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11th ihRsa fitness brasil

franquias do bem-estar

marketing de busca

evento movimentará R$ 40 milhões

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FitnessBusiness publicação especial

jul/ago 2010 no 48

Cabo de guerra ial c e p Es os!

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academias, clubes de lazer e condomínios-clube: quem vence essa disputa acirrada? consultores garantem:

há espaço para todos, mas é preciso saber com que tipo de público você está lidando em cada um desses

modelos de negócio

art curtis: novo presidente do board da ihrsa escolheu o brasil como destino de sua

jul/ago 2010 do | FITNESS BUSINESS 1 primeira missão oficial e fala sobre o papel de líder do país na indústria bem-estar


2 Fitness Business | jul/ago 2010


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AnĂşncio Johnson Health

4 Fitness Business | jul/ago 2010


Editorial

Sumário

Assim caminha a humanidade

CAPA

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O cabo de guerra entre academias, clubes de lazer e condomínios-clube: quem vence essa disputa?

inguém sabe ao certo a origem do cabo de guerra. Mas tudo leva a crer que este esporte tenha aparecido em cerimônias e cultos antigos que eram realizados pelos povos egípcios, há mais ou menos 4 mil anos. E não é que, dezenas de séculos depois, descobrimos que a modalidade, ao menos no cenário wellness, passou por uma reinvenção? Em um ambiente de negócios onde impera a diversidade, o cabo de guerra parece ter ganhado uma terceira ponta. É o que apresenta a reportagem de capa desta edição, feita pela repórter Lilian Burgardt. A demanda por atividades ligadas ao bem-estar extrapolou os muros das salas de ginástica e dissipou a onda da qualidade de vida. Nas pontas do triângulo agora estão os clubes de lazer, os condomínios e as próprias academias que passaram a dividir mercado, sem que um necessariamente precise “tirar” o cliente do outro. Há espaços para todos. Felizmente! Ainda falando em diversidade, este foi um dos temas mais recorrentes no Wellness Rio 2010, evento que movimentou a Cidade Maravilhosa, levando mais de 35 mil pessoas ao pavilhão de exposições. As oportunidades que se abrem para novos negócios e o atendimento às chamadas populações especiais permearam mais uma vez as discussões. Esquentando as turbinas para a IHRSA, o recém-empossado Art Curtis, presidente do board da entidade, falou conosco, em primeira mão, antecipando sua viagem oficial ao Brasil, sobre as razões pelas quais acredita que nosso País passará a ditar o futuro do fitness mundial. Um legado, sem dúvida, que teve início há um bom tempo, com empresários vocacionados para o sucesso, como Shunji Nishimura, fundador da Jacto e também da Brudden Movement, um dos maiores fabricantes nacionais de equipamentos para academia, com sede no interior paulista. Esse grande visionário faleceu recentemente, aos 99 anos, e foi um dos nomes do agronegócio brasileiro. Inventor da primeira colheitadeira de café do País, fundou um império que hoje reúne dezena de empresas, emprega 3 mil trabalhadores, exporta para 90 nações e fatura anualmente quase R$ 1 bilhão. Nossa homenagem a este senhor que tive a honra de conhecer. Que sigamos seu exemplo! Boa leitura e saúde a todos! Waldyr Soares Presidente do Instituto Fitness Brasil

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ENTREVISTA Mais tempo, mais dinheiro? Os consultores Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa decifram a questão

IHRSA FITNESS BRASIL Um dos mais importantes eventos mundiais do trade chega a sua 11ª edição e deve movimentar R$ 40 milhões em negócios

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E mais: 06 Termômetro 14 Caso de Sucesso

Marilândio Ponchet

24 Gestão

Como-se preparar para o verão

26 Express

Art Curtis

30 Mercado & Tendências

Franchising

36 Gestão/RH

Que tipo de líder você é?

38 Inovação 42 Eventos

Cobertura Wellness Rio 2010

50 Marketing

Como posicionar seu site no Google

54 Equipamentos & Cia

Especial elípticos

58 Artigo


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termometro_

FitnessBusiness LATIN AMERICA

Conselho Editorial

Presidente Fitness Brasil: Waldyr Soares CEO e Presidente da IHRSA: Joe Moore

sobe e desce Chile aquecido Mesmo após os terremotos que assolaram o país, o Chile continua sendo um bom mercado para as atividades ligadas ao esporte, principalmente o esqui. É o que garante Paula Teles, consultora técnica da Companhia Athletica, uma das maiores redes de academias do Brasil. Há quatro anos, a Companhia Athletica exporta mão de obra qualificada para uma das mais charmosas estações de esqui chilenas, em Portillo, a duas horas da capital Santiago. Entre as atividades ministradas pelos professores brasileiros estão aulas de alongamento, musculação e abdominal. “O Chile ainda recebe muitos turistas do Brasil, principalmente nesta época do ano, por isso a opção de alguns estabelecimentos por profissionais do nosso país”, diz. Passos firmes Sampa ganhou a primeira loja da rede Mundo Corrida (www.mundocorrida.com.br). Em 350 m2 de construção, a concept store, instalada na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, oferece completa linha de artigos esportivos, tênis, vestuários e acessórios para running do mercado. Fabiana Mürer, campeã mundial em salto com vara, circulou por lá na noite de inauguração.

Fitness Brasil Contato: Gustavo de Almeida gustavo@fitnessbrasil.com.br IHRSA Contato: Jacqueline Antunes ja@ihrsa.org

Projeto Editorial e Redação

Rua Sud Menucci, 154 – Vila Mariana CEP: 04017-080 – São Paulo – SP – Brasil Tel./Fax: (11)5080-9100 Diretora de redação: Leila Gasparindo – MTB 23.449 legaspar@tramaweb.com.br Editora-chefe: Helen Garcia – MTB 28.969 helen@tramaweb.com.br Editor: Adriano Zanni – MTB 34.799 adriano@tramaweb.com.br Colaboradores: Bartira Betini, Bruno Athayde, Débora Pimentel, Francisco Arruda, Juliana Lanzuolo, Lilian Burgardt e Rodrigo Afonso Projeto gráfico e diagramação: Arthur Siqueira e Clauton Danelli Revisão: Gisele C. Batista Rego

EDITORA

Editoração, Comercialização e Distribuição de Publicações em Geral Rua Brigadeiro Galvão, 34, sala 3 - Barra Funda São Paulo / SP - CEP.: 01151-000 Diretor comercial Romeu Gomes Paião Júnior atitude.romeu@uol.com.br Financeiro e administrativo Vivian Ingrid Ignácio atitude.vivian@uol.com.br Assistente administrativo Evandro Batista atitude.batistadias@uol.com.br Assistente editorial João Paulo Reis atitude.mkt@uol.com.br Assinaturas e relacionamento Renata Moreira atitude.assinaturas@uol.com.br Para assinar e/ou anunciar: Fone: (11) 3662-4387 atitude.editora@uol.com.br Impressão: Intergraf

Bye-bye aos fundos Os sócios da rede de academias A! Body Tech, após um ano tentando conquistar fundos de investimento, desistiram de vender parte da empresa. Luiz Urquiza, presidente da companhia, negociava a venda de 20% da rede com três fundos de private equity, dois americanos e um brasileiro. “Avaliamos que seria melhor esperar a inauguração das novas unidades. Assim, passaremos a valer 50% mais”, diz. A expectativa é que até maio do ano que vem a rede, que hoje conta com 17 academias, inaugure outras sete. Em 2009, o faturamento da empresa foi de R$ 95 milhões. Querem chegar a R$ 200 milhões em receita até 2013. Haja fôlego!

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A Fitness Business Latin America é uma publicação bimestral da Fitness Brasil e IHRSA. É editada pela Trama Comunicação que não se responsabiliza por informações, conceitos ou opiniões emitidos em artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários. A tiragem desta edição, de 10 mil exemplares, é comprovada pela BDO Trevisan.

Parceiros Oficiais


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termometro_ WEBSURF Atualize-se sobre MMA Para quem gosta da modalidade, há um site muito bacana que acaba de ser lançado (www.pankratos.com.br) para divulgar o I Circuito Internacional de Lutas MMA Brasil-Irã, que acontece em 19 de setembro, no Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo (SP). O evento reunirá atletas internacionais, campeões de diversas categorias. Vale lembrar que o MMA envolve técnicas de modalidades de lutas marciais e segue padrões rígidos de competição de acordo com normas da IFPA e da PUPA. Curiosidade: Pankratos era o nome da primeira competição de lutas das Olimpíadas da Grécia Antiga que aconteceram entre 1.500 e 648 a.C. Os campeões desta modalidade eram homenageados com estátuas de corpo inteiro em praça pública, como o caso do guerreiro Hércules.

VITRINE Na onda da sustentabilidade A Supertech anuncia a chegada de sua mais nova “esteira ecológica”, feita com 50% de plástico totalmente reciclável. O equipamento possui oito programas de treinamento predefinidos, 12 amortecedores de impacto, display luminoso vermelho indicando tempo, calorias consumidas, distância e velocidade, além de teclas de comando leves e rápidas. Garantia: três anos. Consumo de energia: 1,86 kva/hora. Preço sugerido: R$ 4.990,00. Site: www.supertechfitness.com.br

Home gym Para os amantes da ginástica funcional e que não têm tempo para sair de casa, a Cepall acaba de lançar o AB-BAR, que ajuda a trabalhar os músculos da região do abdome, fortalecer e tonificar os braços, costas e as pernas, auxiliando inclusive em processos de reabilitação e readequação postural. O AB-Bar é constituído por um elástico flexível de alta resistência que permite a execução de exercícios de grande intensidade sem submeter o corpo a esforços prejudiciais à coluna e ainda protege as juntas e articulações. São três tipos de elástico conforme a intensidade do treinamento e do nível de condicionamento físico da pessoa. Preço e informações: www.ceppall.com.br

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Entrevista

Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi

Mais tempo, mais dinheiro? Será que existe relação direta entre trabalhar muito e enriquecer? Para alguns especialistas, o empreendedor brasileiro precisa aprender a administrar melhor seu tempo ou será escravo do próprio negócio. Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa, autores de “Mais tempo & Mais dinheiro”, comentam por que a figura do workaholic tende a desaparecer Por Adriano Zanni

o

Livro do Gênesis, na Bíblia, diz que Deus criou o mundo por inteiro e apenas no sétimo dia descansou. Talvez, segundo a visão de alguns consultores de negócios contemporâneos, Deus poderia muito bem encarnar hoje a figura daquilo que chamamos de workaholic, indivíduo fissurado em trabalho, ávido por executar tudo aquilo que foi planejado e que lhe incumbiram de fazer. Mas vale o alerta: esta figura está com os dias contados. Se o Gênesis descrevesse o processo de criação do mundo na atualidade, incluiria algumas horas para o chamado ócio criativo, ou então, alguns dias de brainstorming na pauta. Talvez estendesse o prazo de execução da obra com o objetivo de trazer elementos que agregassem algum tipo de valor ainda maior ao empreendimento. Metáforas à parte, o que se coloca em discussão é a relação entre as horas dedicadas ao trabalho e o efetivo enriquecimento daqueles que se colocam a fazê-lo. Será que administrar melhor os ponteiros do relógio ajuda a trazer mais dinheiro e benefícios, inclusive para seu negócio?

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Para Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi, dupla de consultores especializados em programas de treinamento nas áreas de produtividade e colaboração e autores do livro Mais Tempo & Mais Dinheiro, é possível ter prosperidade com qualidade de vida. O essencial em uma empresa é valorizar o senso de importância coletivo. Domenico de Masi, sociólogo italiano, difundiu o conceito de ócio criativo. Gostaria que vocês discorressem acerca da visão que possuem sobre essa teoria. Há caminhos que levam ao ócio criativo? Quais seriam? Christian Barbosa - Se pararmos para entender a teoria do ócio criativo, veremos que ela é basicamente uma tríade entre trabalho, estudo e lazer. Eu acho essencial o conceito. Quanto mais tempo você tiver para você, mais tempo terá para as outras coisas. Precisamos ter isso em nossa vida ou simplesmente vamos agir sem evoluir na direção do que queremos de verdade. Em tempos de globalização, como o empresário deve otimizar o pouco tempo livre que possui e como pode filtrar efetivamente as infor-


Marcos Fernandes

mações que irão fazer a diferença em seu negócio? Christian Barbosa - O empreendedor precisa aprender a administrar seu tempo ou será escravo de seu próprio negócio. Se ele trabalhar demais, irá se tornar funcionário de si próprio e não vai conseguir fazer a empresa crescer. Ele precisa reservar pelo menos um dia para pensar na estratégia da empresa, parcerias, entre outros elementos. Precisa realmente filtrar as fontes. Ao invés de ler tudo, delegue às pessoas certas da empresa e estimule-as a compartilhar essas informações. Gustavo Cerbasi - Com a concorrência intensa e clientes cada vez mais exigentes, o empresário não deve perder o foco do negócio e atirar para todos os lados. Deve valorizar os relatórios, exigir precisão de seu contador e decidir com base em números. Para ter acesso a ferramentas mais eficientes de gestão tecnológica e financeira, o ideal é que atue em conjunto com outros empresários do setor para ratear custos da inovação. Associar-se e explorar veículos de comunicação de seu trade, como a Fitness Business, são formas de conhecer melhor seu mercado e seu negócio sem precisar fazer grandes investimentos em pesquisas. Do ponto de vista das finanças pessoais, o raciocínio é o mesmo. O velho ditado “tempo é dinheiro” ainda pode ser analisado sob o mesmo prisma? O que mudou nos últimos anos? Christian Barbosa - Tempo é muito mais que dinheiro: é vida. É a única coisa que nunca mais pode retroceder quando desperdiçada. O que não significa que dinheiro não seja importante, muito pelo contrário. O que precisamos buscar é o equilíbrio dessas duas grandezas, uma ajuda a outra. Nos últimos anos, o que mudou foi uma crescente pressão social pelo sucesso financeiro e isso a custo de uma vida estressante. Não precisa ser

assim. Podemos ter prosperidade com qualidade de vida. Existe alguma relação entre trabalhar muito e ficar rico? Gustavo Cerbasi - É uma relação inversa. Trabalhar demais faz com que não tenhamos tempo de enriquecer, pois o enriquecimento depende de revisões em nossas estratégias. Quem é centralizador e não sabe delegar acaba sendo absorvido completamente pela rotina do negócio e não consegue aproveitar oportunidades de mudança ou de negociações estratégicas. É preciso, sim, focar no negócio, porém é preciso saber usar de forma inteligente o tempo para conseguir se atualizar, avaliar seus colaboradores, ouvir os clientes e estudar o desempenho financeiro do negócio. O brasileiro, de um modo geral, está preparado para ter tempo livre? Fomos educados para um padrão de vida no qual o imperativo é trabalhar, trabalhar e trabalhar para gerar riqueza. Acredita que a mudança desse paradigma possa levar a uma crise de valores? Gustavo Cerbasi - Essa questão é bastante ampla. Leve em consideração que os brasileiros adultos têm uma origem de dificuldades de seus pais, que tiveram de conviver em uma sociedade extremamente desigual e de poucas oportunidades. Hoje, a oportunidade é tida como uma conquista de várias gerações, e por isso há uma pressão social e familiar muito grande para que se valorize a conquista. Por outro lado, começa chegar aos negócios uma geração que viu seus pais perderem a saúde de tanto trabalhar, e que estão tentando mudar o estigma de workaholics. Creio que estamos no caminho certo para construirmos uma sociedade que vive melhor. Mas ainda não temos uma forte cultura de pesquisa de mercado e planejamento, o que leva os empreendedores a cresjul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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Entrevista Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi

marcos fernandes

Como o empresário ou o gestor deve mensurar a efetividade de um colaborador com base na relação tempo x produtividade? Christian Barbosa - Isso depende bastante do tipo de negócio. No geral, é necessário criar algum tipo de métrica que possa ser mensurada efetivamente no dia a dia e usá-la como um indicador de produtividade. Eu recomendo o uso de resultados entregues ao invés de controle de tempo x produtividade do funcionário. É muito mais importante que ele gere resultados no prazo, com qualidade e principalmente sem se

matar a ficar controlando efetivamente o tempo. Eu também costumo recomendar estratégias que valorizem o senso de importância dentro da empresa, voltadas para aumentar o planejamento coletivo, reduzir o volume de urgências, premiar profissionais que aprendem a equilibrar sua vida pessoal e profissional. Em um modelo de negócio rentável, é possível permitir que líderes de sua equipe de colaboradores tenham tempo para o ócio e possam exercer “folgas criativas”? Christian Barbosa - Eu acho que isso é essencial. A empresa deve valorizar o senso de importância coletivo. Um exemplo é criar o dia de planejamento que estimula que a organização pare para as pessoas planejarem sua semana seguinte, é um processo de 20 a 30 minutos que pode poupar horas e mais horas no futuro. No cenário fitness, existe um exército de profissionais autônomos. Existe uma fórmula certa para quem opta por abandonar a carteira assinada? Gustavo Cerbasi - Não é exatamente uma questão de opção, mas sim de sobrevivência. O importante é perceber que, sem um emprego formal, perdemos uma série de regalias, principalmente a proteção das férias, 13º, FGTS e benefícios. Por isso, o autônomo deve administrar com rigor suas finanças pessoais, criando reservas para férias, emergências e gastos sazonais. Se sua renda não for constante e de fontes diversificadas, deve também adotar um estilo de vida mais simples, que possa ser mantido com o piso de seus gastos, e criar o hábito de pagar à vista qualquer consumo baseado em ganhos variáveis. O brasileiro, em geral, gasta além do que tem? Ou isso é folclore?

Barbosa: Administrando

melhor o tempo, 12 Fitness Business | jul/ago podemos2010 ter prosperidade com qualidade de vida

Cerbasi: Ainda não temos uma forte cultura de pesquisa de mercados

marcos fernandes

cerem com a mão na massa, e esse é o maior erro. Somos patrões de nós mesmos, e maus patrões.

Gustavo Cerbasi - Não há a menor dúvida de que o brasileiro gasta além do que tem. Isso fica evidente nos mapeamentos sobre os mercados de crédito, em que as pessoas físicas mostram-se bastante endividadas no cheque especial e no cartão e em que empresas usam mais empréstimos para capital de giro do que financiamentos de equipamentos. Precisamos aprender a criar reservas de investimentos para crescer com as crises, e não sofrer com elas. A origem do problema está em nossa história de pobreza, que leva os adultos de hoje a consumirem mais do que devem, para provar a si mesmos seu sucesso. Porém, a estabilidade econômica tende a premiar os mais disciplinados e criar exemplos a serem seguidos. A educação financeira está avançando, e já nesta geração estaremos colhendo os frutos de uma vida financeira mais equilibrada.


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caso de sucesso

Marilândio Ponchet

Fisiculturismo impulsiona novos negócios Marilândio Ponchet é obstinado por aquilo que faz. Tricampeão mundial, o atleta fez da carreira recheada de títulos uma oportunidade para alavancar o senso empreendedor Por francisco arruda

O FISICULTURISMO Ele entrou em minha vida por acaso. Eu treinava atletismo e meu técnico percebeu que tinha grande facilidade para ganhar massa muscular. Minhas panturrilhas eram gigantes. Foi quando me aconselhou a partir para a musculação, visando dar um equilíbrio maior a minha estrutura física. Comecei a pegar gosto pelo esporte e abandonei o atletismo. A musculação é uma das poucas modalidades onde quanto mais você treina, melhor você fica. Não há uma “vida útil” para o fisiculturista. Por isso, me lancei cada vez mais nos treinos e decidi participar de competições.

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Divulgação

DE VOLTA ÀS ORIGENS Nasci em João Pessoa (PA), mas, aos cinco meses de idade, mudei-me para São Paulo. Alguns anos depois, já estava em Santos, cidade que adotei como minha e onde construí carreira. Hoje, aos 43 anos, com mais de duas décadas destinadas ao fitness, encaro as mudanças pelas quais o cenário atravessou de uma forma bastante tranquila e positiva. Creio que a informação tem ajudado muitas pessoas a entender a importância do bem-estar e de que forma elas podem trabalhar melhor seu corpo em beneficio da própria saúde e do equilíbrio mental.

Rotina de treinos puxados para tentar títulos inéditos

A musculação é uma das poucas modalidades nas quais quanto mais você treina, melhor você fica

RECONHECIMENTO Sinto-me orgulhoso e recompensado pelas proezas que consegui no fisiculturismo. Sou tricampeão paulista (IFBB), tri brasileiro (IFBB), campeão sul-americano (IFBB), tri mundial pela NABBA e tricampeão do Mr. Universo na minha categoria. Em outubro, partirei rumo à Inglaterra para disputar o Mr. Universo na categoria profissional. Quero ser o primeiro atleta residente no Brasil a ganhar tal título. Tudo é resultado de muito esforço e também de estudo, já que, para ser um atleta, é preciso buscar informações sobre nutrição, fisiologia do exercício, entre outros temas. O fisiculturista é um lapidador de seu próprio corpo e precisa entendê-lo como ninguém para isso. ATLETA VIROU EMPREENDEDOR Ainda jovem, antes de me formar em Educação Física, eu era sócio de uma academia, na época com 100 alunos. Meu parceiro não conseguia mais participar ativamente dos negócios e me propôs a venda da aparelhagem. Não pensei duas vezes. Saquei os R$ 10 mil que tinha na poupança e investi. Meu pai perguntava: “o que você vai fazer com esse monte de ferro”? Aos poucos, fui montando a equipe de colaboradores e qualificando esse


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Marilândio Ponchet

Divulgação

Divulgação

caso de sucesso

Divulgação

Na academia de Ponchet, em São Vicente, na baixada santista, alunos de todas as idades e condicionamentos físicos diferentes buscam informações sobre qualidade de vida com o fisiculturista

corpo de profissionais. Atualmente, são dez professores de educação física sob minha responsabilidade, seis deles pós-graduados. Acho fundamental o profissional estar sempre em reciclagem. A Ponchet Halteres Club tem hoje 550 alunos; é um negócio consolidado na cidade de São Vicente (SP). Além disso, mantenho minhas aulas de personal tanto na Baixada, como na capital paulista. MUDANÇA DE MENTALIDADE O fisiculturismo mudou muito, tanto que hoje ele abre portas, atrai novos clientes para os negócios. Antes, havia aquele estigma de que apenas pessoas desregradas e sem cultura

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partiam para esse esporte. Hoje, quem o pratica estuda a musculação e sabe os efeitos benéficos dela para o organismo. Isso despertou o interesse até mesmo de executivos e pessoas diplomadas. Tenho muitos clientes que são médicos, fisioterapeutas, administradores. Os empresários, por exemplo, procuram o fisiculturismo pela questão da disciplina, já que o esporte exige um alto grau dela e, dessa forma, se sentem incentivados a cumprir metas. O BOM FILHO A CASA TORNA Lembro como se fosse hoje quando participei da 2ª edição da Fitness Brasil Internacional. Não tinha dinheiro para

me inscrever nas palestras do evento e contei com a ajuda dos organizadores, em especial do Waldyr Soares. Não queria o diploma em si, mas apenas me aperfeiçoar. E eles me deram uma chance. Hoje, volto ao mesmo evento, 18 anos depois, como palestrante convidado. Isso é uma honra. No início de carreira, vinha a São Paulo para dar aulas. Subia a serra de carro. Muitas vezes, cheguei a dormir dentro dele, isso quando não roubaram meu automóvel e tive de dormir por dias na praça em frente à academia onde dou treinamento. Para mim, enquanto empreendedor, a grande lição que fica é da perseverança e a da superação de obstáculos, por maior que eles sejam.


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capa

Concorrência acirrada

Quem leva esse cabo de guerra? Wellness cresce no Brasil impulsionado por um consumidor exigente que busca flexibilidade e comodidade. A demanda estimula investimentos e aumenta a competitividade entre clubes de lazer, academias e condomínios-clube Por Lilian Burgardt

F

aturando US$ 1,1 bilhão em 2010, segundo estimativas da IHRSA, e ostentando o título de segundo maior mercado mundial de academias, com mais de 15,5 mil estabelecimentos, o mercado do bem-estar no Brasil é um gigante com apetite voraz. Especialmente nas grandes capitais, chamam atenção os investimentos feitos por academias, clubes de lazer e condomínios-clube para satisfazer as mais variadas necessidades dos praticantes de atividade física. Segundo dados da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA), mais de 80 milhões

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de brasileiros estão, na verdade, atrás de flexibilidade para driblar a falta de tempo, o trânsito e a insegurança, sobretudo nas metrópoles. Atualmente, observa-se o crescimento vertiginoso da oferta de empreendimentos imobiliários com infraestrutura completa para o fitness. De acordo com o diretor executivo da Advisor Wellness & Fitness, Tavicco Moscatello, trata-se de uma demanda que acompanha o crescimento das cidades, onde o simples trajeto casatrabalho-casa se tornou uma rotina exaustiva. “A demanda cresceu junto à busca do consumidor por comodidade. Ele quer frequentar a academia


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Concorrência acirrada

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ou o clube, mas também quer ter a opção de contar com essa infraestrutura em casa quando não puder ou não quiser sair dela”, diz. Moscatello não acredita em um cabo de guerra entre os três nichos de mercado e complementa que cada um tem seu devido lugar na cadeia produtiva. “Os três têm características bem peculiares. A academia oferece um tipo de socialização, o clube várias oportunidades de interação e atividades, e o condomínio, comodidade”, compara. É o que também pensa Eduardo Luiz Silva, engenheiro civil responsável pelo departamento comercial da EPO Engenharia, uma das maiores incorporadoras de imóveis de alto padrão em Belo Horizonte (BH). Seguindo uma tendência de mercado, a EPO Engenharia tem em seu rol de empreendimentos a premissa de entregar todos os imóveis equipados com espaço fitness. “Hoje, não é mais uma opção oferecer essas áreas nos empreendimentos de alto

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padrão. Se você não tem, não vende”, explica. Segundo o engenheiro, nos condomínios, a comodidade também tem a ver com segurança, principalmente para crianças e idosos. “É um fator que tem estimulado as incorporadoras a investirem nesse diferencial, pensando principalmente na qualidade de vida dessas populações”, afirma. Outros dilemas Quando o “ter ou não ter” um espaço fitness nos empreendimentos imobiliários deixou de ser a questão crucial, tornou-se obrigatório investir no que há de mais moderno para satisfazer aqueles mais ávidos por novidades. Assim, a customização dos locais destinados às práticas de atividades físicas de acordo com o perfil do imóvel e de seus moradores passou a ser o diferencial. “Cada vez mais investimos em áreas maiores, bem-equipadas e projetos inovadores que deem aos moradores a opção de se exercitar em casa com qualidade”, conta Silva.

Isso não significa, porém, que tais usuários do serviço irão substituir as academias pelos condomínios-clube, uma vez que são raros os casos em que estes últimos conseguem atender toda a demanda, oferecendo atividades variadas. Sobre isso, fala o presidente da rede de academias Cia. Athletica, Richard Bilton. Com 12 unidades distribuídas pelas principais cidades, a rede conta com 30 mil alunos e é vista como uma das mais importantes do Brasil. “Mantemos unidades da Cia. Athetlica em condomínios de alto padrão no Rio de Janeiro, mas percebemos que elas não substituem a procura dos moradores pelas salas de ginástica”, avalia. Ainda quanto à competição, Bilton usa o exemplo norte-americano - 1º lugar em número de academias e pioneiro nesse mercado fitness para condomínios. “Nos Estados Unidos, escolas e até universidades têm suas estruturas bem-equipadas. Mesmo assim, é altíssimo o número de alunos matriculados em academias”, alega.


Ele também lembra uma pesquisa feita pela IHRSA, há quase dez anos, mostrando que boa parte dos consumidores que adquiriram equipamentos de ginástica para uso doméstico frequentava as salas de ginástica regularmente. “Essas são alternativas para não deixar de fazer o exercício diante da impossibilidade de sair de casa ou por uma questão esporádica de conforto, mas uma não se sobrepõe a outra”, avalia. Um país de regionalismos De Salvador, a porta-voz da Villa Forma, Carol Sousa, concorda com Bilton dizendo que as academias oferecem o que os condomínios não podem: a oportunidade de fazer novos amigos. Mas, na Bahia, outros fatores macroeconômicos contribuem também para estimular a competitividade, inclusive entre as próprias academias.

Qual é a sua praia? Academia Sociabilidade e diversidade de modalidades esportivas Deslocamento no trânsito e insegurança nas grandes metrópoles Condomínios-clube Comodidade, segurança e conforto Inibição, baixa sociabilidade e poucas opções de atividades esportivas Clubes Sociabilidade, variadas atividades esportivas e eventos sociais que permitem interação Deslocamento no trânsito e insegurança nas grandes metrópoles

academias abocanham ainda a maior fatia deste bolo. “Moro em um condomínio com uma academia pequena e estruturada para um treino básico, mas jamais encontrei os moradores por lá. Muitos, inclusive, são alunos de minha academia”, conta o sócio-diretor da Aeróbica, Murilo Guerra. Segundo ele, isso acontece porque além da melhor estrutura, o fator social é muito importante. “As pessoas também querem ver gente diferente, não só seus vizinhos. Querem se relacionar, ver o movimento, enfim, preferem sair de casa para mudar de ares”, justifica. Petrópolis conta com três academias de médio/grande porte, entre as quais está a Aeróbica. Segundo Guerra, das maiores e bem-equipadas às

Segundo a executiva, em tempos de crise, a primeira coisa que o consumidor baiano “corta” do orçamento é o gasto com atividades físicas. “Quem pode pagar, quer pagar menos e quem não pode, mas não consegue ficar sem se exercitar, acaba aproveitando as orlas das praias ou os parques da cidade”, diz.

É nas pequenas cidades, porém, que as academias continuam a reinar absolutas. Em Petrópolis (RJ), com cerca de 350 mil habitantes, não há preocupação com o trânsito ou com a violência. Assim, mesmo tendo a opção de malhar em condomínios com áreas estruturadas, as jul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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Nesse cenário, torna-se muito importante investir. Há nove anos no mercado, a Villa Forma possui 1,1 mil alunos em Salvador e já aprendeu essa lição criando constantemente eventos de integração, apostando no bom atendimento e na oferta de novas modalidades.


Concorrência acirrada

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mais modestas, a grande maioria faz um trabalho profissional. Por isso, manter-se competitivo é um desafio diário. “Trabalhamos muito. Agimos com ‘agressividade’, coragem e agilidade, porém, sem perder de vista o senso ético e humano. Inovamos sempre que possível, até mesmo na decoração e ainda investimos na atualização e no desenvolvimento de novas competências da equipe”, diz. Sociabilização: palavra de ordem Com relação aos clubes, Bilton concorda com Moscatello ao dizer que eles também oferecem outras possibilidades de sociabilização, por isso não acredita em competição tão acirrada com as academias. “Em um primeiro momento, observamos estruturas muito bem-equipadas dentro dos clubes, o que pode dar a impressão de que competimos pelo mesmo mercado, mas não vejo essa realidade. Os associados dos clubes têm na academia mais uma opção de atividade física”, diz. Para ele, trata-se de um público diferenciado que, ao mesmo tempo, também pratica outras modalidades esportivas dentro do espaço, como tênis, por exemplo.

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Há 16 anos no Clube Paineiras, São Paulo, o atual supervisor de esportes, Sérgio Picasso Garcia, engrossa o time de quem não vê uma competição clara entre os três nichos de mercado. Ele afirma que o clube passou a enxergar a importância do fitness como complemento a outras atividades, tornando-se, mais tarde, opção para os demais associados. Desde 2009, a área foi ampliada de 1.000 m2 para 2.000 m 2 e passou

dos 5,6 mil associados do clube sírio, em são Paulo, cerca de 1,2 mil passaram a frequentar a academia do clube com regularidade, instalada em uma área de 1.000 m2

a contar com novos equipamentos de musculação e ginástica, além da criação de salas para a prática exclusiva de modalidades como pilates, boxe, spinning e treinamento funcional. Garcia defende a quase infinita possibilidade de atividades como diferencial dos clubes. Por essa razão, ele acredita na valorização desses espaços, sobretudo nas grandes capitais. “Os clubes assumem quase que a forma de um oásis, porque oferecem uma programação diversa. Em um mesmo ambiente seguro, tem-se a opção de malhar, assistir a um filme, fazer uma sauna. Há outros valores agregados mais atraentes do que em uma academia ou em um condomínio. Aliás, nesse último, muitas pessoas têm vergonha de expor-se e, por isso, não usufruem das áreas de fitness e lazer”, compara. Vice-presidente do Clube Sírio, Marco Aurélio Ferreira Lisboa também acredita nos valores agregados dos clubes para atrair associados, o que tem justificado grandes investimentos na atualização do espaço fitness. “Percebemos essa demanda e queríamos oferecer mais comodidade para nossos usuários sem que eles precisassem procurar outro lugar para realizar esse tipo de atividade.” Há um ano, o Sírio ampliou a área para 1.000 m2, atualizou os equipamentos de ginástica e musculação e construiu novas salas para modalidades específicas como spinning, ginástica e Pilates – sendo essa a única atividade gerida externamente. “Os investimentos foram importantes para nos mantermos competitivos. A expectativa inicial era a de que dos 5,6 mil associados, pelo menos, 500 frequentassem a academia regularmente. Hoje, registramos 1,2 mil associados assíduos”, comemora.


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Como se preparar para o verão

De olho no

calendário Embora a estação mais quente só comece em dezembro, é possível antecipar ações que podem colaborar para trazer novos alunos em um período no qual as aulas de ginástica ou natação tendem a dividir agenda com as festas de final de ano, viagens à praia e outros atrativos Por francisco arruda

O

ficialmente, o verão brasileiro terá início às 20 horas e 38 minutos do dia 21 de dezembro. A cinco meses da estação mais quente do ano, já existe muito gestor e proprietário de academia quebrando a cabeça para criar fórmulas que possibilitem a manutenção do número de alunos e, por consequência, dos níveis de lucratividade em suas unidades de negócios. Uma missão que exige muito suor e criatividade, sobretudo porque o período tende a acentuar a divisão da agenda de compromissos dos clientes em horas destinadas às viagens, às compras de final de ano, às confraternizações em família, ao período de férias escolares e também, é claro, às atividades físicas. Quando se pensa em academias voltadas à natação e a outras modalidades aquá-

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ticas, a missão é ainda mais trabalhosa. As altas temperaturas levam muitos alunos a trancar matrícula nessa época do ano, talvez até mesmo porque optem em praticar exercícios ao ar livre, atitude muito comum em cidades litorâneas. O segredo é começar a fazer a lição de casa desde o inverno, que já começou! Tudo para que, daqui a alguns meses, a tática de convencimento revele-se ainda mais eficiente. Para Renato Ramalho, sócioproprietário da Metodologia Gustavo Borges, empresa que leva a chancela do ex-nadador e medalhista olímpico, a sazonalidade, por outro lado, também pode ajudar a alavancar vendas. “O Brasil é um país de regionalismos. Temos estados com verão o ano todo e outros com curtíssimos períodos atrelados a essa estação. Dessa forma, tivemos de

pensar em planos comerciais que visam a soluções personalizadas para cada cliente. Hoje, na era da comunicação, os problemas, apesar dos fatores regionais, são perfeitamente contornáveis para cada praça de mercado”, afirma o empresário. Planejamento e preparação da equipe para a alta temporada de verão são os fatores mais importantes, cita Ramalho. “Chegar à estação com a equipe afinada e compartilhando do mesmo entusiasmo é a diferença para que metas e planos sejam alcançados. Temos hoje seis passos importantes para iniciarmos o trabalho: conhecer e compreender, desenvolvimento e processos, comunicação e divulgação, treinamento, implementação e a transição para a água. Viver cada etapa em seu tempo certo e em conjunto é essencial para o sucesso e para que os alunos permaneçam nas academias, mesmo depois do término do verão”, diz. Planos de fidelização Foi o que fez a Academia Procorpo, em Amparo (SP). Há dois anos e meio como associada da Metodologia Gustavo Borges,

sh utte rst oc k

gestão


decidiu investir na capacitação do quadro funcional, na uniformização da proposta de aulas e em algumas estratégias fundamentadas de marketing que pudessem ampliar o mix de produtos oferecido aos clientes, tornando tudo mais atrativo ou vantajoso. Mara Guilardi de Oliveira, coordenadora da Procorpo, conta que foi elaborado um programa de fidelidade oferecendo prêmios mensais a todos os alunos que fazem aniversário de matrícula, o que evita que as pessoas cancelem seus planos por motivos passageiros ou sazonais. “Mas acredito que a real estratégia de retenção é oferecer aulas de qualidade, cuidando de nosso aluno da forma mais especial possível. O planejamento não é mais baseado somente em nossa experiência, mas sim na experiência de estudiosos e de

dezenas de academias que também trabalham com essa metodologia. Esse é um diferencial para o gestor”, complementa. Ramalho acredita ainda que os professores têm de ter consciência da parte deles neste processo, uma vez que pessoas fidelizam pessoas. “Muitas vezes, o simples fato de se contar a metragem de um aluno e ir acumulando isto em um mural faz com que o cliente se motive a vir nas próximas aulas só para ver quantos quilômetros vai nadar no final do mês. Ou contar para o aluno qual será o desafio da próxima aula o fará se preparar mentalmente para vir e também se sentir esperado pelo professor. Todas essas estratégias fazem parte dos programas de fidelização e ajudam a proporcionar um verão mais saudável, inclusive sob o ponto de vista de sustentabilidade do empreendimento”, finaliza.

hoje, na era da comunicação, os problemas, apesar dos fatores regionais, são perfeitamente contornáveis para cada praça de mercado

renato ramalho, metodologia gustavo borges

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Express

Art Curtis

Divulgação

Lição de casa para os próximos anos ele é o mais novo presidente do Conselho Superior de Administração da IHRSA. Em sua primeira viagem oficial, escolheu o Brasil como destino E não foi por acaso! Por Adriano Zanni

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uem observa o currículo, aparentemente, acredita tratar-se de um acadêmico. Ph.D em fisiologia aplicada pela Maryland University, nos Estados Unidos, Art Curtis é desses raros profissionais que, ao longo da carreira, souberam congregar as pesquisas científicas com uma aprofundada visão de mercado. Mestre e bacharel em Administração pela Bowling Green State University, em Ohio, também já foi consultor de condicionamento físico para o Washington Redskins, um dos mais populares times de futebol americano.

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Até que, em 2006, tornou-se CEO do Millennium Partners Management Sports Club, consolidando uma ampla rede de spas e clubes esportivos espalhados pelos Estados Unidos, o que o levou a um papel de destaque na indústria wellness. No dia 1º de julho, foi guindado ao cargo de presidente do Conselho Superior de Administração da International Health Racquet and Sportsclub Association (IHRSA). Em sua primeira “missão oficial”, tratou de incluir o Brasil no roteiro. E não foi à toa. Segundo o executivo, o

país exerce, de maneira inquestionável, um papel de liderança enquanto criador de tendências neste mercado. “Há mais de 15 mil academias e um potencial de mercado enorme para ser explorado. Os clubes de lazer e saúde do Brasil precisam estar atentos às múltiplas possibilidades que se abrirão com a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Quem largar na frente com sua equipe agora, certamente fará a lição de casa de modo exemplar”, diz Curtis, que deu sua primeira entrevista a um veículo da imprensa brasileira.


Fitness Business - Você acaba de tomar posse como presidente do Conselho Superior de Administração da IHRSA. Qual é a visão de futuro para o cenário do bem-estar? Art Curtis - Há grandes oportunidades e muitas iniciativas importantes para serem lançadas. Durante 2011, pretendo abordar algumas das questões mais críticas enfrentadas pela IHRSA e pela indústria do bem-estar, entre elas, o nosso papel no combate à epidemia de obesidade no mundo, proporcionando mais e melhores serviços para os membros associados. Fitness Business - Sua primeira viagem oficial tem como destino a IHRSA/FITNESS BRASIL, evento que acontece em setembro, em São Paulo. Você já esteve no país antes? Que avaliação você faz do wellness na América Latina? Art Curtis - Será minha primeira viagem oficial como presidente do Conselho Superior de Administração da IHRSA e também minha primeira visita ao Brasil. Estou realmente ansioso. O Brasil é líder na indústria fitness, não só para a América Latina, mas também para o mundo. Tem mais de 15 mil academias, o segundo maior contingente de todo o planeta. Além disso, é o sétimo do ranking em número de frequentadores de clubes de saúde e lazer, com mais de 4,7 milhões de pessoas. Há muitas oportunidades no Brasil e as empresas que encontrarem um bom parceiro comercial no país, com grande know-how e estudo de mercado, obterão grandes vantagens em comparação com quem decidir se aventurar individualmente. Fitness Business - Qual a projeção que você faz para a indústria do bemestar com a escolha do Brasil como sede de dois grandes eventos mundiais relacionados ao esporte: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016?

Art Curtis - As academias devem aproveitar a realização destes dois eventos para angariar novos associados. Se uma unidade de negócio, por exemplo, possui um lounge com TVs ou telões adaptados para exibir as partidas da Copa ou as demais competições esportivas, poderão chamar seus associados para assistir aos jogos ou mesmo seus clientes em potencial. Mas é preciso trabalhar desde já. As academias devem fazer brainstormings com suas equipes para saber a melhor maneira de aproveitar esse cenário positivo. Fitness Business - O Brasil é o segundo maior mercado no ranking mundial de clubes de saúde, mas apenas 3% da população frequenta as academias. Como promover a efetiva inclusão das pessoas na cadeia de bem-estar? O que falta em termos de política pública? Art Curtis – Falta obter maior apoio do governo para a importância da atividade física e do papel dos clubes de saúde em medicina preventiva. É um longo, lento e necessário caminho. Nos Estados Unidos, por exemplo, a primeiradama, Michelle Obama, assumiu o desafio de reduzir a obesidade infantil. É importante também que o governo tenha uma atitude pró-ativa

importante também que o governo tenha uma atitude próativa na geração de novos negócios ligados ao bem-estar

na geração de novos negócios ligados ao bem-estar. O presidente Lula tem sido um defensor dessa indústria e esperamos que o próximo presidente dê continuidade a isso.

Fitness Business - Como você avalia o desempenho da indústria wellness norte-americana após a crise econômica? Art Curtis - Durante esses tempos econômicos desafiadores, os clubes de saúde dos Estados Unidos foram cortando despesas e concentrando-se mais em seu core business para que pudessem estar mais bem posicionados, de modo a tirar proveito das oportunidades que a economia viesse a oferecer. Naturalmente, os fabricantes de equipamentos colocaram os pés nos freios, o que impactou a indústria e seus fornecedores. Havia uma sensação de incertezas, hoje já reduzida. Fitness Business - Você acredita que os serviços destinados a pessoas idosas com hipertensão arterial, doenças cardíacas, entre outras, podem representar grandes oportunidades de negócio? Como é essa realidade nos Estados Unidos? Art Curtis - Sim! O público está cada vez mais consciente de que os problemas ligados à idade podem muito bem ser contornados com a prática da medicina preventiva, que inclui ter uma dieta saudável e fazer exercícios regularmente. Precisamos ter certeza de que os médicos se sentem confortáveis ao indicar a seus pacientes clubes de saúde e academias, o que significa que precisamos nos aproximar dessa comunidade médica. Nos Estados Unidos, é muito comum abrir as nossas instalações para que os médicos possam saber mais sobre os serviços de saúde que as academias oferecem. Sem dúvida, esse foco nas chamadas populações especiais representa uma grande tendência. jul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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Mercado e tendências Franquias do bem-estar

fitness

Franchising:

vestuário

saúde

alimentação

beleza/estética

tendência também no wellness

Nas cinco pontas da cadeia do bem-estar, é cada vez mais comum o surgimento de negócios baseados em modelos de franquias. Embora não haja estatísticas precisas sobre o crescimento desse nicho, estima-se que ele seja responsável por boa parte do faturamento de R$ 63 milhões registrado em 2009 pelo franchising brasileiro Por Bartira Betini

a

indústria do bem-estar é sustentada hoje por cinco pilares que traduzem a pujança de um setor que cresce vertiginosamente com a preocupação das pessoas em cuidar do corpo, mente e espírito. Fitness, saúde, beleza, alimentação e vestuário inspiram empresas do mundo todo a lançar novos modelos de negócio.

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No Brasil não é diferente. Dessa forma, franquias no setor do bem-estar começam a ganhar espaço, de norte a sul do País, com serviços e produtos para públicos de todas as idades. Acopladas a academias, algumas dessas unidades de negócio encontraram um nicho de oportunidades para ampliar seu core business.


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Mercado e tendências Franquias do bem-estar

A Mundo Verde, com 160 lojas espalhadas pelo Brasil, considerada hoje a pioneira no setor de bem-estar e saúde, resolveu apostar firme no mercado: três das suas lojas funcionam junto com grandes academias de ginástica. Donato Ramos, diretor de Marketing e Recursos Humanos da Mundo Verde, conta que a oportunidade apareceu quando um franqueado mostrou interesse em abrir uma unidade anexada a uma academia de São Paulo. “Avaliamos ser um bom negócio e uma possibilidade precursora, pois a oferta de alimentos saudáveis, suplementos alimentares e artigos para o bem-estar se ajusta perfeitamente à demanda dos frequentadores de academias. O aluno avalia o fato de ter acesso a uma loja como a nossa como mais um serviço e fica muito satisfeito, vira cliente cativo”, explica. Ele acredita que a estratégia de sucesso de uma loja acoplada à academia passa por avaliar o fluxo de pessoas no local diariamente e os custos da operação, principalmente de aluguel do espaço. É muito importante avaliar o perfil do público da academia com o objetivo de discutir se haverá demanda para os produtos que serão oferecidos. “Além disso, é necessário realizar junto aos frequentadores uma pesquisa com o objetivo de entender quais os produtos mais demandados e montar o mix da loja

de acordo com essa pesquisa. Mas existem alimentos que já sabemos que não podem faltar de jeito nenhum e quanto mais variedade, melhor”, detalha. Outra dica dada pelo empresário é que, após abrir a loja, é necessário estar muito próximo aos clientes para entender quais novos produtos e serviços podem ser oferecidos. “É necessário ter foco no atendimento. Os atendentes devem estar sempre bem informados para esclarecer dúvidas e oferecer as melhores indicações para os clientes”, finaliza. Caminho certeiro Para a consultora de negócios e gestão Cláudia Bittencourt, diretora da Bittencourt Consultoria, é comum atualmente franquias funcionarem dentro de outros negócios franqueados nos mais variados segmentos. “Isso acontece porque as empresas perceberam potenciais de negócio e alternativas para buscar novas receitas e ampliar o capital. As associações acontecem entre empresas que não concorrem entre si, e sim somam produtos e serviços”, explica. É o caso do setor wellness que há dez anos tem se familiarizado em negócios acoplados, por exemplo, academias e lojas de alimentos saudáveis em um mesmo espaço, ou ainda, centros de beleza e estética que oferecem atividades de ginástica e alimentação

balanceada. “O mercado é promissor, mas é necessário avaliar todas as possibilidades antes, como por exemplo, que público será atingido e se ele é suficiente para manter o negócio”, diz a consultora. Cláudia afirma que essa é uma nova realidade de mercado que ainda está se consolidando. O empresário de sucesso nesse segmento de parceria consegue bom resultado ao estudar o negócio e, por consequência, viabilizar suas vendas. “Não adianta ser uma franquia renomada que dá certo em shoppings ou lojas de rua. Para dar certo dentro de uma academia, é necessário investir em produtos específicos e estratégias próprias de vendas”, aconselha. Bons de garfo e de fôlego Não necessariamente acopladas a academias, mas localizadas em shoppings próximos a complexos esportivos, franquias de alimentação saudável também crescem no Brasil. Uma delas é a rede Spremuto, de alimentação natural, com três lojas, nos shoppings Eldorado, Villa Lobos e Tamboré, todos na capital paulista. Com o slogan saúde e bem-estar, o conceito do negócio é a fácil administração. Uma franquia da rede pode ser montada em espaços pequenos, com pelo menos 20 m 2, o que diminui custos. Segundo o departamento de marketing da marca, o capital para investimento é baixo e o retorno acontece entre 18 e 24 meses. Outra franquia que é sinônimo de alimentação saudável é a Seletti, que entrou em operação há três anos, funciona com sete unidades e tem a perspectiva de, até o final do ano, chegar a 20 lojas. Para elaborar o cardápio, três chefs de cozinha dão orientações e requinte aos pratos. O valor médio

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Divulgação

Visão de mercado O setor de franquias registrou, em 2009, faturamento de R$ 63 bilhões e cresceu 14,7% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). As expectativas para 2010 são promissoras: espera-se um aumento entre 15 e 16% no faturamento. O número de unidades (pontos de venda de serviços ou produtos) saltou de 71.954 para 79.988, um acréscimo de 11%. Essa expansão resultou na abertura de 72 mil novos postos de trabalho. Traduzindo ainda mais, a movimentação do mercado de franquias em 2009 registrou 264 novas redes, totalizando 1.643 marcas de franquias no País. Boa parte delas é ligada a vestuário, que é um dos pilares do bem-estar. “As pessoas estão mais preocupadas com a saúde e isso reflete em negócios que atendam essa demanda”, explica Ricardo Camargo, diretor-executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O aumento de redes e unidades somado ao incremento do poder de consumo das classes B e C foram os grandes responsáveis pelo crescimento do setor. “O ritmo de inauguração de centros de compras e a exploração de regiões praticamente inexploradas garantiram o ritmo em quase todas as áreas de atuação das franquias”, afirma Camargo. Para 2010, a expectativa continua positiva. “Com tantos pontos inaugurados no ano passado, é natural que o faturamento aumente”, explica. Para o consultor, outra grande aposta são as microfranquias (negócios de até R$ 50 mil de investimento) e a exploração de novos polos comerciais.

Focado nos adeptos da alimentação saudável, Seletti quer chegar a 20 franqueados até o final de 2010

de investimento é entre R$ 290 mil a R$ 330 mil. “Estamos ampliando e saindo de São Paulo, pois teremos em breve a inauguração de uma loja em Campinas (SP) e outra em Belo Horizonte (MG). Além disso, estamos em um projeto-piloto com uma academia de São Bernardo, no ABC paulista. Não dá para falar muito ainda, pois estamos avaliando as possibilidades de um negócio acoplado. Agora se der o resultado que aguardamos, poderemos entrar também nesse nicho de negócios e, quem sabe, fazer diversas parcerias com grandes academias”, diz Luís Felipe Campos, sócio-diretor da Seletti. Customização no franchising No universo da malhação é notória a presença de algumas franquias norte-americanas nos mais variados países, principalmente da América Latina. Curves, Contours, Gold’s Gym, Anytime Fitness e Fitness Together são alguns dos nomes consolidados. A Anytime Fitness, a que mais cresce no mundo, por exemplo, possui quase 1 milhão de mem-

bros, 1.250 academias em 50 estados americanos e mais de dez clubes em países como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, México e Índia. E agora está chegando ao Japão. “Este é um momento importante, já que continuamos a introduzir nossa marca em diferentes partes do planeta. O Japão é uma terra de partida ideal para a nossa expansão rumo à Ásia e bem-adequada ao conceito de nossa marca”, disse John Kersh, vice-presidente de Desenvolvimento Internacional para Anytime Fitness. Kersh ressalta que, entre as muitas características que tornam a rede tão popular, está o acesso 24 horas aos clubes, as taxas de adesão a preços acessíveis e o equipamento de alta qualidade. “Além disso, unimos a necessidade de se exercitar com o prazer de estar em um lugar bonito, equipado e preparado para receber os diferentes tipos de aluno. Por isso tem dado tão certo, pois atendemos as necessidades dos clientes e, em cada país, encontramos e nos adequamos ao jeito de ser e de querer as coisas do nosso público”, explica o empresário, alegando que é possível investir, sim, em customização quando o assunto é franchising. jul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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gestão/RH

Que tipo de líder você é?

A diversidade em sua empresa O que diferentes estilos de liderança podem agregar ao negócio? Saiba identificar os líderes no ambiente de trabalho e como extrair o melhor de cada “espécie”

shutterstock

Por Débora Pimentel

A

qui tem muito cacique para pouco índio”. Quem já ouviu ou reproduziu a velha e boa sabedoria popular sabe como a gestão de pessoas dentro dos mais variados modelos de negócios passou a ser encarada sob uma nova perspectiva. Assim como propôs James C. Hunter, em 2004, quando escreveu O Monge e o Executivo, best-seller que apresenta os conceitos fundamentais para melhorar a capacidade de liderança e o convívio com os colegas de trabalho, o líder ocupa hoje o lugar dos chefes nas organizações, principalmente naquelas que primam pela qualidade e produtividade por meio da construção de relacionamentos éticos e saudáveis em vez de colocarem em prática o autoritarismo. Cada vez mais, as empresas desdobram-se na implementação de propostas eficazes no processo de conduzir equipes e maximizar resultados. Para os especialistas em recursos humanos, líder é aquele que dirige e influencia pessoas com conhecimento, criatividade, persuasão, argumentação e carisma.

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Então, nada melhor que encontrar profissionais capazes de reunir pessoas com perfis diferentes, com interesses distintos, de modo a unir todas elas em torno de uma meta em comum: manter a qualidade e garantir o crescimento do negócio ou o cumprimento de um determinado objetivo. Parece fácil, mas a missão de agregar diferentes estilos de liderança a seu negócio pode revelar-se bastante árdua e complexa. Tal líder, tal grupo Estudos comportamentais mostram que, desde a antiguidade, a responsabilidade do líder está ligada à direção e ao poder de influenciar pessoas. No tempo do homem das cavernas, o líder de uma tribo era quem dividia as tarefas, direcionava os colegas mais habilidosos para essa ou aquela função e, assim, garantia a sobrevivência do coletivo. Ainda ao longo da história, podemos ver que diferentes tipos de liderança souberam guiar equipes também de acordo com seu tempo e momento. Vejamos alguns exemplos: Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Na-

poleão, Winston Churchill, Martin Luther King, Getulio Vargas, Margaret Thatcher, entre outros. Levando em conta a relação recursos humanos versus necessidades das empresas, é preciso identificar prioridades e objetivos de cada situação. É isso o que deve pautar a boa atuação de um líder, argumenta Luciana Damasio Saldanha, analista de RH. Segundo a consultora, os recrutadores das organizações costumam apontar contingências, levantar as competências necessárias para administrá-las e, só então, concluem quem será o novo gestor de determinada equipe. Aliás, se o líder é o termômetro do grupo, pois é ele que reflete a situação de momento, além de estar sempre “antenado” ao comportamento de seus seguidores, é preciso ainda apontar características que determinam cada tipo de liderança dentro de perfis existentes: executivo, coercitivo, distributivo, educativo e inspirador. Gostar de pessoas e saber ouvir também são características fundamentais para uma boa liderança. Mais


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gestão/RH

Que tipo de líder você é?

que isso: um líder tem de vislumbrar as oportunidades de crescimento e desenvolvimento, incentivando e mostrando o que é possível, dentro de uma postura de otimismo e entusiasmo. Para Mauro Rosa, analista de Recursos Humanos, mais do que apontar caminhos, a atuação do gestor de equipes exige paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso. “O líder atual oferece causa, não apenas tarefas. Forma outros líderes, não apenas seguidores. Inspira pelos valores, não apenas pelo carisma”, diz. Menos chefes, mais líderes Gostar de lidar com pessoas, por exemplo, é um dos aspectos fundamentais na escolha de professores para coordenar equipes dentro das academias, afinal, a atmosfera do bem-estar exige um exercício constante de relacionamento, bem como domínio de conhecimentos. “A pessoa que liderar uma equipe com eficiência sem conhecer suas próprias qualidades e defeitos, certamente terá dificuldades para identificar e lidar com isso na gestão do outro”, lembra o consultor e diretor da Compass Consult, Wilson Lourenço. Confiança é outro ponto importante no desenrolar da liderança, uma vez que demonstra conhecimento pleno sobre um determinado assunto e, por consequência, quase uma garantia de obtenção de bons resultados, seja para o cliente, seja para os colaboradores envolvidos. Segundo Adriano Meirinho, diretor de marketing da Catho Online, a equipe deve confiar em seus líderes e vice-versa, pois, quando a relação se rompe, todo o grupo apresenta queda de desempenho, conflitos internos, lutas pelo poder etc. Ainda no fitness, Luciana Damasio Saldanha ressalta outros aspectos para a prática da liderança, tais como:

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Os tipos de líder Executivo: é aquele que surgiu por causa da busca das organizações pela obtenção da ordem. Ele costuma possuir muitas habilidades técnicas, competência Coercitivo: aquele que exerce a liderança por meio da coerção, violência, que pode ser verbal ou física. Neste estilo de liderança, a relação entre líder e liderado é instável Distributivo: aquele que apenas delega tarefas, sempre controlando, acompanhando de perto e cobrando resultados. É o líder que não constrói, nem destrói, mantendo um posicionamento de “posições e papéis” Educativo: aquele que costuma dar o exemplo. Seus subordinados têm uma relação de responsabilidade com o trabalho. Com ele, existe abertura para troca de conhecimentos, não apenas técnicos, mas também humanos Inspirador: aquele que raramente precisa dar ordem a seus liderados, pois eles se sentem atraídos pela figura do líder e estão dispostos a fazer o que é necessário

qualificação profissional e constante atualização, ser visionário, cuidadoso, criativo, participativo e agir com respeito. “Melhor ainda se tiver uma pitada de bom humor, entusiasmo e comprometimento com a saúde, já que estamos falando da habilidade de influenciar e direcionar pessoas na busca de objetivos”, conclui Luciana. Poder X liderança Liderar com eficiência é fidelizar tanto o cliente interno (colaboradores), como o externo. Por isso, é fundamental diferenciar os conceitos de poder e liderança, visualizando a persuasão e o entusiasmo, e não simplesmente a força. Isso ajuda a eliminar o uso arbitrário do poder. Também é preciso verificar o momento pelo qual a empresa atravessa.

Como se dá o relacionamento de minha equipe na conquista e manutenção de metas e objetivos? Preciso conquistar novos clientes, motivar o grupo? Qual o comportamento dos meus clientes? São perguntas que auxiliam a diagnosticar as necessidades e a delinear o perfil de profissional necessário para a conquista dos novos objetivos. Mapear as competências e habilidades dos colaboradores, levantando as principais qualidades individuais, bem como aquelas que apontam para um líder também ajuda. “O ideal é uma liderança que atue conforme as teorias contingenciais”, explica Ademir Rossi, diretor de Desenvolvimento Organizacional da Fellipelli. Segundo ele, as contingências e as competências são aspectos primordiais. Elas devem ser adequadas ao cargo e não o contrário. Eliminar o mito da autoridade vale para encontrar o caminho da nova liderança. “É preciso desmitificar a crença de que uma longa experiência torna o profissional um bom líder. O tempo não identifica a qualidade dessa experiência”, pontua Adriano Meirinho. Além das inúmeras ferramentas para identificar candidatos a líderes em potencial, que estudam características pessoais e aspectos de personalidade alinhados aos valores da empresa, há outras que podem desenvolver o futuro gestor de equipes, como treinamentos diferenciados, coaching e cursos de atualização. “Um líder não nasce pronto”. É o que acredita Wilson Lourenço. “As pessoas aprendem a liderar. Aprendem a dar feedback, a ouvir os outros e a interessar-se por eles. A liderança não é uma arte misteriosa praticada por uns poucos escolhidos, mas a reação diária de toda pessoa que deseja fazer do mundo um lugar melhor como resultado de seus esforços”, dispara.


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Inovação

Como lidar com o fator-surpresa

Quando o inesperado

bate a sua porta Avaliar as vulnerabilidades do negócio é tarefa de todo empreendedor, sobretudo diante das intempéries climáticas que o mundo vem atravessando. Do terremoto no Chile às enchentes no Nordeste, é possível tirar grandes lições de empresários que sobreviveram a catástrofes Por Eduardo Dias

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m 27 de fevereiro deste ano, um terremoto devastador assolou o Chile, atingindo 8,8 pontos na escala Richter – foi um dos mais fortes abalos registrados no país. O tremor persistiu por apenas 3 minutos, mas foi suficiente para causar danos terríveis por quase todo território chileno.

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Comparado com o abalo que atingiu o Haiti, em janeiro, causando mais de 200 mil mortes, o terremoto do Chile liberou 500 vezes mais energia sísmica. Apesar de o Brasil não ter registro de situações semelhantes, a forma como a rede de academias chilena Energy procedeu na ocasião pode servir de lição para o mercado nacional.

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naturais ser comum para clubes do Chile, poucas academias possuem uma cobertura específica de terremotos. Além do mais, o plano da academia cobre gastos fixos em andamento como aluguel e folha de pagamento, além de resgatar receitas perdidas. Sem dúvida, isso viabilizou nossa recuperação”, completou Wiesner.

“Não t e n h o medo de terremotos, mas este foi assustador”, disse Alex Wiesner, CEO da Energy, rede com mais de 25 mil membros e sede em Santiago. “É difícil imaginar um terremoto como este ocorrendo por 3 minutos. Mas eu estava no sétimo andar de um prédio em uma das regiões afetadas e tive uma ideia exata de sua magnitude”, completa o executivo. Imediatamente após o último tremor, Wieaner tentou contatar a equipe da academia pelo celular, mas não havia serviço. Percebendo que não tinha outra chance, ele se dirigiu para cada uma das unidades da rede. “Enquanto isso, nossos parceiros americanos tentavam me localizar para saber se eu estava vivo, o que só foi possível ao final do dia”, relembra. A Energy possui seis academias completas, cada uma com 15 mil m², além de dois clubes expressos, de aproximadamente 2,3 mil m² cada um. A rede gera cerca de 200 empregos diretos e outros 200 indiretos.

Wiesner constatou que as academias expressas estavam em bom estado, mas dois dos seis grandes clubes apresentavam prejuízo estrutural. Em um deles, por exemplo, o estacionamento subterrâneo e os vestiários foram soterrados. O terremoto ocorreu no meio da madrugada, enquanto as academias estavam fechadas, por isso ninguém se feriu, o que tranquilizou o executivo. Os reparos nas unidades custaram aproximadamente U$$ 150 mil e as academias danificadas voltaram a funcionar no final de março. Felizmente, a rede estava muito bem coberta pela seguradora, pontua o empresário. “Apesar do seguro contra desastres

Independentemente do tamanho do negócio, seja um a academia de bairro, seja uma grande rede, todos podem e devem traçar um plano de ação Eduardo Prestes, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

Respostas rápidas Além da cobertura proporcionada pelo seguro, o executivo afirma que o terremoto o fez reavaliar as estratégias e ações anteriormente traçadas em caso de desastres. “Nós tínhamos planos de incêndio, mas não para terremotos”, acrescenta. Uma das medidas planejadas pela empresa é a implementação de sistemas de comunicação via satélite, uma vez que a comunicação por celular geralmente não funciona em casos com este. Os programas de primeiros-socorros das academias da rede também estão sendo reestruturados. Wiesner reconhece ainda a necessidade de treinar mais membros da equipe em reanimação cardiopulmonar. Atualmente, apenas 20% dos colaboradores são capacitados para prestar esse tipo de atendimento, número que ele espera dobrar em curto prazo. Após cinco dias do evento, a Energy também contatou toda a sua base de clientes, oferecendo congelar as mensalidades dos alunos das academias afetadas, mas poucos aceitaram. A maioria optou por frequentar outras unidades da rede até que os reparos fossem concluídos. “Se fosse um evento isolado, que levasse nossas academias a fechar, seria diferente, mas todo o país estava sofrendo as consequências do terremoto”, ressalta o CEO. jul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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Inovação

Como lidar com o fator-surpresa

Como parte dos esforços para a reconstrução do país, uma semana após o desastre, a rede participou de uma campanha nacional de assistência às vítimas do terremoto. A arrecadação nas academias em funcionamento gerou contribuição de US$ 10 mil por parte da empresa. A academia não parou por aí: também criou uma campanha interna intitulada “Chile Stands Up With Energy” e vendeu camisetas com o mote. O valor arrecadado também foi destinado ao fundo de amparo às vítimas. A realidade brasileira Embora no Brasil não exista a possibilidade de terremotos como este, é extremamente importante que o clube ou academia avalie as vulnerabilidades de seu negócio. Quem afirma isso é Eduardo Prestes, professor de pós-graduação em Comunicação Corporativa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Seja em caso de incêndios, alagamentos, enchentes ou qualquer tipo de acidente que possa prejudicar o andamento

normal da empresa, é fundamental ter um plano de ação predefinido. “Independentemente do porte da organização, seja uma academia de bairro, seja uma grande rede, todos podem e devem traçar uma estratégia”, complementa o consultor. “Uma grande rede deve envolver profissionais de RH, do departamento jurídico, administrativo, comunicação, segurança e departamento médico para montar um time de gestão de crise, que irá desenhar este plano. No caso de um clube de bairro, esta equipe deverá ser formada por três ou quatro funcionários com uma boa visão do negócio, incluindo o dono do estabelecimento”, revela Prestes. Definida a equipe, os profissionais serão responsáveis por levantar todas as vulnerabilidades do negócio e, a partir delas, estabelecer passo a passo as ações específicas para cada caso, como, por exemplo, quais serão os procedimentos de evacuação do estabelecimento, suporte aos clientes ou os mecanismos de comunicação para salvaguardar a imagem e a reputação da academia. “Não é prudente esperar

um black-out acontecer para definir o que será feito às escuras”, indica o professor. “Todos estes procedimentos devem ser previamente definidos”, complementa. As ações prioritárias serão estabelecidas de acordo com cada caso e com as informações do setor. O mais importante é dar respostas rápidas. Entre elas, podemos destacar a comunicação com o público, a exemplo do que fez a academia Energy no Chile. “O público interno é extremamente importante. Os alunos e funcionários da academia são um patrimônio adquirido e devem ser tratados com toda atenção”, indica o professor. Outro fator que deve ser colocado na balança é o trato com a imprensa, em casos de repercussão na mídia. “Incidentes de grandes proporções podem ter impacto negativo e influenciar a frequência dos alunos, bem como a adesão de novos clientes”, completa o especialista em comunicação corporativa. Cada empresa deve listar os públicos com os quais se relaciona e estabelecer como será essa comunicação. Vizinhos, associações de academias, universidades parceiras ou mesmo hotéis e shoppings onde o empreendimento está inserido podem fazer parte deste público. “Caso o estabelecimento fique impossibilitado de funcionar, para onde irão seus alunos? Uma boa dica é que a academia já tenha parceiros predefinidos. Uma grande rede pode encaminhá-los para outras unidades, mas um estabelecimento menor precisa estabelecer relações de parceria com outras academias”, revela.

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eventos

Wellness Rio 2010

Teste de DNA Em sua segunda edição, Wellness Rio movimentou R$ 10 milhões em negócios e 850 profissionais inscritos para cursos e workshops. Convidados ilustres, como a triatleta Fernanda Keller, marcaram presença no evento que serviu para consolidar a “Cidade Maravilhosa” como a capital mundial do bem-estar Por Bruno Athayde

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sobre gestão e ainda assistir a exibições de modalidades de aula que, certamente, farão sucesso nas academias nos próximos meses. Com 25 cursos, workshops, 850 profissionais envolvidos e 40 expositores, o evento movimentou mais de R$ 10 milhões.

Mais de 35 mil pessoas tiveram a oportunidade de aprender sobre novos hábitos saudáveis de vida, de conferir as novidades tecnológicas em equipamentos, trocar experiências

Sem dúvida, funcionou como um teste de DNA para confirmar a vocação da “Cidade Maravilhosa” enquanto criadouro de novos negócios direcionados à qualidade de vida. Outra prova disso foi o número recorde de patrocinadores do evento, empresas que enxergaram no wellness a possibilidade de associarem suas marcas e se consolidarem perante os mais variados públicos.

cidade do Rio de Janeiro, sinônimo de belas paisagens naturais e palco de diversas competições esportivas do País, abrigou pela segunda vez um dos principais eventos ligados à indústria do bem-estar na América Latina, o Wellness Rio, realizado no Centro de Convenções SulAmérica, entre os dias 15 e 17 de julho.

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O patrocínio máster ficou por conta da Caixa Econômica Federal. Light e Reebok também estiveram presentes no Wellness Rio 2010, que ainda teve como apoiadores a Associação Brasileira de Academias (Acad Brasil) e a TAM Viagens. Movement e Santa Constância foram os co-patrocinadores. Segundo Paulo Roberto Ribeiro Pinto, diretor de Novos Negócios e Institucional da Light, a empresa, tem como política de patrocínio estimular o desenvolvimento sociocultural nos municípios pertencentes (são 31 no total) a sua área de concessão, que inclui áreas como o Vale do Paraíba, a Baixada Fluminense e


a região Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro.

Fotos fábio borges, bernardo monteiro e val luma

“O esporte, sem dúvida, atende perfeitamente a este nosso objetivo, sendo altamente catalisador de iniciativas, principalmente junto à população jovem que prima hoje pela qualidade de vida. Na área esportiva, temos participado de diversos eventos, como as Olimpíadas da Baixada, a Volvo Ocean Race, o Mundial Paraolímpico de Natação, a Copa Light de

Ciclismo e tantos outros. Tudo isso auxilia no processo de construção da marca”, afirma Paulo Roberto. Waldyr Soares, presidente da Fitness Brasil, entidade organizadora do Wellness Rio 2010, reafirma que a intenção é unificar toda a cadeia produtiva do bem-estar em torno não apenas dos profissionais da área, mas da população em geral. “E certamente cumprimos nosso papel, promovendo o acesso do público à feira com diversos segmentos, a atualização de profissionais formadores e multiplicadores de opinião e esti-

O esporte, sem dúvida, atende perfeitamente a este nosso objetivo, sendo altamente catalisador de iniciativas, principalmente junto à população jovem que prima hoje pela qualidade de vida Paulo Roberto Ribeiro Pinto, Light

mulando toda a cadeia de produtos e serviços, visando à prevenção na saúde, já que a população está vivendo cada vez mais e isso impulsiona a criação de novos nichos para atender a esta demanda”, diz. Presenças ilustres No dia 15, Antonio Pedro Figueira de Mello, Secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Cayo Lames, presidente da APEF-RJ, e Wilen Heil e Silva, representante do COFFITO, participaram do painel de abertura que teve como tema os “Grandes eventos esportijul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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eventos

Wellness Rio 2010

vos como propulsores de uma política de saúde e bem-estar da população carioca”. A programação contou ainda com debates voltados ao marketing, congresso com cursos nos módulos Bem-Estar, Esportes e Fitness direcionados a profissionais de educação física, nutricionistas, fisioterapia, medicina do esporte e técnicos esportivos, além da Expo Wellness Rio, onde os profissionais e a população, especialmente as pessoas que praticam atividades físicas ou já apresentam alguma consciência e atitude em relação ao bem-estar, puderam conhecer muitas novidades do setor em produtos e serviços. Um dos destaques da exposição foi a presença de Fernanda Keller, atleta patrocinada pela Bodygenics, que ministrou palestra gratuita sobre a importância da vida saudável e a superação no esporte, além de participar do encerramento do curso de corrida e de sessão de autógrafos. Já a Acad Brasil reeditou o tradicional evento Acad Business, reunindo empresários e gestores das principais redes e empresas do mercado de atividade física do País para palestras com consultores de destaque do mundo corporativo. Outro momento especial que movimentou o pavilhão foi o 2º Meeting de Gestão Body Systems no qual os participantes tiveram a oportunidade de realizar uma profunda imersão no universo daquele que é considerado a razão principal das empresas: o cliente. Proprietários e gestores de academias intercambiaram aprendizagens e puderam ampliar o networking. A formatação do Wellness Rio 2010 foi toda desenvolvida em parceria com a Dream Factory Sports, com o apoio do International Heal-

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O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima visitou os estandes dos expositores durante a segunda edição do evento

th, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA), entidade com sede nos Estados Unidos. “Os números de mercado mostram que apenas 2,42% da população frequentam academia no Brasil. Mais do que nunca é preciso estimular o contato do cidadão comum com o novo conceito de qualidade de vida, muito mais atrelado à prevenção em termos de saúde do que sim-

Mais do que nunca, é preciso estimular o contato do cidadão comum com o novo conceito de qualidade de vida Waldyr soares, fitness brasil

plesmente à questão da estética”, acrescenta Soares. O evento proporcionou ainda oportunidade única aos profissionais que poderão estar a bordo dos navios do Grupo Costa, ministrando aulas de ginástica para turistas brasileiros e estrangeiros durante o verão. Os participantes inscritos no Qualifying 2011, comprovando residir no Rio de Janeiro, com formação completa em educação física e registro no CREF, tiveram a oportunidade de se informar a respeito não apenas do calendário de atividades ligadas aos cruzeiros, mas também sobre novas oportunidades de carreira que se abrem para quem navega em outros mares. “Essa é a diversidade que a cadeia do bemestar proporciona. Temos de investir maciçamente em capacitação de modo a estarmos prontos para novos horizontes”, conclui Soares.


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Eventos

11th IHRSA FITNESS BRASIL

val luma

Visão de caleidoscópio

Em sua 11ª edição, IHRSA FITNESS BRASIL reúne número recorde de palestrantes, expositores e temas para discussão. Destaque para a palestra de abertura com o economista Joelmir Beting Por adriano zanni

S

e antigamente, os grandes eventos de negócios afunilavam sua grade de programação em torno de um eixo central de debates, nos dias de hoje a formatação de palestras, mesas redondas e workshops pede, ao mesmo tempo, fragmentação e interdisciplinaridade. Nesse sentido, a 11th IHRSA FITNESS BRASIL, que acontece de 2 a 4 de setembro, em São Paulo, no Transamerica Expo Center, vai estar mais “caleidoscópica” do que nunca. São 47 palestras nas quais são esperados

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mais de mil profissionais inscritos, entre gestores, proprietários de academias e profissionais de educação física de todo o Brasil e também da América Latina. O evento deve movimentar R$ 40 milhões em negócios e 25 mil visitantes que circularão pelos 130 estandes de expositores. Destaque para a conferência de abertura com o jornalista e economista Joelmir Beting, que falará sobre os novos cenários macroeconômicos com foco nas oportunidades que se abrirão para a indústria do

bem-estar entre 2011 e 2020. A palestra está agendada para o dia 2, às 9 horas, na Sala América. “O Brasil está sendo presenteado com uma nova década de sucesso e este cenário exige que estejamos muito bem preparados para difundir estes conceitos para todo o setor. São oportunidades que começam a delinear-se no horizonte e que são resultado de, pelo menos, três décadas de trabalho contínuo”, diz Waldyr Soares, presidente da Fitness Brasil, entidade organizadora do evento.


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Eventos

11th IHRSA FITNESS BRASIL

“O evento foi desenvolvido para que todos possam aprender com os experts de dentro e de fora da indústria do bem-estar, além de extrair habilidades para gerir melhor o seu negócio na próxima década, bem como dividir experiências com colegas de toda América Latina”, declara Joe Moore, presidente e CEO da IHRSA.

O palestrante falará sobre as sete atitudes-chave para aumentar em curto prazo os índices de retenção, diminuindo as frustrações e o nível de estresse para o empresário do setor. “Há 15 anos, comecei a entender que uma das soluções para manter os alunos dentro da academia não era bem como a academia os servia, mas sim o quão profundamente os membros estavam conectados um ao outro. Dez anos atrás, após uma experiência bem-sucedida, observei que a retenção de membros em classes de exercício em grupo foi de 48 meses, em média, enquanto que a retenção de membros nas salas de musculação era de 24 meses. Eu estava absolutamente convencido de que parte dessa retenção ocorria em função do aumento do senso de conectividade da comunidade em um nível emocional profundo. Esse é um entendimentochave e quero compartilhá-lo”, complementa Phillips em entrevista exclusiva, antes do evento.

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As inscrições para a 11th IHRSA FITNESS BRASIL devem ser feitas pelo site: www.fitnessbrasil.com.br Informações: (11) 5095-2699

Divulgação

A programação da 11th IHRSA FITNESS BRASIL foi dividida em três grandes módulos: Gestão, Coordenadores e Run Experience. Dentro deles, conferencistas de renome nacional e internacional, como é o caso no norte-americano Will Phillips, consultor de empresas com 30 anos de experiência, fundador e ex-presidente da REX Roundtables, presente no Brasil desde 2009, e uma espécie de “think tank” do segmento fitness nos Estados Unidos e Austrália.

will phillips, um dos keynotes do evento, falará sobre as sete atitudes-chave para retenção de alunos nas academias

Tropa de elite Na mesma esteira de reflexões, Carlos Ferreirinha, fundador da MCF Consultoria e Conhecimento, empresa especializada em ferramentas de gestão e inovação para os segmentos luxo e premium, abordará em sua palestra os novos rumos do dinheiro circulante.

gação de valor. Trata-se da tradução do impacto direto do negócio do luxo que se expandiu de forma significativa nos últimos anos. No fitness, podese destacar desde os equipamentos, o vestuário, alimentos e bebidas, até os próprios serviços prestados por lojas, academias e pelos profissionais que interagem com o tema”, explicita.

“O dinheiro muda de bolso e as pessoas de estilo de vida conforme enriquecem. Estamos inseridos no conceito do que chamamos do momento de ‘premiumzação’, a elevação do patamar do que, até então, era considerado comum, básico ou sem agre-

O ex-presidente da Louis Vuitton no Brasil acredita no crescimento contínuo das redes de serviços voltadas a públicos mais elitizados, assim como na expansão da base de consumidores, que não deve ficar somente restrita ao eixo São Paulo-Rio.


“Ainda continuamos a ser um mercado complexo, muito oneroso, de complicados processos, leis e critérios. O Brasil vem se destacando com um dos mais promissores mercados mundiais, principalmente devido ao interesse de grandes conglomerados internacionais do segmento de luxo. Entretanto, ficamos tão bons no fitness que, na verdade, passamos a ser escola para estes grupos, que nos procuram para benchmarking. Isso também abre frentes de negócios”, diz. A capacidade do empresariado brasileiro de inovar para agregar valor ao serviço que está sendo oferecido é outro tema ligado aos debates. Charless Bezerra, diretor executivo do GAD’Innovation e PhD em Design pelo Illinois Institute of Technology, deverá mostrar em sua palestra sobre como a inovação é fundamental para a sobrevivência das organizações nos dias atuais. “E a atitude inovadora depende do conhecimento construído pela organização e do treinamento intelectual das equipes. Antes de criar as inovações, precisamos criar os inovadores”, acrescenta.

Run Experience A prática de corrida tem sido uma das atividades físicas mais procuradas e difundidas nas últimas décadas, com um número cada vez maior de adesões tanto de atletas de modalidades variadas quanto de pessoas interessadas pela melhoria da qualidade de vida, condicionamento físico, emagrecimento e até mesmo da sociabilização. Durante a IHRSA FITNESS BRASIL, os profissionais de educação

Hall da Fama Uma das iniciativas pioneiras da IHRSA FITNESS BRASIL, em sua 11 a edição, é a montagem de um espaço na entrada do pavilhão de exposições onde algumas marcas irão expor com destaque seus lançamentos. O Hall da Fama reunirá seis expositores, entre eles, Stott Pilates, Movement, Athletic, Matrix e D&D Pilates, em uma área com cerca de 20 m 2 por onde todos os visitantes da feira devem passar. “Será uma autêntica vitrine de luxo. Nós sempre acreditamos na pujança da nossa indústria, por isso, precisamos continuar catalisando ações que promovam o crescimento do mercado”, incentiva Waldyr Soares.

física poderão participar do II Congresso Brasileiro de Treinamento de Corrida, que acontece nos dias 2 e 3 de setembro. Segundo Luís Otávio Moscatello, coordenador do Congresso, os educadores físicos são os que apresentam a competência e habilitação para prescrever a prática da corrida. “Influenciados positivamente pelos avanços da ciência do exercício, estes professores passam a ser cada vez mais estimulados à realidade de estudos e aprofundamentos técnicos, científicos e mercadológicos, tão necessários para o sucesso profissional neste mercado cada vez mais competitivo”, acrescenta. Júlio Serrão, Aylton Figueira Junior e Almeris Armiliato são alguns dos nomes confirmados como palestrantes do módulo. Entre os temas a serem abordados, estão: biomecânica da corrida, treinamento de força funcional para corredores, aspectos fisiológicos da avaliação direta e indireta para corredores de longa duração, nutrição, suplementação e hidratação aplicadas à corrida, entre outros.

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marketing

Como posicionar seu site no Google

e t i d e r c g n i Ao market! shutterstock

n busca de


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Estratégia de internet ainda é incipiente nas academias, que desperdiçam oportunidade de ganhar mais clientes e maior destaque perante o mercado. Especialistas em SEO dão a dica para você turbinar seu site nos principais mecanismos de busca Por Rodrigo Afonso

Tecnisa é uma empresa do ramo de construção civil que inovou em sua estratégia de internet: passou a relacionar-se com os consumidores via redes sociais, como Twitter, blogs e Facebook e chega a vender apartamentos por meio desses canais modernos. Esse trabalho tornou-se tão importante na empresa que ela mantém uma área específica para lidar com novas mídias. Além disso, o site da Tecnisa conta com técnicas avançadas de otimização para mecanismos de busca (SEO, do inglês Search Engine Optimization). Trata-se de um conjunto de técnicas que visam melhorar o posicionamento das páginas de um site nos mecanismos de busca, como Google e Yahoo. O conteúdo e a programação são feitos para que quando um usuário digite na busca uma palavra-chave relacionada ao negócio de uma empresa, uma ou várias das páginas de seu site apareçam entre os primeiros resultados. Se uma construtora consegue criar uma estratégia sólida na internet e obter sucesso lidando com clientes que, às vezes, não sabem nem a localização física da empresa, o setor fitness também deveria estar avançado, já que lida com o cliente de forma muito mais próxima, correto? Errado. As academias de ginástica falham em aspectos fundamentais da gestão de novas mídias. Uma navegada pelos sites das principais redes de

Crie um blog de apoio, com conteúdo interativo e incentivos em forma de prêmios e descontos. É uma forma de atrair os olhos de humanos e dos robôs que varrem a rede para indexar nas buscas Erick Formaggio, Cadastra

academia mostra que os sites são deficientes em termos de tecnologia e não trazem um conteúdo que agrega valor e fideliza visitantes. Pior: mesmo que haja algum conteúdo, os sites não são facilmente encontrados. Há estudos que mostram que os usuários só olham a primeira página do Google quando realizam uma busca e é exatamente para aparecer no topo desse ranking que o trabalho de SEO é necessário. A reportagem fez um teste: digitou no Google os termos “Academias” e “Bela Vista”, bairro da cidade de São Paulo que conta com unidades de grandes redes e outras instituições de reputação. O resultado? Dentre as redes mais conceituadas, nenhuma apareceu nas primeiras páginas. Foram indica-

O que é SEO? Os mecanismos de busca na internet indexam os sites de acordo com seu conteúdo. Os robôs dessas empresas baseiam-se na forma como a página é programada para identificar o que é mais importante dentro da página e, como essas informações, definem a relevância da página.

O responsável por SEO auxilia na elaboração das páginas, indicando palavras-chave e como elas devem ser posicionadas entre títulos, subtítulos e textos. À medida que o site vai sendo construído com base nesses princípios, ele melhora sua posição nas buscas. jul/ago 2010 | FITNESS BUSINESS

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mercado & tendências marketing Como posicionar seu site no Google

dos sites de classificados on-line, que já contam com experts em SEO, e poucas pequenas academias de bairro, que estão lá meio sem querer ou por conta de um trabalho em nível amador. Segundo o responsável pelo sucesso da Tecnisa na estratégia de internet, Roberto Loureiro, falta às academias uma cultura on-line. As organizações continuam se valendo das estratégias de divulgação de sempre e podem estar perdendo espaço na web com a falta de um trabalho adequado. “A grande maioria sequer possui algum serviço on-line para o associado, como acompanhamento das séries, da evolução, serviços que agregariam mais valor”, observa. Uma questão de conteúdo Quando o assunto é o trabalho de SEO, Loureiro é categórico: o melhor é entregar a tarefa nas mãos de algum especialista, pois são pessoas que entendem a internet e conseguem bons resultados. Nesse contexto, o conteúdo é o aspecto mais importante. De acordo com a coordenadora de conteúdo e mídias sociais da Trama Comunicação Helen Garcia, 80% do sucesso de um site nos mecanismos de busca podem ser atribuídos ao conteúdo. “Além de atrair visitantes, informação de qualidade ajuda a manter o internauta no site e pode ser fundamental na hora de conquistar definitivamente o cliente”, afirma. E relevância é a palavra-chave para os mecanismos de busca. Helen explica que a missão de uma empresa como o Google é ser um intermediário no processo de navegação do usuário e ajudar o internauta a encontrar informações que lhe sejam úteis. A especialista dá um exemplo: uma mulher inicia a procura por uma academia e digita no Google “melhor academia para mulheres”. Se uma empresa com

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esse foco tiver seu site otimizado para a busca, ou seja, além de bem programado, tiver muita informação sobre os benefícios de uma academia específica para mulheres, os melhores exercícios para esse público, entre outras coisas, o Google entenderá que o site é relevante para o que o usuário deseja encontrar e deverá indicá-lo nas primeiras posições. “Ao clicar no site, a interessada poderá conferir textos, fotos e vídeos que mostram que aquela é a academia que procura”, afirma. A produção do conteúdo pode ser feita dentro de casa, com uma equipe interna que tenha o mínimo de técnicas e padrões de SEO. Mas, de acordo com coordenadora de conteú-

Principais erros Site em Flash: eles são vistosos, chamam atenção de quem entra, mas são péssimos para os mecanismos de busca. Mecanismos como o Google não interpretam conteúdo no formato e não indexam o site Uma única página estática: é um erro pensar que, se criar uma página, os clientes virão. É necessário descobrir o que os clientes procuram na internet e atender seus anseios com conteúdo qualificado Falta de planejamento: sua empresa não investe em um aparelho de ginástica sem saber para o que ele serve. O mesmo princípio vale para a web Falta de objetivo: a meta do site pode ser vender um serviço, reforçar uma marca, entre outras. Para planejar, é fundamental definir um objetivo

do e mídias sociais da Trama, é mais interessante contratar uma empresa que tenha esse trabalho como expertise. “Um texto escrito por um jornalista tende a ser mais atrativo do que um escrito pelo profissional da área, pois o primeiro domina técnicas para atrair atenção do leitor e elabora os textos respaldados por grandes nomes da área de atuação do cliente. É a melhor forma de atrair e fidelizar clientes para o site”, garante. Nada de soluções caseiras Erick Formaggio, gerente de SEO da Cadastra, concorda que o melhor é contratar um profissional do que investir internamente. Isso porque uma empresa tem como missão entender um cenário, os objetivos a serem alcançados e os meios para chegar a isso. “O especialista faz que os resultados cheguem mais rapidamente e garante o retorno do investimento no site”, opina. E, embora essa ainda seja uma área de poucos investimentos para as pessoas, sempre é bom olhar para a concorrência e observar como os competidores se posicionam na internet. “Se aparentemente eles têm algum sucesso nisso, é importante observar que abordagens eles utilizam antes de criar a própria estratégia”, diz o cofundador da consultoria MestreSEO, Fábio Ricotta. Se o leitor se convenceu da importância de investir no Google, fica uma sugestão: faça um teste digitando os termos “academia” + “nome do bairro onde está sua unidade” ou então “nome da empresa” + “nome de principal serviço oferecido”. Veja os resultados. Se sua empresa não configurar entre as primeiras indicações do site de busca e, melhor, se nem seus concorrentes estiverem bem posicionados, é sinal de que existe um campo enorme para explorar no ambiente web. Não perca tempo!


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equipamentos & cia_

Elípticos

Os campeões da

versatilidade Quem frequenta academia sabe como os elípticos tornaram-se populares nos últimos anos. Apesar disso, existem ainda alguns fatores importantes e que, às vezes, passam despercebidos na hora de decidir pela compra do equipamento Por Adriano Zanni

Os elípticos ou cross trainers, como também são chamados, além da capacidade de mudar o nível de resistência, como uma bicicleta ergométrica, permitem o ajuste da inclinação, como em uma esteira. Possuem ainda guidões de dupla ação que proporcionam exercícios para os membros superiores, resultando em um sistema de treinamento completo. Por essas e outras razões, estão entre os preferidos. Mas consultores de vendas alertam: é importante comprar com inteligência, já que um elíptico precisará ser confortável para ser usado regularmente. Embora os preços variem de algumas centenas de reais, para um modelo básico, a milhares para um equipamento top de linha, observe com cautela que tipo de aparelho irá fazer que os alunos da academia cheguem às metas desejadas, oferecendo recursos mais apropriados para treino. Existem disponíveis dois tipos principais de elípticos: de movimento traseiro e de

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movimento dianteiro. Os de movimento traseiro permitem um movimento elíptico real dos pedais e possuem uma rampa de inclinação regulável na frente. Um elíptico de movimento dianteiro, por outro lado, precisa usar pedais articulados para equivaler à distância natural, além de necessitar da rampa regulável de um aparelho de movimento traseiro. Há ainda dois tipos diferentes de resistência e controle de freio nos elípticos: manual e eletromagnética. O sistema manual é mais barato e envolve apenas o ajuste de um botão para variar a resistência, enquanto um controle eletrônico utiliza correntes magnéticas para os controles precisos de freio e aceleração com o toque de um botão. A primeira coisa que se desgasta em um elíptico geralmente é a resistência magnética, por isso, verifique o tempo de garantia do fabricante e considere a possibilidade de investir em um prazo mais estendido, se lhe for oferecido. Feito isso, boas compras!

shutterstock

Eles são os aparelhos mais versáteis dentro das academias, pois combinam os movimentos de ginástica dos equipamentos populares e exercícios aeróbicos intensos, ideais para quem deseja perder “gordurinhas” e tonificar músculos.


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- Simula caminhada (movimentos mais curtos), corrida (movimentos mais longos) e a ação de subir escadas - Todo o vetor de movimento é controlado pelo usuário, tornando o equipamento uma máquina funcional - O desenvolvimento é acompanhado via display digital, juntamente com um “mostrador de passos” que monitora os movimentos em tempo real e emite um feedback instantâneo de como os músculos respondem aos diferentes treinos

- Braços móveis convergentes que minimizam o stress das articulações - Chest press, leg press e muscle endurance – versatilidade, execução do trabalho muscular de todo o corpo - Receptor polar - trabalho com cinta peitoral para acompanhamento dos batimentos cardíacos - 30 níveis de resistência com ajuste eletrônico - 16 programas motivacionais

- Plataforma Visio digital que cria um canal de comunicação direto e interativo com os usuários - Canais de TV e Rádio digitais - É compatível com iPod e iPhone, dispositivos USB, conecta-se à internet, oferece uma ampla gama de jogos interativos

- Monitoramento da frequência cardíaca digital - Pedais antideslizantes - Compatível com I-pod, oferece conexões para USB - Personal Trainer Virtual que ajuda o usuário a alcançar suas metas - Integrado com tela de 15” LCD - Zoom exibe a velocidade

8 kWh (média mensal)

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Site

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Artigo Gilberto Wiesel

GERAÇÃO Z: COMO LIDAR COM SEUS FUTUROS CLIENTES?

E Divulgação

m dois anos, o mercado de trabalho, a prestação de serviços e o comércio certamente estarão vivenciando as aspirações da chamada geração Z. Rodeados por padrões de beleza já arraigados e facilidades nas realizações de procedimentos estéticos, as crianças de hoje serão os próximos frequentadores de academias, clubes, spas e outros ambientes que beneficiem a saúde e o bem-estar. Mas como lidar com esses futuros clientes, tão críticos e exigentes? As décadas de 1960 e 1970, marcadas pelo consumo excessivo de tabaco, álcool, entre outras coisas, foram sucedidas por uma geração que remou contra tudo isso. A partir dos anos 80, os cuidados com o corpo atingiram seu ápice. Alvo de muitos investimentos, os novos costumes foram alimentados pela mídia e ganharam espaço na agenda das pessoas. Já os anos 90 foram marcados pelo surgimento de novas dietas, cosméticos e inovadoras técnicas de ginástica, todos esses dispositivos com promessas de resultados instantâneos. É no finalzinho dessa década também que nasceram os ainda hoje meninos e meninas da geração Z.

Gilberto Wiesel é empresário, administrador de empresas pósgraduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguística pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Therapy Association, Havaí, EUA. É escritor, conferencista e diretor do Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa.

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Esses jovens, extremamente tecnológicos e beminformados, recebem diariamente um grande volume de dados pela televisão, internet e outros meios. Nasceram para acreditar na existência de um mundo sem fronteiras. Em meio a uma sociedade influenciada pelo puro conceito de globalização e pela velocidade das informações, convivem com a constante mudança de opinião diante dos fatos. É bom estar atento a esse fator. Acostumados à experimentação precoce das situações, tudo para eles tem sentido se funciona em curto prazo. No entanto, reduzir cinco centímetros das medidas da cintura em sete dias e outras promessas como esta, tão difundidas e seguidas pela geração anterior, já não convencem

tanto se, de fato, não houver uma satisfação pessoal aliada a hábitos saudáveis. Acredite você ou não, muitos deles têm essa consciência desde os primeiros anos de vida. Chamada também de “silenciosa”, a geração Z pode ser definida como aquela que tende ao egocentrismo. Não consegue imaginar um mundo sem internet, celulares, videogames e iPods. Quando pequenos, já convivem com agendas superlotadas e são capazes de executar inúmeras coisas ao mesmo tempo. Por isso, buscam entretenimento e estimulação em todas as suas atividades, entediando-se facilmente com tarefas monótonas. Cuidar do corpo na velha estrutura de academia pode ser menos atrativo do que uma partida virtual de tênis no Nintendo Wii, enquanto escutam seus MP3 players e fazem comentários sobre seu jogo em tempo real para os amigos por meio de programas de mensagens instantâneas e microblogs. Para eles, os professores de educação física já não precisam mais ser apenas modelos de corpos esculturais. A exigência é que eles sejam capacitados a interagir com as diversas gerações. Aparelhos funcionais, aulas diversificadas, modalidades de exercícios diferentes dos tradicionais, atividades lúdicas. Esta é a academia do amanhã, cuja construção já se faz necessária hoje. Não ter medo das adaptações, mudanças e artifícios pode ajudar a caminhar na velocidade desses pequenos novos clientes. Entre os requisitos fundamentais para lidar com os atuais e também com os futuros frequentadores de academias estão a compreensão e a flexibilidade, a sabedoria dos empresários em satisfazer aos desejos de uma nova população sem, contudo, se esquecerem dos motivos pelos quais as outras já são chamadas de clientes.


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