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A PEDRA DA REALIDADE

2ª edição Cláudio B. Carlos (CC) poesias literatura independentchê!

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A pedra da realidade

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© 2008 by (CC) Carlos, Cláudio B.

Projeto gráfico, imagem da capa e fotografia do autor: Cínthia Casagrande

Dados para Catalogação _______________________________________ (CC) Carlos, Cláudio B. A pedra da realidade. 2ª ed. São Marcos, RS. feito em casa, 2008. 72p. Literatura brasileira – Poesias. Edição do autor _______________________________________ ® direitos reservados

Os direitos autorais da presente obra estão liberados para sua difusão, desde que sem fins comerciais e se citada a fonte. www.literaturaindependentche.blogspot.com

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A pedra da realidade 2ª edição

2008

Cláudio B. Carlos (CC) poesias

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PEDRA DA REALIDADE

PARA SONHOS DE PAPEL O PESO DA PEDRA DA REALIDADE

Restinga Seca, RS, 7/10/2002.

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Enquanto repensas as feridas o tempo as pensa...

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por achar que o SOFRER e o ETERNO não combinam MORRO às vezes

Santa Cruz do Sul, RS, 12/10/2002.

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FIGUINHO verdolengo cortado ao meio leitinho lasciva buceta

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N贸 de cachorro 茅 foda.

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PEDRA DA REALIDADE 2

Vieram uns homens esquisitos doutos senhores de lugar longínquo estudar o que sucedia souberam dos nativos que extraem leite de PEDRAS ora! onde está o fenômeno? aqui chamamos isto de

REALIDADE...

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LOUCURA PODE SER UMA PALAVRA ATIRADA NO ROSTO DE ALGUÉM... a verdade talvez

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CHUPO PORQUE SUGAR É POR DEMAIS ERUDITO TUAS TETAS PORQUE SEIOS É POR DEMAIS RESPEITOSO NA HORA DE AMAR O GOSTOSO É A FALTA DE RESPEITO ME DÁ CÁ UM PEITO QUERO MORDER O BICO MORDISCAR É POR DEMAIS FRESCO VÊ COMO CRESCE O POMPOSO PÊNIS ESQUECE A ETIQUETA AGARRA O TICO ME MOSTRA A

BUCETA

Restinga Seca, RS, 9/ 2/ 2004.

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A PAZ é um lenço branco guardado esquecido jogado dobrado em uma gaveta já amarelado...

Caxias do Sul, RS, 13/ 7/ 2004.

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Tenho um grande defeito

Quase físico Uma espécie de câncer-caroço-que-cresce-irrompe

E me faz Viver (?) assim Nesta redoma de palavras

Restinga Seca, RS, agosto de 2002.

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IMPROVÁVEL

Pra que caneta que em papel em vão lavra palavras? Mais me serviria arado enxada e terra São improváveis meus versos No chão, por mais seco, sempre um ou outro

inço...

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sobre a cama

Ê numa cama desbeiçada e guenza onde maldurmo meus sonhos libero meus sais eflúvios suores sussurro meus ais

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AMOR – SUBSTANTIVO MASCULINO

Amo amar e amar o amor O amor como substantivo concreto O amor-próprio incondicional O amor que dá e que não pede Amar o amor sem medidas ser desmedido no tão-somente bem querer sem ter porquê sem ter a quem...

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NEM MULHER

PROCURO UMA PALAVRA PARA DIZER-TE O QUE SINTO PARA DIZER-ME A QUE SINTO UMA PALAVRA QUALQUER QUE RIME COM AMOR E QUE Nテグ SEJA DOR UMA PALAVRA QUE COMBINE COM O DESATINO DA PAIXテグ E QUE Nテグ SEJA HOMEM NEM MULHER...

Restinga Seca, RS, 12/ 8/ 2002.

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PENSAR EU Nテグ

NA VIDA

PENSO

ACASO PENSA ELA EM MIM?

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SUGAR TEU SEIO QUEM ME DERA NAS HORAS PESADAS EM QUE A TARDE QUASE PÁRA

FICA O VAZIO: SAUDADE QUE MEU PEITO ENCERRA

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O ABAPORU

abaporu

Fizeste-me por pura maldade Sabendo-me fraco ordenou jejum Quebrei Castigou-me então com a fome Resignei-me

Pior do que a própria morte é o soro da resignação Riu-se de mim Havia finalmente completado sua

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obra


toque indelével de leve leve meu corpo cabeça coração

vida

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O ESTRANHO

Restinga Seca, RS, fevereiro de 2002.

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INÚTIL

OS DIAS PASSAM INÚTEIS MANHÃS TARDES E NOITES INÚTEIS O CHIMARRÃO INÚTIL PLACEBO AS LONGAS CONVERSAS INÚTEIS QUE NÃO LEVAM A LUGAR INÚTIL NENHUM...

Restinga Seca, RS, 15/ 4/ 2002. 24


BICHO-HOMEM

BICHO-Cテグ

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SOBRE O POUCO E SOBRE O MUITO

Pouco Muito

é todo o tempo que ficamos juntos

é o tempo que esperamos para ficarmos juntos mesmo que seja

pouco

Para Cínthia Casagrande

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DAS MÃOS DO INDIVÍDUO

Não existe lustre melhor pro cabo da enxada do que o suor das mãos do indivíduo...

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Nesta terra tudo plantamos: de milho a sonhos...

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DO GOZO DO ALGOZ

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O VAGO LUME O vago lume da brasa a vagar por entre os dedos sou nada profundo na vaga que ouso na vida s贸 sentado no cepo vagueio na noite pito sem sono mateio o pr贸prio zumbi mas ao alvor estarei pronto: Tropearei o negrume das minhas noites com os olhos rasos de ontens... Restinga Seca, RS, 15/ 4/ 2002. 30


ELEMENTO

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DO QUE TEMPERA O VIVER

A vida tem dias que é salgada tem dias que é insossa O difícil é ter nas mãos a medida certa

do que tempera o viver

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TuDo É pOeSiA mEnOs A pOeSiA qUe EsCrEvO...

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aprendi

terra

a respeitar a quando dei-me por conta de que sou à mercê de um

sopro...

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NINGUÉM/ALGUÉM

No meio de tantos ninguéns alguém Ninguéns são iguais alguéns não

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PALAVRA A PÁ LAVRA PALAVORA PALAVOURA PALAVRÁVEL PALAVRADOR PALAVRADIO PALAVRAR PALAVRATURA PALAVRADURA

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O DESCOBRIMENTO DO CARNAVAL

aqui as mulheres dançam danças sensuais

com os pudores à mostra que terra é esta? chama-se Brasil e o que dançam é carnaval...

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a mesa ĂŠ de

fĂŞmea

pernas abertas eu como nela

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Por que me fizeste vivo?

Para me ver

morrer?

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A

morte na vida ĂŠ foda

o amor literalmente

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NO EMPREGO DA PALAVRA EMPREGADO COMO CRUCIFIXO PREGADO ÀS COSTAS O SUFIXO MOSTRA-NOS A CONDIÇÃO DE ANIMAL MARCADO

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Quando

os vejo

assim escorados nas soleiras das janelas das casas de madeira (rindo) penso que talvez me preocupe

demais

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SOBRE O VAZIO:

s贸 existe porque te vais

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Para lĂ­ngua afiada: Ouvidos moucos

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A luz azul de teus olhos meninos realça o mais belo quadro que já vi: Teu sorriso emoldurado por lábios finos

Para Cínthia Casagrande

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CAGADOR

ERGO UM QUARTO UMA COZINHA UM CAGADOR VIVO DENTRO desisto SAIO NAS RUAS ME PERCO INSISTO ONDE MEUS 15 MINUTOS? ONDE A IGUALDADE? NO CAGADOR A OBRA QUE

GO

ER

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existir inexistir

perceba a fragilíssima diferença...

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Tua presença é este meu silêncio é por não falar em ti que todos sabem tu em mim...

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aqui umas bugrinhas – precocemente maternais – passam com filhos pequenos na ilharga outras com uns mais taludinhos – ranhentos – pela mão e há aquelas com um à ilharga uns pela mão e outro no ventre aqui leva-se a sério o

fodei e multiplicai-vos

Restinga Seca, RS, 8/ 12/ 2002.

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o tempo da saudade se define pela força da ausência

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corre negrinho que a raia é só um risco no chão ultrapassa vai essa linha de pobreza

Restinga Seca, RS, 10/ 12/ 2002.

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É PRECISO TATO

Pra chupar um seio ou sugar uma laranja é preciso tato

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Sou como aquelas páginas dos livros aquelas que ficam no início ou no fim

as que ficam em branco e que se não estivessem ali falta não faziam...

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AMOR Nテグ EXISTE テゥ sテウ uma palavra do avesso disfarテァada Roma?

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quando a palavra incomoda é verdade quando dói: poesia quando fácil é bobagem...

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O sol enluarava a tarde os arbustos meio murchos ensaiavam um ballet para quando o vento viesse e ele nĂŁo vinha era

1Âş de janeiro de 2003...

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tempo contemporizar templo contemplar

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tento de ajoujo canto de aboio vida de gado...

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Professora severa imp么s-me tua aus锚ncia para ensinar-me saudade

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ilusão desilusão

Entre o iludir-se e o desiludir-se enfiam-se três letrinhas (início de deslize)

já em letrinhas está o final de entrelinhas percebes?

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DO TEMPO INFINITO E BREVE

O tempo infinito e breve de um beijo de amor infinito pois que mora na mem贸ria breve por ser sempre pouco aquilo que mais gostamos...

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DO ÉDEN?

NÃO COMO NUNCA DA MAÇÃ:

SINTO VERGONHAS

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OS 4 EFES

ACASO ACHAS QUE EU Nテグ SEI QUE FEDO QUE FODO QUE FINJO QUE FUJO?

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O NOME DA PEDRA

A pedra no sapato me tira o sono: se chama consciĂŞncia

Restinga Seca, RS, 13/ 6/ 2002.

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Figo rachado Fica Ăšmida...

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Borboleta pousada no pau fĂŞmea...

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A Vida ĂŠ um desencontrar de vidas...

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POEMINHA INOCENTE

Não me caibo semente germino (na) umidade quente (de) tua gruta broto sou talo com um olho à testa e à frente te vasculho e no fundo bem lá no fundo me planto jorro sou porra te fecundo eu falo tu

buceta 70


Cláudio B. Carlos (CC) é poeta e prosador, nascido em 22 de janeiro de 1971, em São Sepé, RS. Obras publicadas: Um arado rasgando a carne (narrativas, 2005). O aprendiz de poeta (infantil, 2005). A pedra da realidade (poesias, 2006). temporais atemporais tempo temporão (poesias, 2006). Liberdade vigiada & outros pequenos poemas que gritam... (poesias, 2006). livro cinza (poesias, 2006 – em parceria com Douglas da Cunha Dias e Celso Boaventura). O uniforme (narrativas, 2007). O desnascer do nada (poesias, 2008). O espelho de Narciso (poesias, 2008). O não-verbal (poesias, 2008). Desde setembro de 2005 publica na Internet: www.balaiodeletras.blogspot.com. É colunista do site Simplicíssimo (www.simplicissimo.com.br).

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feito em casa by CC

www.livrosdocc.blogspot.com

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A pedra da realidade