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José Paulo Cruz Pereira

dos seus braços cruzados e de, ao mesmo tempo, dele se poder ver um dos seus olhos aberto. A representação, em simultâneo, das suas visões oníricas faz-nos aí supor que um tal sonho deveria, também ele, poder decorrer em estado de vigília. . . “Sonhar” poderia, então, entender-se como uma espécie de abandono vigiado aos fulgores de uma imaginação cujo repertório ali profusamente se desdobra. De facto, até a desordenada multiplicidade das figuras que, no desenho, povoam os seus sonhos nos conduz à impressão de estarmos, aí, diante de uma amálgama de várias experiências oníricas. Quem ali sonha teria, além disso, pesadelos, a julgar pelas máscaras de horror a que uma contiguidade estabelecida com os seus já mencionados autorretratos empresta a sugestão de uma espécie de metamorfose em progressão. O segundo desenho preparatório, contudo, que nos trará ele de novo? El segundo borrador es también un dibujo a pluma que se conserva en el Museo Nacional del Prado. Esta ilustración se diferencia notablemente de la del primer borrador, y, por cuanto hace a la creación del Capricho 43, se acerca ya de manera considerable a lo que será su versión definitiva. [. . . ] Los dos elementos de la ilustración que en el primer borrador se encontraban a la derecha, en medio (las aves nocturnas) y abajo (el lince), se amplían, completan e remodelan. (Ibidem: 28)

Aproximamo-nos aí da versão final. Não são, todavia, apenas certos dos elementos do bestiário inicial que, no segundo desenho, se “ampliam, completam e remodelam”. É também aí que a palavra sueño ocorre pela primeira vez – ao centro da sua margem superior, inscrita à maneira de um título: Sueño Io ... Diz Helmut C. Jacobs: El título es Sueño Io . Obviamente, está previsto que éste sea el primer título del ciclo y que el folio se utilice como su frontispicio. En el tablón lateral del escritorio puede verse el texto siguiente, con la única datación segura de los Caprichos: “Ydioma universal. Dibujado y Grabado p.r Francisco de Goya año 1797”. Finalmente, el texto de la leyenda de la imagen es: “El Autor soñando. Su yntento solo es desterrar bulgaridades perjudiciales, y perpetuar con esta obra de caprichos, el testimonio solido de la verdad”. (Ibidem: 28-29)

A série em que Goya, inicialmente, pensou seguia, pois, os preceitos de uma tradição barroca: a dos Sueños y discursos de Francisco de Quevedo. Era www.clepul.eu

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

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