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PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

FICHA TÉCNICA Propriedade: Câmara Municipal da Praia Praça Alexandre Albuquerque, Cidade da Praia - Santiago, Cabo Verde, CP 108 E-mail: camaradapraia@gmail.com Produção e Edição: Gabinete de Comunicação e Imagem Coordenação: Vereador José Eduardo dos Santos Ulisses Barreto - Director do Gabinete de Comunicação e Imagem Textos: Maria José Varela | Carmen Martins Rewriter: António Monteiro Fotografias: Otelino Vieira | José Ramos | Buck Wahnon | Cristiano Barbosa Paginação e Grafismo: Rittos Santos

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Dia da Cidade da Praia, foi assinalado numa sessão memorável da Assembleia Municipal que, pelo simbolismo que carrega, não deixa de ser um marco indelével nos anais da história desta edilidade, que se fez palmo a palmo, a custo de muito trabalho e dedicação dos homens e das mulheres que a serviram. Meses atrás, a Câmara Municipal da Praia foi ao encontro do saber de alguns especialistas, de cuja viva voz quis ouvir a opinião sobre a matéria em epígrafe. Passado o problema em revista, houve por bem concluir que 29 de abril devia ser declarado dia da Cidade da Praia e feriado municipal. O passo seguinte

deu-o a Câmara Municipal ao levar a questão à Assembleia Municipal, que, em reunião ordinária de 22 e 23 de março do corrente ano, não hesitou em deliberar, por unanimidade, note-se, no sentido da proposta que lhe fora submetida.

as expectativas das pessoas que nela habitam.

De 1515, data da fundação deste povoado, aos presentes dias, praia conheceu um patamar de desenvolvimento que a tornou uma referência de inegável sucesso em cabo verde.

Praia viu a escravatura; viu gente, na casa de milhares, a morrer à fome; viu longos períodos de seca e de estiagem; viu cair o paredão do edifício da assistência a 20 de fevereiro de 1949 que matou 232 pessoas, além de centenas de feridos que à vista deixou.

Entre recuos e avanços, êxitos e derrotas, Praia olhou sempre para a frente, ultrapassou todos os obstáculos que condicionavam o seu desenvolvimento, tendo sempre presente a preocupação principal de satisfazer os anseios, os desejos e

Como se diz, o caminho faz-se caminhando e Praia a isso não fugiu, passando por coisas boas e más, porém, sem perder a face.

No ano que vem, completar-se-ão 60 anos sobre este triste acontecimento, acerca do qual pretende a Câmara Municipal da Praia assinalá-lo, em parceria com a sociedade civil, com


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de 1652 e a segunda a 8 de setembro de 1661. a isto se junta a também não menos importante estada do naturalista inglês Charles Darwin, a 16 de janeiro de 1832, que, passado tanto tempo, é ainda recordada em meios académicos e outros O nosso programa de governação é realista e ambicioso. estamos a cumpri-lo. nem é preciso dizê-lo. basta que se dê um olhar, mesmo que não seja demorado, pela cidade para darmos conta de muitas obras de grande fôlego e de realizações estruturantes que temos vindo a fazer em prol dos munícipes.

as universidades e com os investigadores, não com o intuito de estabelecer juízos de valor ou então de ajustar contas com a história, mas sim de proporcionar a todos, mormente aos jovens, conhecimentos e informações, sobre tudo quanto se passou naquele fatídico dia que enlutou a nossa praia. Praia também viu coisas boas. Acolheu com coração aberto eminentes figuras mundiais que se fizeram notar pela tamanha proeza que protagonizaram, deixando legados, não poucos, à humanidade, que ainda os guarda para a posteridade. A ilustrar a afirmação, basta citarmos o padre António Vieira, que, por duas vezes, a visitou, a primeira a 20 de dezembro

Em termos gerais, apesar da seca que assolou o país, podemos concluir que os objetivos e as metas constantes nas atividades programadas para 2017 foram realizadas, com destaque para requalificação, ordenamento e valorização urbanos, solidariedade social, cultura e economia criativa, ambiente, desporto e juventude, contribuindo, deste modo, para aumentar a qualidade de vida dos habitantes da praia. O futuro que nos reserva é promissor. sem demoras, podemos dizer e sustentar que temos a cidade em estaleiro. As 32 obras em curso testemunham-no claramente. seria fastidioso elencá-las agora, mas não resistiremos à tentação de citar algumas de maior impacto, como sejam a asfaltagem de Palmarejo, da rua da Uni-CV e das zonas do Liceu Domingos Ramos e do ténis. Na mesma linha, temos em marcha calcetamentos em vá-

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rias localidades, nomeadamente em Portete, Achada de São filipe, em Palmarejo, em Fonton e em são francisco, obras de drenagem em Lém ferreira, na Quebra Canela-Fonton, na Várzea/Gamboa, em Lém cachorro, em Paiol, em Tira-Chapéu/Palmarejo/Fonton, em pensamento e na calabaceira, sem contar ainda com a requalificação da Praça Alexandre Albuquerque, o miradouro em Ponta de Água e o arrelvamento dos campos de Pensamento, Fonton, Achadinha e Monteagarro. Manter-nos-emos empenhados em continuar a trabalhar para melhorar a segurança urbana, a iluminação pública, as acessibilidades, a requalificação de habitações, a asfaltagem das principais vias da cidade com maior tráfego a par das obras de drenagem em muitos bairros, da ligação de água domiciliária, da extensão da rede de esgotos, da abertura de jardins-de-infância e da introdução de medidas mais eficazes, isto é, com selo de rigor e de transparência, na atribuição de lotes. Até ao final do nosso mandato, propomo-nos trabalhar sem parar com vista a dotar a Praia do tal Estatuto Especial Administrativo, que tarda a chegar. A residência, trabalho, visitas e investimentos. Nunca é demais reclamar, por três ordens de razão, o estatuto especial para a praia, as quais decorrem, aliás, dos custos da capitalidade: Praia é capital do país; é capital política (sede dos órgãos de soberania e das representações diplomáticas); e é capital económica (contribui


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com cerca de 45% para a produção da riqueza nacional). Se a Praia chama a si o desempenho de todas estas funções, segue-se que deve possuir um estatuto especial. Outra meta, não menos relevante, a atingir, nos próximos tempos, é a criação da região metropolitana da praia, na qual deverão fazer parte, além de nós, os concelhos de São Domingos e da Ribeira Grande de Santiago.

mento desta equipa camarária que tem sabido encontrar soluções para os magnos problemas da edilidade, colocando-a no caminho do progresso e do bem-estar, garantindo, por isso, a felicidade de todos. A razão de ser da nossa governação move-se unicamente pelo desejo de servir os munícipes, tornando-os donos e senhores da cidade.

A sua importância e a sua necessidade dispensam comentários por se tratar de um instrumento vital para harmonizar o crescimento e o desenvolvimento dos três concelhos vizinhos e fronteiriços em diversos sectores.

Com eles, assinámos um contrato social, a 4 de setembro de 2016, na esteira daquele que, em 2008, nos permitiu resgatar a Praia de uma profunda letargia, equilibrando as contas municipais, fazendo obras, valorizando a participação dos munícipes, dinamizando a economia.

Outro grande compromisso a que nos propomos realizar é o de criar a Biblioteca Municipal Jaime de Figueiredo. Trata-se de uma merecida homenagem a um praiense que se distinguiu na literatura, no ensaio, na crítica e nas artes plásticas.

Assente em três eixos estratégicos – cidade segura, cidade sustentável e cidade atrativa – o presente contrato social tornou hoje a praia mais limpa, mais bonita, mais organizada, mais cosmopolita, mais aprazível e mais acolhedora.

Do mesmo passo, temos um catálogo de realizações que, a concretizar-se, continuará a mudar o rosto da Praia, para o qual muito irão contribuir também o alargamento da pista do aeroporto internacional Nelson Mandela e a construção de um hospital de raiz, ambos da inteira responsabilidade do governo central, razão por que nos enchemos de alegria.

Impõe-se, por fim, que não defraudemos as expectativas dos eleitores e dos munícipes a quem devemos acudir a toda a hora.

A cidade de hoje não é igual, nem podia sê-lo mesmo, à de ontem. O nível de desenvolvimento a que a Praia chegou resultou de um sério empenha-

Comprometemo-nos a tudo fazer para que a praia continue a ser uma cidade sonhadora, de esperança e inclusiva, onde nenhum homem, nenhuma mulher, ninguém mesmo, se sinta mais igual do que o outro, estando, isso sim, todos, em pé de igualdade, dispostos e mobilizados a continuar a fazer da Praia um lugar ideal e seguro para realizarem os seus sonhos

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ACÇÃO SOCIAL PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

CMP ABRE JARDIM INFANTIL NA ZONA DE SÃO PEDRO LATADA

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erca de 50 crianças da localidade de São Pedro Latada, na Cidade da Praia, foram integradas recentemente no ensino pré-escolar graças aos esforços da Câmara Municipal da Praia que, juntamente com outros parceiros, criou as condições para garantir o acesso aos jardins de infância a estas crianças provenientes, na sua maioria, de famílias carenciadas. A inauguração aconteceu no dia 18 de Abril numa cerimónia co-presidida pelo presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, e pela ministra da Educação, Família e Inclusão Social, Maritza Rosabal. Segundo a vereadora para a Área Social, Género e Pré-escolar, Ednalva Cardoso, a autarquia praien-

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se decidiu levar o jardim infantil para essa zona como forma de dar às crianças dessa localidade e da área circundante a oportunidade de também frequentarem o ensino pré-escolar. A escolha dessa zona foi feita com base num levantamento socio-económico que apontou para a existência de um “grande número” de crianças que nunca frequentaram o pré-escolar. São, sobretudo, crianças das famílias beneficiárias de habitação social, e que acabaram por ficar isoladas dada à localização do empreendimento. “O nosso trabalho foi de integrar, sobretudo, aquelas crianças que no próximo ano vão para escola. Por isso resolvemos agilizar o processo para que no próximo ano lectivo esses alunos possam


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ir para a escola com alguma base, algum conhecimento adquirido no pré-escolar”, disse.

Praia e a empresa UnitelT+. Ednalva Cardoso salientou que a intenção da edilidade é de também responder ao desafio do Governo no sentido de garantir a universalização do pré-escolar em Cabo Verde, isto é, trabalhar para garantir que todas as crianças tenham acesso ao pré-escolar.

O jardim que leva o nome “Os pequenos aventureiros”fica precisamente localizado num dos edifícios do complexo do programa Casa para Todos, em espaços cedidos pela Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH). Tem duas salas e cada uma alberga 25 crianças ao cuidado de monitoras contratadas pela edilidade.

O reforço da rede dos jardins de infância na Cidade da Praia vem acontecendo a cada dia, estando, neste momento, sob a gestão da edilidade mais de 10 estabelecimentos espalhados por diversos bairros, sobretudo os considerados mais vulneráveis.

No mesmo dia a autarquia procedeu à entrega da chave do Jardim Infantil da zona de Palmarejo Grande, cujo espaço foi completamente remodelado através de uma parceria entre a Camara Municipal das

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INFRAESTRUTURA PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

CÂMARA MUNICIPAL DA PRAIA LEVA PRAÇA DIGITAL PARA ACHADA SÃO FILIPE

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localidade de Achada São Filipe-Acima, também conhecida por Zona Culumbã, está de cara lavada e os moradores satisfeitos com as infra-estruturas criadas. A zona foi beneficiada com uma extensa e moderna praça que para além de oferecer espaço de lazer para crianças, idosos e a população em geral, oferece também internet gratuita, contribuindo para abrir ainda mais o horizonte dos jovens da localidade.

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A inauguração aconteceu no dia 07 de Abril, numa cerimónia presidida pelo Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, e num ambiente de “grande festa” e animação com música, ginástica, desfile de moda e feijoada. A praça baptizada com o nome “Maria Baessa” em homenagem a uma das mais antigas moradas de Achada São Filipe falecida em Fevereiro deste ano. Uma homenagem que deixou emocionada a família Baessa, que juntamente com toda a população


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agradeceu o gesto da edilidade para com esse bairro que a cada dia, graças à intervenção da autarquia praiense, vem mudando, tornando-se num local mais aprazível para habitar e visitar. Para além de oferecer espaços de convívio, com mesas e cadeira, um parque infantil para as crianças brincarem e internet gratuita via wireless, para os jovens se conectarem com o mundo, essa infraestrutura moderna tem ainda uma placa desportiva para a prática de basquetebol, disponibilizando aos jovens mais um meio para a ocupação dos tempos livres.

vado na zona de Monteagarro. Os trabalhos vão continuar numa próxima fase com mais obras de calcetamento das ruas e criação de espaços verdes. Para a edificação da praça “Maria Baessa” a Câmara Municipal da Praia investiu cerca de oito mil contos.

Para o edil da Praia, Óscar Santos, trata-se de uma obra importante para bairro de Achada São Filipe, que a edilidade quer bonita e desenvolvida. “São Filipe é a zona de entrada da Cidade da Praia e queremos valorizar a sua imagem e criar condições para os moradores aumentarem a sua auto-estima”, disse, admitindo que há ainda muito por fazer nessa zona antiga, mas em franco crescimento. Já no ano passado foram inaugurados um parque infantil e um fitness parque. A localidade dispõe de um campo relvado e a edilidade conta muito brevemente inaugurar um segundo campo rel-

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INFRAESTRUTURA

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TERRA BRANCA, UMA GALERIA A CÉU ABERTO

ua D’Arte no bairro de Terra Branca. O nome já vinha muito de antes da requalificação e foi atribuído devido ao facto de existir naquela espécie de uma série de pinturas artísticas nas paredes casas promovidas por um morador da rua, Tutu Sousa. Tutu Sousa conta que que no quadro das celebrações dos 25 anos de carreira como artista plástico convidou seus amigos artistas para uma pintura da sua, mas como eram muitos decidiram pintar a rua e com autorização dos vizinhos a rua foi inundada de pintura de figuras e imagens emblemáticas do país. A rua foi transformada, assim numa galeria de arte a céu aberta que ao longo do tempo despertou muita curiosidade dos transeuntes. Com vista a melhor ainda mais o embelezamento da rua a Câmara Municipal da Praia levou requalificação urbana, criando uma rua pedonal e reabilitando toda área circundante que foram beneficiadas com obras de calcetamento, iluminação pública e o reforço das pinturas nas faixadas das casas. Os moradores em especial Tutu Sousa que liderou a equipa de pintura artística das ruas e facha-

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da das casas não escondeu a sua satisfação com o trabalho realizado pelo autarquia praiense e manifestou o desejo de ver o trabalho realizado em Terra Branca implementado em outros bairros da capital do país. O acto de inauguração realizado no dia 31 de Março, presidido pelo presidente da Camara Municipal, Óscar Santos foi uma grande festa com actuação de diversos grupos culturais e muito agraciado pela população. Rua d’Arte tornou assim mais das mais bonita rua da Cidade da Praia, mais aprazível para o convívio dos moradores e um espaço de atração turística não só pelo colorido, mas também pela ostentação de figuras emblemáticas da cultura cabo-verdiana. Segundo o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, as obras de requalificação das ruas, da Pedonal e Rua D’arte no bairro da Terra Branca, é um exemplo para levar sim para outras zonas da Cidade da Praia e de Cabo Verde. Ponta Belém, Bairro Craveiro Lopes, Brasil, Achada Grande Trás e outros bairros da capital do país, são os próximos a serem contemplados com as obras de requalificação, pintura de casas


e pinturas artísticas. “As obras de requalificação em Terra Branca têm um aspeto que diferencia das outras requalificações urbanas. Juntou-se a arte e requalificação urbana, o significa que podemos modificar a Cidade da Praia e torna-la mais bonita e colorida se juntarmos a arte com as obras de requalificação urbana”, realçou o autarca indicando que esse projecto de junção de requalificação urbana com a arte vai ser levada para outros bairros. As obras custaram á edilidade cerca de 10 mil contos, mas Óscar Santos considera que mais que a verba gasta interesse o bem-estar e comodidade da população, que antes circulava em vias esburacadas e num espaço sem iluminação pública com consequência para a segurança das pessoas. A ideia, segundo Óscar Santos é de criar as condições para fazer com que as pessoas saiam das suas casas para conviveram nas ruas. “A lógica de ser mais urbano é fazer as pessoas conviverem umas com outras. Quanto mais convivência e mais amizade houver, menos criminalidade haverá nos bairros”, disse o edil.


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CMP LEVA TRANSFORMAÇÃO URBANA PARA AS RUAS DE EUGÉNIO LIMA

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Câmara Municipal da Praia (CMP) inaugurou recentemente as obras de calcetamento das vias e passeios na zona da Capela, no bairro de Achada Eugénio Lima. São mais de 1.200 metros de calcetamento que deram uma nova vida esta à zona, melhorando desta forma também o bem-estar da população residente. Para além do arruamento que permite agora uma melhor circulação das pessoas e dos veículos, as

ruas ganharam nomes e sinais de trânsito e as casas foram enumeradas, elevando assim o nível da urbanização do bairro. Segundo o vereador pelos pelouros das infra-estruturas e transportes, Manuel Vasconcelos Fernandes, com a realização desses trabalhos as pessoas passaram a ter maior comodidade, sobretudo, no período das chuvas, em que a as ruas ficavam todas enlameadas, dificultando a circulação. “Os trabalhos permitem às pessoas circularem com mais facilidade. A limpeza da zona agora será melhor e eleva também a auto-estima das pessoas”, disse o vereador lembrando que outras obras estão

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em curso no bairro tendo em vista a melhoria da qualidade de vida da população. As obras custaram à edilidade cerca de nove mil contos. Entretanto, o presidente da Câmara Municipal, Óscar Santos, salientou que mais do que o valor gasto, importa os efeitos que essas infra-estruturas têm na vida das pessoas. Óscar Santos adiantou que nos anos de 2018 e 2019 atenção especial vão ser dadas às zonas consideradas mais vulneráveis de forma a equilibrar o de-

senvolvimento da Cidade da Praia. Para além dos arruamentos, construções das vias de acesso e equipamentos de lazer a Câmara Municipal vai também fazer uma forte aposta na reabilitação das habitações degradadas. . Óscar Santos reconhece que o problema de habitação é uma questão complexa, mas indicou que a edilidade vai neste ano de 2018 dar uma atenção especial a esse problema. “Estamos a falar de pessoas que há alguns anos construíram de qualquer forma, sob linha de água, nas encostas e que hoje estão em situação precá-


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ria. São situações que para serem resolvidas exigem uma engenheira financeira”, salientou. Neste sentido fez saber que muito recentemente manteve um encontro com o Governo, que também está empenhado em solucionar esse problema, pelo que acredita que pouco-a-pouco vão ser mobilizados os recursos necessários para socorrer as pessoas em situação de vulnerabilidade.

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ABRIL DE MÚSICAS MIL NOS 160 ANOS DA CIDADE DA PRAIA

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mbora o clima parecesse alterado, a rotina permaneceu e as ruas da capital ganharam mais vida com uma intensa semana cultural na cidade da Praia. Primeiramente arrancou a décima edição do Kriol Jazz Festival no dia 14 de Abril, num palco no bairro da Várzea. Jovens Artistas nacionais juntaram suas vozes à da brasileira Flávia Coelho numa memorável Zona Kriol bem próximo do centro do

poder. Seria difícil dizer quem chegou primeiro, não fosse Abril de 2018 o mês da consagração do décimo aniversário do Kriol Jazz Festival. Foi da fusão e empolgação de um festival de jazz com raízes crioulas que se abriram as portas ao mercado de Música do Mundo a partir de Cabo Verde. Nos dias seguintes o Kriol Jazz Festival cedeu palco à sexta edição do Atlantic Music Expo (AME) O evento que esteve em perigo de se extinguir aconteceu nos 17,18 e

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19 de Abril, consagrando o destino bem-sucedido em pouco mais de cinco meses de preparação, e juntando os esforços de 12 produtoras independentes e privadas numa Associação Cabo Verde Cultural de mérito. Poucos sentiram ou sentirão que desta vez houve menos showcases porque a música fluiu e os munícipes usufruíram do cosmopolitismo de se juntar músicas e gentes de cinco continentes às da ilha mãe da nação crioula cabo-verdiana.


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“A voz dos artistas” Bem no centro da capital, numa tarde mais ou menos quente de Abril, o Palácio da Cultura Ildo Lobo abraçou os sons do fado tradicional e as canções de um músico português, que inspirado no grande nome da música das ilhas que dá nome ao Palácio da Cultura, também inter-

pretou “Incondicionalmente” a morna rainha do país que bem o recebeu. “Através da música deixamos de pertencer a uma única pátria, e passamos a ter uma identidade mais universal” afirmou o guitarrista e cantor Marco Oliveira. O primeiro a abrir as tardes musicais no Palácio da Cultura Ildo Lobo acredita que a música e a palavra têm muito mais a ver com a humanidade do que com qualquer outra coisa, “por isso este encontro multicultural é tão fascinante” frisou Marco Oliveira.

Jorge Neto, mas ao AME trouxe pela primeira vez o seu novo projecto com banda própria.

Nem só do fado e de mornas se fez a primeira tarde. Num esvoaçante vestido branco Djocy Santos, a cantora cabo-verdiana que antes cantava mais em inglês, trouxe com a sua banda música em crioulo com a fusão do tradicional e de outras sono-

Rosa Mestra, a cabo-verdiana vinda dos Estados Unidos, foi uma das que representou a música tradicional cabo-verdiana com uma selecção de temas s “escolhidos a dedo” para o trabalho que levou três anos a concluir, denominado “Solera de Nha Vida”.

ridades que foi abraçando na sua vivência na Holanda.

Nesse mesmo palco da Rua Pedonal 5 de Julho também subiu Bob Mascarenhas com o seu “Rakodja” de 2017, num regresso muito esperado ao AME. Voltando aos palcos depois de um período de doença, o artista esteve “encantado com o público” e expectante quanto às possibilidades de levar o seu trabalho a outros palcos pelas escolhas dos inúmeros produtores internacionais presentes.

Djocy canta a sua mãe, as particularidades da infância mindelense e em quase tudo elogia a mulher cabo-verdiana como o título que deu ao seu primeiro EP. “Eu e o Nuny Matias decidimos escrever em crioulo, porque é a nossa raiz e dela conseguimos extrair mais sentimento do que em qualquer outra língua” explicou a artista que já integrou outros grupos e trabalhou, por exemplo, com

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Os palcos distribuídos em três pontos do Plateau e na Warehouse acolheram cerca de 25 artistas nacionais e estrangeiros, alguns deles DJs e gente vida dos Estados Unidos, Canadá, França, Senegal, Argélia, de uma outra ilha ou do interior de Santiago, todos eles com os pés assentes na música do mundo, identidade irmanada e emanada em todos os Showcases.


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trouxe outra banda e sons do soul, r&b, jazz, hip hop, afrocaribenho que nela se misturaram deliciosamente.

Djazia Satour, argelina residente em França, ficou maravilhada com o público mesmo cantando apenas em árabe e deixando para trás canções em outras línguas. Depois de levar ritmos argelinos mesclados a canções pop ao público praiense, mostrou-se “muito feliz de ter sido convidada para este festival “onde diz ter aprendido um pouco sobre Cabo Verde: “Não posso dizer o quê, porque não conhecia o país, mas estou intrigada com a cultura crioula” frisou a artista. Reggae, Blues, Afrosoul e Pop Rock com o toque africano e canadense também subiram ao palco da Pedonal com Ilan. Um músico vibrante com uma mensagem de amor e paz.

“Esta é a minha segunda vez em Cabo Verde, já tinha aqui estado com os Vox Sambú, mas é a primeira com esta banda, daí que este momento é especial e adoramos o resultado” confirmou a artista internacional, uma das repetentes no palco da montra da música do mundo a partir de Cabo Verde.

Fora dos palcos

O mesmo público que cantou e inspirou ILan acolheu com muita morabeza os vários artistas que passaram nas três tardes e noites pela Rua Pedonal.

Mais do que uma fusão de ritmos em palco, o AME é uma miscigenação de almas com pintura das lembranças de um passado que não existiu e se cruza com o presente nas aspirações futuras da memória. É o caso do músico conacri-guiniense Moussa Conde residente em Paris há vários anos, mas sem perder a sua essência griot. O artista que, sendo do mundo, segue a tradição de passar entre as gerações a história do continente africano, veio cumprir um sonho em Cabo Verde.

Num registo mais afro esteve a Pracinha da Escola Grande onde subiu Malikatirolien, que numa segunda vez em Cabo Verde,

“Cabo Verde é o meu país de sonho, já há bastante tempo que queria vir aqui porque trabalhei com a Cesária Évora, em Paris.

”A minha mensagem para todos é uma mensagem de amor, de paz, para que estejamos todos conectados, cientes de que vivemos na mesma terra, devemo-nos amar e não fazer mal aos outros, porque somos todos humanos” enfatizou o artista de origem senegalesa.

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Ela é a minha mamã”. Uma mulher sábia que sempre fez Moussa Conde querer vir a Cabo Verde, como frisou. Ter acontecido na sexta edição do AME foi bastante apreciado pelo músico .

O AME proporcionou mais uma vez múltiplos encontros entre artistas e agentes do mundo da música em encontros “one to one”. Nos debates abordou-se a indústria da música em África, como criar marca própria como artista independente, como chegar aos mercados de difícil acesso, ou como fazer uso do marketing digital. Exemplos de empresas que são criadas além fronteiras pelo modelo 360 graus, ou seja, cooperativismo e juntar esforços no sentido de ter uma empresa de artistas que façam tudo eles mesmos. Desde a gravação à organização de espectáculos, segurança dos eventos e divulgação dos artistas concentrados num único núcleo, ou, como diria Didier Awadi, presidente do Estúdio Sankara, Senegal, “produzir o que se consome, e consumir o que se produz”. O AME exaltou o público da capital cabo-verdiana trazendo também pela primeira vez à montra da Música do Atlântico sons das Festas de Lisboa como a “Marcha de Alfama” e delegações estrangeiras de várias paragens, nomeadamente da China.


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KRIOL JAZZ FESTIVAL: 10 ANOS UNINDO A MÚSICA DE RAIZ CRIOULA DE VÁRIOS PONTOS DO ATLÂNTICO  20


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décima edição do Kriol Jazz Festival, promovida pela Câmara Municipal da Praia, em parceria com a “Harmonia” homenageou duas bandas de referência da música cabo-verdiana em qualquer parte do Mundo. “OsTubarões” e “Bulimundo” subiram ao palco da Praça Luís de Camões (Pracinha da Escola Grande, no Platô) para a abertura do festival que homenageou os dois mítidos grupos com a presença e pujança de que o seu regresso, que aconteceu nestes últimos anos, é uma certeza de que vão levar a música de Cabo Verde aos palcos mundiais. O público que queria muito mais da boa música prometida regressou à Pracinha da Escola Grande nos dias 20 e 21 de Abril para prestigiar Mário Lúcio Sousa e Seu Jorge, Ayo e a Kriol Band com músicos de diferentes pontos do Atlântico, e não só. Mário Lúcio, que regressou com Funanight, 10 anos depois da sua primeira apresentação no Kriol Jazz Festival, trouxe consigo Zeca Nha Reinalda, Didier Andrade e Soren Araújo numa aclamada nova versão heavy metal da música Nandinha, gravada em 1984 e celebrizada pelos “Finaçon”. O músico que acompanhou o percurso do Festival desde quando era apenas uma ideia até às suas sucessivas edições enquanto era ministro da Cultura recordou que na primeira edição tinha participado como um gesto de “solidariedade”, afinal ele mesmo levara a ideia do Kriol Jazz

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de Djô da Silva a Ulisses Correia e Silva, como revelou à comunicação social. “Na primeira edição foi tudo muito tímido, houve até uma manifestação dizendo que aquilo não era jazz, porque as coisas novas sempre geram espanto…e eu vim por solidariedade e toquei com jovens” lembrou Mário Lúcio. Para Mário Lúcio o regresso na décima edição aconteceu “casualmente” “Dez anos depois, casualmente, volto para ver a dimensão que o festival ganhou, do mesmo passo que vejo o meu próprio crescimento pessoal e como artista… aprendi muito de lá para cá e coincidiu que neste décimo aniversário tivesse um disco que me foi dado pelos anjos” enfatizou Mário Lúcio. Na noite de 20 de Abril, o Kriol Jazz Festival revelou igualmente ao público praiense Natalie Natiambe, cantora da Ilha da Reunião com os pés fincados em França. Uma dama com poesia nas palavras, na voz, no canto e no semblante que se emocionou ao apresentar o seu novo projecto. “Está é apenas a terceira vez que apresentamos as novas canções em palco, e quando temos algo novo tratamo-lo como um bebé que precisa de muitos cuidados, por isso também me emocionei”, considerou Natalie Natiambe para quem o reconhecimento mostrado pelo público ao levantar-se. Calou forte no seu coração. Aos microfones dos jornalistas Natalie manifestou também a sua admiração pela Diva Cesária Évora, uma “ Mulher forte e de pensamento positivo” que também a ajudou a manter-se de pé como tal. Stanley Jordan, que já subira ao palco do Kriol Jazz em 2016, re-

gressou com os Thunder Duo e num registo um pouco diferente, sem deixar por mãos alheias o seu estatuto de um dos melhores guitarristas do final do séc. XX, com presença constante nos melhores festivais de Jazz. Pela primeira vez, na sua décima edição, os bilhetes para o primeiro dia do Kriol Jazz Festival esgotaram com algumas semanas de antecedência e uma segunda leva foi vendida a uma semana do evento. O músico e actor brasileiro Seu Jorge, cabeça de cartaz, fez com que o público se aproximasse o máximo do palco obrigando muitos que insistiam em ficar sentados a estar de pé. A audiência tornou-se compacta e difícil de atravessar, entoando temas bem conhecidos como “É isso aí” e “Carolina”. O músico que não falou à imprensa no final do espectáculo, já havia revelado a sua “costela cabo-verdiana”, e acompanhado de artistas baianos trouxe novos sons com bastante proximidade à música das ilhas. O músico brasileiro não hesitou em dizer à imprensa cabo-verdiana antes do show que provada a ascendência “vem para cá correndo”. O “bom feeling” da luso-cabo-verdiana Sara Tavares marcou o início da última noite de jazz kriolo na Praça Luís de Camões. Sara renovada e apresentando pela primeira vez “Fitxadu”, o novo disco, ao público da “Praiadise” também “chamou uns pingos de chuva” ao trazer Princezito ao palco. Com ele também estiveram N´Du, Remna Schwarz e Hilário Silva. “Tenho na Cidade da Praia muitos amigos e tiro muita inspiração daqui e venho cá usufruir dessa inspiração”, disse Sara Tavares para acrescentar que “o crioulo no disco Fitxadu é muito badio e vem

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precisamente da interação com o Raiz di Polon” e outros agentes culturais da capital cabo-verdiana. A artista luso-cabo-verdiana realçou também o lindíssimo e “generoso” momento em palco com Princezito, em que a chuva se fez muito miúda, mas alegrou em tempo de seca.


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A Pracinha da Escola Grande também se encheu para receber Ayo, cantora, guitarrista e compositora alemã de ascendência nigeriana e romena, que vive actualmente em Nova York. Com muito mais fãs no país do que provavelmente esperava, os fãs de Ayo entoaram refrões de canções como “Down on my knees” “Life is real” ou “Slow, slow, run run”. Para a artista meio nigeriana, meio cigana, que interpretou um pequeno estrato de “Petit pays” consagrado por Cesária Évora, a nossa Diva dos Pés Descalços é a “Nina Simone cabo-verdiana”. Um sonho realizado pela artista alemã, a quem o “carinho e o calor do público fez entender melhor a cantora que tanto admirava”: “Fiquei muito supressa por ver que eles conheciam as minhas músicas e cantavam-nas, porque quando vim para cá pensei que eles ouviam apenasmúsica portuguesa”, , disse Ayo declarando-se satisfeita. A verdadeira essência da fusão jazz do Atlântico encheu o palco com a Kriol Band, integrada por Boy G Mendes e Hernany Silva, de Cabo Verde, Jowee Omicil Multi-instrumentista do sopro do Haiti, o bem conhecido Jacob Devarieux dos “Kas-

sav”, Mário Canonge, pianista da Martinica que já tinha estado antes no palco do Kriol Jazz Festival, Thierry Fanafant, de Guadalupe, Taffa Sisse, do Senegal e Issy Garcia, de Cuba.

Silva, da Harmonia, que prometeu que outras soluções serão procuradas, mas sempre pensando “no que for melhor para o festival, para o público e para os artistas”.

Uma kriol band que trouxe música com alma e sentimento mas também ritmos dançantes bem conhecido pelas mãos do guadalupenho Jacob Devariux. Boy G Mendes e Jowee Omicil deixaram aos cabo-verdianos a vontade e esperança de que uma banda desse calibre e com os mesmos instrumentistas volte a reunir-se em outros palcos, mesmo com poucas horas de preparação, como aconteceu na décima edição do Kriol Jazz Festival.

Entre as personalidades que prestigiaram o evento esteve o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que reconheceu o mérito do evento em fazer crescer os músicos, a música e cultura cabo-verdiana. Para o Chefe de Estado daqui em diante o evento só pode melhorar, continuando a “apostar em artistas e música diferenciada”.

De Lagos, na Nigéria, para a Cidade da Praia, os Bantu, banda composta por múltiplas vozes e muitos multi-instrumentistas trouxe o frenetismo daquela cidade nigeriana. Os Bantu fizeram dançar os crioulos com seus sons que vão do afro-beat, afrofunk, hip hop, highlife e youruba marcando um final bem ritmado da décima edição do festival de jazz Crioulo. A Pracinha da Escola Grande está a ficar demasiado pequena para o Kriol Jazz Festival, admitiu a organização, através da Administradora, Jaqueline

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A aclamação do público à celebração dos dez anos de Kriol Jazz Festival foi evidente. Patrick Borges, da Kriol Ideias e agente de artistas, enfatizou a importância do evento não por um ou outro artista, mas pelo seu todo, em que se apresentaram “projectos incríveis que merecem continuar como é caso do Kriol Band”. Música de “Alma” é o que dizem muitos da décima edição do Kriol Jazz Festival.

Vamos contendo a ansiedade e até Jazz 2019…


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VIII ENCONTRO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA Cidade da Praia na rota dos grandes eventos da literatura

A

semana cultural na Cidade da Praia continuou com a VIII Encontro dos Escritores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Sob o lema “Cidade e Literatura: conexões entre a cidadania, criatividade e juventude” o evento que iniciou

no dia 19 e prolongou-se até 21 de Abril reuniu escritores de vários países que integram a CPLP. O evento foi promovido pela Câmara Municipal da Praia em parceria com a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), a Academia de Letras, a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e a Biblioteca Nacional. Foi uma homenagem à Cidade Praia que no dia 29 de Abril completou 160 anos de existência, e também ao grande vulto das letras cabo-verdianas, Jaime de Figueiredo. Temas como Literatura e Cidadania”, Literatura Criatividade”,

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e Literatura e Juventude foram apresentados e debatidos no evento que constituiu um espaço de diálogo, convívio e de troca de experiências entre os escritores de Cabo Verde e os escritores dos diferentes países participantes. É a terceira vez consecutiva que a Cidade da Praia recebe este evento e, segundo o Presidente da Câmara Municipal, Óscar Santos, este facto coloca “a capital cabo-verdiana na rota dos grandes eventos da literatura”, consagrando-a como centro por excelência de promoção e valorização da cultura por via da qual estabelece


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pontes que se entrecruzam em busca de diálogo, convívio e troca de experiências.

Na abertura do Encontro que teve lugar na sala de conferências da Escola de Negócios e Governação (ENG) Óscar Santos sublinhou que ao longo da sua história a Cidade da Praia chamou a si a difusão da cultura que fez dela o “local de eleição” para aquisição de conhecimento e saber, áreas sem as quais nenhuma cidade digna deste nome estará em condições de se expressar por textos, imagens ou sons. Na qualidade de co-organizador do Encontro, o secretário-geral da UCCLA, Victor Ramalho, salientou que esse encontro decorreu num momento significativo para a Cidade da Praia, em alusão às comemorações dos 160 anos de existênciada maior urbe do país. Victor Ramalho ressaltou que há uma “relação histórica” muito profunda que entroncam a própria razão de ser da cultura cabo-verdiana e da Cidade da Praia que é tão rica, e evocou o nome do Padre António Viera para mostrar a razão de a cultura de Cabo Verde e da Praia Cidade da Praia estarem tão próximas dos países de língua oficial portuguesa.

“Foi uma personalidade invulgar a nível da defesa da língua portuguesa e dos direitos humanos e é incontornável a evocação do que somos enquanto povos e países sem evocar o Padre António Vieira”, enalteceu. O VIII Encontro dos Escritores de Língua Portuguesa foi aberto pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, . Abraão Vicente aproveitou para exortar os escritores presentes para o engajamento não só na sua escrita literária, mas também na crítica necessária para se construir cidades onde todos possam viver e onde a cidadania em rede pode ser muitos mais do que um coro de ruído de “reclamações e rezingões”. O programa do evento foi ainda preenchido por uma mostra e feira de livro e exposição sobre a Praia e a Literatura apresentando a a ciadade capital no passado e no presente, realçando as evoluções registadas ao longo do tempo.

Literatura e Juventude/ Literatura e Cidadania

A literatura e a juventude foi um dos painéis do Encontro de Escritores na Cidade da Praia. Para a discussão dos temas relacionados com o assunto foram

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convidados a cabo-verdiana Natacha Magalhães, o angolano David Capelenguela e a portuguesa Inês Raposo. A escritora cabo-verdiana Natacha dissertou sobre o tema “A Cidade e a emergência de uma juventude cidadã e crítica”. Durante a sua explanação, estabeleceu uma comparação entre a a Praia e outras cidades, mostrando até que ponto a cidade capital proporciona espaços para que os jovens possam exercer o pensamento crítico, ter acesso ao conhecimento e pensar a cidade, o país ou o seu bairro. Na sua comunicação Natacha Magalhães admitiu a existência de alguns espaços que na sua perspectiva têm contribuído para que os jovens debatam questões ligados à vida do país, ou do seu bairro, mas salientou a necessidade de outros espaços para fazer emergir o espírito crítico reivindicativo para que os jovens possam exercer a sua cidadania. Por outro lado, defendeu a necessidade de se encontrar um equilíbrio entre o lazer e as iniciativas que promovam o conhecimento uma vez que os jovens estão mais focados em questões de diversão e entretenimento do que em acções que lhes permitam dar o seu contributo para o desenvolvimento do país. “Não temos uma biblioteca municipal, temos apenas duas comunitárias o que é muito insuficiente para a Cidade da Praia. Precisamos de mais espaços”, disse, realçado, contudo, a ne-


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cessidade de haver uma ponte com as escolas tendo em vista a criação de clubes de leitura para trazer os jovens para literatura.

temos de ter alguma abertura. Se ele quer ler um livro infantil, uma banda desenhada ou um livro para adulto tudo bem” recomendou a escritora portuguesa que abordou o tema “Uma aldeia, uma infância e um historial entram numa página”. Na sua perspectiva o grande desafio que se coloca tem a ver a com a predominância actual das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), dos computadores, tablets e telemóveis.

Como motivar a juventude para a escrita e para a leitura?

A leitura no digital poderá ser uma saída, mas cabe aos professores e aos pais um papel fundamental. Defendeu que de forma particular os professores devem estar atentos aos interesses dos alunos e terem abertura para apresentarem-lhes obras e serem mais dinâmicos recorrendo inclusive a outros tipos de criações artísticas, fazendo misturas com a música e o cinema.

Como motivar a juventude para a escrita e para a leitura? De entre os ingredientes para atrair os jovens para leitura Inês Raposo indicou uma “certa abertura” por forma a permitir que os jovens e mesmo as crianças possam ler o livro que lhe apetecer numa determinada altura. “Se quisermos chamar os jovens para literatura e para os livros,

“Sobretudo perceber que cada aluno é um aluno diferente e que um clássico pode ser adequado para um aluno, mas poderá existir outros que não estejam interessados. Portanto, não os forces. A questão da leitura obrigatória é um problema porque sempre quando uma coisa é obrigatória há sempre alguma resistência”, alertou, apontan-

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do para a necessidade de haver um processo de “negociação” de diálogo e a partir daí perceber como trazer os jovens para o mundo da literatura e dos livros. No mundo actual não há como fugir do digital, já que as crianças e os jovens estão cada vez mais ligados nos aparelhos digitais, nos tablets, nos telemóveis e nos computadores. “É uma situação que não pode figurar-se como um bicho de sete cabeças”, afirmou a escritora que defende a abertura para esta possibilidade. “Eu acredito que a leitura no papel é muito diferente, mas uma coisa não anula a outra. Se um adolescente começar por ler coisas no tablet pode ser um caminho para o levar para o papel e para outros livros e outros tipos de literatura. É tudo uma questão de literatura”, frisou Inês Raposo.

A Cidade mal-amada e a rebeldia dos poetas Apesar de muito generosa e acolhedora, a Cidade da Praia é muito pouco referenciada nos romances cabo-verdianos, na poesia e nos contos. A constatação foi apresentada pelo escritor e Presidente da República,


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Jorge Carlos Fonseca, a quem coube a responsabilidade de falar do tema “Literatura e a cidade”.

tão, das Ribeiras do Paúl, mas a Praia, que é uma cidade muito generosa e muito acolhedora, é muito pouco referenciada.

Durante a sua explanação Jorge Carlos Fonseca falou do percurso histórico e da rápida afirmação da cidadania no plano universal a partir da escrita e terminou com uma referência a Cabo Verde e à Cidade da Praia, tendo falado da rebeldia dos poetas perante a maldição da magnífica Cidade da Praia.

Jorge Carlos Fonseca considerou, entretanto, que as coisas estão a mudar pelo que demonstrou também esperançado numa “mudança do olhar da literatura sobre a cidade”.

“Se nós vermos bem os romances cabo-verdianos, a poesia e os contos falam do Monte Cara (São Vicente), de São Nicolau, das Montanhas de Santo An-

Neste sentido considerou que a recepção pela terceira vez do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa poderá ser uma grande mais-valia, nessa reviravolta que se quer para a Cidade da Praia a nível da literatura. “É uma cidade que se vai tor-

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nando cada vez mais cosmopolítica, mais moderna, creio que a olhos vistos, e, portanto, é uma cidade que acolhe e bem toda a gente e creio que merece esses encontros , mas sempre num espírito de sã competitividade entre diferentes espaços do país”, salientou o escritor e Chefe de Estado.


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Jaime Figueiredo dá nome à Biblioteca Municipal da da Praia A Cidade da Praia vai ter uma Biblioteca Municipal e vai levar o nome do grande vulto das letras cabo-verdianas e homem da Cidade da Praia, Jaime de Figueiredo. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, durante o

VIII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, realizado também em sua homenagem.

dor a oportunidade de falar das suas áreas de interesse”, disse Inês Raposo.

Jaime de Figueiredo (1905 -1974) que foi conservador da Biblioteca Municipal da Praia é apontado como uma das figuras mais importantes da literatura cabo-verdiana.Foi ensaísta, crítico, dramaturgo e artista plástico.

O facto de o encontro ter contado com a participação de investigadores e especialistas acabou por dar um aspecto diferente “muito gostoso” a esse encontro já sedeado na Cidade da Praia, considerou um dos intervenientes.

Segundo o escritor Brito-Semedo, ele também um dos participantes do VIII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, Jaime de Figueiredo, que está na génese da revista Claridade, é um modernista pouco conhecido porque se desligou da revista nas vésperas da sua publicação em 1936. . Entretanto o seu reconhecimento o como pessoa importante veio a dar-se nos anos 60 quando organiza em 1961 a primeira antologia dos poetas modernos cabo-verdianos.

“Foi bom porque foi um bom momento de cruzamento, de troca de experiências e nós ouvimos escritores de outros países e na minha perspectiva servir para enriquecer também a literatura em língua portuguesa” realçou Joaquim Arena.

VIII EELP : Espaço de conhecimento e valorização da literatura em língua portuguesa No final do encontro todos foram unânimes em afirmar que o VIII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa foi uma grande oportunidade de partilha de experiências e valorização da língua portuguesa, a quarta língua mais fala do mundo. Para os diversos autores foram três dias de muita aprendizagem e conhecimento de perspectivas diferentes. “Partilhamos a mesma língua e os temas foram suficientemente abertos para dar a cada ora-

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Participaram escritores de renome nacionais e internacionais que debateram temas importantes que levaram que pessoas de outras áreas se envolvessem nesse processo. Para o vereador da Cultura, António Lopes da Silva, esses encontros têm servido de base para uma maior projecção da Cidade da Praia em termos literários e não só. “Praia é uma cidade que cresce a um ritmo muito forte e acredito que as recomendações saídas desse encontro vão ajudar. Todo o programa foi cumprido e o nosso objectivo principal que é pôr a Cidade da Praia no centro das atenções também a nível da literatura foi alcançado”, reforçou o autarca que, entretanto, lamentou a ausência de Nuno Rebocho por motivos de saúde.


DESPORTO PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

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Sporting Clube da Praia, uma das agremiações mais emblemáticas de Cabo Verde, foi o grande vencedor da Taça da Praia, edição 2017/18, ao bater na final disputada a 1 de Abril, os Travadores por 2-1, em partida renhida, disputada com muito brilho no relvado do Estádio da Várzea. A equipa leonina foi galardoada com um dos troféus mais disputados e muito cobiçado, pelo próprio presidente da Câmara Municipal da Praia, em pleno relvado, tendo Óscar Santos parabenizado os "Leões da Capital" pelo brilhante feito, já que a equipa do Sporting revalidou o título que ostentava desde a temporada transacta. A Taça da Praia afigura-se como uma das provas que envolve maior número de equipas em Cabo Verde, já que a competição conta com o concurso de 20 emblemas, dos quais 12 em representação da primeira divisão e oito do segundo escalão. Disputada em sistema de eliminatórias por sorteio, esta prova, também promovida pela Associação Regional de Futebol de Santiago Sul, fez com que a formação do

Sporting festejasse o título graças aos golos apontados aos 73 minutos por Kingsley e aos 90 por Serge. Caluquinha assinalou o tento de honra das “Águias da Capital”, já no período de compensação das neutralizações. Com este triunfo, no jogo que ditou o encerramento da época regional em Santiago Sul, o Sporting da Praia salva a época ao ter perdido o campeonato para a Académica e se ter classificado na quarta posição na presente temporada. O conjunto leonino contava encontrar na vitória da Taça um tónico para o Campeonato de Cabo Verde de Futebol, já que tem o seu lugar assegurado, enquanto detentor do título máximo a nível dos clubes de Cabo Verde. A vitória do Sporting na Taça Praia assenta-se perfeitamente. É que a equipa apostou tudo nesta prova, tendo deixado pelo caminho equipas como Académica da Praia (campeão regional) e Ribeira Grande na ponta final, enquanto os Travadores eliminaram nas meias-finais o Celtic, a equipa sensação da última edição do regional de Santiago Sul.

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SPORTING CLUB DA PRAIA CONQUISTA TAÇA DA PRAIA  31


DESPORTO PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

PRAIENSES ADEREM EM MASSA À 2ª EDIÇÃO DA CLÍNICA DE ACTIVIDADE FÍSICA

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elo segundo ano consecutivo a população praiense respondeu sim às actividades promovidas pela Câmara Municipal da Praia no Dia da Actividade Física, celebrado todos os anos a 06 de Abril, com o objectivo de promover a prática de actividade física junto da população, assim como mostrar os benefícios do exercício físico para uma vida mais saudável. Foi a segunda edição da denominada “Clínica de Actividade Física” promovida pela edilidade praiense, com diversas actividades que iniciaram logo às 6:00 da manha e prolongaram-se até à noite com intervalo um entre as 11:00 e às 16:00. Ao contrário da primeira edição em que as actividades foram divididas em dois locais, este ano tudo ficou concentrado na praia de Kebra Kanela.

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Rastreio físico com medição do índice de massa corporal, a medição da pressão arterial e de glicemia, palestra sobre a postura e prevenção de lesão, foram alguns das actividades realizadas para além de jogos, aulas ao ar livre (step, zumba, spinning, taebo entre outros) e dança, tudo com o objectivo de fazer o corpo mexer. As actividades foram abertas e contaram com a participação de pessoas de todas as faixas etárias desde crianças, jovens, adultos e idosos que foram integrando naquilo que melhor se adequava à idade. Segundo a directora da Juventude, Zuleica Semedo, e que esteve à frente da organização, este ano a Clínica de Actividade Física teve várias novidades entre as quais um “showcooking” onde as crianças aprenderam a confecionar shakes, barras de cereais e bolinhas energéticas, alimentos que podem ser consumidos tan-


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to antes como depois da actividade física. Uma actividade que foi realizada em parceria um a loja de produtos biológicos, Tambake. Houve também a degustação de batidos naturais de diversos sabores com a cozinheira (chef) Maria Júlia.

Na realização dessas actividades a Câmara Municipal da Praia contou com um leque variados de parceiros entre as quais clínicas, academias, ginásios, lojas, a delegação de saúde da Praia, a Cruz Vermelha de Cabo Verde e a Direcção-geral do Desporto com a qual foi assinado um protocolo de colaboração para a promoção Programa Nacional de Actividade Física do Governo, Mexé- Méxé.

nização acredita que as pessoas estão hoje cada vez mais consciencializadas da importância dos exercícios físicos na promoção de uma vida saudável e na prevenção das doenças.

Derivado do sucesso desta segunda edição a edilidade está a pensar em realizar a clinica de actividade física não só no dia 06 de Abril, mas sim duas vezes por ano. O Objetivo da iniciativa é mobilizar a população para a participação em atividades físicas e desportivas abertas a todas as idades e género, promovendo a saúde. A prática regular de atividade física apresenta inúmeras vantagens, entre elas:

A directora da Juventude, Zuleica Semedo fez uma avaliação positiva do evento não só pela realização com sucesso das actividades previstas, mas também pela adesão das pessoas.

• evita o excesso de peso e a obesidade

“Tanto no período da manha como à tarde houve uma grande adesão das pessoas, sobretudo dos grupos de ruas. Só do pessoal dos grupos tivemos cerca de 300 pessoas sem contar as outras aquelas que aderiram à actividade por ser o dia da actividade física e daquelas fazem a prática na académica”, explicou.

• melhoria da auto estima

A prática regular de actividade física apresenta inúmeras vantagens: evita o excesso de peso e a obesidade, previne o aparecimento de doenças, reduz a tensão arterial, melhora da auto estima, reduz do stress e contribui para a concentração e para o bem-estar físico e psicológico. Esta foi de resto a mensagem passada e a orga-

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• previne o aparecimento de doenças • reduz a tensão arterial

• redução do stress • contribui para a concentração e para o bem estar físico e psicológico.


COOPERAÇÃO PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

“ TENHO MUITO ORGULHO DE SER PRAIENSE”

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ta cidade, estabeleceu relações de proximidade com os cabo-verdianos e, especialmente, com os praienses, por onde quer que tenha passado, tendo apoiado o município da Praia a trilhar os caminhos do progresso e do desenvolvimento.

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história das relações de amizade fraterna e de cooperação entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América, em especial através das suas cidades de Boston, Brockton e New Bedford remonta a era da pesca da baleia no atlântico, em meados do século XVIII. Das memoráveis pescas da baleia, Cabo Verde guarda ainda importantes registos históricos, porque estes lançaram os alicerces para o estabelecimento de relações destas ilhas com os Estados Unidos da América, relações essas que, a cada dia, atingem patamares elevados, nos quais a sua contribuição, digna de nota, está indiscutivelmente por demais presente. Em nome desta amizade fraterna entre Cabo Verde e os EUA, através das suas cidades, a Câmara Municipal da Praia prestou uma justa e merecida homenagem ao embaixador, Donald Heflin, com a entrega simbólica da chave da cidade, pela sua abnegação e total empenho na procura de soluções em prol do bem-estar e da felicidade dos cabo-verdianos, particularmente, dos praienses. Este gesto também simboliza, igualmente, o reconhecimento do seu laço revelador de pertença a este município. Conhecedor, como é consabido, da realidade socioeconómica dos bairros des-

Tenho muito orgulho de ser um praiense – embaixador dos EUA “Esta é a minha Cidade e eu tenho muito orgulho de ser orgulho de ser um praiense”. Palavras do embaixador do Estados Unidas de América (EUA), Donald Helfin, no dia em que recebeu das mãos do Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos a Chave da Cidade, a mais alta distinção atribuída pelo município.

Este gesto que aconteceu no momento a Praia completa 160 anos da sua elevação de vila à categoria de cidade, é igualmente o reconhecimento do seu laço revelador de pertença ao município da Praia. “Estou profundamente honrado com essa homenagem. Nos meus 30 anos de carreira como diplomata em nenhuma outra cidade

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me senti mais em casa do que na Praia. Está é aminha cidade e eu tenho orgulho de ser um praiense”, disse destacando a morabeza dos cabo-verdianos em acolher os visitantes. Donald Helfin recordou que há cerca de 200 anos o EUA abriu na Cidade da Praia o seu primeiro consolado da Africa subsariana, para mostrar a importante esta urbe tem não só para ele como também pelo EUA. “Podemos imaginar na altura uma pequena cidade com ataques de piratas, escassez de comida e água e moradores que vivam em condições muito difíceis. Hoje estamos numa grande cidade que esta modernizando rapidamente e servindo-se de exemplo para o resto da região”, frisou Donald Helfin salientou que potencial da Cidade da Praia, que pode ser um grande centro internacional de convenções e destacou os investimentos norte-americanos e elogiou o trabalho que a actual equipa camarária, liderada por Oscar Santos tem realizado e que na sua perspectiva acabam por aumentar ainda mais esse potencial. “Eu sou de uma pequena cidade dos EUA, do tamanho da cidade da Praia, e sinto o mesmo calor que sinto na minha cidade. Receber a chave de uma cidade democrática, progressiva, próspera e como respeito para os direitos humanos é uma grande honra”, finalizou. A cerimónia realizada no dia 11 de Maio, aconteceu na presenta do Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, corpo diplomático, acreditado na Cidade da Praia, do cardeal Dom Arlindo Furtado, funcionários da embaixada e da Câmara Municipal da Praia e outros convidados.


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CMP ENGAJADA NA MELHORIA DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS  36


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abo Verde ocupa neste momento a posição 127 no relatório do Doing Business, que anualmente é elaborado pelo Banco Mundial (BM) para avaliar o ambiente de negócios através da comparação das regulamentações aplicáveis às empresas e o seu cumprimento em 190 países.

tilha do relatório de 2018, apresentar os itens onde a Câmara Municipal está directamente envolvida como o licenciamento para a construção e o licenciamento e outras questões cuja ligação é indirecta como por exemplo a emissão da documentação para o processo da ligação da rede domiciliária de água e energia, entre outras. O encontro, segundo o vereador para área do urbanismo, Rafael Fernandes, culminou com a assinatura de um termo de compromisso os visados, as chefias assumem o desenvolvimento de esse árduo trabalho para melhorar a qualidade dos serviços prestados a nível da autarquia e desta forma melhorar o ambiente de negócios e ajudar Cabo Verde a estar melhor classificada nas próximas avaliações. “Estivemos a ver que coisas simples como não assinar um documento hoje de não cumprir os prazos legalmente estabelecidos podem depois implicações nessas avaliações e colocar Cabo Verde numa posição crítica”, explicou o vereador para área de urbanismo, Rafael Fernandes.

O Governo de Cabo Verde quer melhorar a posição do país e estabeleceu como meta atingir o top 50 no ranking do doing business nos próximos 10 anos, ou seja, estar entre os 50 países mais reformadores do mundo. Ciente do papel que as câmaras municipais têm nesse processo a autarquia praiense começou a implementar medidas visando o seu contributo com olhos postos na atração de mais investimentos para Cabo Verde e para capital do país, de forma particular. No mês de Março reuniu todos os directores, chefias e os delegados municipais para a par-

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EMISSÃO DA PLANTA DE LOCALIZAÇÃO NO DIA JÁ É REALIDADE

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edidas concretas começaram a ser implementadas. A planta de localização, que antes levava a 15 ou 30 dias para ser disponibilizada, com grandes prejuízos para os utentes passou a ser emitida no dia ou na hora. “Hoje já estamos em condições de emitir a planta de localização no dia para abertura de empresas, ligação domiciliária de água e energia. Já é

um compromisso assumido e acreditamos que já nessa avaliação poderá ter impacto a nível da avaliação do ambiente de negócios”, disse o vereador Outra medida que a edilidade está a implementar a digitalização de todos os processos, por forma a eliminar ao máximo a circulação de papeis, evitando perdas de documentos ao mesmo tempo que permite que todo funcionário da câmara com acesso ao sistema pos-

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sa ter acesso aos documentos para consulta e apresentação as informações solicitadas pelos utentes. Em curso está também a simplificação de alguns procedimentos como a vistoria para efeito de atribuição de licenciamento. Conforme Rafael Fernandes está sobre a mesa a possibilidade de a vistoria ser realizada depois da atribuição de licença.


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“As pessoas solicitam a licença, há um termo de responsabilidade em que um técnico que assume que as condições estão reunidas para a construção, acreditamos no compromisso do técnico e é emitida a licença podendo a vistoria ser feita a posteriori”, explicou. A introdução de chefias intermédias, chefes de divisão no serviço de urbanismo que ajuda na formulação técnica e nos pareceres técnicos que coordena os técnicos e a descentralização dos serviços e loja online, que muito tem facilitado a vida dos utentes são outras medidas em curso tendo em vista e melhoria do ambiente de negócios. A par disse Rafael Fernando adiantou que trabalhos já estão realizados para a colocação do Município Praia no projecto do

cadastro nacional, juntando-se assim aos municípios que foram beneficiários do Projecto de Gestão de Propriedade para a Promoção de Investimentos (Land) financiado no âmbito do II compacto do Millenium Challenge Account (MCA) nomeadamente Sal, Boa Vista, São Vicente e Maio. A Câmara Municipal da Praia (CMP), que concorreu no período pós financiamento para sua integração no cadastro nacional conta já com 16 mil polignos de prédios que todos os dias actualizados com mais de 20 novos prédios. Um trabalho encorajador e mostra uma nova forma de trabalhar sem consumir muito dinheiro, na perspectiva de Rafael Fernandes. Neste processo de avaliação do Doing Business a câmara in-

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tervém em quatro indicadores, nomeadamente na abertura de uma empresa, licença de construção, acesso à electricidade, ou seja, licença de escavação e no registo da propriedade. Rafael Fernandes acredita que com as medidas em implementação a edilidade praiense está a dar o seu valioso contributo para a melhoria do ambiente de negócios em Cabo Verde. Nos últimos 15 Anos, o Doing Business registou aproximadamente 3200 reformas que visam melhorar o clima de negócios em todo mundo. O relatório revela ainda que a actividade de reformas continua a acelerar na África Subsaariana em 36 economias, com 83 reformas.


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Praia Cidade em Movimento - SÉRIE II - 4ª EDIÇÃO  

“Praia, cidade em movimento “é uma revista que visa manter a nossa governação mais próxima dos munícipes e manter as pessoas no centro das n...

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“Praia, cidade em movimento “é uma revista que visa manter a nossa governação mais próxima dos munícipes e manter as pessoas no centro das n...

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