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Antônio Campos

letivo. [...] Se me permitirem usar essa metáfora, uma biblioteca é a melhor imitação possível, por meios humanos, de uma mente divina, onde o universo inteiro é visto e compreendido ao mesmo tempo.

Segundo Eco, quando imaginávamos ter ingressado na civilização das imagens, eis que surge o computador, uma máquina capaz de nos reintroduzir na galáxia de Gutenberg, na era alfabética. Com o advento das novas tecnologias, estamos predestinados a ler de uma maneira nova. As variações em torno do livro como objeto não modificam sua função nem sua construção gramatical. O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados. Não é possível que uma colher seja melhor que outra, no dizer de Eco. A biblioteca foi no passado — e será no futuro — dedicada à conservação de livros e, portanto, é e será um templo da memória vegetal. As bibliotecas, ao longo dos séculos, têm sido o meio mais importante de conservar o nosso saber coletivo, pois, como disse o próprio Umberto Eco, “uma biblioteca é a melhor imitação possível, por meios humanos, de uma mente divina, onde o universo inteiro é visto e compreendido ao mesmo tempo”.

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"A Reinvenção do Livro"  

CAMPOS, Antônio. "A Reinvenção do Livro". Recife: Carpe Diem, 2012.

"A Reinvenção do Livro"  

CAMPOS, Antônio. "A Reinvenção do Livro". Recife: Carpe Diem, 2012.