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“Mas eu não sou a sua única máquina”, argumentei, emocionada por ele estar cuidando de mim naquele momento, fazendo com que me sentisse mais relaxada. Na Califórnia, eu usava o carro para ir a todos os lugares, mas desde que me mudei para Nova York era a primeira vez que me sentava atrás de um volante. “Mas é a única que eu quero na minha cama”, ele respondeu. “Sorte sua, porque eu sou bastante possessiva.” “Eu sei.” Seu tom de voz era de pura satisfação masculina. “Onde você está?” “Trabalhando.” “Em mais de uma coisa, aposto.” Pisei no acelerador e respirei fundo ao mudar de pista. “O que significa um papinho com a namorada diante de um império do entretenimento?” “Eu faria o mundo parar de girar por você.” Essa frase meio boba me deixou estranhamente emocionada. “Eu te amo.” “Você gostou dessa, né?” Eu abri um sorriso, surpresa e extasiada pelo seu senso de humor meio ridículo. Além disso, eu estava de olho em tudo ao meu redor. Havia placas indicando proibições por toda parte. Dirigir em Manhattan era como andar em linha reta para lugar nenhum. “Ei, não dá mais pra virar nem pra direita nem pra esquerda. Acho que estou indo pro túnel. Logo mais não vou mais poder falar com você.” “Você sempre vai poder falar comigo, meu anjo”, ele garantiu. “Onde quer que você vá, não importa a distância, eu vou estar sempre ao seu lado.” Quando vi meu pai na área de desembarque, toda a confiança que Gideon me transmitiu no caminho até o aeroporto se perdeu. Ele parecia cansado, exausto, com os olhos vermelhos e a barba por fazer. Senti as lágrimas brotarem nos meus olhos enquanto caminhava em sua direção, mas segurei firme — estava determinada a tranquilizá-lo. Abri os braços e o observei enquanto ele largava a mala e me abraçava com toda a força. “Oi, papai”, eu falei, com um tremor na voz que esperava que ele não percebesse. “Eva.” Ele deu um beijo na minha testa. “Você parece cansado. Não dormiu à noite?” “Só um pouco, depois de decolar em San Diego.” Ele deu um passo para trás, me encarou com seus olhos da cor dos meus, e examinou bem o meu rosto. “Você trouxe mais alguma mala?” Ele sacudiu a cabeça, ainda me observando. “Está com fome?”, eu perguntei. “Eu fiz um lanchinho em Cincinatti.” Por fim, ele se afastou e pegou a mala. “Mas se você quiser comer...” “Não. Eu estou bem. Mas estava pensando em sair pra jantar com Cary mais tarde, se você estiver a fim. Ele voltou ao trabalho hoje.”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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