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FICHA TÉCNICA Propriedade: Câmara Municipal da Praia Praça Alexandre Albuquerque, Cidade da Praia - Santiago, Cabo Verde, CP 108 E-mail: camaradapraia@gmail.com Produção e Edição: Gabinete de Comunicação e Imagem Coordenação: Vereador José Eduardo dos Santos Ulisses Barreto - Director do Gabinete de Comunicação e Imagem Textos: Maria José Varela | Carmen Martins Rewriter: António Monteiro Fotografias: Otelino Vieira | José Ramos | Buck Wahnon | Cristiano Barbosa Colaboradores: Padre António Ferreira | João Gomes Paginação e Grafismo: Rittos Santos

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DECRETO DE ELEVAÇÃO DA PRAIA A CATEGORIA DE CIDADE. IN: B.O (BOLETIM OFICIAL) DA PROVÍNCIA DE CABO VERDE Nº 29 \1858 (IIª SERIE). PRAIA. IMPRENSA NACIONAL DE CABO VERDE. 1858. P. 154.

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Dia da Cidade da Praia, foi assinalado numa sessão memorável da Assembleia Municipal que, pelo simbolismo que carrega, não deixa de ser um marco indelével nos anais da história desta edilidade, que se fez palmo a palmo, a custo de muito trabalho e dedicação dos homens e das mulheres que a serviram. Meses atrás, a Câmara Municipal da Praia foi ao encontro do saber de alguns especialistas, de cuja viva voz quis ouvir a opinião sobre a matéria em epígrafe. Passado o problema em revista, houve por bem concluir que 29 de abril devia ser declarado dia da Cidade da Praia e feriado municipal. O passo seguinte

deu-o a Câmara Municipal ao levar a questão à Assembleia Municipal, que, em reunião ordinária de 22 e 23 de março do corrente ano, não hesitou em deliberar, por unanimidade, note-se, no sentido da proposta que lhe fora submetida.

as expectativas das pessoas que nela habitam.

De 1515, data da fundação deste povoado, aos presentes dias, praia conheceu um patamar de desenvolvimento que a tornou uma referência de inegável sucesso em cabo verde.

Praia viu a escravatura; viu gente, na casa de milhares, a morrer à fome; viu longos períodos de seca e de estiagem; viu cair o paredão do edifício da assistência a 20 de fevereiro de 1949 que matou 232 pessoas, além de centenas de feridos que à vista deixou.

Entre recuos e avanços, êxitos e derrotas, Praia olhou sempre para a frente, ultrapassou todos os obstáculos que condicionavam o seu desenvolvimento, tendo sempre presente a preocupação principal de satisfazer os anseios, os desejos e

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Como se diz, o caminho faz-se caminhando e Praia a isso não fugiu, passando por coisas boas e más, porém, sem perder a face.

No ano que vem, completar-se-ão 60 anos sobre este triste acontecimento, acerca do qual pretende a Câmara Municipal da Praia assinalá-lo, em parceria com a sociedade civil, com


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de 1652 e a segunda a 8 de setembro de 1661. a isto se junta a também não menos importante estada do naturalista inglês Charles Darwin, a 16 de janeiro de 1832, que, passado tanto tempo, é ainda recordada em meios académicos e outros O nosso programa de governação é realista e ambicioso. estamos a cumpri-lo. nem é preciso dizê-lo. basta que se dê um olhar, mesmo que não seja demorado, pela cidade para darmos conta de muitas obras de grande fôlego e de realizações estruturantes que temos vindo a fazer em prol dos munícipes.

as universidades e com os investigadores, não com o intuito de estabelecer juízos de valor ou então de ajustar contas com a história, mas sim de proporcionar a todos, mormente aos jovens, conhecimentos e informações, sobre tudo quanto se passou naquele fatídico dia que enlutou a nossa praia. Praia também viu coisas boas. Acolheu com coração aberto eminentes figuras mundiais que se fizeram notar pela tamanha proeza que protagonizaram, deixando legados, não poucos, à humanidade, que ainda os guarda para a posteridade. A ilustrar a afirmação, basta citarmos o padre António Vieira, que, por duas vezes, a visitou, a primeira a 20 de dezembro

Em termos gerais, apesar da seca que assolou o país, podemos concluir que os objetivos e as metas constantes nas atividades programadas para 2017 foram realizadas, com destaque para requalificação, ordenamento e valorização urbanos, solidariedade social, cultura e economia criativa, ambiente, desporto e juventude, contribuindo, deste modo, para aumentar a qualidade de vida dos habitantes da praia. O futuro que nos reserva é promissor. sem demoras, podemos dizer e sustentar que temos a cidade em estaleiro. As 32 obras em curso testemunham-no claramente. seria fastidioso elencá-las agora, mas não resistiremos à tentação de citar algumas de maior impacto, como sejam a asfaltagem de Palmarejo, da rua da Uni-CV e das zonas do Liceu Domingos Ramos e do ténis. Na mesma linha, temos em marcha calcetamentos em vá-

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rias localidades, nomeadamente em Portete, Achada de São filipe, em Palmarejo, em Fonton e em são francisco, obras de drenagem em Lém ferreira, na Quebra Canela-Fonton, na Várzea/Gamboa, em Lém cachorro, em Paiol, em Tira-Chapéu/Palmarejo/Fonton, em pensamento e na calabaceira, sem contar ainda com a requalificação da Praça Alexandre Albuquerque, o miradouro em Ponta de Água e o arrelvamento dos campos de Pensamento, Fonton, Achadinha e Monteagarro. Manter-nos-emos empenhados em continuar a trabalhar para melhorar a segurança urbana, a iluminação pública, as acessibilidades, a requalificação de habitações, a asfaltagem das principais vias da cidade com maior tráfego a par das obras de drenagem em muitos bairros, da ligação de água domiciliária, da extensão da rede de esgotos, da abertura de jardins-de-infância e da introdução de medidas mais eficazes, isto é, com selo de rigor e de transparência, na atribuição de lotes. Até ao final do nosso mandato, propomo-nos trabalhar sem parar com vista a dotar a Praia do tal Estatuto Especial Administrativo, que tarda a chegar. A residência, trabalho, visitas e investimentos. Nunca é demais reclamar, por três ordens de razão, o estatuto especial para a praia, as quais decorrem, aliás, dos custos da capitalidade: Praia é capital do país; é capital política (sede dos órgãos de soberania e das representações diplomáticas); e é capital económica (contribui


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com cerca de 45% para a produção da riqueza nacional). Se a Praia chama a si o desempenho de todas estas funções, segue-se que deve possuir um estatuto especial. Outra meta, não menos relevante, a atingir, nos próximos tempos, é a criação da região metropolitana da praia, na qual deverão fazer parte, além de nós, os concelhos de São Domingos e da Ribeira Grande de Santiago.

mento desta equipa camarária que tem sabido encontrar soluções para os magnos problemas da edilidade, colocando-a no caminho do progresso e do bem-estar, garantindo, por isso, a felicidade de todos. A razão de ser da nossa governação move-se unicamente pelo desejo de servir os munícipes, tornando-os donos e senhores da cidade.

A sua importância e a sua necessidade dispensam comentários por se tratar de um instrumento vital para harmonizar o crescimento e o desenvolvimento dos três concelhos vizinhos e fronteiriços em diversos sectores.

Com eles, assinámos um contrato social, a 4 de setembro de 2016, na esteira daquele que, em 2008, nos permitiu resgatar a Praia de uma profunda letargia, equilibrando as contas municipais, fazendo obras, valorizando a participação dos munícipes, dinamizando a economia.

Outro grande compromisso a que nos propomos realizar é o de criar a Biblioteca Municipal Jaime de Figueiredo. Trata-se de uma merecida homenagem a um praiense que se distinguiu na literatura, no ensaio, na crítica e nas artes plásticas.

Assente em três eixos estratégicos – cidade segura, cidade sustentável e cidade atrativa – o presente contrato social tornou hoje a praia mais limpa, mais bonita, mais organizada, mais cosmopolita, mais aprazível e mais acolhedora.

Do mesmo passo, temos um catálogo de realizações que, a concretizar-se, continuará a mudar o rosto da Praia, para o qual muito irão contribuir também o alargamento da pista do aeroporto internacional Nelson Mandela e a construção de um hospital de raiz, ambos da inteira responsabilidade do governo central, razão por que nos enchemos de alegria.

Impõe-se, por fim, que não defraudemos as expectativas dos eleitores e dos munícipes a quem devemos acudir a toda a hora.

A cidade de hoje não é igual, nem podia sê-lo mesmo, à de ontem. O nível de desenvolvimento a que a Praia chegou resultou de um sério empenha-

Comprometemo-nos a tudo fazer para que a praia continue a ser uma cidade sonhadora, de esperança e inclusiva, onde nenhum homem, nenhuma mulher, ninguém mesmo, se sinta mais igual do que o outro, estando, isso sim, todos, em pé de igualdade, dispostos e mobilizados a continuar a fazer da Praia um lugar ideal e seguro para realizarem os seus sonhos

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ACÇÃO SOCIAL

PRAIA CIDADE MAIS INCLUSIVA

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“Anjos da Noite” : Uma aposta social ganha

s políticas municipais da Câmara Municipal da Praia estão practicamente ligadas à promoção dos direitos sociais. Promover a inclusão social, através da identificação das causas da exclusão social bem como os factores de riscos associados a fim de conseguir o maior desenvolvimento social do concelho, tem sido uma das prioridades da edilidade.

Anjos da Noite foi o nome escolhido. E por trás do nome, há também uma pequena história. Este já tinha sido apontado pela equipa durante a concepção do projecto. A validação do mesmo, porém, acabaria por vir de uma utente que uma noite, ao ver a equipa disse: “vocês são os anjos da noite.” Assim ficou.

Focada na luta contra a erradicação da pobreza ajudando a população nas situações de emergência social, dando uma atenção especial às pessoas com deficiência, aos idosos, às crianças, doentes crónicos, toxicodependência e à igualdade de género, a autarquia praiense tem em curso alguns projectos sociais de grande importância na promoção da inclusão social.

Trata-se de uma iniciativa que presta apoio alimentar, psicossocial e outros, aos sem-abrigo da Praia. Ainda em fase-piloto, este é um projecto que cuida dos desabrigados, ajudando, olhos nos olhos, os invisíveis da cidade.

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Todas as noites, de segunda a domingo, a equipa “Anjos da noite” reúne-se em frente ao edifício dos Paços do Concelho, por volta das 20h. As próximas três horas serão passadas a percorrer diferentes pontos do Plateau e da Fazenda, distribuindo sopa e pão a 28 sem-abrigo identificados. Para todos eles haverá também palavras amigas, dois dedos de conversa sobre o correr do dia.

os medicamentos da forma correcta, encaminhá-los para as estruturas de saúde quando é necessário e acompanhá-los nessas entidades. A equipa vai-se revessando, para garantir dois dias de folga entre os membros. Dela fazem parte a Vereador da Acção Social, Ednalva Cardoso, a directora da Acção Social, Isis Pinto e a coordenadora do Projecto “Anjos da Noite”, Margarida Rocha. Sandra, psicóloga e Emerson, enfermeiro. O projecto Anjos da Noite pretende não só continuar a prestar apoio dos sem-abrigo na rua, como criar uma casa de passagem para pernoita. Um espaço, como nos explica a vereadora Ednalva Cardoso, onde estes possam dormir, tomar um banho, comer à mesa, ver televisão… enfim, um porto seguro para passarem alguns momentos.

“O elevado número de sem-abrigos identificados é preocupante, pois, a CMP, considerou ser importante “dar alguma resposta a essas pessoas”. A resposta encontrada para a problemática foi precisamente este projecto, que está ainda na sua fase piloto, cobrindo os dois bairros onde foram identificados maior número de sem abrigo: Plateau e Fazenda (Avenida Cidade de Lisboa). Neste momento estamos a cobrir 28 sem abrigo, 25 homens e três mulheres”, avança a vereadora de Ação Social da CMP Ednalva Cardoso.

Há, porém, várias questões a ter em conta. A começar pela localização. É que, de acordo com as conversas que a equipa tem tido com os utentes, estes não querem sair da zona onde pernoitam e que acaba por constituir a sua “zona de conforto”. O Plateau parece ser o local indicado, uma vez que este é uma zona com um número considerável de utentes e devido à proximidade com a Fazenda, outra zona coberta pelo projecto. Este deverá ser o próximo passo do projecto, tendo em conta a extrema importância desse tecto dos Anjos da Noite.

Mas no Anjos da Noite, à vertente da alimentação, juntam-se outros cuidados, nomeadamente de saúde, que passam, por exemplo, por fazer pequenos curativos, ajudar os utentes – que muitas vezes nem têm noção exacta das horas – a tomar

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ACÇÃO SOCIAL

CASA SOLIDÁRIA: DO SONHO À REALIDADE

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“Casa Solidária” é outro projecto implementado pela edilidade praiense e visa garantir bens de primeira necessidade às famílias em situação de vulnerabilidade social do Município, melhorando as condições de vida das mesmas e ao mesmo tempo incentivar a participação ativa dos nossos munícipes e instituições.

a situações de diversa ordem nomeadamente, a perda de bens de primeira necessidade devido a incêndios ou catástrofes naturais, famílias numerosas que vivem em situação económica precária, desemprego, ausência de habitação condigna, entre outros pedidos, que deparamos com uma certa dificuldade em dar resposta a essas demandas”, afirma, Ednalva Cardoso.

A criação da “Casa Solidária”, advém da necessidade de se aumentar o número de apoios sociais que a CMP tem atribuído às famílias em situação de vulnerabilidade social, que tem aumentado nos últimos tempos na Cidade da Praia. O projecto foi pensado em duas vertentes: vestuários, brinquedos e calçados, e alimentos.

Para o funcionamento da “Casa Solidária, a Direção da Acção Social da CMP, já instalou em diversos pontos da Cidade da Praia, especificamente nas zonas de Palmarejo no Supermercado Cálu e ngela, Achada Santo António frente a Esquadra de Policia e Plateau na Praça Alexandre Albuquerque, as “caixas solidárias”, que estão disponíveis 24 horas por dia, onde os munícipes poderão fazer as suas doações de forma rápida e cómoda, que depois serão encaminhadas à “Casa Solidária” em Achadinha Pires.

“A direcção da Acção Social da CMP recebe anualmente inúmeros pedidos de apoio, devido

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AMBIENTE

PRAIA CIDADE COMPROMETIDA COM O AMBIENTE

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Câmara Municipal da Praia continuará a apostar fortemente na consolidação dos ganhos registados nos últimos anos, no concernente ao Ambiente e Saneamento, na inovação e na melhoria da prestação de vários serviços municipais, visando maior conforto e qualidade de vida dos munícipes e maior atratividade da cidade capital. Focalizada na sua política de preservação do ambiente com vista a tornar a cidade mais aprazível, sustentável e amiga do ambiente, temos apostado na proteção e aumento das áreas verdes, construção de praças, promoção de feiras do ambiente e de plantas ornamentais, intervenções estruturantes em matéria de drenagem de águas pluviais e intervenções de requalificação urbana nos bairros da capital. Hoje a cidade está mais limpa e mais bonita graças a um trabalho planeado e persistente com incidência na melhoria da organização e funcionamento do serviço de limpeza e de recolha e tratamento de lixo. Trata-se, porém, de um processo longo, cuja consolidação exige não só a melhoria da eficiência e eficácia dos serviços prestado, mas sobretudo maior responsabilização e mudanças de atitudes e comportamentos a nível da sociedade face ao lixo. De facto, uma cidade limpa é sobretudo aquela que não se suja, ou seja, impõe-se sujar menos para melhor rentabilização dos recursos disponíveis. Ainda assim, os desafios de manter os nossos bairros e cidade limpos e com boas condições de salubridade, deve continuar. Uma das condições de aprazibilidade e conforto de uma cidade têm que ver com as suas áreas verdes e de lazer. Por isso, esta equipa vai continuar a apostar nas construções e requalificações de Praças e jardins públicos, sendo necessário.

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PRAIA GANHA PRIMEIRO CENTRO DE DEMONSTRAÇÃO DE MICRO JARDINAGEM DO PAÍS

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nquadrado do Projecto de Agricultura Urbana e Periurbana da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) foi implementado na Cidade da Praia o primeiro Centro de Demonstração de Micro Jardinagem do país, implementado no parque 5 de Julho numa parceria da CMP, Câmara de Dakar, FAO/CV e FAO/Senegal.

No âmbito do projecto, já foram realizadas três formações, sendo duas em Dakar, com o objectivo de capacitar os técnicos como formadores em técnicas de micro jardinagem para poderem implementar no terreno e impulsionar a CMP a divulgar a técnica de micro jardim a nível nacional. Com este projecto a edilidade praiense pretende contribuir para o melhoramento e enriquecimento da dieta das famílias, promover a produção orgânica e o consumo de alimentos saudáveis.

O projecto visa capacitar os técnicos como formadores em técnicas de micro jardinagem, partilhar conhecimentos educativo e pedagógico para a promoção da prática de micro jardins no país, além de colocar à disposição dos munícipes uma nova tecnologia de produção hortícola em diferentes tipos de embalagens, assim como ajudar na melhoria e no enriquecimento da dieta alimentar das famílias, utilizando produtos cultivados em casa.

O centro já vai na terceira colheita e os produtos foram doados ao Centro de Idosos de Castelão, e as comunidades de Safende, São Pedro, Eugénio Lima e São Francisco vão ser os primeiros benificiários do projecto do Centro de Demonstração de Micro jardim, implementado pela Câmara Municipal da Praia.

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AMBIENTE

FEIRA MUNICIPAL DO AMBIENTE

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Parque 5 de Julho, é palco anualmente da realização da Feira Municipal do Ambiente, que tem como objectivo chamar a atenção das autoridades central e local sobre os problemas ambientais que o município enfrenta e proporcionar aos munícipes um espaço adequado de divulgação de trabalhos e de troca de experiências sobre temas ambientais.

de Santiago, através de temas como gestão dos resíduos, gestão da água, higiene e saúde pública, energias renováveis, conservação da natureza e requalificação urbana e ambiental. Para alem da exposição de trabalhos sobre o meio o ambiente em stands que conta com a participação de escolas, empresas, Organizações Não Governamentais, e associações de defesa ambiental, são realizadas no decorrer do evento várias actividades lúdicas, com participação de vários grupos musicais, teatro, dança, entre outras.

Ao mesmo tempo, o evento quer contribuir para o reforço do processo educativo no domínio da defesa ambiental e para a melhoria e preservação do meio ambiente no município da Praia e na ilha

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AMBIENTE

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DIA MUNDIAL DA ÁRVORE: 160 ÁRVORES PARA UMA CIDADE MAIS VERDE

s árvores são fundamentais nas ruas e nas avenidas. Além de embelezar, elas têm um importante papel no equilíbrio térmico, refrescando onde quer que estejam. Estima-se que mil árvores adultas absorvem cerca de 6.000 kg de CO2 (dióxido de carbono).

No total foram colocadas cerca 160 plantas, numa alusão às celebrações dos 160 anos da elevação da Cidade da Praia – “160 anos para a Cidade da Praia, 160 árvores para Cidadela”. Um sinal da CMP para sensibilizar as famílias sobre a importância dos espaços verdes nas cidades, conforme disse o Presidente, Óscar Santos.

No dia em que se assinalou o Dia Mundial da Árvore e da Floresta, a Câmara Municipal da Praia realizou uma campanha de plantação nas avenidas e passeios do bairro da Cidadela que tornaram-se agora mais bonitos e mais aprazíveis.

“É um acto simbólico que queremos que incentive as famílias a também fazerem um gesto para aumentar os espaços verdes na nossa cidade”, disse o edil, realçando os esforços da autarquia para aumentar os

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“SE CADA FAMÍLIA PLANTASSE UMA ÁRVORE À FRENTE DA SUA CASA, SEGURAMENTE QUE EM ALGUNS ANOS A CIDADE ESTARIA MAIS VERDE E MAIS AGRADÁVEL”

espaços verdes a nível do município.

“A CMP tem feito um esforço enorme a nível das artérias principais e nas rotundas e se cada família na Cidade da Praia plantasse uma árvore à frente da sua casa, seguramente que em alguns anos a cidade estaria mais verde e mais agradável”, acrescentou. Para além da plantação de árvores nas principais artérias das diversas localidades, a Câmara Municipal da Praia tem outros projectos para a curto prazo dar uma outra imagem à cidade capital do país tornando-a mais aprazível, sustentável e amiga do ambiente.

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AMBIENTE

CONTENTORES SUBTERRÂNEOS – MENOS LIXO NAS RUAS E MAIS BELEZA NA CIDADE

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Câmara Municipal da Praia está a apostar nos contentores subterrâneos como forma de solucionar o problema de lixo na cidade e ao mesmo melhorar a qualidade ambiental e a estética da capital do país.

cidiu suspender a recolha de lixo porta-a-porta em alguns bairros como o Palmarejo, Palmarejo Baixo e Monte Vermelho e aumentou o número de contentores nas ruas. A decisão da suspensão da recolha de lixo porta-a-porta, segundo aquele vereador está relacionada com as queixas sistemáticas de que quando um morador não conseguir entregar o lixo no carro de recolha, deixa os sacos de plástico pendurados nas árvores, grades de varandas e até nos postes de electricidade.

No mês de Fevereiro foram instalados os primeiros dois contentores a título de experimental, na avenida principal da zona de Palmarejo. Segundo o vereador para área do Ambiente, Paulo César Velhinho a aposta tem tido um bom resultado. O responsável pelo pelouro do Ambiente lembra que desde o início deste mandato que a edilidade está a procurar formas de solucionar o problema do lixo na Cidade da Praia.

Os contentores normais colocados em diversas artérias têm-se revelado inadequados, já que segundo vereador Paulo Cesar Velhinho as pessoas e os animais, nomeadamente os cães abandonados, mexem

No mês de Dezembro do ano passado a edilidade de-

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nos contentores, espalhando o lixo pelo chão. Daí a aposta em outras alternativas. “Estamos a tentar que o lixo não fique espalhado pelas ruas. Fizemos um abrigo não subterrâneo aqui em Palmarejo, também fizemos a requalificação de um outro abrigo que fica no Plateau e agora estamos a apresentar a nossa terceira opção que é o abrigo subterrâneo”, disse. Esse sistema apresentado no mês d e Fevereiro tem uma vigência experimental de três e caso se revelar uma boa alternativa o mesmo poderá ser implementado em outras zonas da cidade, também como um elemento decorativo. O lixo é retirado diariamente com suporte de uma viatura com grua e os contentores recolocados no lugar. O vereador do Ambiente adiantou que à semelhança do que vinha acontecendo com os outros abrigos, a população tem respondido bem. A escolha do bairro de Palmarejo para a realização dessa experiência deve-se ao facto de ser uma zona com muita demanda. “Estamos a fazer a experiência precisamente numa zona em que há muito lixo porque entendemos que dessa forma vai ser mais fácil testar esse sistema”, informou.

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PRAIA,UMA CIDADE MAIS APRAZÍVEL 22


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INFRAESTRUTURA

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os últimos anos, a cidade vem passando por transformações estruturantes, constituindo um espaço nacional por excelência na produção de riquezas e no desenvolvimento de negócios e serviços. A imagem que a Cidade da Praia nos oferece hoje, expõe os efeitos de um desenvolvimento intenso no espaço e no tempo. É nessa perspetiva que a Autarquia projeta a Praia em atraentes vias de navegação, geradoras de novas e possíveis fronteiras de realização dum consistente e duradoiro período de modernização continua com obras estruturantes de requalificação, drenagem, calcetamento, arruamentos, construção de estradas de acesso, criação de espaços verdes e entre outras intervenções. Estes sentidos orientadores permitem almejar um novo e promissor futuro, num crescente processo agregador das comunidades pelos bairros, num irresistível movimento integrador das mais diversas instituições no espaço da cidade e do município, das famílias praienses em áreas arquiteturais e urbanas mais estruturadas dos pontos de vistas das condições de habitabilidade, de cada vez maior coesão de sentimentos de pertença comunitária, e de modernização dos modos de vida e de organização dos comportamentos cívicos e de cidadania.

De Cobom a Caubom Há 41 anos, apareciam as primeiras casas, dispersas umas das outras sem qualquer plano de urbanização, água, energia e esgoto. Todas essas casas eram clandestinas. Entre elas, situava-se uma enorme ribeira que servia de caminho das cheias nas épocas chuvosas e de depósito de lixos dos moradores residentes nos bairros vizinhos. A vista era de lixo e entulhos.

Hoje, o Bairro de Cobom está de cara lavada e com uma outra pinta. É que, a Câmara Municipal da Praia realizou várias obras de requalificação e transformação no bairro. Desde calcetamentos, arruamentos, valas de esgoto, espaços verdes, praça, requalificação das encostas, e entre outros.

“Só conseguimos a independência com esta obra”

Os serviços de saneamento prestados pela Autarquia eram feitos por uma máquina que fazia buracos para acolher lixos que posteriormente eram enterrados. A estrada de terra batida, foi aparecendo espontaneamente ao redor da ribeira por onde os carros passavam em cima de lixo e escombros que serviam de base. Quem nos relata esta história é o senhor Júlio Pereira, natural da ilha do Fogo, e um dos primeiros moradores do Bairro de Cobom. Júlio construiu a sua casa em 1978 ilegalmente, assim como as outras que foram aparecendo naturalmente entre lixo e detritos. Os anos foram passando e os bairros vizinhos foram beneficiados com obras de requalificação das sucessivas gestões camarárias. Entretanto, Cobom continuou no esquecimento e na luta contra a “penúria”.

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De acordo com Júlio Pereira, a independência só chegou ao seu bairro com esta obra de grande envergadura da autarquia praiense. “Só conseguimos a independência com esta obra. Tenho a minha casa aqui desde 1978 e nunca este bairro foi contemplado com uma intervenção desta categoria”, enfatiza Pereira. Uma intervenção que, segundo o senhor Júlio, vai elevar a auto-estima dos moradores do seu bairro colocando-os na rota do desenvolvimento dos outros bairros da capital. Júlio Pereira, não é único morador que se regogiza com esta acção.


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“Cobom passou de lixo ao luxo” , Cláudia Centeio – moradora “A Câmara Municipal da Praia está de parabéns porque a requalificação do Bairro de Cobom, que tem tido registos negativos na Cidade da Praia, devido a vários problemas sociais ao longo desses anos, é de extrema importância e com impacto positivo para a comunidade, porque foram criadas as condições básicas para a promoção da higiene e saúde pública e a região agora está mais bem interligada com os bairros como Palmarejo e Achada Santo António. Essa grande acção tem repercussão não só para a cidade da Praia mas também para Cabo Verde, porque é visível e notório que essas obras públicas, vão contribuir para o desenvolvimento e melhoramento das condições de vida da população local.

“O nosso bairro renasceu das cinzas”, Cláudia Centeio – moradora “A obra de requalificação mudou completamente o Bairro de Cobom porque se antes vivíamos dias difíceis, com problemas de lixo, falta de água, acessibilidade, situações essas, que se agravavam muito na época das chuvas, agora, vivemos dias melhores. Antigamente, quando eu dizia que morava em Cobom as pessoas faziam pouco caso. Hoje, toda gente que esteve aqui depois da requalificação, fica admirada, porque o bairro está mais limpo, melhor organizado e valorizado. Parabenizo a Câmara Municipal da Praia pela nobre iniciativa e esperamos que essas obras sejam o início de muitas acções que a autarquia tem para a nossa comunidade”.

E quando se fala em desenvolvimento de um bairro periférico, que de repente ganha vida e novo rosto, significa que a realidade do referido bairro mudou para melhor e isso merece ser aplaudido”.

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“Agora todas as crianças de Cobom merecem ganhar uma bicicleta”, Fábio – morador “Estou muito feliz com a mudança que aconteceu aqui na nossa zona, que parecia não fazer parte da Cidade da Praia, porque Cobom tinha muitos problemas de lixo, ruas de terra. Mas com essas obras o bairro ficou mais fresco e podemos brincar na rua sem nos preocuparmos com a terra. Espero que todos nós façamos a nossa parte para que o nosso bairro continue com a mesma cara limpa que tem hoje, porque desta forma estaremos a cuidar do nosso meio ambiente e da Cidade da Praia. E para completar a nossa felicidade, todas as crianças de Cobom merecem ganhar uma bicicleta porque a rua está perfeita para brincar.


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VÁRZEA, A REQUALIFICAÇÃO QUE TROUXE AO BAIRRO UMA NOVA DIMENSÃO

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Bairro da Várzea está mais bonito e com outra pinta. Estradas asfaltadas, passeios e ruas requalificadas e ainda ganhou uma Rua Pedonal denominada “Maria Camporta”. É um conjunto de obras efetuadas pela Câmara Municipal da Praia no âmbito do projeto da requalificação urbana e de desenvolvimento da Cidade da Praia que a autarquia local tem em curso.

que incluiu a componente asfaltagem, requalificação do cemitério assim como uma rua pedonal. “Nesta localidade fizemos ainda intervenções para melhorar o saneamento com a introdução de rede de esgotos, acesso livre à internet, praça e iluminação para que os moradores da zona possam viver felizes e com mais dignidade”, salientou o edil praiense.

Na sua intervenção, aquando da inauguração das infraestruturas, o Edil Óscar Santos disse que se trata de uma obra estruturante para o bairro, visto

Estas intervenções, sobretudo a Rua Pedonal, vão dar uma outra dimensão económica ao bairro com

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enfoque no turismo. A Pedonal tem perfil para acolher atividades culturais, feiras de artesanato, além de bares e restaurantes.

venções efetuadas, realçando que tudo o que foi feito vai melhorar o ambiente e saneamento para os moradores e visitantes principalmente na época de chuvas.

A referida zona também foi contemplada com arruamentos, pinturas de fachadas de casas, espaços verdes e requalificação do parque de estacionamento do largo do Cemitério da Várzea.

Esta é a missão da Câmara Municipal da Praia, tornar a Praia numa cidade organizada, aprazível, cosmopolita, levando, assim, a felicidade aos seus munícipes.

Os moradores ficaram “radiantes” com as inter-

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BAIRRO DE SÃO PAULO COM ACESSO FÁCIL E MAIS E SEGURO

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ão Paulo é um dos mais novos bairros do Município da Praia. Localizado na zona Norte do Concelho da Praia, mais concretamente na encosta de Ponta d’Água e de Achada São Filipe, esse bairro espontâneo foi alvo de um plano, tendo em vista sua urbanização e beneficiou de profundas intervenções de forma a criar condições de habitabilidade.

política da Câmara porque todas zonas têm de ser beneficiadas com esses tipos de infra-estruturas”, salientou. O edil da Praia reconhece que há ainda muitas necessidades nesse bairro, mas adiantou que aos poucos vão realizando acções para que o bairro e a Praia no seu todo possam atingir o nível de desenvolvimento que merecem.

Foram construídos arruamento, estradas, muros de proteção e zonas de lazer para o bem-estar e a dignidade da população.

A próxima intervenção na comunidade de São Paulo vai ser nas encostas, com trabalhos de drenagem das águas pluviais e a colocação do relvado no campo de futebol, conforme solicitado pelos jovens do bairro.

Segundo o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, a edilidade investiu cerca de 20 mil contos em obras que foram realizadas por fases.

Os moradores de São Paulo manifestaram a sua satisfação face às obras realizadas, lembrando que tudo quanto foi feito visa melhorar o ambiente e condições de saneamento para os moradores e os visitantes do bairro.

“É só compararmos o São Paulo de ontem em que o bairro era praticamente intransitável e sem circulação de automóveis para vermos a grande diferença com as obras levadas a cabo no bairro”, disse o autarca, adiantando que o trabalho demorou algum tempo a ser feito devido à sua complexidade.

O edil da Praia adiantou que neste momento a autarquia tem cerca de 30 (trinta) frentes de obras municipais em curso, o que na sua perspectiva demonstra que a edilidade está a fazer “um bom trabalho”.

“Hoje podemos dizer que temos um bom exemplo de reabilitação e integração do bairro. Esta é a

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“Com estas obras estamos a corrigir um défice de mais de 20 anos, na zona Norte e outras zonas que foram esquecidas. Se os nossos antecessores tivessem feito esse trabalho, hoje estaríamos muito mais avançados. Portanto, no ano 2018, vamos dar uma atenção especial a essas zonas para equilibrar”, frisou. Para além de melhorar as condições de habitabilidade e de acessibilidade e contribuir para levantar a auto-estima dos praienses, essas obras, segundo Óscar Santos, oferecem emprego às pessoas.

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CMP LEVA TRANSFORMAÇÃO URBANA PARA AS RUAS DE EUGÉNIO LIMA

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ão mais de 1.200 metros de calcetamento que deram uma nova vida à esta zona, melhorando desta forma também o bem-estar da população residente.

“Os trabalhos permitem às pessoas circularem com mais facilidade. A limpeza da zona agora será melhor e eleva também a auto-estima das pessoas”, disse o vereador lembrando que outras obras estão em curso no bairro tendo em vista a melhoria da qualidade de vida da população.

Para além do arruamento que permite agora uma melhor circulação das pessoas e dos veículos, as ruas ganharam nomes e sinais de trânsito e as casas foram enumeradas, elevando assim o nível da urbanização do bairro.

As obras custaram à edilidade cerca de nove mil contos. Entretanto, o presidente da Câmara Municipal, Óscar Santos, salientou que mais do que o valor gasto, importa os efeitos que essas infra-estruturas têm na vida das pessoas.

Segundo o vereador das infra-estruturas e transportes, Manuel Vasconcelos Fernandes, com a realização desses trabalhos as pessoas passaram a ter maior comodidade, sobretudo, no período das chuvas, em que a as ruas ficavam todas enlameadas, dificultando a circulação.

Para além dos arruamentos, construções das vias de acesso e equipamentos de lazer a Câmara Municipal vai também fazer uma forte aposta na reabilitação das habitações degradadas.

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PRAIA CIDADE EM MOVIMENTO

Óscar Santos reconhece que o problema de habitação é uma questão complexa, mas indicou que a edilidade vai neste ano de 2018 dar uma atenção especial a esse problema.

das exigem uma engenheira financeira”, salientou. Neste sentido fez saber que muito recentemente manteve um encontro com o Governo, que também está empenhado em solucionar esse problema, pelo que acredita que pouco-a-pouco vão ser mobilizados os recursos necessários para socorrer as pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Estamos a falar de pessoas que há alguns anos construíram de qualquer forma, sob linha de água, nas encostas e que hoje estão em situação precária. São situações que para serem resolvi-

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INFRAESTRUTURA

CMP E GOVERNO ENGAJADOS NA REQUALIFICAÇÃO URBANA DA CIDADE PRAIA O Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, e a Ministra das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Eunice Silva, visitaram no passado dia 26 de Janeiro um conjunto de obras estruturantes em curso em diferentes bairros da capital.

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visita teve como propósito dar a conhecer à ministra os detalhes das obras levadas a cabo pela Câmara Municipal da Praia e as necessidades de algumas localidades no que tange ao calcetamento, drenagem e espaços verdes. A delegação visitou as obras de calcetamento e valas de drenagem em Palmarejo, o andamento das obras do Miradouro em Achada Santo António e o Pedonal de Lém-Ferreira, obras de calcetamento e drenagem das Encostas de Castelão, arruamento no bairro de Ponta D’Água e Achada São Filipe, concluindo assim o percurso no Mercado do Côco, na Várzea. A comitiva liderada pelo edil praiense fez ainda uma paragem pelos bairros de Achada GrandeFrente e Achada Grande-Trás para se inteirar dos lugares que futuramente receberão obras de calcetamento a serem executadas pela CMP, infraestruturas essas que vão melhorar a qualidade de vida dos moradores e o aspecto urbanístico da Cidade. Durante a visita, Óscar Santos reafirmou a importância dessas obras no desenvolvimento harmonioso da cidade da Praia e na integração urbanística, que irá ter um impacto na melhoria da qualidade de vida dos munícipes, ressalvando, que a edilidade promete investir mais de 400 mil contos em construções só este ano. Por outro lado, Santos realçou que essa visita representa um “forte engajamento” entre o poder local e central em unir esforços para apoiar a autarquia no programa de requalificação urbana da Cidade da Praia, que não obstante os investi-

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mentos feitos, apresenta ainda um défice enorme de urbanização na zona Norte da capital. Por seu turno, a Ministra Eunice Silva mostrou-se “encantada” com o desenrolar das obras em curso e enalteceu a dinâmica da CMP em matéria de requalificação urbana, avançando que o Governo vai apoiar a autarquia com cerca de um milhão de contos para investimentos em obras de requalificação urbana, acessibilidade e reabilitação de habitações das famílias em dificuldades, nos próximos dois anos. A governante frisou que o Executivo tem um “programa de parcerias” com as câmaras municipais, com a qual a da capital vai beneficiar de um montante significativo dentro do pacote global a ser investido nos concelhos, uma parceria que no seu entender, vai permitir que as nossas cidades sejam mais atrativas e competitivas, requisitos fundamentais para gerar mais investimentos, mais emprego e mais rendimento e contribuir, por isso, na redução da pobreza.

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INFRAESTRUTURA

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TERRA BRANCA, UMA GALERIA A CÉU ABERTO

ua D’Arte no bairro de Terra Branca. O nome já vinha muito de antes da requalificação e foi atribuído devido ao facto de existir naquela espécie de uma série de pinturas artísticas nas paredes casas promovidas por um morador da rua, Tutu Sousa.

da das casas não escondeu a sua satisfação com o trabalho realizado pelo autarquia praiense e manifestou o desejo de ver o trabalho realizado em Terra Branca implementado em outros bairros da capital do país. O acto de inauguração realizado no dia 31 de Março, presidido pelo presidente da Camara Municipal, Óscar Santos foi uma grande festa com actuação de diversos grupos culturais e muito agraciado pela população.

Tutu Sousa conta que que no quadro das celebrações dos 25 anos de carreira como artista plástico convidou seus amigos artistas para uma pintura da sua, mas como eram muitos decidiram pintar a rua e com autorização dos vizinhos a rua foi inundada de pintura de figuras e imagens emblemáticas do país.

Rua d’Arte tornou assim mais das mais bonita rua da Cidade da Praia, mais aprazível para o convívio dos moradores e um espaço de atração turística não só pelo colorido, mas também pela ostentação de figuras emblemáticas da cultura cabo-verdiana.

A rua foi transformada, assim numa galeria de arte a céu aberta que ao longo do tempo despertou muita curiosidade dos transeuntes. Com vista a melhor ainda mais o embelezamento da rua a Câmara Municipal da Praia levou requalificação urbana, criando uma rua pedonal e reabilitando toda área circundante que foram beneficiadas com obras de calcetamento, iluminação pública e o reforço das pinturas nas faixadas das casas.

Segundo o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, as obras de requalificação das ruas, da Pedonal e Rua D’arte no bairro da Terra Branca, é um exemplo para levar sim para outras zonas da Cidade da Praia e de Cabo Verde. Ponta Belém, Bairro Craveiro Lopes, Brasil, Achada Grande Trás e outros bairros da capital do país, são os próximos a serem contemplados com as obras de requalificação, pintura de casas

Os moradores em especial Tutu Sousa que liderou a equipa de pintura artística das ruas e facha-

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e pinturas artísticas. “As obras de requalificação em Terra Branca têm um aspeto que diferencia das outras requalificações urbanas. Juntou-se a arte e requalificação urbana, o significa que podemos modificar a Cidade da Praia e torna-la mais bonita e colorida se juntarmos a arte com as obras de requalificação urbana”, realçou o autarca indicando que esse projecto de junção de requalificação urbana com a arte vai ser levada para outros bairros. As obras custaram á edilidade cerca de 10 mil contos, mas Óscar Santos considera que mais que a verba gasta interesse o bem-estar e comodidade da população, que antes circulava em vias esburacadas e num espaço sem iluminação pública com consequência para a segurança das pessoas. A ideia, segundo Óscar Santos é de criar as condições para fazer com que as pessoas saiam das suas casas para conviveram nas ruas. “A lógica de ser mais urbano é fazer as pessoas conviverem umas com outras. Quanto mais convivência e mais amizade houver, menos criminalidade haverá nos bairros”, disse o edil.

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INFRAESTRUTURA

ACHADINHA, ACABARAM-SE ÀS PREOCUPAÇÕES DAS ENXURRADAS NA SUA ENCOSTA

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alcetamento, espaços verdes, praça e drenagem de água, são um conjunto de obras de requalificação e transformação que a Câmara Municipal da Praia realizou na encosta de Achadinha.

pletar a obra com o apoio do Governo com a iluminação pública nestas localidades. Só no bairro de Achadinha, segundo o edil Praiense, a autarquia da Praia investiu, nos últimos dois anos, cerca de 120 mil contos com asfaltagem, passeios e encosta.

Para Óscar Santos o trabalho realizado na localidade vai ajudar a população da encosta de Achadinha a viver com mais dignidade, apesar de considerar que foi uma obra custoso e de difícil acesso.

Por seu turno, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, manifestou-se satisfeito e realizado aquando da inauguração desta obra. “Quem conheceu esta encosta antes e o vê hoje, vê que a diferença é enorme, relativamente à urbanização e ao saneamento. Foi um trabalho bem concebido e demostra que não há coisas impossíveis”, salientou o Chefe do Executivo.

“No princípio do mandato tínhamos prometido que a drenagem era a nossa prioridade e com esta inauguração, assim como em outros locais, estamos a cumprir a nossa promessa. A drenagem facilita o escoamento da água na época de chuva e facilita a limpeza”, disse.

A nível do Governo, Ulisses Correia e Silva, fez saber que vai haver apoio para a iluminação das zonas requalificadas.

O edil da Praia adiantou ainda, a hipótese com-

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INFRAESTRUTURA

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CENTRO HISTÓRICO DA CIDADE EM OBRAS

ão cerca de 187 mil contos que a Autarquia vai investir na requalificação do Centro Histórico Cidade, Plateau. As obras já se caminham a bom ritmo.

assim como reestruturação de toda a Zona de Ponta Belém. Essas intervenções estão enquadradas no projeto de requalificação urbana e de desenvolvimento da Cidade da Praia que a autarquia tem em curso e visa reafirmar o Plateau como o centro histórico da cidade, tornando-a mais atrativa e aberta ao turismo.

Essa requalificação consiste na construção de uma pedonal de Diogo Gomes até ao Ténis, asfaltagens, reposição de calçadas em algumas vias, a requalificação da rua do Hospital Agostinho Neto,

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CULTURA

CARNAVAL DA PRAIA NA ROTA DO TURISMO CULTURAL O Carnaval-2018 na Cidade da Praia ficou marcado por momentos de muita festa na Avenida Cidade Lisboa que este ano encheu-se de cores e diversidades de temas para receber o evento que prometeu muitas surpresas.

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clima de júbilo contagiou os presentes ao som da batucada dos seis grupos: Sambajó, Estrelas da Marinha, Intervila, Vindos d’África, Vindos do Mar e Bloco Afro Abel Djassi que apostaram em enredos criativos e belas alegorias para celebrar a festa do Rei Momo.

Este ano, a Câmara Municipal da Praia assumiu o compromisso de elevar a qualidade do Carnaval na Capital, melhorando condições na Avenida Cidade de Lisboa, com a retirada dos separadores para que os grupos pudessem desfilar com maior facilidade, no dia 13 de Fevereiro.

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Além de investimentos no espaço para desfile, a CMP disponibilizou apoios aos grupos oficiais, melhorou a iluminação, introduziu o som ao longo da Avenida e montou bancadas com mais de mil lugares para os foliões.

Logo a seguir, com o objectivo de homenagear o poeta Corsino Fortes, o grupo Vindos do Mar desfilou com o enredo “Pão & Fonema”. “Mãe Africa” foi o tema escolhido pelo grupo “Vindos d’África”, que homenageou o continente, trazendo brilho, alegria e muita animação ao Sambódromo da capital.

Assim, no dia 10, a Avenida Cidade de Lisboa abriu as portas para receber o desfile dos jardins infantis e idosos da Cidade da Praia, que levaram muito brilho para a festa no Sambódromo. No dia 11, foi a vez das Escolas do Ensino Básico do município, que se uniram para celebrar o Carnaval da Praia. O festejo terminou com o desfile dos grupos do 2º escalão.

Em comemoração dos 30 anos de existência o Intervila convidou os presentes a viajarem no tempo relembrando a história e os momentos que marcaram o percurso do grupo de Vila Nova. O Bloco Afro Abel Djassi fechou o desfile do Carnaval 2018 trazendo como tema a “História de Cabo Verde no Mundo”.

A data mais esperada pelos munícipes, o dia 13, veio confirmar o potencial do Carnaval da Praia que almeja dar saltos “significativos” para tornar a Festa do Rei Momo numa referência nacional.

O Presidente da CMP Óscar Santos mostrou-se muito satisfeito com a organização, disciplina e o desfile, prometendo continuar a fazer o seu papel para tornar o Carnaval na Praia num produto turístico e a Cidade Capital cada vez mais atractiva e cosmopolita para o mundo.

Não obstante o frio que se fazia sentir na Avenida, o grupo Samba Jó, sob o olhar atento dos presentes, foi o primeiro a desfilar com o tema “Maravilhas do Universo”. Já o grupo “Estrelas da Marinha” invadiu a Avenida com “Roma Antiga” que esteve coroado de muito brilho e samba no pé.

Os milhares de foliões que se deslocaram à Avenida para desfrutar da batucada, da energia positiva dos grupos, do brilho das roupas e dos andores deram nota positiva à organização e ao desfile.

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CULTURA

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CULTURA

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“FESTA CINZA” UM PRODUTO TURÍSTICO DE SANTIAGO

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Festa de Cinzas é tradicionalmente comemorada na Ilha de Santiago com um almoço cheio de fartura. A quarta-feira de cinzas marca o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão e ocorre 40 dias antes da Páscoa. À semelhança de todos os anos, Câmara Municipal da Praia promoveu este ano mais uma edição da Feira de Cinzas e o concurso do tradicional almoço de Cinzas denominado “Festa Cinza”. A Feira de Cinzas aconteceu no Largo do Estádio da Várzea, com a exposição de uma diversidade dos produtos agrícolas, xerém, côco, “trotxida” peixe seco, cuscuz e o delicioso mel de cana que não pode faltar em nenhuma mesa de Cinza. O evento que anualmente é realizado pela Câmara Municipal da Praia visa preservar a tradição da maior ilha do país e oferecer aos munícipes e visitantes produtos típicos para a festa. Por sua vez, o concurso do tradicional almoço de “Festa Cinza”, é promovido pela CMP em parceria com a Rank CV, NOVATUR e alguns restaurantes da Cidade da Praia e visa proporcionar às famílias praienses a oportunidade de almoçar e degustar pratos tradicionais de Cinza em diferentes restaurantes da capital pelo mesmo preço. Este ano, o concurso contou com a participação de nove restaurantes da capital: Beira-Mar Grill, Bica d’Areia, Djila, Ipanema, Quebra-Cabana, Poeta, Panorama, Plaza e Pescador. Os restaurantes foram avaliados pelos clientes através de um inquérito durante o horário de almoço e por uma equipa de jurados. O Ipanema conseguiu arrebatar o prémio de primeiro lugar da competição. Os restaurantes Panorama e Kebra Kabana ficaram em segundo e terceiro lugar respetivamente. De acordo com a organização, esta edição superou as anteriores com uma avaliação positiva dos clientes, jurados e restantes, garantindo que a festa de cinza veio para ficar como uma marca e um produto turístico da maior ilha do país.

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CULTURA

ABRIL DE MÚSICAS MIL NOS 160 ANOS DA CIDADE DA PRAIA

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mbora o clima parecesse alterado, a rotina permaneceu e as ruas da capital ganharam mais vida com uma intensa semana cultural na cidade da Praia. Primeiramente arrancou a décima edição do Kriol Jazz Festival no dia 14 de Abril, num palco no bairro da Várzea. Jovens Artistas nacionais juntaram suas vozes à da brasileira Flávia Coelho numa memorável Zona Kriol bem próximo do centro do

poder. Seria difícil dizer quem chegou primeiro, não fosse Abril de 2018 o mês da consagração do décimo aniversário do Kriol Jazz Festival. Foi da fusão e empolgação de um festival de jazz com raízes crioulas que se abriram as portas ao mercado de Música do Mundo a partir de Cabo Verde. Nos dias seguintes o Kriol Jazz Festival cedeu palco à sexta edição do Atlantic Music Expo (AME) O evento que esteve em perigo de se extinguir aconteceu nos 17,18 e

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19 de Abril, consagrando o destino bem-sucedido em pouco mais de cinco meses de preparação, e juntando os esforços de 12 produtoras independentes e privadas numa Associação Cabo Verde Cultural de mérito. Poucos sentiram ou sentirão que desta vez houve menos showcases porque a música fluiu e os munícipes usufruíram do cosmopolitismo de se juntar músicas e gentes de cinco continentes às da ilha mãe da nação crioula cabo-verdiana.


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pretou “Incondicionalmente” a morna rainha do país que bem o recebeu. “Através da música deixamos de pertencer a uma única pátria, e passamos a ter uma identidade mais universal” afirmou o guitarrista e cantor Marco Oliveira. O primeiro a abrir as tardes musicais no Palácio da Cultura Ildo Lobo acredita que a música e a palavra têm muito mais a ver com a humanidade do que com qualquer outra coisa, “por isso este encontro multicultural é tão fascinante” frisou Marco Oliveira. Nem só do fado e de mornas se fez a primeira tarde. Num esvoaçante vestido branco Djocy Santos, a cantora cabo-verdiana que antes cantava mais em inglês, trouxe com a sua banda música em crioulo com a fusão do tradicional e de outras sono-

ridades que foi abraçando na sua vivência na Holanda.

“A voz dos artistas” Bem no centro da capital, numa tarde mais ou menos quente de Abril, o Palácio da Cultura Ildo Lobo abraçou os sons do fado tradicional e as canções de um músico português, que inspirado no grande nome da música das ilhas que dá nome ao Palácio da Cultura, também inter-

Djocy canta a sua mãe, as particularidades da infância mindelense e em quase tudo elogia a mulher cabo-verdiana como o título que deu ao seu primeiro EP. “Eu e o Nuny Matias decidimos escrever em crioulo, porque é a nossa raiz e dela conseguimos extrair mais sentimento do que em qualquer outra língua” explicou a artista que já integrou outros grupos e trabalhou, por exemplo, com Jorge Neto, mas ao AME trouxe

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pela primeira vez o seu novo projecto com banda própria. Os palcos distribuídos em três pontos do Plateau e na Warehouse acolheram cerca de 25 artistas nacionais e estrangeiros, alguns deles DJs e gente vida dos Estados Unidos, Canadá, França, Senegal, Argélia, de uma outra ilha ou do interior de Santiago, todos eles com os pés assentes na música do mundo, identidade irmanada e emanada em todos os Showcases. Rosa Mestra, a cabo-verdiana vinda dos Estados Unidos, foi uma das que representou a música tradicional cabo-verdiana com uma selecção de temas s “escolhidos a dedo” para o trabalho que levou três anos a concluir, denominado “Solera de Nha Vida”.

Nesse mesmo palco da Rua Pedonal 5 de Julho também subiu Bob Mascarenhas com o seu “Rakodja” de 2017, num regresso muito esperado ao AME. Voltando aos palcos depois de um período de doença, o artista esteve “encantado com o público” e expectante quanto às possibilidades de levar o seu trabalho a outros palcos pelas escolhas dos inúmeros produtores internacionais presentes.


CULTURA

numa segunda vez em Cabo Verde, trouxe outra banda e sons do soul, r&b, jazz, hip hop, afrocaribenho que nela se misturaram deliciosamente.

Djazia Satour, argelina residente em França, ficou maravilhada com o público mesmo cantando apenas em árabe e deixando para trás canções em outras línguas. Depois de levar ritmos argelinos mesclados a canções pop ao público praiense, mostrou-se “muito feliz de ter sido convidada para este festival “onde diz ter aprendido um pouco sobre Cabo Verde: “Não posso dizer o quê, porque não conhecia o país, mas estou intrigada com a cultura crioula” frisou a artista. Reggae, Blues, Afrosoul e Pop Rock com o toque africano e canadense também subiram ao palco da Pedonal com Ilan. Um músico vibrante com uma mensagem de amor e paz. ”A minha mensagem para todos é uma mensagem de amor, de paz, para que estejamos todos conectados, cientes de que vivemos na mesma terra, devemo-nos amar e não fazer mal aos outros, porque somos todos humanos” enfatizou o artista de origem senegalesa. O mesmo público que cantou e inspirou ILan acolheu com muita morabeza os vários artistas que passaram nas três tardes e noites pela Rua Pedonal. Num registo mais afro esteve a Pracinha da Escola Grande onde subiu Malikatirolien, que

“Esta é a minha segunda vez em Cabo Verde, já tinha aqui estado com os Vox Sambú, mas é a primeira com esta banda, daí que este momento é especial e adoramos o resultado” confirmou a artista internacional, uma das repetentes no palco da montra da música do mundo a partir de Cabo Verde.

Fora dos palcos

Mais do que uma fusão de ritmos em palco, o AME é uma miscigenação de almas com pintura das lembranças de um passado que não existiu e se cruza com o presente nas aspirações futuras da memória. É o caso do músico conacri-guiniense Moussa Conde residente em Paris há vários anos, mas sem perder a sua essência griot. O artista que, sendo do mundo, segue a tradição de passar entre as gerações a história do continente africano, veio cumprir um sonho em Cabo Verde. “Cabo Verde é o meu país de sonho, já há bastante tempo que queria vir aqui porque trabalhei com a Cesária Évora, em Paris.Ela é a minha mamã”. Uma mulher sábia que sempre

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fez Moussa Conde querer vir a Cabo Verde, como frisou. Ter acontecido na sexta edição do AME foi bastante apreciado pelo músico .

O AME proporcionou mais uma vez múltiplos encontros entre artistas e agentes do mundo da música em encontros “one to one”. Nos debates abordou-se a indústria da música em África, como criar marca própria como artista independente, como chegar aos mercados de difícil acesso, ou como fazer uso do marketing digital. Exemplos de empresas que são criadas além fronteiras pelo modelo 360 graus, ou seja, cooperativismo e juntar esforços no sentido de ter uma empresa de artistas que façam tudo eles mesmos. Desde a gravação à organização de espectáculos, segurança dos eventos e divulgação dos artistas concentrados num único núcleo, ou, como diria Didier Awadi, presidente do Estúdio Sankara, Senegal, “produzir o que se consome, e consumir o que se produz”. O AME exaltou o público da capital cabo-verdiana trazendo também pela primeira vez à montra da Música do Atlântico sons das Festas de Lisboa como a “Marcha de Alfama” e delegações estrangeiras de várias paragens, nomeadamente da China.


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KRIOL JAZZ FESTIVAL: 10 ANOS UNINDO A MÚSICA DE RAIZ CRIOULA DE VÁRIOS PONTOS DO ATLÂNTICO 52


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décima edição do Kriol Jazz Festival, promovida pela Câmara Municipal da Praia, em parceria com a “Harmonia” homenageou duas bandas de referência da música cabo-verdiana em qualquer parte do Mundo. “OsTubarões” e “Bulimundo” subiram ao palco da Praça Luís de Camões (Pracinha da Escola Grande, no Platô) para a abertura do festival que homenageou os dois mítidos grupos com a presença e pujança de que o seu regresso, que aconteceu nestes últimos anos, é uma certeza de que vão levar a música de Cabo Verde aos palcos mundiais. O público que queria muito mais da boa música prometida regressou à Pracinha da Escola Grande nos dias 20 e 21 de Abril para prestigiar Mário Lúcio Sousa e Seu Jorge, Ayo e a Kriol Band com músicos de diferentes pontos do Atlântico, e não só. Mário Lúcio, que regressou com Funanight, 10 anos depois da sua primeira apresentação no Kriol Jazz Festival, trouxe consigo Zeca Nha Reinalda, Didier Andrade e Soren Araújo numa aclamada nova versão heavy metal da música Nandinha, gravada em 1984 e celebrizada pelos “Finaçon”. O músico que acompanhou o percurso do Festival desde quando era apenas uma ideia até às suas sucessivas edições enquanto era ministro da Cultura recordou que na primeira edição tinha participado como um gesto de “solidariedade”, afinal ele mesmo levara a ideia do Kriol Jazz

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CULTURA

de Djô da Silva a Ulisses Correia e Silva, como revelou à comunicação social. “Na primeira edição foi tudo muito tímido, houve até uma manifestação dizendo que aquilo não era jazz, porque as coisas novas sempre geram espanto…e eu vim por solidariedade e toquei com jovens” lembrou Mário Lúcio. Para Mário Lúcio o regresso na décima edição aconteceu “casualmente” “Dez anos depois, casualmente, volto para ver a dimensão que o festival ganhou, do mesmo passo que vejo o meu próprio crescimento pessoal e como artista… aprendi muito de lá para cá e coincidiu que neste décimo aniversário tivesse um disco que me foi dado pelos anjos” enfatizou Mário Lúcio. Na noite de 20 de Abril, o Kriol Jazz Festival revelou igualmente ao público praiense Natalie Natiambe, cantora da Ilha da Reunião com os pés fincados em França. Uma dama com poesia nas palavras, na voz, no canto e no semblante que se emocionou ao apresentar o seu novo projecto. “Está é apenas a terceira vez que apresentamos as novas canções em palco, e quando temos algo novo tratamo-lo como um bebé que precisa de muitos cuidados, por isso também me emocionei”, considerou Natalie Natiambe para quem o reconhecimento mostrado pelo público ao levantar-se. Calou forte no seu coração. Aos microfones dos jornalistas Natalie manifestou também a sua admiração pela Diva Cesária Évora, uma “ Mulher forte e de pensamento positivo” que também a ajudou a manter-se de pé como tal. Stanley Jordan, que já subira ao palco do Kriol Jazz em 2016, re-

gressou com os Thunder Duo e num registo um pouco diferente, sem deixar por mãos alheias o seu estatuto de um dos melhores guitarristas do final do séc. XX, com presença constante nos melhores festivais de Jazz. Pela primeira vez, na sua décima edição, os bilhetes para o primeiro dia do Kriol Jazz Festival esgotaram com algumas semanas de antecedência e uma segunda leva foi vendida a uma semana do evento. O músico e actor brasileiro Seu Jorge, cabeça de cartaz, fez com que o público se aproximasse o máximo do palco obrigando muitos que insistiam em ficar sentados a estar de pé. A audiência tornou-se compacta e difícil de atravessar, entoando temas bem conhecidos como “É isso aí” e “Carolina”. O músico que não falou à imprensa no final do espectáculo, já havia revelado a sua “costela cabo-verdiana”, e acompanhado de artistas baianos trouxe novos sons com bastante proximidade à música das ilhas. O músico brasileiro não hesitou em dizer à imprensa cabo-verdiana antes do show que provada a ascendência “vem para cá correndo”. O “bom feeling” da luso-cabo-verdiana Sara Tavares marcou o início da última noite de jazz kriolo na Praça Luís de Camões. Sara renovada e apresentando pela primeira vez “Fitxadu”, o novo disco, ao público da “Praiadise” também “chamou uns pingos de chuva” ao trazer Princezito ao palco. Com ele também estiveram N´Du, Remna Schwarz e Hilário Silva. “Tenho na Cidade da Praia muitos amigos e tiro muita inspiração daqui e venho cá usufruir dessa inspiração”, disse Sara Tavares para acrescentar que “o crioulo no disco Fitxadu é muito badio e vem

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precisamente da interação com o Raiz di Polon” e outros agentes culturais da capital cabo-verdiana. A artista luso-cabo-verdiana realçou também o lindíssimo e “generoso” momento em palco com Princezito, em que a chuva se fez muito miúda, mas alegrou em tempo de seca.


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CULTURA A Pracinha da Escola Grande também se encheu para receber Ayo, cantora, guitarrista e compositora alemã de ascendência nigeriana e romena, que vive actualmente em Nova York. Com muito mais fãs no país do que provavelmente esperava, os fãs de Ayo entoaram refrões de canções como “Down on my knees” “Life is real” ou “Slow, slow, run run”. Para a artista meio nigeriana, meio cigana, que interpretou um pequeno estrato de “Petit pays” consagrado por Cesária Évora, a nossa Diva dos Pés Descalços é a “Nina Simone cabo-verdiana”. Um sonho realizado pela artista alemã, a quem o “carinho e o calor do público fez entender melhor a cantora que tanto admirava”: “Fiquei muito supressa por ver que eles conheciam as minhas músicas e cantavam-nas, porque quando vim para cá pensei que eles ouviam apenasmúsica portuguesa”, , disse Ayo declarando-se satisfeita. A verdadeira essência da fusão jazz do Atlântico encheu o palco com a Kriol Band, integrada por Boy G Mendes e Hernany Silva, de Cabo Verde, Jowee Omicil Multi-instrumentista do sopro do Haiti, o bem conhecido Jacob Devarieux dos “Kassav”, Mário Canonge, pianista

da Martinica que já tinha estado antes no palco do Kriol Jazz Festival, Thierry Fanafant, de Guadalupe, Taffa Sisse, do Senegal e Issy Garcia, de Cuba.

teu que outras soluções serão procuradas, mas sempre pensando “no que for melhor para o festival, para o público e para os artistas”.

Uma kriol band que trouxe música com alma e sentimento mas também ritmos dançantes bem conhecido pelas mãos do guadalupenho Jacob Devariux. Boy G Mendes e Jowee Omicil deixaram aos cabo-verdianos a vontade e esperança de que uma banda desse calibre e com os mesmos instrumentistas volte a reunir-se em outros palcos, mesmo com poucas horas de preparação, como aconteceu na décima edição do Kriol Jazz Festival.

Entre as personalidades que prestigiaram o evento esteve o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que reconheceu o mérito do evento em fazer crescer os músicos, a música e cultura cabo-verdiana. Para o Chefe de Estado daqui em diante o evento só pode melhorar, continuando a “apostar em artistas e música diferenciada”.

De Lagos, na Nigéria, para a Cidade da Praia, os Bantu, banda composta por múltiplas vozes e muitos multi-instrumentistas trouxe o frenetismo daquela cidade nigeriana. Os Bantu fizeram dançar os crioulos com seus sons que vão do afro-beat, afrofunk, hip hop, highlife e youruba marcando um final bem ritmado da décima edição do festival de jazz Crioulo. A Pracinha da Escola Grande está a ficar demasiado pequena para o Kriol Jazz Festival, admitiu a organização, através da Administradora, Jaqueline Silva, da Harmonia, que prome-

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A aclamação do público à celebração dos dez anos de Kriol Jazz Festival foi evidente. Patrick Borges, da Kriol Ideias e agente de artistas, enfatizou a importância do evento não por um ou outro artista, mas pelo seu todo, em que se apresentaram “projectos incríveis que merecem continuar como é caso do Kriol Band”. Música de “Alma” é o que dizem muitos da décima edição do Kriol Jazz Festival.

Vamos contendo a ansiedade e até Jazz 2019…


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PRAIA FAZ PARTE DA REDE DE CIDADES CRIATIVAS DA UNESCO

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Cidade da Praia é uma das mais nova Cidade Criativa da UNESCO. O anúncio foi feito no passado mês de Outubro pela Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO), que avançou, que as 64 cidades criativas da UNESCO juntam-se a uma rede que tem como principal objetivo promover a inovação e a criatividade como motores essenciais para um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo. A Cidade da Praia foi eleita no tema música, passando a ser a segunda Cidade africana e a decima nona a nível mundial a pertencer a rede no domínio da música.

plataformas internacionais de que faz parte, nomeadamente a CPLP (Comunidade dos Países da Língua Portuguesa) e a UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa). A música e a criatividade têm marcado a história de Cabo Verde e, em particular, da Cidade da Praia, através de diversos géneros musicais próprios, dos quais se destacam a morna, o funaná, a coladeira, o batuque e o finason.

Designated UNESCO Creative City in 2017

United Nations

Scientific and Atualmente, a Rede de Ciências Educational, Cultural Organization Criativas é formada por 180 membros de 72 países que abrangem sete campos criativos: artesanato e arte popular, design, cinema, gastronomia, literatura, música e artes de mídia.

Assim, a cidade da Praia apresentou a sua candidatura à Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no passado mês de junho.

A Rede de Cidades Criativas foi instituída em 2004 visando promover o desenvolvimento social, económico e cultural de cidades de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento. No dia em que se assinala o dia mundial das Cidades, 31 de outubro, a eleição da Cidade da Praia para a Rede das Cidades Criativas da UNESCO, é mais um reconhecimento do desenvolvimento e da dinâmica cultural e social da capital.

Com este título, a capital do país pode contribuir significativamente para a promoção dos objetivos da Rede de Cidades Criativas em África e, assim, levar a que mais cidades se candidatem a ela, através das

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DESPORTO

CORRIDA LIBERDADE ABERTA AO

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O MUNDO

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uma manhã em que o sol e a nuvem brigavam por um destaque, o Centro Histórico da Cidade vestiu-se de azul e branco e ténis nos pés para festejar o Dia da Liberdade e da Democracia. Dez mil pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos invadiram a Praça Alexandre Albuquerque para participar no 10º aniversário da Corrida da Liberdade que homenageou os 160 anos da elevação da Praia à categoria de Cidade. A Corrida da Liberdade é o maior evento desportivo do país. Por isso, a Câmara Municipal da Praia está empenhada em transformá-la num evento Internacional e conquistar atletas e público dos quatro cantos do mundo. Razão pela qual a Autarquia fez um enorme investimento na organização e deu uma nova estrutura à Corrida com a introdução de novas categorias. Uma das novidades desta edição, além da meia-maratona e corrida jovem, foi a introdução da corrida escolar de quatro quilómetros, direcionada aos estudantes do Ensino Secundário que foi disputada por equipas e pela classificação individual, e a “Corrida I” que teve como público idosos e crianças. A competição contou com a participação de atletas profissionais vindos de todo país e também do Senegal, França, Portugal e Estados Unidos, além de escolas, empresas, associações comunitárias, ins-

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tituições e ONGs que estavam distinguidas pelas suas bandeiras. Por falar em vindas, grandes figuras do desporto internacional como os ilustres Magriços José Augusto da célebre Selecção Portuguesa que conquistou a medalha de bronze no mundial de 1966, António Simões, Hilário da Conceição e António Veloso, o antigo capitão do Sport Lisboa e Benfica vieram à Cidade correr e prestigiar a décima edição da Corrida da Liberdade. Antes de pôr o pé na estrada, os amantes do atletismo puderam informar-se sobre os benefícios da prática da actividade física, além de consultas gratuitas de rastreio da hipertensão, glicémia IMC e os seus respectivos cuidados na feira de saúde promovida pela CMP em parceria com o programa “MexiMexê” do Ministério do Desporto. Depois de ter chegado à meta no Largo do Estádio da Várzea, como é habitualmente, os praienses receberam os seus kits da corrida. Entretanto, ainda tinham energia para participar na Mega-Aula de Ginástica, que aconteceu após a corrida com a demonstração de uma aula de actividade física tradicional chinesa. E assim foi o feriado de 13 de Janeiro, um dia que era para ser de descanso. Entretanto, os adeptos do atletismo preferiram festejar a liberdade e democracia com muito folego e emoção na Corrida da Liberdade.


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PROMOVE ND O EDUC AÇ ÃO DE SPORTIVA

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desporto tem um papel activo no desenvolvimento das comunidades, contribuindo para a melhoria de qualidade de vida dos cidadãos. Nesta perspectiva, constitui prioridade absoluta na política desportiva da Câmara Municipal da Praia, promover o acesso à prática de actividade física e desportiva à todas as pessoas, de todos os grupos etários e sociais em todas as zonas do município, criando condições para responder as aspirações dos munícipes.

“Com essa entrega quisemos minimizar as dificuldades de materiais para a prática desportiva. Como sabemos hoje em dia temos escolas de quase todas as modalidades na cidade, mas normalmente queixam-se das dificuldades de materiais para trabalhar com as crianças e que quisemos minimizar essas dificuldades”, disse. Todas as escolas foram beneficiadas com kits contendo os materiais mais utilizados em função de cada modalidade, nomeadamente o futebol, o andebol, o basquete, o ténis, o voleibol, surf, bodyboard e modalidades de combate como boxe, judô entre outros. “Para as modalidades do combate entregamos luvas e kimonos e para as modalidades de campo bolas e equipamentos (vestuários), cones, apitos e cronómetros. Portanto são quites diversificados em função de cada modalidade”, explicou adiantando que os materiais são renovados anualmente.

Incentivar e promover a prática do desporto na Cidade da Praia, incutindo nas crianças a importância da realização das actividades física e desportiva. Foi com este propósito que Câmara Municipal da Praia (CMP) entregou às escolas desportivas kits de materiais desportivos.

A CMP, salientou o vereador José Eduardo dos Santos quer fazer jus ao lema “O desporto criando valores” e nada melhor do que apostar nas crianças para através do desporto introduzir valores como a partilha, o convívio, o respeito pelo adversário e para o próximo e o flair play. “Hoje felizmente algumas modalidades já têm campeonatos de infantis organizados e esses apoios vão permitir que os atletas prepararem melhor e participem uniformizados nas competições”, enfatizou.

Um ritual que já vem de alguns anos e que foi cumprido uma vez mais, em prol do desenvolvimento do desporto na capital do país, conforme frisou o vereador para área do Desporto, José Eduardo dos Santos.

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SPORTING CLUBE DA PRAIA CONQUISTA A TAÇA PRAIA

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Sporting Clube da Praia, uma das agremiações mais emblemáticas de Cabo Verde, foi a grande vencedora da Taça Praia, edição 2017/18, ao bater na final disputada a 1 de Abril, os Travadores por 2-1, em partida renhida, disputada com muito brilho no relvado do Estádio da Várzea. A equipa leonina foi galardoada com um dos troféus mais disputados e muito cobiçado, pelo próprio presidente da Câmara Municipal da Praia, em pleno relvado, tendo Óscar Santos parabenizado os “leões da capital” pelo brilhante feito, já que a equipa Sporting revalidou o título que ostentava desde a temporada transacta. A Taça da Praia, afigura-se como uma das provas que envolve maior número de equipas em Cabo Verde, já que a competição conta com o concurso de 20 emblemas, dos quais 12 em representação da primeira divisão e oito do segundo escalão. Disputada em sistema de eliminatórias por sorteio, esta prova, também, promovida pela Associação Regional de Futebol de Santiago Sul, fez com que a formação do Sporting festejasse o título graças aos golos apontados aos 73 minutos por Kingsley e aos 90 por Serge. Caluquinha assinalou o tento de honra dos “Águias da Capital”, já no período de compensação das neutralizações.

O conjunto leonino contava encontrar na vitória da Taça um tónico para o Campeonato de Cabo Verde de futebol, já que tem o seu lugar assegurado, enquanto detentor do título máximo a nível dos clubes de Cabo Verde. A vitória do Sporting na Taça Praia assenta-se perfeitamente. É que a equipa apostou tudo nesta prova, tendo deixado pelo caminho equipas como Académica da Praia (campeão regional) e Ribeira Grande na ponta final, enquanto os Travadores eliminara nas meias-finais o Celtic, a equipa sensacional da última edição do regional de Santiago Sul.

Com este triunfo, no jogo que ditou o encerramento da época regional em Santiago Sul, o Sporting da Praia salva a época ao ter perdido o campeonato para a Académica e de ter classificado na quarta posição na presente temporada.

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DESPORTO

CHAVE DA CIDADE DA PRAIA NAS PRATELEIRAS DA FIFA

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os dias 16 e 17 de Fevereiro a Cidade da Praia recebeu a ilustre visita do presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, que se deslocou à Cabo Verde para conhecer as estruturas da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF).

Foi uma visita de pouco menos de 24 horas, tendo Gianni Infantino cumprido um programa preenchido pelos encontros com as autoridades nacionais e visitas às infra-estruturas desportivas. Numa curta visita à Camara Municipal da Praia

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“Nós não podíamos “A CÂMARA perder essa oportuni- MUNICIPAL TEM dade já que a Câmara FEITO UMA APOSTA Municipal tem feito MUITO FORTE A uma aposta muito forte a nível do desporto, so- NÍVEL DO DESPORTO, bretudo, a nível do fute- SOBRETUDO, A NÍVEL bol. Nós temos mais de DO FUTEBOL” 20 campos relvados em zonas periurbanas para facilitar a inclusão, sobretudo, da população jovem”.

recebeu das mãos do Presidente da Camara Municipal, Óscar Santos, as Chaves da Cidade da Praia, numa cerimonia de “de “grande simbolismo” nas palavras do edil. Gianni Infantino enalteceu o gesto da edilidade praiense, tendo mostrado “muito grato pelo facto de ter recebido a chave da cidade capital”, logo na sua primeira visita oficial a Cabo Verde.

O momento foi também aproveitado para solicitar apoios aos também solicitar mais apoios aos projectos da edilidade e de Cabo Verde, pois salientou o edil, é através do desporto o país e a cidade ganham mais visibilidade. “Quisemos mostrar ao senhor presidente da FIFA a aposta da Cidade da Praia e esperamos também que ele aumente os apoios à Cabo Verde nível das infra-estruturas desportivas e da formação porque é através da formação que conseguimos ter bons atletas”, salientou autarca.

O responsável da FIFA manifestou igualmente a sua satisfação pela forma como o autarca mostrou toda a sua abertura para desenvolver uma política consentânea para a promoção do futebol na Cidade da Praia e em Cabo Verde.

Gianni Infantino deixou a Cidade da Praia depois de se inteirar do funcionamento das estruturas da Federação cabo-verdiana de Futebol e de ter apresentado o seu plano para o desenvolvimento do futebol neste arquipélago, que diz ter boas referências enquanto “um país de futebol”.

Para o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos foi uma honra para a Cidade Praia receber a mais alta entidade do Futebol Mundial. Óscar Santos e aproveitou a oportunidade para destacar os ganhos da capital e de Cabo Verde a nível do futebol.

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PRAIA E OEIRAS UNEM-SE PARA INSTALAÇÃO DO CENTRO PARA DEFICIENTES Em 2008, a Câmara Municipal da Praia e a Câmara de Oeiras assinaram um protocolo para o reforço dos laços de cooperação entre as duas autarquias, em que ambas se comprometeram em actuar conjuntamente na troca de experiências, que contribuam para a melhoria e desenvolvimento das duas cidades.

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o âmbito desse acordo, o Presidente da CMP Óscar Santos recebeu, uma visita de cortesia do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, que se deslocou à Cidade da Praia para “aprofundar” a cooperação entre os dois municípios.

Complementando a declaração do autarca oeirense, Óscar Santos mostrou-se convicto de que a partir da elaboração do projeto, será possível disponibilizar terrenos em Achada São Filipe para que se possa construir o centro, que visa proporcionar bem-estar, lazer e melhor qualidade de vida das pessoas com deficiências.

Durante o encontro, os dois autarcas abordaram vários assuntos com destaque para a criação do “Centro para Deficientes”, um projecto da Câmara Municipal da Praia, que quer “beber” da experiência de Oeiras que dispõe de dois centros dessa natureza.

Conforme afiançou, a infraestrutura está a ser projectada para albergar um dormitório, espaços multiusos para ensino, cuidados médicos, de entre outras áreas vocacionadas para atender diversos tipos de deficiência, desde o mais profundo que passa pelo internamento aos que dele necessitam, garantindo assim os cuidados básicos das pessoas com deficiência.

À saída da reunião com o edil praiense, o autarca português afirmou que a sua autarquia poderá trazer para Cabo Verde a sua experiência em áreas de solidariedade social, prometendo ajudar a CMP na elaboração e execução do projecto para a instalação do Centro para pessoas com deficiência na cidade da Praia.

A criação do Centro para pessoas com deficiências enquadra-se nas políticas municipais da CMP que, neste quadro, reafirma o seu compromisso de governação que é o de promover a inclusão social, através do reforço da luta contra a pobreza, ajudando a população em situação de emergência, dando atenção às pessoas com deficiência, idosos, crianças e doentes crónicos, contribuindo assim por uma cidade cada vez mais justa, segura e inclusiva.

“Oeiras terá muito gosto em financiar este projecto e estamos abertos a outras perspectivas de colaboração, seja a nível da educação, da acção social, da mobilidade nos meios de transporte, ou no saneamento e abastecimento de água”, disse Isaltino Morais.

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CIDADE DA PRAIA PALCO DA VIII REUNIÃO REDE DAS CIDADES MAGALHÂNICAS

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Cidade da Praia acolhe nos dias 18 e 19 de Outubro a VIII reunião da Rede das Cidades Magalhânicas, um marco importante, porquanto acontece nas vésperas das comemorações do V centenário do inicio da rota a mundo. A decisão saiu da última reunião realizada de 13 a 18 de Março, em Puerto de Santa Cruz, Argentina, e que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, que é também vice-presidente desta rede para a África. Óscar Santos destaca o facto de a capital cabo-verdiana acolher o primeiro encontro a ser realizado em África. “O encontro já foi realizado na Ásia, na Europa, na América do Sul e agora é vez da África. Portanto é um bom momento para nós na medida em que dá mais visibilidade à Cidade da Praia e, sobretudo, para a promoção do turismo”, disse o edil praiense. A Rede tem como objectivo principal comemorar o V centenário histórico da Primeira Volta ao Mundo concretizada pelo navegador português, Fernão de Magalhães, que se notabilizou por ter organizado a primeira viagem de circunavegação ao globo de 1519 até 1522, de forma a dar visibilidade a este marco histórico em todo mundo, no período compreendido entre 2019 e 2022. Óscar Santos adiantou que já há uma proposta no sentido da Rede das Cidades Magalhânicas fazer parte do património mundial da humanidade, estando também em negociação com a Organização Mundial do Turismo (OIM) a criação de uma rota de turismo mundial de rede magalhânicas. “A entrada da Cidade da Praia nessa rota representa algum desafio nomeadamente a mobilização das universidades, por um lado, e também

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do Governo para que essa comemoração sirva Praia (Cabo Verde) Lisboa e Sabrosa (Portugal), como um ponto de viragem para a promoção do Sevilha, Granadilla de Abona (Espanha), Ushuaia turismo na Cidade da Praia” disse salientando (Perú), Puerto de San Julian e Puerto de Santa que essa é uma grande oportuniCruz(Argentina), Punta Arenas e “A ENTRADA DA dade de dar visibilidade à capital CIDADE DA PRAIA Porvenir(Chile) e Cebu (Filipinas) cabo-verdiana. são cidades que constituem esta NA ROTA DE Rede. A Rede das Cidades Magalhânicas TURISMO MUNDIAL foi fundada em 2014 e a Cidade da A proposta sobre a mesa, neste É UMA GRANDE Praia foi aceite como membro e momento, é de abrir a rede para OPORTUNIDADE DE adesão de novas cidades e alarescolhida vice-presidente para a DAR VISIBILIDADE gar o seu âmbito enquanto uma África durante o VI Encontro desÀ CAPITAL CABO- entidade associativa sem fins lusa organização que aconteceu em Janeiro de 2017, em Lisboa. crativos que agrega cidades que VERDIANA” partilham a história da primeira Para o próximo ano está prevista uma grande viagem de circunavegação manifestação cultural em Sevilha. A Cidade da Praia vai estar nesse encontro com um grupo Para além da Rede das Cidades Magalhânicas a cultural para também demonstrar a sua adesão a Cidade da Praia faz parte da Rede das Cidades nível cultural e vincar também o facto da Praia é Criativas da UNESCO. a segunda cidade mais kull da África.

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“ TENHO MUITO ORGULHO DE SER PRAIENSE”

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como é consabido, da realidade socioeconómica dos bairros desta cidade, estabeleceu relações de proximidade com os cabo-verdianos e, especialmente, com os praienses, por onde quer que tenha passado, tendo apoiado o município da Praia a trilhar os caminhos do progresso e do desenvolvimento.

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história das relações de amizade fraterna e de cooperação entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América, em especial através das suas cidades de Boston, Brockton e New Bedford remonta a era da pesca da baleia no atlântico, em meados do século XVIII. Das memoráveis pescas da baleia, Cabo Verde guarda ainda importantes registos históricos, porque estes lançaram os alicerces para o estabelecimento de relações destas ilhas com os Estados Unidos da América, relações essas que, a cada dia, atingem patamares elevados, nos quais a sua contribuição, digna de nota, está indiscutivelmente por demais presente. Em nome desta amizade fraterna entre Cabo Verde e os EUA, através das suas cidades, a Câmara Municipal da Praia prestou uma justa e merecida homenagem ao embaixador, Donald Heflin, com a entrega simbólica da chave da cidade, pela sua abnegação e total empenho na procura de soluções em prol do bem-estar e da felicidade dos cabo-verdianos, particularmente, dos praienses. Este gesto também simboliza, igualmente, o reconhecimento do seu laço revelador de pertença a este município. Conhecedor,

Tenho muito orgulho de ser um praiense – embaixador dos EUA “Esta é a minha Cidade e eu tenho muito orgulho de ser orgulho de ser um praiense”. Palavras do embaixador do Estados Unidas de América (EUA), Donald Helfin, no dia em que recebeu das mãos do Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos a Chave da Cidade, a mais alta distinção atribuída pelo município. Este gesto que aconteceu no momento a Praia completa 160 anos da sua elevação de vila à categoria de cidade, é igualmente o reconhecimento do seu laço revelador de pertença ao município da Praia.

“Estou profundamente honrado com essa homenagem. Nos meus 30 anos de carreira como diplomata em nenhuma outra cidade me senti mais em casa do que na

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Praia. Está é aminha cidade e eu tenho orgulho de ser um praiense”, disse destacando a morabeza dos cabo-verdianos em acolher os visitantes. Donald Helfin recordou que há cerca de 200 anos o EUA abriu na Cidade da Praia o seu primeiro consolado da Africa subsariana, para mostrar a importante esta urbe tem não só para ele como também pelo EUA. “Podemos imaginar na altura uma pequena cidade com ataques de piratas, escassez de comida e água e moradores que vivam em condições muito difíceis. Hoje estamos numa grande cidade que esta modernizando rapidamente e servindo-se de exemplo para o resto da região”, frisou Donald Helfin salientou que potencial da Cidade da Praia, que pode ser um grande centro internacional de convenções e destacou os investimentos norte-americanos e elogiou o trabalho que a actual equipa camarária, liderada por Oscar Santos tem realizado e que na sua perspectiva acabam por aumentar ainda mais esse potencial. “Eu sou de uma pequena cidade dos EUA, do tamanho da cidade da Praia, e sinto o mesmo calor que sinto na minha cidade. Receber a chave de uma cidade democrática, progressiva, próspera e como respeito para os direitos humanos é uma grande honra”, finalizou. A cerimónia realizada no dia 11 de Maio, aconteceu na presenta do Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, corpo diplomático, acreditado na Cidade da Praia, do cardeal Dom Arlindo Furtado, funcionários da embaixada e da Câmara Municipal da Praia e outros convidados.


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JOVENS EMPREENDEDORES “DESAFIAM” O MUNDO AUDIOVISUAL Criada há um ano, a empresa de audiovisual “Parallax Produções” quer fornecer aos seus clientes, parceiros e seguidores as melhores imagens possíveis, tanto na fotografia como nos seus conteúdos, desenvolvendo conceitos visuais marcantes que definam um standard de qualidade cinematográfico facilmente identificável.

No mundo da fotografia, a Parallaxe é o ângulo é formado pelos eixos ópticos da objetiva e visor da câmera, que, quando focados no mesmo objeto, causam um deslocamento em curtas distâncias. Sob sugestão da Samira Vera -Cruz, inspiramo-nos nessas definições para dar vida à “Parallax Produções”. Formamos equipa, unimos as valências e experiências profissionais de cada um, e criamos a nossa empresa, que é formada por três pessoas, sendo eu, responsável pela produção de áudio, pela Samira Vera -Cruz, que é formada em Estudos Cinematográficos pela Universidade Americana de Paris (AUP), com especialização em Comunicação Internacional/Global, trabalha na área visual.

Com um conceito jovem e dinâmico, a produtora quer explorar temas que sejam sensíveis e pertinentes a nível nacional, mas também internacional. Querendo ser uma empresa de referência em Cabo Verde nas áreas de publicidade, produção musical, cinema, formações e produção de eventos, a “Parallax Produções”, quer inovar o mercado nacional e levar o nome de Cabo Verde além-fronteiras mostrando o nosso quotidiano, a nossa história, cultura, gastronomia e morabeza.

A Luhena Correia de Sá, formou-se em Arte Culinária e Gestão Hoteleira pela TVU (Thames Valley University), em Londres, e é responsável pela promoção da empresa. Que projectos desenvolveram até agora e quais têm sido os desafios?

Quem nos conta um pouco dos passos, da motivação, empreendedorismo, marketing e, acima de tudo, a “coragem” da empresa é Sori Araújo, membro fundador da “Parallax Produções”, que é formado em Marketing pela Polytechnic of Namíbia.

Sob autoria da Samira Vera -Cruz já realizamos uma curta-ficção “Buska Santu”, que é uma fusão entre o neo-realismo, o cinema experimental e a realidade cabo-verdiana. Realizamos a “Hora di Bai”, que é um documentário que retrata os rituais na “hora de despedida” em Cabo Verde, Como surgiu o nome e a empresa “Parallax principalmente na ilha de Santiago. Neste moProduções “? mento, estamos a produzir uma longa-metragem intitulada “Sukuru”, que é um thriller psicológico A Parallaxe consiste num aparente deslocamencentrado num jovem toxicodependente esquizoto de um objeto observado, que é causado por frénico. uma mudança no posicionamento do observador. Na astronomia, paralaxe é o deslocamen- O nosso maior desafio tem sido conseguir mobito aparente da direcção observada de um astro lizar apoios financeiros para materializar os noscomo consequência do movimento do ponto de sos projectos. observação.

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EMPREENDEDORISMO

Como é produzir filmes em Cabo Verde?

de desenvolver os nossos projectos.

Fazer filmes em Cabo Verde representa ainda um “enorme desafio” para as empresas porque é um mercado pouco explorado. Não é fácil, pois não temos a cultura do mecenato que é prática de estímulo à produção cultural e artística, que consiste no financiamento de artistas e de suas obras. Mas, por outro lado, é uma experiência enriquecedora porque o cabo-verdiano em si é um povo com “dons artísticos”, o que, por sua vez, facilita na realização dos trabalhos.

Outro diferencial, é que nós somos provavelmente a única empresa audiovisual em Cabo Verde, que tem um departamento de áudio, ou seja, somos a única que trabalha na composição, produção, pós-produção e masterização de áudio. A Produtora apresenta esta componente a nível interno facultando aos clientes, a opção de ter a sua vertente áudio de qualidade praticado internacionalmente. Como é trabalhar com a concorrência?

Qual é o diferencial da vossa empresa?

Não vejo outras empresas de áudio-visual do país como “possíveis concorrentes”, porque cada empresa tem a sua linha de trabalho e com isso, vamos partilhando as nossas experiências profissionais, e quem sairá a ganhar com tudo isso, é Cabo Verde.

O primeiro diferencial em relação às outras empresas de áudio-visual em Cabo Verde, é que nós, membros da empresa, temos uma experiência internacional, uma visão global das coisas. Ou seja, já vivemos um tempo fora, em países como França, Inglaterra, Alemanha, Namíbia, Portugal o que, nos dá uma alguma experiência na forma

Quem são os parceiros da Parallax Produções? O nosso grande parceiro é a Câmara Municipal da Praia, uma entidade com quem queremos desenvolver grandes projectos no futuro, visando proporcionar aos jovens da Cidade da Praia, mais e melhores oportunidades, no que toca à produção e masterização de áudio. Queremos dentro desta esfera explorar o mercado e levá-lo para além do óbvio. Qual é a visão que tem da vossa empresa daqui alguns anos? Espero que a “Parallax Produções” continue a evoluir e que daqui a 5 anos seja uma empresa de referência em termos de produção de áudio não só em Cabo Verde, mas em todo o continente africano. Estamos cientes do caminho a percorrer, dos desafios e obstáculos, mas também estamos certos da nossa ambição, e dos nossos sonhos. Queremos mostrar o Cabo Verde que não se vê, mas que se sente!

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O NEGÓCIO DA FRESQUINHA

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á dez anos atras, Isilda Fortes, mais conhecida por Zizi, começou um pequeno negócio em casa com vendas de fresquinha para os vizinhos com sabores a bissap, chocolate, tamarindo, calabaceira, caramelo, e entre outros. Zizi é mãe de dois filhos e vende fresquinha, apesar de ter outro trabalho. Com o passar dos meses, o negócio foi crescendo e os amigos aconselharam-na a expandir o negócio para o Gimno Desportivo e para as praias onde há maior fluxo de pessoas. Ouvindo o conselho dos amigos, Zizi iniciou a venda de fresquinhas nos referidos locais. A venda foi crescendo até se tornar uma “marca” registrada no Gimno e nas praias da capital. Zizi confidenciou-nos que há pessoas que vão à Kebra Kanela só para comprar a fresquinha. Daí viu a necessidade de aumentar a produção para poder dar vazão a todos os pedidos.

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O produto é vendido durante o ano, mas tem mais saída no Verão e durante os campeonatos realizados no Gimno Desportivo Vavá Duarte. Zizi não tem dúvidas: a venda de fresquinha é um negócio como qualquer outro. “Queria dizer aos jovens para não terem medo de se desafiarem e começarem um negócio pequeno. Ninguém nasce grande. O negócio cresce também,” palavras motivadoras da nossa Zizi.

“VENDA DE FRESQUINHA É UM NEGÓCIO COMO QUALQUER OUTRO”

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“SOCORRINHO”, HERDA TALENTO DO PAI E ABRAÇA SAPATARIA

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s mulheres têm conquistado lugares de destaque em todo o mundo de forma ampla e reconhecida, seja na política economia ou em áreas que antigamente eram dominadas pelos homens. O empreendedorismo feminino já dominou o seu espaço de independência e afirmação e cada vez mais tem aumentado o número de mulheres independentes. É assim que Leila Gonçalves mais conhecida por Nila que começou a dar os primeiros passos na sapataria do seu pai, se assume como “uma jovem empreendedora e independente” que desempenha uma profissão dominada maioritariamente por homens – “Sapateira”. Hoje, todos chamam-na “Socorrinho”, nome do pai já falecido e da oficina conhecida por muitas pessoas na cidade da Praia. Concluiu o 12º ano de escolaridade tendo depois ingressado no curso de Direito que abandonou no 2° ano por falta de condições financeiras devido à morte do pai, que era o sustento da família. Socorrinho viu na sapataria uma profissão que

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mudou a sua vida e um presente deixado pelo pai, que na sua opinião deixou um legado com anos de serviço como sapateiro. Aliás, para ela, tudo o que faz hoje devo-o ao seu pai, embora lamente não ter tido oportunidade de aprender mais com ele. Com sorriso nos lábios, diz que há “males que vêm por bem” porque com o abandono escolar acabou por descobrir uma paixão na confecção de calçados. “O meu pai trabalhou a vida inteira como sapateiro, mas nunca tive curiosidade para aprender com ele”, conta. “Quando penso que poderia ter aproveitado o tempo quando o meu pai era vivo para dedicar-me a esta profissão, sinto uma grande mágoa, pois sei que perdi uma grande oportunidade, porque tirando o facto de ele ter sido meu pai, ele era tido como um dos melhores sapateiros da Cidade da Praia”, enfatiza. Quem não conhece Socorrinho, a jovem que descobriu a paixão pelos sapatos, acredita, ao ver os seus trabalhos, que ela tem larga experiência no


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ramo, mas por incrível que pareça, só começou a confecionar, concertar calçados em finais de 2017. Conta que antes disso já frequentava a oficina que estava sobre a gestão do primo, cabendo-lhe cuidar da parte financeira do negócio.

a aprender sozinha, recriando e acredito que o meu pai está sempre a inspirar-me”, realça, salientado que gostaria de futuramente confeccionar sapatos adaptados às pessoas com deficiência física, assim como o seu pai fazia.

“Certo dia o meu primo saiu da oficina e fiquei sozinha e aconteceu que nessa altura tínhamos muita encomenda que deviam ser entregues no prazo de uma semana. Então um pouco aflita e com medo de perder os clientes e de não poder ajudar a minha família, enchi-me de coragem, sentei-me à mesa e comecei a fazer as sandálias”, disse, acrescentando que devido à pouca prática levou muito tempo a confecionar a sua primeira sandália mas que depois de muitas tentativas e esforço conseguiu concluir o trabalho e entregar dentro de prazo. Questionada como conseguiu confecionar as sandálias sem nem mesmo saber como é que a máquina funcionava, respondeu meio a brincar que foi obra do Espírito Santo. “Acredito que foi uma mensagem divina, que despertou o meu interesse em dar continuidade ao projecto do meu pai. “Quando assumi os destinos da “Sapataria Socorrinho”, decidi que a oficina continuaria a reflectir a forma de trabalhar do meu pai que passa pela qualidade, compromisso e respeito pelo prazo de entrega dos trabalhos aos clientes”, observa.

A oficina fica atrás da Shell de Terra Branca, funciona de segunda a sábado, das 10 às 18 horas e tem variedades de sandálias para homens, mulheres e crianças. Para além da confeção de calçados faz ainda conserto de sandálias, confecciona bolsas, cintos, bijuterias e participa em exposições e os preços dos sapatos variam entre mil e três mil e quinhentos escudos. “Acho que o maior constrangimento na minha área tem sido a falta de material para inovar e criar, e o maior desafio pessoal que já venci foi ter decidido que queria aprender e não deixar o legado do meu pai morrer. Sinto-me uma mulher realizada, porque estou a fazer o que eu amo, sei que com esse trabalho posso ajudar a minha família e o mais importante para mim é saber que a paixão do meu pai continua viva dentro de mim e sei que ele está feliz e em paz aonde estiver”, conta.

A quantidade de sapatos que confecciona depende das encomendas são feitas, porque “tenho encomenda para clientes que vão revender, tenho encomendas de pessoas que vivem no estrangeiro e posso afirmar que o que ganho com as encomendas dá para sustentar a minha família. Estou

Além da força de vontade e paixão pela profissão, Socorrinho considera ser uma pessoa “sortuda”, porque recebe apoio incondicional da sua mãe, dos meus amigos e até mesmo de pessoas desconhecidas que continuam a motivá-la para continuar o projecto. “Quando veem os meus trabalhos e vibram com os resultados, é uma grande motivação para mim porque quando fazemos algo que amamos e te-

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mos pessoas que acreditam em nós e nos incentivam a nunca desistir dos nossos sonhos… é simplesmente mágico”, confessa. Para Socorrinho, o segredo para concretizar os objectivos é ter sonhos e alimentá-los. “Não importa o que este sonho pode representar para os outros, mas sim o que significa para a própria pessoa”.

“ TEMOS DE PERSEGUIR OS NOSSOS SONHOS.“

“Temos de perseguir os nossos sonhos. Eu confesso que para mim foi menos difícil porque achei um projecto com anos de existência e o que tinha de fazer era arregaçar as mangas e trabalhar. Sei que quem quiser realizar um sonho e não tem meios para fazê-lo, é difícil, mas não impossível, porque não devemos esperar que as coisas caiam do céu. Devemos correr atrás, porque se não o fizermos, ninguém fá-lo-á por nós”. Por isso, desafia a todos os jovens que sejam sonhadores, mas “sonhadores ousados”, porque quando uma pessoa tem força de vontade e acredita que é capaz de vencer e realizar os seus sonhos, não obstante os obstáculos, tudo se torna possível e só o céu é o limite. “Futuramente, quero alargar este projecto e ter filiais da “Sapataria Socorrinho” nas outras ilhas, mas sempre seguindo a linha do meu pai, a minha eterna fonte de inspiração”, concluiu.

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“OPORTUNIDADE DE REALIZAR OS SONHOS SÃO TODOS OS DIAS” Neusa Silva, CEO e fundadora da Guia de Serviços A Guia de Serviços, Sociedade Unipessoal Lda. é uma empresa cabo-verdiana localizada na ilha de Santiago, Cidade da Praia. Está no mercado desde 2007, oferecendo um vasto leque de serviços que vão ao encontro das necessidades das empresas e particulares. Des-

de a sua criação, conquistou gradualmente o seu espaço no mercado contando hoje com centenas de clientes e um conjunto de aproximadamente 155 colaboradores. Por detrás desta empresa está uma grande mulher, líder e empresária, Neusa Silva. Uma jo-

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vem que se aventurou no mundo do empreendedorismo e hoje é dona de uma das maiores empresas de eventos do país. O rápido crescimento e desenvolvimento da empresa no mercado deve-se a uma forte aposta na inovação, dedicação e trabalho da empresária que esteve


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em conversa connosco no mês da mulher. Saiba mais sobre Neusa Silva e sua empresa nesta entrevista.

Como é que surgiu a Guia de Serviços? Durante os meus estudos no Brasil, aproveitei a minha estadia naquele país não só para estudar, mas também para fazer algum negócio. Vendia produtos cosméticos, lingerie e sandálias. Neste sentido, fiquei a pensar como é que seria quando eu voltasse para minha terra. Daí pensei em criar uma empresa que ajudasse os jovens e colocasse em prática aquilo que estudei, que é administração de empresas. Qual é o diferencial da Guia de Serviços? Somos uma empresa constituída por jovens, por isso o nosso diferencial é a juventude, a rapidez que damos aos nossos serviços, dinamismo e simpatia. Que desafios enfrentas no teu dia-a-dia como empresária?

Os desafios são vários, desde a mão-de-obra capacitada que temos muita dificuldade em encontrar no nosso ambiente trabalho à lei laboral que também não ajuda muito, mesmo estando agora a ser trabalhada. Pedido de empréstimo e angariação de fundos são ainda motivo de alguma dor de cabeça para nós empresários.

PRÉMIO MULHER EMPRESÁRIA –2014-

Como é que é ser mulher e empresária em Cabo Verde?

Já sofreu alguma discriminação por ser mulher empresária?

É muito difícil porque ao longo dos tempos a mulher foi vista mais como dona de casa e mãe. De repente, deu-se um salto na nossa sociedade que permitiu alguma alteração nesta abordagem. Somos um país muito jovem e a área feminina também é nova neste ramo de atividade. Por isso, temos que batalhar mais que os homens que já estão bem “afincados” no mercado. É uma luta dura porque sabemos que nós não nos ocupamos só da parte da empresa e do trabalho, mas também da casa e dos filhos, o que acaba por ser mais difícil laborar em todas estas frentes. O que mais lhe marcou durante o seu percurso como empresária? Durante estes anos, o que me marcou mesmo foi quando venci o Prémio Mulher Empresária do ano, em 2014, oferecida pela Câmara do Comércio. Concorri, mas não estava a esperar, porque obviamente havia várias colegas bastante capacitadas. Portanto, este foi o momento mais emocionante para mim e de grande reconhecimento que

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ajudou-me a dar uma reviravolta no meu serviço e na empresa.

Não por ser empresária, mas por ser mulher, pequena e jovem. As pessoas ainda não amadureceram para ver que a área do empreendedorismo é para todos, seja homem ou mulher. É só se dedicar e tentar correr atrás dos objetivos que podem ser alcançados por todos nós.

Na sua opinião, como são vistas as empresárias em Cabo Verde? Por sermos novas, eu acho que são vistas com uma certa admiração. E isso é muito bom porque temos muito caminho pela frente. São perspetivas boas. As pessoas elogiam, admiram e muitas vezes dão-nos força para seguirmos adiante.


EMPREENDEDORISMO

E a concorrência? Eu acho que a concorrência está na nossa mente. Nós seremos os principais concorrentes dos nossos serviços se não cuidarmos e trabalharmos bem. Como laboramos em cinco frentes diferentes na Guia de Serviços, então temos de acompanhar sempre a evolução, temos de inovar e adaptarmo-nos às circunstâncias do momento, estando sempre à frente com informações sobre avanços e qualidade dos nossos serviços. Portanto, acho que estamos a reagir muito bem em relação ao mercado. Que projetos a Guia de Serviços tem para o futuro?

O nosso projeto mais próximo é afincar em outras ilhas. Na verdade, já estamos a trabalhar noutras ilhas nomeadamente Sal, Boa Vista, Fogo, São Vicente e Santo Antão. Mas queremos abrir uma filial da Guia de Serviços em São Vicente e seguidamente na Ilha do Sal. Posteriormente pretendemos dar um salto mais alto que é internacionalizar os nossos serviços que pode começar pela costa africana. Que mensagem quer deixar às suas colegas empresárias e às mulheres em geral? É tentar ir à frente com uma ideia. Quando tivermos uma ideia, tentemos pô-la em práti-

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ca o mais breve possível. Se eu não tivesse a coragem ou ousadia de colocar o meu projecto e as minhas ideias em prática a Guia de Serviço nunca sairia do papel. Conheço pessoas com ideias mirabolantes que às vezes nem precisam de muito dinheiro para avançar, mas ficam com medo e a aguardar uma boa oportunidade que nunca surge: uma boa oportunidade para realizar os nossos sonhos são todos os dias. Temos que ir à frente, correr, perguntar, procurar informações e arriscar. Há oportunidade para todas.


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EU E O CÓDIGO DE POSTURAS MUNICIPAIS

N

o dia 29 de Outubro de 2014, foi aprovado pela Assembleia Municipal da Praia, um novo Código de Posturas Municipais (CPM), o qual veio revogar o anterior, aprovado pela Portaria nº 4682 de 24 de Dezembro de 1954. Tal como todos os instrumentos semelhantes, o CPM visa criar um corpo de normas de alcance local, com vista à definição de regras de boa convivência e organização urbana. Ok, muito bonito, e daí? A resposta a essa pequena questão, só tu, munícipe, saberás dar! E daí? O CPM tem a ver comigo ou trata-se de um mero instrumento aprovado pelos deputados da Assembleia Municipal da Praia, os quais não fizerem nada mais do que a obrigação deles? Se assim pensas, deixa-me dizer-te que fazes parte da enorme lista daqueles que se estão nas tintas para a vida desta Cidade e para os instrumentos que pretendam melhorar a qualidade de vida urbana. Mas podes tomar uma atitude diferente, passando a ver-te como parte dos problemas desta Urbe e querendo ser, igualmente, parte da solução. Então, tal como John Kennedy disse uma vez podes perguntar-te «o que posso fazer pela minha Cidade?». Gostaria de deixar aqui algumas ideias escritas por duas adolescentes norte-americanas, Elisha e Elissa, co-autoras do livro

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CIDADANIA

“I Love me”, que são tão simples quanto eficazes. Ei-las:

com a tua comunidade; deixa-te envolver com os assuntos da tua comunidade e não os vejas como se fossem questões que não te interessam; procura saber onde te encaixas e o que podes fazer bem de modo a transformar teu bairro ou tua rua num lugar limpo, saudável, bem gerido e aprazível.

1. Apresenta-te como voluntário em campanhas de limpezas na tua zona de residência, na plantação de árvores e em outras atividades que melhorem o ambiente; 2. Sê um bom exemplo para todos, nomeadamente no cumprimento do CPM, acrescentaria eu;

Basta que compreendas que trabalhar em conjunto com as autoridades locais é muito mais poderoso do que o esforço individual e que ao fazeres de ti uma melhor pessoa fazes do mundo, um lugar melhor. Simples, não é?

3. Respeita a propriedade pública e privada, incluindo o mobiliário urbano, acrescentaria eu; 4. Poupa água e luz;

João Gomes

5. Segue a regra dos três “R”: reusa coisas velhas, reduz o que deitas fora e recicla o teu lixo;

Jurista

6. Respeita todas as diferentes raças e religiões; 7. Obedece às autoridades locais, nomeadamente à Polícia Municipal e ao executivo camarário; 8. Procura ser sempre cortês, atencioso e correto na tua vizinhança, ambicionando ser um elemento de concórdia! Simples demais, não é? Pareço estar-me dirigindo a uma classe de estudantes do ensino básico? Na verdade, a solução para sermos parte da solução, é absolutamente simples na sua singeleza e pureza. Como diria aquele anúncio «tudo ki bu podi fazi sta na bu mom»! Ser cidadão acarreta responsabilidades e estas são bastas vezes, bem menos complicadas do que, à partida, se poderia pensar. Como muito bem expressa o CPM no seu preâmbulo «É um Código a favor do direito à Cidade que os munícipes almejam, mas que os responsabiliza quanto ao esforço que, enquanto indivíduos, famílias e membros da colectividade urbana, devem fazer para que esse direito à cidade qualificada seja construído, desenvolvido e preservado no tempo»! Simples, não é? Então, vê o novo CPM como uma ferramenta que te ajuda a cultivar uma relação de familiaridade

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A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA – PRAIA

Introdução

ça, Praia1 . Portanto, aqui vamos ter mais crónica do que história. Espera-se que das datas, factos, pessoas e lugares venhamos a ter “literatura”, um texto literário que nos permita “Olhar o Passado com Gratidão, Viver o Presente com Paixão e

Não podendo declinar o pedido da professora Filomena Delgado e não dispondo de tempo físico, gratificante, para um trabalho mais consistente, preferimos o que nos estava mais ao alcance: rever o texto da comunicação oral apresentada em 2015 por ocasião da comemoração dos 460 anos da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Gra-

1 Paróquia de Nossa Senhora da Graça ontem, hoje e amanhã no contexto interparoquial da Cidade da Praia: A Paróquia de Nossa Senhora da Graça na construção da Comunidade Católica da Cidade da Praia: Sombras, Luzes e Desafios, 30 de junho de 2015.

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Abraçar o Futuro com Esperança2” seguindo os conselhos de Nossa Senhora da Graça nas Bodas de Canã: «Fazei tudo o que Ele vos disser» Jo 2.

3.1. Maternidade fraternal: Surgimento de novas paróquias

Desde 1555 até 1992 a freguesia de Nossa Senhora da Graça coincide com a Cidade da Praia, atenção: não com o Município da Praia. A este, como sabemos, até 1993 pertenciam os atuais municípios de São Domingos e da Cidade da Ribeira Grande de Santiago4 .

1. Origem/criação da Paróquia

Segundo o Padre Francisco de Deus Duarte, Pároco de Nossa Senhora da Graça entre 1919 a 1938/39, a Paróquia de Nossa Senhora da Graça foi criada em 1555. Portanto, há precisamente 462 anos.

Até a independência nacional (5 de julho de 1975), além da Igreja Matriz a Paróquia de Nossa Senhora da Graça contava com três lugares de culto com missas dominicais: Capela de Santa Isabel, no Hospital Central da Praia, Capela de Nossa Senhora do Socorro, na Achada de Santo António e Capela de Santa Filomena, no Bairro Craveiro Lopes. Nas capelas de São Pedro, em São Pedro, Santíssima Trindade, em Trindade e São Tomé, em São Tomé com missas uma vez por ano nas respetivas festas litúrgicas.

2. Periodização

Não despondo/desconhecendo qualquer estudo sobre o assunto, tomando como referencia o estatuto da Igreja Matriz/paroquial [Catedral a partir de junho de 1943], vamos considerar dois períodos: Primeiro a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça 1555-1943. Paróquia esteve sob a orientação dos padres diocesanos.

Pelo Decreto Episcopal de 4 de novembro de 1992 foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Socorro, já instituída em Capelania com um Capelão desde Janeiro de 19875.

Segundo a Igreja Paroquial passa a ser a Igreja Pro-Catedral. Dom Faustino Moreira dos Santos (1941-1955) transfere, em junho de 1943, a Sede do Bispado da então Vila da Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, para a ilha de Santigo e fixa a Residência na Cidade da Praia e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça passa a ser a Igreja Pro-Catedral. Igreja do Bispo3.

Pelo mesmo Decreto ficamos a saber que a Paróquia de Nossa Senhora da Graça estava dividida em várias zonas pastorais6. Três destas zonas, a partir de 2009, foram eretas em paróquias.

3.2. Vida Paroquial: despertar da fisionomia/consciência comunitária

De 1943 ao presente podemos considerar dois momentos: o da orientação pastoral a cargo dos padres espiritanos (1943-1978) na sua maioria de origem portuguesa e de 1978 ao presente padres diocesanos na sua maioria naturais de Cabo Verde.

Nos finais da década de 60 inícios de setenta temos de realçar a grande aposta pastoral feita seja a nível do Curso de Preparação para o Casamento (CPM) seja o curso de Preparação para o Batismo (CPB) A partir 22 de junho de 1975 chega o novo Bispo. Desta vez o primeiro com sangue crioulo. Dom Paulino Livramento Évora (1975-2009). Segundo dados recolhidos oralmente em setembro/outubro do mesmo ano realiza-se o primeiro encontro com todos os padres a trabalharem na

3. Paróquia de Nossa Senhora da Graça: comunhão orgânica e dinâmica de pequenas comunidades

4 Ao Município da Praia pertenciam também os atuais municípios de São Lourenço e São Tiago. 5 Cf. Decreto da Criação da Paróquia de Nossa Senhora do Socorro, Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, 109 6 Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 109-110

2 Papa Francisco, Carta aos religiosos e religiosas 3 «Sé Catedral. Funciona como Sé, desde Junho de 1943, a igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça, na cidade da Praia». Anuário Católico de Portugal, 1947, 284.

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diocese.

da desbravando/visitando os “cobões” e ladeiras, bairros e belecos da Praia e dos seus arrabaldes como se dizia na altura.

Janeiro de 1977 realiza-se de novo, na Praia, um segundo encontro alargado. Desta vez sob o signo da pastoral. A convite do senhor Bispo Dom Paulino o Padre Regan, irlandês, espiritano, a trabalhar no Brasil, depois de percorrer toda a diocese reuniu-se com os agentes da pastoral em assembleia e foram traçados dois eixos/orientações: valorização da Palavra e valorização das comunidades locais. A Pastoral Comunitária foi também tema/assunto de retiro/curso de 1979.

Em todas as «zonas pastorais» existia o dia da Partilha da Palavra. Cada bairro da Praia tinha um ou dois dias em que durante a semana as pessoas se reunião a hora marcada para lerem, meditarem/partilhar a Palavra de Deus que seria lida no Domingo seguinte. Estes encontros serviram para determinar a consciência/sentimento de pertença à zona/bairro/comunidade. Serviram também de oportunidade para certificar e facilitar a preparação, aceitar para ser padrinhos ect. Fazer e tomar parte na Partilha de Palavra não era facultativo. Foi como já se disse um dos critérios de classificar uma pessoa de praticante ou não.

Em 1979 teve lugar, na Praia, no Seminário de São José um retiro/curso ministrado por uma equipa do Movimento do Mundo Melhor, constituída pelo Dr. Pe. Georgino Rocha (diocesano) e Irmã Lourdes Roque (FMM). Neste curso, destinado a sacerdotes, religiosos e religiosas que trabalham na Diocese de Cabo Verde, foi apresentada em todos os seus detalhes uma NOVA IMAGEM DA PARÓQUIA, aliás era este i título do curso7.

Uma outra iniciativa que também colaborou para maior o empenho e engajamento dos leigos foi a preparação da homilia que o Pároco fazia com um grupo de leigos. Estes deslocavam-se à Praia para leitura orante da Palavra de Deus e procuravam à luz da Palavra de Deus iluminar a realidade social e no final, à noite, o Padre levava os que moravam mais afastados caso dos de Cabujana e Veneza. Já nessa altura deu-se muita atenção às periferias.

Portanto, não podemos entender a Paróquia de Nossa Senhora da Graça e as cinco paróquias que tem hoje a cidade da Praia sem ter em conta as duas apostas/opções pastorais assumidas pela Diocese em janeiro de 19778 e as orientações pastorais saídas do Retiro/Curso de 1979. Parece que, sem forçar os dados, podemos afirmar e ver aqui toda a ação/dinamismo pastoral desencadeado a partir de finais da década de setenta. Foi isso que o então Pároco Eutrópio Lima da Cruz (1979-1981), recém-chegado de Roma, especializado em Pastoral, sem pestanejar e contra alguns colegas deu continuidade e lançou as bases para o que mais tarde veria a dar as «Zonas Pastorais» de que fizemos referencias acima e hoje algumas delas sede das paróquias da cidade da Praia criadas, na sua maioria, em 20099 com a nomeação e chegada do senhor Dom Arlindo Furtado. Interessante fora ele que jovem Padre, na ausência do Pároco, Reverendo Padre Nogueira de feliz memória tinha dado o ponta pé de saí7 Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p. 37 8 O mesmo podemos de dizer das Comunidades na ilha do Fogo, os grupos bíblicos em São Vicente. 9 Nossa Senhora da Graça – Praia. Padre António Manuel M. S. Ferreira, Nossa Senhora do Socorro – ASA. Padre José Constantina Bento, Imaculada Conceição – Bairro Craveiro Lopes. Padre Boaventura Lopes; Sagrado Coração de Jesus – Vila Nova. Padre José Eduardo Afonso; São Filipe Apóstolo – Achada de São Filipe. Padre Samuel Adilson Martins; São Paulo – Palmarejo – Padre João Augusto Martins.

3.3. Vida Paroquial: Consolidação da identidade Paroquial Na década de 80 chega a Paróquia, vindo da ilha das montanhas, o Reverendo Padre Caetano Francisco da Piedade PIMENTA Pereira, o nosso saudoso Padre Pimenta, Pai da juventude. Académico, doutor quando estes nem se quer enchiam uma mão, simples e amigo dos pobres. Os que foram alunos dele no Seminário, ouvindo falar, não imaginariam que aquele galante e distinto professor fosse seria também pastor. Pois, Padre Pimenta logo logo deu conta que: Numa paróquia extensa, como a de Nossa Senhora da Graça, com dezenas de milhares de fiéis nã se poderá viver a comunhão, se antes as pequenas aldeias, grupos, movimentos e associações não experimenta-

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rem a comunhão eclesial. Era necessário ter mínimas condições humanas para que a comunhão acontecesse. No mínimo deveria haver um espaço destinado ao encontro, convívio, oração, partilha da fé da comunidade.

complexos de anacronismo que a Igreja desce definitivamente da Praia. Que estamos perante uma igreja em saída. Que vai ao encontro dos homens e mulheres lá nos seus bairros. Ali onde tudo passa e acontece a vida paroquial: catequese infantil, preparação para o crisma, preparação para o batismo, ensaios, reuniões dos mais diversos grupos e movimentos.

Nas visitas às zonas que para encontros com a comunidade, que para celebrações penitenciais por ocasião do Natal e Páscoa, sentia-se a falta de um espaço para as actividades10.

3.4. Vida Pastoral: manifesta nas infraestruturas paroquial

Por isso, em 1983, dois anos depois de ter chegado a Paróquia, com a comunidade paroquial decidiram levar avante o projeto de construção de “Casa de Oração” em cada comunidade. Para essa empresa o Arquiteto Pedro Gregório teve um papel determinante. Segundo o Padre Pimenta «O arquitecto Pedro Gregório fez a planta de arquitectura, de construção e cálculos de ferros para a placa, duma sala de 12m x 6m de modo a poder ser facilmente implantada em qualquer lugar»11.

Na década de 90 o Padre Arlindo Gomes Furtado, hoje Cardeal FURTADO, assume a paroquialidade. Encontra uma estrada já desbravada e um sentido a continuar. Muitos não perceberam que estávamos perante uma mudança de paradigma. O Centro Paroquial já não era a única referência, já não estamos no tempo das enchentes do Salão Paroquial. Agora as coisas nascem e acontecem nas periferias. Alguns ainda se lembram dos debates, do quebra-cabeça em/e para trazer os jovens para o Centro Paroquial. As missas na igreja Paroquial já não têm tanta afluência. Nota-se lugares vazios. Os grupos se interessam e dão cabedal nas suas zonas. Há de certa forma uma sã competição.

Muitos ainda lembram-se das azafamas nos fins de semanas, das campanhas para blocos, arreia, cimento etc. Quem não se lembra do Nho Tatinho, do Dom Marcelo com a folha de vinte cinco linhas nas mãos percorrendo de casa em casa, indo aos serviços, às lojas comerciais pedindo apoio pa nôs Casa de Oração?

Padre António Manuel Monteiro Silves Ferreira

O projeto ganhou tal dimensão que ultrapassou as fronteiras da Paróquia. A Paróquia fez um pedido à Embaixada dos Estados Unidos na Praia, que concedeu um apoio de auto-ajuda de 4.500 USD. O projecto começou em força, as comunidades se organizaram e as casas de oração começaram a aparecer. Em 1990 havia muitas casas já com paredes e fomos obrigados a fazer outro pedido à Kriche in Not – Caritas alemães – que prontamente disponibilizou 10.000 USD. Com essa autoajudas fomos cobrindo as Casas de Oração12. As casas de oração foram e são marcos referenciais não só para a história da construção da Comunidade Católica da Cidade da Praia mas também para a construção da identidade dos bairros da Cidade da Praia. Podemos falar, sem perigos/ 10 11 12

Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 37. Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 38. Cf. Paróquia de Nossa Senhora da Graça – 1983-1993, p 38.

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POLICIAMENTO COMUNITÁRIO: DJUNTA MÓ DI AUTORIDADES KU COMUNIDADE

É

um projecto que derruba a ideia da autoridade repressora e onde os agentes são, acima de tudo, uma ponte entre os munícipes e a Câmara Municipal da Praia (CMP). No Policiamento Comunitário o foco é colocado na voz e necessidades da comunidade, que é envolvida em todas as fases de um problema: da sua identificação à sua solução. Castelão acolhe este projecto-piloto, onde confiança é o lema e cujos resultados têm sido um sucesso. Todos os dias, Admilson Mendes e Fátima Tavares percorrem

as ruas de Castelão, Coqueiro e outras zonas adjacentes (por vezes as fronteiras são difíceis de definir). Param para falar com os munícipes, a quem chamam pelo nome. Conhecem quase todos e, aparentemente, todos os conhecem também. São eles o rosto, e o corpo – os únicos agentes, nesta fase –, do projecto-piloto de policiamento comunitário da Guarda Municipal da Praia e parte essencial do seu trabalho é este contacto quase pessoal com os munícipes.

rubar paradigmas. Ao contrário da versão tradicional da polícia e guarda, que basicamente só intervém quando solicitado ou em caso de transgressão, aqui o trabalho é contínuo e acontece a vários níveis. Acima de tudo, aqui identificam-se e resolvem-se os problemas que existem no bairro. Os agentes são problem solvers. Mas fazem-no sempre em conjunto e com o envolvimento da comunidade, servindo de elo entre esta e a Câmara Municipal da Praia (CMP).

São agentes da autoridade, mas estão numa missão que prima pela diferença e pretende der-

O projecto-piloto arrancou no final de 2016. Agora, a poucos meses de completar o primeiro

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aniversário, é possível fazer já uma avaliação. E “os resultados são muito favoráveis”, considera o vereador do pelouro da Segurança Urbana. “A avaliação que fazemos é aquela que a comunidade nos tem dito”, diz. É um projecto que se tem encaixado bem nas necessidades da mesma e que se está a implementar” com resultados visíveis”. Face a esses resultados, que vêm mostrar como o trabalho de aproximação foi uma boa aposta, a perspectiva é continuar e abarcar mais bairros. “Os guardas que estão em Castelão, vão alargar a experiência ao Paiol, e vamos também implementar um outro projecto agora em Tira-chapéu” onde existe também uma Associação comunitária forte, avança Lopes da Silva. Safende está também no horizonte próximo. Mais: “Estamos convencidos de que valeu a pena e vamos alargar a experiência a todos os munícipes da Praia”, adianta. Entretanto, há também outros municípios do país interessados na experiência de Castelão. É o caso de Mosteiros, onde o projecto- piloto já foi apresentado. Actualmente, como frisa, por

seu turno Admilson Mendes, “apesar do projecto estar a ser implementado no bairro de Castelão, a equipa intervém em qualquer bairro onde é solicitado”. Contudo essa expansão tem alguns entraves. Nem todos os agentes têm perfil para a função, e neste momento o “pessoal da Guarda Municipal é muito reduzido para a demanda que há na cidade da Praia. Somos apenas 60 e tal agentes, o que dá uma proporção de um agente para entre 2 a 3 mil pessoas”, salvaguarda. Na realidade é mais do que o Policiamento Comunitário é mais do que um projecto. É, como lhe chama o vereador António Lopes da Silva, uma estratégia de intervenção policial que tem como lema “ levar a que os agentes estejam perto da comunidade, não só para ver o que não está bem, mas também para ajudar” e para resolver ou mediar “problemas que os munícipes possam ter com a CMP”. Como frisa, ao longo do tempo, as relações entre as autoridades e a população têm sido marcadas por um certo distanciamento, uma falta de confiança em que aquelas são vistas pelos munícipes como entidades a te-

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mer, arautos da repressão. Ora, embora em alguns casos haja ainda que agir “convenientemente” para evitar o não cumprimento da lei e das condutas devidas, é essa falta de confiança que se pretende aqui colmatar. E tem sido conseguido. Aliás, a aproximação entre a população e a autoridade municipal é, para o vereador, o que mais se destaca neste projecto. Além das funções tradicionais, acima de tudo, a “Polícia está aí para mostrar que também é um elemento aglutinador, de unidade, que quer mudanças positivas e que quer que confiem nela”. “Quando vemos em Castelão os Guardas Municipais a serem bem-tratados, a serem cumprimentados na rua. Quando vemos as pessoas a terem confiança neles, a procurarem-nos para resolver problemas porque acham que os guardas o vão fazer, isso é a maior vitória que temos”, diz o vereador da Segurança Urbana. A resolução dos problemas, sejam de habitação, sejam de saúde, ou outros, são motivo de congratulação. Mas o “mais importante é essa confiança que está a nascer”, reitera o vereador. “É isso que marca a diferença”.


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EDIÇÃO ESPECIAL Praia Cidade em Movimento  

PRAIA 160 ANOS “Praia, cidade em movimento “é uma revista que visa manter a nossa governação mais próxima dos munícipes e manter as pessoas...

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