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Foto: Rogério Alves 423

autoestima deles fica em outro lugar. Temos com isso milhares de exemplos e histórias lindas aqui a contar, e isso hoje pra mim é mais importante do que as minhas obras artísticas porque eu consegui fazer uma coisa que é muito difícil e que ao mesmo tempo foi muito prazerosa”, enfatiza. Não obstante, transformou a vida de milhares de jovens pernambucanos, inclusive no último ano de atividades quando atendeu mais de 700 jovens de vários bairros do Grande Recife numa parceria com o Governo do Estado. E alguns dos maiores destaques desta investida estão morando há anos na Europa como os bailarinos Gustavo Oliveira (Itália), ex-membro da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo de Lisboa e premiado em 2017 com o Prémio de Melhor

Intérprete Contemporâneo, em Roma, e Carlos Ferreira da Silva (França), que integra hoje o Ballet Preljocaj. Por isso, Mônica carrega pra si a responsabilidade de fazer uma construção e movimentar a cena artística como forma de resistência política e social em um cenário em que o caos não gera beleza, criatividade ou soluções para uma cadeia rica em um estado pautado pela economia criativa. E, desta forma, a dança é mais do que uma expressão artística no Brasil e no mundo. Com o desejo de realizar diversas ações na dança, uma semente está florescendo na forma de um novo espetáculo que Mônica está desenvolvendo para o Experimental: “O corpo desse lugar... Dança?”, título provisório deste trabalho em pesquisa a ser lançado

possivelmente este ano. E segundo sua idealizadora está relacionado ao corpo artístico, mas também ao corpo no chão do ser humano, que mora em Recife, esses seres visíveis e invisíveis ao nosso redor. “Nós vamos falar das palafitas e da relação de quem mora ainda em pleno século XXI em cima de um mangue e que o governo não faz nada. Pessoas sem nada. E desses corpos invisíveis que estão nas ruas, desses pedintes, que a gente passa e muitas vezes nem olha ou ajuda. E eu sinto que o artista nesta relação está um pouco neste lugar, só não passa fome ou está na rua. Mas a gente tem essa discriminação social, que é quase a mesma que um pobre, um indigente tem. De outra maneira. A gente incomoda, do mesmo jeito que um pobre incomoda, que às vezes você desvia para não passar do lado de uma

pessoa com medo, o artista também. Então, eu vou falar um pouco como é que a gente pode sobreviver. E vai ser um trabalho bem forte”, reforça. Focando-se ao fortalecimento artístico, cultural e político e da dança, Mônica Lira mostra assim suas várias facetas através do seu Experimental e as diversas vertentes das artes pelo estado, pelo país e pelo mundo em espetáculos – como Lúmen (2002), Conceição (2007), Breguetu (2015) e Pontilhados (2016) – e a necessidade do homem de gerar algo mais apenas através dos movimentos do corpo.

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Revista Terra - edição 45  

Estamos confiantes e fortalecidos que o país olha para frente otimista diante dos próximos desafios que temos: ano de eleição e claro, uma C...

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