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Universidade Federal da Fronteira Sul

A FUNÇÃO DO DISCURSO UNIVERSITÁRIO NA PRODUÇÃO DE MAL-ESTAR SUBJETIVO EM ALUNOS DA UFFS CAMPUS – CERRO LARGO

Acadêmica: Claridiane de Camargo Stefanello Orientador: Ms. Erikson Kaszubowski 1


Objetivo do Projeto Partindo da constatação dos altos índices de abandono de alguns cursos de graduação da UFFS – Campus Cerro Largo, a presente pesquisa se propôs a realizar uma análise das relações existentes entre alunos e instituição universitária por meio de uma leitura da teoria lacaniana dos discursos, em especial do discurso universitário. 2


Meu trabalho como bolsista iniciou-se com as leituras: • Freud; • Saussure; • Lacan.

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Os lugares que constituem a estrutura dos discursos (LACAN, 1992)

AGENTE → OUTRO VERDADE PRODUTO

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Lacan propõe ocupar esses lugares com quatro letras de sua álgebra: S1, S2, $ e a S1 S2 $ a

= significante-mestre = saber = sujeito do inconsciente = objeto causa do desejo

→ = impossibilidade ← = impotência 5


Matema do Discurso universitário S2 → a S1 $

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Método: • Pesquisa bibliográfica; • Entrevistas; • Transcrição demarcada e; • Uso dos matemas como farramenta de análise do discurso.

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Roteiro de entrevista • Que elementos sustentam o desejo de você estudar nesta

Universidade? • O que lhe anima a frequentar um Curso Superior?

• Em que curso você está? Gostaria de saber quais fatores levaram você a estar neste curso/ a trocar de curso? •Você está satisfeito (a) com a maneira que o curso está estruturado? • Você possui formas de estudo? Como isso acontece? • Baseado no seu desempenho. Você está tendo bons 8 rendimentos nas notas?


Excerto da Análise da terceira entrevista Ao iniciar sua resposta sobre as expectativas com o curso, a aluna adota uma postura quase resignada, sem exigências imediatas. Seu enunciado prossegue elaborando uma justificativa para essa demanda: “[...] porque eu acho que até agora a gente tá assim meio...” Neste ponto se coloca uma primeira lacuna – o restante de seu enunciado é detido a meio caminho da enunciação, e essa censura emerge marcada por um breve momento de silêncio. A entrevistada continua: “... é, não diria perdido. Mas é com pouco... é... com pouca base, assim, realmente, do que seria o curso, sabe, pouco aprofundamento do que precisa. Então a gente tá em coisas muito... é... disciplinas muito básicas, assim, nenhuma está realmente voltada, sabe. Então as minhas expectativas... são pra que isso venha melhorar.” 9


Reformulando essa sequência de frases dentro do esquema do discurso universitário, obtemos o seguinte resultado:

Saberes específicos da área do curso “Base” – “aprofundamento”

Expectativa com o curso Sujeito

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Considerações Finais Os sentidos que mediam as relações entre aluno e universidade são singulares, porém há alguns traços comuns: • Há um mal-estar presente determinadas pelo discurso universitário;

nessas

relações

• Num nível imaginário, esse mal-estar é efeito da distância entre ideias e situação concreta e; • Num nível simbólico, esse mal-estar representa uma queixa pela ausência de um saber que submete ao sujeito dividido pelo inconsciente. 11


Referências: DOR, Joel. Introdução à leitura de Lacan: O inconsciente estruturado como linguagem. Porto Alegre: Artmed. 2003. FINK, Bruce. O sujeito lacaniano: Entre a linguagem e o gozo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. FREUD, Sigmund. Cinco Lições de Psicanálise. São Paulo: Nova Cultural Ltda, 2005. ORLANDI, E. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2003. 12


Obrigada pela atenção !

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I Mostra