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“E o bom e velho Brett vai estar lá”, Cary falou, se inclinando na direção de Megumi como se fosse revelar um segredo. “Um personagem do passado. E que pode voltar a aparecer no futuro.” Eu enfiei os dedos no copo e joguei água nele. “Ai, Eva. Você está me deixando molhadinho.” “Continua com essas gracinhas”, eu avisei, “e vai ficar ensopado.” Quando chegamos em casa, às quinze para as dez, Gideon ainda não tinha respondido à minha mensagem. Megumi foi para casa de metrô, e Cary, Trey e eu dividimos um táxi. Os dois foram direto para o quarto de Cary, mas eu fiquei na cozinha, tomando coragem para ir até o apartamento ao lado ver se Gideon estava lá. Eu estava prestes a pegar as chaves na bolsa quando Cary apareceu na cozinha, sem camisa e descalço. Ele pegou uma lata de chantilly na geladeira, mas parou para falar comigo antes de voltar. “Está tudo bem?” “Está, sim.” “Já falou com a sua mãe?” “Não, mas pretendo falar em breve.” Ele se encostou no balcão. “Tem mais alguma coisa incomodando você?” Eu preferi dispensá-lo. “Vai lá se divertir. Eu estou bem. Amanhã a gente se fala.” “Por falar nisso, que horas eu preciso estar pronto?” “Brett quer pegar a gente às cinco. Você pode estar a essa hora lá no Crossfire?” “Sem problemas.” Ele veio até mim e me deu um beijo na testa. “Bons sonhos, gata.” Esperei a porta do quarto de Cary se fechar, peguei as chaves e fui até o apartamento ao lado. No momento em que entrei na sala às escuras, soube que Gideon não estava lá, mas olhei em todos os quartos mesmo assim. Era impossível disfarçar que alguma coisa parecia... fora do lugar. Onde ele poderia estar? Voltei para o meu apartamento decidida a ligar para Angus. Peguei meu celular clandestino e o levei comigo para o quarto. Onde encontrei Gideon no meio de um pesadelo. Alarmada, bati a porta atrás de mim e a tranquei. Ele estava se debatendo na cama, arqueando as costas e soltando um gemido de dor. Ainda estava de jeans e camiseta, deitado por cima da coberta, um sinal de que havia adormecido enquanto me esperava. Seu laptop estava caído no chão, ainda aberto, e com a violência de seus movimentos os papéis sob seu corpo faziam um imenso barulho. Fui correndo até ele, tentando pensar em uma maneira de acordá-lo sem correr perigo, ciente de que ele poderia me machucar involuntariamente. Ele emitiu um grunhido furioso e ameaçador. “Nunca mais”, ele soltou por

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Crossfire 3 para sempre sua  

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