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ESCOLA SECUNDÁRIA DE ALBUFEIRA

O PODER FEMININO

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PORTUGUES ANO LECTIVO DE 2013/2014 Trabalho elaborado por: Cláudia Dionísio Nadine Rita


ÍNDICE Introdução .............................................................................................. 3 Feminismo | s. m. ................................................................................... 4 A condição da mulher no início do séc. XIX na Europa e em Portugal ................................................................................................ 5 As mulheres do século XIX na literatura portuguesa ............................. 6 Mulheres em Os Maias .................................................................. 6 O aparecimento do feminismo ............................................................... 7 A Primeira Onda Feminista .................................................................... 8 Testemunho de uma feminista após a Primeira Onda ........................... 10 Conclusão .............................................................................................. 11 Bibliografia .............................................................................................. 12

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INTRODUÇÃO O tema deste trabalho é a evolução da mulher e dos seus direitos a partir do século XIX até aos dias de hoje, mais concretamente a sua condição no início do século XIX na Europa e em Portugal, as mulheres na literatura, o feminismo e a primeira onda feminista. O objetivo deste trabalho é mostrar o quanto a mulher evoluiu até hoje e a revolução que o suposto “sexo fragil” causou na humanidade. Está organizado em sete tópicos (estes encontram-se presentes no índice). A metadologia utilizada foi a pesquisa na internet e em livros, enriquecida com um documento histórico escrito por uma feminista após a primeira onda.

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FEMINISMO | S. M. Fe•mi•nis•mo

Substantivo masculino Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem. Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/feminismo

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A CONDIÇÃO DA MULHER NO INÍCIO DO SÉC. XIX NA EUROPA E EM PORTUGAL Durante longos séculos as mulheres foram sempre subestimadas pela sociedade. Uma grande desigualdade de valores era notória quer em Portugal, quer no resto da Europa. Eram consideradas um ser submisso e indefeso, uma mulher dependia sempre de uma figura masculina. Esta ocupava um papel secundário na família, cabia-lhe gerar e criar os filhos, fazer as tarefas domésticas e obedecer ao marido. Ao contrário do homem, a mulher não tinha direito de votar, não tinha o direito de protestar em tribunal, não podiam estudar no ensino superior, raramente opiam a custódia legal dos seus filhos em caso de divórcio e geralmente apenas conseguiam trabalhos com baixo salário. No século XIX, era muito mais grave uma mulher cometer o adultério que o homem. Para o homem se divorciar, bastava-lhe provar que a sua mulher o traíra, já no caso da mulher o processo seria bastante mais complicado, esta teria de arranjar alem das provas da traição, provas de maus-tratos por parte do marido.

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AS MULHERES DO SÉCULO XIX NA LITERATURA PORTUGUESA MULHERES EM OS MAIAS: Na obra de Eça de Queirós a mulher tem um papel muito criticado. O escritor critíca-as mais do que defende. Mas este acha que a culpa não é na totalidade do sexo feminino mas sim da sua educação e da sociedade onde vivem. Outro facto interessante que encontramos na obra de Eça é algo que a personagem Ega diz: “a mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem!”. Nesta frase temos bem presente o pensamento da época a respeito da superioridade masculina. O adultério está muito presente na obra (principalmente nas mulheres). Eça considera a mulher um “portador de pecado e tentação”, temos vários exemplos de adultérios femininos na obra (como o de Maria Monforte, Maria Eduarda e a Condenssa Gouvarinho) que são extremamente criticados. Naquela época a mulher ainda não tinha conquistado praticamente nenhuns direitos, o que influencia a sua caracterização na obra.

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O APARECIMENTO DO FEMINISMO A Primeira Onda Feminista estava preocupada com a instalação da igualdade de direitos entre homens e mulheres. O Feminismo consolidou-se como um discurso de carácter intelectual, filosófico e político que procura romper os padrões tradicionais, acabando assim com a opressão sofrida ao longo da história da humanidade pelas mulheres. O movimento ganhou muita força, sendo endossado tanto por homens quanto por mulheres que defendem a igualdade entre os sexos. Há uma teoria que divide esse movimento feminista em três fases, cada qual marcada por suas conquistas e interesses.

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A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA A chamada Primeira Onda Feminista teria ocorrido no século XIX e avançado pelo começo do século XX. Este período aborda uma grande actividade feminista desenvolvida no Reino Unido e nos Estados Unidos. Foi o momento em que o movimento se consolidou em torno da luta pela igualdade de direitos para homens e mulheres. Estas organizaram-se e protestaram contra as diferenças contratuais, a diferença na capacidade de conquistar propriedades e contra os casamentos arranjados que ignoravam os direitos de escolha e os sentimentos das mulheres. Ainda no final do século XIX, a Primeira Onda Feminista ganhou destaque e passou a contestar de forma mais significativa a questão do poder político. As mulheres, até então, eram proibidas de votar e eleger seus representantes, mas o pleno interesse de “a palavra” nas escolhas políticas não deixou de ser evidenciado até se alcançar o direito desejado. Enquanto isso, continuavam as campanhas pelos direitos sexuais, económicos e reprodutivos. Este primeiro momento da onda feminista foi bastante extenso e, por se tratar de algo que rompia com os padrões históricos das sociedades, levou mais tempo para alcançar as conquistas.

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Somente no correr do século XX é que os resultados foram aparecendo gradualmente. O voto só foi permitido às mulheres a partir de 1918, no Reino Unido. Ainda assim, só tinham tal direito as mulheres com mais de 30 anos. Já nos Estados Unidos a manifestação das mulheres ligava-se a outros factores históricos também. Muitas das que integraram a Primeira Onda Feminista foram defensoras do fim da escravidão no país antes de lutar por seus direitos. A conquista do voto só aconteceu no ano de 1919. Naturalmente, o momento em questão só passou a receber a designação de Primeira Onda Feminista posteriormente, com a sucessão de uma Segunda Onda Feminista. As terminologias foram cunhadas para identificar as diferenças das campanhas ocorridas em cada época, identificar as lutas que eram guiadas por motivos característicos de cada situação. Por exemplo, na Primeira Onda Feminista ainda não havia preocupação com questões referentes ao aborto, mas estava presente uma grande preocupação nas condições do casamento, já que eram negociações entre famílias que não envolviam a opinião da mulher que estaria envolvida no matrimónio. Assim, as mulheres buscavam o direito pelo próprio corpo, respeitando seus sentimentos e desejos.

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TESTEMUNHO DE UMA FEMINISTA APÓS A PRIMEIRA ONDA A partir da Primeira Onda Feminista começamos a ter testemunhos e presença feminina em questões das quais eram, desde sempre, associadas ao “dom” de ser homem. Presenças essas na política por exemplo. Flora Tristan, militante socialista e feminista, durante uma breve estadia em Londres, em 1839, deixou os seguinte testemunho: “Londres possui três divisões bem distintas: a City, o West End e os subúbios. […]. O contraste que apresentam as três divisões da cidade é aquele que a civilização oferece em todas as grandes capitais; mas ele é mais vincado em Londres que em qualquer outra parte, passamos deste ativa população da City que tem por único objectivo o desejo do lucro, a [no West End] essa aristocracia altiva, desdenhosa, que vem a Londres dois meses por ano, para escapar ao aborrecimento e fazer gala de luxo desefreado, ou para aí usufruir do sentimento da sua grandeza perante o espectáculo da miséria do povo!... Nos locais onde habita o pobre, encontram-se massas de operários magros, pálidos, cujos filhos, sujos e andrajosos têm uma aparência que mete pena. Seguem-se enxames de prostitutas com um andar desavergonhado, os olhares lúbricos e autênticas brigadas de ladrões profissionais. Enfim, aqueles bandos de crianças parecem aves de rapina, saindo à noite das suas tocas para se lançarem sobre a cidade, onde pilham sem receio, se entregam ao crime, seguros de escaparem às perseguições da polícia que não consegue apanhá-los nesta imensa superfície.”

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CONCLUSÃO Este trabalho tem como objectivo mostrar a realidade das mulheres no século XIX e a maneira de como estas se revolucionaram até obter a liberdade e a igualdade entre os sexos. As mulheres viveram sobre a sombra do homem durante séculos atrás de séculos, até que algumas ganharam coragem de “mudar a história de rumo”, mudando assim o futuro de todas as mulheres que as sucederiam. Caso essas mulheres revolucionarias e livres não tivessem existido, nos dias de hoje, as mulheres, talvez ainda estivessem num plano inferior ao dos homens, submissas às suas vontades. Assim sendo, de um ponto de vista pessoal, gostamos de fazer o trabalho. Tendo em conta de que também estávamos a tratar o século XIX na disciplina de história, ajudou-nos a compreender melhor a realidade do século e o motivo para ser o “século das mudanças”.

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BIBLIOGRAFIA • h t t p : / / s a l t a - l e t r i n h a s . b l o g s p o t . p t / 2 0 0 9 / 0 5 / m u l h e r - p o r t u g u esa-no-sec-xix.html • http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3511571 • h t t p : / / w w w. t r a b a l h o s f e i t o s . c o m / e n s a i o s / a - M u l h e r - N o - S e c Xix-e/493658.html • http://www.hastingspress.co.uk/history/19/overview.htm • ALVES, Branca Moreira & PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. • FARIA, Nalu & NOBRE, Miriam. Gênero e desigualdade. São Paulo : Sempreviva Organização Feminista, 1997. • BEAUVOIR, Simone de. Segundo sexo. São Paulo: Difel, 1955. • Tempo da História. Porto Editora, 2012

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O Poder Feminino  

Dossiê Temático, Professora Maria Jesus Pinto, Cláudia Dionísio e Nadine Rita

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