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De Subsídios Agrícolas e Bolsa Família to, mal paga. Marginalizados e no desespero, esses pacíficos trabalhadores rurais poderiam transformar-se em violentos homens urbanos. Mas outros – estes os verdadeiros produtores rurais cresceram, substituindo a falta dos subsídios com aumentos de produtividade, via adoção de modernas técnicas de produção. Como

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Diz a cultura popular que há males que vêm para o bem. E é verdade. Mas há, também, bondades que vêm para o mal. Quem não se lembra, por exemplo, dos generosos subsídios oficiais disponibilizados aos produtores rurais nas décadas de 1960 e 1970? Esse mecanismo de apoio governamental pretendia desenvolver o campo, via incrementos na produção de alimentos e no bem-estar das famílias dos agricultores, objetivando fixá-las na zona rural, evitando, assim, o êxodo campo-cidade, que já começava a intensificar-se.Mas, na prática, houve distorções nas diferentes linhas de crédito, uma vez que alguns agricultores pouco faziam para garantir uma boa colheita, pois, na eventualidade de uma frustração de safra, tinham os seus prejuízos ressarcidos através do seguro agrícola (componente do crédito concedido), com base no rendimento médio da cultura obtido na região onde residia o produtor que pleiteava o benefício. Além disso, esses produtores desviavam parte do crédito recebido para outras atividades e em suas lavouras adotavam baixas tecnologias de produção, incompatíveis com os rendimentos necessários para alavancar a renda familiar que os colocaria numa melhor posição na hierarquia social. Aprova de que os subsídios não ajudaram a agricultura brasileira, como era desejo do governo de então, está no fato de que o crescimento maior da produção agrícola brasileira ocorreu após a retirada dos subsídios, fato que obrigou o agricultor a inovar ou abandonar o campo. Alguns fizeram isso mesmo e migraram para a periferia da cidade mais próxima, onde hoje constituem um ônus para a sociedade urbana, pois são mão de obra desqualificada e, portan-

Seria desejável que o novo governo estimulasse a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros, desonerando-os da excessiva carga tributária

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resultado, transformaram-se em empresários agrícolas bem-sucedidos e mudaram-se para o andar de cima da pirâmide social. Na verdade, para os verdadeiros produtores rurais, o programa dos subsídios agrícolas mais atrapalhou do que ajudou, pois deu sobrevida aos aventureiros do campo que, via subsídios, competiam no mercado, interferindo na formação dos preços dos produtos agrícolas. Como resultado, perdemos todos: os produtores, que não cresceram e o país, que investiu para ter prejuízo. E o Bolsa Família? Não poderia

este programa guardar semelhanças com o dos subsídios agrícolas, acomodando o beneficiário com o pouco que o poder público pode oferecer e assim desestimulá-lo a procurar uma renda maior, fora do programa? Este benefício foi instituído com o propósito de atender emergencialmente o cidadão sem renda ou com renda insuficiente para usufruir dos direitos mínimos de um cidadão, na expectativa de que depois de certo período ele conseguisse sair da situação precária, arrumar um emprego e liberar a sociedade desse ônus. Não estamos aqui questionando o programa, pois é dever do Estado socorrer o cidadão desprovido do mínimo necessário para sobreviver dignamente, até que sua situação melhore. O que não se deseja é que o Bolsa Família seja percebida como um bem permanente, resultando na acomodação do beneficiário e sua consequente renúncia a uma renda maior, via emprego com salário e carteira assinada. Renunciar a essa possibilidade para não perder o benefício, é renunciar à própria dignidade e a da sua família. Não é a regra, mas é comum beneficiários da Bolsa Família se desinteressar por emprego fixo, porque perderiam o benefício. Para esses cidadãos, a bolsa equivale a um tiro no pé, uma vez que ela desestimula a sua ascensão social. Seria desejável que o novo governo estimulasse a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros, desonerando-os da excessiva carga tributária, o que promoveria a criação de mais empregos, inclusive para os dependentes do Bolsa Família. Amélio Dall Agnol Engenheiro Agrônomo

Governador pede prioridade para projetos que ampliem a produção do RS Ogovernador Tarso Genro participou de reunião na quinta-feira, na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), em Porto Alegre. O chefe do Executivo pediu para que, juntamente com outras secretarias, dentro da transversalidade estabelecida pelo Governo, sejam priorizados projetos e programas que ampliem a produção do Estado, viabilizem renda ao produtor e garantam uma melhor qualidade de vida àqueles que atuem e morem em zonas rurais. O titular da Seapa, Luiz Fernando Mainardi, conversou com Tarso Genro sobre uma série de projetos importantes para o Rio Grande do Sul que serão desenvolvidos somente pela Secretaria, além de outros que serão efetivados por meio de ações conjuntas com outras pastas. Entre as prioridades estão programas voltados para o incremento da fruticultura, comercialização do arroz, estímulo à ovinocultura, estruturação da pecuária de corte com vista no aumento da produção da carne para exportação, sob o selo da melhor carne do mundo e construção de um projeto de irrigação para execução ao longo das próximas décadas.

Milho/CEPEA: Menor safra da Argentina sustenta preços Oclima na América do Sul, especialmente na Argentina, mantémse como foco de atenção do setor. Quase que semanalmente os números de oferta daquele país são reajustados para baixo, deixando agentes extremamente apreensivos. Os estoques continuam sendo pressionados e agora representam 15,2% do consumo, relação praticamente igual à da safra 2006/07 (15,1%). Assim, mesmo com baixa liquidez, os preços no Brasil seguem firmes segundo levantamentos do Cepea, com agentes buscando inclusive negociar o produto para entrega em períodos seguintes. Entre 10 e 17 de janeiro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas-SP) subiu 3,38%, fechando a R$ 30,25/sc de 60 kg na segunda-feira (17).

Leite orgânico pode compensar efeitos das mudanças climáticas Verões mais úmidos e frescos podem ter efeito no leite que bebemos, de acordo com uma pesquisa publicada pela Universidade de Newcastle este mês. Os pesquisadores descobriram que oleite coletado durante um verão britânico particularmente pobre e no inverno seguinte tinham uma quantidade maior de gordura saturada que num ano normal. Mas eles também descobriram que a mudança para o leite orgânico poderia ajudar a superar estes problemas. Durante a pesquisa foi constatada uma diferença considerável entre o leite do primeiro período da amostra (julho de 2006 e janeiro de 2007) e o do segundo período, durante um verão particularmente úmido em 2007 (com 30% a mais de chuvas e temperatura 12% mais baixas que em 2006), no qual o leite coletado tinha alto nível de gordura saturada e poucos benefícios à saúde.

PIB do Agronegócio deve crescer entre 3,5% e 4% em 2011 OProduto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve crescer entre 3,5% e 4% em 2011, previsão que, se confirmada, consolida a recuperação da atividade após queda de 5,51% do PIB em 2009, quando o resultado foi influenciado pela crise financeira internacional. Em 2010, as projeções indicam crescimento de 7% do PIB do setor, previsão que considera o resultado acumulado até outubro, que mostra crescimento de 4,67%.

Agricultores do RS têm dívidas anistiadas Na última semana mais de 45 mil agricultores familiares, assentados da reforma agrária e pescadores tiveram suas dívidas perdoadas. Na terça-feira (11), a Assembleia Legislativa aprovou o Projeto de Lei 001/2011, que trata da remissão total das dívidas dos beneficiários dos programas de créditos do Feaper, Funterra e do Fundo Pró-Rural/RS.


ENTREVISTA

Vandoir Bourscheidt Vandoir Bourscheidt é aluno do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE. Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (2006), mestrado em Geofísica Espacial pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e, atualmente, está na fase conclusiva do doutorado neste mesmo curso, sendo parte deste realizado na Universidade do Arizona (EUA). Tem experiência na área de Geografia e Física (aplicadas), com ênfase em Eletricidade Atmosférica, atuando principalmente em temas como: meteorologia e climatologia, tempestades, relâmpagos, sistemas de detecção de relâmpagos.

Qual o impacto dos relâmpagos sobre o meio ambiente e a atividade humana aqui na região? A economia do Norte/Noroeste gaúcho é movida basicamente pela agricultura e pecuária. E é no campo/lavoura que acontece a maior parte dos acidentes envolvendo relâmpagos. Acredito que estes acidentes, que acabam impactando o meio ambiente e a atividade humana, sejam basicamente óbitos (de pessoas e animais) e incêndios (de propriedades ou florestais). Quedas de energia e queima de equipamentos elétricos também tem grande impacto econômico, inclusive na produção de leite. A morte de gado leiteiro por raios também merece ressalva. Áreas urbanas em geral possuem edificações/prédios com pararraios, que protegem consideravelmente esses locais. Nas regiões descampadas, as pessoas (e também os animais) tendem a se proteger embaixo de árvores, que são, na verdade, locais propícios às descargas e, portanto, nem um pouco seguros. Para ficar em segurança, é melhor ficar dentro de casa. Outra razão de acidentes é o fato de as pessoas acreditarem que os relâmpagos só acontecem enquanto estiver chovendo. Mesmo a nuvem tendo se afastado um pouco (ou se aproximando) do local e não estar chovendo, ainda há a chance de um raio cair naquele local. Hoje, já há como prever com certa antecedência quando haverá maior incidência de raios em uma região? Há como prever a chegada de

tempestades (sistemas convectivos) de maior ou menor intensidade (e isto envolve vento, granizo, precipitação), com ressalvas: essas previsões são limitações espaciais (larga escala) e temporais (curto prazo). Não é possível ainda dar previsões detalhadas e com grande antecedência sobre o grau de severidade, por exemplo, de uma tempestade. Para poucas horas de antecedência, essa previsão tende a melhorar. Especificamente sobre os raios, até o momento não se encontram disponíveis modelos capazes de fornecer em maiores detalhes a previsão de sua ocorrência. Se uma tempestade se aproxima com um grande número de trovões, é provável que esta tempestade apresente também vento forte e até mesmo granizo. Já é algo para servir de alerta à população. O que deveria haver na região para que as pessoas se preparassem para possíveis tempestades,? A expansão/melhoria do sistema de detecção de relâmpagos sobre o Sul do Brasil, aliada aos avanços nos modelos de previsão de tempo atuais, seria de grande ajuda. Esses sistemas fornecem a localização das descargas em tempo real e, como maiores taxas de raios (raios/minuto) estão associadas a tempestades mais intensas, podem auxiliar a Defesa Civil nos alertas para eventos meteorológicos extremos. Outras formas de proteção, como pararraios, casas com estruturas reforçada (para rajadas de vento ou mesmo granizo) podem ser úteis, visto a tendên-

cia de aumento na frequência desses eventos. Construções apenas em locais regularizados, longe das áreas de risco de inundação e desmoronamento, também ajudariam muito. Atualmente, a maior dificuldade dos produtores rurais, é que ainda não se consegue prever as condições climáticas para os períodos de safra. Há como prever com alguma antecedência a estiagem? A atmosfera, que é onde ocorrem todos os eventos climáticos, é um meio caótico que aos poucos vem sendo desvendado. A dificuldade na compreensão, representação e reprodução de suas características por meio dos modelos de previsão é grande e, por essa razão, muitas vezes a previsão se torna complicada. As previsões em curto prazo (até poucos dias) já possuem um grau de precisão/acerto considerável, mas previsões de longo prazo, como no caso de meses, ainda são complicadas devido a toda a dinâmica (temporal e espacial) envolvida. Modelos já foram e vêm desenvolvidos/aperfeiçoados para este tipo de previsão, mas eles dependem, além das equações que os governam, de uma serie de fatores: rede de sensores em superfície, radares e imagens de satélite, e de computadores capazes de fazer as simulações/previsões, e em todos esses aspectos são encontradas limitações espaciais e temporais. Enfim, avanços têm sido feitos, mas ainda há uma grande dificuldade para prever essas condições climáticas de longo prazo com precisão.

Custos de produção: é melhor ignorar? "Prefiro não saber quais são os meus reais custos de produção. Se eu fizer essa análise, aí sim desisto de vez." Por incrível que possa parecer, com frequência ouço esse tipo de comentário feito por produtores rurais durante palestras ou cursos sobre gestão rural. Trata-se obviamente de uma visão simplista e equivocada daquilo que realmente significa a análise dos custos de produção como instrumento de gerenciamento rural. Na ótica dessas pessoas, a análise de custos serve apenas para demonstrar o desempenho econômico da empresa - lucro ou prejuízo. Mas, mais do que isso, essa análise propicia que o empresário identifique com precisão os verdadeiros gargalos da economia da empresa, de tal modo que possa atuar sobre os vazamentos financeiros, reduzindo-os ou estancando-os, bem como avaliar outras estratégias de produção e comercialização que possam viabilizar o negócio. Em não querendo conhecer os seus custos de produção, o produtor rural está assumindo a postura da avestruz, que segundo consta, diante de uma situação de risco iminente, enfia a cabeça num buraco para não ver o que vai acontecer. São conhecidas as duas equações que se colocam para os empresários, de acordo com as circunstâncias do mercado, objetivo final de qualquer empresa, urbana ou rural. Situação privilegiada é aquela em que o produto oferecido é único ou praticamente não tem concorrência no mercado, e é necessário ao consumidor. Esta é uma característica dos monopólios- vide exemplo da embalagem do leite longa vida. Nestes casos, os empresários analisam seus custos de produção, estabelecem a margem de lucro desejada e determinam o preço de venda. A equação então é a seguinte: CUSTOS + MARGEM DE LUCRO = PREÇO Infelizmente esta não é a situação do empresário rural. Na verdade os produtores são meros tomadores de preços nas duas pontas do processo. Cabe-lhes apenas acatar os preços impostos aos insumos e equipamentos necessários à produção, bem como aceitar os que são pagos pelo seu produto e que são determinados pela agroindústria, seu mercado imediato. Ou seja, de um modo geral, o produtor não exerce nenhuma influência nos preços. Considerando estas circunstâncias, a equação que melhor reflete a situação do produtor rural é a que segue: PREÇO - CUSTOS = RESULTADO Ou seja, o resultado da atividade - positivo ou negativo depende fundamentalmente da diferença entre o preço recebido pelo produto e os custos efetivados na produção. Ora, levando-se em conta que o produtor não exerce nenhuma ingerência nos preços, resta-lhe a tarefa de administrar os custos, como forma de influenciar no resultado final da atividade. No entanto, se o produtor preferir ignorar os seus custos ou negligenciar a metodologia de cálculo conforme mencionou o consultor de empresas Maurício Nogueira no boletim informativo A NATA DO LEITE, bem.... mais cedo ou mais tarde, "a vaca vai pro brejo." É verdade que existem fatores que afetam de forma significativa o resultado econômico da empresa rural tais como clima, preços de insumos e de produtos, bem como questões institucionais determinadas pela política agrícola dos governos, que estão fora do alcance de decisões administrativas do empresário rural. Mas também é verdade que existe uma série de fatores que influem decisivamente nos custos e por consequência no resultado econômico da atividade rural e que estão sujeitos a ação do administrador. Entre outros podemos citar o sistema de produção, a escala e a qualidade da mesma, o desempenho produtivo, reprodutivo, a sanidade e a qualidade do rebanho, a eficiência da mão de obra e das máquinas e equipamentos. Uma boa planilha de custos, bem analisada, ajuda a explicitar os pontos de estrangulamento bem como a orientar as ações a serem tomadas no sentido de melhorar o desempenho do negócio. Basta que a encaremos com seriedade e determinação, fazendo dela uma importante ferramenta de apoio às decisões administrativas e não a tratando como se fosse apenas a fotografia de um fracasso.


Demanda por energia apresenta crescimento em 2010 Acompanhando a realidade nacional e seguindo a tendência dos últimos anos, a Ceriluz registrou crescimento na demanda por energia, durante todo o ano passado. O destaque foi para o setor comercial. Em contrapartida, a geração de energia também atingiu o maior índice já registrado pela cooperativa OOperador Nacional do Sistema registrou um crescimento de 8,3% no consumo de energia no ano passado, chegando a 56,5 mil Megawats (MW) médios, o que é considerado o maior nível da história. Segundo a ONS, a retomada da produção industrial, a compra de equipamentos eletroeletrônicos e as altas temperaturas, impulsionaram o consumo de energia no país. A região Sul terminou o ano com alta de 6,5% na carga. Na Ceriluz Distribuição, a situação não foi muito diferente: acooperativa também registrou um crescimento de 5,8% na energia fornecida aos cooperados, em relação ao ano de 2009. Foram distribuídos 82.299.387 quilowatts/hora (kWh) em 2010, contra 78.171.313 kWh, no ano anterior. Na área de atuação da cooperativa o destaque foi para a Classe Comercial, que nos últimos 12 meses apresentou um crescimento na demanda de 35,7%, com um consumo de 11.595.509 kWh, contra 8.544.520 kWh em 2009. O

segundo maior índice foi dos Órgãos Públicos, cujo aumento de demanda foi de 16,3%. A Classe Residencial teve um aumento de 9,4% e a Rural de 4,4% na demanda de energia, comparada ao ano anterior. A Classe Industrial, contudo, esteve na contramão do cenário nacional: ao invés de crescer, consumiu 4,4% menos energia em 2010, comparada a 2009. Geração de Energia - O ano foi bastante positivo para a Ceriluz Geração que fechou 2010 com recorde na produção de energia. No ano passado as usinas da Ceriluz produziram juntas 92.937.710 kWh. Nunca antes nos 11 anos que a cooperativa trabalha com geração obteve um resultado tão positivo. O recorde anterior era de 79 milhões de kWh, alcançados em 2005. A maior geração foi obtida pela Usina José Barasuol, de 83.689.363 kWh, o que não poderia ser diferente, uma vez que se trata da maior usina da cooperativa, com capa-

O Operador Nacional do Sistema registrou um crescimento de 8,3% no consumo de energia no ano passado

cidade de 13,5 MW. A Minicentral instalada no corpo da barragem da José Barasuol acrescentou ainda a produção de 4.513.865 kWh, enquanto que a Nilo Bonfanti, localizada em Chiapetta, alcançou uma produção de 4.734.482 kWh nos últimos 12 meses. Esta produção foi possível graças à colaboração do clima, uma vez que não foram registradas estiagens que comprometessem ao nível dos rios. Em janeiro de 2010, no auge do verão, as usinas geraram mais de 9 milhões de kWh, mesma geração do mês de julho, em pleno inverno, quando a geração tende a ser muito superior devido ao índice maior de chuvas. A geração de energia caiu mais expressivamente apenas entre fevereiro e abril, quando esteve entre 5 e 7 milhões de kWh. Em novembro a produção também caiu, totalizando pouco mais de 6 milhões de kWh. A partir de agosto essa energia passou a ser injetada no Sistema Elétrico Nacional, abastecendo a CPFL Energia, empresa com quem a cooperativa assinou contrato para a venda da energia de suas usinas, por um período de dez anos. Foi um ano positivo para a Ceriluz Geração, o que confirma os investimentos em usinas, como na construção da Usina RS-155, que vai acrescentar 5,7 MW no balanço final da Ceriluz Geração, já em 2011.

Como plantar agrião INÍCIO - O plantio de agrião é feito por meio de sementes, que devem ser colocadas em covas pequenas. ESPAÇAMENTO - As medidas indicadas para o cultivo do agrião são de 20 centímetros entre plantas e 25 entre linhas. Caixotes com 25 centímetros de altura podem ser utilizados como uma alternativa para áreas pequenas. Porém, a profundidade das covas deve ser sempre de um centímetro. CUIDADOS - A irrigação deve ser feita diariamente. Assim que as plantinhas apresentarem ramas de cinco centímetros, é hora de realizar o raleamento. Em cada cova, é bom deixar de três a quatro plantas. COLHEITA - Após cerca de dois meses do plantio, o agrião já pode ser colhido. Antes, verifique se as folhas estão desenvolvidas e tenras. É possível fazer de três a quatro cortes, com intervalos de um mês.


Descanso na tranquilidade do campo ria. É que no dia da entrevista para esta matéria, na quinta-feira, ele recebeu a notícia de que havia passado no Vestibular da UFSM em História. Orgulhoso, o pai complementa: "Ele ficou em primeiro lugar no Peies". Foi no silêncio do campo que Maurício encontrou o refúgio perfeito para seus estudos. "Às vezes passo o dia inteiro lendo", comenta. Mas a leitura não é o único hobby de Maurício. "Gosto muito de jogos de computador", revela. Como se fosse um dom de família, Maurício também tem uma grande aptidão para a música. Toca gaita piano e foi peão destaque da 9ª Região Tradicionalista.

Refúgio para os estudos... Inspiração para a música... Isso e muito mais o sossego do campo proporciona à família Oba, que reside no interior de Ijuí Éno aconchego e na calmaria do campo que Cheila Filippin Oba passa suas férias, no interior de Ijuí, na Linha 4 Leste. Formada em dezembro, em Música, pela Universidade Federal de Santa Maria, nos meses de janeiro e fevereiro ela opta pela residência dos pais para descansar. "É a melhor coisa para se fazer nas férias, descansar, ouvir o barulho dos pássaros, o vento. É coisa que lá em Santa Maria não tem. Lá só se ouve o barulho dos carros". Mesmo tendo que ajudar os pais, Glaci e Schiro Oba, nos afazeres do campo, ela diz que consegue ocupar muito melhor seu tempo durante as férias. "Na faculdade, muitas vezes eu tinha vontade de ler um livro, mas não tinha tempo. Aqui, apesar de ajudar, sempre sobra um tempinho para colocar minhas coisas em dia", enfatiza. Lavar alface, atar rúcula, semear... são algumas das funções que Cheila exerce durante as férias. Mas ela não reclama. Pelo contrário: gosta do que faz. "Adoro estar em contato com a terra", destaca. Mas as férias não são feitas apenas para descansar ou ajudar os pais na lavoura. Na casa dos pais, opiano se torna um companheiro indispensável. Tocando nele, ela sonha, viaja, se distrai e coloca muito do seu conhecimento na faculdade. No entanto, não há nada que ela

O TRABALHO QUE NÃO DÁ TRÉGUA

Durante as férias, é no campo que Cheila Filippin Oba consegue descansar da agitação de Santa Maria

tenha mais saudade, quando está em Santa Maria, do que a comida da mãe. "Eu ligo e falo da falta que sinto da lasanha, do feijão. A comida da mãe é única", salienta. Enquanto Cheila conta um pouco de sua experiência, o irmão Maurício ouve atentamente. Afinal, daqui pouco mais de um mês ele também estará em Santa Ma-

Enquanto muitos trabalhadores aproveitam os meses de janeiro e fevereiro para viajar, ir para a praia, conhecer lugares diferentes, o casal Glaci e Shiro permanece no campo. Para eles, não há como tirar férias. De segunda-feira a domingo... Todos são dias de trabalho. Shiro levanta pouco antes das 6h. Desde que acorda até às 20h o trabalho não lhe dá tréguas. A esposa Glaci é quem ajuda, tirando as verduras, que posteriormente são vendidas na feira. Mas não reclamam da rotina. Afinal, o sucesso dos filhos compensa todo o esforço.


Curso de gestão estimula produtores de leite de Pejuçara O primeiro curso de Gestão da Produção de Leite realizado em janeiro, em Pejuçara, levou conhecimento e estímulo a pequenos produtores rurais como Simone Sartori, que afirmou já ter pensado em desistir da atividade. "O custo dos produtos de limpeza é muito alto, por várias vezes a gente pensou em desistir", disse Simone. Após ter concluído o curso, ministrado em cinco etapas, na comunidade Santa Apolônia, a produtora diz estar convencida de que mudanças no manejo e na alimentação oferecida às 16 vacas leiteiras poderão aumentar a produção de leite eamargem de lucro. "Este curso foi maravilho", disse Simone, "já estamos eliminando carrapatos com produtos alternativos, como chá de folha de cinamomo". A gestão da sanidade dos animais e os custos de produção foram alguns dos assuntos contemplados no curso, ministrado, inicialmente, para 15 produtores. "O técnico da Emater nos ajudou a fazer o cálculo e vimos que nossos gastos com produtos de higiene dariam para pagar o consórcio de um carro", contou Simone. Segundo o técnico agrícola da Emater/RS-Ascar, Paulo Zambra, nos últimos quatro anos, onze famílias deixaram de produzir leite no município (restaram 92 famílias das 103, que produziam leite em 2006). Contudo, destacou

Os certificados do curso de Gestão da Produção de Leite são entregues no final da capacitação

Zambra, a produção municipal aumentou nesse período, chegando a 10,8 milhões de litros produzidos em 2010. As razões para este crescimento de 64%, segundo o técnico da Emater/RS-Ascar, se devem ao crescimento da produtividade, com a inserção de novas tecnologias, e do rebanho leiteiro, que é de 1.801 animais.

Promovido pela Emater/RS-Ascar e prefeitura de Pejuçara e ministrado pelo médico veterinário Fábio Rui e pelos técnicos da Emater/RS-Ascar, Loiva Mittelstaedt, Paulo Zambra e Kelvis Rauber, o Curso de Gestão da Produção de Leite deverá ser estendido aoutras quatro comunidades este ano. A iniciativa tem o apoio do

Banco do Brasil, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Coperlatte e Câmara Municipal de Vereadores. No quadro abaixo, é possível acompanhar o cenário da produção de leite em Pejuçara, nos últimos quatro anos, destacando o contraste entre a diminuição do número de famílias envolvidas e o aumento da produção.

Ano

Famílias na Atividade

2006

103

18.712

2007

102

23.626

2008

101

25.300

2009

97

27.100

2010

92

29.200

Cuca de uva INGREDIENTES:

MODO DE PREPARO:

Massa: 1 xícara de manteiga 3 ovos 3 xícaras farinha de trigo 1 colher (sopa) fermento em pó 1 xícara de açúcar 1 xícara de leite Farofa para cobertura: 3 xícaras de grãos de uvas pretas ou rosada (ao natural) 1 colher manteiga 1 xícara de açúcar Canela em pó Farinha

Bater as gemas com a manteiga e o açúcar. Misturar a farinha, o leite, o fermento e por último as claras batidas em neve. Colocar em uma forma para bolo untada. Cobrir a massa com as uvas e, por cima, colocar a farofa feita com a mistura da manteiga, açúcar, canela e a farinha de trigo. Levar ao forno médio, pré aquecido, por 30 minutos ou até dourar.

Produção/Dia


Pesquisa identifica demanda por produtos orgânicos Estudo desenvolvido por formanda do curso de Administração, Amanda Endler, identificou preocupação da população quanto à saúde Uma pesquisa que integrou o trabalho de conclusão de curso da acadêmica e formanda Amanda Endler, do curso de Administração da Unijuí, revelou dados quanto ao consumo de produtos orgânicos no município de Santa Rosa. Oestudo sugere que os resultados auxiliem produtores a identificar potencialidades na produção, que produzam produtos que tenham maior demanda no mercado. Amanda justificou que nos dias atuais a preocupação da sociedade com a saúde e com o meio ambiente vem aumentando gradativamente, sendo que a agricultura orgânica torna-se uma oportunidade de negócio. "Para que esse setor continue se expandin-

Conforme Amanda Endler, acadêmica que realizou a pesquisa, a agricultura orgânica torna-se uma oportunidade de negócio

do é necessário conhecer melhor o consumidor para que se desenvolvam estratégias para estimular a demanda de orgânicos". O trabalho buscou identificar os fatores que influenciam o comportamento dos consumidores de orgânicos, com intuito de descobrir o que os motiva em sua deci-

são de compra. Um questionário foi aplicado com 143 consumidores de produtos orgânicos da cidade de Santa Rosa. Os resultados identificaram que, variáveis como ausência de agrotóxicos, alimento mais saudável, garantia/segurança de que o produto é orgânico, sentir segurança ao se alimentar,

longevidade e qualidade de vida são aspectos fundamentais no comportamento de compra desses consumidores. Questões referentes à conscientização ecológica e a preocupação com o bemestar da família tem maior importância para as mulheres em relação aos homens.

Amanda diz que cada vez mais os orgânicos estão presentes na alimentação diária de consumidores bem informados e que procuram uma melhor qualidade de vida para si próprios e suas famílias. "É de grande valia estudar esse novo tipo de consumidor, mais consciente, mais bem informado, e que apresenta uma preocupação tanto com as questões do ambiente como com oseu bem-estar. É necessário que os produtores e os comerciantes desse segmento de alimentos compreendam bem o que os consumidores querem e esperam, bem como o que os motiva na hora da sua tomada de decisão de compra, ou seja, o porquê eles preferem produtos orgânicos a produtos convencionais e também como eles se comportam". Aacadêmica propõe sugestões, sendo que as principais se relacionam a manutenção do mercado já existente a partir do melhoramento das embalagens, e também da busca por parte dos produtores da certificação para o produto comercializado, uma vez que a garantia de que o produto é orgânico é umas das variáveis identificadas como mais importantes no comportamento de compra na pesquisa realizada.

Crehnor: facilitando a vida do pequeno agricultor Promover a inclusão social dos associados, oferecer crédito e serviços com menores custos, fortalecer a organização dos trabalhadores e contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável e sociocultural da região de atuação. Essa é a missão do Sistema Crehnor, importante aliado na dinamização das economias locais, viabilizando créditos a agricultura, em especial a familiar. As cooperativas de crédito do Sistema Crehnor têm desempenhado papel fundamental na facilitação do acesso a recursos, sejam de fontes oficiais ou dos próprios associados. Atualmente, fazem parte do Sistema Crehnor uma Cooperativa Central, seis Cooperativas de Crédito Singulares e uma Cooperativa Filiada, totalizando com 56 postos de atendimento que atuam em 310 municípios nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina

moradia através da ine Paraná, financiando clusão social a esse púprojetos que visam à meblico da região, fomenlhoria nas propriedades tado por recursos prorurais. venientes do Pronaf, na Desde sua criação, em liberação de crédito com 2002, o Sistema Crehnor juros reduzidos e algude Cooperativas de Crémas vezes até mesmo dito Rural, tem represensubsidiados para custado ganhos diretos às fateio das lavouras de vemílias, reduzindo a exclurão, de inverno, custeisão e transformando o os pecuários e investisistema de produção da mentos, impulsionando agricultura familiar. Sera agricultura familiar. vem de ferramentas para A Crehnor, que proporciona acesso ao crédito rural A Crehnor possui três o crescimento econômi- para os pequenos agricultores, está com o quadro social faixas para investimenco do País, pois 10% do aberto para inclusão de novos associados to: até R$ 10 mil - com PIB - Produto Interno Bruto - brasileiro vem da agricultura ção e qualificação de seus associ- taxa de juro anual de 1%; até R$ 20 familiar, o que significa uma ri- ados, potencializando a aplicação mil - com taxas de juro de 2% ao ano; até R$ 50 mil - taxa anual de queza gerada de R$ 156 bilhões, dos recursos conquistados. segundo estudos do próprio goA Crehnor está atuando em Ijuí 4%. Ainda, possui uma linha esverno. O Sistema Crehnor viabili- há seis anos e ainda conta com pecífica para o Mais Alimentos, za o acesso a linhas de crédito e a postos de atendimento nos muni- com recursos de até R$ 130 mil, realização de transações financei- cípios de Tupanciretã, Jóia e Itacu- para aquisição de implementos e ras. As cooperativas também de- rubi, dessa forma proporcionan- equipamentos novos, com juros senvolvem projetos de capacita- do condições dignas de trabalho e anuais de 2% e prazo de pagamen-

tos de até 10 anos. Para modalidade de custeio pecuário, a cooperativa libera em torno de R$ 599, 24 até R$ 1.203,69, variando conforme a produtividade média dos animais em lactação, crédito bastante rentável para acesso aos produtores de leite, pois garante a manutenção e capital de giro à produção leiteira, é o que destaca o responsável pela Carteira de Crédito, Arlan C. Voigt e o gerente administrativo, Everton M. Gabi. Na Crehnor, o cooperativismo é praticado em sua integralidade, em todos os aspectos e nos vários momentos em que o associado se faz presente. A Crehnor, situada em Ijuí na Rua 14 de Julho, nª 65, está com o quadro social aberto para inclusão de novos associados. Fone: (55) 3332 7298. Conheça mais sobre a cooperativa no site: www.crehnor.com.br.


Ferrugem asiática ameaça lavouras na região Período é propício para o aparecimento da doença, que reduz a produtividade da soja através da desfolha precoce da planta A maior frequência das chuvas nos últimos dias, associadas à fase de florescimento da cultura da soja, formam uma combinação que proporciona o desenvolvimento e a proliferação rápida da ferrugem. O alerta é do chefe do escritório da Emater regional, Édio Korb. Segundo ele, a partir da segunda quinzena do mês de janeiro, éo período mais crítico e propício para a doença. "O produtor tem que ficar atento, fazer o monitoramento constante da lavoura e, se não souber identificar a ferrugem, o ideal é que procure assistência técnica", salienta. Conforme Korb, o cuidado deve ser intensificado, principalmente porque o fungo já está presente na

região. Ocausador da ferrugem asiática, de acordo com Korb, é um fungo que está adaptado a uma ampla variação de temperatura e só necessita de umidade (chuva ou orvalho) por cerca de 7 ou 10 horas, que mantenha a superfície da folha molhada, para iniciar a infecção. A temperatura ideal para o seu desenvolvimento varia entre 18º C a 26º C. "A ferrugem requer temperaturas mais amenas, o que não tem acontecido nos últimos dias. Períodos quentes, acima de 30º C e de pouca umidade, são desfavoráveis ao desenvolvimento do fungo. A falta de umidade também tem sido desfavorável para o aparecimen-

Ferrugem asiática pode comprometer drasticamente a produção da lavoura

to da ferrugem", explica o chefe do escritório da Emater. Conforme Korb, o cuidado não deve se deter apenas nas folhas da soja. "Normalmente, a doença começa a aparecer nas partes mais baixas. Por isso, todo o cuidado é pouco", enfatiza, acrescentando que as consequências são drásticas. "Em quatro ou seis dias de doença, os danos podem ser muito grandes. Em casos severos, quando a doença atinge a soja na fase de formação das vagens ou no início da granação, pode causar redução do número de grãos por vagem, aborto e queda das vagens. O chefe do escritório da Emater ainda alerta para a aquisição de fungicidas pelos produtores. "É necessário que o produtor fique atento e não adquira produtos de origem duvidosa, pois isso pode comprometer todo o potencial produtivo de sua lavoura", destaca.

Caderno JM Rural - Fevereiro 2011  

Jornal da Manhã - Caderno JM Rural

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