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Eu e o monstro – olhares sobre um velho tema Sob grenhas de animais, A todos quantos passais Encaram como assombradas! (. . . ) No entanto, essas bestas-feras Têm pedaços humanos: Falam dos seus desenganos Com bruscas fífias na voz. . . Podem rezar como nós, São quase sentimentais, Dedicam-se aos animais, E alguns, talvez mais perversos, Fazem desenhos e versos Com bons conceitos morais. . . Oh, se há piedade no mundo, Se o homem se compadece, Compaixão, quem n-a merece Como estes que fazem medo?! Mas, porque tudo é segredo No nosso Ser imanente, Quemquer que os veja não sente Senão vir-lhe ao coração Ódio a tais monstros, que são Filhos de Deus como a gente! (. . . )42

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Cf. José Régio, Fado, Lisboa, Portugália Editora, 1971, pp. 133; 135-136.

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O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

O monstruoso na literatura e outras artes  

Entre 20 de outubro de 2017 e 9 de fevereiro de 2018 realizou-se um Ciclo de Conferências, dedicado à temática da representação do monstruos...

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