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Ano II

NĂşmero 130

Data 06/09/2012


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Estudo identifica quase 300 grupos de pichadores que usam garranchos para marcar território no hipercentro da capital. Fiscalização não consegue deter as gangues ativas

O rastro da pichação foi mapeado no Hipercentro de Belo Horizonte, região onde 273 grupos já deixaram suas marcas de sujeira por fachadas, muros, marquises e paredes de imóveis em uma área de 120 quarteirões e cinco praças. Entre os 2.563 rabiscos encontrados, cerca de 800 diferentes assinaturas foram impressas por vândalos em diferente épocas. Apesar de diariamente receber detidos em flagrante por pichação nas delegacias regionais, a Polícia Civil afirma não ter quantificação do total de pessoas que praticam o crime na cidade. Mas, conforme levantamento feito pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), pelo menos sete gangues se mantêm ativas na região. Com idades entre 17 e 42 anos, os pichadores identificados na pesquisa trabalham, estudam e têm diferentes perfis socioeconômicos. Em comum têm o gênero: todos são homens. O estudo teve início no ano passado e durante seis meses pesquisadores foram a campo mapear as pichações e entrevistar integrantes desses grupos. Em fase conclusiva, o estudo que será finalizado em março de 2013 mostra que enquanto algumas áreas são mais cobiçadas pelos mãos que carregam rolinhos ou frascos de aerosol, outras são poupadas em função do policiamento, da revitalização ou da grande movimentação de pessoas. O que dá a ideia, segundo levantamento, de que a geografia da pichação não é homogênea na capital. Entretanto, normalmente os imóveis comerciais são os mais visados, com 1.640 rabiscos, liderando a lista de alvos. Para essa questão, pesa também o fato de que a área escolhida para o estudo tem vocação tipicamente voltada para os negócios. Prédios públicos aparecem em segundo lugar, com 364 pichações e as construções desocupadas estão em terceira posição, com 237 registros. Nem mesmo igrejas ou museus são poupados. Na região, 22 templos foram pichados e um centro de arte também teve a fachada marcada pela sujeira dos sprays. Diferentemente de outras épocas, como o período pós-ditadura, de quando datam os primeiros registros de pichação em BH, as marcas do vandalismo na capital mineira na atualidade têm intenção de demarcar território, como explica o professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da PUC Minas

Alexandre Diniz. “O que percebemos é que esses grupos buscam ser vistos, disputam notoriedade e querem cada vez mais pichar para mostrar que estão em mais partes da cidade”, ressalta o professor. Coordenador da pesquisa intitulada Pichação: demarcação territorial do Hipercentro de Belo Horizonte, Diniz afirma que prova da rivalidade entre os grupos está na cobiça pelos pontos mais altos dos prédios ou pelas construções mais conhecidas. “As áreas mais visadas são os topos dos prédios”, diz. MAIS PICHADOS O olhar dos pesquisadores Sérgio Alves Alcântara e Rodrigo Guedes Braz Ferreira, – graduandos em geografia e bolsistas do programa de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) –, revelou ainda que o abandono e a falta de manutenção são fatores que estimulam a ação dos vândalos. Prova disso é que o prédio identificado pelo estudo como o mais pichado foi uma construção na Avenida do Contorno, à época abandonada, onde hoje está sendo construído um hotel. No mesmo nível, o prédio da Imprensa Oficial, na Avenida Augusto de Lima, chama a atenção dos pesquisadores pela concentração de rabiscos. Por outro lado, explica Rodrigo, áreas recém- revitalizadas, como o entorno do Minascentro e do Mercado Central, bem como áreas privadas como o Shopping Cidade, onde há vigilância 24 horas, são menos focadas pelos infratores. O espaço escolhido para a pesquisa compreende o recorte entre a Avenida Bias Fortes, Rua dos Timbiras, Avenida Afonso Pena, Avenida Assis Chateaubriand, Rua Sapucaí, Viaduto da Floresta e Avenida do Contorno.


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Exame - SP - CONAMP - 06.09.2012

Risco de multas cresce se MP do Código Florestal caducar

O decreto presidencial suspendia a aplicação de multas aos produtores que descumpriram as regras de regularização fundiárias e ambientais estabelecidas em 2008 Valter Campanato/ABr Com velas, os estudantes deixaram uma mensagem na frente do Palácio do Planalto: “Veta tudo, Dilma” Brasília - A falta de acordo para aprovar a medida provisória que trata do Código Florestal elevará, na avaliação do governo, a pressão para que Ministério Público e órgãos de controle ambiental nas esferas estaduais e federal passem a aplicar multas a produtores que desmataram áreas que deveriam estar preservadas em suas propriedades, afirmou nesta quarta-feira uma fonte do Executivo. Sem a MP o conceito de áreas consolidadas “deixa de estar regulamentado no Código Florestal”, segundo avaliação dessa fonte, que pediu anonimato e está envolvida nas negociações com o Congresso para aprovação da medida. O decreto presidencial suspendia a aplicação de multas aos produtores que descumpriram as regras de regularização fundiárias e ambientais estabelecidas em 2008. Segundo essa fonte, o decreto, no entanto, perdeu a validade em 11 de junho e desde então os produtores podem ser multados. Essa tese é contestada pelo presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), o deputado Homero Pereira (PSD-MT), sob argumento de que um dos artigos do Código Florestal determina a suspensão de multas até que o Programa de Regularização Ambiental (PRA) seja implantado.

06 Set 2012  

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