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Fortaleza-Salvador


PARTICIPAM Maria do So ego é um negro alto, bonito e sensual que diz fazer as coisas, semp re, em harmonia com o cosmo e tentando se orientar pelas estrelas, no ca(ô)s de Fortalez anda sempre disperso a, . Besouro Dharma sofre de alguma doença psico omática e através de seus versos tenta se consagrar como a maior Besouro do universo.

Zé Cortador é um amarelo manga, cabelo milho, sabor ainda a ser definido. Não guarda, desabafa, cospe, vomita e e a é sua poesia, um cortar de dor com o rasga mortalha, tão atento quanto, tão barulhento qua nto.

Cândido defensor dos anjos caídos, tem síndrome de jesus cristo, dom quixote e outros vícios. Amante da cachaça, vaga pelos sonhos alheios a empertigar desavisados.

Gandhi dos Alagados não é de lua, mas bem que sua poesia poderia ser: é toda composta de fases. O estar no mundo, a dor da existênci a, as alegrias da vivência, tá tudo ali embutido . Manuel Bandeira fazia "versos como quem mo e", Gandhi faz versos como quem bebe. Algo mais forte do que água. grita incansavelmente para ver se Chico Grita consegue encontrar a razão de sua existência , tenta encontrar o além-homem , mas acaba escrevendo poesia.

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MANIFESTO DO DESCABELO Quando o sol do meio-dia tinir e o asfalto quente da cidade impedir que ande descalço impedir que sinta a te a úmida árida em que seus pés pisam exponha-se ao vento-homem ao vento-mulher ao vento que nos resta e sinta orgasmos quando ele penetrar por debaixo de seu vestido por debaixo de sua bermuda Ande sem calcinha ande sem cueca sem suas roupas íntimas sinta o prazer ao ser penetrado pelo vento descabele-se em poesia e não seja freguês do dia-a-dia


Pa am ca os, motos, bicicletas Olhares, gestos, tatuagens Diversas mensagens ocultas Tudo parece ta de pa agem porem absorvido, repa ado,transmitido sempre oculto O indivíduo não é individual Ser coletivo é humano e espiritual


Entro no ônibus lotado Um a ento vaga e eu sento Calor insuportável, abafado Corpos suados Delírio talvez, uma moça canta e eu logo me encanto apenas um cantarolar num tom sutil pra aliviar nenhuma angustia mais me tocava a não ser o desejo de dizê-la... pra não parar.


Eu ia traçando a avenida pelo canteiro a cem quilômetros por hora em duas rodas

Eu ia atropelando tudo no meio do caminho haviam pedras primitivos ativistas pi

alhos plantas ervas

Eu ia pelo canteiro de ubando tudo o que via à minha frente voando a cem quilômetros por hora em duas rodas delinquentes


Anêmica rua de palidez fluente no asfalto que nela paralelípedos não transita um indigente

em cada quadra olhos atentos a movimentos que subvertam a moral de seus descendentes inquilinos em monumentos vistos paralelamente sob a ótica dos faróis que guardam a ordem dos indolentes que dormem a egurados por concretos em berço esplêndido


acid ade cai daem seuf luxo


Deixados ao acaso pe oas sem pernas e braços árvores sem galhos deixadas ao acaso

nuvens são negras num céu mensurável monopolizado por um deus imaginário que anda efeitado cheio de adornos (in)significados Deixado ao acaso árvores sem pernas e braços pe oas sem galhos deixadas ao acaso

folhas são folhas que caem em de pedaço em pedaço secas e mortas se perdem no asfalto com rotas traçadas em que pisam seres estranhos e civilizados que se encontram cercados cercados cercados por invisíveis arames farpados.


O amor preso na garganta e no semáforo Nas cores em alerta, no casarão abandonado na esquina e no céu: A Praça Castro Alves me dá vertigem quando você pa a desço ao léu A Contorno contorna e volta vai pra baixo se despe se joga cidade baixa, Olodum elevador que liga o oceano cordas suspensas no meio do nada vou de iate caminhão-pipa ca o-elétrico bicicleta laranja na Centenário trem a vapor metrô só não fico aqui sozinho com o caboclo que me olha e que não me diz nada. Olha lá o Gandhi, olha lá o Gandhi Mas Carnaval pa ou, mulher! É, pa ou, mas e a alegria ficou aqui contida no peito


colhidas do asfalto como flores mortas, sedentas de afeto, o que lhes resta é pólvora e sangue que desce dos corpos largados ao léu o tráfego congestionado me ilude quero chegar até você, mas os pa os lentos me impedem eu não consigo eu queria ser pneu a vista é tão cinza que meus olhos preferem a neblina, o tom melancólico, vigiar a garota na esquina que vêm e que pa a me resta apenas observar os sinais que mudam de cor mas que permanecem inalterados aqui dentro há sono, há cobiça, há tormento chega em casa, eu não aguento juro que explodirei em meio ao tormento e ao barulho das ruas, ao som das marginais eu oro, mas o céu está tão longe, está tão longe, tão longe, mané eu queria ser pneu dá um rolé por e a vida e eu repito, eu repito, eu repito me sufoco ne e grito, mané eu queria ser pneu


Multiplica-se com tanta subjetividade que engole alguns engole tantos, risca grafite, cospe metano e também algumas pílulas anti-depre ivas. Dançam luzes dançam faróis e os ca os vão e vem e não se cansam e não se importam, pois não são lembrados, outros param, outros param, enclausurados se formam em forma de cadeira em coisas diversas e so iem, evoluem, e ele co e, co e, sobre o asfalto, co e como um bobo em dia de espetáculo, o seu está próximo, chorava dias atrás hoje, não se importa, não se importam com ele, tanto como tanto fez, viveu bem, comprou seus móveis valeu apena ser bem sucedido, mas se pergunta para que? para que? Para que tanto luxo glamour e costurar o coração com fios de ouro, e continua a co er como um pobre fedorento, pensava, o sho ing aldeota é bem lotado aos domingos, e co ia sobre as ruas, pe oas com relógios caros, co ia sobre as ruas pe oas com relógios quebrados, suave como um porco a ser abatido,


9 soava como um gordo a comer fast f d, soava rios saindo dos seus insignificantes poros, entrou naquele lugar vazio estava no natal, havia crianças com seus pais,havia faxineiros com suas mentes repletas de paixões, mas ele não se importava, ninguém se importa, foda-se eles só servem para limpar meus vômitos, não podia perder tempo pensando bobagem. Subiu as escadas rolantes, como se desafia e deus como fizeram outrora, L1, L2, L3, a arvore brilhava, as crianças pediam brinquedos, para aquele papai Noel jovem, com barba postiça, quero um ca inho, algo que realmente vale suas vidas, ele pensava, pensava, olhou o relógio, havia travado, não pensou duas vezes, jogou-se como jovens endorfinados a saltar de paraquedas, caia, crianças perplexas, pais aflitos, mas não se pode perder tempo com bobagem, com a baque no chão, o mundo parou por um segundo, papai Noel cuspiu em sua barba com as palavras rápidas de susto, Puta Merda!! Mas é natal, ganha-se muito dinheiro ne e período, e logo que o corpo foi retirado, voltou a consolar as crianças, prometendolhes os seus devidos sonhos.


enquanto eu pa eava pela rua com meu desproposito desavisado de quem caminha pro trabalho atrás de um abraço frio pra espantar o calor a moça almoçava na calçada não tinha garfo, nem faca, nem casa muito menos causa apenas almoçava na calçada tinha o rosto de menina perdida e no rosto não tinha nada além dos dentes que lhe restara e a ternura repentina da refeição que lhe foi servida com muito gosto na calçada

levantou devagar limpou a boca agradecida vagou perdida até a esquina e sumiu de vista e a rua, o bai o, a cidade em sã consciência consentiu e a moça há de dizer que por aqui a fome a im como seus filhos são mortos aos pouquinhos em cada meio fio que se estenda por e a pátria amada seja ele armado de fogo, faca ou so iso esteja ele a pé ou motorizado tenha ele fome de gente, comida ou substância pensante


e por causa de tanto tijolo, fio, prédio, asfalto, sapato, promoção, letreiro colorido máquina de lavar roupa e alma geladeira, computador, televisão luz, som, e outras miudezas por aqui não se enxerga além do próprio umbigo e como se anunciado em propaganda senti o mais novo diluvio e esco i espantado até o bueiro mas não cheguei a cair dentro fui salvo pois lá já estava lotado e eu pude enfim seguir viagem como se nada tive e acontecido mas já vou indo chego em casa no domingo e amanhã trabalho até o infinito.


a lagoa não deveria mas hoje em dia pede licença a lagoa tem cheiro de peixe cru não! a lagoa tem cheiro de peixe ainda vivo a lagoa foi invadida eram três da tarde do começo daquele século invasores no os dejetos imagino os índios descrentes indiscretos prevendo a ignorância da gente como as garças que ainda restam lá ancoradas brancas, pálidas na lagoa alagada depois veio a feira e a culinária industrial da América às Arábias a lagoa alaga algumas belas faixadas a lagoa da Parangaba.


Este fanzine foi feit o

ão sob pre opre ões ameaç as de morte

e demi ão de Maria do So ego


acid ade ard emovi mento


A cidade arde em movimento / fanzine Coletivo Descabelo