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renovou todas as promessas que havia feito na areia da praia no Caribe, enquanto eu tentava consolá-lo e fazer com que tivesse forças para encarar mais um dia. Estava me maquiando quando Gideon apareceu no banheiro e colocou uma caneca fumegante de café na pia de mármore ao meu lado. Estava usando apenas a calça do pijama, por isso concluí que não iria trabalhar naquele dia, ou então só iria mais tarde. Olhando para ele pelo espelho, procurei algum vestígio de lembrança de seus sonhos. Eu nunca o havia visto assim tão perturbado, como se tivesse levado uma punhalada no coração. “Eva,” ele disse baixinho, “precisamos conversar.” “Concordo plenamente.” Ele segurou a caneca com as duas mãos. Ficou olhando para o café por um bom tempo antes de perguntar: “Você filmou, ou deixou que filmassem, alguma transa sua com Brett Kline?”. “Quê?” Eu virei para ele, apertando com força o pincel de maquiagem. “Não. De jeito nenhum. Por que está me perguntando isso?” Ele me encarou. “Quando voltei do hospital naquela noite, Deanna veio falar comigo no saguão. Depois do que aconteceu com Corinne, eu percebi que uma dispensa grosseira não seria a abordagem mais correta.” “Isso eu já tinha falado pra você.” “Pois é. E você estava certa. Então a gente foi até um bar pra beber uma taça de vinho, e eu pedi desculpas.” “Você saiu com ela pra beber um vinho”, eu repeti. “Não, eu saí com ela pra pedir desculpas. O vinho foi só um pretexto pra ir até o maldito bar”, ele respondeu, irritado. “Achei melhor fazer isso em público do que aqui no apartamento, o que seria muito mais prático e conveniente.” Ele tinha razão, e gostei de saber que ele havia tomado providências para amenizar minha reação negativa. Ainda assim, fiquei com raiva por Deanna ter conseguido um “encontro” com ele. Gideon deve ter percebido como eu me sentia, porque entortou a boca para o lado. “Você é tão possessiva, meu anjo. Sorte sua que eu gosto disso.” “Fica quieto. E o que Deanna tem a ver com o tal vídeo? Foi ela que contou isso pra você? Porque é mentira.” “Não é, não. Depois que eu pedi desculpas, ela resolveu abrir o jogo comigo. Me contou sobre o vídeo, e falou que estava prestes a ser leiloado.” “Essa mulher é uma mentirosa, acredite em mim”, argumentei. “Você conhece um cara chamado Sam Yimara?” Fiquei paralisada, sentindo um nó no estômago. “Conheço, ele se dizia o cinegrafista oficial da banda.” “Isso mesmo.” Gideon deu um gole em seu café, e me encarou com uma expressão bem séria por cima da caneca. “Ao que parece ele instalou umas câmeras escondidas nos bastidores pra conseguir imagens exclusivas da banda, e

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Crossfire 3 para sempre sua  

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