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“Ele está dando um trabalhão pro Derek”, observou Parker, limpando o suor da cabeça molhada com uma toalha de mão. Eu me virei para olhar e vi meu pai treinando com um instrutor com o dobro de seu tamanho, e olha que Victor Reyes de pequeno não tinha nada. Com um metro e oitenta de altura e noventa quilos de puro músculo, meu pai era um adversário de respeito para qualquer um. Além disso, ele havia me falado que passaria a treinar krav maga quando eu manifestei interesse em começar a praticar essa arte marcial, e pelo jeito cumpriu a promessa — ele já demonstrava um bom domínio sobre uma série de movimentos. “Obrigada por deixar que ele participasse.” Parker me olhou com seus olhos escuros e tranquilos. Ele vinha me ensinando muito mais do que defesa pessoal. Graças a sua ajuda, eu estava aprendendo a encarar cada coisa a seu tempo, e sem medo. “Normalmente eu diria que aqui não é lugar pra alguém vir descarregar sua raiva”, ele respondeu, “mas Derek estava precisando de um desafio.” Apesar de ele não ter perguntado diretamente, eu não quis deixar a questão no ar, já que Parker estava fazendo o favor de deixar que o meu pai monopolizasse a atenção de seu assistente. “Ele acabou de ficar sabendo de uma agressão que eu so i muito tempo atrás. Agora já é tarde demais pra fazer alguma coisa a respeito, e ele não está conseguindo lidar muito bem com isso.” Ele se agachou e apanhou a garrafa d’água colocada ao lado do tatame. Depois de um instante de silêncio, Parker falou: “Eu tenho uma filha. Posso imaginar como ele está se sentindo”. O olhar reconfortante que ele lançou para mim antes de dar o primeiro gole me fez ter a certeza de que eu havia levado meu pai ao lugar certo. Parker era muito gente boa e, além de ter um sorriso lindo, era uma das pessoas mais sinceras e diretas que conheci na vida. Porém, havia algo em sua conduta que alertava os demais a tomar cuidado onde pisavam. Qualquer um saberia logo de cara que ele era do tipo que não aceitava ser passado para trás. Sua capacidade de provocar estrago era tão aparente quanto suas tatuagens tribais. “Então continue vindo aqui com ele, assim ele se solta e vê que você já sabe se cuidar sozinha. É uma boa ideia.” “Eu não sei mais o que fazer”, admiti. A academia de Parker ficava em uma área recém-revitalizada do Brooklyn. Era um antigo galpão desativado, e os tijolos aparentes e os imensos portões de correr contribuíam para uma atmosfera rústica, mas sem perder a elegância. Era um lugar onde eu me sentia segura e confiante. “Nisso eu posso ajudar.” Ele sorriu e apontou com o queixo para o tatame. “Vamos mostrar pra ele do que você é capaz.”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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