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Cléa, Gabriel & Virgínia Parto hospitalar na água, sem sorinhos, remedinhos ou qualquer intervenção...

Por onde começar? Por uma visão mais romantizada ou uma mais realista? ROMANTIZADA: tudo é bem mais simples do que imaginamos! REALISTA: tudo é bem mais simples do que imaginamos! Ahahahaha... Ficamos preocupados com nossas escolhas e decisões... Escutamos a tudo e a todos, aí que nos confundimos mais... E quando somos pessoas indecisas, como eu?! Aí ferra de vez! Mas o que VOCÊ (e, se for o caso, seu companheiro) quer/querem? Definindo isso, o resto é só correr atrás... Até o 7º mês de gravidez, íamos a um obstetra maravilhoso, nos sentíamos seguros e sabíamos de sua competência. Era ótimo chegar na consulta na hora marcada, 8hs, ser atendida no horário, já sair de lá com a ecografia (ele mesmo fazia), tudo em 30/45 minutos. Obviamente tudo tem seu preço... Mas não vamos entrar nesse mérito, né?! Afinal primeiro filho, queremos tudo do bom e do melhor! Mas ele é especialista em gravidez de alto risco... O que não era o nosso caso. Quando falava que queria parto natural, nunca sentia firmeza nas respostas dele e tinha a certeza que acabaria numa cesárea... Ficava um pouco chateada, achava que seria enganada, mas já estava conformada que seria assim (uma cesariana)... Até que numa tarde ensolarada de sábado, chegamos atrasados a um encontro do Grupo Acalanto. Só estavam presentes 1 casal, eu e Gabriel e 2 doulas (Érica e Aláya). Não sabíamos praticamente nada de parto normal, natural, papel da doula, etc... A outra grávida já estava com um super barrigão e falava que ia trocar de médico e eu, com minha barriguinha (minha barriga não cresceu muito), chegando ao 8º mês, pensava que faltava coragem em mudar e certa resistência do Gabriel, por se sentir a vontade/confortável com o obstetra. Quando a Érica perguntou quem era nosso médico, vi nos olhos dela em letras garrafais “CESÁREA”! Eu mesma me antecipei em falar que, como não era gravidez de risco, não tinha mais porque continuar com ele, ainda mais tendo 90% de certeza que ele acabaria me falando alguma coisa para ser cesárea (e imaginava que, na hora do parto, insegura, o que o médico viesse a falar seria lei, não teríamos discernimento, ou escolha, ou poder de decisão ou sei lá o que!) Mas sabe o que nos deu coragem de mudar? Quando ela perguntou “Que tipo de parto vocês querem?”. Não sabíamos responder... Normal, natural... Não queríamos cometer gafes com a nomeclatura... Ahahhaha... Não sabíamos o que era Parto Humanizado... Olhei para o Gabriel e disse: “Pensávamos em parto na água, mas acabou sendo uma ideia distante, longínqua, um sonho praticamente inatingível”. E ela abriu um sorriso: “Mas parto na água é maravilhosos!” e explicou alguns benefícios desse tipo de parto.


UFA! Pela primeira vez alguém que achasse normal a vontade de ter nosso filho na água... Foi uma sensação maravilhosa não ser taxada de doida, diferente, natureba ou até “paquita ecológica”, apelido carinhoso que minha irmã mais velha me deu. E adivinhem? Obviamente ela foi nossa doula! E saímos do encontro com a promessa de uma lista com os nomes de especialistas humanizados em Brasília. Com a lista em mãos, definido o que queríamos e um pouco de coragem pra sair de nossa zona de conforto, seguimos em frente... Na aula seguinte de Yoga, eu animadíssima com as novidades, comentei com a Joana sobre o número reduzido de médicos humanizados e a dificuldade em marcar consulta. Também falei que tinha achado “estranho” chegar num grupo de gestantes praticantes de yoga e quase todas fazerem cesárea... Falei pra ela, que achava que as mulheres daquele grupo teriam um outro perfil, mas parecia que elas só estavam ali pela saúde física mesmo, nada além... E eu já estava interessada em mudar isso! Bem, voltando aos médicos humanizados... Só conseguimos marcar com uma da lista, porque descobri que ela atendia num posto de saúde perto da nossa casa. Estava disposta a fazer o pré-natal no posto, mas qual foi minha surpresa quando disseram que eu não poderia ser atendido naquele posto porque ele estava nas 400 e eu moro nas 300... Ai ai, que decepção... Mas fiquei esperando a médica abrir a porta e falei com ela... Que queria ser atendida por ela, mesmo particular, mas que não estava conseguindo marcar... Ela mandou uma mensagem na hora pra secretária e conseguimos a consulta. Gostamos dela... Mas depois nos falaram que não era a melhor opção... Confesso que não curti quando ela falou, durante a consulta que não precisava de doula porque ela sabia tudo o que as doulas faziam e ensinaria ao Gabriel o que fosse necessário para ajudar durante o trabalho de parto. (Até hoje não sei porque o nome dela não apareceu na lista seguinte de obstetras humanizados... Mas imagino porque...) Então, já com 8 meses, conseguimos marcar com o Dr. Petrus... Foi um choque a espera pela primeira consulta... O pequeno consultório lotado, criança chorando, grávidas com cara de passando mal, as secretárias não muito simpáticas, um atraso de quase 2 horas... Pra quem estava acostumada a chegar num amplo consultório ter no máximo, mais um casal e ser atendido sempre pontualmente, quase levantamos e fomos embora... Mas ainda bem que ficamos! Que pessoa doce, tranquila, atenciosa... Eu já cheguei falando “O senhor sabe o que nos motiva a trocar de médico no 8º mês, né? Queremos parto normal.” Ele disse que 80% dos partos dele eram normais e que cada dia mais a procura estava neste sentido e perguntou: “Que tipo de parto vocês querem?”. Dissemos que nosso sonho era parto na água, ele falou que não tinha experiência nesse tipo de parto, mas de cócoras, tudo bem pra ele... E, para quem já estava conformada com a possibilidade de uma cesárea, um parto normal, de preferência natural, já era a glória! Então topamos, sem problemas... Quando falamos com a Érica sobre a consulta, ela nos deu uma ótima notícia: ela e uma gestante do Dr. Petrus tinham conseguido convencê-lo a fazer o parto na água... Antes de mim, mesmo médico, mesma doula, mesmo hospital... Dando tudo certo, abriria precedente para sonharmos com isso novamente. E foi exatamente o que aconteceu! Depois deste parto (que foi no dia que tínhamos consulta e a agenda dele toda foi cancelada, algo raro dos médicos de Brasília...), tivemos uma consulta e eu perguntei o que ele achou do parto na água e se poderíamos pensar no assunto novamente. Ele disse que sim! (Que tudo!!!) e eu “Posso comprar a piscina?”, e ele “Sim”. UHU! Que maravilha!!! A Érica nos enviou a lista com os itens para providenciarmos. Que sensação maravilhosa!!! Aquele sonho tão distante, tão impossível de se realizar, cada vez mais próximo... A parte prática tava encaminhada, o médico tinha aceitado, ele mesmo conseguia autorização no hospital, compramos os itens... Agora ficava a “minha” responsabilidade, a minha dúvida: “Será que conseguirei? Será que serei capaz? Será que suportarei a dor? Como será que vai ser?”. Na consulta da 38ª semana, no primeiro exame de toque, ele nos disse que chegaríamos fácil até a 41ª semana e eu “Mas o senhor espera até 42 semanas, né?!”, e ele “Não. Até 41.”... E o Gabriel morreu de rir porque argumentei com ele de igual pra igual, com as informações que a Érica e os livros e artigos tinham me dado... Mas resolvi não me preocupar muito... Dar tempo ao tempo... O que tiver que ser, será! O tempo do nascimento é do bebê e só ele nos dirá. As pessoas perguntando da minha ansiedade com o nascimento e eu, tranquila, nada ansiosa, ainda mais quando o médico tinha falado em quase 3 semanas a mais... Estava levando tudo numa boa, sem


correria... O tempo é dele (do bebê)! Pra que me preocupar? Pra que ficar ansiosa? Se ele tá tão bem na minha barriga... Estamos tão bem assim... E continuava indo às aulas de Yoga, uma delícia! Feriado, 07 de junho, quinta, eu e Gabriel andamos bastante e eu sentia umas fisgadas nas pernas, elas até falhavam, ou tinha que parar... O Gabriel ria, ficou animado, achando que era trabalho de parto. E eu, “Mas é na perna, não sinto nada na barriga, não pode ser...” Só continuava sentindo as contrações de Braxton Hicks, sem dor, só a barriga endurecendo... Na sexta, também passeamos bastante com amigos de São Paulo. E, na manhã de sábado, ainda dormindo, sinto algo quente descendo, achei que era o tampão, mas quando levantei da cama, escorreu pela calça do pijama, fui rapidinho ao banheiro e vi que chegava a pingar e senti o cheiro forte que haviam dito... Foi a primeira vez que meu coração acelerou, fiquei meio ofegante, queria ficar nervosa, mas respirei fundo e pensei: “Começou... Agora vai... nosso bebê vai nascer!”... Respirava fundo, pra me acalmar... Que alegria! Que sensação estranha! Que medo! Não quer ficar mais um pouquinho aí no quentinho, protegido? Ahahahahaha... Fui falar com o Gabriel: “Dormiu bem? Descansou bastante? Pois foi sua última noite de sono tranquila, sem preocupações... Ahahahaha”. Ele pulou da cama! E eu disse “Não precisa pular não... A bolsa rompeu mas eu não estou sentindo nada... Mas será que você pode sair pra comprar as coisas que estão faltando, enquanto eu arrumo minha “mala” pra levar pra maternidade e me depilo (ai ai, mulher é boba, eu pensava “Não posso chegar com essas pernas e axilas cabeludas no hospital!” Ahahahah).” Ele saiu para compara uns itens faltantes – mangueira para encher a banheira, lona transparente, letrinhas para o enfeite da porta da maternidade, lembrançinhas para as visitas. E eu, em casa, querendo não me afobar (sou muito afobada!), respirava profundamente para por ordem nos pensamentos (tava mais parecendo uma barata tonta, andando pra todos os lados sem conseguir fazer nada direito). Respirava... 1º Arrumar a minha mala (só a do bebê estava pronta). 2º Depilar. 3º Arrumar um lanche pra levar. 4º Tomar café da manhã. 5º Ligar para doula. Vou ser mãe! Não acredito! Não to sentindo nada, uma dor, um incômodo! Será que vou aguentar o parto, as dores? Como será? Não conseguia fazer nada na ordem que tinha pensado e acabei ligando o computador e entrando no facebook e a Érica tinha postado que estava na Maternidade Brasília acompanhando um parto... Aí meu coração bateu mais rápido... Ai! Liguei pra ela: “Já fez dois partos no mesmo dia? – Não, mas pode ser a primeira vez! Porquê? Tá sentindo alguma coisa? – Não, mas minha bolsa rompeu! Ahahahah” Mas mesmo com a bolsa rota queria esperar um pouco mais pra falar pro Dr. Petrus porque eu não tava sentindo nada ainda. Ela me disse que estava com ele... Em seguida me ligou, falando que queriam ocupar o quarto que é o melhor para acomodar tudo para parto na água. Então era melhor eu avisar para o Dr. Petrus para ele poder tentar segurar o quarto. Ela mesmo avisou pra ele que minha bolsa tinha rompido... Depois ela me ligou de novo, falando que o Dr. Petrus tinha pedido pra eu ir para o hospital. “Mas eu não estou sentindo nada! Posso ir e voltar pra arrumar as coisas? – Acho melhor você já vir preparada para ficar. – Então devo demorar mais ou menos 01 hora pra chegar.” Chegamos ao hospital 12:05. Dr. Petrus fez um toque e eu só estava com 1,5 cm e ele não teve certeza que era rompimento da bolsa... Então tive que fazer uma ecografia para ver se acusava a diminuição do líquido amniótico. Acho que foi a pior parte do parto, a ecografia... Ahahahha. Fui para uma outra sala, ser atendida pela responsável de plantão da ecografia... Uma menina muito bonitinha e simpática, mas... Sei que todo mundo um dia foi novato e não sabia mexer no equipamento, mas ficar quase 1 hora pra fazer uma ecografia foi um pouco demais! Mas eu, uma lady, deitadinha, fazendo respiração abdominal, sem falar nada, sem reclamar... Como demorou muito, Dr. Petrus entrou na sala para conversar com a médica e para ver as imagens, porque até o laudo ficar pronto, coloca mais 1 hora aí! Ahahahha... Mas ele saiu da sala com a confirmação de que era bolsa rota mesmo. Pedi pra voltar pra casa, já que não estava sentindo nada e voltaria para o hospital completada as 12 horas de bolsa rompida... Mas ele não deixou... Peninha... Mas, pelo menos, negociamos que poderíamos sair para almoçar, no Sudoeste mesmo, antes de internar. Fomos a um restaurante árabe perto do hospital e depois ficamos caminhando... Sentia umas


fisgadas nas pernas e não sabia se era ou não contração... Começamos a utilizar um aplicativo no IPHONE, para marcar a duração e intensidade... Meu medo era de voltar para o hospital, não ter contração e ter que induzir o parto. O combinado era que às 16hs tomaria um antibiótico para prevenir infecção, uma vez que a bolsa tinha rompido. 21hs colocaria um comprimido para amadurecer o útero, e só então, dependendo de como as coisas se encaminhavam, ele partiria para ocitocina... Chegamos no quarto por volta de 16h30 e ficamos lá preguiçando, vendo TV... Eu ficava andando pelos corredores e rebolando no quarto (acho que bem queria um bambolê! Ahahaha). Monitorávamos as contrações com o aplicativo no IPHONE... Minha sorte é que eles estavam “entretidos” com o outro parto... Que já durava umas 30 horas... E eu morrendo de dó, dele e da Érica! Coitados! Devem estar exaustos! E ainda falto eu! Ô dó! O outro parto finalmente aconteceu. Dr. Petrus fez o 2º exame de toque: 2,5 cm de dilatação. Foi ver outra paciente em outro hospital e voltaria em 2 horas... A Érica foi no quarto, deixar os apetrechos dela, ainda bem que foi na hora que a equipe do hospital estava arrumando o quarto com os equipamentos porque ela explicou como estavam no outro parto que ela acompanhou... Ela, exausta, depois de ter acompanhado um parto de 30 horas, sem dormir, tomar banho ou comer, e vendo que eu estava super bem, sem muita dor, perguntou se podia ir em casa, tomar banho, jantar e descansar (se desse tempo), e que era para eu ligar assim que sentisse necessidade... Acho que isso deviam ser umas 21hs. A essa altura eu já sabia o que eram as contrações. Elas já estavam regulares e doloridas... Gabriel me fazia massagem... Algumas vezes gostosas, outras não. De vez em quando, só queria suas mãos grandes e quentes fazendo pressão na lombar. Dr. Tiago (a pedido do Dr. Petrus) passou para ascultar... Tudo tranquilo... Ascultou durante uma contração... Tudo certinho... Que legal! A partir desse ponto, devo ter entrado na tal da Partolândia! Porque não tenho com clareza qual a ordem dos fatos, a duração, a intensidade... Dr. Petrus voltou, fez o exame de toque. Dessa vez estava com 5 para 6 cm, ele disse que tudo tinha mudado, o útero estava maduro, não precisava do comprimido... Avisamos para a Érica e em 20 minutos ela já estava no hospital. Eu tinha vomitado 2 vezes ou já seriam as 4 vezes? Sei que no total, vomitei 4 vezes. Acho que quando vinha uma contração mais forte, eu vomitava... E ele me disse que podia me dar um remédio para diminuir a náusea a ainda ajudaria nas dilatação... Só lembro de ver a Érica e falar disso, aí ela colocou uns pontos de acupuntura: não tomei o remédio e não vomitei mais! Uhu! Depois da contração eu apertava logo os pontos (no pulso) e tudo certo! Cada contração era mais forte que a anterior, e eu ia sempre para o mesmo cantinho no quarto, em pé, me segurando na janela e no armário, de costa para tudo e para todos... No começo era só ai ai... ui ui... Depois foi aumentando a intensidade, o gemido, e a cada novo gemido o Gabriel ria. Eu não sei se achava graça ou se batia nele, que tava rindo da dor alheia... Ahahahhaha. Como a Érica viu que o negócio tava indo muito rápido, e a piscina ainda não estava cheia, sugeriu uma posição agachada (Maometana). Pra que abaixei? Não conseguia ficar na postura, não conseguia levantar, não conseguia fazer nada e foi uma super contração dolorida... Também tentei a bola e nada! Pior! Doía mais, não gostei! Voltava pro meu cantinho e ficava na ponta dos pés... A Érica tinha perguntado se eu queria ajuda para aliviar as contrações ou se preferia que fosse encher a piscina. Eu pedi para irem encher a piscina. E foi um corre, corre pra encher a piscina... O Gabriel ia no quarto de repouso da enfermagem pegar água quente, a Érica ficava controlando a temperatura e falando comigo... Eu estava com vontade de ir ao banheiro, fazer xixi e cocô, sabia que era normal confundir vontade de


evacuar com o período expulsivo, mas eu tinha certeza que queria ir mesmo ao banheiro. Mas nada pior que ir ao banheiro com aquelas contrações tão fortes! Mas fui, e realmente fiz xixi e cocô, mas... Sempre tem um mas... Eu acho que a Virgínia coroou nessa hora, senti uma ardência! Lembro de tremer bastante e falar “Ai Érica, vai nascer!”, e eu não conseguia me limpar e via o Gabriel correndo pra encher a piscina... E eu tremendo e vindo outra contração e vindo a vontade de fazer força... Respirei fundo, me limpei... A Érica falou pra eu entrar na piscina e eu praticamente saltei lá dentro... Ela falou pra eu tocar pra ver se sentia algo, e eu disse que sentia a cabeça... Ela ligou para o Dr. Petrus “Voa aqui pro quarto que tá nascendo!”... Ai que delícia! Porque não entrei antes? Porque não estava com água! Ahahahahaha... E foi só entrar, veio mais uma forte contração, a vontade de fazer força e ela nasceu! Simples assim... Dr. Petrus tinha perguntado qual posição eu queria ficar... Nem deu tempo de eu responder, ela já nasceu... Sei lá o que eu falei, que todos ficaram rindo... (A Érica refrescou minha memória, falei: “Meu Deus! Foi tão fácil, acho que quero ter um por ano!"ahahahha)... E o Gabriel deu um grito “IIIIHHHAAAAA!” Que assustou todos! Ahahahaha.... E depois ainda pediu autorização para dar outro grito... E assim o fez! Estávamos todos eufóricos, quando alguém, acho que o Gabriel, se deu conta de que não sabíamos o sexo: menino ou menina? Ela estava em cima de mim e eu tinha que levantá-la para ver, mas tava com medo de deixar escorregar... Quando levantei o cordão umbilical ficou bem na frente, o Gabriel achou que era um menino, acho que foi a Érica que viu e falou que era menina! VIRGÍNIA! Linda! Que emoção! Bem vinda! Ficamos um tempo ali... Não sei se segundos, minutos ou horas... Eu passando água nela, pra continuar quentinha, fazendo carinho, aquela coisinha linda em cima de mim, indescritível, mágico! Isso eu realmente não lembro, mas a Érica me contou que como o período expulsivo foi tão rápido, o pediatra não chegou a tempo de ver o nascimento. Quando ele chegou depois, e viu que tava tudo bem (ela já tinha espirrado, tossido, chorado…), o Dr. Petrus perguntou pra ele se podia deixar a neném no seu colo mais tempo. Ele respondeu “Posso. Inclusive se vcs quiserem, eu posso ir embora e voltar depois pros procedimentos". Mas o Dr. Petrus falou que ele podia ficar lá... Gabriel cortou o cordão e a levou para o pediatra. Eu fiquei um tempo na banheira e depois me falaram para eu sair e ir para a cama para a saída da placenta... Não se fala muito da placenta (parte não romântica), são contrações do mesmo jeito, doem, e depois daquele momento tão especial, o que menos esperamos é sentir dor... Mas tudo bem! Pelo menos ela estava ali no quarto, todos juntos, eu vendo tudo, o Gabriel bem pertinho dela... Outra coisa que também não prestamos muita atenção é na escolha de aplicar o nitrato de prata no olho e a vitamina K na perna (injeção). Normalmente eles fazem isso sem que a gente nem saiba, mas como foi tudo no quarto, natural, o neonatologista perguntou se poderia realizar os procedimentos. Eu estava no meio de uma contração para expelir a placenta e só consegui falar para o Gabriel resolver... Ele foi pego de surpresa (tínhamos conversado uma vez com a Érica sobre isso, mas não foi uma coisa que discutimos depois...)... Aceitou, e a Érica só complementou, pedindo para que a vitamina K fosse dada quando ela já estivesse mamando. Pensem, leiam, pesquisem, conversem com seu parceiro e decidam antes do parto, para que não precisem decidir isso na hora. O engraçado foi que a enfermeira chegou perto, apertou meu peito e pronto! Tem colostro... Colocou a Virgínia no meu colo, apertou o bico do meu peito e a colocou para mamar... Linda, mamando, sugando forte, bem forte... Um momento quase mágico, mas depois, pensando bem, ela só queria agilizar o lado dela para aplicar a vitamina K. Ahahahha... Esse momento não foi nada romântico... Última contração para saída da placenta... Érica colocando massageador de um lado. Dr. Petrus do outro, mexendo no cordão umbilical. A Virgínia, linda, no meu


colo. A enfermeira confirmou que ela estava mamando e veio com aquela super injeção, coitadinha! Tudo ao mesmo tempo e eu tendo que segurar a bichinha... Ô dó! Aí entraria a questão de toda uma equipe humanizada... Mas vamos lá, para quem já tinha quase se conformado com uma cesárea, acabara de ter um parto hospitalar na água, sem nenhuma intervenção, indução ou outros “ãos”, já foi a glória, uma realização, a realização de um sonho tão especial, único! No fim das contas tive que tomar 2 pontos. O médico até ficou em dúvida se dava ou não os pontos, mas achou por bem dar. E ele se assustou quando reclamei da dor! Ahahahah... Passei por tudo sem reclamar, e aqueles míseros pontinhos me fizeram dar aquele gritinho? Quase inacreditável! Ahahahahahha.... A essa altura estávamos só nós 5 no quarto - Eu, Gabriel, Virgínia, Dr. Petrus e Érica – Eles, aliviados, “confessaram” que achavam que iam ficar madrugada a dentro em mais um longo parto. Dr. Petrus me disse que achava que na tranquilidade que eu estava e o tempo de bolsa rota, ele ia acabar tendo que intervir, que o surpreendi. Quem bom! Também “quebramos” a corrente de partos demorados, antecipados, com intervenções, que a Érica esta passando... E ela: “Você é parideira, hein?!”. Foi bem legal a alegria do parto na água, com o Gabriel ao meu lado o tempo todo, ajudando e rindo de mim, a Virgínia nascendo, bem, saudável, sem nenhum problema e surpreendendo o médico e a doula! Eles foram embora, duas enfermeiras vieram arrumar o quarto. Tirar os equipamento e colocar a outra cama de volta no quarto... Limpar e arrumar a minha cama e tinham a intenção de me dar banho de gato, uma “higienização”. Higienização? Eu queria um banho! E a enfermeira veio falar que eu não podia, porque eu estava de jejum, estava medicada e tinha perdido muito sangue... E eu: “Mas não estou de jejum, não tomei nenhum remédio e o Dr. Petrus disse que eu podia tomar banho!” Ela não estava muito convencida... Mas saiu do quarto, falou com alguém, voltou... E eu disse: “Meu marido é grande e forte, qualquer coisa ele me segura, e caso eu sinta algo eu agacho, to craque em ficar de cócoras! Ahahahahah”. Apesar de não gostar da ideia, ela deixou. No começo, o Gabriel ainda estava na porta do banheiro, mas a Virgínia começou a chorar e ele foi ficar com ela. Tomei o banho sozinha, tranquila, uma delícia! E ao final ainda falei pra enfermeira: “Viu? Nem te dei trabalho , nem te dei susto nenhum! Ahahahahah”. E saíram todos! Agora éramos só nós 3! Coloquei ela no peito de novo... Enrrolei ela tipo “charutinho”... E vamos dormir. Dormir? Como? Estava a mil por hora, cheia de gás... Só queria ficar olhando pra ela... Talvez muita adrenalina, mas deitamos, perto de 5 da manhã... 6 e pouco da manhã já estava de pé, faminta, com vontade de ir ao banheiro... Levantei, fiz xixi, vi o nascer do sol, comi biscoito de água e sal, coloquei ela mais perto do Gabriel e tentei dormir mais... Quase impossível! Tirei uns cochilos... E continuava faminta... Ouvi o barulho de xícaras no corredor... Só queria que entrasse nosso café... Quem sabe assim eu não dormia, como o Gabriel e a Virgínia, que estavam no maior sono bom... Veio o café. Eu tomei. Eles dormiam. E depois eu dormi. Muito linda vê-la ali. Muito lindo saber que fui capaz. Muito lindo saber que, como casal, fomos capazes. Muito lindo ter encontrado pessoas tão especiais, que agora tem uma dimensão e significado tão especial em nossas vidas... Obrigada Joana, por ajudar no pontapé inicial... Pelas maravilhosas práticas de Yoga para Gestante e também por indicar os grupos de apoio à gestantes. Obrigada Érica, pela segurança transmitida, pelas informações e conhecimento compartilhado e por tornar tudo tão simples... Obrigada Dr. Petrus, por estar fazendo um trabalho tão fantástico, tão paciente, não entrando nessa onda de “enganação” às gestantes... Nos dando a oportunidade de escolha e intervir junto ao hospital para que tudo seja possível. Obrigada! Obrigada! Obrigada! Nossos mais sinceros agradecimentos...


CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS Manhã – a bolsa rompeu... Gabriel saiu para comprar alguns itens faltantes para o parto... (mangueira pra encher a banheira,lona transparente, letrinhas para o enfeite da porta e as plantinhas que seriam as lembranças) (ligação) 08:44 – Eu liguei para ÉRICA. Tinha visto no facebook que ela estava acompanhando um parto no Hospital Brasília. Liguei para falar que a bolsa tinha rompido, mas queria esperar mais um pouco pra avisar pro Dr. Petrus. (ligação) 09:05 – ÉRICA nos telefonou. Falou que era melhor falar logo com Dr. Petrus porque queriam ocupar o quarto que comporta a banheira... (ligação) 09:11 - ÉRICA nos telefonou. Perguntou se poderia falar com Dr. Petrus que minha bolsa tinha rompido... (ligação) 10:01 – ÉRICA nos telefonou, falando que o Dr. Petrus pediu para irmos para o hospital. (ligação) 12:05 – Dr. Petrus nos telefonou, perguntando onde estávamos... Estávamos entrando na maternidade. (ligação) 13:04 – ÉRICA nos telefonou, para saber como estavam as coisas... Entre 12:05 e 13:30 fizemos o 1º atendimento no hospital... A enfermeira querendo me dar sorinho... Dr. Petrus fez o toque (1,5cm)... A médica aprendiz demorou horas pra fazer a ecografia... Entre 13:30 e 16:15 fomos almoçar no restaurante árabe perto do hospital e caminhamos pelo sudoeste (pra ver se achávamos uma banca de jornal e pra ver se as contrações se tornavam regulares) 16:30 entrada definitiva no hospital. Fomos para o quarto... Acho que ainda não tinha certeza se estava tendo contrações regulares... Já sentia alguma coisa, mas nada “alarmante”... (ligação) 16:36 – Eu liguei para ÉRICA, será que era pra falar que estávamos no quarto? (mensagem) EU: Já estamos no quarto 213... O líquido já não está mais transparente... bem amarelado... não sei se chega a ser esverdiado... (mensagem) 17:17 ERICA: Já falou com o Dr. Petrus? Daqui a pouco vou ai!


(mensagem) EU: Ainda não... Achei que vcs estavam em pleno trabalho de parto e não queria atrapalhar... estamos aqui curtindo uma preguiça... 17:50 Gabriel começou a inflar a piscina... (já devia ter começado a colocar água tb... Aí não teria aquela correria... Ahahahha... Mas tudo bem...) (mensagem) 18: 05 ÉRICA: Período expulsivo aqui agora! Ufa! (mensagem) EU: UHU! Depois vocês vão descansar, né?! (mensagem) 18:15 ÉRICA: Vou!!! Vou deixar o material todo ai no quarto, vou pra casa, janto, durmo, tomo banho e volto quando você estiver com contrações regulares. 20:30 Agora sim, as contrações já estavam mais regulares, já não falava durante as contrações... 21:15 O pessoal do hospital foi arrumar o quarto, levar os equipamentos... A Érica passou neste mesmo mo mento pra deixar as coisas dela e disse como tinha sido o outro parto... (mensagem) EU: Dr.Petrus passou aqui... 2,5 cm e o útero já está diferente, não vai colocar o comprimido... Ele vai lá ver a outra paciente e disse que volta em 2 hs... (mensagem) 23:05 ÉRICA: Oi Cléa, como está tudo ai? Padrão de Contrações? Foi avaliada de novo? (mensagem) EU: Oi... tudo bem... acho que as dores estão aumentando um pouco... não fui avaliada de novo... 3 em 3 min... saindo um pouco de sangue... será por causa do toque do Dr. Petrus? (mensagem) 23:12 ÉRICA: Sim, é normal o sangue! Pede pro Gabriel usar aquele massageador em vc! Qdo tá prevista uma nova avaliação?? (mensagem) EU: Dr. Thiago acabou de passar aqui.. só ascultou... tudo bem... ouviu os batimentos durante uma contração... tudo tranquilo... já vomitei 2x... (mensagem) 23:43 ÉRICA: O Petrus deu uma previsão de qdo seria um novo toque? Queria ir qdo vc estivesse com uns 3 pra 4 cm, que é o que chamamos de trabalho de parto ativo! (ligação) 23:45 – ÉRICA nos telefonou, para saber se eu queria que ela voltasse para o hospital. (ligação) 00:46 – Eu liguei para ÉRICA, quer dizer, o Gabriel que ligou falando que já estava com 5 para 6cm de dilatação. 20 minutos depois ela estava no hospital. (ligação) 01:02 – ÉRICA nos telefonou, não faço a mínima ideia do motivo! Ahhahahahaha... Deve ter sido pra avisar que eu tava chegando... 01:50 Virgínia nasceu! 03:50 Ela continuava comigo, mamando... 04:00 Tava fazendo charutinho pra ela dormir tranquila ao nosso lado... 04:30 Tomei banho sozinha... 05:00 Estávamos os 03 prontos pra dormir, juntinhos... 06:10 Já estava de pé... Indo ver o nascer do sol... Vendo se ela tava respirando... Procurando coisa pra comer... Estava faminta... Eufórica... Feliz... Preocupada... Realizada! AS PRIMEIRAS NOITES 1ª – No Hospital: nos deu uma canseira até 4am. Uma enfermeira entrou no quarto para perguntar se estava tudo bem e já queria dar complemento. Uma outra enfermeira, que tinha acompanhado o parto, disse que não precisava porque a Virgínia sugava forte... 2ª – Em casa: Dormiu de 1am às 5am; 3ª – Em casa: Dormiu de 2am às 5am; 4ª – Em casa: Até 5h30am sem dormir! 5ª – Em casa: Acordou de hora em hora.

Resumindo... Cada dia é um dia... Nada de padrão... Mas tudo ótimo!

Primeiro banho de balde, dia 15jun, ela ADOROU! Ficou bem quietinha, tirou até um cochilo!


Parto Virgínia