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2011

Semin谩rio Duas novidades importantes: O Neg贸cio do Livro Biblioteca do Clube e Mapa da Leitura


EDITORIAL Presidente

Vice-presidente

Secretária

AGE Arquipélago Artes e Ofícios Belas-Letras Dublinense Dulcinéia EDIPUCRS Fábrica de Leitura Grupo A Imprensa Livre Já Editores Libretos Literalis L&PM Martins Livreiro Editor Mediação Projeto Rígel & Livros Brasil Sulina/Sul Editores Tomo Editorial Ulbra

Praça Oswaldo Cruz 15 cj. 1708/1709 CEP: 90030-160 Porto Alegre - RS secretaria@clubedoseditores.com.br www.clubedoseditores.com.br

Além de trazer um resumo do que foi discutido no III Seminário O Negócio do Livro, a Clube dos Editores em Revista também apresenta nesta edição duas importantes iniciativas da entidade, resultado de várias reuniões e muito trabalho ao longo do primeiro semestre de 2011: o Mapa da Leitura no RS e a Biblioteca do Clube. O Mapa da Leitura traz um panorama parcial das ações em prol do livro e da leitura pelo nosso estado. E a Biblioteca do Clube, apresentada no encarte central, é uma nova proposta de parceria para os livreiros do estado, a qual pretende estimular a atualização permanente dos acervos de bibliotecas, focada na diversidade de obras. O encarte da Biblioteca do Clube também possibilita a você, leitor desta edição, um passeio pelo catálogo das editoras que fazem parte do CE, numa amostra da produção editorial do nosso estado. Por falar nisso, o Clube recebeu em 2011 mais três associados: as editoras BelasLetras, Dublinense e Imprensa Livre. A Belas-Letras, empresa dirigida por Gustavo Guertler, tem sede em Caxias do Sul. A Dublinense/Não Editora é dirigida por Gustavo Faraon e Rodrigo Rosp, e a Imprensa Livre, por Karla Viviane da Silva, sendo ambas de Porto Alegre. A troca de ideias que vem acontecendo entre os profissionais das 21 editoras que compõem o Clube do Editores do Rio Grande do Sul tem sido muito saudável. E o Clube também contou com editores e profissionais de outros estados que vieram a Porto Alegre no segundo semestre de 2011 a nosso convite. Recebemos em agosto a editora Miriam Gabbai da Editora Callis de SP, que participou de uma reunião-almoço para falar sobre sua experiência com comércio exterior. Tivemos também a presença de Camila Cabete (Caki Books, Gato Sabido e Xeriph/RJ) e Gerson Ramos (SP), que vieram ministrar cursos para nosso grupo nos meses de agosto e setembro, sobre Livro Digital e Distribuição, respectivamente.

Annete Baldi Presidente

Câmara Rio-Grandense do Livro Gráfica Pallotti

Tito Montenegro Alguns dos editores presentes no Seminário em junho

Samantha Anacleto e Elisa Moog

Clube dos Editores do RS Capa: Thinkstock Fotos Seminário: Francisco Milanez

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DO

PARA PENSAR PENSAR O

MERCADO DO LIVRO

SEMINÁRIO

CLUBE

Entre os dias 14 e 16 de junho de 2011, cerca de 130 profissionais do mercado editorial participaram do III Seminário O Negócio do Livro, organizado pelo Clube dos Editores do Rio Grande do Sul. O evento, realizado no Goethe-Institut de Porto Alegre, vem se tornando tradicional no calendário do setor. A edição deste ano contou com o apoio da Coordenação do Livro e da Literatura da Secretaria Municipal da Cultura, da Contgraf, da VS Digital e do próprio Goethe. A seguir, os melhores momentos das palestras.

“O livro está sofrendo bullying” Rui Campos, diretor da Livraria da Travessa, diz que devemos resistir à tentativa de menosprezar o livro como instrumento de transmissão do conhecimento A palestra de abertura do III Seminário O Negócio do Livro coube a Rui Campos, mineiro radicado no Rio de Janeiro, que dirige uma das mais bem sucedidas redes do país, a Livraria da Travessa. Na apresentação que fez aos participantes do evento, Campos contou um pouco sobre a trajetória da empresa. Nascida em 1986, a livraria teve seu primeiro endereço na Travessa do Ouvidor, rua do centro do Rio que emprestou o nome à casa. Passados 25 anos, a Travessa tem hoje sete lojas – todas na capital carioca – e um faturamento de R$ 70 milhões estimado para 2011. A primeira loja ainda existe, mas recentemente passou por uma reformulação completa. “Hoje, ela é uma livraria dedicada à bibliodiversidade, com destaque para o catálogo das pequenas editoras e das universitárias”, disse Rui Campos. “Como temos outra filial ali perto, a gente pode dedicar essa loja a mostrar o conjunto da produção de cada editor, com o seu nicho específico.” A variedade do acervo é um dos pontos que o livreiro defende para o sucesso de uma livraria. No caso da Travessa, cada loja tem, em média, 50 mil títulos. Um outro fator fundamental para manter a clientela cativa são os funcionários. “Essa é a parte que dá mais trabalho, a mais cara, mas também a que dá mais resultado”, diz o livreiro. “O grande diferencial entre uma livraria mais ou menos e uma livraria ótima é o grupo de funcionários que você tem. É importante que eles estejam felizes, sejam bem instruídos e gostem do que fazem.”

Clube dos Editores do Rio Grande do Sul

Nos últimos anos, a Travessa tem aberto novas lojas em shopping centers. É uma tendência inevitável, acredita Rui Campos. “As livrarias foram descobertas pelos shopping centers. Hoje não se pode admitir um shopping que não tenha uma bela livraria ancorando”, diz ele. A primeira experiência do gênero foi com a loja do Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio. Depois veio a do Barra Shopping, na Zona Oeste, que é a maior da rede, com 1.800 m2. Os negócios não preocupam o livreiro, que prevê para 2011 um aumento de 20% sobre o faturamento do ano passado. O que incomoda, mesmo, é o que ele chama de bullying contra o livro. Mostrando a capa de uma revista semanal com a imagem de um e-reader e a chamada “O último livro que você vai comprar”, Rui Campos reclama da agressividade com que muitas pessoas declaram, categoricamente, que o livro vai acabar. “Enquanto houver procura, vai haver oferta”, disse. “O problema é acharem que existem poucas pessoas como nós, que vão querer o livro. Não podemos deixar isso passar em branco, pois vai solapando a aura que o livro sempre teve, de ser a grande ferramenta de transmissão de conhecimento dos povos”.

- 7 lojas e 350 funcionários - R$ 70 milhões (faturamento estimado para 2011) -1,3 milhão de livros vendidos por ano - 80% do faturamento vem da venda de livros

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“A imprensa não dá conta de avaliar tantos livros” Rogério Pereira, diretor da Biblioteca Pública do Paraná e editor do jornal Rascunho, analisa a incapacidade dos jornais de dar conta da produção editorial

A produção editorial brasileira não cabe nos jornais. Em 2010, foram publicados quase 55 mil títulos no mercado brasileiro, segundo a mais recente pesquisa divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Enquanto o número de lançamentos não para de crescer, o espaço na mídia tradicional para a divulgação desses livros percorre o caminho inverso: encolhe. Diante desse cenário pouco animador, o jornalista Rogério Pereira sugeriu aos editores, em sua palestra na primeira noite do III Seminário O Negócio do Livro, que fiquem atentos às possibilidades da internet e que procurem divulgar seus livros para públicos específicos. “Comercialmente pode ser mais efetivo ser comentado dentro de um grupo de interesse, por mais reduzido que ele seja”, disse Pereira. “Conheço editoras que tiveram matéria de página inteira sobre um de seus livros na Ilustrada, da Folha de São Paulo, e isso não significou nada.” Enquanto o espaço nos grandes jornais diminui ou, na melhor das hipóteses, se mantém estável, a internet vive um momento de grande expansão. “A crítica literária migrou, de maneira muito forte e consistente, para os sites, blogs e grupos de discussão online”, disse Pereira. Explorar esses novos canais – na internet ou nas mídias tradicionais – pode ser uma forma de

driblar o problema do pouco espaço para o livro na grande imprensa. O próprio jornal Rascunho, fundado por Rogério Pereira e um grupo de amigos em abril de 2000, é um desses espaços alternativos. A publicação mensal começou com apenas oito páginas, encartadas no pequeno Jornal do Estado, de Curitiba. Aos poucos, foi ganhando páginas e prestígio. Hoje ele circula com 32 páginas de resenhas, entrevistas, contos inéditos e notícias do mundo editorial. Com uma diferença em relação aos suplementos dos grandes jornais: não se pauta, apenas, pela novidade. A tiragem é de 13 mil exemplares, sendo nove mil assinaturas. Desde o início do ano, Rogério Pereira também dirige a Biblioteca Pública do Paraná, com planos de modernizar a instituição e ampliar tanto o acervo quanto as atividades realizadas no local. Tendo vindo de uma família analfabeta, Pereira entende como ninguém o poder da leitura. “Acredito muito na capacidade que o livro tem de nos transformar como seres humanos”, disse. “Hoje posso me comunicar e me posicionar de uma maneira muito mais crítica porque a literatura me possibilitou isso.”

“Queremos ter todas as editoras” Gerson Ramos, ex-diretor da Superpedido Tecmedd, diz que uma distribuidora precisa ter uma grande variedade de oferta para ser uma boa alternativa para o livreiro

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Um dos temas mais complexos do mercado editorial, a distribuição dos livros em um país de território continental, foi abordado por Gerson Ramos, então diretor da Superpedido Tecmedd. Livreiro desde os 18 anos, quando começou na antiga Livraria Brasiliense, no centro de São Paulo, Ramos tem sido um observador privilegiado das profundas mudanças pelas quais o segmento vem passando. “O desafio da distribuição está inserido no desafio da profissionalização do comércio de livros no Brasil”, disse.

Na opinião de Gerson Ramos, o trabalho de distribuir livros tem muito mais a ver com fazer contas do que com qualquer outra coisa. “É uma tomada de decisão logística e racional. Isso porque o preço está dado, a sua margem está estabelecida, e você tem que tirar daí a receita para pagar os seus custos”, disse. “O volume permite que você busque rentabilidade, mas não se pode nunca descuidar dessas contas.” É essa necessidade de preservar cada ponto percentual de sua margem que faz com que os grandes atacadistas de livros estejam localizados hoje em São Paulo, estado que concentra 52% das vendas de uma distribuidora como a Superpedido.

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Considerando toda a região Sudeste, esse percentual chega a 72%. “Estar em São Paulo é uma questão de logística, de redução do custo operacional.” Na opinião de Ramos, o modelo ideal de distribuição parte da definição, em conjunto com a editora, de quem atende quais clientes. Nesse modelo, caberia à editora manter um conjunto de distribuidores e atender as grandes redes. “Não adianta,

a editora não vai me dar condições para eu atender as grandes redes. Além disso, a editora precisa trabalhar de forma muito assertiva com essas cadeias, senão ela não terá visibilidade em todo o país.” A distribuidora continuará sendo importante para o pequeno livreiro. E não apenas para ter em sua loja os best-sellers, mas sobretudo, os demais livros. “Para o livreiro ter a lista dos mais vendidos da Veja, não precisa de uma distribuidora. Mas para ter um bom acervo, sim. A função do distribuidor é permitir que o varejo tenha acesso a toda a produção editorial”, disse Ramos. “Por isso, queremos receber todas as editoras e ter um catálogo amplo. O que vai nos fazer atraentes é a qualidade do serviço, o tempo de atendimento e, claro, a variedade da oferta.”

“O mercado de nicho não tolera erros” Nelson Hoffmann, diretor da Editora Mediação, contou como sua empresa se preparou para atender necessidades específicas dos educadores Encerrando a segunda noite do Seminário, Nelson Hoffmann, sócio e diretor comercial da Editora Mediação, especializada em livros sobre educação, falou sobre os desafios e as estratégias para atuar em um mercado de nicho. “Todos nós sabemos que o mercado se caracteriza pela busca do best-seller, mas a gente também sabe que poucos livros vão estar nas listas dos mais vendidos, e muitos talvez nem cheguem às livrarias”, disse Hoffmann. O editor citou dados dos Estados Unidos, segundo os quais, naquele país, dos 200 mil títulos editados anualmente, menos de 20 mil serão expostos nas livrarias. “Tanto lá quanto aqui no Brasil, há uma limitação do espaço em livrarias, o que cria a chamada ditadura da prateleira”, disse Hoffmann. “A oferta é muito grande, não há espaço para todos.” O mercado de nicho, no entanto, segue uma lógica diferente. Ao invés do best-seller, busca-se o long-seller, livro que vai vender durante muitos anos, com sucessivas reimpressões. Mas é preciso muito planejamento quando se começa a editar livros voltados a públicos específicos. Para começar, o tamanho desse mercado tem que ser mensurável. E também, para atuar num nicho, é preciso conhecê-lo profundamente – ou então contratar alguém que conheça, co-

Clube dos Editores do Rio Grande do Sul

mo alternativa. “O usuário do nicho não tolera erros”, disse Hoffmann. “Se você lançou um produto que não interessa, ele não vende, simplesmente não pega.” A Editora Mediação foi criada em 1996, pela educadora Jussara Hoffman, que acreditava que poderia se criar um canal entre o que se pensava na universidade e a atuação dos professores em sala de aula. “Desde o início, a editora apostou em temas de vanguarda. Foi uma das primeiras editoras do país a publicar livros sobre inclusão”, disse Nelson. “A editora foi ousada, pois se fizéssemos igual ao que todos estavam fazendo, não iríamos conseguir avançar.” Outra característica da editora é a exigência da linha editorial. Em média, de cada dez livros recebidos, apenas quatro são editados. A Mediação também dá preferência a autores brasileiros, que conheçam profundamente a realidade educacional do país. Assim, com foco muito bem ajustado a um nicho específico, a Editora Mediação quadruplicou seu catálogo entre 2000 e 2010 (hoje são 150 títulos ativos). No mesmo período, as vendas em livrarias triplicaram, enquanto as vendas institucionais se multiplicaram por dez.

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“O conteúdo continua, independente da forma” Bruno Weiblen, gerente de novos negócios do Grupo A, disse que o livro impresso ainda tem muito espaço, mas que é preciso se reposicionar para enfrentar os desafios do mundo digital

A terceira e última noite do III Seminário O Negócio do Livro teve início com a apresentação de Bruno Weiblen, responsável pelas estratégias digitais do Grupo A Editoras, que reúne marcas como Artmed, Bookman e McGrawHill, entre outras. Antes de falar do novo mundo eletrônico, no entanto, Weiblen fez questão de deixar claro que o livro impresso ainda tem grandes possibilidades de mercado. “O conteúdo continua, independente da forma. Temos que estar preparados para saber como vamos entregá-lo”, disse. “Nós enxergamos o livro digital como uma oportunidade.” No campo do mundo impresso, a nova aposta do Grupo A é o selo Tekne, voltado ao mercado de formação técnica, em alta no Brasil. “São obras mais enxutas, com outro tipo de acabamento e mais amigável ao aluno”, disse Weiblen. “No mercado de publicações científicas, técnicas e profissionais, onde enfrentamos a pirataria e as cópias ilegais há muito tempo, temos sempre que propor alguma coisa diferente.” Em relação ao conteúdo digital, a preocupação é se adequar às necessidades dos leitores. “Temos que nos adaptar aos diferentes for-

matos de saída ou dispositivos nos quais entregaremos o nosso conteúdo”, disse Weiblen. “A gente vem fazendo as conversões e estamos preparados para fazer isso de forma agressiva. Mas ainda é preciso ter uma maior penetração da tecnologia no Brasil, resultado da queda do preço dos dispositivos e do aumento da renda. Não tem como esse processo ser muito rápido aqui no Brasil.” Outro fator decisivo a se considerar em relação à distribuição digital é o preço, ainda foco de muito debate no mercado editorial. “Se a gente fosse considerar apenas que não há mais custo de impressão e distribuição seria lindo e maravilhoso, mas a gente continua vendendo a mesma coisa em formato digital”, disse Weiblen. “Mas, no nosso mundo, a demanda não é elástica, por isso nossa política é dar um desconto de 20% sobre o preço do livro impresso.”

“Não tem como aprender a não ser fazendo” Lucia Riff, diretora Agência Riff, contou como funciona o agenciamento literário, cada vez mais importante para o mercado editorial

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Para o encerramento do Seminário, foi convidada aquela que é considerada a principal agente literária do país. À frente da Agência Riff, fundada em 1991 como BMSR Agência Literária, Lucia Riff conversou sobre os meandros de uma profissão ainda misteriosa para muitos editores, mas fundamental para a profissionalização do setor. Lucia Riff explicou que o papel do agente é ser um representante do autor. “É o profissional que vai ajudar o autor a negociar suas obras, não só no mercado editorial, mas também para uso da obra em publicidade ou adaptações para o teatro e o cinema, por exemplo”, disse Lucia. Trata-se de um profissional normalmente formado pelo mercado, dentro das próprias editoras. Para a agente, “não tem como aprender a não ser fazendo”. Uma das principais características da profissão é o seu caráter multifacetado, pois envolve negociar contratos, administrar a própria empresa, lidar com pessoas e conhecer o

mercado. “É muito comum que os agentes formem redes de relacionamento, se representando entre si”, disse Lucia. “Existem várias formas de se organizar. Além de representar os autores, um agente pode representar editoras estrangeiras em seu mercado. Isso se chama coagente. Nós fazemos as duas coisas.” As grandes editoras também trabalham com o que se chama de scout. São como agentes, mas exclusivos de uma editora, que se torna especialista naquele mercado. Em relação às ofertas, Riff disse que normalmente as editoras pedem para conhecer determinado livro – o que hoje em dia é feito enviando um arquivo PDF daquele título. Se o editor gosta, faz uma oferta pelo título. “Mas a questão da melhor oferta é delicada, pois não temos que analisar apenas o adiantamento. Analisamos qual é a editora e qual será o percentual de royalties, entre outras coisas”, disse Lucia. E os leilões não são raros. “Às vezes um livro chega na agência de manhã e à tarde já temos rodadas de propostas.”


DA

MAPA LEITURA

Clube dos Editores reúne dados sobre os programas de incentivo à leitura no Rio Grande do Sul e traça um panorama do que prefeituras e instituições vêm fazendo nessa área.

O Clube dos Editores iniciou, no primeiro semestre de 2011, a elaboração de um Mapa da Leitura no Rio Grande do Sul, que tem por objetivo fazer uma radiografia da leitura no RS. E num estado tão vasto como o nosso, não é tarefa tão fácil nem tão rápida de se concluir. Mas estamos entusiasmados com os primeiros dados recebidos. Temos a intenção de montar um banco de dados completo e que possa sempre estar atualizado para facilitar a comunicação entre as diferentes instituições que trabalham em prol do livro e da leitura: editoras, livrarias, escolas, secretarias de educação, órgãos públicos do livro, bibliotecas públicas e ONGs. O Instituto Estadual do Livro (IEL) está revitalizando o programa Autor Presente, que leva o autor às escolas estaduais. Em 2010, foram realizados apenas 30 encontros e, para 2011, a verba aumentou a fim de garantir os cachês dos escritores para atender 140 encontros. O coordenador do programa, José Paulo Eckert, informa que as escolas estaduais interessadas devem contatar o autor-presente@sedac.rs.gov.br para agendar os encontros. A contrapartida das escolas é o comprometimento com a leitura prévia das obras do(a) escritor(a) convidado(a), transporte, alimentação e, quando necessária, a hospedagem. Uma boa notícia é que praticamente 100% dos municípios do RS já possuem Biblioteca Pública. Como resultado de uma ação do Ministério da Cultura, Biblioteca Nacional e Sistema Nacional de Bibliotecas, iniciada a partir de 2001 com o programa “Uma biblioteca em cada município”, isso foi possível. Posteriormente, as ações tiveram continuidade com o projeto Livro Aberto do programa Mais Cultura, do MinC, com publicação de editais de 2004 a 2011, entre implantação e modernização de bibliotecas, nos quais as prefeituras entram com o espaço de fácil acesso à comunidade com no mínimo 60 m² e a designação de recursos humanos específicos; ao estado cabe prestar treinamento às equipes, com orientações para o

atendimento, empréstimos de livros e localização de material em estante; e ao governo federal, por meio do Sistema Nacional de Bibliotecas, doar o mobiliário e equipamentos básicos, como um computador, além de destinar dois mil livros a cada unidade. Hoje no RS há apenas um (!) dos 496 municípios que não possui Biblioteca Pública. E como alguns municípios possuem mais de uma, o Sistema Estadual de Bibliotecas tem hoje cadastradas 526 bibliotecas, incluindo bibliotecas públicas estaduais, municipais e comunitárias. A verba para atualização dos acervos é federal e ainda insuficiente, e os acervos são limitados diante da produção editorial no País, mas os espaços existem e isso deve ser valorizado. Outra boa e recente notícia, divulgada pela Secretaria do Estado da Cultura, é o projeto Biblioteca Viva RS que abre edital para contemplar 50 projetos de bibliotecas públicas de municípios com até 10 mil habitantes. O edital prevê, entre outros itens, aquisição de acervo. Para dar a largada nesse mapeamento, o CE enviou em fevereiro uma ficha de dados para as 496 Secretarias Municipais de Educação do estado, a qual deveria ser devolvida por fax, pelo correio ou por e-mail. Tivemos um retorno até o momento de apenas 60 municípios (12 %), que responderam à nossa pesquisa dentro do prazo solicitado para a publicação dos dados nesta edição. Das 44 secretarias de educação que desenvolvem algum Programa do Livro/Leitura, conforme informado, muitas delas citam a “hora da leitura”, ou outros nomes, para a ação que consiste num momento pré-determinado em que todos nas escolas suspendem as demais atividades para simplesmente ler. Sejam 15 minutos diários, meia hora ou uma hora por semana, é reservado um momento simultâneo, em que alunos, professores e funcionários da escola leem. Também é bastante citada a itinerância de livros, sejam eles colocados dentro de sacolas, bolsas, caixas ou baús, numa alternativa à pouca quantidade de livros nas bibliotecas escolares. Há sacolas que vão para as casas dos alunos por al-

7 Clube dos Editores do Rio Grande do Sul


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MAPA LEITURA

Municípios que possuem livrarias: 1

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Agudo Alegrete Alvorada Antônio Prado Arambaré Arroio do Meio Arroio do Sal Arroio dos Ratos Bagé Barão Barão do Cotegipe Barros Cassal Bento Gonçalves Boa Vista do Buricá Bom Jesus Caçapava do Sul Cacequi Cachoeira do Sul Cachoeirinha Camaquã Campina das Missões Campinas do Sul Campo Bom Campos Borges Canela Canoas Capão da Canoa Carazinho Carlos Barbosa Casca Caxias do Sul Chapada Charqueadas Chuí Cidreira Cinquentenário Constantina Cotiporã Cruz Alta Dois Irmãos Eldorado do Sul Erechim Estância Velha Esteio Estrela Farroupilha Feliz Flores da Cunha Fontoura Xavier Frederico Westphalen Garibaldi

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São Vendelino Getúlio Vargas Sapiranga Gramado Sapucaia do Sul Gravataí Sarandi Guaíba Serafina Corrêa Guaporé Soledade Guarani das Missões Tapejara Ibiaçá Taquara Igrejinha Terra de Areia Ijuí Torres Ipê Tramandaí Ivoti Três Cachoeiras Jacutinga Três Coroas Jaguarão Tupanciretã Lagoa Vermelha Uruguaiana Lajeado Vacaria Marau Vera Cruz Marcelino Ramos Veranópolis Montauri Victor Graeff Montenegro Não-me-toque Nova Hartz Nova Petrópolis Nova Prata Novo Hamburgo Osório Palmeira das Missões Passo Fundo Pelotas Porto Alegre Quaraí Rio Grande Rolante Ronda Alta Rosário do Sul Sananduva Santa Bárbara do Sul Santa Cruz do Sul Santa Maria Santa Rosa Santana do Livramento Santo Ângelo Santo Antônio da Patrulha São Borja São Francisco de Paula São Gabriel São Jerônimo São Leopoldo São Lourenço do Sul São Luiz Gonzaga São Marcos São Pedro do Sul 104

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Almirante Tamandaré do Sul Alpestre Barra do Ribeiro Boqueirão do Leão Caçapava do Sul Cachoeira do Sul Candelária Canela Canoas Capão da Canoa Capitão Ciríaco Condor Coqueiro Baixo Cruz Alta Dezesseis de Novembro Encruzilhada do Sul Esteio General Câmara Guaíba Gravataí Ibirubá Ijuí Ivoti Jóia Lajeado Nonoai Nova Hartz Nova Petrópolis Novo Hamburgo Osório Palmeira das Missões Pantano Grande Paraíso do Sul Arambaré Pelotas Arroio dos Ratos Porto Alegre Barra do Ribeiro Porto Xavier Cachoeira do Sul Presidente Lucena Cachoeirinha Progresso Camaquã Santa Cruz do Sul Canoas Santo Ângelo Chuvisca São Francisco de Paula Cristal Sapucaia do Sul Eldorado do Sul Tapera Guaíba Três Passos Minas do Leão Ubiretama Porto Alegre Viamão Sentinela do Sul 123

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Arroio do Meio Arroio do Sal Balneário Pinhal Bom Retiro do Sul Cachoeira do Sul Cacique Doble Candelária Candiota Capela de Santana Carazinho Cerro Largo Casca Cerrito Cotiporã David Canabarro Dilermando de Aguiar Dois Lajeados Doutor Ricardo Erval Grande Estrela Fagundes Varela Farroupilha Fazenda Vila Nova Flores da Cunha Guaporé Guarani das Missões Horizontina Jaquirana Lagoa dos Três Cantos Lagoão Liberato Salzano Machadinho Maratá Marcelino Ramos Minas do Leão Monte Belo do Sul Muliterno Nonoai Nova Bassano Nova Petrópolis Novo Barreiro Novo Machado Panambi Paraí Pareci Novo Paverama Pinhal Grande Rondinha Santa Bárbara do Sul Santa Margarida do Sul São Domingos do Sul São Francisco de Assis São José do Ouro São Luiz Gonzaga São Miguel das Missões Selbach Sobradinho Vale Real Vila Flores Vila Maria

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2.069 1.300 2.336 1.300 5.546 394 2.099 700 1.550 5.500 698 500 737 360 241 358 123 140 434 3.000 200 6.317 800 2.000 2.300 769 1.925 430 71 945 177 455 188 240 2.013 180 70 1.000 785 1.100 312 115 3.566 500 600 700 596 400 1.116 40 120 1.700 494 2.686 888 350 1.311 321 300 358

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abr/09 mai/05 mar/09 mar/10 jun/10 2004 abr/09

guns dias, há caixas que circulam pelas salas de aula ou pelas escolas da rede. Em São Luiz Gonzaga, por exemplo, há 4 baús com 100 livros cada que circulam nas escolas, ficando 20 dias em cada uma, e a secretaria reserva uma verba anual para renovação desse acervo. Em Capela de Santana, um módulo da Biblioteca Municipal visita os bairros divulgando a leitura e realizando a confecção de carteirinhas para novos associados. Ainda, em alguns casos, a Secretaria de Educação possui um Ônibus Biblioteca que atende a comunidade, além das escolas da rede (Viajando com as letras, de Balneário Pinhal e Odisséia da Leitura, de Carazinho). Feiras do livro, semanas do livro ou mostras literárias também são citadas, incluindo a participação de escritores. Em alguns casos, a Secretaria adquire livros previamente para o desenvolvimento do trabalho, que terá sua culminância com apresentações de alunos a partir das leituras das obras nos eventos para a comunidade. Há alguns casos de repasse da verba arrecadada como lucro na Feira do Livro para as escolas adquirirem livros. A respeito de verbas para compras de livros, algumas secretarias informam que o abastecimento de obras para as bibliotecas é feito exclusivamente pelo governo federal, através do PNBE. Mas outras secretarias garantem também uma verba em seu orçamento anual, utilizando outras dotações para aquisições de livros. Entre as demais ações que são desenvolvidas pelas secretarias participantes da primeira etapa da nossa pesquisa, destacamos algumas a seguir:

Há um espaço localizado na própria Secretaria de Educação que é destinado exclusivamente ao atendimento de professores da rede. Neste espaço, há acervo de pesquisa e de literatura, bem como sala de multimeios. Acontecem encontros com escritores, cafés literários, entre outras atividades de fomento à leitura dos educadores.

No início do ano o tema é determinado pela Secretaria, e as escolas que vão participar se inscrevem


e escolhem os autores e textos e então preparam os seus trabalhos a partir das leituras (que podem ser textos, ilustrações, do-braduras etc). No final do primeiro semestre, os trabalhos são levados para a empresa participante.

Um grupo teatral (Atuantes da Arte) formado por adolescentes representa causos, apresenta poesia e faz performances quinzenalmente na comunidade, passando por diversas empresas, comércio e estabelecimentos públicos. As pessoas são convidadas a pararem seus afazeres por cerca de 10 minutos, tempo em que os jovens desenvolvem o trabalho.

Primeiramente são realizadas oficinas para professores com escritores convidados e depois os professores trabalham em sala de aula as obras desses escritores com seus alunos. A culminância se dá na Feira do Livro, palco das várias releituras das obras feitas pelos alunos, em encontros de alunos, professores, escritores e comunidade.

Além do “Autor nas Escolas” (compra de livros e preparação para encontros com os escritores), a Secretaria também promove o “Livro sem dono”, estimulando a participação de toda a comunidade. As obras devem ser deixadas em locais movimentados para as pessoas levarem e lerem. O livro deixado tem uma etiqueta do Projeto para as pessoas identificarem e aderirem. Há um e-mail de contato para as pessoas noticiarem para onde os livros foram levados. Através de parcerias com a Câmara Rio-Grandense do Livro, alguns importantes projetos vêm acontecendo nos últimos anos. Como desdobramento de um projeto-piloto desenvolvido em 2007, na região da 28ª Coordenadoria Regional de Educação, foi criado, em 2008, o Programa Lendo pra Valer. Em 2011 o projeto cresceu, e os encontros de autores ocorrerão em 56 escolas nas regiões da 1ª, 12ª, 27ª e 28ª Coordenadorias Regionais de Educação, que têm sede, respectivamente, nos municípios de Porto Alegre, Guaíba, Canoas e Gravataí. A parceria neste caso é com a Secretaria de Estado da Educação, através do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares – Sebe, que adquire e destina às escolas kits de livros dos autores que as visitarão, para que promovam a leitura prévia entre alunos e educadores. Nas regiões das 12ª, 27ª e 28ª CREs, o Lendo pra Valer funciona em articulação com os cursos de Letras da Ulbra Guaíba, Ulbra Canoas e Ulbra Gravataí, que garantem o assessoramento pedagógico às escolas.

Clube dos Editores do Rio Grande do Sul

Desenvolvido através de parceria da CRL com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, desde 2002, o Adote um Escritor promoverá, em 2011, 132 encontros com a participação de 50 autores. Os recursos para a aquisição de obras são alocados pela Smed às escolas, ainda no primeiro semestre, tendo em vista que as visitas dos autores residentes no RS começam em agosto. Há, porém, escolas que optam por autores de fora do Estado convidados para participar da Feira do Livro de Porto Alegre, caso em que os encontros são realizados paralelamente ao evento, no mês de novembro. A verba destinada pela Smed às escolas, no âmbito do convênio de parceria firmado com a CRL, prevê, ainda, recursos para a atualização do acervo de suas bibliotecas, locação de transporte para a visitação escolar à Feira do Livro e custeio do transporte do autor adotado até a escola. O Programa Fome de Ler, criado em 2003, é desenvolvido pela Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com a Universidade Luterana do Brasil, a Rede Ulbra de Escolas, as prefeituras de Canoas e de onze municípios da Região CentroSul do Estado, além das 12ª e 27ª Coordenadorias Regionais de Educação, da Secretaria de Estado da Educação. No caso das escolas municipais, os livros para a leitura prévia aos encontros são disponibilizados pelas respectivas prefeituras, enquanto, nas dez unidades da Rede Ulbra — localizadas em sete municípios gaúchos — as obras são compradas pelos próprios alunos. O assessoramento pedagógico para as escolas municipais que participam do Fome de Ler é prestado pelos cursos de Letras da Ulbra em Guaíba e Canoas. Nosso Mapa não está pronto, e temos muito trabalho pela frente. Esperamos que essa divulgação parcial de dados sirva como um estímulo para outros municípios participarem, enviando seus dados (número de escolas, número de alunos, ações específicas). Para isso, basta fazerem contato pelo e-mail secretaria@clubedoseditores.com.br. Aproveitamos para conclamar os outros setores no estado do RS que, após lerem esta matéria, ajudem-nos a divulgar a notícia do Mapa da Leitura no RS e da necessidade do envio de dados. Se a sua cidade tem alguma ONG atuante na área do livro e da leitura nos informe. Se a sua cidade tem livraria, e ela não constou aqui nesse mapa, por favor nos notifique. Se a Secretaria do seu município não recebeu a carta no endereço correto, faça contato e solicite o reenvio. Queremos ter todos esses dados para incluir da próxima vez. Para facilitar a divulgação, esta matéria pode ser acessada também na edição digital desta revista (www.clubedoseditores.com.br).

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Clube dos Editores em Revista - 2011  

Revista do Clube dos Editores do Rio Grande do Sul.

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