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Do berço para a vida toda Do Berço para a vida toda

Ser Família A sua revista de desenvolvimento familiar e muito mais

Ano IV • Nº24 • Mar/Abr

Existe amizade

entre pais e filhos? INTIMIDADE

Escutar também é uma arte e exige atitude!

EDUCAR HOJE 3

Afinal, o que esperam os adolescentes?

Comportamento Paciência: a calma pode ser amiga da rapidez

Viagem e Cultura Próxima parada: “los hermanos”


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Ser Família A Revista Ser Família é uma publicação bimestral que oferece respostas criativas, alternativas inteligentes e soluções eficazes para viver bem.

editorial

O conteúdo dos artigos assinados é de exclusiva responsabilidade de seus autores, não expressando necessariamente a opinião dos responsáveis pela direção da revista.

Presidente Ludmila G. Antunes de Souza Diretor Executivo Autimio A. de Souza Neto Conselho Consultivo Arthur Dissei Ciro Ferraz Porto José Carlos Reis de Magalhães Paulo Brito

Projeto gráfico e Direção de Arte Claudio Tito Braghini Junior e-mail: claudiojuninho@hotmail.com Jornalista responsável Silvia Kuntz Pinto Lima – Mtb 47.467 e-mail: redacao@serfamilia.com.br Colaboradores Dora Porto Carmen Silvia Porto Encar Torre-Enciso Luis Fernando Carbonari Firmina Floripes Ferreira Renato Rodrigues Impressão Ediouro Tiragem - 40.000 exemplares Para anunciar / Fale com a gente Telefax: (55 11) 3849-0909 e-mail: revista@serfamilia.com.br Meses de veiculação Março/Abril

Instituição beneficiada Do Berço para a vida toda Do Berço para a vida toda

Telefone: (55 11) 5844-1915 site: www.obradoberco.org.br Presidente Honorária Renata de Camargo Nascimento Presidente Vera Helena M. Pires Oliveira Dias Vice Presidente Aline Rios Ramalho Foz Secretária Marta Hegg Financeira Maria Bernadette Magalhães Captação de Recurso Cristina X. da Silveiras

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Realização | Parceira Revista

Ser Família

T

inha de escrever este editorial. Andava adiando seu início: pouca inspiração, com um viés de falta de motivação. E à medida que o tempo apertava, sofria pressão por parte da redação, que já havia encaminhado todo seu trabalho para a diagramação. Ao mesmo tempo, o Claudinho enviava provas da revista, e uma página em branco permanecia reluzindo forte... O branco mais instigante de todos! Não queria simplesmente comentar sobre a revista e seu conteúdo. Sabe aquele momento em que nada vem à cabeça e, ao mesmo tempo, não se pode deixar de aproveitar um espaço tão precioso? Afinal, a consciência de que se está falando para 200 mil leitores, em potencial, naturalmente leva a pensar no aproveitamento do tempo... No caso, do espaço. Talvez seja a mesma sensação de um jogador de futebol que se apresenta para uma plateia imensa, ou um ator que sabe que seu trabalho é visto por milhões de pessoas. Acredito que a pressão é maior, pois inconscientemente a responsabilidade aumenta. Acredito que o principal não deva ser a preocupação em agradar a maioria. O fantoche tem vida útil. Dura enquanto durar a ingenuidade do espectador. Assim ocorre com as crianças... Deixam de se interessar pelas marionetes, pois querem algo real, de mais peso, e que influa verdadeira e positivamente em suas vidas. Mas a vida levada muito a sério, quando colocamos na cabeça que tudo depende de nós e de nosso esforço, faz com que percamos a oportunidade de levar a vida da melhor forma, que é a combinação da simplicidade da criança (que ao cumprir seus deveres, sabe que existe uma borracha para apagar o que não ficou como o esperado, sob os olhos acalentadores de alguém que zela por ela) e a responsabilidade de um adulto, que tem a força de fazer tudo bem feito, pois sabe que disto depende muita coisa. Ter alma de criança não é sinônimo de fraqueza, mas de uma alegria de quem se sabe querido pelo que é e, por isso, encara verdadeiros desafios destemidamente, independente dos resultados. Gravem esta imagem: ”um lápis e uma borracha sempre em mãos. Um lápis para escrevermos nossa história e uma borracha para conduzi-la da melhor forma.” Autimio Antunes


09 10 14 18 22 26 30 32 36 42 48 Breves

Obra do Berço

educar hoje 1 Pais amigos

Dr. Home Mais de perto

viagem e cultura Bariloche, Villa La Angostura e San Martin de los Andes, três destinos para curtir a neve na Argentina.

intimidade A arte de escutar

educar hoje 2 Obstinação à vista

COLUNISTA

A eternidade no instante

ENTREVISTA

Núria Chinchilla Albiol

educar hoje 3 Afinal, o que querem os adolescentes?

comportamento Devagar, porque estou com pressa

ENTRETENIMENTO O filme certo, na hora, para as pessoas certas


breves >> pág. 9

SECOM

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tornaram possível o sucesso nas vendas das cinco edições da REVISTA SER FAMÍLIA, projeto realizado pela Drogasil e Associação Vida em Família, em prol ao atendimento de 1100 crianças, adolescentes, jovens e famílias: Ser Família - 18ª Edição

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Ser Família - 21ª Edição

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Ser Família - 22ª Edição

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A Associação “Obra do Berço” agradece pelo respeito, credibilidade e confiança depositados em nosso trabalho e no Projeto Revista Ser Família, estratégia de captação de recursos inovadora, que consolida esforços e a determinação de uma Associação que busca a referência no cumprimento de sua missão e em sua gestão.

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Dora Porto Master em Matrim么nio e Fam铆lia pelo ICFUniversidade de Navarra. Diretora do programa Protege tu Coraz贸n Brasil www.protegetucorazon.com.br doritaporto.blogspot.com


T

alvez vocês não se lembrem do tempo em que as cidades eram menores e as pessoas sempre tinham alguém para conversar. Era só chegar no beiral da janela, ou no portão, que logo havia uma vizinha, um conhecido, para bater um papo, para “jogar conversa fora”. É certo que também surgiam muitas fofocas e maledicências! Mas as pessoas tinham com quem falar. As famílias moravam mais perto umas das outras, havia um maior relacionamento com a família extensa, e sempre havia uma “tia” que era aquele “bom ouvido”, com quem podíamos nos queixar, desabafar e pensar na vida! Hoje, devido à necessidade de segurança, levantamos altos muros, isolamo-nos dentro de nossas casas, comunicamo-nos muito mais virtualmente do que pessoalmente. Sem falar das distâncias e do trânsito, que impedem uma maior proximidade com nossos familiares e amigos. Pois é! Mas não podemos cair nessa ladainha de reclamações, nem de um saudosismo barato. Isto é uma constatação. Muitas pessoas adoecem psicologicamente, por não terem com quem falar de seus problemas, seus sonhos, seus medos etc. Sem contar os

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idosos que, pela dificuldade de locomoção e a falta de independência, acabam abandonados em suas casas ou até nos asilos e hospitais. O que fazer? Como solucionar este problema? Precisamos reaprender a escutar, e isto pode começar dentro da nossa própria casa. Escutar os filhos, os pais, os amigos, pode ser uma prática bem interessante.

é tão imperiosa a necessidade humana de falar que, na ausência do outro a quem dirigir a palavra, a pessoa não resiste ao seu murmúrio interior e fala consigo própria Aprender a escutar? Não basta ter ouvidos? Aí é que nos enganamos. Uma coisa é a nossa capacidade de ouvir, e outra, muito diferente, é a atitude de escuta. Quem escuta deve estar disposto a compartilhar a intimidade do outro. A intimidade humana, diz

Polaino Lorente, no seu livro A arte de escutar, não se satisfaz a si própria no seu hermetismo. A intimidade da pessoa tem necessidade de ser compartilhada. E o que abriga nossa intimidade? “Abriga as nossas decisões, interesses e motivações; o que a pessoa percebe, sente, pensa, recorda, projeta e faz; as consequências de tudo isto; as intenções que a animaram e as frustrações que sobrevieram; os resíduos que vão tecendo a sua evolução biográfica com os seus acertos e desacertos, êxitos, fracassos, alegrias e tristezas”. Isto quer dizer que temos um mundo interior rico e complexo, normalmente blindado para estranhos. Mas é nesse mundo onde nascem nossos ideais, de onde brotam nossas ideias e, se não o abrirmos para alguém, muitas vezes esses projetos acabam por não se realizar. O fenômeno das redes sociais é uma realidade onde as pessoas compartilham, têm necessidade de saírem de si mesmas, de contar o que fazem, de dividir alegrias, de trocar informações, contatos e tanto mais. Esta nova forma de comunicação virtual é boa, é necessária, mas não substitui a presença física de uma pessoa com um ouvido atento, com uma vontade decidida de penetrar dentro do


que é possível, na intimidade do outro para oferecer um estímulo, uma palavra de ânimo, uma ideia, um conselho, um consolo e, muitas vezes, um silêncio eloquente e respeitoso, cheio de carinho. Nós brasileiros, ao contrário de muitos outros povos mais fechados, temos essa qualidade de “pôr para fora” aquilo que pensamos, sentimos, fazemos. Aliás, às vezes até demais e com a pessoa errada. Pois constatamos diariamente que quem não tem com quem falar, fala com qualquer um, e isto não satisfaz sua necessidade interior.

Afirma o autor citado que a própria intimidade só consegue a sua posse definitiva e a sua plenitude quando compartilhada com outro. É tão imperiosa a necessidade humana de falar que, na ausência do outro a quem dirigir a palavra, a pessoa não resiste ao seu murmúrio interior e fala consigo própria. É falar ou arrebentar! Por isso essa necessidade crucial do diálogo. Precisamos que nos escutem porque se alguém nos entende, acabamos por nos entender a nós

mesmos. É natural que sem a fala não pode existir o diálogo. Mas sem alguém que escute, também não. Podemos, se quisermos, treinar esta atitude de escuta. Quando um filho, ou a (o) esposa(o) se aproximar, contenha-se! Acolha com o olhar, com a postura (desligando a TV, fechando o jornal, ou desligando o celular) e dê um tempo para que aquela intimidade, muitas vezes sofrida, solte-se e encontre em você esta deliciosa e necessária acolhida!

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Doutora em Ciências Econômicas e Empresariais, pela Universidade de Navarra (Espanha). Licenciada em Direito Pela Universidade de Barcelona. Máster em Economia e Administração de Empresas, pelo IESE (Instituto de Estudos Superiores da Empresa).

Núria Chinchilla Albiol Entrevista >> pág. 14


Especialista em conciliação entre trabalho e vida familiar fala sobre as chaves do desenvolvimento empresarial nas próximas décadas. A mulher que trabalha é a verdadeira agente de mudança nas empresas, em favor de uma maior humanização do trabalho...

F

ala-se muito por aí que a crise da família se produz pela incorporação da mulher no trabalho. Qual a sua opinião a respeito?

Creio que o contexto empresarial que temos não ajuda nem a ser pai, nem mãe, nem esposos. A empresa tem de ser repensada, visto que a mulher está entrando massivamente no mercado de trabalho. A situação que vivemos atualmente é insustentável. Evidentemente, a explosão demográfica faz com que a mulher saia para o mercado de trabalho e encontre uma empresa rígida, pensada por homens e para homens. Esse é o primeiro entrave. O que estamos vendo é que a “revolução feminina”, entendida no bom sentido, beneficia também o homem, porque o ajuda a “voltar a entrar” no lar. É bom que a mulher traga para a sociedade os seus conhecimentos e valores, e, ao mesmo tempo, não tenha de renunciar a ser esposa e mãe, o que requer, em cada momento, uma dedicação de tempo vital diferente. Evidentemente não é um problema só das empresas; há um enorme problema social, porque as administrações públicas continuam pensando no indivíduo, em vez de pensar na família, que é a verdadeira célula básica da sociedade. É na família onde se gera a confiança, que é a base de funcionamento dos mercados e das instituições. Há um problema de geração de “contra valores”, de esvaziamento cultural, especialmente nos meios de comunicação. E se os membros da família não têm tempo de conviver e de desenvolver as suas competências na família, não se formam pessoas “completas” para as empresas: não somente preparadas tecnicamente, mas humanamente, capazes de se comprometerem em projetos a médio e longo prazo.


Acontece o seguinte: a mulher saiu para o mercado de trabalho e o homem não entrou na casa. Agora estamos num momento de “impasse” em que a mulher está fora e o homem não está dentro, nem como esposos, nem pais, nem como corresponsáveis de um lar. Falo naturalmente em termos de generalizações sociológicas, não de pessoas concretas. Ambos, homem e mulher, têm que ter a cabeça posta no lar como a primeira empresa; e ter claro que o trabalho é para a família, não a família para o trabalho. Esta é uma questão que não está bem clara em muitas cabeças, nem de homens nem de mulheres. Como o trabalho é mais rígido e a família mais flexível e compreensiva, no final, esta, de tanto esticarse, rompe-se. O trabalho é como um gás que penetra nas fissuras que deixamos na nossa vida, e que acaba enchendo tudo, se não colocamos muros de contenção. Temos de reservar tempo e energias para estar com a família e para poder dirigir a própria vida. Que modificações legais a respeito haveria que pedir às administrações públicas? O ideal seria que a lei desse liberdade a cada um, para fazer o que em determinado momento decida. Temos de trabalhar com a liberdade das pessoas. 16

Seria bom, por exemplo, que a licença maternidade fosse mais longa, também para as empresas. O fato de que seja de poucos meses impede que a empresa pense na substituição dessa pessoa, isso faz com que o trabalho recaia nas

“há que legislar pensando na família, a parte fiscal tem que apoiar os casamentos estáveis. A família é um tema que deveria estar no Conselho de Ministros com categoria própria” companheiras. Claro, estas, numa segunda gravidez, em vez de felicitá-la, vão fazê-la sentir-se egoísta... Este tipo de coisas gera um ambiente ruim. Pelo contrário, se a mulher está um ano fora, como acontece em alguns países europeus, a empresa terá que procurar uma substituta. Esse ano é fundamental na vida de um filho, quando mais necessita de sua mãe (ou do pai, nisso não há nenhuma dificuldade, ainda que os neurologistas afirmem que é melhor a presença da

mãe, mas cada família tem as suas necessidades e a sua forma de se organizar). De fato, as licenças de “paternidade” são muito positivas porque fazem com que o homem “entre no lar”, para que tome conhecimento do que verdadeiramente é o seu lar e o desfrute e possa decidir com sua mulher a que se vai dedicar e de que modo. Esta é uma grande ocasião para os pais, mais que para os bebês, para se envolverem e se comprometerem mais na vida familiar. Mas o que deve haver na administração pública é uma mudança de mentalidade quanto à família. Há que legislar pensando na família, a parte fiscal tem que apoiar os casamentos estáveis. A família é um tema que deveria estar no Conselho de Ministros com categoria própria; deveria existir um Ministério da Família para que, qualquer que seja o tema que se trate, trate-se desde o ponto de vista familiar: transporte, moradia, comércio... Tudo tem a ver com a família. Hoje isto não existe, trabalha-se com uma ótica totalmente individualista. Não se está trabalhando a verdadeira causa dos problemas, mas só com alguns sintomas, ou com os desejos de alguns grupos concretos. Quando os políticos se deixam levar pelas minorias que fazem ruído, o que se está ignorando é


o fundamento do futuro da sociedade. Em vez de fazer uma sociedade forte, estamos debilitando-a cada vez mais. E o problema é que quando se quer agir, na maioria das vezes, já não se pode voltar atrás. Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia, disse que o melhor ministério de assuntos sociais é a família, porém chega um momento em que estamos estrangulando-a. Dizem que o problema da conciliação tem raiz na desigualdade entre homem e mulher. Mas o que se discrimina é a mulher trabalhadora ou a mãe trabalhadora? Historicamente tem havido discriminação contra a mulher por ser mulher, porque a empresa estava pensada por homens e para homens. Por exemplo, havia casos em que se eram mulheres eram “faxineiras” e se eram homens, eram “peões de manutenção”. Uma e outra categoria faziam o mesmo, mas uma cobrava mais que a outra. Eram injustiças que teriam de acabar. Mas a verdadeira discriminação nas empresas, como estamos comprovando uma e outra vez, nas pesquisas do IESE (Instituto de Estudos Superiores da Empresa), acontece por causa da maternidade, não pelo fato de ser mulher, mas por ter filhos ou por poder chegar a tê-los. Na realidade, as leis de conciliação têm a ver não tanto

com a mulher, mas com a família que essa mulher tem. Neste sentido, a Lei de Igualdade que temos agora é uma lei cega. O homem e a mulher são diferentes, e é precisamente a maternidade o fator que põe em relevo essa diferença. O que a legislação tem que fazer é apoiar a mulher que quer ser mãe, pelo bem

“a regularidade sociológica nos diz que a mulher não procura tanto ‘colocar-se em evidência’, mas que as coisas aconteçam, e lhes custa menos trabalhar em equipe” desta, do pai, do filho, da própria empresa e da sociedade. Trata-se de superar as dificuldades com que a mulher mãe se enfrenta, para que possa contribuir com o que tem de bom para a sociedade. Qual é a contribuição da mulher para uma cultura empresarial mais humana? A mulher contribui com uma visão feminina, que é diferente

e complementa a masculina. Em geral, está contribuindo com uma antecipação das consequências de decisões sobre as pessoas, portanto está humanizando a visão empresarial, e, como consequência, melhorando a gerência das pessoas. Precisamente porque integra melhor os sentimentos e emoções das pessoas com as quais trabalha, a mulher (falo como tendência geral, mas há exceções em todos os lugares) consegue formar melhores equipes, com maior grau de compromisso. A regularidade sociológica nos diz que a mulher não procura tanto “colocar-se em evidência”, mas que as coisas aconteçam, e lhes custa menos trabalhar em equipe. Isto supõe uma mudança a respeito do homem, que geralmente tenta ganhar mais, e é mais agressivo na sua maneira de trabalhar. No livro “Donos do Nosso Destino”, falamos disto: o homem antes era guerreiro, e “trabalhava” com a sua couraça e sua espada. Agora, os executivos vão à guerra, em lugar de cavalo e espada, com “palm” e de avião, mas estão fazendo o mesmo jogo agressivo. Trata-se precisamente de que as pessoas sejam mais donas de si mesmas e do seu destino, e que as famílias descubram as suas missões internas e externas. 17


educar hoje 1 >> pรกg. 18

Por Autimio Antunes


A

amizade com um pai é decididamente difícil e, sobretudo, pouco natural. Mas é possível, em casos concretos e em situações específicas... Essa questão provavelmente está presente nos pensamentos de todos nós que somos pais e desejamos muito a amizade de nossos filhos. Tem muita gente por aí que se diz amiga dos pais, mas também tem muita gente que diz o contrário. Isso depende de quê? Seguindo os ditos populares e ideias sobre amizade, que afloram de textos e músicas (“amigo é coisa para se guardar” e “contamos nos dedos da mão nossos verdadeiros amigos”), reforçamos a convicção de que fazer amigos é algo que exige esforço e habilidades. Fazer amigos depende de muitos fatores. Uma amizade é facilitada pelas atividades em comum, pelos objetivos em comum, pelos sonhos e desejos em comum. Quando se trata da relação entre um pai e um filho, estas variantes não costumam aparecer, e até seriam antinaturais. De qualquer forma, todos os fatores apresentados são de suma importância para se escolher uma amizade e conhecer melhor o outro. Mas os pais têm a seu favor o elemento do afeto, que é muito forte entre ambos e, agora sim, natural. Faz parte da natureza dos pais a tendência a um


vínculo afetivo. “Se alguém não guarda um sentimento de carinho, estima, e apreço, será incapaz de ser amigo da outra pessoa”, diz a Dra. Marian Rojas Estepé, no livro “Amigos, adeus à solidão”, em que escreveu um capítulo sobre a amizade na família. Assim está lançada a base para a construção de uma amizade com os filhos. Apoiemo-nos no vínculo afetivo, que é o que temos de mais forte e natural. E, a partir daí, poderemos estabelecer o crescimento da amizade com nossos filhos. Quando se perde o afeto, as relações se tornam muito desgastantes, em qualquer idade. Se as amizades se formam entre pessoas da mesma idade e que têm os mesmos gostos, objetivos e interesses, pelo menos em seu estágio inicial, quem pode ser candidato à amizade de uma criança? Seu pai, que tem 4 vezes a sua idade, interesses e objetivos totalmente diferentes? Para o filho não, mas e para o pai? Este é o ponto. Para estabelecermos uma amizade com os filhos devemos primeiro aproveitar o afeto entre ambos, que é forte e natural, e depois procurar fazer atividades em comum. Temos que entrar no seu mundo, interessarmo-nos por seus interesses. E isto implica em muitas coisas... Sentar no chão da sala e montar o quebracabeças que “ele” tanto gosta, 20

trocar a roupinha da boneca e dar comida na boca do bebê, fingir que é o Megatron e rolar na grama com o vilão, contar histórias inventadas e de sua vida também...… E por aí vai. Sempre lembrando que realizar atividades juntos aumenta a confiança mútua.

para estabelecermos uma amizade com os filhos devemos primeiro aproveitar o afeto entre ambos, que é forte e natural, e depois procurar fazer atividades em comum Um detalhe muito importante: respeitar e aproveitar as situações e idades adequadas para organizarmos determinadas atividades que nos ajudarão a constituir o vínculo ideal para cada fase do desenvolvimento dos filhos. Se quisermos estabelecer uma relação de carinho e confiança, aproveitemos a primeira infância. Se quisermos ganhar o interesse deles por nós, aproveitemos a segunda infância (dos 4 aos 9 anos ). Se quisermos uma atitude de reciprocidade por parte deles, aproveitemos a préadolescência. Se quisermos o

respeito e o orgulho deles na adolescência, não pulemos nenhuma etapa! Muitos adolescentes não têm vergonha de seus pais e até gostam de fazer alguns programas com os amigos e os pais. Mas com certeza estes pais entraram na vida de seus filhos desde pequenos e continuaram presentes em todas as etapas. Quando um filho começa a chamar os pais de amigos? Quando, por exemplo, aos sete anos, ele diz: “papai brinca comigo e me explica tudo o que não entendo. E a mamãe me escuta sempre”. Não existe nada mais gratificante, para um filho pequeno, do que um pai ou uma mãe que dedicam tempo e brincam com ele. Este é o momento que a natureza nos reservou para sedimentarmos uma amizade com nossos filhos. Eles querem agora. Mais tarde pode ser “tarde” ou, pelo menos, mais difícil. O chanceler e estadista alemão Otto Von Bismarck já dizia: “se sabes brincar com as crianças, poderás fazer o que quiseres com elas”. Talvez esta seja a receita para assegurar o carinho entre pais e filhos a ser resgatado ao longo dos principias e mais difíceis dias de nossas vidas. Seria muito triste ter que “ouvir” de um filho de 30 anos: “que pena que meu pai se foi, eu o compreendi tarde demais!”


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educar hoje 2 >> pรกg. 22


Obstinação

à vista

Por Autimio Antunes


Por volta dos três anos, é muito comum que nossos filhos nos deem motivos para pensarmos “ele era tão obediente e bonzinho e agora é de uma teimosia incansável!” A educação está baseada em tendências naturais de desenvolvimento. É natural, por exemplo, que a criança aprenda a falar por imitações, a partir de uma certa idade, que aprenda a andar com outra idade etc... Todo desenvolvimento, quer seja emocional, racional, ou físico, tem um momento e uma forma ideal para acontecer. Na idade em questão, eles começam a protestar quando são exigidos, querem impor sua vontade aos irmãos e amigos. Passam a distinguir entre o “meu” e o “teu”, e os conflitos e brigas tendem a aparecer, principalmente, quando alguém quer pegar seu brinquedo. E em algumas ocasiões se isolam dos demais, brincam sozinhos e falam sozinhos. Este novo comportamento, que denota rebeldia, recebe o nome de obstinação (teimosia), e nas meninas se inicia antes do que nos meninos. A obstinação pode se unir à violência: a criança mantém sua própria opinião e seu próprio desejo, ao qual se fixa com violência contra a oposição e desejos alheios. Como aquela mãe que nega 24

um sorvete para o filho, por motivos que julga importante, e ele reage com chutes, tapas, mordidas, gritos etc. Como se explica a aparição da fase de obstinação, violência e desobediência? Que forças e funções psíquicas atuam por trás deste modo de conduta, próprio desta idade? Precisamos saber a respeito desta fase para não atrapalhar o desenvolvimento e

até os três anos, a criança se considera um prolongamento da mãe e os outros são apenas ‘coisas’ crescimento da criança para a independência e autonomia, além do crescimento e conhecimento de sua identidade, uma vez que, até então, ela não reconhecia um “eu” e um “tu”. Até os três anos, a criança se considera um prolongamento da mãe e os outros são apenas ‘coisas’. Você já deve ter percebido como as crianças, antes dos três anos, empurram as outras como se fossem algo material. Mas nesta idade, ela começa a reconhecer e diferenciar as pessoas, pais, irmãos e amigos como “outros”. Assim se inicia a primeira crise de identidade, na qual a criança terá de se identificar como um “eu”, único e irrepetível.

Entretanto, os conflitos fazem parte deste processo de identidade. Por isso, devemos encarar as brigas entre amigos e irmãos como algo natural. Muitas vezes interferir numa briga pode atrapalhar este processo de amadurecimento e independência. Levando em conta o bom senso, é importante deixar que resolvam seus conflitos por conta. É muito comum presenciarmos em parquinhos infantis discussões entre mães porque o Joãozinho tirou o brinquedo do Pedrinho e este bateu no outro. Se as mães encarassem como um processo normal de desenvolvimento infantil, com certeza abrandariam, e muito, os seus ânimos. O próprio fato de uma criança tirar um brinquedo da outra faz com que ela vá percebendo que existe um outro que também tem desejos e opiniões que devem ser respeitados. E a intervenção da mãe pode querer dizer: “filho, você e seus desejos são únicos e não podem ser contrariados”, com o agravante de que a criança já tem esta convicção em mente, de que todos têm opiniões e desejos iguais aos seus. Ensinar a generosidade para os filhos nesta fase talvez não seja a melhor “estratégia”. O momento propício para isso chegará em breve, mas o mais importante agora é saber identificar as outras crianças e saber que têm desejos, opiniões e brinquedos próprios que devem ser


respeitados. Mesmo porque, as crianças só conseguirão desenvolver-se bem nas próximas etapas, se ganharem a maturidade e autonomia próprias desta fase. E esta individualidade, em relação ao ambiente, elas descobrem através de um conhecimento prático, e não teórico. O sintoma desta consciência do “eu” é exatamente o uso, pela primeira vez, da própria palavra “eu”, já que antes só falavam de si na terceira pessoa.

Marcas características da idade da obstinação: Possessividade: um impulso possessivo que não se refere somente às suas coisas, mas também em relação às pessoas. A criança quer que as pessoas que a rodeiam, especialmente a mãe, dediquem-se

exclusivamente à ela. Tem grande necessidade de carinho. Egoísmo: é tarefa educativa importante não satisfazer todos os desejos da criança. Do contrário, o egoísmo se tornará marca permanente de seu caráter. Manifestações de diferenças dos sexos: os meninos querem ser admirados pelo que fazem, enquanto as meninas querem ser admiradas pela beleza e suas roupas. Independência: as crianças têm necessidade de ampliar seu universo de conhecimento e descoberta de lugares novos e maiores. Esta ampliação do raio de ação traz novos perigos: escapam, sobem em árvores, atravessam ruas... O despertar da consciência do “eu” gera o despertar da “vontade”. A criança começa a se dar conta de sua capacidade

de querer e tenta fazer uso dela constantemente. No princípio, não possui o conhecimento dos valores e, por isso, não pode exercer uma conduta visando a um fim que tenha um valor em si, mas sim devido ao prazer que lhe produz. Isto explica a mudança constante de objetivos com tanta facilidade. Nesta idade, a educação é essencial para incutir os fundamentos para a posterior formação da consciência. Para isso são necessárias duas coisas: a criança tem de se submeter a imposições e, ao mesmo tempo, adquirir a consciência da sua capacidade de livre arbítrio. Mas no início sua percepção moral é ainda ingênua. Capta o que é bom ou mal quando está de acordo com as ordens e proibições, especialmente dos pais. E os pais têm de saber a medida adequada entre a liberdade e a imposição. Por um lado, impor limites onde julgar absolutamente necessário e deixá-los livres naquilo que se pode permitir. Uma criança nesta idade, que não aprendeu a colocar-se em seu lugar e a renunciar a seus caprichos, não saberá fazê-lo depois e se tornará egoísta. Ao mesmo tempo, a criança que tem sua vontade paralisada por incompreensões, ou castigos corporais, não terá força nem audácia para defender seus justos objetivos. Será um adulto sem iniciativas e sem confiança em si mesmo. 25


educar hoje 3 >> pág. 26

Por Mannoun Chimelli Médica e pedagoga. Trabalha com medicina do adolescente no CECAPE (Centro de Cardiologia Pediátrica), anexo do Hospital Getúlio Vargas Filho, Niterói-RJ.


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O que os adolescentes esperam de nós, os adultos que os cercamos? Muito se tem falado e escrito sobre o que pensamos sobre eles e a adolescência... Mas vale a pena refletir também sobre o que eles pensam e esperam de nossa parte. Comecemos por acreditar que adolescência é uma fase da vida, não é “A Vida”, e isto ajuda muito! Escuta-se muita lamentação quando se conversa sobre adolescentes, sempre acompanhada de suspiros e autocompaixão: “ai, que luta, tenho adolescentes em casa...” e em seguida se ouve um coral: “coitada...” Pena que essas pessoas não conseguiram ainda alcançar toda beleza desta etapa da vida humana! Quantas perspectivas, um leque de opções, oportunidades e, sobretudo, a ocasião da descoberta de UM SENTIDO para a sua existência! “Por que vivo? Para que vivo? De onde vim? Para onde vou?” Estas perguntas nas quais todo ser humano pensa em determinadas épocas da vida se tornam mais agudas na adolescência e, então, é o momento de se descobrirem as respostas. Aqui eles esperam

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de nós, não que respondamos por eles - não querem respostas prontas, nem existem receitas - mas sim que os ajudemos a fazer sua pessoal descoberta. E como podemos ajudar? Antes de mais nada, com nosso exemplo de vida. Já se disse

uma pesquisa revelou que a família era o tema a que davam maior importância, seguido pelos estudos e amizades com propriedade que “o exemplo não é a melhor forma de educar – é a Única...” Como adultos (pai, mãe, educadores), uma vez que cada qual tenha descoberto o sentido da própria vida e do seu viver, é possível seguramente aguardar que os filhos, alunos, educandos também saberão descobrir o seu. Seremos capazes de demonstrar com o exemplo, esta convicção: sei de onde vim, o que faço e como faço, por que ajo desta ou daquela maneira, quais os meus valores, tenho coerência no meu dia a dia.

E saberemos exigir - com carinho e firmeza - os limites que o viver em família e em sociedade nos impõem. Sem queixas e lamúrias estéreis, sem cobranças indevidas, por vezes injustas, mas com esperança e alegria! Vale a pena, ao escutar um filho dizer “eu não pedi para nascer, não queria vocês como pais”, poder responder com serenidade: “nós também não escolhemos você, mas... se pudéssemos escolher, era exatamente assim o filho que escolheríamos...” e ver tudo terminar num grande abraço! E para poder agir assim, precisamos estar bem resolvidos, cientes do que queremos ensinar e tomando atitudes que correspondam... Eles esperam isso de nós e, mediante a nossa “resposta positiva”, desejam viver em família. Uma pesquisa de interesses feita pelos próprios adolescentes com um grupo de estudantes de 8ª série, 1º e 2º anos do Ensino Médio, em Colégios particulares de Niterói –RJ, em 1999, revelou que a FAMILIA era o tema a que davam maior importância, seguido pelos estudos e amizades. Bem diferente, com certeza, do que se divulga na mídia,


que faz questão de enfatizar que a busca dos interesses sexuais é o objetivo maior dos adolescentes. Importa repensar bastante e ressaltar uma grande e constante queixa deles, e refletir nas nossas atitudes pessoais: “por que, ao falar em adolescentes, as pessoas fazem questão de associar-nos a sexo e drogas ?” A mesma pesquisa, na ocasião, foi também realizada por uma Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e pela FIOCRUZ, do Rio de Janeiro, e os resultados se assemelharam à nossa. Resolvemos repetir a pesquisa em 2010 em Niterói e em Petrópolis, RJ, e os resultados quase que foram os mesmos... Jamais enfatizaremos o bastante a importância da família para todo ser humano. É na família que aprendemos a amar e a sermos amados, a confiar, a sermos cuidados, a que acreditem em nós “apesar de”, a sermos valorizados como gente... A família é, sem dúvida, o melhor lugar para se viver e para se morrer! E a Verdade... Os Adolescentes também esperam muito de nós que falemos sempre a verdade. Esperam que os incentivemos a serem rebeldes, dizendo não

aos que estimulam uma sexualidade desenfreada, ao invés de lhes mostrar o caminho do autocontrole dos impulsos sexuais por responsabilidade ou amor. Conheço tantos jovens que têm um namoro bem intencionado, que almejam chegar ao matrimônio, que sabem respeitar o próprio

os adolescentes também esperam muito de nós que falemos sempre a verdade corpo e enxergam no outro a grandeza e a dignidade que todo ser humano merece... Sinceridade, portanto! Não devemos dizer que não temos dinheiro, por exemplo, para lhes dar aquilo que nos pedem (e como pedem!) e, depois, chegar em casa anunciando a compra de um carro novo, cuja aquisição não fora comentada nem planejada em reunião de família... Embora pareça o contrário, os adolescentes esperam e desejam ter limites. Que os pais digam NÃO e PORQUÊ aos seus desejos, por exemplo, de comerem sozinhos no quarto ou na sala, uma vez que

gostam de ter a televisão e/ou computador ligados durante as refeições, fugindo de se sentarem à mesa, conversando e trocando ideias. É necessário explicar-lhes que somos seres sociáveis e que isto se aprende em casa, no convívio com os seus. E as refeições são os momentos mais propícios para exercitar a boa educação, no uso correto dos talheres, na boa postura, na própria socialização, em servir e ser servido... Para tanto, cabe aos pais – além de dar o exemplo – fugir das recriminações, queixas e comentários pessimistas dos filhos e entre si nestes momentos. Quantas úlceras, gastrites, revoltas, são evitadas quando as refeições são feitas com alegria e boas conversas! Muitas e muitas são as expectativas dos adolescentes, mas vamos – por ora - deter-nos nestas poucas, sem deixar de lembrar que é na família que exercitamos ainda a solidariedade e a paz. Delicadeza uns com os outros, renúncia do próprio egoísmo pelo bem comum (ah, como é difícil ceder!), mas com a certeza de que ao plantarmos aquilo que desejamos colher, seremos felizes à medida que fizermos felizes os que nos cercam. 29


Dr. Home >> pág. 30

Dr. Home mais de perto

M

emória acima da média: eis mais um dos pontos fortes de Dr. Home. Tão acima, que agenda é acessório. E supérfluo! Todos os seus compromissos estão muito bem guardados, obrigado. Enumera, em ordem de horário, ou alfabética, como você preferir, os nomes de todos os pacientes da semana. Mas, talvez por extrapolar na quantidade de transmissões neurais, sofre de estafa mental. Se fosse possível ilustrar, a imagem seria a de um mega


congestionamento em cada uma de suas sinapses. Chega a ser um “viciado” em ansiolítico para desligar e cessar seu frenético processo de gerar pensamentos, imagens, hipóteses…... Tem uma coisa - elementar que ocupa grande parte desse frenesi mental: o coração. Ou melhor, seu enorme e bom coração. Deseja o bem acima de tudo e não sossega enquanto não o alcança. Algumas pessoas dizem que é muito bom ouvir boas e duras verdades deste nobre coração... Roberto é um deles: Dr. Home, guardo um remorso muito grande. Meu filho e eu somos como inimigos. Quantos anos tem seu filho? Quinze. Um adolescente. Não tenho seu afeto e, muito menos, sua amizade. Amizade? E o que faz para construí-la? Procurei dar a ele a melhor educação. Educar? Para mim, educar é seduzir o coração do filho pela surpresa e pelo exemplo!

Como assim surpresa!? Simples. Todos nos surpreendemos quando fazemos algo de errado e, ao invés de ouvir uma bronca, recebemos palavras de consolo e confiança. Os jovens não são diferentes! Costumo dizer que as surpresas dão vida à criatividade do amor. Neste momento, o pai, claramente comovido, reclinou a cabeça, apoiou as duas mãos em sua fronte e, num momento de profundo silêncio interior, começou a chorar… Retirou-se abruptamente da sala e se foi. Passada uma semana, retornou ao consultório do Dr. Home, pronto para falar mais do que ouvir: - Naquela mesma noite, entrei em seu quarto. Vi, pela primeira vez, o rosto do meu filho como nunca havia visto e pude penetrar em seu mundo: “sei que está dormindo. Gostaria de dizer que estou aqui ao lado de sua cama. Não precisa acordar, somente me escute. Estou arrependido. Sempre me preocupei em te corrigir e exigir que você melhore. Quantas vezes gritei com você porque não cumpria com suas obrigações.… Me distanciei de você e você sofreu por isso.

Agora compreendo o que aconteceu naquela noite, quando, no escritório, lia o jornal e você apareceu timidamente e me interrompeu. Antes que te desse uma chance, impaciente pela interrupção, soltei um ‘o que quer desta vez?’ bem agressivo. Seu olhar marejou, você titubeou ainda na porta e, de forma determinada, correu e me abraçou, ao mesmo tempo em que chorava compulsivamente. Sem me dar oportunidade de falar, saiu correndo e foi dormir…” Após ouvir atentamente seu paciente, Dr. Home concluiu: - Um filho que não tem o amor incondicional prefere odiar a ter que conviver com seus pais. Agora vai…. Empenha-te em ganhar teu filho um pouco por dia. Do contrário, um dia sentirá o temor de ter fracassado no que mais valia a pena. Os filhos preferem ouvir que seus pais não estão nem aí para eles a ter de conviver com a incerteza. - Mas... - Uma última coisa, meu caro! Interrompeu Home. O carinho e a atenção de um pai curam muitas preocupações e ansiedades. Pense nisto!


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vezes corremos. Ficamos parados.

Trabalhamos, estudamos. Esforçamo-nos. Desistimos.

O que você faz que é tão importante? Ou por que é tão importante?

Olhamos pela janela. Procuramos as estrelas, a lua, o pôr-do-sol, as pessoas. Não procuramos nada. Não vemos ninguém. Vemos tudo.

Conversamos com alguém. Dizemos sim. Dizemos não. Brigamos. Pedimos desculpas. Perdoamos. Amamos.

Todos os dias nós acordamos e simplesmente começamos a fazer coisas.

Tomamos chuva. Choramos. Ficamos doentes. Sorrimos. Confiamos em alguém.

á uma frase de um filme que diz “o que fazemos na vida ecoa pela eternidade.”

Tomamos café. Pegamos um ônibus. Dirigimos até o trabalho. Sentamos numa cadeira, numa escada, numa poltrona. Ficamos em pé. Andamos ao lado de outros. Às

Vamos ao hospital. Vamos a um velório. Vamos ao “happy hour”. Fazemos visitas. Deixamos os outros esperando. Compramos presentes. E chocolates.

Tentamos mais um milhão de vezes. Perdemo-nos. Encontramos o que perdemos. Voltamos atrás. Vamos em frente. Esperamos. Fazemos muitas coisas. Vivemos muitos momentos e muitas horas. Tudo isso porque buscamos a felicidade.


A felicidade interminável. Queremos que nossas vidas fiquem gravadas de alguma forma. Que não sejamos esquecidos. Que fiquemos para sempre. Assim, queremos que algo aconteça. Algo que seja excitante. Que nos desafie. Para darmos o melhor de nós e deixarmos nem que seja um só momento marcado. Você já se perguntou se somos nós que fazemos os momentos em nossas vidas ou se são os momentos da nossa vida que nos fazem? Nesse momento há 6 bilhões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo. Todas elas vivem pensando qual a melhor maneira ou o melhor momento de fazer as coisas. Nós escolhemos coisas e momentos. Depois, fazemos parte deles. Porque trazem consequências para nós e para as pessoas envolvidas. Que nos afastam ou aproximam dos nossos sonhos. Vemos em tudo o que acontece uma oportunidade de fazer mais. Mas de vez em quando, parece que não conseguimos fazer nem o que deveríamos. Parece que ainda falta alguma coisa. Aí ficamos esperando que tudo comece de novo... Esperando sermos outra pessoa.

Pelo que estamos esperando? No agora escolhemos. E o agora é muitas vezes. Isso nos coloca numa encruzilhada. Isso nos assusta. É o desafio pelo qual esperávamos. E é dele que fugimos. O agora projeta o futuro. Talvez até o decida. Sabemos disso e ficamos com medo, confusos, porque não temos um mapa. Ficamos parados e não fazemos nada porque talvez o que fizemos foi algo ruim.

Você já se perguntou se somos nós que fazemos os momentos em nossas vidas ou se são os momentos da nossa vida que nos fazem?

Tragédias acontecem. O que nós vamos fazer, desistir? Ou o que nós não vamos fazer? Porque o jeito de não fazer algo também importa. Só temos o agora e não podemos fugir dele. Mesmo que o medo nos afogue. E nós todos temos medo. Mas também temos uma vida só... Uma chance... E a escolha é nossa.

Nunca esquecemos que queremos a felicidade. A felicidade não nos dá medo. Isso nunca falta porque a guardamos no nosso coração. E nele não há nada que nos cause medo. Temos uma vida só... Uma chance... E a escolha é nossa. Nosso coração também é nosso. E nós só temos um. E é só o que podemos dar. É só o que podemos colocar em tudo o que fazemos. Se não for assim, nada será suficiente para nós. O momento excitante e desafiador que esperamos não será o bastante. E não faremos o melhor que é possível. Vive de amor e vencerá sempre, já dizia Aslam em Nárnia. Se há amor, não há coisas pequenas; tudo é grande. Tudo é suficiente. A felicidade se coloca então dentro de nós. Bem forte e presa ao coração. Fica tão próxima que podemos tocá-la e segurar firme para que não escape. Para que seja para sempre, em qualquer pessoa, lugar e momento. Ou para que seja naquela pessoa, naquele lugar e naquele momento que nós escolhemos. Que só nós pudemos amar e viver naquele instante. Por fim, no coração é que ecoamos para sempre. 33


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DEVAGAR, PORQUE ESTOU

PRESSA. Por Valdir Reginato


V

ivemos em um mundo à velocidade da luz! Controle remoto, computadores cada vez mais velozes, celulares... Tudo na velocidade do pensamento! Isto acarreta consequências, evidentemente. As crianças estão nascendo e participando de uma realidade em que nada se espera, tudo se deseja na hora. Os adultos desaprenderam a pensar antes de realizar. Fazem ligações, sem qualquer urgência, na hora do almoço, até internacionais, esquecendo-se do fuso horário, enquanto o outro está ainda dormindo. A palavra de ordem é o imediatismo, “tudo para ontem”, ou como falou alguém: cobrar antes do pedido, querer a resposta antes de perguntar, irritar-se pelo que ainda não sabe se vai acontecer. Paradoxalmente se assiste a um cenário social onde as filas crescem para tudo. Fila no restaurante, fila para o cafezinho, fila para o cinema, fila no cartório, fila no banco, fila para entrada do teatro, fila no aeroporto para embarcar, fila de ônibus, fila de congestionamento, fila para se divertir, fila para pagar (!) e fila... Para entrar na fila. Um choque com a velocidade anterior que provoca maior inquietação, irritabilidade e atrito entre as pessoas. Mas a dimensão da velocidade dos tempos não se esgota entre a rapidez dos celulares e o congestionamento na serra

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para o litoral. Hoje se deseja alcançar o máximo no mínimo de tempo e de esforço. Entrar mais precoce na faculdade. Formar-se mais cedo para ganhar antecipadamente. Conhecer o máximo que puder antes dos outros. Falar mais línguas. Ser mais rico e mais depressa. Ganhar o primeiro milhão antes dos quarenta (ou dos trinta)! Uma

pressa e para onde? Recordome de um amigo que dentro do carro dizia ao motorista: Devagar, porque estou com pressa. Esta frase, aparentemente sem sentido, expressa uma sabedoria daqueles que têm segurança do que querem e para onde estão se dirigindo. Devagar, porque estou com pressa.

A própria natureza já está envolvida. As frutas têm que crescer mais depressa e ficarem maiores (e mais saborosas?). Os animais têm que crescer e engordar mais rápido (e mais apetitosos?). Os cursos de rios são alterados, o desmatamento acelerado, porque é preciso “avançar”!

O que se referia o meu amigo ao “devagar” não está vinculado a não fazer, a perder tempo, a distrair-se com outras coisas, ou muito menos ser preguiçoso. Devagar, porque há necessidade de conhecermos a velocidade adequada para cada circunstância, e com ela atingirmos o desejado, no tempo certo. A velocidade exagerada, ao invés de antecipar pode provocar acidentes de percurso que não permitirão se alcançar a meta, ou atrasarão bastante a chegada. Devagar significa um tempo para cada acontecimento, conforme as suas necessidades. Não se pode colher espigas à noite de um grão de milho plantado pela manhã. Não se pode exercer uma profissão antes de aprendê-la. Não se pode casar antes de se conhecer bem o seu namorado(a). Não se educa a um filho sem se preparar. Não se pode sair sem saber por onde vai e aonde quer chegar.

Tudo isto nos coloca uma pergunta: - Por que tanta

Parece um conjunto de coisas óbvias, mas, infelizmente, não

devagar significa um tempo para cada acontecimento, conforme as suas necessidades. Não se pode colher espigas à noite de um grão de milho plantado pela manhã competitividade absurda, que atropela o tempo.


é o óbvio o que constata no “senso comum”, que diverge, frequentemente, do “bom senso”. As crianças são soltas pela vida a tornarem-se “adultas” cada vez mais precocemente. E depois os pais se assustam com a rebeldia, falta de diálogo e... Gravidez! Os adolescentes são cobrados para se tornarem autônomos mais cedo, no entanto, estão assumindo compromissos cada vez mais tarde, por medo, insegurança, falta de objetivos claros. Os adultos querem viver cada vez mais tempo, independentes, saudáveis, e, para isso, seus parentes idosos estão cada vez mais abandonados. Os sexagenários sadios correm para aproveitar o máximo do que resta, e não estão pensando no que vem depois... Não se pensa para fazer! Parece que pensar é perda de tempo.

uma se rompe, coloca em risco todas as outras. Para a paciência se exige o crescimento nas virtudes da prudência, da fortaleza, da temperança e da justiça. Mas ao lado destas há de se mencionar uma incomparável: a caridade. Não se pode alcançar a paciência sem o firme desejo de se buscar estas outras.

Este cenário demonstra a falta de uma qualidade fundamental para os tempos de hoje: PACIÊNCIA. Parece se ter esquecido o seu significado pela falta do uso e, por isso, recordo: “virtude de saber esperar com calma, de suportar problemas sem reclamar, sem se revoltar ou se irritar. Qualidade ou comportamento de quem não desiste nem desanima” (Dicionário Caldas Aulete).

Voltamos ao meu amigo: Devagar porque estou com pressa. Devagar é o significado da paciência. É o que leva a nos comportarmos com calma, mesmo na presença de problemas inesperados, mantendo o sorriso, a alegria e a esperança. Sem desânimo. Devagar significa a paciência de se caminhar sem pressa e sem pausa. Um lema bastante conhecido. Sem pressa porque tudo tem o seu tempo para acontecer, sem pausa, porque não desperdiçamos o tesouro do tempo que temos em mãos. Significa que a paciência nos permite esta tranquilidade que acalma por sabermos que

A paciência, como todas as demais virtudes, não anda sozinha. Na verdade, as virtudes formam um grande colar em que as argolinhas devem estar juntas. Quando

A paciência deve ser compreendida na sua operacionalidade e não na sua teoria. É mediante a paciência que se consegue pensar antes de agir. Controlar-se antes de discutir. Esperar sem se irritar. Ceder o lugar sem se considerar trapaceado ou injustiçado. Oferecer a quem mais precisa o que não me fará tanta falta. É entregar muitas vezes o que mais custa por amor a alguém...

estamos fazendo aquilo que devemos, no tempo necessário. Em todos os momentos do dia, em todas as etapas da vida esta virtude está presente. Desde o despertar pela manhã até o deitar-se, recorremos à paciência inúmeras vezes. Em função da paciência não nos irritamos com os filhos que demoram para sair da cama na manhã chuvosa. Não nos aborrecemos com a falta da roupa reservada para a reunião importante de trabalho e que foi esquecida no tintureiro. A paciência segura os brados de irritação pelo trânsito congestionado. Controla a impulsividade de brigar com o adolescente que chega de madrugada sem dar satisfação. Favorece o sorriso à impertinência da sogra na visita de fim de semana. Não entristece pela chuva torrencial no dia do passei ao sítio. Silencia a língua às reclamações repetidas e conhecidas do cônjuge. “-Haja paciência de Jó!”. Esta conhecida expressão procede de uma história bíblica, na qual o personagem Jó é um rico proprietário, de família feliz, que perde absolutamente tudo, e recebe uma grave doença, em curto intervalo de tempo e sem causa aparente. Permanece, pacientemente, com sua fé e esperança em Deus que, diante de sua humilde perseverança, restabelece todos os seus bens, após grave provação. Este relato não deixa de ser fato real 39


em nossas vidas, ainda que não na proporção do verdadeiro Jó. Ajuda-nos, porém, a refletir em como atuamos diante das adversidades da vida, quando não nos valemos da virtude da paciência. Algumas sugestões podem nos auxiliar a exercer esta virtude no cotidiano familiar, em benefício não só de quem a pratica, mas, principalmente, daqueles que recebem a ação consequente desta maneira de agir. A primeira atitude a ser tomada é uma reflexão sobre o autoconhecimento. Precisamos conhecer nossas características e nossos limites. Como diz a gíria: pavio curto ou longo? Reconhecer isto é fundamental para que possamos incentivar a prática da paciência. A segunda etapa é saber que a paciência precisa estar de “plantão” para os imprevistos, assim como o corpo de bombeiros, que pode ser chamado a qualquer hora do dia. Valendo-se desse exemplo, a paciência precisa estar em treinamento permanente, com o equipamento em ordem. Sugerimos aos pais um “pit stop” antes de entrar em casa, ou de determinadas atividades do lar. O “pit stop” é uma breve parada nas corridas, em que rapidamente se trocam os pneus e coloca-se gasolina para que o carro tenha novamente condições de continuar. Desta forma, antes 40

de entrar em casa, prepararemo-nos para o que lá, atrás da porta, poderemos encontrar. Restabelecemos as condições físicas e psicológicas e nos conscientizamos de que vamos entrar em um novo campo de atividades. O exercício frequente favorecerá a paciência quando o carro quebra na viagem, o vaso

precisamos conhecer nossas características e nossos limites. Como diz a gíria: pavio curto ou longo? Reconhecer isto é fundamental para que possamos incentivar a prática da paciência espatifa na sala, o corte aparece na testa do filho durante o futebol, chega a TPM da filha adolescente... Por outro lado, a paciência deve ser sempre lembrada para circunstâncias já previamente conhecidas e que exigirão sua presença inquestionável. Situações como esperar a esposa e as filhas se arrumarem para festa de casamento. Acreditar, com

convicção, que o filho que começou o ano com grande dificuldade na matemática poderá melhorar com a sua ajuda. Esperar com alegria na sala de parto por mais um filho que está para nascer. Conviver com um chefe explosivo no ambiente de trabalho, sem pedir as contas. Confortar com carinho a um parente que se encontra na despedida da vida... Discutir um assunto delicado. Para este, a paciência ajuda a escolher a hora e local mais apropriados, assim como a forma de dizer, já que o conteúdo não será agradável. A vida exige paciência. Vivese melhor quando se introduz a prática desta virtude em todas as suas etapas. Saber que não poderemos conhecer o mundo todo não afasta a vontade de viajar; saber que não poderemos realizar tudo que nossa imaginação alcança não nos impede de sonhar; a consciência de que nem sempre ganharemos não nos impede de lutar com garra. A certeza de que uma vida parece pouco para fazer tudo que queremos para sermos felizes não nos impede de manter a esperança de alcançar a felicidade. A paciência é condição para amar a vida, e o amor fortalece a paciência em saber viver. Você, que chegou a término deste texto, já exerceu a paciência para “ouvir-me”, o que agradeço. Passe agora a praticá-la junto à família.


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viagem e cultura >> pรกg. 42


Bariloche, Villa La Angostura e San Martin de los Andes, três destinos para curtir a neve na Argentina

Texto e fotos: Família Muller

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esta época do ano muitos brasileiros começam a buscar pacotes que levam à “Terra de nossos Hermanos”. O destino mais procurado pelos turistas para desfrutar do inverno na neve é a cidade de São Carlos de Bariloche, ou, simplesmente, Bariloche. Mas o melhor mesmo é esticar a viagem a outros destinos próximos, que recebem menor quantidade de turistas e agradam bastante as famílias que viajam com crianças. Bariloche não é mais aquela cidadezinha alpina, pequena e graciosa de anos atrás. A cidade cresceu, um tanto desorganizadamente e hoje possui por volta de 180 mil habitantes. No entanto, a natureza que a rodeia continua simplesmente maravilhosa! O Centro Cívico, com edifícios em estilo medieval em torno de uma praça, é o principal ponto turístico urbano. É

também o local preferido pelos turistas para tirar a famosa foto com os cães da raça São Bernardo.

deslizar pelas pistas (são mais de 3.000 m de pistas), a bordo dos skibunda. Cerro Catedral

Circuito Chico Um dos roteiros turísticos mais tradicionais em Bariloche, o Circuito Chico inclui no percurso os principais mirantes do Parque Nahuel Huapi. Se estiver de carro, você poderá fazer todo o circuito no “seu tempo”, o que é muito mais gostoso, no entanto, mesmo se não estiver com veículo próprio, não deixe de realizar o passeio contratando uma das excursões oferecidas pelas agências locais. As vistas são imperdíveis! Piedras Blancas (www. piedrasblancasbariloche.com) Este centro invernal reúne atividades para o seu primeiro contato com a neve. Se a intenção é aprender a esquiar, o local possui pista para esquiadores iniciantes, mas se a intenção é se divertir com a família, o melhor é

O Cerro Catedral é um passeio imperdível. Turistas que não pretendem esquiar podem subir e descer do cume a bordo de bondinhos ou de cadeiras (teleférico), pagando um preço diferenciado. A vista do cume é impressionante! O Centro de Esqui é enorme, a maior área de esqui na América do Sul, possui uma ótima infraestrutura com muitos cafés e restaurantes para um passeio de dia inteiro. São 38 meios de elevação que levam a mais de 120 km de pistas de todos os níveis, para iniciantes, intermediários e experts, com boa neve desde o início de junho a meados de Outubro. A menos de uma hora de carro de Bariloche está Villa la Angostura, uma bela cidadezinha de montanha, dona de uma natureza encantadora e muito bem conservada. A cidade fica ao sul da Província de Neuquén, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi. Para as famílias é muito mais agradável ficar por


aqui e deixar para hospedar-se em Bariloche apenas nos dias de chegada e saída do Brasil. Um dos maiores atrativos naturais da cidade é o Parque Nacional Arrayanes. Localizado às margens do lago Nahuel Huapi, oferece caminhadas fáceis, que partem do Puerto Angostura e levam a mirantes com vistas belíssimas das montanhas que circundam o lago. Navegar pelo lago Nahuel Huapi é outra das atividades turísticas que não pode faltar. O 44

barco segue pelo lago até aportar no bosque. Dizem que foi no Bosque de los Arrayanes, que Walt Disney se inspirou para criar o cenário do filme Bambi. Um lugar muito especial! A agência Quetrihue Viajes e Turismo (www.quetrihueviajesyturismo.com) organiza esse passeio a bordo do Catamarán Futaleufu e a outros pontos turísticos da cidade. Esqui, canopy e quadriciclo no Cerro Bayo

Super indicado para iniciantes e famílias, o Cerro Bayo é uma montanha pequena, com ótimas pistas e meios de elevação. É muito fácil “se achar” no mapa do Cerro Bayo. Para quem já domina a prática do esqui ou snowboard há pistas que vão das intermediárias às mais radicais e fora de pista. Aulas de esqui, ou snowboard, não devem faltar na sua programação. Para aqueles que não pretendem esquiar, o Cerro Bayo oferece, além das vistas incríveis, trenós e caminhadas de raquetes.


Localizado na base do Cerro Bayo, o canopy é uma atividade para a famíla. O circuito conta com cinco tirolesas, a proposta da atividade é a incrível sensação de voar pelo bosque com vista para as pistas de esqui do Cerro Bayo . Quem oferece é o Canopy Bariloche (www. canopybariloche.com). La Piedra Centro Recreativo (www.complejolapiedra.com. ar), também na base do Cerro Bayo, oferece variados roteiros para a prática de off-road a bordo de quadriciclos, com opções para passeios tranquilos com as crianças, ou mais radicais para quem já tem experiência. Passeio de raquetes na neve A caminhada com raquetes nos pés é de nível fácil e tem 2h30min de duração, num visual incrível que atravessa o

Cerro Mirador, da Argentina para o Chile. Atravessamos um bosque e seguimos por um "deserto de neve". Este passeio, em outras estações do ano, pode ser substituído por uma caminhada, e quem oferece é a Nómades de la Montaña (www. nomades.tur.ar).

patagônica argentina, que seduz os turistas com sua arquitetura de montanha e paisagens encantadoras. O centro abriga lojinhas de artesanato, hotéis, pousadas e restaurantes que servem o melhor da gastronomia patagônica.

Outras atividades, como cavalgar e pedalar também são muito bemvindas em Vila la Angostura. Há variados roteiros para quem pretende conhecer um pouco mais da bela região natural que envolve a cidade. Montahue Cabalgadas Av. 7 Lagos, 402  /  Taquari Snow & Bici Shop - Av. Arrayanes y Boulevar Pascotto, loc. 7

Com uma altitude de 1980m, o Cerro Chapelco é um dos principais atrativos da cidade. A montanha abriga um moderno centro de esqui com 12 meios de elevação que levam a mais de 22 pistas. Para quem inicia, a estação oferece pistas fáceis e intermediárias, já para os experts, conta com pistas difíceis e fora de pista. A temporada começa em meados de junho e segue até setembro. Nas outras estações, o Cerro Chapelco continua sendo uma boa opção para quem pretende desfrutar da natureza: oferece caminhadas, cavalgadas, mountain bike, canopy, entre outras atividades. (www.chapelco.com)

A viagem de Villa la Angostura à San Martin de Los Andes é belíssima! Se você não estiver com um carro alugado, pode contratar a viagem pela cia Albus (www.albus.com.ar). A viagem dura por volta de 3 horas e segue pelos sete lagos. San Martin de los Andes é uma charmosa cidade da cordilheira

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Caminhada em raquetes e canoa canadense A cidade é rodeada de lagos, montanhas e bosques que proporcionam a oportunidade para caminhar com raquetes sobre a neve. O exercício é excelente, mas o melhor é que com tanta beleza natural à sua volta, você nem sente o tamanho do esforço! Outra experiência diferente para as famílias é remar em canoa canadense pelos lagos. O roteiro parte e chega ao Lago Machónico, que raramente produz ondas, o que torna a remada fácil e indicada para famílias. O passeio segue para o rio Hermoso até o lago Pichi Machónico. Ambas as atividades são oferecidas pela agência Andestrack Expediciones y Turismo Aventura. (www. andestrack.com.ar) Para aproveitar mais ainda sua viagem, nossa dica é começar seu roteiro em Puerto Varas, no Chile. O aeroporto mais próximo de Puerto Varas está 46

em Puerto Montt, a cerca de 25 km. Localizada na Região de Los Lagos, Puerto Varas foi povoada por colonos alemães que influenciam ainda hoje na arquitetura, nos costumes, na gastronomia e nas tradições da cidade. O maior atrativo em Puerto Varas é o majestoso vulcão Osorno, localizado dentro do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales. É possível subir ao cume do vulcão a bordo de um teleférico. O parque abriga também o lago Todos os Santos, e o Salto de Petrohué, um conjunto de cataratas e cachoeiras formadas pelo rio de degelo. A Katarata Outdoors (www.katarataoutdoors.cl) leva o turista para ver de perto as principais quedas do salto. Uma aventura imperdível! Seguindo de Puerto Varas para Bariloche. A LS Travel ( www.lstravel.cl) em parceria com o Cruce Transandino (www.crucetrasandino.com) nos levou do Chile para a Argentina, mas não numa viagem comum. Atravessamos

a fronteira parando nos principais pontos turísticos do caminho, como por exemplo, a charmosa cidade de Frutillar. (www.frutillar.com) Dicas de hospedagem: Bariloche: Hotel Cacique Inacayal Tel (54) (2944) 433888/436666 www.hotelinacayal.com.ar Villa la Angostura: El Corazón de la Bahia - Uma ótima opção de hospedagem, especialmente para quem vai com a família. É como se você estivesse na sua própria cabana nas montanhas! Tel: (54) 02944-475239 / 475239 / 475430 www.elcorazondelabahia.com Las Lomas del Correntoso - As acomodações são muito confortáveis e espaçosas, as maiores têm dois andares, cozinha e sala de estar, com uma vista linda para o lago Nahuel Huapi. Tel: (02944) 494484 / 494361 www.lomascorrentoso.com.ar


San Martin de Los Andes: Roca Apart Hotel Oferece apartamentos confortáveis e bem equipados, inclusive com estrutura de cozinha. Bem localizado, junto ao centro, perto dos restaurantes, lojinhas e cafés. Tel: (02972) 412-333 www.apartroca.com.ar Las Golondrinas Apart Hotel Calle M. Moreno, 1170 www.apartlasgolondrinas.com.ar Puerto Varas: Solace Hotel - além do conforto das acomodações e do serviço impecável, o hotel tem ótima localização. O restaurante do Solace também é uma boa opção para experimentar a gastronomia local e internacional, você poderá degustar a culinária de diferentes culturas nos jantares temáticos que acontecem nos fins de semana.

Tel:  (56 - 65) 364100 www.solacehotel.cl Dicas de gastronomia: Villa la Angostura: Las Varas Parrilla Restaurant A  especialidade fica por conta das carnes de cordeiro, cervo e  truta na brasa. Av. Arrayanes, 235

Outra experiência diferente para as famílias é remar em canoa canadense pelos lagos Restaurante da Hosteria La Posada - ótima gastronomia preparada por um chef especializado nos pratos típicos argentinos, acompanhada de uma das mais belas vistas do Lago Nahuel Huapi.

Ruta 231 61,5km   Entre Bosque, localizado dentro do hotel Bahia Montana, é uma opção para quem quer degustar pratos rápidos.   San Martin de Los Andes: Dona Quela Restaurant Funciona dentro do prédio do hotel mais antigo de San Martin de los Andes, além da ótima comida, a decoração é também um atrativo cultural. Tel: (02972) 420670 www.interpatagonia.com/ donaquela   Posta Criolla Restaurante Experimente algumas das carnes de caça argentinas: Javali, Cervo e o famoso Choriço. Tel: (02972) 429515 Puerto Varas: Fogón "Las Buenas Brasas" Rua San Pedro 543 http://www.lbb.cl/lbb/

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entretenimento >> pรกg. 50

n , a o hora, para t r e c e m l i f O as pessoas certas

Danielle Marangon Jung Publicitรกria e fรฃ de Cinema. Fez cursos de Roteiros para Cinema e de Linguagem Cinematogrรกfica.


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uem nunca ficou decepcionado com um filme? Quem de nós nunca saiu do cinema ou desligou a TV com aquela sensação de ter perdido tempo ou até mesmo de ter sido “enganado”? Produzir um bom filme é uma arte, mas encontrar o filme certo no meio de uma verdadeira avalanche de opções também é! As ideias que seguem têm justamente o objetivo de ajudar-nos a decidir, com mais clareza e chance de acerto, quais são os filmes que merecem a nossa atenção em diferentes situações. É verdade que nessa questão pesa muito o gosto pessoal. Contudo, também é verdade que existem diversas informações objetivas sobre o filme e que podemos aprender a enxergá-las e a interpretá-las. Cada filme tem uma espécie de “caráter” próprio. E, normalmente, é possível descobrir esse caráter antes mesmo de assistir ao filme. Tal descoberta nos ajuda a acertar na escolha e a poupar tempo na vida. Afinal, um filme dura cerca de duas horas, o equivalente a uma viagem para uma acolhedora cidade vizinha, à leitura de dezenas e dezenas de páginas de um livro, a um passeio pelo parque com exercício e caminhada e por aí vai. Com isso não quero desanimar ninguém para ver filmes – o cinema é esplêndido! –, entretanto acredito que nossa experiência cinematográfica fica ainda mais fantástica se criamos uma seleção... De filmes campeões mesmo! Esse posicionamento nada mais é do que trocar quantidade por qualidade. Continuando com a ideia do caráter do filme, vamos recordar um conhecido ditado: “As aparências enganam.” Aquele que escolhe a namorada exclusivamente pela aparência tem grande chance de enganar-se, de decepcionar-se. Com os filmes ocorre algo semelhante. Desse modo, não se deve escolher um filme somente pelo pôster ou pela capa. Capas e pôsteres são produtos da publicidade. Podem até ser belíssimas obras de arte, porém nunca perderão sua primordial função que é a de atrair público. Além disso, você não escolhe remédios pela caixa nem alimentos pela embalagem. O cinema é cultura, é força e alimento para as nossas mentes. Não merece esse assunto um pouco mais de atenção da nossa parte? Feitas essas colocações, podemos partir para algumas dicas práticas de como escolher, de como captar o caráter do filme e ver se ele combina com o seu caráter, ou seja, com os seus valores, com o seu modo de vida, com a sua situação e necessidade em determinado momento.

A primeira dica é: preste atenção nas notícias e no que as pessoas andam comentando sobre cinema. Faça o exercício de gravar os nomes dos filmes e depois dê uma pesquisada, por conta própria, na internet. Com o tempo, certamente irá descobrir sites, revistas e pessoas que seguem uma linha de valores parecida com a sua na hora de escolher o filme. Assim, poderá formar uma rede de confiança para consultas.

A segunda dica é: lembre-se de que existem diferentes gêneros de filmes. E espere de cada gênero apenas o que ele pode dar. Por exemplo, se você escolhe uma comédia infantojuvenil para ver naquela tarde em que pretende refletir a fundo sobre a natureza humana, a chance de que esse filme não corresponda às suas expectativas é grande, certo? O mesmo problema ocorre se decidir assistir a um drama histórico naquela noite em que precisa descansar e descontrair. Tais filmes podem até ser excelentes dentro do gênero a que pertencem, mas serão pouco apreciados por você nas circunstâncias citadas.

A terceira dica é: considere que todos os filmes têm uma mensagem, um objetivo. Por trás dos cenários, dos atores e de tudo o que compõe o espetáculo audiovisual, existe uma mensagem que vai chegar a você de forma clara ou velada. Isso ocorre mesmo nos filmes que aparentemente são pura diversão. Em X-Men, por exemplo, vemos as aventuras de um grupo com super-poderes. Se formos um pouquinho mais além, já fica clara a mensagem: devemos respeitar as diferenças e tirar delas o melhor proveito possível. Podemos começar a cultivar esse hábito de olhar um pouquinho além e de nos questionarmos sobre a mensagem do filme a que acabamos de assistir.

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Mas a quarta dica é a mais importante: dê-se o direito de escolher livremente. Não há necessidade de ver um filme porque todos estão falando dele, não existem filmes “obrigatórios”. E isso vale até para filmes premiados. Receber um prêmio é algo relevante e digno de respeito, mas prêmio nem sempre é sinônimo de qualidade. Sabemos que vivemos em um mundo complexo e, algumas vezes, os prêmios acabam sendo conferidos mais por questões sociais, modismos e marketing do que pela qualidade cinematográfica. Sendo assim, exerça a sua liberdade. Aproveite o seu tempo com o que há de melhor, também quanto aos filmes. E para que este artigo não termine sem nenhuma dica concreta de títulos de filmes, acrescento duas sugestões.

A origem: filme de ficção e suspense muito bem produzido com roteiro diferente do convencional. Os atores são bons e a história tem bastante ação. Contudo, o espectador precisa colocar atenção para seguir o enredo, pois se perder o fio da meada, o filme vai perder boa parte da graça. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Roteiro Original, Direção de Arte, Fotografia, Trilha Sonora Original, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Especiais.

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Toy Story 3: filme de animação para toda a família se divertir, dá para rir e até para chorar. Os mais interessados poderão comparar o filme 3 com os anteriores, reparando na evolução das técnicas de animação. Os desenhos dos seres humanos, para citar algo bem visível, vão ficando mais reais e delicados durante a série. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Longa-metragem de Animação, Canção Original (“We belong together”) e Edição de Som.


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Revista Ser Familia 24 edição