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costas, e ele se afastou apenas o mínimo necessário para conseguir me encarar. “Não se preocupe com isso, Eva. Eu cuido de tudo.” “Como?” Seus olhos azuis transmitiam uma sensação de tranquilidade, e seu rosto esbanjava confiança. “No momento, estou esperando por mais informações. Existe uma boa chance de isso tudo não dar em nada. Você sabe.” Eu olhei bem para o rosto dele. “E se der?” “Se eu vou deixar alguém pagar pelo meu crime?” Ele cerrou os dentes. “É isso que você está perguntando?” “Não.” Eu desfiz a ruga em sua testa com a ponta dos dedos. “Eu sei que isso não vai acontecer. Só estou perguntando o que você vai fazer pra impedir isso.” Ele anziu ainda mais o rosto. “Você está me pedindo pra prever o futuro, Eva. Isso eu não sei fazer. Você vai ter que confiar em mim.” “Eu confio”, eu disse com veemência. “Mas estou com medo. Não consigo evitar.” “Eu sei. Também estou preocupado.” Ele passou o polegar pelo meu lábio inferior. “A detetive Graves é uma mulher muito inteligente.” Essa observação provocou um estalo dentro de mim. “Tem razão. Isso me tranquiliza um pouco.” Eu não conhecia Shelley Graves tão bem. Porém, nas poucas interações que tivemos, fiquei com a impressão de que ela era inteligente e esperta, conhecedora das malandragens das ruas. Eu ainda não tinha somado todos os fatores, mas deveria. Por mais estranho que isso pudesse parecer, eu sentia uma mistura de temor e gratidão por ela. “Já está tudo certo pra receber o seu pai?” Ao me lembrar disso, voltei a sentir um io na barriga. “Está tudo pronto. Menos eu.” A expressão nos olhos dele se atenuou. “Já tem algum plano pra lidar com ele?” “Cary voltou a trabalhar hoje, então vamos estourar uma champanhe e sair pra jantar.” “Você acha que ele vai estar a fim de fazer isso?” “Não sei nem se eu vou estar”, confessei. “É bizarro demais querer beber Cristal e usar salto alto no meio dessa confusão toda. Mas o que eu posso fazer? Se o meu pai não entender que está tudo bem comigo, nunca vai esquecer essa história de Nathan. Preciso provar que essa coisa horrível ficou esquecida no passado.” “E o resto você pode deixar comigo”, ele garantiu. “Eu vou cuidar de tudo, de nós. Por enquanto, pode se concentrar só na sua família.” Dando um passo atrás, eu o peguei pela mão e o conduzi até o sofá. Era estranho demais vê-lo tão cedo em casa em um dia de trabalho. Ver o sol da tarde brilhando lá fora me transmitia uma sensação de estar totalmente fora da rotina, o que reforçava a impressão de que precisávamos sempre recorrer a uma escapadinha se quiséssemos nos ver com frequência. Eu sentei, cruzei as pernas e o encarei quando ele se acomodou ao meu lado.

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Crossfire 3 para sempre sua  

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