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“Não rolou aquela sintonia. Ele é bonito. E bem-sucedido. Infelizmente, não senti vontade de transar com ele.” “Passa ele pra frente”, disse a menina que estava atrás dela na fila. “Foi o que eu fiz.” “Certo.” Eu entendia muito bem que uma relação não fosse para a ente por falta de química sexual, mas ainda assim havia algo naquela situação que me incomodava. Era chato ver Megumi chateada daquele jeito. “Agora vou procurar um gostosão pra mim.” “Vai nessa, garota”, incentivou Lacey. Saí em busca da escadaria que levava à passarela. Havia um segurança bloqueando a passagem e controlando a quantidade de pessoas que podia ficar lá em cima. A fila estava grande, e ao notar isso fiquei desanimada. Enquanto calculava o tempo que iria demorar para chegar até lá, o segurança descruzou os braços parrudos e apertou com mais força a escuta que levava na orelha, demonstrando que estava prestando atenção à mensagem recebida. Devia ser samoano ou maori, tinha a pele morena, a cabeça raspada e os peitorais e bíceps imponentes. A cara era de bebê, e ficou ainda mais adorável quando a testa franzida deu lugar a um sorriso. Ele tirou o dedo da orelha e apontou o dedo para mim. “Eva é você?” Eu fiz que sim com a cabeça. Ele abriu a corda de veludo que bloqueava o acesso à escada. “Pode subir.” As pessoas na fila soltaram gritos de protesto. Eu abri um sorriso amarelo e caminhei em direção à escadaria de metal com toda a pressa que meus saltos altos permitiam. Quando cheguei ao topo, uma segurança mulher me deixou passar e apontou para a minha esquerda. Vi o cantinho que Gideon havia mencionado, onde as duas paredes espelhadas se encontravam, produzindo um ângulo de noventa graus. Fui abrindo caminho entre os corpos que se contorciam ao ritmo da dança, sentindo meu coração se acelerar a cada passo. A música não era tão alta lá no alto, e o ar era mais úmido. O suor brilhava nos corpos expostos, e o local elevado transmitia uma sensação de perigo, apesar de a passarela ser cercada por painéis de vidro até a altura dos ombros de seus ocupantes. Estava quase chegando ao cantinho dos espelhos quando fui agarrada pela cintura e puxada até os quadris em movimento de um homem que dançava. Olhei por cima do ombro e vi que era o mesmo cara da pista de dança, o que havia dito que eu estava linda. Eu sorri e comecei a dançar, fechando os olhos e deixando o ritmo da música me conduzir. Quando ele começou a passar as mãos pela minha cintura, e as segurei, mantendo-as paradas sobre meus quadris. Ele riu e dobrou os joelhos, alinhando seu corpo com o meu. Já estávamos na terceira música quando senti uma inquietação que me dizia que Gideon estava por perto. Uma carga de eletricidade se espalhou pela minha pele, aguçando meus sentidos. A música de repente parecia mais alta, e a atmosfera do clube, ainda mais sensual.

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Crossfire 3 para sempre sua  

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