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José Paulo Cruz Pereira Le “ gribouillage ”, en tant que vraie et propre carnavalisation de la “ peinture ”, est une pensée qui émerge tard chez Goya, [. . . ]. Ce sera le graveur, l’auteur de petites pochades et surtout le dessinateur qui laissera parler sa pensée le plus ouvertement. [. . . ] La formalisation tardive de la relation de reversement [ne] peut être réellement comprise [. . . que si l’ont fait] émerger les figures du ‘désordre’ carnavalesque. (Ibidem: 49-50; sublinhado meu)

O que haverá, então, de comum entre o carnaval e o monstruoso? Em que consiste o carnaval? Como o definem os autores? Le carnaval pourrait être défini comme étant la fête de l’altérité joyeuse, qui célèbre la période de dérive de l’univers quand l’ordre tombe. Son contraire – le désordre – triomphe et le cosmos lui-même est vaincu par le chaos. Le carnaval est la joie devant la différence triomphante (joie devant le désordre et devant le chaos, vus comme revers de l’ordre et du cosmos). (Ibidem: 20-21)

O carnaval é, assim, um tempo de excesso e licença, de reversão e passagem em que – como diria José Gil – a “indescernibilidade entre o caos e o devir-outro” se instaura como princípio de atração. E entre um e outro é a figura do monstro, entendida como disfarce de animal usado pelo homem, que aí desponta: Le déguisement de l’homme en animal implique un renversement des règnes, celui de l’homme en femme et de la femme en homme un renversement des rôles sexuels qui – nous l’avons vu chez Goethe – fait corps commun avec un renversement de l’ordre social (l’opprimé déguisé en oppresseur et vice-versa). (Ibidem: 25-26)

Com efeito, do lado inferior esquerdo de El Entierro de la Sardina, da roda daqueles que assistem à passagem da massa movente dos foliantes, sombriamente emerge a sinistra figura de uma espécie de homem-urso, que avança sobre as mulheres jovens que dançam na multidão. É a “antropologia” cultural, lembram-nos V. I. Stoichita e Anna-Maria Coderch, que nos chama a atenção para o topos de “o urso que sai da caverna nos próprios dias do apogeu da festa” (Ibidem: 47):

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O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

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