Page 1

Revista do

SAFERJ

Ano 3 - n o 2 - SAFERJ - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A revista oficial do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro

nÃo aceito RETROCESSO NA LEI PELÉ, NÃO DÁ! Galera rubronegra lota a sede do SAFERJ no lançamento do livro Uma vez Zico, sempre Zico. Foto: Thaynara Botelho


EDITORIAL

A

Para que temos leis?

o longo de todos esses anos que estou à frente do Sindicato, vi e vivi muitas coisas relacionadas ao atleta de futebol, passando pela Lei Zico - depois Lei Pelé -, além das diversas e inúmeras tentativas de suas mudanças. Além disso, vi inúmeros artigos e regulamentos serem propostos em alteração a leis e regulamentos, tendo esses como objetivo principal atender a interesses específicos, e por essa lógica, sempre em detrimento do saudável equilíbrio para todos que fazem o nosso futebol. Narro estes fatos porque, mais uma vez, a lei será mudada (como vocês verão na matéria principal dessa edição) e, como sempre, as mudanças irão mexer nos direitos dos atletas, facilitando de alguma forma a vida dos clubes, vítimas de administrações equivocadas. O agravante é que argumentos em favor de mudanças como estas, é que o próprio governo federal fez uma nova redação da Lei Trabalhista, que entrou em vigor em 11 de novembro passado, e que trará prejuízos aos trabalhadores. A preocupação de quem comanda o futebol brasileiro e sua bancada da bola é sempre e principalmente com os interesses comerciais, com os negócios e a política, se não fosse assim, por exemplo, não proporiam a divisão de férias dos atletas de futebol. A incoerência é enorme, vejamos: há uma “bronca” geral dos clubes em relação à cobrança de hora extra e adicional noturno para atleta de futebol. Os clubes são contra esse direito visto a especificidade da profissão. É coerente pensar assim, pois o atleta ao definir o futebol profissional como profissão já sabe que terá que jogar à noite, viajar, concentrar. Sempre foi assim, é especificidade da atividade futebol profissional. Agora, ao mesmo tempo que alegam especificidade para esses pontos, eles criam divisão de férias para os atletas. Em um calendário de dez meses, em que há clubes

jogando cinco a seis competições, que leva a quase 80 jogos no ano, como não se preocupar com o descanso adequado dos atletas depois de uma temporada estafante, sempre com muito estresse, com muitas horas de voo, cobranças e até agressões? Aí não há especificidade? São várias as demonstrações de irresponsabilidade e incoerência com o futebol brasileiro, e com os que efetivamente fazem a bola rolar: atletas e treinadores. Não há preocupação com a qualidade do jogo, com o desenvolvimento do atleta e com a segurança do trabalho, o que importa são os contratos comerciais; o jogo é apenas um mero detalhe. Mais um exemplo: em 2018 tem Copa do Mundo; a maneira “encontrada” de “ajustar” o calendário do ano que vem, foi diminuindo o período da pré-temporada. O atleta terá apenas 13 dias de treino para se preparar para mais uma maratona estafante de cinco a seis campeonatos no ano. Os Sindicatos e a Fenapaf continuarão, sem desistir, nessa luta de enxugar gelo, torcendo para que no futuro tenhamos dirigentes que respeitem os profissionais, e que voltem a tratar o futebol, primordialmente, como um esporte, e que devido ao enorme crescimento, possa sim ser um grande “negócio”. Para todos. Doutor Francisco Horta uma vez me falou: “regulamentos e leis foram feitos para serem cumpridos, não discutidos, ignorados, mexidos ou desrespeitados”. Nunca esqueci disso, mas no Brasil e no futebol brasileiro isso continua uma utopia. Alfredo Sampaio Presidente do Saferj

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

3


SUMÁRIO DIRETORIA PRESIDENTE Alfredo Sampaio da Silva Junior

1º VICE-PRESIDENTE Delson Celço Costa Melo

2º VICE-PRESIDENTE William César de Oliveira

DIRETOR TESOUREIRO Roberto Teixeira

DIRETOR SECRETÁRIO Josimar Ferreira

6

CAMPANHA EDUCAÇÃO

8

PROJETO CT

SAFERJ vai aos clubes conversar sobre o tema com os atletas

O engenheiro Mário Richa conta em que fase estão as obras e diz que previsão de conclusão continua para agosto de 2018

11

LIVRO SOBRE ZICO

18

REFORMA TRABALHISTA

22 24

O livro “Uma vez Zico, sempre Zico” é lançado no SAFERJ, com casa cheia

Fenapaf não admite mudanças que possam prejudicar a vida profissional dos atletas de futebol

DIREITO DE ARENA

Alterações na Lei Pelé sobre o repasse do direito de arena desagradam atletas

DESEMPREGO NA SÉRIE Fórmula de disputa nas últimas edições da Série D não agrada representantes dos jogadores

D

VEJA TAMBÉM 5 12 13 14 16 26 28 30

Testes físicos no SAFERJ Casa do Atleta Site do SAFERJ está de cara nova Saferj Informa Saferjbook Reunião dos Treinadores com a CBF A nova sala na SAFIT Projetos e Eventos

DEPTO JURÍDICO Yara Macedo  Ana Beatriz Macedo DIRETOR TESOUREIRO SUPLENTE Luís Carlos Rebouças de Santana DIRETOR SECRETÁRIO SUPLENTE Leonardo da Silva Moura CONSELHO FISCAL EFETIVO Mauro Resende de Oliveira  Jefferson de Oliveira Galvão  Ruy Carlos Gama Silva CONSELHO FISCAL SUPLENTE Paulo Victor Mileo Vidotti  Nilson Severino Dias  David da Silva Batista EXPEDIENTE: REPÓRTER E JORNALISTA RESPONSÁVEL - Camilo Sepúlveda | PRODUÇÃO e CAMPANHAS: Thaynara Botelho | PROJETO GRÁFICO e PROGRAMAÇÃO VISUAL: Claudio Albuquerque | FOTO DE CAPA: Luisa Albuquerque | GRÁFICA: Grafitto | TIRAGEM: 1750 exemplares

4

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


Laboratório em atuação

N

uma parceria com a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj), o Saferj iniciou no fim de 2016 os testes físicos de Fisiologia nos atletas de futebol. Cobrando apenas 100 reais por atleta de clubes da 1ª Divisão e gratuitamente aos da 2ª e 3ª, a entidade contribui para que os profissionais estejam de acordo com as novas regulamentações, além de proporcionar os conhecimentos que a Fisiologia traz à pessoa. – Sempre foi uma preocupação do Saferj as condições em que se encontram nossos atletas. Nosso laboratório e, consequentemente, as avaliações feitas vêm de encontro com o que buscamos – diz o presidente, Alfredo Sampaio. Utilizando o Laboratório de Fisiologia do Esporte, na sede da Casa do Atleta, na Tijuca, e com o renomado professor Paulo Figueiredo no comando dos testes e dos cursos, nove clubes e 196 atletas de futebol do Rio já fizeram suas avaliações desde o fim de 2016. Outros esportistas de qualquer área – e até pessoas comuns –

#saferjtem

AVALIAÇÃO FÍSICA

também podem fazer suas avaliações. São elas: Eletrocardiograma de Repouso (ECG), Avaliação Isocinética da Força, Antropometria e Composição Corporal, Testes Ergométricos em esteira rolante ou cicloergômetro (verificação do componente aeróbio através do teste de lactato), Testes de Potência Anaeróbia Alática e Lática (campo e/ou laboratório) e também consultoria em treinamento desportivo de diferentes esportes. – A partir dos dados coletados, são elaborados trabalhos e artigos para a publicação em periódicos e revistas científicas e para a apresentação em congressos e/ou eventos científicos. Brevemente ofereceremos cursos com Ensino à Distância (EAD) – projeta Paulo Figueiredo, acrescentando que está formando o seu primeiro grupo de auxiliares de pesquisa com estagiários da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio, que participam do atendimento de atletas de diferentes esportes. Confira os números de todos os testes realizados e os clubes que já fizeram:

PLANILHA DEMONSTRATIVA DOS ATENDIMENTOS NO LABORATÓRIO DE FISIOLOGIA DO SAFERJ Clube

Data

Atletas ECG C.Corporal Av. Isocinética

Madureira

30/11/2016

32

32

32

32

Friburguense

19/01/2017

25

25

25

25

Bangu

16/02/2017

5

5

5

5

América

04/03/2017

31

31

31

31

Botafogo

10/03/2017

2

0

2

2

Olaria

07/04/2017

27

27

27

27

São Cristóvão 19/04/2017

14

14

14

14

Santa Cruz

22/04/2017

20

20

20

0

Dq Caxias

10/05/2017

18

18

18

18

Barcelona

15/05/2017

Clubes

22

22

22

22

196

194

196

176

As Testagens e Avaliações foram realizadas pelos seguintes profissionais: PAULO FIGUEIREDO, fisiologista; JEAN MICHEL CARVALHO, fisioterapeuta; e LUCAS DE ALBUQUERQUE FREIRE, estagiário EEFD/UFRJ.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

5


CAMPANHA EDUCAÇÃO

Saferj vai aos clubes Após distribuir cartazes, fazer campanhas em suas publicações e buscar apoio das instituições, Sindicato do Rio vai aos clubes conversar sobre o tema com os atletas. Próxima etapa será com os jovens da base

O vice-presidente Denson Celço divulgando a Campanha Educação com atletas do Olaria

6

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


C

William e Deninho visitam o Duque de Caxias durante a Campanha de Educação que o Saferj está promovendo

omo já vem executando há algum tempo, o Saferj tem realizado nos últimos meses visitas a clubes, numa nova etapa da sua campanha de educação para os atletas. Essa campanha consiste em conscientizar e incentivar os atletas de futebol a não deixarem de lado a parte de educação pessoal. Por meio de cursos técnicos, faculdade de extensão ou até mesmo de forma isolada e à distância, o atleta deve sempre estar ciente de que sua carreira pode não seguir exatamente pelo caminho que ele sonhou. E aí, uma segunda opção (por meio do estudo), pode salvá-lo de passar por maus bocados na parte financeira no futuro. – É importante que o atleta perceba que sua vida seguirá após o término de sua carreira e que ele terá que buscar um novo mercado de trabalho. Só estando preparado terá chance de recolocação. Tem que estudar, tem que se preparar para o futuro – insiste o presidente Alfredo Sampaio. Entre março e abril de 2017, representantes da diretoria do Saferj, como o 1º e o 2º vice-presidentes Denson Celço e William César de Oliveira, visitaram diversos clubes em todo o estado do Rio nesta etapa da campanha. Rio-São Paulo, Olaria, Duque de Caxias, Tigres, Friburguense, Volta Redonda, Artsul, Itaboraí, Ceres, Barcelona, América-RJ, Barra da Tiju-

ca e São Cristóvão (veja as fotos) foram visitados e tiveram suas dúvidas sobre estudos esclarecidas. - Foram duas coisas bem gratificantes nessas visitas: o Saferj estar de frente com os atletas, em parceria com a Agap e a Fugap, passando o que eles têm de benefícios, e sentir também que muitos já estão se ligando nessa parte dos estudos – diz William, ressaltando que foi muito bem recebido em todos os clubes e que a troca de informações foi muito saudável.

PRÓXIMA ETAPA Os próximos passos da campanha serão visitar as categorias de base dos clubes já visitados e também de outros. Tentando buscar a conscientização do atleta o mais cedo possível, o Saferj pretende incentivar que esses jovens não abandonem o estudo devido à rotina de treinos e jogos por seus clubes. No caso dos profissionais, geralmente a tentativa é pela volta do jogador ao estudo, caso o tenha deixado de lado.

Opções para o estudo A Agap (Associação de Garantia ao Atleta de Futebol) e a Fugap (Fundação Garantia do Atleta Profissional) são entidades que têm atualmente bolsas em escolas e faculdades que podem chegar a 70% de desconto.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

7


PROJETO CT

As obras avançam Projeto CT:

Fotos: Thaynara Botelho

A Revista do Saferj conversou com o gerente de empreendimento do CT, o engenheiro civil Mário Richa. Ele conta em que fase estão as obras e dá mais detalhes do empreendimento. Previsão de conclusão continua para agosto de 2018

8

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


A

licitação para a construção do CT do Saferj já foi concluída, e a empreiteira Britper foi a que venceu entre as seis concorrentes. Um contrato já foi feito entre as partes e a empresa já implantou seu canteiro de obras, criando infraestrutura para seus funcionários trabalharem. Equipe técnica, de planejamento, meio ambiente, engenheiro residente, suprimentos etc. A obra está sendo tocada. Toda semana o gerente do empreendimento Mário Richa se reúne com a empreiteira contratada, dois engenheiros, operários, a arquiteta Elaine Kuriyama, o engenheiro do Saferj, Nelson Eduardo, além do diretor do Sindicato, Roberto Teixeira, para saber e opinar sobre tudo relativo ao andamento da obra. “Foi feito o isolamento do lugar para as obras acontecerem, nos últimos meses foram feitas as fundações do prédio principal, tem máquina operando escavação e algo em torno de 15 operários trabalhando”, diz Richa. O gerente explica que essa obra foi concebida para ter duas frentes de trabalho grandes: a moldagem das fundações, que serão feitas no próprio local, e a fabricação das partes metálicas, que vem sendo feita na fábrica. “No momento em que as fundações estiverem concluídas também estarão as partes metálicas. Por meio de um guindaste esse material será posicionado em cima das fundações que estamos construindo. Teremos um grande avanço na obra agora no final do ano, quando essas duas coisas (término das fundações e das partes metálicas) puderem ser montadas. Depois começarão as vedações, a parte de alvenaria, revestimento, parte elétrica, hidráulica, sis-

fim do ano (( No teremos a junção das fundações com as partes metálicas e aí teremos uma visão já bem adiantada do empreendimento. MÁRIO RICHA

((

O presidente Alfredo Sampaio acompanha as obras em Guaratiba

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

9


Os números do CT

PROJETO CT tema de combate a incêndio, etc.” Richa explica que é nesse momento que a obra dará um grande salto em termos de visualização. “Todos poderão ter uma boa noção de como ficará o empreendimento”, conclui o engenheiro, que confirma a previsão de conclusão do local para agosto de 2018. O CT terá um sistema de tratamento de poços também para o reuso da água. Água de chuva para irrigação de campos além de poços artesianos existentes por lá. Estão sendo feito dois tipos de limpeza na água, uma para irrigar o campo, outra para ser bebida. O elevador já foi comprado e terá uma plataforma para deficientes, atletas lesionados, idosos. Terá capacidade para oito pessoas. Quanto ao hotel, houve uma pequena adequação no projeto, ficando agora com 28 quartos, podendo ser simples ou duplos. A arquiteta Elaine Kuriyama está responsável por toda a parte de documentação do projeto, o sistema de qualidade, para se saber no futuro quem forneceu o piso, como foram feitas as peças, como foram montados metais. Um data book (livro de dados), com as garantias de tudo, fundamental para manutenção de elevador, piso, geradores etc. A empreiteira que venceu a disputa vai apresentar ao fim das obras uma Time lapse, técnica cinematográfica capaz de  contar determinado acontecimento num espaço de tempo muito menor que o original captando imagens num longo espaço de tempo, e depois

n

25 mil m2 de área total;

n

4 mil m2 de área construída;

Prédio principal com três pavimentos e o anexo com dois; n

Reservatório subterrâneo de água com 250 mil litros; n

Total de 28 quartos que podem ser duplos ou simples; n

n

Dois campos oficiais;

Pavimento articulado no piso do estacionamento para aumentar o reuso da água; n

Embaixo das arquibancadas também estão sendo construídos reservatórios de água; n

Além de auditório, salão para eventos, cozinha, lavanderia, área de lazer, churrasqueira, academia, fisioterapia e muito mais. n

montando em quadros por segundos. Imagens com drone também estão sendo feitas. Porém, mesmo com toda essa tecnologia e competência na tocada da obra, para Mário Richa a grande sacada do Saferj foi na escolha do lugar. Para ele, mais que perfeito. “O local é privilegiado. Aqui temos água em abundância, quase não precisaremos da Cedae, pois teremos autonomia de água. Além do verde em volta, fácil acesso para chegar e sair, próximo a transporte de massa com a estação do Mato Alto (BRT), e próximo também ao Recreio e a Barra”, finaliza o gerente, certo de que a grande vitória já foi conquistada.

Alfredo, Nilson Dias, Luizinho, Lulinha e Mauro Resende no futuro CT do Saferj

10

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


EVENTO

Livro sobre Zico é lançado no Saferj

O

Saferj teve a honra de receber em sua sede, no dia 12 de maio, o lançamento do livro “Uma vez Zico, sempre Zico” (Prime Books, 232 p.), do autor português Luís Miguel Pereira. O homenageado esteve a noite inteira na sede da entidade onde participou de uma apresentação no auditório e um coquetel na parte social da sede para cerca de 100 convidados. Depois, o Galo pacientemente assinou inúmeras publicações e posou para milhares de fotos, fazendo a alegria do povo tijucano, que lotou as ruas e a porta da sede do Sindicato do Rio. – Já sei que amanhã vou ter tendinite nas mãos – brincou Zico se referindo ao número extenso de assinaturas que sabia que iria fazer no decorrer da noite. O homenageado estava muito à vontade, assim como o presidente Alfredo Sampaio, que fez uma recepção à altura do craque e do livro. Zico, que presidiu o Saferj no ano de 1982, conversou com os presentes, concedeu entrevistas e foi então para o térreo do Sindicato receber o público – mais de mil pessoas – e assinar os livros. O autor Luis Miguel também acompanhou todos os passos do ídolo. Estiveram presentes o treinador e irmão de Zico, Edu Coimbra, o treinador Zé Mário, o ex-zagueiro Wilson Gottardo, o presidente da Associação dos Cronistas do Rio (Acerj), Eraldo Leite, além de membros da diretoria do Saferj como William de Oliveira e o ex-lateral Perivaldo, presente como sempre com sua irreverência, mas que infelizmente morreu em julho deste ano.

O autor Luis Miguel, Zico e Alfredo Sampaio durante o coquetel de lançamento

Fotos: Thaynara Botelho

Torcedores do Flamengo lotam a entrada da sede do Saferj

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

11


CASA DO ATLETA

#ElefrequentaaCasadoAtleta

R

odrigo Ferreira da Silva, o Guido, foi meia direita da base do Vasco e passou por vários outros clubes do Rio como Bangu, Madureira e Cabofriense. Hoje, aos 35 anos, o ex-atleta faz musculação três vezes por semana na Casa do Atleta e elogia toda a estrutura. Ele lembra que numa segunda cirurgia no futebol se recuperou rápido e muito bem utilizando os benefícios da sede na Tijuca. Há quanto tempo faz musculação na Safit? Guido: Frequento aqui desde que inaugurou a Casa do Atleta, em 2009. Além de musculação, já usufruiu de outras atividades? Guido: Fiz duas cirurgias, uma no joelho e outra na fíbula. Na segunda, todo o processo para eu voltar ao futebol foi aqui na fisioterapia e usando a estrutura do Saferj. Infelizmente, na minha primeira (antes de 2009) não tive os benefícios que temos aqui. Qual o diferencial que você acha existir aqui na Safit e na Casa do Atleta em geral? Guido: Aqui é realizado um trabalho com a estrutura de clube grande. Sempre dou meus parabéns ao presidente Alfredo Sampaio pelas condições que dá aos atletas de futebol. Academia, fisioterapia, odontologia e até a parte de buscar seus direitos, que muitos jogadores não conhecem, aqui tem o Jurídico. Tudo pra ajudar. Agora vai ter também o CT, que irá reforçar tudo isso no campo. Pra gente é motivo de orgulho ver um projeto como esse daqui dando certo e proporcionando isso aos atletas. Faz o sonho de ser jogador de futebol nunca acabar.

O ex-atleta Guido mantém a forma na Casa do Atleta

12

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

certo e proporcionando isso aos atletas. Faz o sonho de ser jogador de futebol nunca acabar.

((

Fotos: Camilo Sepúlveda

motivo de orgulho ver um ((Éprojeto como esse daqui dando


O site do SAFERJ está de cara nova Novo design com layout responsivo: agora funciona também no tablet e celular

 Sistema atualizado de notícias e dicas: Destaques na home e área de notícias e dicas (https://saferj.com.br/blog/)

 Agora é possível enviar as notícias e dicas do SAFERJ para os contatos do WhatsApp, Facebook, Twitter, etc. Ao clicar na notícia ou na foto, abrirá outra janela, para você poder compartihar

 Formulário de contato para envio de dúvidas e consultas

 GALERIA DE FOTOS

 Integração com o Waze (Basta clicar no link na página de contato para traçar a rota para o sindicato)

 Área de vídeos do canal do SAFERJ (https://saferj.com.br/videos)

 Inscreva-se na nossa newsletter e receba todas as dicas e comunicados por email. Para se inscrever basta informar o nome e email na home no final da página

 Integração com Google Maps (Link na página de contato)

Acesse o canal do SAFERJ no Youtube. https://www.youtube.com/user/tvsaferj Siga o SAFERJ nas redes sociais

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

13


SAFERJ INFORMA

Foto: CBF Academy

Seguem aqui as últimas notícias relacionadas ao futebol. Fenapaf e FBTF obtém vitória na Justiça

Curso de treinadores da CBF A CBF Academy vem ministrando na Granja Comary, em Teresópolis, o curso de treinadores para se obter a licença profissional de técnico da CBF. A formação apresenta quatro módulos: licença C, B, A e PRO. Para se candidatar, é necessário ser profissional de Educação Física ou ex-atleta. Assim, começa na etapa C, destinada a quem trabalha em escolas de futebol. O estágio posterior, o B, é destinado a quem está em categorias de base

14

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

de clubes, enquanto o seguinte é para quem se encontra em etapa mais avançada na carreira. O último nível é para trabalhos internacionais ou convidados. Ao todo, já foram certificados quase dois mil treinadores. A previsão da entidade é chegar a cinco mil em três anos. O curso da CBF Academy comporta no máximo 50 alunos. Parreira, Lazaroni, Micale, entre outros, são exemplos de treinadores que são instrutores.

A Fenapaf e a Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF) obtiveram em conjunto uma grande vitória na Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro, extensiva a todo o país. A juíza da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Maria do Carmo Freitas Ribeiro, determinou liminarmente que o Conselho Federal de Educação Física (Confef) se abstenha de limitar o exercício de treinadores de futebol profissional ou amador, ex-atletas ou não. Para os representantes dos atletas, a decisão representa novos postos de trabalho aos profissionais da bola. “É a vitória de duas instituições nacionais que andam lado a lado em defesa das categorias que representam. Quem ganha é o futebol brasileiro”, comemora o presidente da Fenapaf, Felipe Augusto Leite.


Foto William César

2º Congresso Internacional de Direito Desportivo

O atacante Willian Carioca sendo operado em Resende

PARCERIA PARA LEVAR DE VOLTA AOS GRAMADOS O Saferj tem feito parcerias para colocar de volta aos campos atletas que precisem de cirurgia no joelho. Após apoiar os atletas Glauber e Josafá, foi a vez do atacante Willian Vitorino Pereira, o Willian Carioca,

ex-jogador do Resende, e com passagem pelo futebol do Vietnã, receber esse apoio. A cirurgia de joelho cruzado foi realizada em Resende, dia 20 de outubro, e o atleta se recupera para voltar aos campos.

Nos dias 16 e 17 de outubro aconteceu o 2° Congresso Internacional, promovido pela Academia Nacional de Direito Desportivo, realizado em Brasília/DF. O evento contou com a participação dos mais renomados especialistas em Direito Desportivo, advogados, juízes, desembargadores e ministros, contando também com a presença de atletas, treinadores e demais personalidades do mundo esportivo.

Será inaugurada, dia 27 de novembro, na Barra da Tijuca, a nova sede da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, a Fenapaf. Durante muitos anos a entidade funcionou na Tijuca, dentro da Casa do Atleta, na sede do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Saferj). O presidente Felipe Augusto Leite agradece o tempo em que a entidade ficou abrigada e diz que “a Fenapaf cresce a cada dia e deve assumir seu papel de destaque”. A nova sede da Fenapaf fica na Av. João Cabral de Mello Neto, 610, Condomínio Península Office, 5º andar, Barra da Tijuca – RJ.

Foto: Luisa Albuquerque

Fenapaf inaugura nova sede na Barra da Tijuca

Prédio onde será inaugurada a nova sede da Fenapaf na Barra da Tijuca

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

15


SAFERJBOOK

PERSONAGENS

Acompanhe aqui, as visitas, o direito de arena, campanhas etc.

1

2

3

4

7

5

6 9

10

11 12

8

16

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

13


15

14

16

17

18

19

20

21

22

1. O atleta Fábio Braz, Madureira, recebe o direito de arena | 2. O exzagueiro Wilson Gottardo no lançamento do livro do Zico | 3. Zico com seus fãs de todas as idades | 4. O atacante do Botafogo Rodrigo Pimpão recebendo o direito de arena | 5. O vice-presidente Deninho com Diego, do Flamengo | 6. O artilheiro Henrique Dourado, do Fluminense, recebendo o direito de arena | 7. Gabriel Cabo, do Tigres, recebendo arena | 8. Zico com seus fãs de todas as idades | 9. O ex-goleiro Cássio se tratando na Fisioterapia do Saferj | 10. Os dois Thiaguinhos do Boavista, com a Revista do Saferj e na Campanha de Educação | 11. Rafinha, do Macaé, recebe o direito de arena | 12. Atleta recebendo tratamento odontológico no Saferj | 13. Atletas do Projeto Treinamento Diário no auditório do Saferj |14. Henrique, zagueiro do Flu, recebendo o arena |15. Douglas Caê, do Rezende, recebendo o arena |16. Guilherme, atacante do Botafogo, na Campanha Educação | 17. Everton, do Flamengo recebe o direito de arena | 18. O 2º vice, William César de Oliveira, em reunião no Saferj | 19. Thales do Vasco, recebendo o arena | 20. Diretoria do Saferj na Campanha Educação | 21. O zagueiro Jorge Felipe, recebendo o direito de arena | 22. O atleta Radamés no Laboratório de Fisiologia do Saferj.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

17


REFORMA TRABALHISTA

O Ã N Foto: Luisa Albuquerque

Retrocesso na Lei Pelé, NÃO DÁ

18

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

!

Fenapaf não admite mudanças que possam prejudicar a vida profissional da maioria dos atletas de futebol. Protestos já foram feitos e existe a possibilidade de greve se projetos passarem adiante. Presidente Felipe Augusto conversou com a Revista do Saferj


!

Divulgação

M

udanças estão sendo previstas numa Reforma Trabalhista que terá itens específicos para os atletas de futebol. A chamada Lei Geral do Futebol está com um projeto tramitando na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal. A verdade é que muitas dessas possíveis mudanças estão desagradando os atletas. O fracionamento da folga semanal e das férias, a mudança na estrutura no repasse do direito de arena – que voltaria a ser pago pelos clubes e não pelas entidades sindicais –, e a mudança radical no pagamento da cláusula compensatória, isto é, a obrigação que o clube tem de pagar os salários até o final do contrato rescindido sem justa causa, que cairia de 100% para 10%. Esses, entre outros, são itens que podem deixar os profissionais da bola em maus lençóis, caso os projetos avancem sem serem corrigidos. O presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), Felipe Augusto Leite, explica melhor sobre o pagamento da cláusula compensatória e o posicionamento da entidade que representa os atletas. – Hoje, o clube demite o atleta e tem que pagar os salários que faltam do contrato. A mudança na lei permitirá que o clube mande embora o atleta sem justa causa e seja obrigado a pagar apenas 10% dos

O meia Rodriguinho com a fita preta: sinal de protesto contra as possíveis mudanças

salários que faltam. Portanto, serão perdidos 90% dos valores – diz Felipe. Além dessas, outras mudanças deixariam numa pior os atletas do futebol, principalmente os mais necessitados, caso sejam aprovadas. – Há a possibilidade de eles transformarem o contrato de trabalho do atleta num contrato de prestador de serviço, modificando assim toda a estrutura de contrato dos atletas. Isto é, o profissional pode ser demitido a qualquer momento, sem que haja vínculo empregatício – expõe o presidente. O ex-goleiro, eleito presidente da Fenapaf no início de 2016, diz que após os representantes dos

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

19


Divulgação

REFORMA TRABALHISTA

20

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

direitos ((Retirar dos atletas não vai

ajudar a melhorar o futebol brasileiro. As reformas trabalhistas no futebol vão atingir os jogadores mais pobres. Cerca de 82% dos jogadores profissionais no país recebem até um salário mínimo e 95% recebem até quatro. FELIPE AUGUSTO

((

atletas combaterem veementemente, os legisladores recuaram nesse item do projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados. “Porém, nada garante que ela não possa retomar, já que não foi votado ainda por eles. Estamos dialogando com todas as esferas”. Felipe explica outros itens que desagradam a Fenapaf: “Somos contra também a intenção de se dividir as férias, fracionando elas, quebrando as férias coletivas tradicionais – que devem ser dadas ao final do ano – coincidindo exatamente com o recesso do calendário. Outra coisa: não garantir o descanso de 24 horas do atleta, podendo ser fatiado em dois períodos de 12 horas pelo clube”, aponta. A Fenapaf admite que se esclareça na lei a questão das horas extras, pois numa profissão especial, como a de atleta de futebol, entende-se que o jogador não tem direito a hora extra, não tem direito a adicional noturno. “Por quê? Porque é normal os jogos que passem das 22h. Portanto, tudo isso deve estar na lei, até para que se evite distorções e interpretações que


levem a buscarem na CLT subsidiariamente o que não há na Lei Pelé. As leis da CLT são para todos, mas aqui estamos tratando de uma profissão especial. E profissão especial merece lei especial, que deve abranger todos os pontos, para não haver interpretações contraditórias com a especificidade que é um contrato de um atleta de futebol”, argumenta Felipe. A entidade nacional está otimista quanto a serem retirados do projeto os itens que prejudicam os atletas. “Estou esperançoso, até porque a Fenapaf está em todas as mesas de debate, no Congresso, na CBF, nas federações, nos clubes, está sendo ouvida e tendo voz. Estamos discutindo com os juristas do Senado, com a própria Comissão Especial da Câmara, com o presidente da Comissão, com o relator. Eles já atenderam diversos questionamentos que acharam pertinentes e, assim, mudaram vários pontos da redação original. Portanto, essa redação final que vai ser votada já passou por várias interferências da Fenapaf. Outros pontos que não foram modificados foram porque, na visão dos legisladores, não eram para serem mudados. Mas continuaremos o debate, tanto

Foto: Thaynara Botelho

Somos contra também a intenção de se dividir as férias, fracionando elas, quebrando as férias coletivas tradicionais – que devem ser dadas ao final do ano – coincidindo exatamente com o recesso do calendário. Outra coisa: não garantir o descanso de 24 horas do atleta, podendo ser fatiado em dois períodos de 12 horas pelo clube

Atleta recebendo o direito de arena pelos sindicatos

na Comissão que vai aprovar ou não o relatório, como nas comissões seguintes de Justiça, de Esporte, de Tributação. A Fenapaf está no jogo!”, garante Felipe Augusto. No final das contas, esse tipo de mudança irá atingir em cheio os mais necessitados. “Retirar direitos dos atletas não vai ajudar a melhorar o futebol brasileiro. As reformas trabalhistas no futebol vão atingir os jogadores mais pobres. Cerca de 82% dos jogadores profissionais no país recebem até um salário mínimo e 95% recebem até quatro”, alerta o presidente. Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro deste ano, jogadores de 96% das Séries A e B usaram tarjas pretas no braço em protesto contra as reformas trabalhistas da Lei Pelé que tramitam no Congresso Nacional. A entidade conseguiu reunir, por meio de um grupo de mensagens, os capitães e os grandes líderes de todas as séries do Brasileiro – e até de fora das séries. De acordo com a Fenapaf, dependendo das mudanças que forem aprovadas na nova Lei Geral do Futebol, há sim, a possibilidade de greve por parte dos atletas.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

21


DIREITO DE ARENA

RETROCESSO! Fotos: Thaynara Botelho

Alterações na Lei Pelé sobre o repasse do direito de arena desagradam atletas que passariam a ser pagos pelos clubes e não por seus representantes

P

rojetos que tramitam no Congresso Nacional – a nova Lei Geral do Futebol Brasileiro (Câmara) e a Lei Geral do Desporto Brasileiro (Senado) – podem modificar, e muito, a Lei Pelé (9.615/98), conjunto de normas que vigora há quase 20 anos entre os desportistas. Num desses projetos (o do Senado), a intenção é de modificar quem repassa os valores do direito de arena aos atletas. A nova redação pode tirar das entidades sindicais e dar de volta aos clubes essa competência. Mas os representantes dos atletas acreditam que essa tentativa, já usada no passado, não teria boas consequências. Até porque, a obrigatoriedade do repasse ser feito pelos sindicatos foi fruto de um acordo costurado anteriormente por clubes e atletas. O presidente do Saferj, Alfredo Sampaio, explica melhor o imbróglio da época. – Na sequência da ação que movemos em 1997, fizemos um acordo, devidamente autorizados pelos capitães da época, em que saíamos de um percentual existente de 20% para 5%. Várias razões nos levaram a negociar essa mudança de valores, uma delas era que os pagamentos passariam a ser feitos por meio dos sindicatos. Essa era a garantia de que os atletas não teriam mais problemas em relação aos seus recebimentos, já que, até aquele momento, a prática normal era o clube receber e não pagar o direito de arena ao atleta – argumenta Alfredo Sampaio. Diversas são as razões para os atletas ficarem pre-

22

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

O atacante Marcos Júnior e outros tantos atletas recebem o direito de arena: em quase 20 anos nenhum problema no repasse da verba feita pelas entidades sindicais


1

O percentual de 5% de arena passou a fazer parte da Lei Pelé a partir de acordo firmado no ano 2000 entre clubes, sindicatos, federações e Confederação no qual, entre  os pontos, que o arena deixaria de ser 20% e passaria a ser 5% do contrato. Uma das razões, entre outras, que levaram os representantes dos atletas a essa negociação era a garantia que os pagamentos passariam a ser feitos por meio dos sindicatos, garantindo assim aos atletas o recebimento de suas cotas; 

2 3 4

Antes do acordo havia inadimplência dos clubes em relação ao repasse, num total de quase 90%. Os clubes recebiam e não repassavam os valores do arena, utilizando os recursos para todo tipo de pagamento, fato que gerou inúmeras  ações trabalhistas e apropriação indébita;  Os sindicatos realizam o pagamento do direito de arena aos atletas de futebol há 17 anos consecutivos, não tendo, ao longo desse período, qualquer tipo de problema que levasse ao não pagamento das cotas; 

(( Na sequência da ação que

movemos em 1997, fizemos um acordo, devidamente autorizados pelos capitães da época, em que saíamos de um percentual existente de 20% para 5%. Várias razões nos levaram a negociar essa mudança de valores, uma delas era que os pagamentos passariam a ser feitos por meio dos sindicatos. Essa era a garantia de que os atletas não teriam mais problemas em relação aos seus recebimentos, já que, até aquele momento, a prática normal era o clube receber e não pagar o direito de arena ao atleta. ALFREDO SAMPAIO

((

ocupados com a possível mudança. Confira o antigo acordo e os principais problemas:

A possibilidade do retorno da obrigatoriedade de pagamento ser feito pelos clubes, além de retrocesso, falta de respeito com o acordo que l A volta das ações trabalhistas – Como ocorria andeu origem a lei e um ato de deslealdade com teriormente, aconteceria, de novo, uma avalanche de os atletas, implicaria também nas seguintes situações: ações trabalhistas, que aumentará o interminável passivo dos clubes;  l Possivelmente, o Governo Federal deixaria de arl O retorno da inadimplência – Os clubes, com raríssimas exceções, continuam com graves problemas fi- recadar por ano, de forma segura, como é feito hoje, nanceiros, principalmente pelo passivo trabalhista exis- aproximadamente 50 milhões de reais, valor retido tente. Não estão conseguindo, por exemplo, cumprir o rigorosamente na fonte, relativos ao imposto de renestabelecido no Profut (Programa de Modernização da da dos atletas em cada conta recebida;  Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasi- l Atletas de clubes de menor investimento sofreriam leiro), estão atrasando os salários de trabalho e imagem com a perda do único recurso 100% garantido a ser – em alguns clubes em até cinco meses –, inclusive, recebido anualmente. Os atletas com maior poder dos funcionários de outros setores do clube. Se pas- aquisitivo – 1,5% somente deles – sentiriam tamsarem a receber as cotas do arena irão utilizá-la, como bém o impacto do não recebimento, mas, ao contráera feito antes do acordo, para quitar dívidas ou paga- rio dos 98,5% restantes, irão sobreviver devido aos seus altos salários. rão o corretamente o direito de arena?; 

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

23


Divulgação

DESEMPREGO NAS SÉRIES C e D

Mais clubes e

MAIS DESEMPREGO! Fórmula de disputa nas últimas edições da Série D não agrada representantes dos atletas. Fenapaf faz proposta à CBF pedindo também por mudança na Série C, igualando seu formato ao da A e B

O

Campeonato Brasileiro da Série D das últimas duas edições (2016 e 2017) – com 68 clubes em vez de 40 – não vem agradando aqueles que se importam com o emprego dos atletas. Apesar de ter aumentado o número de participantes, e consequentemente de atletas envolvidos, a CBF diminuiu drasticamente o período da competição na Primeira Fase, fazendo com que mais atletas fiquem sem jogar – e desempregados – rapidamente. Anteriormente, a Primeira Fase do Brasileiro-Série D começava em junho e terminava quase no final de setembro. Os cerca de 1200 atletas (veja o quadro) tinham quase três meses de trabalho antes que mui-

24

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

tos saíssem da competição. Nesse novo formato, a fase inicial de 2017 começou em 21 de maio e terminou em 25 de junho, com somente um mês e quatro dias de jogos. A partir daí, 32 clubes continuam e 36 dão adeus ao campeonato, fazendo com que cerca de 1080 atletas percam seus postos de trabalho, pois estarão fora da sequência, que passa a ser no sistema mata-mata. Depois, também de forma rápida, metade dos atletas é dispensada a cada fase. A ideia de que mais clubes disputando o campeonato provoque necessariamente mais empregos, não é verdadeira, já que a competição é mais curta na sua primeira fase, deixando desempregados mais atletas. Para o presidente do Saferj, Alfredo Sampaio, a questão não é boa tendo em vista o momento vivido no país em tempos de desemprego. “Para nós que vemos o lado do atleta, do trabalhador, acreditamos que não adianta aumentarem o número de participantes, se não aumentarem o número de empregos. O que está acontecendo é que um número maior de clubes começa o campeonato, porém menos clubes continuam disputando depois de pouco mais de um mês. É um aumento enganador “, aponta Alfredo Sampaio. A Lei Pelé exige que os contratos entre clube e jogador sejam feitos por no mínimo três meses, o que


Confira a comparação entre os formatos: Série D anterior:

Nova Série D

40 clubes x 30 atletas = cerca de 1200 atletas; Com uma Primeira Fase que durava cerca de três meses, 1200 atletas permaneciam trabalhando nesse período.

Após a Primeira Fase (um mês e quatro dias): Continuam 32 clubes e são eliminados 36 32 clubes x 30 atletas = 960 atletas ficam 36 clubes x 30 atletas = 1080 atletas estão desempregados em pouco mais de um mês

garantiria o emprego desses profissionais por esse período. Porém, Sampaio não crê na plena execução disso.”Sabemos que muitos clubes, quando eliminados, não cumprem isso. A eliminação após um mês de competição fará com que muitos clubes interrompam o contrato de trabalho e os pagamentos dos meses restantes (dois), mesmo sendo lei. O atleta ficará desempregado e sem renda no meio do ano. Muitos, provavelmente, até sem poder buscar um novo clube, se já estiverem em seu segundo clube no ano. Terão que recorrer a Justiça do Trabalho, que é lenta, e, se derem sorte, conseguirão em três, quatro anos receber o valor devido. Um campeonato com esse modelo não interessa, o anterior era infinitamente melhor”, completa o presidente do Saferj.

A Série C também é vista como uma competição que deve ser enquadrada no formato da 1ª e 2ª Divisões. O presidente da Fenapaf, Felipe Augusto Leite, fez proposta à CBF pedindo igualdade entre as Séries A, B e C. – A Série C 2017 encerrou em meados de outubro, mas para 16 clubes encerrou em setembro. São mais desempregados bem antes do final do ano – diz Felipe. A Fenapaf também sugeriu a mudança na fórmula de disputa da Série D, a fim de evitar que 36 clubes sejam excluídos ainda no começo de junho, gerando mais desemprego.

Após o primeiro mata-mata, logo em seguida: 430 ficam e 430 estão desempregados E assim sucessivamente nas fases seguintes.

Fenapaf apresenta Raio X dos atletas de futebol no Brasil para 2018 

Cerca de 18

Estaduais basicamente somente até

De acordo com o calendário do futebol

mil atletas profissionais; abril;

brasileiro de 2018, a partir de abril/maio, apenas 128 clubes (cerca de quatro mil

atletas) continuarão em atividade no Brasil; 

FENAPAF FAZ PROPOSTA À CBF

Nova Série D

Algo em torno de 4

mil atletas trabalhando

até junho; 

2.700 até agosto;

Dos 662 clubes que começam o ano com

suas atividades, apenas 40 – os das Séries A e B do Brasileiro – chegam ao fim de novembro jogando; 

Portanto, apenas 1.200 atletas (6% do

universo dos 18

mil que começaram o ano),

chegarão até o fim trabalhando.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

25


TREINADORES NA CBF

Comissão de treinadores se reúne com o presidente Marco Polo Del Nero, na CBF

Treinadores querem mudanças FBTF se reúne com CBF e apresenta propostas para valorização do cargo. Reconhecimento no exterior, limite de transferência, código de ética, entre outras propostas fizeram parte do 1º grande encontro entre treinadores e a entidade Fotos: Lucas Figueiredo/CBF

26

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

N

o fim de agosto deste ano, os treinadores brasileiros, por meio da Federação Brasileira de Treinadores Futebol (FBTF), se reuniram com a CBF, na sede da entidade, em busca de alguns itens que valorizem a profissão. Reconhecimento internacional, limite para transferência de treinadores, criação de código de ética, entre outras, são as propostas apresentadas por 73 treinadores ao presidente Marco Polo Del Nero. Foi o primeiro grande encontro entre os treinadores nacionais e a entidade que comanda o futebol nacional. Intermediados  por uma comissão  formada por Tite, Zico, Parreira, Alfredo Sampaio, Vagner Mancini, Falcão, Vanderlei Luxemburgo e Zé Mário, a intenção é que, a partir de 2018, os treinadores possam obter posicionamentos da entidade em relação a diversos itens expostos. Dentre diversos itens, destaque para o pedido da FBTF para que os clubes só possam contratar outro treinador a partir da comprovação do acerto de contas com o antecessor. Enquanto isso não ocorrer, o clube ficaria impedido de registrar um novo treinador em sua equipe principal. Até a 26ª rodada, no início de outubro, 19 treinadores já haviam sido demitidos no Brasileiro 2017.


Confira os pontos reivindicados pelos técnicos na reunião na CBF:  Apoio

da CBF à Lei Caio Júnior:

 Demissão

Os treinadores Zé Mário e Tite presentes na CBF

Estiveram presentes ao encontro consagrados técnicos de todos os cantos do Brasil: Oswaldo de Oliveira, Abel Braga, Dorival Júnior, Jair Ventura, Rogério Micale, Joel Santana, Jorginho, Cristóvão Borges, Gallo, a treinadora da Seleção Brasileira feminina, Emily Lima, entre muitos outros. O treinador Jorginho comentou sobre o evento. - Nunca houve isso antes, reunir uma geração de treinadores, campeões do mundo e outros que estão iniciando, em busca de reconhecimento. Não somos contra a vinda de um treinador estrangeiro, pelo contrário, mas que o reconhecimento que eles têm aqui, nós possamos ter lá também – disse Jorginho, elogiando o curso de treinadores da CBF, pelo qual está finalizando a licença A. Integrante da comissão que foi até a sala de reuniões com o presidente Marco Polo Del Nero, o treinador Vagner Mancini espera que o primeiro passo tenha sido dado corretamente. - Foi muito importante a reunião, discutimos o nosso destino, o nosso futuro. Passamos para o presidente nossas dificuldades e o que temos de instabilidade no emprego. Que a CBF, ciente disso, possa alterar algo nos regulamentos das próximas competições, vindo de encontro com o queremos: a melhoria do futebol brasileiro.

e contratação de treinadores: A FBTF deseja que a CBF inclua no regulamento geral de competições a partir de 2018, a regra que obrigue os clubes a quitar todas as dívidas trabalhistas, incluindo o direito de imagem, com o técnico demitido para poder registrar o contrato de trabalho do treinador substituto. Enquanto não houver o acordo de quitação com o técnico demitido, o clube só poderá utilizar profissionais da base com contrato registrado, e não contratar um novo treinador.  Registro

de contrato de trabalho dos treinadores: Mais uma exigência para o regulamento de competições da CBF: que as federações estaduais sejam obrigadas a registrar o contrato de trabalho dos treinadores para que ele possa atuar em qualquer competição, nacional ou estadual.

 Atuação de treinadores estrangeiros no Brasil:

A FBTF deseja que os profissionais estrangeiros tenham licença de trabalho equivalente às licenças exigidas aos brasileiros para atuação no país. A partir de 2019, todos os treinadores brasileiros precisarão ter a Licença A da CBF para trabalhar em competições nacionais. Reconhecimento internacional da licença brasileira: Os treinadores pedem à CBF que atue junte à Conmebol e à Fifa para obter reconhecimento e validação da licença brasileira. Mercados antes abertos aos treinadores brasileiros, como o Oriente Médio e a Ásia, começam a exigir que os treinadores tenham licença da Uefa.

Diminuição dos valores cobrados pelos cursos da CBF.

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

27


INAUGURAÇÃO

Fotos: Camilo Sepúlveda

Safit

inaugura sala Cross Training Academia conta agora com a Orange Box, teve a sala das bikes toda reformada e pretende trazer para o aluno a tendência dos wearables (conexões sem fio)

28

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


U

ma nova sala acaba de ser inaugurada no terceiro andar da Academia Safit Club, na Casa do Atleta, na Tijuca: a Orange Box. Planejada para dar aos atletas e associados em geral o que de melhor vem sendo posto em prática pelo mundo das academias, a nova sala abrigará as aulas de exercícios funcionais e de alta intensidade com pouca duração. Cordas, fitas de suspensão, gaiolas, barras de levantamento olímpico, kettlebell e tudo que compõem um conceito de exercícios que lembram o Crossfit, muito utilizado ultimamente. “Estamos com profissionais responsáveis por ministrar aulas funcionais de 20 a 30 minutos com esses equipamentos. As salas também receberam luzes especiais que harmonizam o ambiente”, explica o gerente geral da Safit, Alfredo Neto. Luzes na cor laranja estão presentes na Orange Box e na cor amarela na sala das bikes. Essas cores ajudam no entusiasmo do aluno em atividades físicas. O coordenador da Safit, Cledson Silva, comenta a mudança e as atividades: “A antiga sala Orange Box já funcionava com aulas de exercícios funcionais, porém agora temos esse diferencial do “cross training”, de alta intensidade com pouca duração, causando o “Efeito Epoc”, que faz a pessoa ter um gasto de oxigênio melhor, mesmo após a atividade, além de catabolizar gordura”, explica o coordenador. Em outra sala, as bicicletas foram renovadas (no total de 15) e o aluno que estiver na aula pode agora ter a sensação de estar pedalando por uma estrada, por meio de um imenso painel. No piso foi aplicada uma camada líquida de cimento queimado, um verniz, além dos adesivos amarelos que seguem as linhas do painel. No futuro, a Safit pretende colocar nesta sala tudo sem fio, apenas com uma cinta Bluetooth no corpo do aluno e uma tela gigante à sua frente, de onde ele poderá visualizar sua foto, seus gastos calóricos, a frequência cardíaca, pulsação, entre outros dados. Essa também é uma nova tendência que chegou pra ficar: os wearables. ”Esse tipo de serviço também irá para as outras salas depois”, revela o gerente Alfredo Neto. “Somos referência na região (Grande Tijuca) em vendas, relacionamento com os clientes e atendimento a atletas profissionais. Temos aulas que nenhuma academia do bairro tem – finaliza o gerente. Essa é a Safit Club, o seu lugar!

Tome nota

De forma geral, o Cross Training procura trabalhar com movimentos amplos, naturais e funcionais, para produzir mudanças adaptativas em termos de hipertrofia e emagrecimento. Ele não trabalha com movimentos isolados e nem com repetições infinitas do mesmo movimento. n Fonte: Treinomestre.com.br

Os exercícios funcionais têm como principal objetivo a melhoria das condições físicas do corpo (como força, potência, resistência, agilidade, coordenação e equilíbrio), utilizando o grupo de musculaturas responsáveis pela estabilização e sustentação do tronco.* n Fonte: Revistavivasaude.uol.com.br  A proposta da maioria dos Wearables é facilitar a vida dos usuários em funções unidas à tecnologia, podendo ser um complemento para uma vida saudável. Os relógios e pulseiras inteligentes, por exemplo, são voltados para monitorar a saúde do usuário e auxiliar durante a prática de exercícios físicos.

A sala de bikes recebeu melhorias no piso, painel, iluminação e nas 15 bicicletas

S AFERJ | Ano 3 - n o 2

29


Foto: Nélson Henrique

PROJETOS & EVENTOS

Projeto Treinamento Diário – Atleta em Forma O Projeto que há mais de três anos vem inserindo atletas de futebol sem clube numa rotina de treinos, jogos e condicionamento físico, continua a todo vapor. O coordenador do Treinamento Diário e 2º vice-presidente, William César, comenta sobre o atual momento. “O nosso Projeto é uma realidade. Estamos na terceira temporada (sempre de novembro a setembro do ano seguinte), cerca de 70 atletas treinam co-

nosco a cada ano e agora ainda teremos o CT para coroar todo esse trabalho, melhorando ainda mais o Treinamento Diário”.

CARNAVAL 2018

Vou Treinar e Volto Já

Pelo nono ano seguido o bloco do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro sairá pelas ruas da Tijuca. A concentração continua na Praça Afonso Pena e no próximo ano contará com a presença da bateria da campeã de 2017, Portela, sob a batuta do mestre Nilo Sergio. A diretoria da entidade avisa a todos que em 2018 o bloco sairá no dia 13 de janeiro, sábado, antecipando seu desfile em uma semana, diferentemente dos anos anteriores. Venham se divertir com as famílias, os atletas, alunos da academia Safit Club e comunidade tijucana!

CASA DO ATLETA ATENDIMENTOS DO MÊS DE MARÇO AO MÊS DE SETEMBRO DE 2017 Fisioterapia: 1.028 | Cestas Básicas: 106 | Academia: 1.040 Auxílio: 97 | Odontologia: 197

30

S AFERJ | Ano 3 - n o 2


saferj 3 2017  

Saferj - Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro

saferj 3 2017  

Saferj - Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro

Advertisement