se fossem questões que não te interessam; procura saber onde te encaixas e o que podes fazer bem de modo a transformar teu bairro ou tua rua num lugar limpo, saudável, bem gerido e aprazível. Basta que compreendas que trabalhar em conjunto com as autoridades locais é muito mais poderoso do que o esforço individual e que ao fazeres de ti uma melhor pessoa fazes do mundo, um lugar melhor. Simples, não é?

4. Poupa água e luz; 5. Segue a regra dos três “R”: reusa coisas velhas, reduz o que deitas fora e recicla o teu lixo; 6. Respeita todas as diferentes raças e religiões; 7. Obedece às autoridades locais, nomeadamente à Polícia Municipal e ao executivo camarário; 8. Procura ser sempre cortês, atencioso e correto na tua vizinhança, ambicionando ser um elemento de concórdia! Simples demais, não é? Pareço estar-me dirigindo a uma classe de estudantes do ensino básico? Na verdade, a solução para sermos parte da solução, é absolutamente simples na sua singeleza e pureza. Como diria aquele anúncio «tudo ki bu podi fazi sta na bu mom»! Ser cidadão acarreta responsabilidades e estas são bastas vezes, bem menos complicadas do que, à partida, se poderia pensar. Como muito bem expressa o CPM no seu preâmbulo «É um Código a favor do direito à Cidade que os munícipes almejam, mas que os responsabiliza quanto ao esforço que, enquanto indivíduos, famílias e membros da colectividade urbana, devem fazer para que esse direito à cidade qualificada seja construído, desenvolvido e preservado no tempo»! Simples, não é? Então, vê o novo CPM como uma ferramenta que te ajuda a cultivar uma relação de familiaridade

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João Gomes Jurista


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Praia Cidade em Movimento - SÉRIE II - 2ª EDIÇÃO  

“Praia, cidade em movimento “é uma revista que visa manter a nossa governação mais próxima dos munícipes e manter as pessoas no centro das n...

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