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Ela não negou. “Tchau, Eva.” “Tchau.” Eu a acompanhei até a porta. “Até que não foi tão ruim”, disse Megumi ao meu lado. “Não teve gritos nem arranhões.” “Vamos ver por quanto tempo isso dura.” “Está pronta pro almoço?” “Estou morrendo de fome. Vamos lá.” Quando cheguei em casa, cinco horas e meia depois, fui recebida por Cary, minha mãe, e um lindíssimo vestido prateado Nina Ricci em cima do sofá. “Não é uma maravilha?”, disse a minha mãe, que usava um lindo vestidinho de mangas curtas no estilo anos 1950 estampado com cerejinhas. Seus cabelos loiros emolduravam seu rosto com cachos espessos e bem penteados. Uma coisa eu precisava admitir: ela fazia a moda de qualquer época parecer glamorosa. Durante a minha vida toda, sempre me disseram que eu era parecida com ela, mas os meus olhos eram verdes acinzentados como os do meu pai, diferentes de suas íris límpidas e azuis, e minhas curvas abundantes também eram uma herança da família Reyes. Por mais que eu malhasse, minha bunda não iria encolher, e o tamanho dos meus seios me impedia de usar qualquer peça que não proporcionasse um belo suporte. O fato de Gideon achar meu corpo tão irresistível me deixava impressionada, já que antes ele só se interessava por morenas altas e esguias. Larguei minha bolsa sobre um banquinho ao lado do balcão e perguntei: “Alguma ocasião especial?”. “Um evento beneficente na quinta-feira que vem.” Olhei para Cary em busca da confirmação de que ele seria meu acompanhante. Ele confirmou com a cabeça, e eu respondi: “Vamos lá”. Minha mãe abriu um sorriso radiante. Por minha causa, ela apoiava instituições que auxiliavam mulheres e crianças vítimas de abuso. Quando os eventos eram jantares de gala, ela sempre comprava convites para mim e para Cary. “Vinho?”, ofereceu Cary, claramente notando a minha inquietação. Eu lancei para ele um olhar de gratidão. “Por favor.” Enquanto ele estava na cozinha, minha mãe caminhou até mim com seus sapatinhos sensuais de sola vermelha e me abraçou. “Como foi seu dia?” “Esquisito.” Eu retribuí o abraço. “Ainda bem que acabou.” “Você tem planos para o fim de semana?” Ela se afastou e percorreu o meu rosto com olhos cheios de aflição. Isso me deixou irritada. “Tenho.” “Cary me contou que você está saindo com um cara novo. Quem é? O que ele faz?” “Mãe.” Resolvi ir direto ao ponto. “Estamos conversadas mesmo? Ou tem mais alguma coisa que você queira me falar?” Ela começou a remexer os dedos inquietos, quase contorcendo as mãos. “Eva. É

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