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Seria mesmo verdade que Gideon e eu estávamos livres para juntar os cacos que sobraram de nossas vidas e seguir em ente? Como? E por quê? Inúmeras perguntas se acumulavam na minha mente, e eu precisava fazê-las para Gideon, na esperança de que ele soubesse tanto quanto eu. Não era possível que ele estivesse envolvido na morte de Yedemsky. Nisso eu não era capaz de acreditar. Corri até minhas coxas e panturrilhas começarem a queimar, até o suor escorrer abundantemente pelo meu corpo e meus pulmões doerem ao respirar. Foi Megumi que por fim me fez parar, acenando para mim enquanto vinha na direção da minha esteira. “Fiquei impressionada agora. Você é uma máquina.” Diminuí o ritmo para uma corrida leve, depois uma caminhada, e então parei. Apanhei a toalha, a garrafa d’água e desci da esteira, sentindo os efeitos de ter levado meu corpo ao limite por tempo demais. “Eu detesto correr”, confessei, ainda ofegante. “E a sua malhação, como foi?” Mesmo usando roupas de ginástica, Megumi ficava chique. Seu top tinha detalhes em azul que combinavam com a cor da calça justa. Era o visual perfeito para o verão, alegre e estiloso. Ela bateu seu ombro contra o meu. “Assim fica parecendo que eu não fiz nada. Só fiz um circuito rapidinho e fiquei de olho nos gatinhos. A instrutora que me ajudou era boa, mas eu preferia ter pegado aquele cara ali.” Olhei para onde ela estava apontando. “Aquele é o Daniel. Quer conhecer?” “Quero!” Fui andando com ela até os colchonetes espalhados no centro do espaço aberto do andar, acenando para Daniel até que ele nos visse. Megumi tirou às pressas o elástico que prendia seus cabelos, apesar de ficar linda também com o cabelo preso. Sua pele era linda, e a boca, de fazer inveja. “Eva, que bom ver você.” Daniel estendeu a mão para eu apertar. “Ainda mais acompanhada.” “Essa é a minha amiga Megumi. Ela começou hoje.” “Eu vi você malhando com a Tara.” Ele abriu seu lindo sorriso para Megumi. “Eu sou Daniel. Se precisar de alguma coisa é só pedir.” “Olha que eu peço mesmo”, ela avisou, apertando a mão dele. “Fique à vontade. Você tem algum objetivo específico para começar a equentar a academia?” À medida que a conversa entre os dois prosseguia, eu me distraí e comecei a olhar ao redor, para os equipamentos, em busca de um exercício leve para fazer enquanto eles se entrosavam. Em vez disso, encontrei um rosto conhecido. Joguei a toalha sobre os ombros e encarei aquela que nem de longe era minha repórter favorita. Respirei fundo e fui em sua direção, observando enquanto ela se exercitava com halteres de cinco quilos. Seus cabelos escuros estavam presos, e as pernas e a barriga rígida e lisinha, à mostra. Ela estava linda. “Oi, Deanna.” “Eu até perguntaria se você vem sempre aqui”, ela respondeu, guardando o peso no lugar e ficando de pé, “mas isso é muito clichê. Como vai, Eva?” “Vou bem, e você?”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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