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Tratamento de Scooby, cão que foi vítima de maus-tratos e acometido pela leishmaniose visceral, mostra-se eficaz Malu Cáceres

N

o dia 18 de dezembro de 2012 o Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou em seu site a notícia: “CFMV reforça posicionamento contra o tratamento da leishmaniose e esclarece cassação da ex-presidente do CRMV/MS” – http://www.cfmv.org.br/portal/destaque.php?cod=1094 . No dia 20 de dezembro de 2012 a dra. Sibele Cação, por meio de sua página na rede social Facebook, tornou pública uma nota de esclarecimento. Levando-se em conta que a própria OMS não recomenda a eliminação canina como forma de controle da enfermidade e dado o número de medicamentos veterinários para o tratamento da leishmaniose visceral canina em

Para ajudar a salvar Scooby, assine a petição: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=ABDB2012

utilização em diversos países, as políticas públicas brasileiras deveriam, no mínimo, ser repensadas, pois as ações

da dra. Sibele Cação enquadram-se perfeitamente dentro do código de ética do médico veterinário: “Resolução n. 722, de 16 de agosto de 2002: CAPÍTULO I – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – Art. 2º Denunciar às autoridades competentes qualquer forma de agressão aos animais e ao seu ambiente. [...] Art. 3º Empenhar-se para melhorar as condições de saúde animal e humana e os padrões de serviços médicos veterinários. CAPÍTULO II – DOS DIREITOS DO MÉDICO VETERINÁRIO Art. 8º Apontar falhas nos regulamentos, procedimentos e normas das instituições em que trabalhe, comunicando o fato aos órgãos competentes e ao CRMV de sua jurisdição.

NOTA DE ESCLARECIMENTO - 20/12/2012

Em relação à cassação do meu mandato, acredito que o CFMV tenha cometido um grande equívoco e que esteja havendo uma perseguição política em relação a mim pelo Presidente do CFMV, pois é fato que temos discordâncias ideológicas referentes ao sistema CFMV/CRMVs. Sinto-me injustiçada e por isso estou tomando todas as providências para me defender judicialmente. Em meus pronunciamentos acerca da leishmaniose, sempre busquei informar corretamente a sociedade sobre as formas de transmissão, prevenção e controle, afirmando que é necessário que o Poder Público promova ações mais efetivas para tirar a leishmaniose da classificação de zoonose negligenciada. Sobre o tratamento, falei apenas a verdade, fruto de conhecimento que adquiri ao longo de anos de estudos e participação em Seminários, Simpósios, Palestras, Fóruns e Congressos. Os incomodados com as verdades ditas, à época do caso Scooby, resolveram me denunciar anonimamente ao Ministério Público Federal, alegando que eu estaria causando grandes prejuízos à saúde pública da população campo-grandense. O

MPF questionou o CFMV, que por sua vez resolveu abrir inquérito administrativo para apurar o desvio de minha conduta enquanto Presidente do CRMV/MS, o que resultou nessa cassação. Em decorrência disso e prevendo uma ação judicial futura em minha defesa, fui pessoalmente conversar com o Prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, no início do mês passado, quando solicitei a guarda definitiva do Scooby, pois ele é importante instrumento de provas, através de exames, perícias e laudos a serem solicitados pelo MPF ou pela justiça. Ele prontamente concordou em me dar a guarda definitiva do Scooby, que ainda estava em tratamento, aguardando para a formalização apenas os resultados finais dos exames. Nesta segunda-feira, o relatório final do caso do Scooby – em que foi demonstrada a eficácia do tratamento, com todos os exames normais, inclusive pesquisa de parasita negativo – foi entregue pessoalmente ao prefeito pela veterinária responsável por sua aplicação. Somente a sorologia ainda permanece reagente, o que é considerado normal pelos especialistas, que afirmam que ela

pode levar meses para negativar. Procurei o prefeito para oficializarmos a guarda definitiva. Ontem tive a notícia de que o cão deveria ser devolvido ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), e que eu deveria solicitar a adoção do Scooby à coordenadora da instituição. De fato, o Scooby foi entregue na noite de ontem, 19/12/12, com a minha presença testemunhal, à dra. Ana Paula, veterinária de plantão do CCZ, para ficar sob a responsabilidade da dra. Iara. Disseram-me que novos exames deveriam ser realizados no Scooby. Hoje, protocolei no CCZ a solicitação da adoção do Scooby, solicitando ainda que o cão não sofresse eutanásia e nem qualquer tipo de intervenção que pudesse pôr em risco sua integridade física. Também deixei claro, na solicitação de adoção, que uma cópia desta seria protocolada no Ministério Público Federal. Estou agora aguardando a formalização dessa adoção, pois o cão está desde hoje sem medicação, o que pode fazer sua ótima recuperação regredir. Esperamos que o prefeito mantenha a sua palavra! Dra. Sibele Cação

Clínica Veterinária, Ano XVIII, n. 102, janeiro/fevereiro, 2013

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Clínica Veterinária n. 102  

Remoção cirúrgica de osteossarcoma mandibular em serpente; Palatabilidade de petisco enriquecido com fibra solúvel; Tratamento farmacológico...

Clínica Veterinária n. 102  

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