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“E o que nós vamos fazer depois disso?”, eu murmurei. “Ah, com certeza eu vou conseguir pensar em alguma coisa.” “Em sexo, né?” Sacudi a cabeça. “Eu criei um monstro.” “E tem também o trabalho... nossa parceria.” “Ai, meu Deus. Você não desiste.” Ele abocanhou uma batatinha. “Depois do almoço, quero que você veja a nova versão do site da Crossroads e das Indústrias Cross.” Eu limpei a boca com um guardanapo. “Sério? Que rápido. Fiquei impressionada.” “Dá uma olhada primeiro e depois me diz se ficou mesmo.” Gideon me conhecia muito bem. O trabalho era minha válvula de escape, então ele me pôs para trabalhar. Levou o laptop para a sala, pôs meu celular no silencioso e foi até o escritório ligar para a minha mãe. Nos primeiros minutos em que fiquei sozinha, eu ouvia o ruído grave de sua voz enquanto tentava me concentrar nos sites que ele me mostrou, mas estava tensa demais para conseguir prestar atenção no que quer que fosse. Acabei ligando para Cary. “Onde foi que você se meteu?”, ele reclamou assim que atendeu. “Eu sei que está tudo uma loucura”, me apressei em dizer, certa de que meu pai e minha mãe tinham ligado para minha casa quando não conseguiram falar comigo no celular. “Desculpa.” Pelo ruído de fundo, percebi que Cary estava na rua. “Que tal me contar o que está acontecendo? Está todo mundo ligando pra mim. Os seus pais, Stanton, Clancy. Estão todos atrás de você, e não conseguem falar no seu celular. Fiquei preocupadíssimo, achei que tinha acontecido alguma coisa!” Merda. Eu fechei os olhos. “O meu pai descobriu tudo a respeito do Nathan.” Ele ficou em silêncio, e os sons dos motores e da buzina eram os únicos sinais de que ainda estava na linha. “Puta merda. Ai, gata. Que mal.” O tom de compaixão em sua voz provocou um nó na minha garganta. Mas eu não queria mais chorar. O barulho de fundo de repente cessou. Ele estava entrando em algum ambiente fechado. “Como ele está?”, Cary perguntou. “Está arrasado. Meu Deus, Cary, foi horrível. Acho que ele estava até chorando. E ficou irritadíssimo com a mamãe. Deve ser por isso que ela estava ligando.” “E o que ele pretende fazer?” “Ele está vindo pra cá. Vai me ligar quando o avião pousar em Nova York.” “Ele está vindo pra cá agora? Tipo hoje mesmo?” “Acho que sim”, eu respondi. “Nem sei se ele podia se afastar do trabalho de novo tão cedo.” “Eu arrumo o quarto de hóspedes quando chegar em casa se você não tiver feito isso ainda.” “Pode deixar que eu cuido disso. Onde você está?”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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