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COM A PALAVRA Célia Labanca

Frida Kahlo

N

Isadora Ducan

Rachel de Queiroz

PARABÉNS, MULHERES!

ão sei por quantas vezes me encontro boquiaberta com a minha própria loucura. Não sei! E elas não são poucas. Também não sei se alguém tem este tipo de surpresa. O encontro íntimo com nós mesmos por vezes são dolorosos porque vêm do âmago. - Daquele lugar que quase nunca, ou nunca, frequentamos. Mas, podem ser também muito prazerosos. Os meus, numa contabilidade possível e ligeira, tem um desequilíbrio grande na zona de prazer. Também, porque sou uma mulher que de posse de sua coragem fez tudo que podia fazer na vida. E fiz intensamente. Nunca fui expectadora, ou coautora dela. Afinal, ela é a minha vida, não é? Tenho compromissos comigo e com ela. Assim é que me aborreço, e não entendo nada do que o sistema machista, capitalista, consumista, superficial, moralista e autoritário nos impõe. Não gosto por exemplo, de dias marcados para comemorações, não gosto das formalidades institucionais, nem das obediências descabidas. Menos ainda, de dar importância ao que só tem valor para coisas que não têm fisionomia, ou por convenção. Portanto, e por isto, apesar do mês de março homenagear as mulheres, também não gosto. Mulher é para

Lotta de Macedo

Chiquinha Gonzaga

ser homenageada todos os dias, de todos os meses e anos, sem que ninguém determine. Simples assim. Apenas homenageadas. Mesmo que as justificativas, ou os motivos sejam vazios ou gelatinosos, e artificiais. Afinal sempre fomos as maiores protagonistas, em algumas ocasiões, transparentes, das maiores mudanças de comportamento desde todos os tempos, e aqui podemos citar desde Joana D'Arc, a Chiquinha Gonzaga, Isadora Ducan, Frida Kahlo, Nísia Floresta, Maria Bonita, Xica da Silva, Anne Fischer, Amelia Earhart, Maria da Penha, Nize da Silveira, Rachel de Queiroz, Dandara, Tarsila do Amaral, Leila Diniz, Roberta Close, Anita Garibaldi, Lotta de Macedo; e, quantas outras? Muitas, muitas, muitas. Incluindo-se entre elas as de Tejucupapo, e todas as demais, principalmente as anônimas. Naturalmente que não sou contra os registros de uma luta bela e incansável duelada pelo movimento feminista, e que merece reconhecimento. Claro! Numa sociedade machista, economicista, e arrogante como a nossa, sem a luta das mulheres conscientes, e aqui eu me incluo, ainda não teríamos superado a desesperança de habitantes de menos bravura, que nos infligiram, nos porões

Leila Diniz

do sistema de frequência vibracional baixíssimo e dominado pelo poder, e pelo poder masculino, que está transformando o planeta no lixo das galáxias. Batalhar contra as dificuldades e dores existências, contra os afazeres obrigatórios do cotidiano, contra os salários aviltados, os companheiros que na sua maioria deixam a desejar, a responsabilidade ferrenha da criação e educação dos filhos, são entre outras tarefas hercúleas, as que só a mulher pode cumprir. E determinamlhe um dia apenas para homenageá-la? Sei não! Acho suspeito. Como, aliás, são suspeitas todas as atitudes dos desgovernos desse país, sempre em detrimento das minorias, ou da maioria de miseráveis; da população de indigentes econômicos e intelectuais, sem em nenhuma hora pensar em equidade, em diversidade, que são carências reais. Para mim, para que esse sistema tão perverso faça as pazes com a mulher e com a sua história, é necessário o reconhecimento sim; o respeito de gente sensata, a desconstrução da teia de desproteção, e a instituição da igualdade em tudo entre os e as que fazem essa nação. Mesmo assim, parabéns para todas nós.

Tarsila do Amaral

Amelia Earhart

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Revista Terra - edição 45  

Estamos confiantes e fortalecidos que o país olha para frente otimista diante dos próximos desafios que temos: ano de eleição e claro, uma C...

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