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não fazia mais parte do meu mundo, nem do de ninguém. Não existia mais o risco de virar uma esquina e dar de cara com ele, ou que ele batesse do nada na porta da minha casa. Eu não precisava mais ter medo de que o meu passado arruinasse a minha relação com Gideon. Ele já sabia de tudo, e queria ficar comigo mesmo assim. No entanto, aquela paz era maculada pelo temor que eu sentia por Gideon — eu precisava da garantia de que ele iria se safar. Como seria possível que jamais fosse acusado por um crime que havia de fato cometido? Nós teríamos que conviver para sempre com o peso dessa ameaça pairando sobre nós? Como isso iria afetar o nosso relacionamento? Eu sabia que as coisas entre nós nunca mais seriam como antes. Não depois de um acontecimento tão grave. Saí do meu quarto já com a cabeça voltada para o trabalho, ansiosa pelas horas de distração que teria na Waters Field & Leaman, uma das maiores agências de publicidade do país. Quando fui pegar minha bolsa no balcão da cozinha, dei de cara com Cary. Ele claramente havia passado a noite se dedicando às mesmas atividades que eu. Estava apoiado no balcão, com as mãos agarradas à beirada de pedra, enquanto Trey, seu namorado, segurava seu rosto e o beijava apaixonadamente. Trey estava propriamente vestido, com jeans e uma camiseta branca, enquanto Cary se limitava a uma calça de moletom cinza bem folgada em sua cintura estreita e sensual. Ambos estavam com os olhos fechados, e tão concentrados um no outro que nem perceberam que não estavam mais sozinhos. Era uma tremenda falta de noção ficar ali parada olhando para os dois, mas foi algo inevitável para mim. Para começo de conversa, eu sempre adorei ver dois homens lindos se beijando. E, além disso, a posição de Cary era bem reveladora. Apesar da vulnerabilidade estampada em seu rosto, o fato de estar agarrado ao balcão e não ao namorado traía seu desejo de manter uma certa distância. Peguei a minha bolsa da maneira mais discreta possível, e saí na ponta dos pés do apartamento. Como não queria chegar toda suada ao trabalho, chamei um táxi em vez de ir caminhando. Do assento traseiro do carro, vi o Edifício Crossfire, que pertencia a Gideon, surgindo na paisagem. Aquela torre azulada e inconfundível abrigava a sede das Indústrias Cross e também os escritórios da Waters Field & Leaman. Meu emprego de assistente do gerente de contas júnior Mark Garrity era um sonho para mim. Apesar de certas pessoas — mais especificamente meu padrasto, o magnata das finanças Richard Stanton — não entenderem por que preferi começar por baixo, deixando de lado o fato de ter muito dinheiro e muitos contatos, eu tinha muito orgulho de ter feito a minha própria carreira. Mark era um ótimo chefe — trabalhava muito e sabia delegar, o que significava que eu estava aprendendo tanto com a orientação dele quanto me virando sozinha. O táxi virou a esquina e parou atrás do Bentley preto que eu conhecia tão bem. Senti meu coração se acelerar ao saber que Gideon estava por perto. Paguei a corrida e deixei o ar-condicionado do carro para en entar o ar quente

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Crossfire 3 para sempre sua  

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