Page 143

O Labirinto do Fauno e os monstros históricos de Guillermo del Toro

139

do cinema espanhol dedicado à Guerra Civil e da ditadura até aos primeiros anos do século XXI. A nova estética cinematográfica encontrou a sua principal limitação após as eleições de 1977 que assegurou de forma oficial a amnistia a todos os agentes do regime ditatorial. Adolfo Suarez Gonzalez, o primeiro Presidente espanhol eleito, e figura próxima a Franco, estabeleceu aquela que foi considerada uma continuação ideológica ditatorial. As circunstâncias políticas e ideológicas determinaram o fracasso do cinema espanhol em denunciar e culpabilizar o regime franquista. Os oficiais políticos responsáveis pelo pacto do silêncio prosseguiram a tentativa de erradicação da memória histórica, reforçando o bloqueio cultural na reabertura das feridas de guerra ainda presentes na memória coletiva. Em 1986, a Comunidade Económica Europeia integrou a nova Espanha democrática legitimando um país que não havia ainda reconhecido o período de quarenta anos da sua história pautado por violência e repressão políticas. De novo, o confronto com a versão oficial da História assumiu o cinema como arena. Jose Colmeiro escreve que a memória foi destituída pelo discurso político institucionalizado e deslocada para o espaço cultural e intelectual onde encontrou uma abordagem diferenciada, tal como refletido no surgimento entre 1976 e 1978 de obras literárias, documentários, filmes, testemunhos e narrativas históricas com o principal intuito de tornar público o passado recente. Entre 1982 e 1996, durante a governação de Felipe Gonzalez, ocorreu uma transformação na perceção social da realidade política e histórica do país com a recuperação e discussão do pacto do silêncio no espaço público. Os setores culturais foram, então, encorajados a discutir a outra história, até então negligenciada pelos registos historiográficos. Las Bicicletas son para el Verano (1983) de Jaime Chávarri, Los Santos Inocentes (1984) de Mario Camus e La Vaquilla (1983) de Luis García Berlanga reassumiram a condenação das táticas repressivas de Francisco Franco. Os filmes produzidos durante este período assumiram, contudo, uma estética melodramática e sentimental, cristalizada na “nostalgia kitsch” do filme Volver a Empezar (1982) de José Luis Garci. Esta nova onda cinematográfica assumiu uma versão muitas vezes neutral e quase apolítica da História ao apresentar a narrativa fílmica do homem que retorna à nova Espanha democrática para reencontrar o seu amor perdido – a própria Espanha perdida – substituindo, pois, o compromisso crítico pelo sentimenwww.lusosofia.net

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

Profile for clepul
Advertisement