Page 150

Seu sorriso tinha o poder de sempre me deixar com um pé atrás. “Você não se incomoda de saber que Gideon Cross usa o próprio dinheiro pra anular as consequências de seus atos?” Então Gideon estava certo sobre Ian Hager ao dizer que ele desapareceria no mundo depois de receber seu dinheiro. “Se eu achasse que o seu interesse era descobrir a verdade, até conversaria melhor com você.” “É tudo verdade, Eva. Eu conversei com Corinne Giroux.” “Ah, é? Como vai o marido dela?” Deanna deu risada. “Gideon devia contratar você como relações-públicas.” Aquele comentário soou incomodamente familiar. “Por que você não vai até o escritório dele e diz tudo o que está entalado na sua garganta? Ou então você pode jogar uma bebida na cara dele, ou até dar um tapa nele.” “Ele nem ligaria. Isso não faria a menor diferença.” Limpei o suor que descia pelo meu rosto e pensei comigo mesma que na verdade concordava com ela. Eu sabia muito bem o quanto Gideon podia ser io e impessoal. “Mas talvez assim você se sentisse melhor.” Deanna tirou sua toalha de cima do aparelho. “Sei exatamente o que vai fazer com que eu me sinta melhor. Uma boa noite pra você, Eva. Logo a gente volta a se falar, pode ter certeza.” Deanna se afastou, e não tive como espantar da minha mente o pensamento de que ela estava tramando alguma coisa. O que estava me matando era não saber o que era. “Pronto, voltei”, disse Megumi, juntando-se a mim. “Quem era essa?” “Ninguém importante.” Meu estômago escolheu esse momento para roncar audivelmente, anunciando que o bouef bouguignon que eu havia comido no almoço já tinha sido queimado. “Malhar sempre me deixa com fome também. Quer ir comer alguma coisa?” “Claro.” Tomamos o caminho do vestiário. “Vou ligar pro Cary e perguntar se ele quer vir se encontrar com a gente.” “Ah, sim.” Ela passou a língua pelos lábios. “Eu já falei que ele é tudo de bom?” “Mais de uma vez.” Me despedi de Daniel com um aceno antes de sairmos. Quando chegamos ao vestiário, Megumi logo jogou sua toalha no cesto na entrada. Eu hesitei um pouco antes de me desfazer da minha, passando os dedos sobre o logo bordado da CrossTrainer. Lembrei das toalhas penduradas no banheiro de Gideon. Talvez da próxima vez eu pudesse ligar para ele também e convidá-lo para um jantar entre amigos. Talvez o pior já tivesse ficado para trás. Escolhemos um restaurante indiano perto da academia, e Cary apareceu por lá de mãos dadas com Trey. Nossa mesa ficava bem ao lado da janela, era possível sentir a energia pulsante da cidade enquanto comíamos. Estávamos sentados em almofadas no chão, bebendo uma boa quantidade de

Profile for Cláudia Tressoldi

Crossfire 3 para sempre sua  

Crossfire 3 para sempre sua  

Advertisement