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Comemos no balcão da cozinha, e eu deixei que sua atenção intensa me confortasse. Por mais difíceis que estivessem as coisas, ele estava lá para me oferecer apoio. Ao lado dele, não havia problema que parecesse insuperável. Do que não seríamos capazes se continuássemos juntos? “O que a Corinne queria?”, eu perguntei. “Além de você.” Ele fechou a cara. “Não quero falar sobre ela.” Notei uma certa exasperação em seu tom de voz, e fiquei intrigada. “Está tudo bem?” “O que foi que eu acabei de dizer?” “Uma desculpa esfarrapada que eu preferi ignorar.” Ele bufou, mas acabou se rendendo. “Ela está chateada.” “Chateada de gritar e esbravejar ou de cair no choro?” “E isso faz diferença?” “Claro, uma coisa é ficar puta da vida com um cara, e outra é estar na pior por causa dele. Por exemplo: Deanna está puta e quer acabar com a sua reputação; eu estava na pior por sua causa, mal conseguia levantar da cama todos os dias.” “Minha nossa, Eva.” Ele pegou na minha mão. “Eu sinto muito.” “Já chega de pedir desculpas! Você vai compensar tudo isso aguentando o chilique da minha mãe. E então, Corinne estava puta ou na pior?” “Ela estava chorando.” Gideon fez uma careta. “Estava descontrolada.” “Sinto muito por isso. Só tome cuidado pra não deixar que ela faça você se sentir culpado.” “Eu usei ela”, ele disse baixinho, “pra proteger você.” Deixei o sanduíche de lado e olhei bem para ele. “Você disse ou não disse que só o que tinha a oferecer era sua amizade?” “Você sabe que sim. Mas também dei a entender que poderia rolar mais, pra despistar a imprensa e a polícia. Ficou algo no ar. É por isso que eu me sinto culpado.” “Pois pode parar com isso. Aquela vadia fez de tudo pra que eu pensasse que você estava transando com ela”, eu ergui dois dedos da mão, “duas vezes. Na primeira vez, fiquei tão magoada que ainda não superei o trauma. Além disso, ela é casada, porra. Não tem nada que ficar dando em cima do meu namorado se tem marido em casa.” “Espera um pouco. Que história é essa de fazer você pensar que eu estava transando com ela?” Eu expliquei ambos os incidentes — o mal-entendido do batom no colarinho e a minha visita-surpresa ao apartamento de Corinne, quando ela fingiu que tinha acabado de dar para ele. “Isso muda bastante as coisas”, ele comentou. “De fato não temos mais nada a dizer um pro outro.” “Obrigada.” Ele ajeitou os meus cabelos atrás da orelha. “Tudo isso vai passar, mais cedo ou mais tarde.”

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Crossfire 3 para sempre sua  

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