Issuu on Google+

Ano I

NĂşmero 33

Data 21/06/2012


O TEMPO - mg - p. 04 - 21.06.2012


estado de minas - MG - P.28 - 21.06.2012

SANTA TEREZA

Vizinhos da polícia, reféns dos ladrões

Onda de crimes nas proximidades do 16º BPM apavora donos de bares e restaurantes, que criticam demora da PM para agir. Taxistas, lojas e até igreja do bairro também foram alvos Pedro Ferreira O aviso colado diante do templo católico informa o motivo de portas e grades ficarem fechadas durante a maior parte do dia (Fotos: Gladyston Rodrigues/Em/D.a/ Press) O aviso colado diante do templo católico informa o motivo de portas e grades ficarem fechadas durante a maior parte do dia Clientes nada desejáveis, que chegam em motos, de madrugada, têm levado bares e restaurantes do tradicional Bairro de Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, a baixar as portas mais cedo. Vítimas de ataques por assaltantes armados, os comerciantes se queixam de uma onda de roubos que ocorre apesar da proximidade do 16º Batalhão da Polícia Militar, localizado na Rua Tenente Vitorino. Em apenas uma semana deste mês, seis estabelecimentos foram atacados. O policiamento ostensivo é de responsabilidade da 20ª Companhia da PM, que fica atrás do batalhão, mas são apenas 155 PMs e oito viaturas para fazer a segurança de 133 mil habitantes da própria comunidade e de outros 14 bairros. O medo de assalto é tanto que o pároco da Igreja de Santa Tereza e de Santa Terezinha, padre Albano de Souza, passou a trancar as portas do templo. “Por motivo de assaltos seguidos de roubo, a igreja permanecerá aberta somente após as 16h”, diz aviso pregado na porta. Uma fiel conseguiu impedir que um ladrão levasse a imagem do Divino Pai Eterno. O padre João Maria, da Congregação dos Crúzios, foi abordado por ladrão depois da missa e entregou R$ 50 que tinha no bolso. A violência que não respeita nem os religiosos amedronta ainda mais quem trabalha ou se diverte à noite. No último dia 9, um sábado, por volta das 3h30, o Bar Cantus de Aristóteles, na Rua Bocaiúva com Quimberlita, estava com 100 clientes quando dois homens armados renderam a cozinheira e um freguês no balcão. A funcionária foi obrigada a ficar em silêncio e entregou R$ 700. A proprietária, Rosa Terezinha da Luz Lampert, de 52, também foi ameaçada quando percebeu a movimentação estranha. Temendo pela segurança dos clientes e funcionários, ela não reagiu e acionou a PM quando a dupla fugiu em uma moto. “O batalhão fica a dois quarteirões do meu bar e os policiais chegaram duas horas depois. Ainda ficaram enrolando do lado de fora, multando carros”, disse Rosa. Na quarta-feira anterior, outra dupla armada chegou em uma moto e rendeu o dono do São Benedito Butequim, na Rua Dores do Indaía. “Foi por volta da 1h30 e fomos mantidos reféns por 15 minutos. Eles baixaram as portas e o tempo todo ameaçaram a gente com armas “, disse Júlio César Costa, de 28. Segundo ele, os mesmos assaltan-

tes atacaram outros bares nas duas madrugadas seguintes. “Pelo relato das vítimas, eles usavam as mesmas roupas, a mesma moto e os mesmos capacetes. Foram os mesmos que atacaram o Bolão e o Bar da Rosa. Os bandidos estão tão seguros da falta de policiamento que voltam no dia seguinte. E a PM não faz nada, nem um trabalho preventivo de abordagem de suspeitos”, reclama. O assalto ao tradicional Bolão ocorreu às 5h30 do dia 8, uma sexta, na Praça Duque de Caxias, a menos de 50 metros do batalhão da PM. “A gente tinha acabado de abaixar as portas e três homens armados entraram pelo portão ao lado. Abordaram os garçons e saquearam o caixa. Levaram R$ 1,5 mil e maços de cigarros”, conta o gerente, Henrique Rocha. “Estamos encerrando o expediente mais cedo depois disso, às 4h. Nossa vontade é trabalhar até mais tarde, mas não podemos correr esse risco. Estamos deixando de faturar”, reclama. Taxistas de um ponto em frente ao batalhão, lojas e mercearia também foram alvos dos ladrões. A loja de roupas Femme Fatale, na Rua Mármore, foi assaltada por dois homens armados. A dona, Karla Gomes, de 29, e a funcionária Laura Ferreira, de 30, foram ameaçadas com revólveres e trancadas no banheiro. Desde então, a porta de vidro é mantida fechada o tempo todo e o cliente precisa se identificar para entrar. O assalto foi às 18h, quando as vítimas se preparavam para fechar a loja. “Um homem armado entrou e o comparsa ficou do lado de fora. Perguntou se havia mais alguém e levaram a gente para o banheiro e trancaram a porta. O que entrou primeiro gritou para o outro estacionar o carro e disse que era para limpar tudo”, disse Karla. A revolta dela foi maior quando percebeu no boletim de ocorrência que o policial colocou como causa presumida do roubo “dificuldade financeira/ cobiça”. O comandante da 20ª Companhia da PM, major Edson Gonçalves, não apresentou estatísticas de roubos no Santa Tereza, mas argumenta que os números da criminalidade estão estáveis no bairro. “Temos viaturas fazendo a ronda em todos os turnos”, alegou. Em relação à reclamação de que a PM demora até duas horas para chegar aos locais dos crimes, o major informou que a demanda é alta. “Temos que atender também casos de perturbação do sossego e são muitas reclamações”, disse. Segundo ele, os 155 militares são poucos para atender 133 mil habitantes em 15 bairros. “Muitos desses policiais estão de férias, licença médica, trabalhando na administração, ou saem para fazer cursos”, afirmou. Todos os crimes no bairro, segundo ele, estão relacionados ao tráfico e ao uso de drogas.


O Estado de S. Paulo - SP - CONAMP - 21.06.2012

MP tenta barrar expansão da Operação Cracolândia ARTUR RODRIGUES - O Estado de S.Paulo O Ministério Público vai tentar impedir judicialmente que a operação instalada em janeiro na cracolândia se expanda para outras regiões da cidade de São Paulo. A afirmação foi feita um dia depois de a secretária estadual da Justiça e Defesa da Cidadania, Eloisa Arruda, revelar ao Estado que os próximos endereços da ação ficam na Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul, e no Glicério, na região central. “Se isso for levado adiante, tomaremos medidas judiciais para coibir esse absurdo”, disse o promotor Maurício Ribeiro Lopes. Ele também questionou o número de internações apresentado pela secretária, de 700 pessoas desde o começo da ação. “Quero ver provar 700 internações que tenham durado o tempo suficiente para tratar alguém.” Lopes é um dos responsáveis pela ação que cobra do governo indenização de R$ 40 milhões por danos morais coletivos.

a Defensoria Pública Estadual. “A operação na cracolândia mostrou que não é com o emprego de força policial que se resolve a situação da droga”, afirmou o defensor Carlos Weis. “Na verdade, a atuação policial só faz espalhar pela cidade os consumidores.” Weis defendeu a adoção de medidas de redução de danos, adotadas em vários países europeus. Uma dessas alternativas são as “narcossalas”, nas quais os dependentes usam drogas, mas recebem assistência de profissionais da área da saúde.

Elogio. Mas a notícia da expansão da operação agradou a moradores da zona sul. “Não tenho dúvida de que será positiva se for constante”, afirmou o presidente da Associação de Empreendedores e Moradores do Brooklin, Ademar Távora. Segundo ele, cresceu o número de usuários de drogas na Avenida Jornalista Roberto Marinho depois da ação da PM no centro da cidade. “Nossa ideia é oferecer subsídios para que o poder público possa agir de forma eficiente, não só apontando os A expansão da ope- locais, como oferecendo ração também preocupa outros dados.”


O TEMPO - mg - on line - 2106.2012

Ação.Maconha sintética altera no cérebro mecanismos que freiam impulsos

Sob efeito de novas drogas, jovens podem cometer canibalismo Especialistas dizem que usuários das substâncias são mais agressivos Flórida, EUA. Improving Lives. As autoridades no sul da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que Nacional. No Brasil, A Agência usuários de drogas sintéticas são mais Nacional de Vigilância Sanitária (Anpropensos a cometerem atos de agres- visa) admite dificuldade em fiscalisão extrema. Eles perceberam o com- zar a nova geração de drogas. Muitas portamento estranho dos dependentes dessas substâncias, chamadas de “leao observarem o que faziam dezenas gal hights” ou drogas disfarçadas, são de estudantes em um posto de gasolina consumidas livremente, por possuírem da região. No lugar, os jovens vendiam fórmulas recém-criadas e, portanto, envelopes com um misturado de ervas não estarem na lista de entorpecentes - maconha sintética, também chamada proibidos pela agência. de “spice” e “super skunk” - que, junto a “sais de banho”, são uma nova geraSabe-se, contudo, que essas subsção de drogas. tâncias são criadas em laboratório e imitam o efeito de outras drogas já coOs policiais também perceberam nhecidas. que a extrema agressão dos jovens sob Rapidez Europa. Dados da União Europeia, efeito da maconha sintética e dos tais sais de banho - vendidos como “Cloud de 2011, mostram que um novo tipo 9” e “Ivory Wave” - pode ter relação de droga surgiu no continente a cada com os casos de canibalismo em Mia- semana. No total, foram identificados mi. Um exemplo é Rudy Eugene, que 49 novos compostos de laboratório devorou 75% do rosto do morador de um crescimento de 20% em relação a rua Ronald Poppo na ponte da estrada 2010. MacArthur, que liga Miami Beach ao centro da cidade. Eugene estaria sob efeito dessas drogas.

Legalização e vício não têm relação direta

Especialistas acreditam que os “sais de banho” são como um “tipo de cocaína superpoderosa de laboratório”. A “Cloud 9” e a maconha sintética produzem psicoses, delírios, alucinações auditivas e táteis. Eles dizem que, dentre os efeitos no corpo humano, elas podem alterar no cérebro os mecanismos que ajudam o ser humano a frear os impulsos agressivos.

Washington, EUA. Economistas de três universidades analisaram dados sobre uso da maconha por jovens entre 1993 e 2009 e descobriram que, apesar de o uso ter crescido, não há evidências entre a legalização da droga que é usada para fins medicinais e o aumento do vício entre alunos do ensino médio.

“Isso é muito comum com essas drogas. Tive vários pacientes que pensam que são Deus ou acham que têm poderes sobrenaturais”, disse o psicoterapeuta Alfredo Hernández, administrador do centro de saúde mental

Para o professor Benjamin Hansen, da Universidade do Oregon, o resultado do estudo é importante, pois o governo norte-americano intensificou os esforços para fechar locais onde existe a maconha medicinal.


21 Jun 2012