da
Museu
República apresenta
de 04 de junho a 25 de setembro de 2022 no Museu da República
índice Apresentação textos curadora Isabel Portella Bárbara Copque texto e algumas obras Cláudia Lyrio texto e algumas obras Yoko Nishio texto e algumas obras a exposição a curadora as artistas ficha técnica 5 7 11 15 18 29 30 32
O olhar se perde em banalidades, a concentração fica quase impossível, o cotidiano assume uma força inimaginável. Rotina. Cuidar. Trabalho, cuidar, rotina, angústia, medo. Um momento na vida de todos quando foi preciso inventar, estabelecer elos e mergulhar nas entranhas para construir significados e entendimentos. Se a pandemia instaurou o medo, também despertou a urgência de pensar a delicadeza. Criar vínculos e ampliar diálogos, procurar o sentido nos saberes intrínsecos, encontrar o mágico nas relações, mesmo respeitando distâncias. Nem sempre dias iguais. Dias de pensar, criar. Dias de superação, à flor da pele. Dias de se deixar levar pela voz interna, mansa, insistente das pequenas coisas que nos falam de finitude, impermanência e encantamento.
Encontraremos na obra das três artistas – Bárbara Copque, Cláu dia Lyrio e Yoko Nishio – as propostas e questionamentos de ar tistas que, vivenciando a pandemia, procuraram diferentes meios de expressão. Elas emprestaram seu olhar, sua escrita, ancestra lidade e arte para que possamos entender um pouco melhor a complexidade do mundo, do nosso entorno e do momento.
5 foto: Maurício Seidl
Isabel Portella textos da curadora
Bárbara Copque
Quando a rua é um lugar de felicidade é porque também aí encontramos reconhecimento, valorização e identificação. Para Bárbara Copque, que se reconhece como uma pessoa de vários lugares, a rua é vida. O mundo respira quando a porta de casa se abre e encontros e vivências acontecem, simplesmente. E então as possibilidades se multiplicam nas narrativas visuais. Os campos de entendimento social se ampliam no contato com o diferente. Talvez a violência e a criminalidade estejam presentes, mas a rua é também um lugar de disputas, visíveis e invisíveis.
E então veio a pandemia, interrompendo o diálogo tão profícuo e poderoso. Portas se fecharam. A rua era potencialmente perigosa. O outro podia ser portador da morte. Como lidar com o isolamento quando a vida sempre foi melhor fora de quatro paredes? Bárbara Copque, consciente de que corpo e mente sofrem com a ausência de contato, retoma esse diálogo na forma de uma série de imagens onde rua, porta, entregadores e profissionais assu mem diferentes papéis. Quando o olho é mágico existe a possibilidade de ver sem ser vista. Quando, no isolamento, percebemos a importância de com partilhar, tudo fica muito claro e iluminado. As imagens obtidas são um relato social e amoroso onde desigualdade e responsabilidade caminham lado a lado possibilitando inúmeras leituras, aproximando o espectador.
7 foto: Bárbara Copque
BÁRBARA COPQUE
A porta é a minha rua e o olho é mágico, 2020-2021
impressão em papel fotográfico glossy 6,5 cm de diâmetro (cada obra)
BÁRBARA COPQUE
A porta é a minha rua e o olho é mágico, 2020-2021
impressão lenticular interativa 30 x 40 cm
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fotos: Bárbara Copque
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Cláudia Lyrio
Sempre haverá, na vida de cada ser humano, momentos em que os caminhos ficam confusos, em que perdemos a direção e nada mais faz sentido. Será então necessário enfrentar os medos e mergulhar fundo, pois é dentro de si que se deve ver o exterior, nas palavras de Victor Hugo. É nesse lugar profun do que ficam guardados, muitas vezes esquecidos, os maiores potenciais. São segredos quase nunca revelados.
Cláudia Lyrio apostou na escavação, na arqueologia. Tirou cascas e camadas endurecidas internamente. Entrou por labirintos sinuosos e decifrou seus enigmas. Mas o resultado que emergiu foi incrível. Ao restabelecer a relação com a palavra, o texto literário e a literatura, criou imagens a partir da escrita. Artista visual com formação primeira em literatura, Cláudia trabalha com o traço, o rabisco, as letras. Cria invisibilidades, ficções de si mesma na tentati va de se conhecer/reconhecer. Urde tramas, costura, cola e une pedaços que são como a própria pele. São textos escritos a mão, porque assim significam mais. São os Manuscritos de Si, redimensionando a potência de sobreviver.
11 foto: Maurício Seidl
CLÁUDIA LYRIO
Manuscritos de Si, 2021-2022
Páginas:
1. Este é o meu corpo veste iniciática
2. Ela não sabe como era o fim do mundo em outra época
3. A Montanha conheceu Tupinambás
4. Confissões de putaria
5. Eu também tenho um jardim técnica mista sobre tela 199 x 97 cm (cada página)
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foto: Maurício Seidl
Yoko Nishio
Ao percorrer as imagens de Diário de Quarentena, duas questões se apresentam com bastante clareza para o espectador encantado com a delicadeza e fragilidade dos traços. A impermanência do trabalho que, para se completar, deverá ser lavado, apagado da palma/suporte. E a importância da mão que é ao mesmo tempo veículo de vida, morte e ação. Como diz Yoko, o desenho é cura, é dispositivo para atravessar a pandemia e faz parte de uma rotina de cuidados. São as pequenas coisas do cotidiano que ganharam importância. Com muito pouco, a artista criou figuras para um diário que nada retém, um registro de banalidades fixadas, temporariamente, sobre uma parte do corpo extremamente significativa. Nas mãos estão as linhas da identidade, a marca dos fazeres, as cicatrizes que nos moldaram.
Em Indexados, a pintura vigorosa assume o protagonismo. Como parte de sua pesquisa, a artista questiona a imagem digital, a vigilância, a precarização da vida e dos corpos. O trabalho remoto, que ganhou enorme vulto durante a pandemia, e as telas de computador atuando como janelas, entregan do nossa imagem para ser codificada, sem resistência, docilmente. Ao usar a pintura como resistência a essa codificação, Yoko caminha na direção oposta ao imediatismo. Procura a lentidão das pinceladas, a materialidade de telas e tintas e principalmente um tempo próprio e único para expressar com liberdade seu pensamento.
15 fotos: Bruna Prado
YOKO NISHIO
Diário de Quarentena, 2020
impressão em papel Photomat Canson 11 x 11 cm (cada obra)
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fotos: Bruna Prado
YOKO NISHIO
Indexados, 2020-2021
óleo sobre tela 90 x 50 cm (cada obra)
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Bárbara Copque
Ama a Portela, seu time é o Madureira e fotografa desde pequena. É pós-doutora em ciências sociais, deu máquinas fotográficas para crianças em situação de rua, entrou com máquinas nos presídios cariocas e sempre utiliza a fotografia nos seus estudos sobre violência institucional. Publicou livros, artigos, realizou ensaios foto gráficos, vídeos etnográficos e participou de exposições individuais & coletivas, sendo as últimas no Museu de Arte do Rio de Janeiro/ MAR, nas exposições “Casa Carioca” e “Crôni cas Cariocas”. Professora adjunta da Univer sidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)/ Faculdade de Educação da Baixada Fluminen se (FEBF). Coordenadora do Núcleo de Estu dos Visuais em Periferias Urbanas (NuVISUCNPq/UERJ). Curadora-integrante da coletiva NegrasFotosGrafias. Participa do grupo Afro visualidades e dos projetos de extensão MACP - Mapeando Arte e Cultura visual Periférica e Museu Afrodigital Rio de Janeiro. Ademais, tem um laboratório fotográfico no banheiro da casa e segue cegamente as palavras de Saramago: “é necessário dar a volta nas coisas para vê-las melhor.”
É artista visual, natural pensar o ciclo da vida, narrativo, fabular. São sugerem poéticas que e os territórios da linguagem para a escrita e a materialidade Pintura e Letras, é Mestre Foi professora substituta no Programa de Pós-Graduação e no exterior. Fez individual para diversos salões, RJ/RJ (2022); 1º Salão (2017); Guarulhos/SP(2016);
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@bacopque
Cláudia Lyrio
natural do Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Unindo arte e literatura, busca vida, a perenidade e a efemeridade. Seus projetos se caracterizam por um sentido São produções que ora pedem a caminhada, a coleta e a intervenção urbana; ora que atravessam campos de cor, catalogações naturalistas, práticas de Arqueologia linguagem gráfico-visual dos manuscritos. Sua produção mais recente é voltada materialidade da palavra, enfatizando o gesto e o processo de criação. Graduada em Mestre em Literatura e Especializada em História da Arte e Arquitetura no Brasil. substituta no curso de Pintura da Escola de Belas Artes da UFRJ e atualmente é doutoranda Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ. Participou de diversas exposições no Brasil individual Redesenhando a Paisagem no Museu de Arte de Blumenau/SC. Foi selecionada entre os quais o dos Artistas Sem Galeria (2022), Artes Degeneradas, Ateliê Sanitário, Salão Ibeu Online (2021); Novíssimos, Galeria Ibeu, RJ/RJ (2019); Sequestrado, Fortaleza/CE Guarulhos/SP(2016); e Vinhedo/SP (2016), quando obteve o Prêmio Aquisição de Pintura.
@claudialyrio.arte
Yoko Nishio
É artista visual, professora adjunta da Escola de Belas Artes da UFRJ e pesquisadora. Começou a se dedicar ao tema da violência no doutorado com a pesquisa sobre desenhos e inscrições nas paredes de prisões e delegacias. É doutora e mestre em Artes Visuais pela EBA/UFRJ. Tem diversos trabalhos publicados sobre a relação imagem e violência. Expôs em 2018 no 9º Salão dos Artistas Sem Galeria, nas galerias Zipper (SP), Sankovsky (SP) e Orlando Lemos (MG) e no Abre Alas 14, na galeria Gentil Carioca. Atualmente é pesquisadora do NuVisu - Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas, e do Projeto de Pesquisa e Extensão MACP - Mapeando Arte e Cultura visual Periférica. @yoko.nishio
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Museu da República
Diretor do Museu da República Mário Chagas
Coordenadora Técnica Lívia Murer
Assessor Administrativo Rogério Alecrim (substituto) Arte Contemporânea Isabel Portella
Arquiteta Ana Cecília Santana Educação Ana Paula Zaquieu Exposição Curadoria Isabel Sanson Portella
Artistas Bárbara Copque Cláudia Lyrio Yoko Nishio
Produção de Design Gráfico Tânia Rodrigues de Souza (Tatadesign)
Assessoria de Imprensa Beatriz Caillaux (Midiarte Comunicação) Montagem Adriano Trindade Fotos da Galeria Mauricio Seidl
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