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Demasiado humano – a familiaridade do monstro O miserable of happy! is this the end Of this new glorious world, and me so [late The glory of that glory, who now become Accursed of blessed, hide me from the [face Of God, whom to behold was then my [height Of happiness; yet well, if here would end The misery; I deserved it, and would bear My own deservings; but this will not [serve: All that I eat or drink, or shall beget, Is propagated curse. O voice once heard Delightfully, “Increase and multiply;” Now death to hear! For what can I in[crease Or multiply, but curses on my head? Who of all ages to succeed, but feeling The evil on him brought by me, will [curse My head? “Ill fare our ancestor impure, For this we may thank Adam;” but his

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[thanks Shall be the execration; so besides Mine own that bide upon me, all from me Shall with a fierce reflux on me re[dound – On me as on their natural center light; Heavy, though in their place. O fleeting [joys Of Paradise, dear bought with lasting [woes! Did I request thee, maker, from my clay To mould me man? Did I solicit thee From darkness to promote me, or here [place In this delicious garden? As my will Concurred not to my being, it were but [right And equal to reduce me to my dust, Desirous to resign, and render back All I received, unable to perform Thy terms too hard, by which I was to [hold The good I sought not. (. . . )

A pergunta retórica com que Adão interroga Deus é a mesma que, na sua atitude provocatória, o monstro faz a Frankenstein: Porque me criaste? Em Paradise Lost, Milton escreveu uma epopeia não sobre a Grã-Bretanha (como previra e chegara a planear), mas sobre o Homem, sobre quem somos – não um épico biográfico, mas sobre o percurso da alma humana. Sobre como escapámos de Deus, como perdemos o Paraíso, como se perde o carácter divino (e se ganha o humano). Ao longo dessa epopeia, a personagem de Adão dialoga com o Diabo e com Deus. Adão tem uma dorida consciência profunda da razão pela qual foi expulso do Paraíso: sabe que essa razão é interna, que não é atribuível a ninguém senão a si mesmo; mas a sua existência inicial, que deriva na expulsão, é responsabilidade alheia, do Criador. A fala acima reproduzida integra o último dos cantos da obra miltoniana. Ao citar estes versos na abertura de Frankenstein, Mary Shelley sugere que a sua personagem Victor Frankenstein cometeu a ousadia de criar vida (de maneira não www.lusosofia.net

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

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