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pode mudar o que ele fez comigo.” Ofereci uma caneca fumegante para ele e enchi outra para mim. “A minha vontade é pôr uma pedra sobre esse assunto e nunca mais voltar a tocar nele.” “Pra você é coisa do passado.” Ele pôs o leite na minha caneca e me devolveu. “Mas pro seu pai ainda é novidade. Ele vai querer conversar a respeito.” “Eu não vou falar sobre isso com ele. Não vou conversar sobre esse assunto nunca mais.” “Ele pode não aceitar isso tão bem.” Eu me virei e o encarei, me inclinando sobre o balcão com a caneca entre as mãos. “Ele só quer ver se eu estou bem. E esse assunto não diz respeito a ele, e sim a mim. E eu estou seguindo em frente. E estou me saindo muito bem, aliás.” Ele mexeu o café com a colher, com uma expressão pensativa no rosto. “Pois é, está mesmo”, ele respondeu depois de alguns segundos de hesitação. “Você vai contar pra ele sobre o seu namorado misterioso?” “Não tem mistério nenhum. Eu só não posso dizer muita coisa a respeito, e isso não afeta em nada a nossa amizade. Meu amor por você e minha confiança continuam inabaláveis.” Seus olhos verdes me desafiaram por cima da caneca de café. “Não é o que está parecendo.” “Você é o meu melhor amigo. E quando eu estiver velhinha, de cabelo branco, vai continuar sendo. Não é porque não posso contar nada a respeito de um cara que isso vai mudar.” “Como eu posso ter certeza de que você confia em mim? Qual é o problema com esse cara que você não pode me dizer nem o nome dele?” Respirei fundo e contei uma meia-verdade. “Eu não sei o nome dele.” Cary ficou me encarando, paralisado. “Está brincando.” “Eu nunca perguntei isso pra ele.” Eram respostas evasivas, que não resistiriam à menor contestação. Cary ficou só olhando para mim. “E eu não tenho com que me preocupar?” “Não. Esse esquema está funcionando bem pra mim. É disso que nós dois precisamos no momento, e eu sei que ele não está querendo só me usar.” Ele me deu uma encarada. “O que você diz pro cara quando está gozando? Você precisa gritar alguma coisa quando a sacanagem esquenta. E pelo jeito deve estar rolando muita putaria, porque vocês dois mal se conhecem.” “Hã...” Eu fiquei confusa. “Acho que eu só digo ‘Ai, meu Deus!’.” Ele caiu na risada, jogando a cabeça para trás. “E você, como está se saindo com os seus casos paralelos?”, eu perguntei. “Muito bem.” Ele enfiou uma das mãos no bolso e se apoiou nos calcanhares. “Acho que Tati e Trey são a relação mais próxima da monogamia que eu já tive. Por enquanto está dando tudo certo.” Eu achava aquilo tudo fascinante. “Você não tem medo de gritar o nome errado quando estiver gozando?” Seus olhos verdes brilharam. “Não. Eu chamo os dois de amor.”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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