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Recolha de pesquisa de Gil Vicente Gil Vicente foi um poeta e dramaturgo português, nasceu na cidade de Guimarães, em 1466, e morreu em 1536. Suas obras marcam a fase histórica da passagem da Idade Média para o Renascimento (século XVI). Foram várias as obras da autoria de Gil Vicente, sendo as principais, Auto Pastoril Castelhano (1502), Auto da Visitação (1502), Auto dos Reis Magos (1503), Auto da Índia (1509), Auto da Sibila Cassandra (1513), Auto da Barca do Inferno (1516), Auto da Barca do Purgatório (1518), Auto da Barca da Glória (1519) e a Farsa de Inês Pereira (1523). A mais célebre obra de Gil Vicente é o Auto da Barca do Inferno, é considerado uma moralidade, ou seja, uma representação simbólica onde as personagens encarnam vícios ou virtudes com o objetivo de moralizar a sociedade. Cena do Fidalgo no Auto da Barca do Inferno: Diz, cantando: Vós me veniredes a la mano, a la mano me veniredes. FIDALGO Ao Inferno, todavia! Inferno há i pera mi? Oh triste! Enquanto vivi não cuidei que o i havia: Tive que era fantesia! Folgava ser adorado, confiei em meu estado e não vi que me perdia. Venha essa prancha! Veremos esta barca de tristura. DIABO Embarque vossa doçura, que cá nos entenderemos... Tomarês um par de remos, veremos como remais, e, chegando ao nosso cais, todos bem vos serviremos. FIDALGO Esperar−me−ês vós aqui, tornarei à outra vida ver minha dama querida que se quer matar por mi. Dia, Que se quer matar por ti?!... FIDALGO Isto bem certo o sei eu.


DIABO Ó namorado sandeu, o maior que nunca vi!... FIDALGO Como pod’rá isso ser, que m’escrevia mil dias? DIABO Quantas mentiras que lias, e tu... morto de prazer!... FIDALGO Pera que é escarnecer, quem nom havia mais no bem? DIABO Assi vivas tu, amém, como te tinha querer! FIDALGO Isto quanto ao que eu conheço... DIABO Pois estando tu expirando, se estava ela requebrando com outro de menos preço. FIDALGO Dá−me licença, te peço, que vá ver minha mulher. DIABO E ela, por não te ver, despenhar−se−á dum cabeço! Quanto ela hoje rezou, antre seus gritos e gritas, foi dar graças infinitas a quem a desassombrou. FIDALGO Cant’a ela, bem chorou! DIABO Nom há i choro de alegria? FIDALGO E as lástimas que dezia? DIABO Sua mãe lhas ensinou... Entrai, meu senhor, entrai: Ei la prancha! Ponde o pé... FIDALGO Entremos, pois que assi é. DIABO Ora, senhor, descansai, passeai e suspirai. Em tanto virá mais gente. FIDALGO Ó barca, como és ardente! Maldito quem em ti vai! Diz o Diabo ao Moço da cadeira: DIABO Nom entras cá! Vai−te d’i! A cadeira é cá sobeja; cousa que esteve na igreja nom se há−de embarcar aqui. Cá lha darão de marfi, marchetada de dolores, com tais modos de lavores, que estará fora de si...


À barca, à barca, boa gente, que queremos dar à vela! Chegar ela! Chegar ela! Muitos e de boamente! Oh! que barca tão valente!


Pesquisa de Gil Vicente do 1º Período