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O local escolhido por Gideon era paradisíaco. O piloto nos conduziu até as Ilhas de Barlavento, voando baixo sobre as águas absurdamente azuis do mar do Caribe pousou em um aeroclube privado não muito longe de nosso destino final, o resort Crosswinds. Ainda estávamos meio abalados quando o avião aterrissou. Afinal, Gideon havia tido o maior orgasmo da sua vida. Quando nossos passaportes foram carimbados, ainda estávamos com os cabelos molhados e nos mantínhamos de mãos dadas. Mal abríamos a boca para falar, tanto entre nós como com os demais. Acho que ainda estávamos nos sentindo muito expostos. Entramos na limusine que estava à nossa espera, e Gideon se serviu de uma bebida. Seu rosto não revelava nenhum sentimento. Suas barreiras estavam todas erguidas, impenetráveis. Sacudi a cabeça quando ele ergueu o copo de cristal, perguntando, sem dizer nada, se eu também queria alguma coisa. Ele se sentou ao meu lado e passou o braço por sobre os meus ombros. Eu me debrucei sobre ele, pondo as pernas em cima do seu colo. “Está tudo bem?” Ele me deu um beijo na testa. “Sim.” “Eu te amo.” “Eu sei.” Ele virou a bebida e pôs o recipiente vazio no porta-copos. Não dissemos mais nada no caminho do aeroclube até o resort. Já estava escuro quando chegamos, mas o saguão a céu aberto era bem iluminado. Decorado com plantas belíssimas e com acabamento em madeira escura e cerâmica, o balcão recebia os hóspedes com uma mistura de elegância e rusticidade. O gerente do hotel estava à nossa espera na área circular de desembarque quando chegamos, com uma aparência impecável e um sorriso aberto. Ele estava claramente empolgado por receber Gideon ali, e pareceu ainda mais satisfeito ao descobrir que ele sabia seu nome — Claude. Claude falava animadamente, e nós o seguíamos de mãos dadas, sem nos soltar nem por um segundo. Olhando para Gideon, ninguém diria que havíamos compartilhado um momento de tanta intimidade apenas uma hora antes. Meus cabelos depois de secos estavam desarrumados, enquanto os dele permaneciam impecáveis. Seu terno estava passado e alinhado, enquanto o meu vestido já mostrava o desgaste de um dia inteiro de uso. Minha maquiagem tinha saído completamente no banho, me deixando pálida e com olheiras. Ainda assim, pela maneira como me conduziu ao interior da nossa suíte, pondo a mão na parte inferior das minhas costas, Gideon deixou bem claro seu temperamento possessivo. Ele fazia com que eu me sentisse segura e desejada, apesar de sua postura distante e profissional diante do gerente.

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Crossfire 3 para sempre sua  

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