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“Ah, sim.” Darrin abriu um sorriso. “Na verdade esse circo todo foi armado pra gente aparecer nesse programa de TV com transmissão simultânea pela internet. Só assim pra Vidal conseguir uma exposição legal pra gente. Tomara que dê resultado porque, puta que pariu, está quente pra caralho aqui.” O apresentador anunciou a estreia do clipe com exclusividade, e no telão o logotipo de seu programa deu lugar ao início do clipe e aos primeiros acordes da música. A tela preta de repente se iluminou, mostrando Brett sentado em um banquinho sob um holofote, assim como na apresentação ao vivo. Ele começou a cantar com sua voz grave e rouca. Absurdamente sexy. O efeito da sua música sobre mim foi poderoso e imediato, como sempre. A câmera foi aos poucos se afastando de Brett, revelando uma pista na ente do palco onde uma multidão dançava. As pessoas eram todas retratadas em branco e preto, menos uma jovem loira, que se destacava em cores vibrantes. Fiquei paralisada. Ela só aparecia de costas e de perfil, mas obviamente era uma referência a mim. Tinha a minha altura, a mesma cor de cabelo e o mesmo penteado que eu usava antes da minha recente mudança de visual. Até a silhueta curvilínea era a mesma. Acompanhei petrificada e horrorizada os três minutos seguintes do vídeo. “Golden” era uma canção abertamente erótica, e a atriz fazia todas as coisas cantadas por Brett — ficava de joelhos diante de um sósia seu, trocava beijos acalorados com ele no banheiro de um bar e cavalgava em seu colo no banco traseiro de um Mustang 67 idêntico ao dele. Para piorar, essas lembranças eram entrecortadas por imagens de Brett cantando no palco, acompanhado pelo restante da banda. O fato de serem atores interpretando tudo aquilo amenizou um pouco meu susto, mas uma rápida olhada na direção de Gideon foi o suficiente para revelar que para ele não fazia diferença. Ele estava testemunhando um dos momentos de maior descontrole da minha vida, e de uma forma bem realista. O clipe terminava com um close em Brett que expressava todo o seu sofrimento, com direito a uma lágrima escorrendo pelo rosto. Eu me virei para ele. Seu sorriso se desfez quando ele notou a cara que eu fiz. Aquele vídeo era pessoal demais. E milhões de pessoas o veriam. “Uau”, disse o apresentador, caminhando até a banda com o microfone na mão. “Brett, você se expôs um bocado nesse vídeo. Foi por causa dessa música que você e Eva se reaproximaram?” “De um jeito meio torto, mas sim.” “E, Eva, você interpretou a si mesma nesse clipe?” Eu pisquei os olhos, confusa, ao me dar conta de que estava sendo apresentada como a Eva da canção em rede nacional. “Não, aquela não sou eu.” “O que você acha de ‘Golden’?” Eu passei a língua pelos lábios ressecados. “Uma música incrível, de uma banda

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Crossfire 3 para sempre sua  

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