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Interação homem-animal

O processo da descoberta e do tratamento de câncer em animais de companhia na visão da psico-oncologia

A

tário que nunca viu seu animal doente ou debilitado. Também é um período de muita dedicação, que envolve a dedicação de tempo e cuidados ao paciente, além do investimento financeiro. O paciente em período pós-operatório de uma cirurgia invasiva ou mutilante necessita de cuidados especiais e, por isso, torna-se muito dependente de seu dono para atividades básicas, como alimentação, eliminação e auto-higiene. Da mesma forma, os animais que apresentam efeitos colaterais após a quimioterapia, como inapetência, vômitos, diarreia ou infecções oportunistas por queda de resistência, também necessitam do suporte de um cuidador. Tudo isso deve ser discutido e considerado no momento da decisão sobre o tratamento a ser ministrado. A dedicação dos proprietários aos seus animais doentes durante o período de tratamento pode levar a uma não planejada quebra de rotina de trabalho ou de lazer. A observação da degradação física e do sofrimento evidente de um animal amado pode se tornar um fator de estresse físico e psíquico para o proprietário. O suporte técnico e também afetivo da equipe que assiste os pacientes durante o tratamento pode minimizar o Hospital Veterinário da UFMG

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É normal que, após o impacto do diagnóstico, os proprietários do animal tenham necessidade de um momento de reflexão. Alguns deles, principalmente aqueles que são muito apegados aos seus bichos de estimação, podem experimentar um período de desorganização psíquica e ficar sem condições de decidir ou agir, mesmo se bem orientados pelo veterinário. A partir de observações feitas durante a prática clínica em oncologia de pequenos animais, percebemos que, quando o vínculo de confiança entre o proprietário e o veterinário é satisfatório, a experiência tende a ser menos conflituosa. Em algumas situações, o apoio de um psicólogo pode ser importante. Oferecer informações sobre a doença além das contidas em livros, artigos ou manuais técnicos – como, por exemplo, conversas com proprietários de outros animais com o mesmo diagnóstico –, possibilitar o contato ou apresentar vídeos de animais em tratamento e de pacientes já tratados podem ser formas de o proprietário vislumbrar a doença e os procedimentos que a cercam de maneira mais realista. O período de tratamento compreende vários temores e experiências individuais, principalmente para um proprie-

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caminho percorrido pelo proprietário de um animal com câncer é árduo e pode incluir momentos difíceis, como o diagnóstico, as etapas do tratamento, as possibilidades de desfecho (cura, controle da doença ou óbito) e o luto. Nosso grupo, composto por veterinários e psicólogos com experiência em oncologia, tem se dedicado ao estudo do processo da descoberta e do tratamento de câncer em animais de estimação. O texto abaixo apresenta e destaca os momentos de maior impacto sofridos pelos proprietários durante esse processo. A confirmação do diagnóstico de câncer em um animal de companhia que tem importância no contexto familiar em que está inserido é sempre um momento estressante. Recomendamos que o veterinário use, ao mesmo tempo, de sensibilidade e clareza ao prestar informações sobre as possibilidades de cura, as complicações e os efeitos colaterais envolvidos no tratamento. É altamente desejável que os proprietários e os veterinários estabeleçam um vínculo de confiança e empatia desde as conversas iniciais, facilitando assim as decisões a tomar e o planejamento do tratamento de comum acordo.

B

C

Gata apresentando considerável redução da lesão após 3ª (A) e 4ª (B e C) sessões de quimioterapia intralesional, com carboplatina respectivamente (Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 98, p. 64-70, 2012) 36

Clínica Veterinária, Ano XVIII, n. 105, julho/agosto, 2013

Clínica Veterinária n. 105  

Anestesia epidural em Chinchilla lanigera; Cão submetido a hemipelvectomia parcial; Tétano em cães e gatos; Desvio portossistêmico extra-hep...

Clínica Veterinária n. 105  

Anestesia epidural em Chinchilla lanigera; Cão submetido a hemipelvectomia parcial; Tétano em cães e gatos; Desvio portossistêmico extra-hep...