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TRANSITANDO Fortaleza-CE, 03 de Junho de 2014

Apenas mais um dia de trânsito caótico em Fortaleza

Cenas do cotidiano nas ruas da cidade de Fortaleza

A cidade de Fortaleza teve um aumento em sua frota de carros de 89,7% em dez anos no período, entre 2001 e 2011, o que ajudou sobremaneira para se tornar crônico um de seus maiores problemas atuais, a dificu dade de mobilidade urbana na cidade. Problema este que juntamente com a violência crescente, saúde precária e educação, são apontados como os principais pontos que precisam ser resolvidos urgentemente. Em relação a questão da mobilidade urbana diversos pontos são levantados como elementos responsáveis, tais como a insuficiências de vias para um melhor fluxo de veículos, a qualidade do transporte urbano oferecido pelo Estado, a falta de alternativas como metrô, veículos leves sobre trilhos (VLT), a insuficiência ou inexistência de ciclovias e de faixas exclusivas para os usuários de bicicletas. São vários os fatores e poucas as soluções, o fato é que a população cresceu de forma exponencial neste mesmo período e a cidade se manteve como era há dez anos atrás, não preparada para abrigas seus dois milhões de habitantes.

NESTA EDIÇÃO Por que afinal é tão complicado o problema da mobilidade urbana?

EXPEDIENTE

REPORTAGENS, FOTOGRAFIAS, PROJETO GRÁFICO E REVISÃ:

ANDREIA NUNES LUIZ CLAUDIO RODRIGO CAVALCANTE

O que poderia ser feito? O que as pessoas pensam a respeito?

Quem não vai de coletivo vai de que?


EDITORIAL Mobilidade Urbana na cidade de Fortaleza é um tema que vem sendo debatido constantemente, a difícil acessibilidade na capital vem gerando a população um desgaste diário em sua rotina na hora de enfrentar um engarrafamento ao ir ao trabalho, na hora de esperar um ônibus para ir a faculdade... Enfim, sair de casa hoje é sinônimo de estresse. Podemos dizer que, esse problema de acessibilidade se deve ao crescimento constante de Fortaleza, sendo a quinta maior cidade do Brasil, com mais de 2,4 milhões de habitantes, só na última década o numero de veículos cresceu 74,23%. A região metropolitana soma mais de 3,2 milhões de habitantes e suas cidades tiveram a frota duplicada em 216,46%. Uma cidade que vive em constante crescimento populacional deve está junto trabalhando a sua infraestrutura, no caso, de acordo com as palavras do presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia, Sinaenco-CE, uma das entidades signatárias do Termo de Cooperação Técnica do Programa de Desenvolvimento Regional, Arthur Oliveira Costa Sousa, afirma que a infraestrutura da cidade não acompanhou este crescimento. Os problemas de mobilidade se acumularam e hoje, sendo uma das cidades a sediar alguns jogos da copa do mundo, tenta a “passos de tartarugas” mudar esse conceito do transito de Fortaleza investindo em obras sejam elas duplicando ou construindo novas vias. Mas, apenas isso resolveria todo o problema?


OPINIÕES

Andréia Nunes, estudante de Jornalismo Foi interessante tentar entender o caos que esta cidade se tornou por conta do trânsito cada vez mais intransitável, parar um instante respirar fundo e seguir em frente. Acredito que esta experiência foi gratificante e sem dúvidas de elevado grau de importância para um melhor entendimento do ser humano.

Rodrigo Cavalcante, estudante de Jornalismo “A cidade não para, a cidade só cresce”, durante a realização deste projeto não tive como não me lembrar desta música do Chico Science, incrível como ela se mostra atual, atual como toda a problemática que envolve a busca de se entender o por de tamanho caos na cidade de Fortaleza por conta da falta de planejamento. E mais ainda na busca por soluções viáveis e não apenas mais um paliativo.

Realmente chegou-se aonde se chegou por pura falta de planejamento urbano, creio ser esta a única resposta para se entender a cada vez mais complicada atividade de se locomover por uma cidade que não é tão grande assim, apesar da população ser a cada dos dois milhões de habitantes. Creio que se houve realmente vontade política, planejamento e bom uso dos recursos públicos e privados, uma solução viável logo se encontrará


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Carros e mais carros Como em pouco tempo a frota de veículos cresceu tanto

Carros e motos disputando espaço no trânsito de Fortaleza

No período compreendido entre 2001 e 2011 a frota de carros na

cidade de Fortaleza teve um aumento percentual de 89,7%, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), que avaliou dez metrópoles do Brasil. Em números reais isto significa que a frota antes de 331.075 passou para 628.039. Também houve um aumento significativo em relação a quantidade de motocicletas na cidade que subiu de 64.845 para 272.955.

Pelos dados colhidos pelo DENATRAN foi possível constatar que Fortaleza possui média maior entre as demais metrópoles avaliadas, que é de 77,80%, no entanto está com media menor que a avaliação nacional que é de 90% que envolvem todas as capitais brasileiras. No ranking do número de motocicletas nas maiores cidade do Brasil, Fortaleza aparece em sétimo lugar, tendo como líder a cidade de Belém, no Estado do Para. No país são mais de

18 milhões de motocicletas – uma para cada 11 habitantes. Estudos apontam ainda que o aumento do número de carros e motocicletas nas principais cidades do país foi possível graças a fatores como o aumento da renda da população nos últimos anosreduções fiscais do Governo Federal para o aumento da compra de veículos - como a redução do Imposto sobre Produtos Indutrializados, o IPI, e ainda, a facilidade de crédito promovido por diferentes bancos brasileiros. O fato é que o número de carros não para de crescer no país e a frota brasileira conta hoje com um automóvel para cada 4,4 habitantes, segundos dados do DENATRAN. E o resultado disso tudo caso não haja uma preparação das cidades para absolver tantos veículos é mais transito lento, engarrafamentos e por tabela mais insegurança no transito das principais cidades do Brasil. E também mais carros e motocicletas disputando espaços nas ruas.


(I)MOBILIDADE URBANA A difícil arte de se mover em meio a carros, motos e congestionamentos

Não é difícil constatar que a mobilidade urbana é um dos desafios mais comuns enfrentados em todas as capitais do Brasil. Nunca foi tão complicado exercer o direito de ir e vir. Na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará não é diferente e seja a hora que for requer a maior das virtudes do ser humano, a paciência. Parece que de repente não há mais espaço para tantos carros isto porque todos eles estão ocupados, seja por carros, motocicletas ou coletivos. Um dos principais responsáveis pelos congestionamentos são os automóveis, que correspondem a 52% de toda a frota. As motocicletas aparecem em seguida com 16% da frota, seguidas pelas caminhonetes (12%) e camionetas (6%). Completando a lista vêm os coletivos, que apesar de transportarem cerca de um milhão de pessoas diariamente, representam apenas 2% da frota, segundos dados do Departamento Nacional de Transito, o DENATRAN, de 2013, onde a frota total de veículos na capital era de 987.807.

Veículos estão por todas as partes e a convivência com eles é um exercício complicado. No entanto é fato que o estimulo ao uso do transporte público é uma saída para um melhor fluxo de veículos na cidade. Não é necessário fazer esforço para observar que há mais veículos que coletivos. Assim quanto mais pessoas utilizarem os transportes públicos e menos os carros é provável que boa parte do problema de mobilidade se resolva. Provável não garantido. O transporte coletivo é um serviço básico que desenvolve o papel social e econômico de grande relevância, posto que democratiza a mobilidade,constituindo um modo de transporte imprescindível para reduzir congestionamentos, os níveis de poluição e o uso indiscriminado de energia automotiva, além de minimizar a necessidade de construção de vias e estacionamentos.

Assim é fato que um sistema de transporte coletivo planejado representa um grande ganho social devido ao fato que aperfeiçoa o uso dos recursos públicos, possibilita investimentos em setores de maior relevância social e uma ocupação mais racional do solo urbano. Além do que o conjunto da sociedade é beneficiado pela existência do transporte coletivo, podendo assim usufruir todos os bens e serviços que a vida urbana oferece. Com o advento dos congestionamentos por veículos nas vias urbanas o poder público se ver pressionado a fazer investimentos cada vez maiores na infra-estrutura viária, em obras de reformas de ruas, construção de viadutos, túneis entre outros. É fato que por um tempo tais medidas podem solucionar por determinado tempo o problema, no entanto a frota de veículos cresce de maneira exponencial nas principais cidades brasileiras e ao longo do tempo tal problema retornará. Isto porque o espaço viário consumido pelo automóvel é de aproximadamente dez vezes mais que o ônibus, sendo assim não é necessário muito esforço para se chegar a conclusão da necessidade de investimentos na melhoria do transporte coletivo nas cidades, em particular nos ônibus e metrôs. E um transporte coletivo de qualidade é fundamental para uma melhor fluidez dos veículos nas cidades brasileiras


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COMO SE PODERIA MELHORAR O TRANSPORTE COLETIVO

Um transporte público de qualidade é vital para melhoria da qualidade de vida nas cidades. No entanto isto se torna ineficaz sem que haja a implantação de sistema de transporte coletivo que levem em consideração critérios básicos O Quesito Qualidade Relacionada a acessibilidade, tempo de viagem, confiabilidade, intervalo entre atendimentos, lotação, características dos veículos, facilidade de utilização e mobilidade. Acessibilidade Acredita-se que quanto menos o passageiro caminha, melhor é a acessibilidade do sistema de transporte público. Tempo de viagem O tempo de viagem é função da velocidade comercial dos ônibus e do traçado das linhas. A velocidade comercial depende do grau de separação do transporte público em relação ao tráfego geral, da distância média entre os pontos de parada, da condição de rolamento proporcionada pelo pavimento das vias e das condições do trânsito. Confiabilidade A confiabilidade é relacionada a pontualidade.

Frequência É determinada pelo intervalo de tempo entre passagens consecutivas dos ônibus pelos pontos de parada tem grande relevância para os passageiros que chegam aleatoriamente nos locais de embarque.A avaliação da frequência é que supra todas essas demandas. . como a eficiência, que é a capacidade do sistema de utilizar os recursos disponíveis para realizar o serviço; e a eficácia, que diz respeito ao nível de qualidade alcançado na realização destes serviços.

Lotação A avaliação do fator lotação é feita através da relação entre o número de passageiros no interior do ônibus no trecho e período crítico, sua lotação máxima e a capacidade. Facilidade de Utilização Este parâmetro envolve os seguintes aspectos: sinalização dos pontos de parada, existência de abrigo nos locais de maior demanda, divulgação de horários e distribuição de mapas simplificados dos itinerários das linhas com localização dos terminais e disponibilização de informações. Mobilidade A mobilidade é caracterizada pelo grau de facilidade de locomoção das pessoas de um ponto a outro da cidade, utilizando o transporte público. Considerando-se além do planejamento e distribuição das linhas pela cidade, aspectos relativos aos passageiros, inclusive os portadores de necessidades especiais. Percepções do Usuário Para o cidadão fortalezense que utiliza do transporte público no dia a dia, os fatores que determinam o quesito “qualidade” são os que mais sofrem críticas. Entre eles estão: atrasos, superlotação, tempo de espera, serviço ruim, falta de ônibus, má conservação da frota e o excesso de passageiros. Isso mostra a importância em oferecer um serviço


POR OUTROS MEIOS Opções sobre duas ou quatro rodas

maior, também não pensou em opções para quem não utiliza veículos como carros, coletivos ou motocicletas. Assim há na cidade uma carência de ciclovias, faixas exclusivas para ciclistas e mesmo uma total falta de respeito por parte dos condutores em relação aos usuários de tais meios de transporte e de outros como os skatistas e os usuários de patins. Falta muito ainda para uma perfeita convivência entre motorista e ciclistas. Mas para começar a construção de ciclovias nas principais vias da cidade ajudaria e muito a resolver o problema dos ciclistas e também os dos usuários dos veículos que trafegam aos montes pela cidade.

MEDIDAS ALTERNATIVASIsabel Muniz, 27 anos, professo-

ra, Ecologicamente correta, dessas que faz coleta seletiva de lixo, procura uma alimentação saudável e se preocupa com o seu bem-estar, há cinco anos utiliza a sua bicicleta tanto para ir ao trabalho como para o lazer, por considerar este um meio de transporte barato, seguro, ecologicamente correto e saudável. Também porque ganha tempo se locomovendo numa cidade como Fortaleza, cada vez intransitável, por conta da falta de vias. Espera que um dia exista mais respeito com os usuários de tais meios de transporte.

O problema da mobilidade urbana é sabido e notório, não há necessidade de se ir muito longe para se perceber que ao se fazer uma comparação com um doente diria-se que o paciente vai de mal a pior. E as causas são muitas, engarrafamentos, transito lento, ônibus lotados, falta de vias, ruas estreitas e mais e muito mais. No entanto a necessidade faz com que sempre se procure outros meios. E nessa busca se utilizar de outros meios de transporte como bicicletas se tornou uma boa opção. Saudável, eficaz, ecologicamente correta e nada poluente. Tal condução adquire dia a dia mais adeptos e virou moda. No entanto assim como a cidade não se preparou para absolver uma frota de veículos cada vez

Mateus Dantas, 20 anos, estudante, O skate surgiu em sua vida primeiro como uma brincadeira, depois virou um esporte e agora lhe serve como uma excelente opção para locomoção na cidade , por ser rápido, prático, dinamico, também pela radicalidade que proporciona, e ainda por ter um carater esportivo, por não precisar esperar onibus, por ajudar a cortar caminhos, economizar dinheiro e lógico, coloborar com o meio ambiente. Deseja mais do que ninguem para que possa manter essa prática que haja mais vias asfaltadas. Segundo ele, enquanto transita pelas ruas da cidade consegue senti o vento na rosto e sentir a cidade vibrando em seu corpo, sendo às vezes uma parte dela.


A respeito da mobilidade urbana em Fortaleza

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penso que:

ADRIANA SILVA é

estudante, que tem uma rotina bem popular, mora em Maranguape, região metropolitana da cidade, mas trabalha e estuda em Fortaleza, toda manhã em sua viagem de ônibus até a capital é tranquilo, o problema é quando chega a Fortaleza, trânsito lento, ônibus lotado, uma combinação perfeita para um estresse. Segundo ela "A mobilidade Urbana é um caos! Seja o transporte público que começa com a pouca oferta de ônibus nos terminais, bem como o transporte particular que devido o aumento no número de carros na cidade, ainda não se tem a capacidade de absorver a frota atual". "Para solucionar esse problema precisaríamos de um planejamento de pequeno, médio e grande prazo, que inclua desde uma estrutura física, como diminuição da violência, conscientização das leis de transito e melhorias no transporte publico, isso seria o mínimo"

CRISTIANA VIANA é estudante, acredita que a quantidade de ônibus é insuficiente, sendo alguns ultrapassados e desconfortáveis. Segundo ela a seguinte equação resulta no mais completo caos: mais carros nas ruas estreitas + muitos carros + motocicletas= engarrafamentos. Acredita que não exista mais horário bom pra sair de casa e evitar trânsito parado... As obras deixam as vias ainda mais estreitas. E nos locais dessas obras normalmente não existem vias secundarias como opção... caos! Fazer o que além de ter muita paciência.

THIAGO MOURA é estudante, acredita que a situação é cada vez mais complicada, horrível até, acredita que sem metrô e outros transportes de massa, muitos carros e muitos semáforos nas ruas, sem acessos expressos ao centro e a outros pólos empregatícios, a situação tende a piorar cada vez mais, cada dia mais, cada dia pior. Não consegue ver uma solução viável sem que haja vontade política e investimento sério. E vontade política depende se o ano é eleitoral ou não.

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ALLAN KARDEC é cineasta, e acredita que em relação a mobilidade urbana temos sérios problemas na cidade, resultado de uma má politica de planejamento urbana. Espera como todo brasileiro que tal problema se resolve da melhor forma, contudo não sabe qual a m elhor forma de resolver. Em relação a qualidade do transporte urbano oferecido não há como não perceber que é de má qualidade, que há desorganização que começa nos terminais de integração e se entende por toda a cidade, e é vista sem muito esforço nos cruzamentos, nos engarrafamentos, na incapacidade de atender as necessidades dos usuários.


Informativo transitando