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Gideon me alcançou poucos passos depois, me segurou pelo cotovelo e murmurou no meu ouvido. “Ela estava me ligando toda hora. Eu precisava dar um jeito nisso.” “Você deveria ter me contado.” “A gente tinha coisas mais importantes pra conversar.” Brett olhou para nós. Estava distante demais para que eu pudesse ver a expressão em seu rosto, mas sua linguagem corporal expressava uma boa dose de tensão. Apesar de estar cercado por uma multidão que se acotovelava para chegar até ele, só parecia ter olhos para mim. Droga. Ele havia me visto com Gideon, e isso estava arruinando uma experiência que tinha tudo para ser o ponto alto de sua carreira. Conforme eu temia, estava dando tudo errado. “Gideon”, Christopher falou atrás de nós com um tom bem sério. “A nossa conversa ainda não terminou.” “Se manda, Christopher.” Gideon encarou o irmão com tanta hostilidade que eu até estremeci, apesar do calor. “Se não quiser que isto aqui vire um escândalo e o evento vá por água abaixo.” Christopher parecia disposto a insistir na discussão, mas percebeu a tempo que seu irmão estava falando sério. Ele soltou um palavrão baixinho e, quando se virou, deu de cara com Ireland. “Quer deixar os dois em paz?”, ela falou, com as mãos na cintura. “Eles precisam conversar pra se entender.” “Você não tem nada a ver com isso.” “Até parece.” Ela anziu a testa para ele. “Vem me mostrar onde vai ser o lançamento.” Ele parou e estreitou os olhos, antes de soltar um suspiro e sair de braço dado com Ireland. Percebi que a relação entre eles era bem próxima, o que me deixou triste, porque Gideon não tinha a menor intimidade com nenhum dos dois. Gideon atraiu minha atenção de volta para si tocando no meu rosto, uma carícia que transmitia muito amor... e possessividade. Qualquer um que visse aquele gesto seria capaz de entender seu significado. “Me diz que você sabe que não aconteceu nada entre mim e Corinne.” Eu suspirei. “Eu sei que você não quer nada com ela.” “Ótimo. Ela está perdendo a cabeça. Nunca vi alguém tão... Merda. Sei lá. Carente. Irracional.” “Desesperada?” “Talvez. Pois é.” A expressão em seu rosto se atenuou. “Ela não ficou assim quando terminou nosso noivado.” Eu me senti mal pelos dois. Rompimentos traumáticos não eram uma coisa fácil para ninguém. “Da outra vez foi ela que quis terminar tudo. Agora é você. É sempre mais difícil ser a pessoa abandonada.” “Estou tentando dar um jeito nisso, mas você precisa me prometer que ela não vai conseguir arruinar as coisas entre nós.”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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