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ANO

NÚMERO

I

38

DATA 27 a 31/07/2012


ESTADO DE MINAS - p. 23 - 27.07.2012


HOJE EM DIA - p. 22 - 27.07.2012


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SUPER NOTÍCIA - P. 04 - 28.07.2012


O ESTADO DE SP - p. a3 - 29.07.2012


Estado de minas – ON LINE – 30.07.2012

SAÚDE

Mulheres dizem não à violência no parto

Crescem no Brasil denúncias sobre desrespeito e humilhações a gestantes. Médicos reconhecem que precisam rever procedimentos. Em Minas, mobilização leva a audiência pública quarta-feira Luciane Evans Era manhã de 18 dia de abril de 2012 e Ana Paula Garcia da Silva, de 30 anos, foi do céu ao inferno em poucas horas. Grávida do primeiro filho, Ana foi vítima, segundo denuncia, de agressões físicas e verbais cometidas por uma equipe médica de uma maternidade particular de Belo Horizonte. Onde esperava aconchego e respeito, ela ouviu palavras rudes, passou por procedimentos que não queria, sentiu-se humilhada e violada. E pior: saiu de lá sem sua menina, Mariana, que morreu 55 minutos depois de nascer. “Não consideraram os meus direitos. Deram-me anestesia à força. Os médicos faziam o que queriam e depois sumiram, sem me dar explicações. Tudo o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declara como práticas claramente prejudiciais no parto foi aplicado a mim”, lamenta, revoltada. Mas Ana Paula não está sozinha. Um grupo de mulheres que passaram pelo serviço de obstetrícia particular ou público no Brasil e se sentiram de alguma forma desrespeitadas está saindo do anonimato e se unindo para exigir mudanças reais. Em Minas Gerais, cansadas de esperar resposta dos órgãos de saúde, elas resolveram levar o caso à Comissão Estadual de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Na quarta-feira, participarão de audiência pública sobre o tema. Com o nome Violência no parto, o movimento acionou entidades médicas do estado e o Ministério Público para abrir o debate, que promete trazer à tona polêmicas que há anos estão em silêncio. A ONU Mulheres, braço da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, está convidando indivíduos, organizações, grupos e redes para enviar observações por escrito sobre injustiças e violações dos direitos das mulheres em todo o mundo. O prazo para o envio pelo site http://www.unwomen.org/csw/communications-procedure-es é quarta-feira. O processo de comunicação tem como objetivo identificar as tendências emergentes na injustiça e práticas discriminatórias, a fim de formular políticas públicas. insatisfeitas Engrossando o coro, as mulheres carregam a tiracolo pesquisas nacionais que comprovam os abusos cometidos nas instituições durante os partos. Um deles, feito em 2010, é da Fundação Abramo e aponta que uma em cada quatro brasileiras sofreu algum tipo de violência durante a assistência obstétrica. As reclamações mais citadas são exame de toque doloroso, negativa para alívio da dor, falta de explicação para os procedimentos adotados e humilhações diversas. Outra análise, mais recente, é da pesquisadora de pós-graduação do Programa de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Ana Carolina Franzon. Trata-se de uma ação de blogagem feita por ela este ano, que apontou: metade das mulheres que respondeu ao teste, aplicado na internet por meio de 75 blogs, disse estar insatisfeita com o atendimento obstétrico que receberam. “Obtivemos 2 mil respostas e a insatisfação estava relacionada à primeira vez de dar à luz. Outro estudo que fizemos,

em 2008, mostrou que há quatro tipos de violência obstétrica: física, verbal, negligência e abuso sexual. O que mais ocorre é a ridicularização da individualidade da mãe. Há médicos que dizem: ‘Na hora de fazer, não doeu’. Há a banalização da dor”, observa, acrescentando que nenhum paciente pode sofrer qualquer tipo de violência dentro de uma instituição de saúde. “É uma infração aos direitos humanos. Quando isso for considerado violência contra a mulher, teremos uma arma para lutar”, diz Ana Carolina. Ao exemplificar uma dessas coações, a pesquisadora compara que no Sistema Único de Saúde (SUS) a equipe médica faz de tudo para não adotar a cesariana, mesmo que a paciente implore. “Já no privado ocorre o contrário: mesmo elas implorando pelo parto normal, eles optam pela cesárea.” A produtora cultural Lis Brasil é vítima de uma dessas violências. “Os médicos querem apressar tudo, para que o procedimento seja conveniente e os leitos, desocupados. São exames doloridos, nos dão o hormônio ocitocina sem a nossa permissão, e dizem que é para dilatar mais rápido. Já a episiotomia, que é um corte na vagina, é um procedimento invasivo e desnecessário, é uma mutilação ao corpo da mulher”, comenta Lis, acrescentando que essas práticas não são recomendadas pela OMS. “Somos tratadas como um pedaço de carne, ninguém quer saber o seu nome”, reclama Lis. Métodos devem ser revistos A classe médica reconhece que há procedimentos desnecessários na assistência ao parto. Segundo o primeiro secretário da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, Frederico Peret, métodos antes considerados de rotina estão sendo revistos. “Há momentos em que essas intervenções são necessárias. O corte na vagina, por exemplo, só deve ser usado em situações que facilite a saída do bebê. Isso corresponde a 20% dos casos”, diz, acrescentando que a ocitocina só deve ser usada quando o trabalho de parto estiver prolongado. “Precisamos rever alguns métodos, mas um dos maiores problemas é a falta de informação da paciente, que deve ser dada pelo seu médico.” Conforme o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, João Batista Gomes Soares, a obstetrícia é a área mais denunciada no órgão. Ele é enfático ao afirmar que nenhum profissional pode conduzir um procedimento que a paciente não queira. “Mas o corte na vagina é consagrado mundialmente, facilita a descida do bebê”, defende, contando que, muitas vezes, as pacientes sem a presença do marido, menores de idade ou com distúrbios mentais são as que mais gritam no parto. “Elas têm que colaborar”, frisa. Sobre a pouca humanização nas maternidades brasileiras, João Batista justifica dizendo que as unidades estão sobrecarregadas e, com isso, a paciência dos profissionais diminui. “Não é justificativa para os abusos, mas é a realidade. Hoje o paciente é impaciente. Para ter uma ideia, 80% dos partos são cesarianas porque as mulheres querem e, aí, o médico acha bom pela conveniência”, afirma.


O ESTADO DE SP – ON LINE – 30.07.2012

Justiça suspende decisão que proíbe médico de fazer parto em casa Resolução do Conselho Regional de Medicina do Rio também ameaçava punir profissional que permitisse presença de doulas (acompanhantes da gestante) em hospitais

Clarissa Thomé A Justiça Federal suspendeu as duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), que proibiam o médico de atuar nas equipes de parto domiciliar e ameaçavam punir o profissional que permitisse a presença de doulas (acompanhantes da gestante) nos hospitais. A liminar foi concedida pelo juiz Gustavo Arruda Macedo, substituto da 2.ª Vara Federal. Para ele, “a vedação à participação de médicos em partos domiciliares, ao que tudo indica, trará consideráveis repercussões ao direito fundamental à saúde, dever do Estado, porquanto a falta de hospitais fora dos grandes centros urbanos, muitas vezes suprida por procedimentos domiciliares, nos quais é indispensável a possibilidade de participação do profissional de medicina, sem que sobre ele recaia a pecha de infrator da ética médica”. estado de minas - P. 25 -- 31.07.2012

Além disso, as resoluções “terminam por dificultar, senão inviabilizar, o exercício da atividade de parteiras”. Para Macedo, não cabe ao conselho impedir que parteiras, doulas e obstetrizes exerçam seu trabalho, regulamentado por lei e decreto federais. A ação civil pública foi ingressada pelo Conselho Regional de Enfermagem do RIo de Janeiro (Coren-RJ), que entendeu que as medidas do Cremerj interferiam na atividade dos enfermeiros. Em nota, o Cremerj informou que vai recorrer da decisão liminar. “O Cremerj lamenta a decisão, já que as resoluções do Conselho visam proteger mães e bebês e oferecer as melhores condições de segurança para o parto”. As resoluções do Cremerj provocaram polêmica e levaram à reação de organizações não governamentais, que defendem o parto humanizado. Uma passeata em defesa do parto domiciliar está marcada para o próximo domingo.


estado de minas - P. 02 - 31.07.2012


estado de minas - P. 26 - 31.07.2012


O ESTADO DE SP - p. a16 - 31.07.2012


ESTADO DE MINAS – on line – 31.07.2012

SAÚDE

O perigo em cápsulas

Cada vez mais corriqueira, a suplementação de vitaminas pode ter efeito contrário e comprometer o organismo. Consumo exagerado leva a problemas cardíacos e a doenças como o câncer de próstata Como o corpo não produz todas as substâncias necessárias para a manutenção de suas funções, como a visão, o desenvolvimento dos ossos e o metabolismo, as vitaminas adquiridas pela ingestão de alimentos têm função essencial para o organismo. Desde que consumida com bom senso. Estudos científicos alertam que o reforço vitamínico exagerado pode causar danos a órgãos do corpo humano. Um deles, divulgado por especialistas na Suíça, indicou que os suplementos de cálcio, por exemplo, podem aumentar o risco de ataque cardíaco. Efeito parecido com o causado pelo excesso de vitamina D, de acordo com pesquisadores norte-americanos. Também nos EUA, cientistas alertam que a vitamina E pode aumentar o risco de câncer de próstata. Segundo Ian Reid, um dos autores da pesquisa realizada pela Divisão de Câncer Epidemiológico e Preventivo do Instituto Social e Preventivo de Medicina da Universidade de Zurique, na Suíça, mesmo a principal fonte de cálcio – o leite e seus derivados – sendo ingerida regularmente, ela não tem quantidade suficiente do elemento indicada para pessoas mais velhas, aumentando, assim, nas últimas décadas, o estímulo à ingestão de suplementos. De acordo com Reid, a ingestão é mais prevalente para a prevenção da osteoporose depois da menopausa. “O uso causa preocupação no que se refere ao risco do surgimento de problemas renais, que aumenta em 20% entre as pessoas que tomam suplemento sem orientação médica”, explica o pesquisador suíço. A pesquisa comandada por Reid teve início em 1994 e avaliou um grupo de cerca de 24 mil pessoas durante 11 anos. No fim, foram registrados 354 ataques cardíacos, 260 derrames e 267 mortes de problemas cardiovasculares. As pessoas que tomavam cálcio moderadamente, ingerindo alimentos com a substância, tinham o risco mais baixo de ter ataque cardíaco se comparadas àquelas que ingeriam menos. Entretanto, aqueles que tomavam mais de 1,1mg (quantidade considerada acima do padrão do país) tinham o risco aumentado. Quando o grupo de pesquisadores observou os suplementos de cálcio, descobriu que havia um aumento de 86% de ataque cardíaco entre as pessoas que tomavam os comprimidos regularmente. A vitamina D, que trabalha com o cálcio para auxiliar no desenvolvimentos dos ossos e dos dentes, também entrou na lista das substâncias que podem fazer mal se consumidas em excesso. A pesquisa, publicada em abril no periódico The American Journal of Cardiology, foi preconizada por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, nos Estados Unidos. A conclusão é parecida com o estudo de Zurique: a vitamina D em excesso pode parar de conferir benefícios cardiovasculares e causar problemas nos níveis de sangue, deixando-os abaixo do que é considerado normal para o organismo. No caso da vitamina E, quando ingerida em excesso, pode aumentar o risco de câncer de próstata. Um estudo feito em 2011 pela clínica Cleveland, em Ohio, detectou que a possibilidade de desenvolver a doença aumenta em 17%

entre os homens que ingerem 400 unidades de pílula de suplementos dessa substância – o equivalente ao consumo de uma cápsula por dia durante pouco mais de um ano. A dose estudada foi aproximadamente 20 vezes maior do que a recomendada (veja arte acima). Foram avaliados 35 mil homens com idade média de 50 anos. Os cientistas descobriram que, entre eles, em cada mil que tomavam o suplemento de vitamina E, houve 76 casos de câncer de próstata, enquanto entre os que ingeriam placebo houve 65 ocorrências. “No caso do câncer de próstata, novas pesquisas devem ser feitas para mostrar maneiras efetivas de prevenir, detectar e curar a doença, e os bilhões gastos em suplementos devem ser redirecionados para isso”, considera o pesquisador David Samadi, da Escola de Medicina de Mount Sinai, em Nova York. Samadi ressalta ainda a importância de consultar um médico antes de dar início a uma dieta baseada em suplementos vitamínicos. O geriatra Clóvis Cechinel faz o mesmo alerta. “Na geriatria, recomendamos a reposição do que é básico. A reposição indiscriminada de minerais acarreta riscos para a saúde. Já sabemos, por exemplo, que a vitamina C pode resultar em problemas”, considera. As doses superiores a mil miligramas por dia da substância causam, de acordo com o médico, diarreia, pedra nos rins e alterações do ciclo menstrual. Cechinel, no entanto, ressalta que, no caso da osteoporose, não é preciso sacrificar o consumo de cálcio temendo resultados de estudos científicos. “Os suplementos da substância só são um problema quando a pessoa tem um osso forte e saudável, mas os ingere sem indicação médica”, afirma. A cardiologista Marly Uellemdahl também se preocupa com reações alarmistas. Mas reforça a importância de adotar alguns cuidados antes de iniciar uma suplementação de vitaminas. “A pesquisa publicada é bem fundamentada, mas a reposição de cálcio não melhorou ou diminuiu a capacidade cardiovascular dos participantes. Apenas quando consumida em excesso, a substância se acumulou nas paredes dos vasos e causou o problema”, explica. A nutricionista Elisa Gourlat comenta que, se uma pessoa segue uma dieta rica em vitaminas, não precisa recorrer a suplementação. “O organismo demanda quantidades baixas da vitamina. Devido a isso, caso um indivíduo tome suplementos quando não é necessário, pode comprometer as funções renais, gástricas e até mesmo hepáticas do corpo.” Na menopausa Em outro estudo feito pela mesma equipe de cientistas norte-americanos em 2008, foi analisado um grupo de aproximadamente 1.500 mulheres saudáveis que estavam vivendo a pós-menopausa. Elas receberam 1g de cálcio por dia ou 1g de placebo, durante cinco anos. Ao fim da investigação, os pesquisadores verificaram que houve um aumento de 40% nos problemas cardiovasculares no grupo que ingeria os suplementos.


27 a 31 Julho 2012  

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