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ENTREVISTA DESENVOLVIDA PARA A DISCIPLINA TÉCNICAS DE REPORTAGEM. | PROFESSOR MS. PAULO ARRUDA. | 2° SEM JORNALISMO

SUCESSO NAS ONDAS DO RÁDIO

Uma das grandes vozes do Litoral Norte Paulista, famosa pelo “Um Beijo no Queixo” A radialista da Caraguá FM Letye Andrade conquista a todos com o seu carisma e alegria pelas manhãs. Confira a entrevista que conseguimos entre intervalos do seu mais novo projeto dominical “Rosa Choque”. Por Cléverton Santana*| Fotos: Marcelo Souza


onde eu fiquei por sete anos e meio e foi Como você decidiu que queria uma grande escola. trabalhar no rádio? Eu tinha onze anos. Meus pais sempre A voz do rádio deve criar uma cobraram quanto a profissão de seus imagem... Como é isso? As pessoas filhos.Meu pai sempre gostou de assistir tem curiosidade de saber como você aos telejornais, e fazia parte do nosso é fisicamente? hábito asssiti-los. Em meados de 1983, O rádio trabalha com a imaginação. Mas, estávamos assistindo ao Jornal Hoje, que com o advento da internet, infelizmente na época era apresentado pela Leda não existe mais a magia do rádio... Nagle. Foi quando eu “bati” na tela da Hoje temos câmeras no estúdio, temos televisão, e disse que queria ser como as redes sociais... Ali tem foto... mas eu ela. Até então, eu nem sabia o que era acho bacana ... Já me imaginaram loira, na verdade, até que comecei a buscar alta de olhos azuis ... (risos). informações (vale lembrar que naquela época não existia internet). Fui até a E você faz algum exercício para cuidar biblioteca, e comecei a ler o que era da voz? ser um apresentador de televisão, o que O rádio trabalha com a imaginação. Não faço. Mas deveria porque precisava fazer para Mas, com o advento da internet, é o meu ganha se tornar um (no caso infelizmente não existe mais a magia pão... Evito estudar Jornalismo). A do rádio... beber água partir desse momento gelada. Evito, que eu decidi o que queria seguir e mas não deixo de tomar.... Mas fora voz, comecei a investir em mim, com leitura. o importante é a dicção. Tem gente que Quando você lê, você escreve bem, fala pensa que trabalhar no rádio é só voz. A bem e enriquece o seu vocabulário. voz, hoje é só um detalhe. Antigamente era necessário uma voz forte, até porque Com quantos anos você teve o seu os equipamentos não eram tão bons... primeiro trabalho no rádio? Aos 19 anos. Comecei na cidade de No começo da carreira você estudou Ubatuba, fiquei por pouco tempo. Depois bastante... E depois? disso fui para Avaré (interior de São Eu vim para o litoral com 20 anos para Paulo), Ourinhos. trabalhar, na época não tínhamos faculdade. Como sempre quis me Então a voz da “Letye” já percorreu especializar, fiz alguns cursos de idiomas. um pouco .. se engana quem pensa Não cheguei a fazer Jornalismo, na que você trabalhou só aqui no litoral... verdade eu sou Habilitada. Sou formada Não... No .. Começo de carreira é em Marketing pela UNIP que época começo! (risos). Foi a partir daí que também não tinha o curso de Jornalismo. surgiu a oportunidade de eu trabalhar em São Sebastião, na Morada do Sol, Qual foi o evento que marcou sua


carreira? Jornalismo é uma coisa de dom mesmo.... O que mais me marcou foi a vinda do Papa ao Brasil na cidade de Aparecida do Norte. Foi a hora que senti realmente que eu era Jornalista por natureza, por dom... Porque o Jornalista não é aquele que chega e apresenta, é aquele que vai atrás da noticia, que passa por situações difíceis para conseguir a noticia, a matéria para transmitir para a população.

próprias musicas. Só que o rádio, não é só música, o rádio sempre foi mais do que música. A grande formula do rádio que deu certo, foi a rádio AM... A FM é uma AM melhorada. Não existe final pro rádio. O rádio, é percussor de tudo já tivemos até novela no rádio.

Diferente dos outros veículos, você pode ouvir rádio no carro, no celular, em casa ... O gostoso do rádio, é que ele não te O Show da manhã é um dos seus carros prende com imagem. Você pode ligar o chefes. Como é o seu contato com o rádio num cantinho e andar a casa inteira público? E o “Beijo no Queixo”? e você vai ter aquela compania.. Diferente Virou uma coisa da televisão ou da Porque o Jornalista não é aquele bacana ... Eu que internet que você criei, mas eu não que chega e apresenta, é aquele que tem que parar o imaginava que que está fazendo vai atrás da noticia, que passa por e ficar olhando iria chegar aonde está hoje... todos a tela. O rádio situações difíceis para conseguir a para os lugares que eu te dá mobilidade vou as pessoas noticia, a matéria para transmitir para também. falam... Um beijo! O Show da Manhã é a população. No queixo! Nunca um programa bem imaginei que variado. Como ele chegasse nisso, porém, a certeza de que foi criado? o rádio sempre foi companheiro, isso eu Na verdade, nada se cria... tudo se copia. sempre tive. Porque quando você está A minha intenção foi fazer uma forma de sozinho, e ele te faz companhia você pega fazer um programa matinal de televisão, algumas coisas dele, você absorve. Então, só que no rádio. A diferença, é que eu quando eu falo com alguém do outro lado não posso falar de culinária, pois o rádio do rádio, a pessoa está me respondendo não passa o cheiro, nem a imagem. Esses .. O rádio, é amigo. programas, são projetos que deram certo na televisão. O ouvinte quer saber Muito se fala no fim do rádio. o seu horóscopo e o que acontece na sua Não não ... Quando chegou a internet, novela, a companhia, você falar o que ela falava-se muito disso, que o rádio iria quer ouvir . acabar... Que pela internet você poderia criar sua própria rádio, e escutar suas Até porque, quem mais escuta esse próprias musicas. Só que o rádio, não é programa são as donas de casa.... Eu não posso mais seguimentar meu


publico. Quando eu comecei, eu pensei realmente que iria atingir apenas esse grupo. Mas hoje, tenho muitos homens que participam... Crianças que gostam do meu programa...Hoje, posso falar que meu publico é de 8 a 80 anos. Graças a Deus o “Show da Manhã” tem atingido a todos os públicos, eu falo isso pelas participações. E agora, além de apresentar de segunda a sexta o Show da Manhã, você também apresenta o Rosa Choque nas manhãs de domingo. Isso, o Rosa Choque é um projeto diferente. Levamos um bate papo ao ouvinte que desconhece o que acontece na área de saúde e têm suas duvidas. Eu sempre costumo dizer, que as pessoas só mudam de nome e endereço, os problemas são sempre os mesmos. Quando estamos na faculdade, temos a impressão de que depois de formados iremos mudar o mundo. Qual a dificuldade quanto profissional, lidar com a censura? Tenho sorte que trabalho em um veiculo que me dá autonomia e me presta um respaldo. Mas, o grande problema do Jornalismo e dos meios de comunicação é a censura interna. A censura externa não existe. Nós não nos atemos aos fatos, e não inventemos também,se for necessário nós falamos, não temos censura. Só que muita vezes temos que tomar cuidado sim. Porque, assim como você pode abrir portas, pode fechar também... infelizmente. Você pretende largar o rádio? Não. Nunca. Não penso em mudar de meio, posso agregar a outros. Já apresentei um programa de televisão em um canal de TV a cabo. Também fui convidada para escrever no Jornal Noroeste News, semanalmente escrevo a coluna “Foi Notícia” comentando algum fato importante da semana. Letye Andrade é seu nome artístico... Isso. Mas também não vou falar meu nome verdadeiro!! (risos). Minha irmã que criou esse apelido pois não sabia meu nome... Só quem sabe meu nome são os professores e minha família.

*ESTUDANTE DO 2° SEMESTRE DE JORNALISMO. E-MAIL: clesantana@live.com

O grande problema do Jornalismo e dos meios de comunicação é a censura interna. A censura externa não existe.

ENTREVISTA COM LETYE ANDRADE  

ENTREVISTA DESENVOLVIDA PARA A DISCIPLINA "TÉCNICAS DE REPORTAGEM". PROF. MS PAULO ARRUDA

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