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Era uma das coisas que eu mais adorava nele. Só queria que ele não estivesse tão quieto. Aquilo estava me deixando preocupada, me fazendo questionar a decisão de ter insistido mesmo depois de ele ter pedido mais de uma vez para que eu parasse. Quem era eu para dizer do que ele precisava para superar seus traumas? Enquanto o gerente continuava a falar com Gideon, fui andando pela enorme sala da suíte, com sua varanda imensa e seus sofás brancos espalhados pelo piso de bambu. O quarto principal era igualmente impressionante, com uma cama espaçosa coberta por um mosquiteiro e uma varanda que dava para uma piscina privativa que parecia se juntar à imensidão do mar logo à frente. Uma brisa leve soprava da praia, beijando meu rosto e se espalhando pelos meus cabelos. A lua recém-surgida se refletia no oceano, e o som das risadas distantes e do reggae fez com que eu me sentisse isolada, e não de uma maneira agradável. Nada parecia bom quando Gideon não estava bem. “Gostou?’, ele perguntou baixinho. Eu me virei para olhá-lo e ouvi o som da porta se fechando à distância. “É maravilhoso.” Ele acenou com a cabeça. “Pedi para servirem o jantar aqui mesmo. Tilápia, arroz, frutas frescas e queijo.” “Que ótimo. Estou morrendo de fome.” “Tem roupas pra você no armário e nas gavetas. E biquínis também, mas a piscina e a praia são privativas, então você só precisa usar se quiser. Se estiver faltando alguma coisa, é só me dizer que eu providencio.” Fiquei olhando para ele, sentindo a distância entre nós. Seus olhos brilhavam à luz aca dos abajures do quarto. Ele parecia irritado e distante, e eu senti um nó na garganta e lágrimas se acumulando nos meus olhos. “Gideon...” Estendi a mão para ele. “Me diz se eu exagerei na dose. Se estraguei alguma coisa entre nós.” “Meu anjo.” Ele suspirou e se aproximou para pegar a minha mão e me beijar de leve nos lábios. Mais de perto, pude ver que ele desviou os olhos, como se fosse doloroso olhar para mim. Senti meu estômago se revirar. “Crossfire.” Ele disse isso tão baixinho que quase me perguntei se não tinha sido minha imaginação. Depois me envolveu nos braços e me beijou. “Garotão.” Fiquei na ponta dos pés, o agarrei pela nuca e retribuí o beijo com todas as minhas forças. Ele se desvencilhou de mim com uma certa pressa. “Vamos trocar de roupa antes que a comida chegue. Quero vestir alguma coisa mais leve.” Recuei com passos relutantes, mesmo concordando que ele devia estar com calor naquele terno, senti que havia alguma coisa errada. Essa sensação se tornou ainda mais forte quando Gideon foi para o outro quarto se trocar e eu me dei conta de que não dormiríamos juntos.

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Crossfire 3 para sempre sua  

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